canela

ela tem uma cor que ilumina tudo, uma pele que brilha mesmo na luz fria. sapatos de salto alto de madeira, os dedos de fora, com batatas-da-perna deliciosamente delineadas. estou atrás dela, e posso observar tranquila cada cor e cada curva. ela é alta, morena, e veste saia e casaco cor de creme. a saia tem uma fenda atrás, pude ver as coxas fortes enquanto ela subia, distraída, a escada. a calcinha marca um pouco, é pequena, tento adivinhar a cor e o estilo (ela deve ser daquelas que usam conjuntos sempre combinando, calcinhas com rendinhas e detalhes femininos, creme ou preto). cintura fina, aquele jeito bonito de andar de salto, gingando degrau a degrau. a bunda é grande, bonita, combina com o conjunto. ela tem celulite, percebo. mais um indício de que é uma verdadeira mulher, cheia de hormônios de fêmea. nada da magreza andrógina de algumas mulheres-meninos e nem os músculos excessivos das mulheres-homens. é uma legítima mulher-mulher, quase sinto o cheiro dela de longe.

a escada acaba, ela senta e vejo seu rosto: uma moça de 25 a 30 anos, olhos grandes e castanhos, não é bonita e nem feia, é viva. sentada, ela olha distraída e não percebe que a observo. sinto uma ternura tão grande, como aquela que sinto pelos cavalos e pelos bichos grandes de forma geral: uma vontade de abraçar e afagar vigorosamente, sem nada dizer. sorrio de leve (ela nem vê) e vou tomar meu café, aquecida pela cor da moça.

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