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(sem título)

batidas na porta da frente: é o tempo
eu bebo um pouquinho pra ter argumento
mas fico sem jeito, calado, ele ri
ele zomba de quanto eu chorei
porque sabe passar
e eu não sei

num dia azul de verão sinto vento
há folhas no meu coração: é o tempo
recordo um amor que eu perdi, ele ri
diz que somos iguais, se eu notei
pois não sabe ficar
e eu também não sei

e gira em volta de mim
sussurra que apaga os caminhos
que amores terminam no escuro
sozinhos

respondo que se ele aprisiona, eu liberto
que ele adormece as paixões e eu desperto
e o tempo se vai com inveja de mim
me vigia querendo aprender
como eu morro de amor
pra tentar reviver

no fundo é uma eterna criança
que não soube amadurecer
eu posso, ele não vai poder
me esquecer.

(resposta ao tempo)

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eu quero ser...







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