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maio 2006 Archives

maio 1, 2006

adote um amigo

eu achei esse site muito legal: adote um gatinho. tem as fotos dos pequeninos e sua personalidade, o que é muito fofo :) eu amei um gatão amarelo que está lá, mas infelizmente não podemos mais colocar ninguém nessa casa -- 5 furões é mais do que conseguimos dar conta.

mas se você não tem um animal de estimação ou ainda tem espaço pra mais um, pense bem, quem sabe você não pode achar um dos seus melhores amigos nestas coisas fofas?

vi no mais canela, que aliás é lindo de morrer!

estranhos podem ser estranhos

essa é em homenagem aos que curtem esses grupos de troca de postais pela internet :D

tirinhas daqui.

maio 2, 2006

é que diálogo não se faz só do falar

eu conversava com o fer sobre o meu incômodo com a ausência de diálogo entre as pessoas e me dei conta de uma coisa interessante: há quem pense que diálogo é falar ou escrever. não é, não. dialogar é abrir espaço para a dúvida, para a pergunta, para o diferente; é também admitir mesmo que remotamente mudar de idéia, estar equivocado.

no mega-questionário que respondi ali embaixo lembrei dessa questão do diálogo versus a verborragia. eu sempre falei muito, muitíssimo, o silêncio me incomodava. só depois da terapia (é, minha vida se divide em antes e depois da terapeuta-maravilhosa-liliana) é que percebi que eu falava muito com as pessoas mas dialogava pouco. até porque eu falava pra ouvir minha própria voz e não pra trocar alguma coisa. ouvi uma história com a qual me identifiquei bastante: no meio de uma "conversa" com outra pessoa inteligente, esclarecida, essa pessoa vira pro fulano e diz "você já reparou que tem sempre que dar a última palavra?". eu era 100% assim, sem perceber: já tinha opinião formada, estava pouco interessada em pensar mais um pouco e tinha que justificar meu ponto de vista sempre, mostrando pro outro que eu tinha MOTIVOS pra pensar o que pensava.

posso dizer com felicidade que mudei muito nesse aspecto. não só passei a falar menos (em outras palavras, aprecio os silêncios e as pausas) como passei a não ter necessidade de responder a todos e muito menos de explicar minhas opiniões. já não tenho mais desejo de mostrar que sei ou que estou certa, isso se tornou muito menos importante que os diálogos de fato -- eu gosto de ouvir e ler os outros. não importa o quanto seja igual ou diferente de mim, o fato é que não preciso manifestar meu desacordo ou anuência e nem explicar pra ninguém porque é que "eu estou certa". até porque eu não estou mais certa de nada, me entreguei à fluidez que tanto me caracteriza. parei de querer ter respostas e explicações racionais e convicentes pra tudo.

uma vez o gabis disse que gostava do meu texto porque ele convidava ao diálogo; em outras palavras, dava vontade de responder, de dizer o que você acha. fiquei muito feliz na época e fico ainda mais feliz hoje quando olho meus comentários e percebo que não tenho cedido à tentação de argumentar com as pessoas. leio absolutamente tudo que escrevem aqui e não me sinto normalmente impelida a responder, basta ler e pensar.

a mesma "evolução" se deu nas conversas: consigo hoje ouvir opiniões completamente diferentes das minhas sem me sentir pessoalmente agredida; não tenho mais necessidade de replicar e argumentar, a menos que o propósito da conversa seja esse. sempre que possível me atenho a contribuir com minha visão, procurar agregar e não bater o pé. fico feliz demais em perceber que a teimosia que existia em mim vem desaparecendo aos poucos, enquanto a curiosidade e o espanto pelo diferente aumentam.

o efeito colateral negativo é que perdi a paciência com "monologadores" que acham que estão conversando e os deixo, literalmente, falando sozinhos. e o silêncio, neste caso, não é castigo -- é a melhor resposta, pois é exatamente o que eles esperam de nós todos.

uma comunidade no iogurte para o nosso herói

o perupatolinha, é claro. entra lá e se inscreva na comunidade do perupatolinha, ele merece :)

maio 4, 2006

mais notícias

gollum foi operado e passa bem. encontraram o que estava causando o insulinoma (algumas coisinhas no pâncreas) e se espera que ele fique 100%. está se recuperando muito bem mas ainda não voltou pra casa, estamos aguardando ansiosamente!

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hoje é aniversário do gui! parabéns, hoje é o seu dia, que dia mais feli-iz :) todo amor e felicidade do mundo pra ele.

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vi o terceiro poderoso chefão e gostei, apesar de ser tão triste. o que é o andy garcia, por favor? mas o melhor mesmo é o segundo, eu concordo com a fal.

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acabamos resident evil 4 (MUITO bom) e acabei de pegar o CSI las vegas. sabiam que tem jogo? sabiam que o grissom será nosso chefe no jogo? urru :D

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desenterrei a vontade de ler de novo a fenomenologia do espírito, de longe o livro com título mais cabeuça (como diz nosso marido) que já li na vida. será essa vontade de reler tudo que já foi importante uma vez na minha vida um sinal de velhice? alguém mais tem esses acessos de releitura crônica?

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ou pode ser só medo de me decepcionar com livros novos, mesmo. o que não deixa de ser ranzinza, que é coisa de velho :D

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vi de novo a gaiola das loucas (versão com robin williams) e AMEI, de novo. o filmeé engraçado e muito, muito fofo. eu adoro as bichas velhas usando makeup, não adianta...

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jamais deixo de me espantar com as surpresas gastronômicas boas de são paulo. atenção que essa dica é quente: república dos camarões, restaurante na zona leste de são paulo, lá longe de onde a gente sempre pensa em comida de alto nível. pensem num restaurante agradável, com atendimento atencioso e com mesas que têm ESPAÇO entre si, tal que você consiga ter o mínimo de privacidade (em outras palavras, é possível falar mal de outros comensais sem ter que falar muito baixo :D). pense principalmente em frutos do mar MARAVILHOSOS, moqueca de camarão e bobó de camarão impecáveis. sem exagero, o melhor bobó e a melhor moqueca de camarão que já provei, e olha que já comi nos melhores de salvador (aliás, semana passada comi moqueca na dadá). recomendo MUITO, mas já aviso: o restaurante é na ZL mas o preço é de oscar freire. os pratos são bem servidos e eu sinceramente recomendo economizar em coisas menos importantes e experimentar -- vale cada centavo pago.

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eu, como sou otimista, suponho que o silêncio nos comentários é falta de tempo de vocês e não falta de interesse. façam o favor de não me deixarem falando aqui sozinha, que eu não aguento o meu papo por muito tempo, não, tá?! :)

olá, meu nome é zel e eu sou viciada em memes

peguei na maldita cam, damn her!

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visão
a melhor imagem: furões mimindo e ondas batendo na praia, nas pedras...
a pior imagem: cachorrinho e gatinho magro, sujo e doente na rua; animais em gaiolas

audição
o melhor som: oboé; passarinhos de manhã; aquele som de orquestra afinando antes de tocar
o pior som: qualquer um que seja alto demais

olfato
o melhor cheiro: cebola e alho fritando; mexerica; cheiro da nossa casa
o pior cheiro: melancia

paladar
o melhor gosto: gôsto do que eu gósto :)
o pior gosto: melancia, a maldita MELANCIA!

tato
o melhor toque: o corpo todo submerso em água (pode ser quente, fria, morna, depende da ocasião :))
o pior toque: o que é seco ou áspero

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e eu não consigo responder uma coisa só, não adianta. tou roubando no meme, droga.

a américa latina é o ratinho do mundo

se a américa latina fosse um programa de TV no contexto mundial, seria o ratinho, certeza. acabo de ver uma cena dantesca -- hugo chavez em discurso, no palanque:

- alca, alca, al carajo!

não é lindo? me tirem o tubo JÁ.

maio 8, 2006

vamos fazer picadinho

eu juro que tento, me esforço, mas não dá: não vou mais a barzinhos e nem "baladas". se você for meu amigo, conhecido ou outra coisa qualquer, fique avisado/a: se quiser pode me convidar pra seu aniversário ou comemoração, mas se não for na sua casa eu não vou. não quero mais pagar muito pra tomar um drink e nem aguentar monte de gente fumando que nem demente. saí do bar onde foi o aniversário do gui FEDENDO, um nojo, não suportei nem ficar com a janela do carro fechado, apesar do frio. só depois de um bom banho foi possível voltar a ser eu mesma. ninguém devia pagar pra passar incômodo, certo?

resumindo: não me leve a mal, mas "baladas" e bares, TOU FORA.

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só valeu porque eu vi o gui e sua mãe e mais uma amiga querida que não via há tempos. de resto, o som era bom mas era alto demais pro meu gosto, é impossível conversar, tem gente sem noção, tem gente que eu não tou a fim de encontrar, tem fumaça nojenta de cigarro, tem mesas espremidas, drinks caros, ufa! agora é assim: ou eu vou em restaurante muito bom ou muito chiquésimo ou na casa das pessoas. chega!

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mudando de assunto, tem gente que eu quero mais é que se foda, mesmo. eu não tenho pena de ninguém humano, só dos bichos.

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eu às vezes digo como força de expressão que tenho pena de alguém, mas não se engane, é só forma de dizer. ainda acho que não há nada que nos venha pela frente que não seja merecido ou minimamente procurado. sofrer é, definitivamente, opcional. e a opção, às vezes, é tomar um aditivozinho químico pra ajudar a passar, sim, por que não? o que não tenho saco é pra quem sofre e não quer parar de sofrer, cultiva isso como uma qualidade. se manca, sofrer não é charmoso, é só chato!

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o nosso pequeno gollum está se recuperando, aos poucos, mas tá difícil a nossa vida. comida de 2 em 2 horas de dia e de 3 em 3 horas de noite. e obrigando, porque ele não quer comer. preocupação com o estado do bichinho que não fala, a temperatura que parece acima do normal mas quando medimos tá tudo bem, remédios que permanecem até não sabemos quando. fico pensando que ter filhos deve ser muito mais simples, mesmo.

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a verdade é que não tem alegria igual à que essas criaturinhas nos dão. fico reclamando agora pelo cansaço e a preocupação, mas eles merecem nada menos do que o melhor que pudermos fazer.

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apesar das complicações todas, temos planos de uma viagem curta ainda nesse ano, para o chile (2 semanas). a idéia é ir até lá de avião e descer uma parte de carro, aproveitando a paisagem e conhecendo um pouco do sul, se possível. quem tiver dicas eu agradeço :)

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pontos positivos do home office: fazer reuniões deitada na cama, debaixo do edredon, via skype. não tem preço!

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ainda estou lendo a série duna, segundo livro agora. me sinto um pouco maluca mas dá uma sede danada e quase sinto o cheiro do deserto. não sei se é mérito do autor ou da minha imaginação fértil, mas é maravilhoso poder viver uma história desse jeito. é triste saber que há quem não se entregue à fantasia, a vida deve ficar muito sem graça...

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uma coisa que me irrita demais são os controladores emocionais patológicos. eu inventei esse nome agora, mas você deve conhecer pelo menos um desse tipo: acha que todos pensam nele e falam dele e se não pensam nem falam, deviam; se sente pessoalmente agredido quando sua opinião é diferente da dele e procura convencer a todos que ele está certo dentro da sua concepção de mundo (que aliás é a única que importa), não importando muito o que os outros pensam; faz chantagem emocional constante, mesmo que nem sempre seja consciente; não presta muita atenção ao que os outros sentem ou pensam, isso é absolutamente secundário; quando se preocupa sobre o que os outros pensam ou sentem é quando o pensamento ou sentimento envolvem a ele próprio.

sei que tendo a ser um pouco o inverso disso -- me preocupar demais pelos outros e com os outros e pouco comigo -- e provavelmente é por isso que essas pessoas me irritam. mas será que sou só eu que busco o equilíbrio nessa vida, jesus? todo mundo que eu conheço se acha perfeito e coloca a culpa dos problemas do mundo nos outros. só eu é que percebo que eu erro todo santo dia e tento consertar?

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descobri em pouco tempo de terapia que essa minha excessiva preocupação com os outros e pouca comigo tinha motivações bem diferentes das que eu pensava: o desejo de ser aceita e o medo de ter que encarar meus próprios problemas. eu jurava que era "legal" e "amiga" porque vivia assumindo problemas e dores que não eram meus, ha ha ha! é verdade que foi difícil o período de percepção de quem era mesmo meu amigo e de quem eu ACHAVA que era amigo, mas foi muito mais difícil começar a fazer a faxina em casa ao invés de tirar lixo da casa dos outros. acabei me deparando com coisas não muito legais de se ver, mas é isso: quem quer mudar, muda. quem não quer mudar coloca a desculpa no mundo e nos outros.

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sabe o que eu reparei? aqueles questionários que a gente responde nos blogs: o que a gente responde diz muito menos do que o que não respondemos. já repararam que tem gente que retira algumas perguntas? ficar elucubrando o porquê é altamente divertido :)

fotos do processo de preparo do perupatolinha

pra quem estava esperando, aqui estão as fotos do processo de preparação do perupatolinha. tenho fé que vou pegar a receita e adicionar os links passo a passo, mas melhor não prometer, né? :)

aqui você tem uma idéia da cara dos recheios antes, durante e depois. enjoy!

maio 9, 2006

dúvidas que me intrigam

por que tem gente que mente ou esconde a idade?

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por que não deixam a gente pensar melhor antes de decidir que faculdade quer fazer?

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por que as pessoas preferem a comodidade à mudança?

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por que precisamos explicar TUDO?

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por que um furão tão fofinho como o pixel morre e o galvão bueno continua firme e forte e irritante?

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por que o taxista quer puxar conversa justo naquele dia que você tá de saco cheio?

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por que aquela blusa mais linda que você gostou só tem aquele número e (é claro) não te serve?

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por que a gente acorda pra conferir o relógio quando falta 1 minuto pro despertador tocar?

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por que a gente diz SIM quando quer dizer NÃO?

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por que a orelha não tem pálpebra? (pensa como seria útil)

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por que quando a gente tem uma coisa muito importante pra fazer a gente acha mais mil outras coisas importantes pra fazer?

lições para a vida, no meu inbox

o amor é igual capim: cresce, fica forte... aí vem uma vaca e acaba com tudo!

maio 10, 2006

idéias dispersas, é só isso que resta

fiquei pensando que se o BBB tivesse um paredão de verdade, com fuzilamento em rede nacional eu ia achar legal e incentivar a participação. já que a seleção natural foi sabotada a gente dá uma ajudazinha...

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eu não coloquei as perguntas ali embaixo pra serem respondidas, vejam bem. eram perguntas puramente retóricas, até porque eu juro que não quero saber porque tem gente que mente ou esconde idade, as opções são deprimentes. mas se quiser responder, vai fundo: tou curiosa pra saber a resposta pra algumas delas, confesso.

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o frio chegou de vez e eu adorei, só tá foda ficar em casa e colocar meia pra não morrer de frio no pé. desacostumei.

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depois tem gente que acha que eu sou exagerada, mas vejam só: fomos até a livraria cultura do villa-lobos (daqui a pouco conto o que fomos fazer) e enquanto eu passava pelas estantes vi o seguinte título: como se dar bem na vida, mesmo sendo um bosta. maior cidade da américa latina, né? a maior e melhor livraria do país, acho eu. o que leva alguém a escrever um livro dessa natureza e com esse título eu entendo -- a falta de noção típica do pessoal do C&P (que eu abomino, aliás). o que eu não entendo é quem edita, distribui e principalmente quem compra. esse país é mesmo uma BOSTA.

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aliás, casseta e planeta é o programa de humor mais ordinário que já vi na vida. repetem piadas que meu avô já contava e conseguem tornar toscas e podres coisas que normalmente seriam engraçadinhas. humor sexista, preconceituoso, de baixo nível e sem a menor graça. dizem que cada um tem o castigo que merece e eu concordo: que os bostas do título do livro continuem a assistir a globo e seus programas toscos e encham o bolso dos espertos de dinheiro. entendi tudo: o livre deles é auto-ajuda para telespectadores da globo.

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voltando: fomos à livraria cultura porque eu precisava de citações de livros para a introdução teórica de um artigo da pós (coisa boba, mas eles querem que seja "formal" o troço). pô, na boa, não vou comprar livros só pra poder citar num trabalho bunda da pós, certo? biblioteca que presta (sobre tecnologia, pelo menos) só na USP e eu não vou até lá enfrentar a burocracia pra copiar trechinhos de livros... então achei uma solução alternativa: fui até a cultura, achei os livros e gravei voice memos no celular lendo trechos, pra transcrever depois. simples, fácil, rápido, não doeu nada pra ninguém. será que isso pode ser considerado pirataria? estou infringindo a lei?

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vou pra campo grande hoje à noite, pela primeira vez, volto sexta à noite. bem que gostaria de ficar mais 1 dia, mas tenho aula no sábado de manhã, pra mal dos meus pecados. e 2 artigos da pós pra escrever. preciso de um dublê.

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pra completar, meus exames clínicos estão 100% mas estou com crises de pressão alta (15/11, 16/10), do nada. basta eu não beber água direito e BUM, a pressão sobe. não sei o que é pior: a sensação de estar velha ou a minha incapacidade de cuidar do meu próprio corpo. ficar doente é mais que um risco à minha vida, é um atestado de incompetência gerencial, se é que me entendem.

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ganhei uma bolsa LINDA da betty boop, vermelha, da fabiola. ela dá os melhores presentes, sempre :)

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meu irmão está em madri, meu pai vai visitá-lo no próximo mês. é engraçado ver o pai da gente com medo de enfrentar uma situação completamente nova. pais não deviam ter o direito de ter insegurança, medo, esses sentimentos mundanos. às vezes tenho a sensação que nossos pais deviam ficar preservados, como aqueles quadros antigos em corredores sombrios.

utilidade pública

só pra lembrar: aquela história de pedir a senha quando entrar em fila imensa de banco funciona MESMO! minha mãe testou várias vezes no período o confirmou. portanto, peçam a senha.

problemas com seu banco? use as duas palavrinhas mágicas: BANCO CENTRAL. eles se pelam de medo do banco central porque reclamações por essa via funcionam de fato. sabia disso de ouvir dizer e confirmei essa semana, pois tive um problema sério com o itaú e quando mencionei que faria reclamação pro banco central a gerente do banco pulou da cadeira. ela estornou várias taxas (indevidas, aliás) da minha conta e só faltou pedir pelo amor de deus pra eu não reclamar. aceitei o estorno mas vou reclamar sim.

aqui tem a lista de centrais de reclamação, aqui você confere os bancos mais "reclamados". o banco do brasil, a propósito, é o campeão de reclamações.

maio 13, 2006

mais perguntas que não querem calar!

porque a cam é minha amiga-da-onça e quer me deixar MAIS viciada :D

    would you rather:
  1. be trapped on a desert island with a creature that's top-half is human and bottom-half fish (like a mermaid/merman) OR top-half fish, bottom-half human?
  2. be kidnapped by al-quaeda OR the CIA?
  3. sleep nude in a seedy motel bed OR wear a stranger's underwear for a day?
  4. run over a raccoon while driving to the store OR step on a tarantula?

aqui vão as respostas:
1 - ah, não tem dúvidas: parte de cima gente, parte de baixo peixe
2 - CIA, pelo menos eu entenderia o que eles falam...
3 - usar roupa de baixo alheia por 1 dia (só espero que a roupa de baixo não esteja SUJA né...)
4 - não tem dúvida: pisar na ta-rân-tu-la (pobrezinha! mas mamíferos são mais cute que aracnídeos, sorry)

o maior mistério da vida

o meu movable type não aceita que eu publique as palavras:
- t-a-r-ô
- t-a-r-â-n-t-u-l-a

será que TARA ele aceita? (aceita)

alguém tem alguma dica de que porra é essa?! juro: se eu escrever alguma das 2 palavras sem os hífens ele dá pau no script de publicação. bizarro.

maio 14, 2006

mamãe

minha mãe trabalhava muito pra nos alimentar, vestir e educar. minha mãe tinha sua própria vida com meu pai, uma esfera que nunca nos foi permitida, era só deles. minha mãe tinha seus segredos, que eram só dela. minha mãe nos tratava como adultos, mas não se discutia com ela, só se obedecia. minha mãe nos dizia frases inteiras só com um olhar. minha mãe sempre foi linda, charmosa, engraçada, inteligente. minha mãe lia muito e adorava música. minha mãe chorava. minha mãe ficava brava e nos batia de chinelo. minha mãe não falava a mesma coisa 2 vezes. minha mãe saiu de casa com 16 anos. minha mãe casou grávida. minha mãe sempre foi a pessoa mais corajosa do mundo. minha mãe não tinha medo de homem, mulher, bicho, nada. minha mãe matava barata e rato, sozinha! minha mãe não dependia do meu pai. minha mãe gostava do meu pai, apesar de tudo. minha mãe tinha uma blusa vermelha com borboletas douradas. minha mãe sempre amou todos os bichos e nos ensinou a amá-los e respeitá-los. minha mãe canta super bem. minha mãe fazia os brinquedos mais legais do mundo e as pipas que sempre voavam. minha mãe nos ensinou a cozinhar, lavar, passar, limpar e arrumar -- não porque precisasse, mas porque queria que nós aprendêssemos a mandar direito no futuro. minha mãe nunca pediu desculpas e nem disse "obrigada". minha mãe sempre acordou cedo e me acordava com carinho no cabelo, bem de leve, toda manhã, com café pronto.

ela não olhava a minha lição de casa, porque afinal sempre fui boa aluna. não perguntava da minha vida pessoal porque já achava que já tinha me dito tudo o que era importante saber, quando eu tinha uns 10 ou 11 anos. ela me disse pra não acreditar nos homens e pra cuidar de mim mesma, pois não haveria ninguém que pudesse fazer isso por mim; me disse pra não confiar nas mulheres; me disse pra pensar no futuro e guardar dinheiro; me disse pra confiar em mim mesma e sempre lutar pelo que eu queria; me disse que eu fosse uma vencedora e não dependesse nunca de ninguém.

eu sempre acreditei nos homens e sempre confiei nas mulheres; nunca pensei no futuro e não guardei nenhum dinheiro, absolutamente nenhum; confio e sempre confiei em mim mesma com fé cega. luto muito e sempre consigo o que quero; sou uma vencedora e não dependo de ninguém. sei limpar, cozinhar, lavar e passar muito bem mas nunca aprendi a mandar como ela. ainda odeio acordar cedo, provavelmente porque ela não me acorda mais com carinho no cabelo hoje em dia.

muitas das coisas que fiz e faço são por ela e pra ela, mesmo que ela não saiba. me vejo às vezes comemorando minhas pequenas vitórias com ela, dizendo "viu isso, mãe?". a sensação é que ela nunca viu. sabe quando, na peça da escola, você faz aquela pirueta que ensaiou o ano todo e sua mãe estava procurando alguma coisa dentro da bolsa e não viu? é essa a sensação constante. é a ela que eu quero e sempre quis agradar, e ela provavelmente nem sabe, nunca soube.

durante anos me senti fazendo piruetas sensacionais enquanto ela procurava alguma coisa na bolsa. ou pior: quando ela olhava a pirueta e não achava nada demais... é só isso? (e volta a procurar a maldita coisa na bolsa) senti raiva, tristeza e carência tantas vezes, apesar de receber apoio de tantos à minha volta. não importava que elogiassem ou dissessem que eu era ótima: eles não são ELA. se ela não me diz que eu sou ótima eu não sou, não ainda. preciso fazer MAIS. vivi em pé de guerra com minha mãe por muitos anos, silenciosamente e quase sem perceber.

houve um dia nos últimos 5 anos -- e juro que não sei dizer qual -- em que finalmente fiz as pazes com minha mãe. não com a minha mãe que mora com meu pai, porque com essa eu nunca estive em guerra, não de verdade. fiz as pazes com a mãe que mora em mim, que trago comigo desde sempre, todo o dia e todas as horas. é contra essa que me revoltei quando adolescente, essa mãe que eu nunca tive mas sempre quis.

eu queria uma mãe que fizesse chá quando eu estivesse doente, que cuidasse de mim, que me desse colo e conselhos; uma mãe que não me mandasse lavar a louça, que fizesse meu prato preferido todo dia. queria uma mãe que me perguntasse como eu me sinto e se eu preciso de ajuda. queria uma mãe que me abraçasse e beijasse, que me tratasse como o bebê que eu ainda me sinto. em suma, uma mãe que não pensasse que eu sou perfeita e mais forte que todo mundo.

quando fiz as pazes com minha mãe interior, percebi que tinha me afastado todos esses anos da minha mãe de verdade, aquela que mora com meu pai. comecei a enxergá-la e amá-la mais do que nunca amei. percebi que sempre me relacionei com minha outra mãe e não com ela, a mulher que está além da minha fantasia. percebi e perdoei seus defeitos e pude ver melhor suas qualidades. com certo choque percebi como ela também mudou nesses 30 anos, e pra melhor.

não sei se foi ela quem mudou ou eu é que hoje sou capaz de ver, mas ganhei a mãe dos meus sonhos: a que faz bolinho de chuva com banana numa tarde durante a semana, a que pergunta como eu estou me sentindo e me faz cuidar mais da minha saúde, a mãe que dá colo e atenção quando eu mais preciso, sem que eu tenha que pedir. ganhei uma mãe que me respeita e me ajuda, que sabe das minhas limitações e as aceita, que não tenta me dizer o que eu devo fazer mas procura me dar conselhos bons.

em paz com minhas mães, sou capaz hoje de enxergar essa mulher que me concebeu e me criou, consigo ouvi-la, ajudá-la, entendê-la melhor. mais que em qualquer outro dia das mães, hoje estou feliz porque consegui conhecer minha mãe inteira e a tempo de aproveitar tudo o que ela tem de melhor, então deixo um recado pra quem tiver lido até aqui: não deixe sua mãe interior impedir você de conhecer sua mãe de verdade, um dia pode ser tarde demais.

maio 15, 2006

politicamente incorreto tem limites

se eu disser MESMO o que penso a respeito de bandidos usando celulares na cadeia, sobre o sistema penitenciário, sobre o que devia ser feito com traficantes, assassinos, estupradores e afins ia arranjar muita encrenca. vou ficar bem quietinha e praticando pensamento positivo (acreditem: se meu desejo matasse as penitenciárias todas já tinham virado parques).

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basta dizer que acabo de ler uma matéria de 2002 falando do chefe do PCC que está comandando a guerrilha aqui em SP nos últimos dias, já dizendo que ele comandava tudo via celular, confortavelmente instalado na sua cela de prisão. não muito diferente dos executivos presos nas suas salas de escritório sei lá quantas horas por dia. mas ele ganha mais, deve estar mais motivado.

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enquanto isso a gente fica trancado em casa, assistindo cenas dignas de filme. pelo menos minhas reuniões de amanhã foram canceladas, vou mandar um email pro moço do PCC na prisão, agradecendo a folga, aposto que ele tem email e tá online nesse instante.

diz que estamos exagerando

o chefão da polícia tá dizendo na TV que a gente não precisa se preocupar e que esse caos todo é causado por boatos da imprensa e na internet. diz que a situação melhorou desde sexta e não tem motivo para pânico.

por outro lado, aparece a marginal tietê com policiais dando tiro pra todo lado, ônibus queimados, companhias de ônibus tiraram os carros da rua. a polícia sai da delegacia de colete à prova de balas e escopetas.

eu é que vou sair de jeans e camiseta pela cidade, lépida e fagueira, armada do meu celular e da minha bolsinha da betty boop? ah, então tá bom, seu policial. tou indo, vai indo que eu já vou.

maio 16, 2006

entre mortos e feridos...

não se salvaram todos, vocês sabem. tem policial que morreu, tem civil que morreu e (insira aleluias aqui) teve bandido que morreu. tem a nossa sensação de medo misturada com a de ser bobo e estar "entrando no jogo" (afinal, e se for tudo oba-oba mesmo da imprensa?). mas eu vejo helicópteros passando pra lá e pra cá o dia todo e minha mãe ontem voltou a pé pra casa do meio do caminho, porque não havia ônibus das ruas da cidade.

há quem diga que violência não leva a nada e não resolve nada e eu concordo, de coração. sou contra armas, de todo o tipo, sempre fui contra a pena de morte. sempre acreditei que guerra só atende a interesses econômicos e que nós entramos como peões pra alguém ganhar o jogo. sempre achei que o diálogo e a justiça são os melhores caminhos quando existe conflito.

antes dos 20 anos eu acreditava no comunismo. não exatamente no que se chamou de comunismo no mundo, essa leitura equivocada de uma idéia, mas a idéia propriamente dita (quem leu marx vai entender o que eu estou dizendo). quando eu de fato li marx e entendi o que era o comunismo, deixei de acreditar. percebi que aquilo jamais seria alguma coisa possível ou boa, simplesmente porque parte de uma premissa que jamais se concretizará: que o ser humano poderia um dia deixar de ser violento, ganancioso, vaidoso e invejoso. não acredito que nasceu ou nascerá um humano que não seja egoísta, vaidoso, ganacioso; não haverá humano que, para garantir o seu, hesite em passar por cima do "próximo".

o mundo que nos cerca e do qual reclamamos tanto reflete exatemente o que somos, nem mais nem menos. a violência, quando iniciada, nos mostra que não somos são evoluídos quanto gostaríamos, nem tão bons, nem tão solidários. em situações de crise exibimos o que temos de pior (é fácil ser legal e bonzinho quando está tudo bem, quando é tudo "na teoria").

falo do meu desejo mais profundo e básico, sem nenhum orgulho: quando ameaçam a minha vida e a vida dos que eu amo, desejo profundamente que sejam aniquilados, que morram de mortes dolorosas, em praça pública, que sejam todos fuzilados. e pra evitar retaliações, que aproveitem e matem seus comparsas, suas famílias, que se livrem de todos, sem exceção e sem pena.

o conflito traz mortos e feridos que são contabilizados, devidamente chorados e enterrados; quero saber o que fazer com a parte de nós que morre quando desejamos tanto mal e percebemos que também em nós há um pedaço de caos, miséria e violência? pra esse pedaço podre não tem choro e nem redenção; ele fica e, acreditem em mim, incomoda.

someone is there / waiting for my song

se você também gosta da musiquinha do comercial do mercado livre, pegue o MP3 aqui. mas não se iluda: não é uma música completa, é só um trechinho pro comercial. procurei e achei um rapaz que escreveu pra agência pedindo o nome da banda e descobriu que não existe uma música e nem mesmo uma banda, é um jingle.

well, melhor que nada. enjoy :)

presente para fal

pão de lingüiça da minha mãe

ingredientes
- 1 envelope de fermento seco de pão ou 3 tabletes do fermento úmido
- 1 copo americano de água morna
- 1 pitada de açúcar
- ½ xícara de óleo comum
- ½ kg de farinha de trigo
- sal a gosto (+ ou – 1/2 colher de sopa)

utensílios
- assadeira para ir ao forno
- superfície lisa para trabalhar a massa
- abridor de massa (pau de macarrão :)) caso não consiga abrir a massa na mão
- vasilha grande para misturar os ingredientes

modo de fazer
coloque os ingredientes nesta ordem numa vasilha grande e misture: fermento, água morna, sal, açúcar, óleo. coloque a farinha aos poucos até ficar uma massa fofa que não grude muito nas mãos. deixe descansar meia hora. abra a massa com as mãos ou com o pau de macarrão, coloque o recheio que desejar, feche o pão com as mãos, juntando as bordas. asse em forno médio até dourar.

para rechear com lingüiça
½ kg de lingüiça (a de pernil, fresca, é a melhor!)
1 cebola pequena picada

tire a carne da lingüiça da tripa, misture com a cebola picada e recheie a massa do pão já aberta.

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minha mãe faz esse pão com escarola refogada com bacon, é muito bom também. pode colocar tomate seco, queijo, presunto, sei lá, o que quiser :)

maio 18, 2006

desculpem o silêncio, mas...

é que eu considero vulgar falar sobre coisas que saem no jornal, sabe? não me entendam mal, não estou xingando ninguém, vulgar aqui quer dizer comum, ordinário. é que minha mente fantasiosa ODEIA falar de realidade, eu gosto mesmo é de falar de desejos, percepções ou no máximo opiniões sobre coisas absolutamente desimportantes.

por exemplo que eu acho que deviam terceirizar a gestão do brasil pra algum país mais civilizado, sei lá, a argentina. ou que penso seriamente em me mudar pra montevidéu ou madri e que milão podia ser uma boa opção se eu falasse italiano.

falando em falar outro idioma, tou procurando professor(a) de espanhol que venha aqui em casa dar aula pra mim e pro fer. pros furões também -- se conseguir ensinar eles a responder em espanhol a gente dá um prêmio :) -- alguém pode indicar, dar contatos?

falando em contatos eu sinto saudade dos meus meninos lá de manaus. hoje vi umas fotos, eles continuam lindos e os lugares são lindos também, deu vontade de ir passar uns dias por lá.

eu estou com uma enxaqueca irritante em adição ao problema da pressão-inconstante. ando bebendo água feito demente e contando os dias para a consulta. é engraçado como homem resiste a médico e mulher AMA médico, né? basta ter um dor no dedão corre pro médico. homem tá morrendo e diz que não precisa de médico coisa nenhuma. não entendo essas coisas, não.

falando em não entender acho que também não entendo palavras vazias. pode ser viagem da minha cabeça (a chance é grande, eu sou meio viajona) mas quase posso VER palavras ocas, sejam escritas, sejam faladas. vira e mexe me incomoda o bom dia da boca pra fora e os convites de visita sem endereço. me incomodam às vezes também as amizades distantes (não fisicamente, isso não faz tanta diferença), mas isso eu já devia ter aprendido a diferenciar, eu é que insisto.

algum cantor mineiro já deve ter dito essa frase (e que fique claro que eu abomino a maior parte deles) mas há sentimentos que não envelhecem. me olho no espelho e vejo outra pele, outro cabelo, outros olhos e definitivamente outro corpo. mas é tão novo quanto sempre o sentimento de espanto e surpresa com o solzinho que bate no canto do quarto. e eu ainda disfarço um sorriso quando coloco o pé pra esquentar no sol de inverno.

coisas que eu já não me permito mais

- viajar de ônibus se há a opção de ir de avião
- usar minissaia ou miniblusa
- ficar bêbada
- ficar ao sol sem protetor solar
- acampar (horror dos horrores)
- dedicar o mesmo poema ou música para diferentes amores
- dizer às pessoas exatamente o que penso
- atender celular a qualquer hora e em qualquer lugar
- desprezar as crenças alheias
- achar que todo mundo é burro e eu é que sou muito esperta
(update)
- usar batom vermelho ou qualquer outro tom forte
- deixar o cabelo comprido

maio 21, 2006

a contagem regressiva antes do cardiologista

então, terça-feira eu vou visitar um cardiologista e descobrir o porquê das variações bizarras de pressão. fui procurar no google, como eu sempre faço, com perguntas diretas: "o que causa pressão alta?" e o google me respondeu muito bem, como sempre: peso excessivo (confere), sedentarismo (confere), variação hormonal (confere), colesterol alto (não confere, o meu é normal), fatores genéticos (confere). quatro de cinco me pareceu bastante significativo. hm.

ou seja, já sei que terça-feira será um dia de ouvir tudo o que já sei, mas da boca do dotô, que me dará bronca, me mandará fazer dieta e principalmente exercício e a minha vida mansa vai acabar. pra comemorar e me despedir da esbórnia, almocei galinha frita e polenta, com chopp escuro.

a vida será difícil depois de terça-feira, eu sei. mas com sorte eu serei uma pessoa mais saudável daqui pra diante.

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vimos código da vinci e amei o filme. achei divertido, crível e bem feitinho. só religioso bobo pra se incomodar com a história. bobo ou ignorante, porque as grandes questões teológicas do filme são velhas conhecidas de quem estuda história, não há novidade nenhuma ali. a propósito, o enredo se parece muito com os jogos de RPG do PS2 que costumo amar :) há charadas, códigos para decifrar e "onde estará a próxima pista?" -- diversão garantida para os que são de diversão. fiquei até com vontadinha de ler o livro (aquele que já até comprei e ficou ali no canto encalhado).

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furões indo bem, mas ainda somos escravos dos remédios de 8 em 8 horas. não nos convidem para programas fora de casa que durem mais de 4h, please. não que muita gente convide, vejam bem, acho que finalmente atingimos nosso objetivo: fomos esquecidos por todos :)

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ainda estou na dúvida: procriar ou não procriar, eis a questão? já tive diversas oportunidades e declinei voluntariamente todas elas. pode se dizer que a natureza tem sido insistente e que eu tenho sido teimosa mas já desfiei meu rosário por aqui: que bem farei eu colocando mais gente nesse mundo? além, é claro, de toda a preguiça de ter alguém além de mim pra cuidar...

por outro lado, creio muito na natureza e acho que ela é sábia (e exatamente por isso não gosto dos métodos artificiais de procriação); se ela for mesmo sábia a idiota sou eu, que tenho sido teimosa. quem sabe é a hora de tirar a teima e ver o acontece: se depois de tantas tentativas a natureza ainda assim achar que eu devo ser mãe, então que seja, eu aceito, vá.

além do mais, junho está chegando, o mês certo pra gerar mais um(a) pisciano(a) :D

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o silêncio aqui no apartamento é tão grande que parece sempre fim-de-semana. às vezes estou trabalhando aqui na sala e me pego espantada com a ausência de barulho de carros, gente, conversa, música. por que quando fica tudo silencioso parece que o tempo parou?

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falando em parar o tempo, vi na UOL que saiu na playboy a lista dos "top 10" livros eróticos. alguns não conheço e outros acho mais ou menos, mas um da lista me deixou feliz: vox, um dos livros mais tesudos que já li. irmão dele (e mais tesudo, na minha opinião) é fermata, do mesmo autor (nicholson baker). se você gosta de literatura erótica leia fermata, por favor! conversando com o fer hoje sobre esse livro, concluímos que é possível que nem todos gostem do seu apelo, mas... paciência. leia e, se gostar, me avise :D

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lembrei hoje de uma autora que gosto muito e descobri no início da década de 90 (logo depois de ver o filme que a deixou quase-famosa): josephine hart. li 3 dos 5 livros dela e deu uma saudade danada, queria ler os outros 2. ela é uma desconhecida autora de uma conhecida história, perdas e danos, o filme. as histórias são sempre densas e muito, muito tristes, mas valem cada página. não recomendo para os fracos de coração.

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eu e meu oráculo com alzheimer... lembrei de outra autora quase-conhecida que adoro: karen blixen. (re)conheci a autora quando visitei a dinamarca e caí de pára-quedas no seu museu (que na verdade foi sua casa). eu conhecia e adorava, através de um filme, a sua obra mais famosa: out of africa (entre dois amores). conheci um pouco dessa autora extraordinária da forma mais legal: visitei sua casa, vi seu material escrito e principalmente pude andar por seu jardim. há quem prefira visitar a disney (que aliás eu também adoraria conhecer) mas eu confesso que não trocaria uma montanha-russa por aquele passeio de ônibus na estrada de copenhagem ao museu louisiana com o museu blixen no meio do caminho :)

maio 22, 2006

eu amo cinema antes das 14h

deve haver em algum lugar um manifesto para pessoas que, como eu, não fazem do "cineminha" um programa de namorado ou sei lá o quê. cinema pra mim é diversão, meu povo, e só. e eu gosto de me divertir sem muita intrusão alheia, aliás, quanto menos gentes alheias melhor.

meu marido graças a deus compartilha do meu gosto e prefere o cinema vazio e desglamurizado, aquele que só tem a gente, com filmes que ninguém quer ver. aliás, eu adoro filmes que todo mundo odeia e odeio filmes que todo mundo adora. todo mundo, no caso, é quem eu conheço (quem eu não conheço não conta, claro). pode ser que eu só conheça gente que não tem nada a ver comigo, é uma possibilidade. mas também não importa, afinal se alguém desgosta do que eu gosto ou vice-versa não faz diferença nenhuma (ou não devia fazer).

mas do que eu falava mesmo? ah, é: cinema antes das 14h. é a melhor invenção depois da roda. aliás, se tiver sessão às 11h da manhã é o meu paraíso na terra (10h seria um pouco cedo demais pros meus hábitos de sono). sem crianças, sem adolescentes, sem malas-que-falam (malas-silenciosas são absolutamente aceitáveis).

mas melhor do que ir ao cinema e conseguir passar por horas civilizadas -- sem celular que toca, sem gente tagarelando, sem adolescente fazendo "hihihi", sem malas-que-falam-no-filme, sem FILA -- é sair da sessão e ver mil e duzentas pessoas estúpidas na fila do cinema às 16h, se apertando e entrando feito gado doido na sala do cinema pra sentar numa cadeira que preste. essa visão, definitivamente, me faz feliz.

o que ainda não dá pra engolir é gastar 27 reais de cinema + 10 reais de estacionamento e pensar QUANTOS filmes eu alugaria na locadora ali do lado de casa... ah, a tentação!

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(update) ouvi dizer que a crítica (ui!) e montes de gentes letradas detestaram o filme código da vinci. por um lado fiquei boba: zentes, mas o filme é divertidão, pô. caça ao tesouro! louvre! zizuis cristo himself e seus descendentes! imagens da europa, lindas! ian mclellen, gente, o mais fofo do universo! e aí acham o máximo aqueles filmes triiiiiiiiiistes e cheios de "mensagens". vai ver eu é que sou burra e ignorante, é sempre uma possibilidade. por outro lado "a crítica" pode ser mesmo um bando de chatos que não jogam videogame e não tiveram infância :D

mas ninguém falou mal da única coisa inaceitável do filme: aquele cabelo do tom hanks. não, não, não, o que é aquilo? disso ninguém comenta, brincadeira...

maio 23, 2006

dois filmes

vimos nightwatch no domingo e marcas da violência ontem. adorei os dois -- o que não quer dizer muito, vocês sabem, eu me divirto com qualquer coisa :) -- mas quero falar sobre minhas impressões.

nightwatch é um filme russo sobre... vampiros? não, não é. é difícil definir o assunto do filme. não diria que é de terror, nem de suspense, mas tem "monstros", ou melhor, o que eles traduziram como "os outros". os outros são aqueles que enxergam o mundo das sombras, o mundo escondido, que são mais que simples humanos. eles podem escolher entre o bem e o mal, podem ser nightwatchers (os do bem) ou daywatchers (os do mal). achei o filme interessante por vários motivos, mas principalmente porque lembra um pouco os quadrinhos do neil gaiman, que eu adoro (não pude deixar de pensar na thessalia quando vi a moça-amaldiçoada) e porque se passa entre moscou e são petesburgo, que eu sou doida pra conhecer. tenho muita vontade de conhecer a rússia desde pequena, não sei exatamente o porquê. acho que quem gosta de quadrinhos vai gostar do filme.

bem, marcas da violência me supreendeu. confesso que comecei a assistir com muitas reservas: a crítica adorou e eu não gosto de filmes realistas de tiro e sangue (de monstros sendo mortos eu topo). resolvi ver porque o fer amou e eu queria ver o aragorn :) achei o filme excelente, supreendente e em alguns momentos bem engraçado. a cena entre os irmãos é hilária, mas pelo jeito nem todo mundo achou a mesma coisa (o fer, que viu no filme no cinema, disse que só ele no cinema todo teve um ataque de riso, como eu). o filme é cheio de silêncios, o que me faz pensar em um filme... masculino. alguém disse que é um faroeste moderno e eu, que não entendo nada de faroeste, sinto que pode ser um pouco isso mesmo.

enquanto procurava sobre o filme no google, achei uma viajona dizendo que o diretor defende a tese que a violência tem um fator biológico. de novo, posso ser eu a louca, mas acho que isso é viajar demais.

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não sei quem mais tem esse costume mas nós adoramos assistir aos extras todos, comentários, cenas excluídas, making of. é interessante como esse material e os comentários do diretor dão uma cor nova ao filme, à história. vimos o diretor russo falando sobre moscou, explicando as locações, maravilhoso. e vimos cronenberg falando do filme, dos atores, aquele senhor tão bonito. e o que é viggo mortensen? nem acho ele tão bonito, mas ele é inteligente, doce, engraçado. ele foi para a filadélfia para gravar o sotaque das pessoas, ele fala mil idiomas e é a coisa mais fofa.

como eu dizia, tudo isso por 4 reais, contra estacionamento lotado, fila de imensa e muita gente idiota ali ao seu lado vendo filmes. se não fosse a tela grandona e o som, adeus salas de cinema.

um pedido encarecido

por favor, me ajudem a espalhar pelo mundo um apelo: não vamos nos referir às mulheres famosas como "la [coloque aqui o sobrenome]"? por favor, hein? não custa nada, nadinha!

fosse eu chuck norris, meu ídolo, mataria silenciosa e friamente qualquer jornalista ou blogueiro ou whatever que escrevesse "la [sobrenome da infeliz]".

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contribuição da bia para o assunto, essencial!

mais uma coisa sobre celebridades: eu ODEIO o faustão. ele é feio, tem a voz irritante (aliás, ele GRITA), só fala merda e aquele programa é um lixo. por que as pessoas assistem aquilo, por quê?! detesto celebridades e todo o culto às celebridades. tenho vontade de socar até morrer aquelas pessoas que babam por artistas. talvez por isso eu ame tanto o bill watterson e sua recusa em transformar o calvin numa celebridade.

maio 25, 2006

noites frias

fui ontem pra e voltei hoje de porto alegre. estava muito menos frio do que eu esperava e muito mais agradável. já não visitava porto alegre há muitos anos e achei a cidade bonita. pode ser que a cidade tenha mudado pra melhor, mas acho que ela sempre foi assim e meus olhos é que mudaram.

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mas as opiniões atrasadas e extremamente conservadoras pipocando por aquelas bandas não mudaram tanto assim. novamente tive a impressão de ver pessoas instruídas porém um tanto obtusas. e muitas peruas, como é de praxe no sul do brasil. dá uma impressão constante de estar no shopping higienópolis, se é que me entendem.

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numa conversa de avião, hoje, lembrei de coisas tão boas de várias viagens que fiz que deu até uma certa melancolia. quando penso que visitei castelos, museus famosos, andei em ruas que têm, literalmente, milhares de anos, conheci pessoas incríveis cujos nomes nunca aprendi, experimentei comidas, bebidas, climas... parece que foi em outra vida. a gente não pode se deixar acomodar, sabe? eu me transformei num baobá gigante com raízes quilométricas. credo!

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o cardiologista foi o seguinte: 300 exames primeiro, só depois alguma recomendação. um dos exames é guardar o xixi do dia todo num potão pra depois levar pro laboratório. eu não sei o que é pior: pensar num dia inteiro de fazer xixi no potão ou me visualizar carregando o potão de xixi pela cidade.

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esse livro que estou lendo (o terceiro da série duna) me deixa com dor de cabeça de tanto que me faz pensar. tem umas coisas que me deixam horas matutando... uma delas é o perigo de ter medo. o medo pode nos destruir, ou pior, nos transformar em tudo o que mais odiamos. pessoas com medo são perigosas.

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a cam reclama de quem critica "livro popular" e eu ia aproveitar e reclamar também da mesma coisa, mas percebi que tenho telhado de vidro. leio tudo o que passar pelas minhas mãos mas critico quem lê paulo coelho; assisto filmes trash e critico quem assiste filme iraniano-incompreensível; assisto desenho animado tosco e programa de leilão de jóias e critico quem vê BBB e faustão. a verdade é a seguinte: só presta o que eu gosto. se você não gosta do que eu gosto você é um bobo que ainda não viu a luz.

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aliás, se você não concorda comigo é porque não entendeu o que eu estou dizendo :D

o melhor dos testes

enviado pelo weno. é o teste mais legal que já fiz!

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my personal dna report

maio 27, 2006

mais uma da série "não, obrigada"

fomos ao cinema com a sheilinha, sexta-feira à noite, kinoplex itaim, blockbuster em cartaz. adivinha o que aconteceu? sentamos em lugares péssimos e ficamos cercados de imbecis. no caso dela (que sentou longe da gente porque já tava lotado) ao lado de gentes que falam durante o filme e de gentes que DORMEM durante o filme e caem por sobre a pessoinha dela. no nosso caso, sentamos quase fora do cinema e tínhamos ao nosso redor jovens retardados (quase um pleonasmo) que não só explicavam o filme em voz alta como se agarravam loucamente enquanto o filme rolava. minha vontade inicial era de matar todos eles, é claro; a vontade secundária era a de dar 50 paus pra eles irem em um motelzinho qualquer, porque quem se agarra assim quando vai ao cinema é porque não sabe o que é sexo faz tempo.

bom, tudo isso seria apenas um detalhe se o filme não tivesse me decepcionado. eu adoro x-men, adoro wolverine, adoro quadrinhos e filmes de, mas que coisa mais sem pé nem cabeça, meu deus! a moça que faz a jean grey é uma merda de atriz. colocaram um cara de asas no filme que não tem sentido nenhum. o anti-mutante é totalmente sub-aproveitado. por outro lado, gostei das cenas de destruição da fênix (muito bom!) e gostei da cena final.

gostei também de sair de casa, tomar um café e bater papo com o fer e a sheilinha. no fundo, no fundo, isso é o que mais vale, sempre. mas para constar: cinemão de fim de semana à noite? não, não, obrigada. próxima vez a gente pega um DVD e vai pra casa ver, certo? :)

maio 29, 2006

das coisas sagradas da vida

fui ontem assistir ao concerto do audi coelum, grupo de voz e instrumentos do qual o gui faz parte. fui apesar da preguiça e da inércia, e entendi que nunca tomamos ações sem motivo. o concerto foi lindíssimo, como eu já esperava, mas não, eu não esperava a quantidade de emoção que o barulho da orquestra afinando me trouxe, não esperava ficar emocionada e quase às lágrimas com a beleza dos cânticos religiosos. não consegui deixar de agradecer a alguma coisa por não endurecer, não acostumar, por me importar e ainda me sentir tão profundamente tocada pela música tocada e cantada ali, pra mim.

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três músicas para o felipe b:
in a sentimental mood (i. mills, d. ellington, m. kurtz) por john coltrane e duke ellington
my little brown book (billy strayhorn) por john coltrane e duke ellington
'round midnight (williams/monk/hanighen) por miles davis

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nesta semana conheci um senhor cujo nome não sei mas que já faz parte da minha vida e da minha história. ele me contou um pouco da sua vida, das suas dificuldades, dos seus problemas e mal sabe que abriu algumas janelas em mim, que ensolarou vários cômodos que andavam um tanto sombrios.

ele me contou que, há dois anos, chegou a uma concessionária de carros usados e quis comprar seu táxi. não tinha nenhum dinheiro, mas (como ele mesmo disse), tinha seu nome e sua história de honestidade -- jamais deveu pra alguém e não pagou, sempre fez questão de ser correto. ao chegar à loja, disse que precisava comprar um táxi pra alimentar sua família (que estava naquele exato dia sem nada na geladeira) e que contava com um financiamento. o dono da loja explicou que a financiadora assumia 80% e que ele teria que ter os 20% (que ele não tinha). o dono da loja simpatizou com o senhor e fez um levantamento da sua ficha, que era perfeita, limpa. decidiu então que se a financiadora não cobrisse os 20% adicionais ele o faria, assumiria o risco dos 20%. a financiadora, com a recomendação do dono da loja, topou financiar os 20% e nosso amigo na mesma noite saiu com seu táxi. no dia seguinte pela manhã ele regularizou a situação e iniciou seu primeiro dia de trabalho. disse que trabalhou o dia todo e, à noite, passou num supermercado 24h e comprou arroz e ovo, levou até sua casa pra garantir o jantar e voltou a trabalhar. ele me diz que jamais se sentiu tão feliz em toda sua vida.

ele, sua esposa e 2 filhos adolescentes moram numa quitinete na santa cecília, pois é o que podem pagar. "prefiro isso a morar numa casa maior na periferia", diz. "aqui no centro os meninos vivem melhor, é menos perigoso". eu concordo. o menino dele de 16 anos acabou de conseguir um emprego de garçon. tem registro em carteira e comprou sua primeira roupa de garçon, cheio de orgulho. diz que veste a roupa em casa e caçoa da irmã que ainda não tem emprego. com seu primeiro salário, quis comprar presente de dia das mães. o pai não deixou, falou pro menino gastar em roupas novas pra ele mesmo. a menina ainda não tem emprego, mas o pai lhe dá 10 reais pra que ela vá até aquela tal de lan house pra fazer seu curriculum.

no fim da história ele diz "moça, somos uma família feliz" e dá pra ouvir a felicidade na sua voz, nem precisava me dizer. eu sorrio do banco de trás do táxi e limpo minhas lágrimas disfarçadamente. ao sair, digo que ele é muito simpático e que desejo tudo de melhor para ele e sua família, de coração. mas saí do seu táxi sem dizer o quanto sou grata por, sem querer, me fazer ver o que realmente é importante na minha própria vida.

maio 30, 2006

pra quem não gosta de copa do mundo...

... um motivo pra pensar duas vezes :)

muitas fotos maravilhosas dessa coisa de louco no google images.

futebol

eu gosto de futebol, apesar de não ser fanática. tenho dificuldade de assistir aos jogos porque fico muito nervosa, mas é um esporte que admiro e gosto. adoro copa do mundo não só pra ver os jogos, mas porque o clima é gostoso, os jogadores são gostosos :) e é uma alegria tão grande que contagia.

hoje li um texto do rubem alves (correção do polzonoff, thanks :)) e que surpresa boa: ele disse o que eu penso sobre o ronaldinho (gaúcho). uma graça de texto, vale ler:

o único a merecer o sufixo “inho” é o Ronaldinho. porque ele é uma criança. está sempre sorrindo. ele ri mesmo quando a jogada não dá certo. ronaldinho é uma alegria sorridente.

mundos paralelos

a léa comentou uma coisa ali no meu post sobre coisas sagradas da vida que acabou me dando vontade de voltar a esse assunto. não é à toa que o título daquele post era "coisas sagradas": a honestidade e o caráter são coisas que eu considero realmente sagradas. me comoveu muito a história do senhor do táxi por vários motivos, mas certamente um deles é o valor que ele dá à sua honestidade, ao fato de fazer as coisas de acordo com o nque podemos chamar de valores.

é verdade que os valores se modificam de pessoa para pessoa, têm relação com cultura, educação, nacionalidade e outras coisas mais, mas algumas coisas não deviam variar tanto assim, sabe? entre as mais básicas eu citaria a gentileza, educação e respeito para com os mais velhos, respeito pelas crianças e cuidado com o que se diz e faz na frente delas, respeito pelo espaço e privacidade de todos que nos cercam, consideração pelos sentimentos alheios. além disso tudo acho essencial pagar o que se deve, seja em dinheiro seja em favor ou gratidão. umas das coisas que mais execro no mundo atual é a tranquilidade com que as pessoas lidam com a inadimplência, como se os outros (pessoa física ou jurídica) ou o mundo todo devesse a elas alguma coisa.

sinceramente não entendo como as pessoas têm coragem de dever dinheiro ou favores e dormir em paz. comigo mesma já aconteceu um episódio que nunca vou esquecer: alguns supostos "amigos" simplesmente deixaram milhares (literalmente) de reais de dívidas no meu nome simplesmente porque achavam que eu de alguma forma merecia ou podia pagar ou sei lá o quê. aliás, esses "amigos" são o mais perfeito retrato da falta de valores que hoje é regra no nosso país: devem e não se importam (afinal, o que significa "nome limpo"? pra eles, nada); acham que os outros, que ganham mais do que eles, têm mais é que pagar mais mesmo; se puderem tirar vantagem de qualquer situação, tiram; não assumem seus erros e muito menos as dívidas que fizeram; não sentem gratidão por ninguém, afinal o mundo lhes deve.

o senhor do táxi da minha história é negro mestiço, nordestino e sem formação mas tem valores, princípios e os segue. exatamente por isso ele sente felicidade, coisa para poucos. naquele trajeto de 30 minutos eu me senti parte do mesmo mundo que ele, apesar de todas as diferenças, eu me senti feliz por saber que alguém que tinha tudo para recorrer ao "jeitinho", como os mui-amigos ali de cima, não recorreu. ele me pegou num momento de inflexão de fé nos meus valores e princípios, ele renovou a fé que estava me abandonando. fosse eu religiosa diria que deus colocou este senhor no meu caminho. não sendo religiosa digo somente que ele me contou a história que eu queria ouvir.

até porque para outros ouvidos a história poderia ser de um tiozinho otário que mora num quitinete e paga suas contas sempre em dia. quando penso que é exatamente isso que os "amigos" ali em cima pensariam fico mais feliz ainda e confirmo que eu vivo sim em outro mundo. graças a deus.

a amiga vai pros estêites e eu me acabo de gastar

a sheilinha tá lá em miramar e se ofereceu pra trazer muamba. aí já viu, né? lá fui eu e comprei:

muitos phillip pullman!
The Ruby in the Smoke (Sally Lockhart Trilogy, Book 1)
The Shadow in the North (Sally Lockhart Trilogy, Book 2)
The Tiger in the Well (Sally Lockhart Trilogy, Book 3)
Count Karlstein
Clockwork : Or All Wound Up

um pouco de dragonlance
The War of Souls Trilogy Gift Set: Dragons of a Fallen Sun, Dragons of a Lost Star, Dragons of a Vanished Moon (Dragonlance Series)

um tom jobim: Quiet Now: Nights of Quiet Stars

e sedaris, pra testar: Naked

maio 31, 2006

o dia dos anjos da guarda

hoje é 31 de maio, dia de uma série de coisas mas especialmente dia do aniversário do meu pai. ele faz hoje 56 anos e, acreditem em mim, isso é uma coisa muito estranha.

meu pai é marceneiro, pescador mas é sobretudo um mentiroso profissional, para o bem e para o mal. ele é provavelmente uma das pessoas mais divertidas e interessantes que você poderia conhecer na vida e boa parte desse lado interessante é devido à imaginação sem limites que ele tem.

quando éramos crianças ele sempre tinha uma história mirabolante pra contar. eram histórias imensas, com bruxas e monstros, castelos, mágicas, cavaleiros e tudo o mais que você quiser. ele interpretava os papéis, fazia os suspenses e nos deixava mortos de medo e curiosidade. me lembro das caras dos meus irmãos (provavelmente iguais à minha) com olhos arregalados e boca aberta esperando a bruxa chegar. "ela apertava os dedinhos deles pra ver se estavam gordinhos" ele contava a história de joão e maria e usava nossos dedinhos como exemplo "HMMMMM gordiiiinhos" (eram os nossos dedos) e morríamos de medo.

meu pai chama dinheiro de funfa, cachorro de cauaco, aperitivo de acepipe. ele mandava a gente mumir e papir senão ia pro castigo. ele ria da gente quando minha mãe dava chinelada e quando estávamos de castigo. ele fazia a gente (os irmãos) ficar amiguinho quando estávamos com ódio um do outro. ele mandava a gente buscar o chinelo pra apanhar e acabava não batendo em ninguém porque morria de rir da nossa cara de medo. minha mãe dava bronca nele tanto quanto dava na gente, porque ele se empolgava nas brincadeiras e a gente sempre se machucava. meu pai fazia espadas de luta de madeira que eram verdadeiras armas (e dava pra gente brincar), fazia carrinho de rolimã e comprava luvas de boxe pra ver quem nocauteava quem (ele sempre ganhava e a gente sempre chorava).

meu pai nunca foi um bom marido provedor. ele sempre foi mais o filho mais velho da família que o pai propriamente dito. ele ganhava dinheiro e gastava tudo em azeitona, chocolate, roupas bonitas pra minha mãe, patês franceses, coisas que não tínhamos dinheiro pra comprar. nós, as crianças, sabíamos disso; ele não. ele trazia animais pra casa, à revelia da minha mãe, ele convidava todos os peões das obras que trabalhava pra almoçar em casa (sem avisar e sem ter comida pra todos). ele emprestava dinheiro pra quem precisava mais que a gente e nós ficávamos à mingua. ele brincava de "dançar" com o carro na estrada quando tocava rita lee e minha mãe queria matá-lo (nós adorávamos, sempre). ele nos levava pra ver os peitos dos travecos da indianópolis -- passava devagarinho pra gente poder gritar pros travecos (que adoravam e mostravam os peitões).

aos domingos ele nos levava pra padaria e comprava gibis, um pra cada. a gente gostava da mônica, ele gostava do fantasma -- o espírito que anda! sempre tinha coisas boas de comer aos domingos de manhã. todo santo dia ele cantava aquela música maldita na hora de dormir, super desafinado: "já é hora de dormir... não espere a mamãe mandar...". quando ele ficava bravo (raríssimo) ele ficava MUITO bravo e dava medo. ele sempre cozinhou muito bem e a gente amava as comidas de pai.

num dos aniversários da minha mãe ele fez uma surpresinha: nos fez pintar a cozinha inteira de guache, com as mãos, os pés, muitos parabéns pelas paredes. adicionamos as patinhas dos cachorros nas paredes (e na casa). fizemos um bolo que deu errado, queimou e estragou o forno. minha mãe chegou do trabalho, cansada, e não sei como conseguiu não chorar, pobrezinha. acho que comemos outra coisa, sei lá.

meu pai conta as histórias mais engraçadas e absurdas e ele jura por deus que é verdade. aliás, ele acredita que tudo o que ele conta é verdade, o que acaba tornando a mentira em verdade, certo?

se minha mãe é meu porto seguro, o pé no chão, meu pai é tudo o que voa, um espírito criador, irresponsável e livre. meu pai me ensinou e ensina ainda que viver é sonhar, sim. eu admiro sua juventude eterna, sua criatividade, seu poder de invenção e de fuga de tudo o que no mundo é incômodo e chato. meu pai será tudo nessa vida menos um chato entediante. ele a cada ano se distancia mais da realidade e se torna verdadeiramente um louco sonhador.

é graças a ele que eu gosto de sonhar, brincar, contar histórias e fantasiar (mentir?). ele é o meu big fish particular e mesmo quando ele se for eu terei tanto dele pra lembrar e reviver que ele será sempre vivo em mim e em tudo o que eu conseguir tocar com esse desejo de ser mais do que se é, de ver além do que se enxerga. sempre verei o mundo um pouco através dos seus olhos, um mundo onde todos são bons e geniais, onde tudo é maravilhoso, intenso, especial. todas as viagens serão inesquecíveis, todos os amigos serão eternos e todos os dias serão memoráveis.

as contas pra pagar e problemas pra resolver? ficam todos pra minha mãe, que nasceu taurina exatamente pra isso :)

meu papi, o mais querido, me ensinou a ver o mundo além da toca do coelho. só por isso ele merece parabéns e todo o amor que eu posso e quero dar. e eu esqueci de dizer: o meu pai de quando eu tinha 5 anos é exatamente o mesmo de hoje. ele nos trata do mesmo jeito, conta as mesmas histórias e faz as mesmas gracinhas. pra ele, jamais deixaremos de ser criança, exatamente como ele.

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