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agosto 2006 Archives

agosto 1, 2006

como é difícil!

percebi uma coisa: o blog de certa forma servia como um "dump" da minha cabeça. eu escrevo sobre as mil idéias que vivem na minha cabeça e elas param de me atormentar. eu não sei vocês, mas minhas idéias me atormentam até que eu faça alguma coisa delas, nem que seja escrever aqui e dizer o que acho a respeito. gosto daquela metáfora da idéia fixa no trapézio, do machado de assis, lembram?

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eu ganhei o pacotinho completo e estou usando a versão beta do office que é MARAVILHOSA! o único problema é que é beta (ou seja: dá pau às vezes) e que deixou tudo l.e.n.t.o. e, para a diversão particular da nerd que vos fala, o visual deste office é parecidíssimo com quem? macOS :D

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assistimos finalmente o jardineiro fiel. que filme! nem digo nada da rachel weisz, que eu acho maravilhosa inclusive como bibliotecária da múmia, mas digo que o filme me surpreendeu positivamente por ser bonito, provocante (não exatamente no sentido sexual, apesar das cenas no casal serem sensacionais), incômodo. eu nem sempre -- ok, quase nunca -- tenho a sensação de estar diante de uma obra de arte quando vejo filmes. fica faltando o que alguns especialistas chamam de "aura" da obra, mas esse filme me tocou e não foi pela pobreza da áfrica ou pela ganância humana, mas porque tocou o sininho de obra de arte pra mim. foi um bom momento.

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minha amiga querida nospheratt (se ela soubesse como me dá trabalho escrever esse nick, escolhia outro tipo ZOÉ :D) vem com a pergunta "por que você bloga?". sem querer tirar a graça da brincadeira, eu fiz esta pergunta neste blog em 2001 e várias pessoas responderam, inclusive eu mesma. fui lá nos meus arquivos procurar as respostas e desisti: li tanta porcaria que eu escrevi na época que fiquei constrangida e deixei pra lá.

eu quero mudar a pergunta pra responder, porque detesto "blogar" e "blogueiros". não me considero blogueira apesar de ter blog há 6 anos e eu não blogo, eu escrevo. blog é meio e não fim, e não há blogueiros mas pessoas que querem se expressar de alguma forma, que, por acaso, chamaram de blog. em 1997 (ou foi 1995?) criei meu primeiro site e escrevi mil coisas: desde um resuminho da minha vida até minhas preferências e links pra sites que eu gostava. tipo um blog? tipo, só que não tinha a ferramenta e quando eu queria mudar era na mão.

eu sou faladeira, contadora de histórias e dona da verdade. adoro dar opinião, provocar discussão e mexer com a cabeça (e outras partes do corpo :D) das pessoas. sempre fiz isso, sempre farei, o blog só dá uma ajudinha hoje em dia porque está ao alcance de bastante gente. mas eu faço essas coisas aí todas em todos os ambientes que frequento: eu falo muito, dou palpite, arranjo encrenca, faço charme e ganho amigos e inimigos (aqueles mais que estes, felizmente).

eu escrevo aqui porque se eu não me comunicar acho que morro. escrever aqui é um pouco como socializar em festas ou encontros de amigos sem estar fisicamente junto, o que tem seus prós e contras. mas é isso: blog é MEIO, se comunicar é FIM. e não, eu não acho que é necessário ficar colocando links pra tudo que é canto e pra tudo o que é gente, depende do estilo da pessoa. eu já fui muito mais generosa com compartilhamento de links aqui. hoje eu tenho o delicious e o stumble, onde eu guardo os links que me chamam a atenção. são ferramentas que se prestam a isso, acho que temos que aprender a usá-las. da mesma forma, já não publico mais fotos aqui, coloco no flickr, se você quiser vê-las é só aparecer por lá.

diferente da minha amiga que me provocou a responder :) eu não acho que exista nenhum tipo de pré-requisito ou regra para escrever (a coerência foi pra disney, ok? me deixem com minhas rabugices ocasionais), seria mais ou menos como exigir que todas as casas tivessem arquiteturas e cores bonitas e agradáveis, que todas as cidades fossem de um jeito que agradassem a todos os desejos. assim como há os bonitos e os feios, há os talentosos e os estúpidos, e todos eles têm seus pares, seus fãs e seus nêmesis. não é diferente nos blogs, não haveria porque sê-lo! o que eu acho o máximo na internet é a diversidade absurda, a riqueza de conteúdo e principalmente aquele "X" que tem ali do lado direito superior da minha janela -- e eu uso pra caramba :)

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mas, por outro lado, muito me incomoda o mercado editorial desse país: um bando de escritores medíocres (pra dizer o mínimo) consegue publicar porque é amigo do amigo do amigo. ridículo, asqueroso. além disso os livros são caríssimos. eu ando comprando só livros de edição papel jornal importados, que custam de 16 a 20 reais (livros de mais de 400 páginas!).

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e a TV? meu jesus amado... como tem gente retardada na TV. os que escrevem, os que atuam, é uma coisa deprimente. e a TV aberta especificamente é o fim da picada. quando vejo novela, faustão e coisas assim fico extremamente deprimida pensando que há milhares de pessoas que só têm acesso a isso. aquela celeuma a respeito da senhora que contou como foi seu primeiro orgasmo me deixou pensando: a hipocrisia não tem limites, minha gente. diversos programas da TV aberta mostram coisas imorais, nojentas, violentas, constrangedoras e ninguém se incomoda, inclusive acha legal. por que aquelas mulheres no faustão e no caldeirão do huck esfregando a bunda na câmera são OK e a mulher contar que gozou é indecente? e o programa da gimenez, o que é aquilo? e as imagens de guerra, montes de criancinhas mortas? ninguém fica indignado, isso é só "fato". vão tudo pra puta que o pariu esse bando de hipócritas, viu.

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e tem gente dizendo que o lance lá da mulher é "complicado" porque tem criança assistindo novela. vocês aí que deixam seus filhos pequenos verem novela que me desculpem, mas vocês têm sérios problemas. a gente que é adulto ver novela eu até entendo, tipo "entretenimento pré-digerido"; mas crianças, seres EM FORMAÇÃO, vendo aquela merda cheia de mentiras e coisas completamente fora da realidade? não, não mesmo. ainda acho que certa estava minha mãe: criança não ouve e nem se mete em assunto de adulto e consome conteúdo feito para crianças, de preferência que seja educativo.

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vejam bem: a fluoxetina voltou a fazer parte da minha vida e eu sou uma mulher mais tolerante. como assim, não deu pra perceber? :)

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tem tanta coisa que eu queria comentar que já nem sei mais, essa história de escrever só de vez em quando tem dessas: eu esqueço o que queria dizer. mas se esqueci, já não é mais tão importante, afinal, e vamos em frente.

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neste momento tem na TV uns retardados colocando a mão na boca de um tubarão branco saltador africano. me expliquem, pelo amor de deus, o que leva uma pessoa a isso? e quem escala montanhas geladas? e quem salta de penhascos? tenha dó, viu, tudo doido... e eu tou velha, né? é isso: é a velhice.

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sem mais, despeço-me atenciosamente. fui!

agosto 2, 2006

coisas que a gente nem sabe

pois não é que tem um RSS feeder aqui no meu MT e eu nem sabia? tsc.

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e, pra completar, o outlook novo tem RSS já integrado, como uma pastinha dele. você recebe os RSS categorizados, aparecem como mensagens não lidas. não é o máximo?

agosto 3, 2006

os caminhos tortos

tive uma iluminação hoje, durante meu banho de 15 minutos: a gente começa a ser feliz nos relacionamentos quando aprende a começar pelo começo.

é, eu sei que parece uma coisa boba ou simplória, mas vem comigo: quantas vezes você se pegou pensando, procurando ou querendo algo como achar aquela pessoa que quando seus olhares se cruzarem o mundo vai parar e os anjos vão cantar? aquela pessoa que logo na primeira vez que vocês se virem ou se falarem vai parecer que se conhecem a vida toda, ou alguém que encante você porque gosta das mesmas coisas e é quase como se lesse seus pensamentos?

tenho a impressão que essa expectativa ou desejo é como querer começar uma jornada partindo do topo de uma montanha. só existe um caminho quando se começa por aí: pra baixo. eu já me apaixonei algumas vezes pela imagem (real ou projetada por mim) de alguém maravilhoso, brilhante, tão sensacional quanto a vista do topo de uma montanha. fiquei sem ar, eufórica, encantada, esquecendo que não se pode ficar ali no topo da montanha pra sempre. quando a descida começa (e ela SEMPRE começa) é quase como uma flor se despetalando: vão caindo uma a uma as máscaras, as imagens bonitas, o sol some atrás da montanha, tem pedras no caminho e nem sempre aquele alguém super maravilhoso te dá a mão. chega um ponto da história que você olha praquele ser que era tão maravilhoso lá no topo da montanha e ele agora é... comum. o que mesmo eu vi ali?!

entendi, nos tais 15 minutos de banho, como é importante construir relacionamentos. e eu não estou falando de casamento ou namoro só, não. vale pra amizades, relacionamentos profissionais: é tudo tão melhor quando as coisas começam pelo começo! descobri, graças a algumas pessoas low-profile que apareceram na minha vida (incluindo o marido), que se apaixonar aos poucos e gradativamente é delicioso! como é divertido e saudável se interessar por alguém e montar o quebra-cabeça, vendo a figura aparecer devagar: subir a montanha juntos, passando pelos buracos, borboletas, pulando pedras, dando a mão na hora que ficou difícil, sorrindo quando as coisas dão certo. vai rolar bate-boca, emburramento, teimosia, claro, mas tudo isso também faz parte do pacote. num relacionamento que parte do começo os defeitos do outro não fazem o sentimento se enfraquecer, pois a base foi bem construída. a gente quer crescer e melhorar junto com o outro e não fazê-lo encaixar de volta, à força, naquela primeira falsa imagem.

chegar ao topo da montanha e ver o mundo de cima, após todo um caminho trilhado, é um momento de alegria conjunta, que tem história, e dá vontade de começar a descer e procurar a próxima viagem. não faz mal se em algum momento qualquer um dos dois seguir por outro caminho: o que se construiu ali é real, sólido e não ilusão.

aprendi, do jeito pior, que essa mania de iniciar as histórias do topo da montanha é e sempre foi escolha minha. sempre me senti atraída por pessoas que aparentam ser muito melhores do que realmente são, que se vendem como uma vista maravilhosa do topo da montanha e, por trás de todo o marketing, são só o terreno baldio ali do lado. que aliás pode ser bem legal, mas não serve quando o que você comprou foi a vista dos alpes quando o sol nasce.

me surpreendi hoje com a mudança que sofri (e como essa palavra é adequada!): comecei a me interessar pelas pessoas que são maravilhosas mas que não precisam fazer auto-propaganda pro mundo. tenho tido prazer em perceber as maravilhas discretas de pessoas que não querem ou não precisam convencer a todos que elas são sensacionais. não quero mais me aproximar de egocêntricos, gênios auto-definidos, gentes super-populares e principalmente de quem se vende como a bolachinha mais gostosa do pacote. não houve uma só vez que eu não me decepcionasse com alguém que se vende nessa última categoria. pessoas que precisam aparecer demais são, sempre, carentes e não sabem exatemente o que querem da vida. acreditem em mim: eu sei como é.

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enquanto pensava nisso, fiz uma auto-crítica: mas e eu, não sou um pouco assim? sou (pensei imediatamente). mas não, não sou mais, não adianta negar e nem espernear: eu FUI. é um fato, eu mudei. sim, eu continuo extrovertida, sim eu gosto de atenção, mas eu simplesmente não me posiciono mais como a bolachinha mais gostosa do pacote (como eu fazia) e não é porque eu percebi que não sou (como se alguém fosse de fato :)) mas porque não precisa mais, não tem porquê. eu não sou mais aquela mais pulante e alegrinha de uma festa, eu não mais aquela que conta todas as piadas numa mesa de bar e flerta com todo mundo e faz insinuações que não pretende cumprir. acho que achei meu botão de "tunning" e ajeitei o meu volume (pra baixo, claro) :)

a claudia foi a única pessoa até hoje que quando me conheceu, já na primeira vez, viu exatamente como eu sou. ela não se deixou enganar pelo meu volume extra-alto :) lembro como se fosse hoje dela dizendo "guria... quando te lia eu morria de medo de você, apesar de te achar ótima. mas você é completamente diferente do que eu pensava, é uma coisa fofa, doce, querida! como pode?"

já não pensava nisso há anos e hoje lembrei daquele dia na lagoa, ela me olhando daquele jeito que parece que vê bem dentro da gente. ela viu uma eu que eu mesma não via muito bem na ápoca. vocês aí podem ter vários tipos de impressão a meu respeito através do meu texto, mas não se deixem enganar: eu sou uma pisciana disfarçada de leonina. jamais vou conseguir baixar demais o meu volume, mas o que toca e sempre tocou aqui é cool jazz e um pouco de bossa nova. se eu fosse um lugar, seria definitivamente um lounge :)

agosto 7, 2006

mais uma da série "meus amigos taxistas"

vocês podem até achar que é mentira ou exagero meu, mas minha imaginação não é tão boa assim. as histórias de taxista que eu conto são reais, ou pelo menos posso dizer que eu conto do mesmo jeito que ouvi, sem aumentar (muito) :)

esse post é escrito em homenagem à paula abreu ex-foschia, que faz parte da comunidade o mesmo do elevador me assusta, no orkut.

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era um dia qualquer da semana e eu peguei uma carona do meu cliente até a av pompéia, fiquei num ponto de táxi na frente do hospital são camilo. entrei no primeiro táxi da fila e expliquei que vinha pro cambuci. o moço me pergunta "a senhora tá bem de saúde, tudo direito?". sim, eu disse, expliquei que fiquei ali na frente do hospital só de carona mesmo. o carro dele era simpático: meio antigo, mas bem limpo e arrumado.

fico com meus pensamentos um pouco, remoendo meu atual problema de stress por conta do meu perfeccionismo excessivo, de trabalho demais, etc. e eu, que não sei ficar pensando quieta, pergunto: o senhor está trabalhando desde que horas? "desde as 4 da manhã, moça" (são 9 e meia da noite), "e só largo lá pras 11 ou meia-noite". eu disse "caramba! até chegar em casa o senhor deve demorar, como o senhor dorme pouco!". ele ri e explica "não, moça, eu moro aqui mesmo, nesse táxi, eu literalmente durmo no ponto!".

peralá. como assim, ele dorme no carro? neste carro que eu estou agora?! olhando melhor, se percebe um certo ar de casa no carro: porta-copos, um despertador "adaptado" no teto do carro ao lado do retrovisor e algumas coisas bem pessoais espalhadas. até um arremedo de abajur tem, mais aqui pro lado que eu estou sentada, atrás. ele me explica que come, toma banho e se ajeita como pode (whatever it means) no boteco ali perto do ponto, o moço liberou o chuveiro pra ele. as roupas ele carrega no porta-malas.

já interessadíssima na história, pergunto: "mas... e sua mulher, família? o senhor tem casa, como é isso?". sentem, que agora é que vem a história.

ele tem seus 55 anos, mais ou menos. foi casado, teve 2 filhos, uma menina e um menino. sua esposa, quando seus filhos tinham 6 anos (o menino) e 1 ano e meio (a menina), decidiu arranjar um emprego "em casa de família" pra ajudá-lo com as despesas, ele era jornaleiro. foi trabalhar na rua lisboa, num apartamento de gente fina. a esposa dele, no fim de um dia de trabalho, enquanto batia papo com a colega e esperava o elevador, abre a porta do dito cujo e entra. acontece que O MESMO não se encontrava no andar e a nossa heroína morreu espatifada no terceiro andar, sendo que ela estava no décimo-segundo. (parênteses aqui para a paula e demais: o mesmo é nosso amigo. se ele estivesse lá, a moça estava viva e essa história não teria acontecido)

depois de conseguir evitar que ele me contasse detalhes minuciosos da posição do corpo da falecida e outros detalhes escabrosos, eu quis saber o que houve. ele ficou com 2 crianças pequenas pra cuidar e trabalhando o dia todo, com não mais que 21 anos. o infeliz tem 6 irmãs, que se recusaram a ajudá-lo a cuidar da menina pequena, dizendo que "criança dá muito trabalho". eu, enxerida: "que vacas...! ops, o senhor me desculpe, sei que é família, mas..." ele não se ofendeu, acho. acabou sendo socorrido pela tia, uma senhora que o ajudou com a menina. o menino foi trabalhar com ele na banca de jornal enquanto não estava na escola.

pouco (pouquíssimo, pelo jeito) tempo depois, diz que uma moça muito bem arrumadinha (sei...) que sempre comprava jornal pro patrão ali com ele todo dia chegou com mala na mão e chorando. resumo: estava grávida e o patrão mandou embora, a pobre não tinha pra onde ir e ai meu deus... ele, bom rapaz que é, acolhe a moça. acolhida a criatura, ele pensa: por que não unir o útil ao agradável? a moça fica aqui, eu a ajudo com o filho que está pra nascer e ela me ajuda com os meus. acordo perfeito! ela gosta da idéia, mas como é moça direita (seeeeeei...) só aceita o acordo se casar, de papel passado. pois eles casam, no cartório com testemunha e tudo o mais. dia seguinte do casamento, quando ele combina de ir pegar a menina pra trazer de volta pra casa e já esquematiza tudo pro menino ficar junto, em casa, a esposa se vira pra ele bem abusada e diz: "e eu tou aqui pra cuidar de filho de outra, é? não senhor, se quiser contrate uma empregada!". bom, pra resumir a história, ele botou a esposa, o barrigão e seus panos de bunda todos na rua e esqueceu do casamento. diz que mais de 20 anos depois ela veio pedir o divórcio e ele até deu, porque ficou com pena (a santa queria casar de novo), desde que não precisasse ver a cara da ingrata. dei até parabéns pra ele, praticamente bati palmas!

bem, a continuação da história é que ele continuou sozinho, os filhos cresceram. a menina já teve dois filhos que ele adora e "ela pede dinheiro só de vez em quando, sabe? eu dou", me conta. o menino, por outro lado, já é um marmanjo de 30 e vive rodeando o pai, pedindo dinheiro, é vagabundo. por isso mesmo ele deu esse jeito de morar no táxi (pelo menos durante a semana: de fim de semana ele vai pra sua casinha em pirituba): desse jeito não tem ninguém querendo morar com ele e nem enchendo o saco. não quis casar mais (não me admira), e quando alguma namorada vem com história de casar ele logo oferece: "vem morar comigo no táxi, princesa!". nenhuma aceitou, até hoje.

mais um blog legal

esse eu vi na dani e achei TUDO: síndrome de estocolmo. leiam, é muito bom.

eu podia estar matando, eu podia estar roubando...

... mas estou só anunciando a venda na nossa linda moto. *chuinfs*

virago 535 1999, preta e marrom, com 15330 km.
documentação em dia (de SP), vai com manual, chave reserva, alforje traseiro em couro sintético, reparador instantâneo de furos e sissy bar com bagageiro.

SOMENTE A BAGATELA DE R$14.500,00!

a moto está ótima e é linda. estamos vendendo só porque estamos sem grana: não foi possível comprar caviar russo e nem champagne francês este mês. nossa situação é de dar dó :)

confiram as fotos da moto aqui, ela é linda mesmo e o fer tá aqui sofrendo, portanto espero que seja alguém bem legal que compre o brinquedo dele.

agosto 10, 2006

não importa ganhar ou perder.... até você perder

pois então: eu não diria que sou uma pessoa competitiva. mas vou precisar explicar, porque senão vai ter gente duvidando. a coisa é mais ou menos assim: eu não entro em competição de boa vontade, não. aliás, evito entrar em qualquer tipo de competição, seja esportiva, de lazer ou competição pessoal (profissional, amorosa, afetiva, enfim). prefiro sempre ficar de fora, por um motivo simples: eu odeio perder. não sei se odiar é a palavra, a questão é que não admito perder. é alguma coisa inconcebível, que me faz sentir completa e absolutamente incompetente.

uma falha de caráter ou tão-somente uma fraqueza? não sei, só sei que é assim. por isso evito competir se existe chance de perder e me recuso a competir se a perda é certa. questão de auto-preservação, percebem? se eu sei que vou me martirizar se perder, por que diabos vou me meter a competir? "pra tentar ser uma pessoa melhor e aprender a perder" você me dirá, cheio de boas intenções, não é? você sabe onde tem um montão assim de gente, ó, com boas intenções? então, vá pra lá.

mas voltando -- eu inclusive adoro estimular as pessoas a fazerem muito bem o que elas fazem bem, gosto de dar espaço para que outras pessoas brilhem (e quem já trabalhou comigo pode atestar isso). só tem um pequeno probleminha: é melhor você ser bom pra querer brilhar junto comigo, senão dá problema. eu o-d-e-i-o dividir holofote com medíocres. às vezes é preciso, é verdade, mas podendo eu evito.

mas, PQP, desviei totalmente do assunto, não ia falar nada disso! eu ia falar que tem um jogo maldito chamado collapse que eu gosto muito e compartilhei com o fer, eu sabia que ele ia amar. se nunca jogou, jogue, vale a pena e você nunca "perde", digamos. você pontua, e pronto. não tem uma competição de verdade, a não ser com você mesmo. e era por isso que eu comecei falando de competição.

eu acho esse jogo legal demais, vira e mexe paro de trabalhar e saio quebrando as pedrinhas pra distrair. aí que minha pontuação máxima desse jogo é algo como 13700, sei lá. pois descobri essa semana que o fer simplesmente já bateu os 70000. setenta mil, é isso mesmo. COMO ASSIM? pensei eu em voz alta, cuspindo na cara dele, quando ele me contou, com a maior humildade. como é possível que num jogo que se pode chegar a 70000 (e mais, imagino) eu chegue a míseros 13000?

isso vem roendo meu ser desde ontem. como eu disse: não queria competir, não queria, juro por deus, mas ele vem me contar que fez 70000 na porra do jogo e acabou com a minha vida. inclusive digo que desde então tenho feito não mais que 4 ou 5 mil no jogo, acho que ele abalou minha auto-confiança. ou é tendinite mesmo, sei lá.

as criaturinhas mais fofas

ai, podem falar que eu sou puxa-saco, mas não tem animal de estimação mais lindo e fofo e engraçado e querido que furão. eu amo todos os bichos do mundo, mas esses são especiais: ô espécie maravilhosa! olha as minhas menininhas ying-yang:

didi e pretinha

e se você gosta de furão, divirta-se com nosso set só com fotos desses bichos safados e sem-noção (tem quase 450 fotos!)

agosto 15, 2006

uma história sobre ferrets

primeiro eu vou copiar e colar o que o fer escreveu pra rosa sobre o assunto, com alguns links bem úteis:

O melhor lugar para informações sobre ferrets é o www.ilovemyferret.com.br Se eu pudesse dar 3 conselhos antes de você comprar, os conselhos seriam:
1. Compre dois. Um só fica sozinho demais, eles têm um ritmo todo próprio que não podemos suprir;
2. Não os deixe em gaiola. Eles merecem pelo menos um cômodo só deles;
3. Leia isso e isso (Item "Quer adotar?", no menu à esquerda)
Beijo e boa sorte!

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agora vou complementar e aproveitar pra responder também à roberta sobre o assunto.

concordo com os conselhos e sites do fer, mas quero também dar um depoimento sobre o que é ter ferrets, pois é BEM diferente de ter cachorros (sempre tive, a vida toda, em casa) e imagino que seja bem diferente também de ter gatos (que nunca tive mas sempre convivi indiretamente com eles).

pra começar, ferrets são animais extremamente frágeis. eles têm metabolismo rápido e portanto adoecem (e se recuperam, pelo lado bom) num ritmo que a gente não acredita. um ferret que fica um dia sem comer ou beber água ou com diarréia forte pode morrer. é muito mais frágil que uma criança, mesmo um bebê muito pequeno, portanto você tem que se acostumar a prestar muita atenção a todos os sinais básicos do animal: comportamento, olhos, nariz, xixi e cocô, pelagem, apetite. qualquer mudança pode significar um problema (geralmente significa).

meu primeiro ferret foi o pixel, eu peguei ele bebezinho em maio de 2000, cabia na minha mão. o pixel foi a criatura que mais amei nessa vida, e mesmo depois dele ter ido embora, no primeiro dia da primavera do ano passado, eu sinto que sempre estará aqui comigo. ele me ensinou muita coisa sobre mim mesma, mas isso tudo eu já disse aqui. me ensinou muito também sobre o cuidado com ferrets e suas conseqüências: ele morreu de úlcera perfurada, sem a menor necessidade. nós o levamos ao veterinário por semanas, e ele não soube diagnosticar que o animal tinha gastrite, uma doença muito simples de curar. quando finalmente o levamos à única clínica veterinária de são paulo (talvez do brasil) que é especializada em ferrets, a pet place, ele chegou lá já sem esperança e só pudemos deixá-lo ir embora em paz.

o pastel chegou 2 meses depois do pixel, e já chegou com pneumonia, bebezinho. eu não tinha muita noção na época do quanto era preciso estar atenta a pequenos sinais, acho que podia ter feito mais por ele. o fato é que, a despeito de todo cuidado que eu tive (incluindo aí passar 4 noites em claro dando comida e água a cada 2 horas) ele morreu com um ano e meio e eu não sei direito até hoje do que foi. dizem que foi pneumonia mesmo, mas tenho minhas dúvidas hoje em dia: acho que ele tinha aquela doença de coração que dá em cachorros e que o tórax fica cheio de água.

quando o pastel morreu, decidi que não queria pegar nenhum ferret bebê, eu queria adotar algum animal já adulto que alguém não quisesse, algo como salvar o bichinho de uma vida sem amor. adotei a didi, que era ferret de estimação de um pet shop e só tinha vivido em gaiola por 1 ano e meio, no meio da loja. foi a melhor coisa que aconteceu na vida do pixel e na minha também. ela é incrivelmente inteligente e independente, está com quase 6 aninhos e muito bem. nunca tive trabalho com ela, parece de ferro!

casei com o fer em 2003, e ele se apaixonou pelos pequenos monstros. resolvemos adotar mais um e em 2004 adotamos o groo, nosso monstro criado com gatos (ele se comporta como um) cujo dono achava que ele era uma menina (é menino) e tinha 2 anos (tinha 4). ele tem mais de 6 anos atualmente e está uma baleia preguiçosa (como a dona). continua com um humor péssimo, ele meramente suporta nossa presença na casa.

a pretinha chegou logo depois e é o ferret mais perfeito que já vi. ela é linda, manhosa, charmosa, tem o pêlo mais maravilhoso que já vi na vida e ainda por cima tem aquela máscara nos olhinhos. ela parece irmã do pixel no temperamento e para nosso espanto, realmente ama humanos. o dono dela a vendeu porque queria comprar um DVD player. ela está com 3 aninhos.

logo depois da morte do pixel a paula machado nos doou duas criaturas lindas: fênix (3 anos) e gollum (4 anos no fim do ano). esses dois sempre foram amados e são duas coisas fofas e pestes. o gollum, pouco tempo depois que chegou, desenvolveu uma doença chamada insulinoma, que é relativamente comum em ferrets (é uma disfunção pancreática que causa produção excessiva de insulina). ele foi operado em março, retirou boa parte do pâncreas e também uma adrenal (equivalente à nossa suprarenal). a adrenal estava OK, o pâncreas tinha um tumor maligno. ele desenvolveu diabetes na seqüência da cirurgia, ficou internado por 20 dias na clínica para adaptação da dose de insulina. ficamos tratando dele como diabético por quase 3 meses (aplicação subcutânea de insulina várias vezes ao dia) e na semana passada ele finalmente voltou ao normal: seu pâncreas voltou a funcionar normalmente, pra nossa felicidade. ele está muito bem, gordo e feliz e virou estudo de caso da clínica veterinária.

nossa experiência de adoção de ferrets com idades e sexos diferentes é ótima: nunca tivemos problemas quanto a isso, eles se deram todos muito bem em poucos dias. aliás, ficaram amigos de infância, essa é a verdade. ferrets gostam de viver em grupo, portanto é importante não deixá-los sozinhos, isso é um pecado. eles são mais felizes em grupo e você certamente será mais feliz se tiver pelo menos 2 deles pra ver brincando.

eu sempre falo da maravilha que é ter ferrets, mas quero deixar claro que algumas coisas são realmente difíceis e quem quer adotá-los precisa estar ciente de alguns fatos:

1) ferrets não são tão amorosos quanto cachorros e alguns gatos. eles têm muita personalidade e alguns inclusive detestam que a gente pegue, aperte, afofe. se você quer um ferret pensando que ele será como um cachorro que está sempre feliz pela sua simples existência, esqueça. eles têm uma vida bem independente da nossa e só consentem em dividir a casa com você porque você os alimenta

2) eles são teimosos. se ele cismar que alguma coisa é dele, vai insistir o resto da vida em pegá-la. eles sabem resolver problemas (é verdade, isso não é forma de dizer) e encontram os meios mais criativos de chegar onde querem, abrir portas, janelas, entrar nos lugares mais absurdos e aprontar coisas incríveis (nem sempre divertidas pra nós)

3) sua casa vai ter que mudar para ter um ferret. eles não saltam como os gatos, mas escalam praticamente qualquer coisa que se possa agarrar com as unhas (enormes), e como eu disse, eles são realmente inteligentes. cortinas na janela, que eles possam escalar? esqueça. móveis perto de janela escaláveis? esqueça. estantes fáceis de subir? eles vão subir e derrubar suas coisas, seus livros, seus bibelôs. eles derrubam coisas pelo prazer de vê-las cair. esqueça a graciosidade natural dos gatos: ferrets são destrambelhados e GOSTAM de fazer bagunça.

4) não é recomendável deixar ferrets perto de máquinas de lavar ou qualquer coisa com motor. eles se enfiam dentro dos motores e buracos pequenos simplesmente porque querem ver o que tem lá dentro e é instinto deles entrar em buracos. esse inconveniente pode ser tão simples quanto passar 1 hora tentando convencê-lo a sair do buraco ou tão trágico quanto ligar uma máquina de lavar e matar o bicho lá dentro

5) algumas pessoas reclamam que seus ferrets mordem fios. os nossos não mordem, nenhum deles, mas acho que é porque eles não vêem muita graça em fios, com tantas coisas divertidas pra morder por aqui. alguns ferrets mordem a gente, de verdade, porque é o jeito de brincar entre eles. a mordida deles não é de brincadeira, eles têm caninos enormes. o pastel mordia de tirar sangue e não adiantava brigar. os demais mordem de brincadeira, mas dói, então crianças pequenas e ferrets não combinam muito bem (é perigoso para ambos)

6) ferrets gostam de liberdade, espaço, brinquedos, tocas, paninhos. eles precisam de diversão pra serem felizes, não basta comida, água e carinho. eles são como filhotes o resto da vida, eles PRECISAM de brincadeiras constantes. não adote um ferret se você não gosta de animais brincalhões e pentelhos, que mordem seu pé, roubam suas coisas e cavam os seus vasos. eles são assim e serão sempre assim até morrer

7) não mantenha um ferret trancado numa gaiola, isso é a pior coisa que eu posso pensar em fazer com um animal desses. eu sei que na loja eles ficam nas gaiolas bonitinhas com brinquedos, eu sei que tem gente que deixa preso e solta algumas vezes ao dia. acredite em mim: é uma judiação. só quem já viu os ferrets vivendo soltos pode entender como eles são plenamente felizes com liberdade e espaço

8) se você não tem dinheiro para comprar a ração especial para ferrets e levá-lo ao veterinário com certa freqüência, não adote um. eles são, como eu disse, frágeis e realmente dão trabalho quando estão doentes. houve épocas de ficarmos dando remédio de 6 em 6 horas (e NÃO dá pra deixar pra depois, eles morrem mesmo); estamos há 3 meses indo ao veterinário toda semana pra acompanhar a recuperação do gollum e há meses não viajamos porque não podemos deixá-los sozinhos. vou passar dados reais, do meu controle financeiro, pra dar uma idéia: no ano passado gastamos em média 314 reais por mês com os furões. este ano, por enquanto, já foram 540 reais por mês. é verdade que temos 5, mas uma cirurgia custa 1000 reais, a internação de 20 dias custou 1600 reais. não dá pra ignorar isso, certo?

9) ferrets têm cheiro de bicho selvagem, apesar das glândulas de cheiro serem retiradas (eles também são castrados ainda bebês, é exigência do IBAMA para entrarem no brasil), então tenha certeza que você não se importa com o cheiro deles, porque não adianta dar banho, é o cheiro deles!

10) eles fazem muito cocô e xixi, graças ao metabolismo rápido. é um tico de nada, mas tem cheiro, claro, e nem todos aprendem (ou querem) usar caixinhas de areia (como os gatos) ou jornais. nós temos todos os tipos de temperamento aqui em casa: o groo usa muito a caixinha (90% das vezes), senão usa o jornal. a didi, por outro lado, tem revolta contra portas fechadas e, havendo uma, ela nos faz a gentileza de fazer cocô/xixi na FRENTE da porta, como protesto. eu não me importo, limpo numa boa. eles não fazem sujeira em roupas, sofás ou coisas assim, são bem limpos e procuram cantinhos longe de onde dormem, sempre. ah, carpetes não são uma boa idéia com ferrets. nossa casa é toda de taco de madeira com uma camada de poliuretano pra evitar estragar a madeira por conta dos xixis ocasionais.

11) a expectativa de vida dos ferrets é curta. muitos não vivem mais que cinco anos, alguns chegam a 8 anos, ouvimos dizem que uma moça aqui em SP tem um de 12 anos. eles costumam morrer de acidente também, é bem freqüente, graças à sua natureza curiosa. eles se enfiam em roupas, dentro dos mecanismos de máquinas e sofás, entram em ralos e acabam morrendo porque a gente não prestou a devida atenção aos perigos.

a despeito de todas as complicações, eles são animais incríveis, que me fazem lembrar todo dia que a vida é um milagre, que a natureza é perfeita. jamais serei grata o suficiente por ter a oportunidade de conviver com essas criaturas malucas, criativas e divertidas. eles fazem minha vida mais feliz e me lembram a todo instante que a vida é breve e exatamente por isso precisa ser muito bem vivida.

trivial variado

olha, eu adorei the l word desde o primeiro episódio. é verdade que algumas coisas são tão fantasiosas quanto qualquer série boba, mas os personagens todos são um colírio (homens e mulheres e outros). eu amo a shane e acho a jenny maravilhosa apesar de chatinha.

mas essa segunda temporada eu vou dizer pra vocês: tá muito boa. não pelo impacto inicial de mulheres lindas e sexies e lésbicas (e eu queria tanto ser lésbica, porque acho PODRE de chique e sexy, mas...) mas porque tem a questão da separação do principal casal da série e todas as questões horríveis da separação e da traição. é possível perdoar quem traiu? e os amigos, como ficam quando o casal que se separa é amigo de ambos? e o arrependimento de quem traiu? ah, meu deus, elas cortam meu coração!

mas a cena mais linda de todas dessa série, até hoje, foi a última do último episódio: a shane cortando o cabelo da jenny. foi uma das coisas mais lindas que eu já vi, juro mesmo. mesmo eu, que não sou nem um pouco apegada ao meu cabelo (de qualquer comprimento), sei o que significa pra cada mulher o seu cabelo, o que significa a mudança. muito do nosso cabelo reflete uma mudança interna que nem sempre percebemos, mas às vezes não só percebemos como queremos que os outros percebam. que forma mais óbvia de mudar de vida que cortar o cabelo, mulheres, me digam? :) a cena foi linda, espero que alguém mais tenha visto e possa comentar.

**

outra série que eu amo é house. não só porque é bem produzida e porque eu obviamente adoraria qualquer série que trata de solucionar problemas (bem-vindos à minha vida, senhores!) mas porque há situações profissionais que eu acho perfeitas.

o último episódio teve duas questões interessantes: a primeira sobre um casal de lésbicas (acho que o assunto está na moda :D), sendo que a primeira precisa de uma doação de fígado ou morrerá e a segunda é compatível e quer doar. mas eis que descobrimos que a primeira, antes de adoecer, estava prestes a abandonar a segunda, que não sabe de nada. contar ou não contar para a doadora? o desfecho é interessante mas eu não vou estragar :)

a segunda questão é entre dois profissionais da equipe do dr house: a mocinha lourinha e politicamente correta médica da equipe escreve um artigo científico sobre um dos casos cabeludos que acompanhou na equipe para ser publicado, mas ela precisa da aprovação do chefe (o mala-mor, doctor house) e deixa na mesa dele, que obviamente não dá a menor bola. seu colega de equipe, negão fudidão, escreve artigo sobre o mesmo assunto (embora com outro viés) e consegue a aprovação do chefe ANTES dela conseguir a aprovação dela e publica o artigo, sem avisá-la. pois que durante o episódio todo vemos uma discussão ética e moral a respeito da atitude dele, e pra não me alongar demais, conto que no final ela procura o colega pra se desculpar pelo seu "surto", mas pede que ele se desculpe por ter "passado por cima dela". ele, senhor negão fudidão, responde simplesmente que eles não são amigos, são somente colegas de trabalho, e que ele não fez nada errado e portanto não há motivos para desculpas. se ela se sente ofendida pessoalmente, paciência, ele não se importa.

eu, que sempre antipatizei com o negão, agora virei sua fã. será que um dia as pessoas vão entender que relacionamento profissional não é a mesma coisa que amizade e parar de fazer chantagem emocional pra conseguir o que querem no trabalho?

**

não sei se já disse isso (devo ter dito nesses 6 anos, com certeza) que tenho certa antipatia pela elis regina. mas tenho certeza que nunca disse que tenho também certa resistência a milton nascimento. aliás, resisto um pouco à "música mineira" tipo milton, lô borges e afins. acho um saco, pra falar a verdade. mas tem uma música que essa semana me pegou sei lá por onde, não sai da minha cabeça e é realmente maravilhosa: ponta de areia, cantada pela elis no seu disco de 1974. é linda, doce, me faz ficar horas pensando em estradas e colinas. engraçado como canções trazem sentimentos que se misturam com lembranças ou mesmo sonhos, tudo misturado. é bom.

**

finalmente, isso me remete a uma das várias coisas que me irritam: por que as pessoas acham que gosto é crítica ou que crítica tem a ver com gosto (no sentido de preferência)? eu realmente não gosto da elis, o que não significa que eu não goste de TUDO que ela já fez; não significa também que eu não aprecie o talento e a carreira dela. a elis foi um grande talento, sim, mas eu não gosto de boa parte do que ela fez, com licença? se eu tivesse a intenção de fazer mesmo uma crítica musical sobre ela ou sobre o que chamei de "música mineira", usaria argumentos técnicos e não meu gostar como base, tenha dó. aliás, ô coisa sem noção esses críticos que ao invés de fazer crítica fazem apologias ou pichações baseadas no seu gosto ou falta de. o pior é que tem revista que publica! é a lama, é a lama.

o meu pai

domingo foi dia dos pais, né? meu pai está em madri, com meu irmão, desde 19 de junho. nos falamos sempre por telefone, e neste dia dos pais ele me acordou cedo, claro, porque não aguenta esperar eu ligar pra ele :D

acho que já disse muito sobre meu pai quando foi aniversário dele, mas seu diálogo comigo na última ligação acho que resume muito do que eu quero dizer sobre o quanto meu pai significa na minha vida. há pais e pais: ausentes, sérios, responsáveis, fechados e muitos etc. mas o meu pai é de outro planeta, eu acredito nisso com todas as forças. herdei dele a criatividade enorme e a capacidade de me espantar com a vida todos os segundos do dia. em homenagem ao dia dos pais e a todos os pais malucos do mundo, com vocês, uma conversa telefônica entre eu e meu pai.

toca o telefone, era meu irmão, "cicatriz", agora. ele fala um pouco e passa pro mei pai, que quer falar comigo.

(eu, toda feliz) oi papis!! tudo bom?
(ele, animadão) gatão(*)! sabe onde eu tou? no quinto andar de um prédio! e sabe o que eu tou vendo?
(eu só ria, porque ele falava comigo como se eu tivesse 5 anos ainda. aliás, é como ele SEMPRE faz)

[pausa dramática]

(ele, EXULTANTE) UM NINHÃO! na torre da igreja! como chama aquele passarinhão que tem um saco na boca e come peixe...?
(eu, gritando) PELICANO! papi, jura por deus que você tá vendo um ninho de pelicano? não é GIGANTE?
(ele) isso, isso, pelicano! filhota, eles são LINDOS! tem um casal, deve ter filhinhos! eles moram num ninho do tamanho de um ofurô, embaixo da cruz!!
(eu) ai que tudo! tira foto com o celular, pai, caramba! eu quero ver!
(ele) ah, eu não sei usar essa merda, não, vou pedir pro seu irmão... mas então: quando eles morrerem já vão estar ali debaixo da cruz, né? HA HA HA!
(eu, achando que ele bebeu) HA HA HA! pai, você é doido... e como você tá? tou com saudade! quando volta?
(ele) também tou filha, remarquei a passagem, mas não sei pra que dia, não. OLHA OLHA, o pelicano de novo e...

[TU-TU-TU]

caiu a ligação e ele não liga de novo, como sempre, e eu voltei a trabalhar. mas passei o dia todo rindo, imaginando os pelicanos morando no ofurô em cima da igreja em madri. meu pai, pra mim, é isso: me fazer sorrir e sonhar.

--

(*) meu pai e outros da família me chamam de gatão ou gato por causa de um gato que morava no meu berço antes que eu nascesse. mas essa história eu conto outro dia.

agosto 18, 2006

feijão com arroz

eu comprei um cachorro de pelúcia que canta "only you", cantando direitinho a música com a boquinha mexendo, vocês não tão entendendo, é a coisa mais linda do universo! se eu tivesse uma câmera que pegasse som também eu gravava pra mostrar. é de morrer do coração.

**

eu vi na superinteressante desse mês um coelhão (de verdade) que pesa 7,7kg e tem orelhas de 21cm. é uma lindeza, parece um bicho de pelúcia gigante! eu queria adotar ele e criar aqui em casa, que nem cachorro. já pensou, um coelhão passeando no parque de coleirinha?

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ontem foi aniversário da sheilinha. eu tenho tanta coisa pra dizer sobre ela que fica até difícil... acho que a coisa que mais admiro nela (além da inteligência incrível, educação, cultura e beleza) é sua capacidade de ser doce e firme, na mesma medida. é uma mulher apaixonante, definitivamente uma leoa (ok, em miniatura :))

tenho certeza que muitas pessoas diriam que nós tínhamos tudo pra odiar uma à outra (pois somos bem parecidas em algumas coisas, é verdade) mas, ao contrário, nos gostamos logo de cara. mesmo nas primeiras semanas de convivência, bastava um olhar e nos entendíamos (especialmente quando se tratava do instinto assassino dirigido aos colegas de trabalho retardados :D). essa mulher incrível, em pouco tempo de convivência, me ensinou muitas coisas e espero que continue ensinando por bastante tempo. tenho muito orgulho de ser considerada sua amiga. pra ela, todos os vivas! :)

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descobri que não somos só nós aqui de casa que temos uma estranha tara por propaganda eleitoral: o youtube está coalhado de amostras de propaganda hilárias. eu adorei essa compilação, mas procure por assunto que você vai achar as coisas mais escabrosas :)

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gente, peraí: o clodovil é candidato! pára tudo! eu vou votar nele. espero que ele ganhe e infernize muito a vida do congresso. pelo menos a gente vai rir ao invés de chorar de desgosto.

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decidimos as férias: vamos para o chile. na verdade, vamos pra montevidéu (visitar a n.) e dali pegar um carro e ir pro sul do chile, sabe deus o que vai ser. mas viagem boa é assim: sem muita programação. pode até parecer esquisito pra uma control freak como eu, mas ADORO viagens sem programação, ir fazendo o que der na telha. mas, pô, faz todo o sentido: a control freak em mim também precisa de férias, afinal :)

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ouvimos por aqui os dois cds mais novos da coleção: renato braz, por toda a vida; andré geraissati, canto das águas

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acabada a saga de duna -- pela terceira vez, acho, e ainda fica a sensação de incredulidade com o quanto frank herbert é foda -- eu me joguei de volta ao mundo da dragonlance, dessa vez depois da era dos deuses. são três livros imensos, bem maiores que a primeira trilogia, mas já acabei o primeiro e estou devorando o segundo. estão ainda na pilha todos os phillip pullman que comprei, naked e o livro incrível que ganhei da sheilinha (e o fer tá lendo), flatland. acreditem ou não, é um romance que se passa no mundo das figuras geométricas bidimensionais. sim, literatura de diversão para quem curte matemática, que é exatamente o nosso caso :)

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e eu estou aqui escrevendo enquanto devia estar trabalhando. tá cada dia mais difícil me concentrar, acho que estou definitivamente precisando de férias, ufa.

agosto 20, 2006

alguém pra admirar

o fer descobriu e, emocionado, me mostrou esse vídeo no youtube. eu sei que vivo recomendando que vocês vejam coisas, mas por favor: VEJAM.

o vídeo mostra o matt dançando (mal) em uma série de lugares do mundo. lugares incríveis, lindos, diferentes. mas o que mais me deixou passada a respeito é que eu, antes de ler sua biografia, falei em voz alta pro fer "ele é rico, né?" e o fer só riu e me mandou ler a porra do site. (aliás, vá você também antes de continuar a ler)

eu li e acho que minha ficha ainda não caiu. ele fez (fora a parte de filmar e dançar) o que eu jurava que faria quando tinha 15 anos. ele nunca foi à faculdade e, vejam que coisa, nunca fez a menor falta. ele visitou lugares incríveis, dançou, conheceu gente e se divertiu muito e não, ele não é um cara rico. pelo menos não em dinheiros. o que me fez começar a pensar nisso bastante e esse post é só pra deixar um registro, porque acho que ainda muitas coisas vão acontecer aqui na minha cabeça depois de ter visto esse vídeo e ter lido a história dele.

podia haver mais matts no mundo. seria um lugar melhor.

agosto 21, 2006

o cachorro cantor

o diogo me mandou o vídeo do cachorro cantor que eu comprei, e posso mostrar pra vocês, COM SOM :D

fala: ele não é TUDO?

curiosidades que fazem pensar

leiam o texto abaixo e me digam se não dá o que pensar. (e deu pra perceber que eu ando bem pensativa ultimamente, ahn? :D)

**

o dr. philip m.harter, MD, FACEP da universidade de stanford, escola de medicina, recentemente declarou o seguinte: "se nós pudéssemos reduzir a população da terra para uma aldeia de exatamente 100 pessoas, com todas as relações humanas existentes permanecendo as mesmas, chegaríamos mais ou menos ao seguinte quadro:

haveria:

- 57 asiáticos, 21 europeus, 14 do Hemisfério Ocidental (do norte e do sul), 8 africanos;

- 52 seriam mulheres, 48 homens;

- 70 seriam não brancos (vermelhos, amarelos, negros) e 30 seriam brancos;

- 70 seriam não cristãos; 30 seriam cristãos;

- 89 seriam heterossexuais e 11 seriam homossexuais;

- 6 possuiriam 59% de toda a riqueza do mundo e todos os 6 seriam dos Estados Unidos;

- 80 habitariam moradias de baixo padrão;

- 70 não saberiam ler;

- 50 sofreriam de subnutrição;

- 1 estaria próximo da morte e 1 estaria para nascer;

- 1 teria educação universitária;

- 1 possuiria um computador;

e conclui: "quando consideramos nosso mundo sob uma perspectiva de tal forma comprimida, a necessidade de aceitação, compreensão e educação se torna extremamente óbvia".

**

o texto em inglês está aqui. mas o melhor é que eu achei esse texto em português em um site que fala sobre deficiências (físicas e mentais) e como essa categoria de pessoas não foi incluída na visão reduzida do mundo.

agosto 25, 2006

firula

pois que eu li a palavra e simplesmente sabia, pelo som, o que ela significava. mas como sou curiosa, fui conferir e é isso mesmo:

Main Entry: 2frill
Function: noun
Etymology: perhaps from Dutch dialect (Brabant) frul ribbon bow, trifle
1 a : a gathered, pleated, or bias-cut fabric edging used on clothing b : a strip of paper curled at one end and rolled to be slipped over the bone end (as of a chop) in serving
2 : a ruff of hair or feathers or a bony or cartilaginous projection about the neck of an animal
3 a : AFFECTATION, AIR -- usually used in plural b : something decorative or useful and desirable but not essential : LUXURY
- frilly /'fri-lE/ adjective

**

não é o máximo? :)

agosto 28, 2006

porque passar vergonha faz parte da vida

o fer decidiu publicar, homeopaticamente, seus episódios vergonhosos. não sei se ele se manterá na infância (afinal, quando a gente é criança o mico é no máximo engraçado), mas depois de rir um monte, comecei a pensar nos meus próprios micos.

o pior é que eu não consigo lembrar de muitos. minha mãe, aqui do lado, diz que teve uma série, eu é que não lembro. em outras palavras, minha memória é minha amiga :) mas lembrei de pelo menos dois, e vou contar.

um deles, lembro como se fosse hoje, foi entre várias amigas da minha mãe. estavam elas, mulheres adultas e todas lindas e poderosas, conversando sobre assuntos de adulto, numa sala, sentadas com seus cigarros e bebidas. e eu, pra lá e pra cá (não tinha mais que 6 ou 7 anos), pescando uma coisa ou outra, vi uma das mulheres com um anel de diamantes, com uma só pedra. devo ter pensado algo como "vou mostrar que eu também sei o que é isso!" e, pegando na mão dela, disse com muita pompa e propriedade: "nossa, que linda sua solitária!". só lembro de gargalhadas que duram até hoje aqui nos meus ouvidos.

a outra é um mico menos engraçado mas instrutivo. eu tinha 3 anos, fui ao mercadinho do japonês com a minha mãe. ela não quis comprar um saquinho de confete pra mim e eu não me conformei. simplesmente peguei, escondido (também conhecido como ROUBAR) e levei embora. depois que saímos do mercado, eu abri o saquinho e comecei a comer. minha mãe, horrorizada, "onde você pegou isso?" e eu, *nhoc nhoc* "no mercado!". pois ela voltou, me fez ir até o dono do mercadinho (o nome do japa era "seu jura", acho eu), pedir desculpas e devolver o saquinho. ela diz que lembra até hoje das minhas bochechas vermelhas de vergonha (e a boca cheia de confete, aposto). o japa ficou com pena de mim e deixou eu ficar com o confete, mas minha mãe não deixou não.

como vocês podem ver, não foi por falta de mico: se hoje eu sou sem noção, não foi por falta de experiência mas pelo fator memória seletiva :)

da série "músicas que batem forte"

i got the call today, i didn't wanna hear
but I knew that it would come
an old true friend of ours was talkin' on the phone
he said you found someone
and i thought of all the bad luck, and the
struggles we went through
and how i lost me and you lost you
what are these voices outside love's open door
make us throw off our contentment and beg for something more?

i'm learning to live without you now
but i miss you sometimes
the more i know, the less i understand
all the things i thought i knew,
i'm learning again
i've been tryin' to get down
to the heart of the matter
but my will gets weak and my thoughts
seem to scatter
but i think it's about forgiveness
forgiveness
even if, even if you don't love me anymore

these times are so uncertain
there's a yearning undefined...
people filled with rage
we all need a little tenderness
how can love survive in such a graceless age?

the trust and self-assurance
that lead to happiness
they're the very things we kill, i guess
pride and competition
cannot fill these empty arms

and the work i put between us
doesn't keep me warm

i'm learning to live without you now
but i miss you, baby
the more i now, the less i understand
all the things i thought I'd figured out
i have to learn again
i've been trying to get down
to the heart of the matter
but everything changes
and my friends seem to scatter
but I think it's about forgiveness
forgiveness
even if, even if you don't love me anymore

there are people in your life
who've come and gone
they let you down and hurt your pride
better put it all behind you; life goes on
you keep carryin' that anger,
it'll eat you up inside

i've been trying to get down
to the heart of the matter
but my will gets weak
and my thoughts seem to scatter
but i think it's about forgiveness
forgiveness
even if, even if you don't love me

i've been trying to get down
to the heart of the matter
because the flesh will get weak
and the ashes will scatter
so I'm thinkin' about forgiveness

forgiveness
even if, even if you don't love me

(interpretada por renato russo, stonewall celebration)

ouça aqui (10Mb, tenha paciência).

pobres animais encarcerados

não sei o que é mais engraçado: as caras das criaturas aqui de casa ou os comentários da fal nas fotos :)

update: o melhor comentário da fal é esse aqui.

agosto 30, 2006

da série "mundo, esse lugar estranho"

o fer invadiu minha caixa postal com dezenas de pôsteres de filme com os nomes alterados --pra melhor, não posso negar --, todos encontrados no site something awful.

o melhor é que o cara mantém uma lista de piores filmes que é realmente incrível. mas não é só: ele mantém também uma lista de piores filmes pornô!

confiram e riam muito :)

compartilhando pequenas felicidades

não sei se já repararam, mas vira e mexe eu coloco umas músicas pra quem quiser baixar e ouvir. não é só mais um link, saibam vocês: é o meu desejo de compartilhar um pouco do que eu sinto. o melhor da música, especificamente pra mim, é poder comunicar sem dizer nada com palavras (pelo menos não as minhas). é como transmitir sensações e sentimentos, só.

estou escrevendo esse post pra manter uma lista das músicas que publiquei aqui. vou mantê-lo atualizado sempre com música e data.

**

update: como as minhas felicidades não são pequenas, mas GRANDES, eu arranjei outro lugar pra compartilhar as músicas. agora elas estão todas aqui no meu playlist do multiply.

aproveitando enquanto o trabalho não me afoga

é engraçado: eu não perco mais muito do meu tempo pensando em problemas. é verdade que a santa-fluoxetina ajuda e muito (aleluia a ela!), mas acho que tem um pouco de mim mesma nisso, sim. o tempo passa e a gente percebe que certas coisas realmente não têm importância.

tem coisas que eu posso resolver, sim, e eu faço tudo o que for necessário pra resolver. pra isso eu precisei entender uma coisa que a maioria das pessoas que eu conheço ainda não percebeu: a causa da maior parte dos problemas é ninguém menos que você mesmo. enquanto eu não percebi isso, fiquei gastando energia brigando, discutindo e criticando os outros. obviamente não adiantou nada e só me irritou. quando eu percebi a questã, passei a gastar muito menos energia me resolvendo comigo e, voilá!, as coisas se resolveram. acreditem, não é coincidência. quando você muda sua atitude, tudo ao seu redor se modifica imediatamente.

e aí tem as coisas que eu não posso resolver. essas, na verdade, não são problemas. pelo menos não problemas meus. quando a questão me afeta mas eu não posso fazer nada, procuro contornar e sobreviver como dá. quando a questão não me afeta mas afeta alguém que é importante pra mim, eu fico por ali, esperando pra ver se a pessoa pede ajuda. porque tem outra coisa que eu aprendi a duras penas: não se deve ajudar quem não quer ajuda. faça isso e você certamente vai se arrepender, pois a pessoa vai dizer (com toda a razão do mundo) "quem mandou você se meter na minha vida? eu pedi alguma coisa?"

eu demorei a perceber que existe uma coisa como ciclo de vida da mudança. aprendi isso empiricamente, mas semana passada essa idéia apareceu num diagrama de um curso que fiz (técnico) e eu adorei ver que minha "descoberta" é na verdade uma teoria pra lá de conhecida, me deu um certo conforto. o que eu chamo de ciclo de vida da mudança (no que diz respeito à reação do indivíduo diante dela) apresenta as seguintes fases:

- negação: "isso não está acontecendo. eu não quero mudar nada. eu não tenho problema, os outros é que têm problemas!"
- raiva: "por que isso tem que acontecer logo comigo? alguém tá contra mim!"
- barganha: "e se eu fizer tal coisa, será que conserta? e se eu tivesse feito as coisas diferente?"
- depressão: "não aguento mais. acabou tudo, não vai ter saída!"
- teste: "e se eu fizer isso ou aquilo? e se eu tentar fazer X ou Y? e se...?"
- aceitação: "a vida continua, afinal, vamos adiante..."

todos os auto-diálogos são meus e não são lá essas coisas, mas é pra tentar passar a idéia. procurando pelo assunto, você sempre vai encontrar essas fases relacionadas à perda, à morte. mas, como bem explicou nosso instrutor na semana passada, toda mudança não é de certa forma a morte de uma idéia ou um contexto? temos que deixar pessoas, idéias e coisas pra trás e isso é sempre difícil.

voltando ao que eu dizia antes: a coisa pega quando a gente se vê numa situação de mudança (que nem sempre é opcional) e não consegue sair da fase da negação ou da raiva. se a questão é individual, o problema só se resolve quando a gente percebe e muda, por nossa conta. mas tem gente que, por não conseguir fechar esse ciclo, fica estagnada emocional, profissional ou sentimentalmente. esse é o tipo de problema que outros não podem resolver. o máximo que podemos fazer é ter paciência e procurar ficar à margem, caso o outro peça ajuda, ou ir cuidar da vida, se a coisa se repete continuamente.

confesso que já fui daquelas que adota problemas dos outros pra si mesma e só se ferra (me ferrei MUITO por isso); também já fui daquelas que já não tenta mais resolver os problemas dos outros mas fica super-mal por causa deles. certa ou errada, hoje em dia eu resolvo os meus problemas (o que já dá bastante trabalho) e só me meto em problema alheio se for explicitamente chamada. que ninguém jamais espere de mim ajuda que não foi pedida.

até porque, no meio desses aprendizados todos, também passei pelo mais difícil deles: aprender a pedir ajuda ao invés de achar que eu sou super-mulher ou esperar que as pessoas adivinhem o que eu preciso.

acredito que perceber que é você quem precisa mudar e não o mundo, tanto quanto saber pedir ajuda fazem parte da entrada na vida adulta. estou muito feliz com essa mudança em mim mesma (obviamente depois de passar por todas as fases descritas acima :D) e fico triste vendo tantos adultos que não viraram adultos ainda.

há quem ache que virar adulto é ruim e faz de tudo para se manter "com espírito de criança". isso, desculpe a franqueza, é a pura negação. tornar-se adulto não quer dizer pagar contas, ser prático, chato ou não se divertir. ser adulto tem muito mais a ver com perceber que não há ninguém manipulando nem controlando sua vida além de você mesmo. não adianta mais colocar a culpa no irmão, pai, mãe, professora ou no vizinho: seus problemas são SEUS e VOCÊ vai ter que resolvê-los.

há quem ache essa parte a má notícia. pois eu confesso que é justamente dessa parte que eu gosto :) (acusada control freak!)

(filhotes já doados)


filhotes JÁ DOADOS!

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o anúncio:

estou DOANDO 4 filhotes de boxer ( machos ) , estão com 20 dias.
depois eu mando fotos, eles são lindos. excelente companhia para crianças.
p.s. para quem nao sabe, eu tenho os pais dos bebês

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se você é sortudo e pode adotar uma fofura dessas, me manda email e eu encaminho pra dona.

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