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dezembro 2006 Archives

dezembro 1, 2006

a viagem (que pode ser considerada uma novela também)

vou procurar ser breve, tanto quanto possível, pra não entendiar ninguém. ao mesmo tempo, quero manter um registro do roteiro pra minha própria referência e para quem se interessar pela mesma viagem. sendo assim, vou resumir aqui o que fizemos, dia a dia, e ali no "leia mais" eu coloco mais detalhes com o tempo. os links que aparecem no texto são para as fotos dos locais, pra quem quiser ver.

bem, decidimos ir para o chile por vários motivos: porque eu especialmente me sentia mal por ter visitado tantos países no mundo e nunca ter visitado nenhum país da américa do sul (fui a montevidéu a trabalho, mas tão rápido que não conta); porque o chile tem paisagens incríveis; porque é talvez o único país realmente desenvolvido da américa do sul; porque achamos que seria mais barato (ilusão, já vou avisando); porque tínhamos milhagem suficiente pra não pagarmos passagem de nenhum dos dois, indo pra lá; e porque lá tem a patagônia :)

nossa proposta inicial era desembarcar em santiago, alugar uma caminhonete e descer até punta arenas (ou mais, se fosse possível), visitando no caminho o que desse na telha. a única coisa que reservamos foi o carro (e o hotel do dia 1, na noite no dia anterior :D) e o restante deixamos em aberto. nem tudo saiu do jeito que esperávamos, é claro, mas isso faz parte da diversão de estar de férias inclusive da neurose de controle :) vamos a um resumão de cada dia.

detalhe: os hotéis e a comida são uma categoria à parte, falo sobre eles depois.

dia 1
chegamos a santiago por volta de 14h e o esquema de aluguel do carro deu certo, o cara da locadora nos esperava com plaquinha (!) no aeroporto, tínhamos mapa da cidade e nos viramos facilmente. tirar dinheiro foi um pequeno problema, pois por algum motivo só conseguíamos tirar 50k pesos por vez (cerca de 200 reais).

demoramos cerca de 2h para encontrar uma forma de parar no hotel. era bem no centro da cidade e é sempre um inferno andar de carro em centros, mas tudo acabou dando certo. fazia um calor de capeta (~30 graus) e fomos dormir um pouco pra descansar. descobrimos que estávamos num bairro "de artistas" e era tudo muito cool, todos os bares fofos e lindos e cheios de gente alternativa. quase compramos um pão com queijo o voltamos pro hotel, porque temos alergia de gente cool, mas cedemos à tentação e jantamos numa mesinha ali na rua e foi legal, embora o jantar (que consistiu de salada e tábua de frios) tenha custado mais ou menos 60 dólares.

precisávamos de água e lá fomos comprar água mineral, garrafinhas de 500ml: 1000 pesos (~ 4 reais). ahn? como assim? o povo não bebe água aqui? compramos, claro, e aguardem, porque a história da água continua.

dia 2
visitamos o cerro santa lucia, bem em frente ao hotel e lindíssimo, e partimos na seqüência para o sul. a esta altura tínhamos decidido ir pro sul direto e depois, na volta, explorar mais a região ao redor de santiago se desse tempo. passamos no shopping pra comprar casacos de frio corta-vento (que não tínhamos) e nos impressionamos com os preços de roupas e eletrônicos: tudo muito mais barato que no brasil. gastamos centenas de reais em roupas e uma câmera nova e fomos em direção a chillán (400km de santiago), onde dormimos.


dia 3
pela manhã seguinte conferimos se havia alguma coisa que valesse a pena na cidade (não havia) e seguimos viagem, parando em salto del laja (uma queda d'água linda) e então fomos diretamente para puerto montt (622km de chillán), onde dormimos nesta noite.

tínhamos algumas coisas pra comprar de qualquer forma, então passamos o dia ali, conhecemos o posto turístico da cidade e perguntamos sobre o próximo trecho da viagem que pretendíamos fazer ainda de carro, a carretera austral. descobrimos, pra nosso desgosto, que não era possível atravessar de carro para o próximo trecho pois a balsa só funciona no verão (janeiro e fevereiro). havia uma outra balsa na cidade de quellón (ao sul da ilha de chiloé) que poderíamos pegar para chegar a um pedaço da carretera austral.

mudança de planos, então: fomos para a ilha de chiloé (de balsa) e a atravessamos de ponta a ponta (cerca de 200km), pois quellón é a cidade mais ao sul dessa ilha, de onde sai a balsa para a carretera.

chegamos lá no fim da tarde e descobrimos que a balsa sairia só em mais 2 dias (com possível atraso) e que demoraria 2 dias pra ir e mais 2 pra voltar. dormimos em quellón, mas decidimos mudar o roteiro: iríamos de avião para o sul e deixaríamos o carro por uns dias em puerto montt.

dia 4
de volta a puerto montt, procuramos uma agência de viagens (a primeira foi um horror; a segunda foi um achado) e fechamos um pacotinho para visitar o extremo sul. gostaríamos de ter ido à geleira san rafael, mas era tão demorado e caro que atrapalharia outros planos nossos. ficamos com a opção punta arenas, puerto natales, torres del paine e um passeio de barco pelos glaciares.

fechado o pacote, decidimos almoçar em puerto montt mas dormir em puerto varas (20min de puerto montt).

dias 5 e 6
ficamos desta vez em uma das cabañas que eles oferecem como alternativa aos hotéis (uma excelente opção, aliás).

puerto varas é linda de morrer, um típíco balneário, mas com todo o jeitão de campo. o tempo estava ruim, mas foi lindo mesmo assim (na volta do sul tivemos oportunidade de ver a cidade com sol, o que foi ótimo).

visitamos petrohué (nosso agora amigo pedro rui), uma corredeira maravilhosa às margens do vulcão osorno, que tem uma estradinha para subir até a estação de esqui, que funciona no inverno (não conseguimos subir até a estação neste dia, a estrada estava coberta de neve).

há uma série de cidades ao redor do lago llanquihue e a estrada é maravilhosa, então passamos o dia contornando o lago e parando, sem muito planejamento. assim fizemos, e foi um passeio incrível. no dia seguinte seguiríamos para punta arenas, quase no fim do hemisfério sul!

dia 7
voamos até punta arenas e a vista do avião é incrível. de puerto montt para o restante do sul o continente é praticamente um arquipélago, então a vista é cheia de água, montanhas cheias de gelo e planícies. chegamos tranquilamente e esperamos um pouco pelo motorista. já deu pra sentir que ali o frio não era de brincadeira e o vento só piora a sensação.

passamos rapidamente pela cidade, pois decidimos conhecê-la na volta de puerto natales, vimos o estreito de magalhães de relance e fomos para a estação de ônibus que nos levaria, numa viagem de 3h, até puerto natales, nosso destino nos próximos 2 dias. a estação de ônibus é pequena e meio trash.

viagem de ônibus sossegada, motorista nos esperando por lá e um hotel decentíssimo pra dormir 3 dias, uma bênção pra quem estava há 7 dias dormindo cada dia num lugar, ufa :) a fome, no entanto, não era brincadeira: só tínhamos tomado café da manhã. fomos a um restaurante recomendado na cidade na beira da praia, simpático e com comida razoável. o vento é que não tinha graça nenhuma. é maluco perceber que você está quase no final do continente, é impossível não pensar no descobrimento e no que foi conquistar aquela região difícil.

dia 8
7 da manhã e já estávamos no café, ansiosos pelo passeio de barco pelo canal da última esperança para ver a geleira balmaceda, com parada no parque o'higgins e almoço (pesadíssimo, aliás, pura carne) na fazenda perales, que um local à parte de tão lindo.

é difícil descrever como esse passeio é lindo, como as geleiras são bonitas e o que é caminhar nestes lugares tão perfeitos. o encantamento não passa e você fica o tempo todo deslumbrado com a maravilha que é a natureza. o barulho da água, do vento, o frio, as cores tão intensas que nenhuma foto consegue descrever. espero que seja possível ver um pouco nas fotos que tiramos.

dia 9
esse foi certamente o passeio mais esperado da viagem: torres del paine. eu não conhecia esse parque nem de ouvir falar antes de começar a planejar a viagem e a surpresa foi sensacional. eu diria sem medo de errar que é um dos lugares mais incríveis do mundo. pra quem gosta de viagens do tipo "ver paisagens incríveis", esse passeio é absolutamente necessário. esse parque é também um must para quem gosta de trilhas e observação de fauna e flora.

fomos primeiros à cueva del milodón, que é um sítio arqueológico, uma caverna onde foram encontrados resquícios deste animal já extinto e várias evidências de que era morada fixa de muitas pessoas. a caverna é enorme, seca e muito protegida do clima difícil da região, um lugar inacreditável.

na seqüência, seguimos para torres del paine e passeamos de carro pelas estradas muito bem cuidadas, vimos o maciço del paine com uma luz linda, o dia estava claro (depois de 10 dias nublados). almoçamos num restaurante bem chique que tem por lá (hostería lago grey) e fizemos uma trilha simples para ver o lago e a geleira, andando pela praia. tiramos fotos com os icebergs e quase fomos arrastados pelo vento gelado.

foi certamente o passeio mais lindo que já fiz na vida (e olha: já vi bastante coisa bonita nesse mundo...)

dia 10
acordamos cedíssimo e pegamos o ônibus de volta a punta arenas. antes de chegar à cidade o nosso taxista-amigo e guia nos pegaria para um passeio à pingüinera mais próxima. obviamente não resistimos ao apelo de ver aquelas coisas fofas e fomos, pela estrada empoeirada e ouvindo o papo mais maluco do universo (guia, um senhor, estudou botânica, com especialização em micro-flora da região patagônica. nós viajamos forte na conversa). os pingüins são as coisas mais cuti-cuti e o lugar onde eles moram é lindo, tranqüilo e gelado de morrer, mesmo sendo verão. eu não sabia que eles fazem seus ninhos no mato e os pares se revezam para ir comer no mar. voltam andando naquele passinho desengonçado de pingüim... ploft-pleft. lindos!

fomos à praça principal da cidade, onde fica a estátua do famosíssimo hernando de magallanes (fernando de magalhães, para os íntimos do idioma luso) e o índio cujo pé se deve beijar para retornar à terra do fogo (beijamos, claro). fomos a um lindo mirante da cidade pra ver o estreito de magalhães mas o melhor do passeio foi o cemitério da cidade, auto-proclamado o mais lindo do chile (deve ser mesmo). um tanto céticos fomos conferir, mas confesso: é um lugar sensacional. dá vontade de morrer e ficar exatamente ali.

no fim deste mesmo abençoado dia voltamos a puerto montt e, para nosso deleite, o tempo estava espetacular: um céu azul e limpíssimo. corremos de volta ao vulcão osorno, para poder subir até a estação e vê-lo com dia claro. de quebra, assistimos um pôr-do-sol laranja e azul, quase às 9 da noite.

dia 11
o dia seguinte foi uma viagem de cerca de 300km até villarrica, à beira do vulcão villarica e região de esportes radicais. no caminho para pucón vimos o vulcão villarrica (ativo!) de longe e ficamos frustradíssimos por não termos condições físicas de subir até a cratera e ver a lava: é uma subida de 4km na neve, cerca de 5 horas, ou seja, inviável para dois sedentários :D

conformados, seguimos para pucón e nos entregamos à gula: o fer experimentou o prato mais famoso do chile, o curanto (escreverei um post sobre ele, pra cam) e eu comi o tal lomo a lo pobre (nosso filé a cavalo, muito bom).

dormimos no primeiro hotel de preço decente que encontramos perto da cidade, sem grandes exigências, e acordamos num jardim à beira do lago, lindo lindo lindo.

dia 12
optamos pelo passeio simples até o sopé do vulcão e depois paramos à beira do lago para um passeio de pedalinho em águas cristalinas e azuis, com vista para o vulcão. espetacular.

resolvemos dar a volta toda no lago, pra conhecer a região, uma grata surpresa: um dos caminhos mais lindos que já vi na vida, estradas de pedra com montanhas ao longe e muita água por todos os lados. descobrimos uma ponte pênsil sensacional, vimos cemitérios de árvores e o próprio paraíso na terra ali, à beira do vulcão e do lago.

dia 13
dormimos em chillán (um horror de hotel) e no dia seguinte compramos calcinhas e cuecas no supermercado porque não lavamos NADA na viagem. aliás, que calcinhas maravilhosas! comprei 4, uma de cada cor :)

viajamos mais de 300km e lá pelo meio do dia chegamos à vinícola miguel torres para a melhor refeição de toda a viagem: menu fechado com um vinho por prato. simples, prático e maravilhoso, ao som de... bossa nova :)

saímos de lá diretamente para o litoral e após uma penosa busca nos hospedamos num hotel de quinta categoria em viña del mar e dormimos o sono dos justos, apesar das mariposas e das toneladas de ácaros :D

dia 14
acordamos e fugimos rapidamente do hotel-macabro, pensando em achar algum lugar melhor em viña del mar. o problema é que nenhum de nós simpatizou muito com a cidade, principalmente porque depois do nosso mergulho nas montanhas e no silêncio aquilo tudo parecia caótico, fedorento, úmido e barulhento. resolvemos conhecer a costa, paramos, tiramos fotos, descobrimos alguns preços e, apesar dos lobos do mar e dos pelicanos, não nos empolgamos em ficar por lá.

fomos para valparaíso, a cidade portuária. o pacífico é lindo, com várias vistas incríveis, mas preferimos voltar a santiago e conhecer algumas coisas mais, afinal não somos mesmo de praia...

depois de uma maratona em santiago para encontrar um hotel (foi difícil) nos deparamos com a pousada el salvador (irônico, ahn?) que de fato foi uma bênção nas próximas 2 noites (apesar dos 4 lances de escada para subir...)

descansamos e, pela primeira vez na viagem, fomos a um bar à noite, tomar cerveja, comer uma pizza e bater papo de bar. fomos a pé, o bar tinha boa música, cerveja gelada e decoração maluca, do jeitinho que eu gosto. uma boa noite pra chegar ao fim de uma bela viagem :)

dia 15
de volta a santiago, fomos visitar o centro da cidade: museu precolombino, galerias cheias de lojinhas (compras!), a catedral (linda, com imagens de todos os santos que eu conhecia e não conhecia) e o mercado central, com toda a oferta de peixes e frutos do mar que existem.

eu estava gripadíssima e não aguentei a jornada urbana com calor senegalesco: me entreguei ao sono de muitas horas pra recuperar as energias. essa noite foi só TV e preguiça...

dia 16, o último
amanheceu um dia lindo e azul e pudemos acordar um pouquinho mais tarde. fomos para o aeroporto, fizemos compras, pegamos filas e sonhamos com nossa casinha de volta durante o vôo. mãe e pai esperando no aeroporto, alagamento em SP, 2 horas pra chegar em casa... ah, nada como nosso lar! :)

alimento para a alma

ontem fomos (sheilinha, fer e eu, entre outros amigos queridos) assistir a outro concerto do audi coelum, na basílica do carmo, e o gui foi um dos solistas. o concerto foi maravilhoso, a primeira música especialmente eu realmente chorei, de tão linda.

conseguimos filmar uns trechinhos (com qualidade de som inferior à que o espetáculo merecia, mas é o que temos) e eu coloquei no youtube, pra quem quiser ouvir um pouco.

eu recomendo!

dezembro 4, 2006

que deus me perdoe...

...e que eu consiga não engordar mais uns 20kg nesse natal.

poxa, mas tem condições? sou apaixonada por rabanada, essa invenção do capeta. segue uma receita simples que achei na gula e é bem parecida com a que eu faço (não digo igual porque eu não sei as medidas de cabeça, é tudo de olho. os ingredientes são os mesmos)

ingredientes
1 pão (bengala) de véspera ou uns 4 pães franceses
600 ml de leite (ou mais se for necessário)
4 colheres (sopa) de açúcar
casca de 2 limões (retire a casca bem fina sem a parte branca)
4 ovos
açúcar e canela em pó para polvilhar
óleo abundante para fritar

acessórios
frigideira ou panela de fundo grosso (pra fritar)
escumadeira pra tirar as maravilhas do forno
garfo ou batedor de ovos pra bater
faca de pão pra cortar as fatias
panela de boca larga pra ferver o leite e conseguir mergulhar as fatias de pão (senão vai ser preciso colocar o leite numa travessa)
travessa/prato com papel absorvente no fundo pra colocar as rabanadas depois de tirar do óleo
papel absorvente
faquinha pra tirar a casca do limão
potinho, copo, qualquer coisa onde se possa misturar o açúcar e a canela em pó

como fazer
corte o pão em fatias com cerca de 1,5 cm de largura. ferva o leite com o açúcar e a casca de limão. numa tigela, bata muito bem os ovos, de maneira que as claras fiquem completamente incorporadas às gemas. passe as fatias de pão no leite quente (mas fora do fogo) e esprema delicadamente para tirar o excesso de leite. em seguida, passe as fatias nos ovos batidos, dos dois lados. frite imediatamente em óleo bem quente e escorra sobre papel absorvente. sirva as rabanadas povilhadas com a mistura de açúcar e canela em pó.

dezembro 5, 2006

magritte

this is not a post.

ATENÇÃO: graças ao gui, fizemos uma bem sucedida migração de provedor e agora tudo voltou ao normal. em breve mais notícias da viagem de férias e da 3a edição do perupatolinha!

dezembro 7, 2006

o limite entre o sexy e o constrangedor

essa semana estava passando pela milésima vez true lies, filme sensacional. pra mim, a melhor cena é aquela da "espiã" fazendo uma dancinha sexy. de morrer de rir, apesar dela estar maravilhosa com aquela lingerie...

e falando em mico-leão-dourado, vejam esse vídeo abaixo:

sejam absolutamente sinceros: isso desperta tesão em algum de vocês? eu fiquei foi com fome e com vergonha alheia. eu preferia que meu pai visse um vídeo/foto minha "no ato" do que me visse numa situação dessas... jesus!

**

e as fotos da moça da plêibói desse mês? afe, no mínimo 40 graus... mas vamos falar sinceramente: lindíssima, corpaço e tal, mas totalmente boneca. e cá pra nós, só aparece a buceta da moça porque é aquela coisa "menininha". se fosse daquelas bucetas tipo vera fisher não aparecia assim, pelada, não.

aliás, lembrei um dos sites mais geniais do universo: bonecas reais (real dolls). juro por deus que eu comprava :D

a viagem (capítulo 2)

dia 6
voamos até punta arenas e a vista do avião é incrível. de puerto montt para o restante do sul o continente é praticamente um arquipélago, então a vista é cheia de água, montanhas cheias de gelo e planícies. chegamos tranquilamente e esperamos um pouco pelo motorista. já deu pra sentir que ali o frio não era de brincadeira e o vento só piora a sensação.

passamos rapidamente pela cidade, pois decidimos conhecê-la na volta de puerto natales, vimos o estreito de magalhães de relance e fomos para a estação de ônibus que nos levaria, numa viagem de 3h, até puerto natales, nosso destino nos próximos 2 dias. a estação de ônibus é pequena e meio trash.

viagem de ônibus sossegada, motorista nos esperando por lá e um hotel decentíssimo pra dormir 3 dias, uma bênção pra quem estava há 7 dias dormindo cada dia num lugar, ufa :) a fome, no entanto, não era brincadeira: só tínhamos tomado café da manhã. fomos a um restaurante recomendado na cidade na beira da praia, simpático e com comida razoável. o vento é que não tinha graça nenhuma. é maluco perceber que você está quase no final do continente, é impossível não pensar no descobrimento e no que foi conquistar aquela região difícil.

dia 7
7 da manhã e já estávamos no café, ansiosos pelo passeio de barco pelo canal da última esperança para ver a geleira balmaceda, com parada no parque o'higgins e almoço (pesadíssimo, aliás, pura carne) na fazenda perales, que um local à parte de tão lindo.

é difícil descrever como esse passeio é lindo, como as geleiras são bonitas e o que é caminhar nestes lugares tão perfeitos. o encantamento não passa e você fica o tempo todo deslumbrado com a maravilha que é a natureza. o barulho da água, do vento, o frio, as cores tão intensas que nenhuma foto consegue descrever. espero que seja possível ver um pouco nas fotos que tiramos.

dia 8
esse foi certamente o passeio mais esperado da viagem: torres del paine. eu não conhecia esse parque nem de ouvir falar antes de começar a planejar a viagem e a surpresa foi sensacional. eu diria sem medo de errar que é um dos lugares mais incríveis do mundo. pra quem gosta de viagens do tipo "ver paisagens incríveis", esse passeio é absolutamente necessário. esse parque é também um must para quem gosta de trilhas e observação de fauna e flora.

fomos primeiros à cueva del milodón, que é um sítio arqueológico, uma caverna onde foram encontrados resquícios deste animal já extinto e várias evidências de que era morada fixa de muitas pessoas. a caverna é enorme, seca e muito protegida do clima difícil da região, um lugar inacreditável.

na seqüência, seguimos para torres del paine e passeamos de carro pelas estradas muito bem cuidadas, vimos o maciço del paine com uma luz linda, o dia estava claro (depois de 10 dias nublados). almoçamos num restaurante bem chique que tem por lá (hostería lago grey) e fizemos uma trilha simples para ver o lago e a geleira, andando pela praia. tiramos fotos com os icebergs e quase fomos arrastados pelo vento gelado.

foi certamente o passeio mais lindo que já fiz na vida (e olha: já vi bastante coisa bonita nesse mundo...)

(a continuar...)

dezembro 10, 2006

perupatolinha, a 3a edição

desta vez temos fotos e vídeos (só 2, na verdade), mas a idéia é aperfeiçoar a técnica, a receita e o passo a passo.

nessa versão nos superamos: fizemos TUDO (inclusive desossar os bichos) em cerca de 4h (em 4 pessoas) e terminamos com um peru (já recheado e ainda cru) de mais de 13kg. um espetáculo.

desta vez tivemos pouca gente (16 pessoas), portanto sobrou bastante. o que não foi de todo mau porque pudemos mandar pedaços para algumas pessoas que não foram.

um detalhe desta edição: achei e usei a pimenta caiena e ela é forte, deve ser usada com cuidado. algumas pessoas não conseguiram comer o acompanhamento de beringela e batata doce por causa dela. fiz o recheio da galinha com camarão desta vez porque fiquei com preguiça de abrir as ostras e ficou ótimo.

fica também o link para a segunda edição e a estréia (que só tem fotos tiradas depois dele pronto e a muito custo).

pra quem, como a louca da raquel, quer tentar a receita, segue de novo o link com a tradução feita por mim e pela paula. aliás, a raquel fez o perupatolinha lá em BH nesta sexta-feira, somente com sua assistente, e me prometeu mandar a saga completa. se ela liberar, eu publico :)

ano que vem tem mais!

as coisas mais lindas do universo

são os ferrets, claro :D

o site da artista é aqui.

dezembro 11, 2006

a saga do perupatolinha mineiro

por raquel carvalho

Tem coisas que a gente só faz por amigo. Amigo de quem se gosta muito. Então. Tenho essa amiga-do-peito que, sabe Deus porquê, decidiu mudar para Brasília. Resolvi organizar mais uma despedida em alto estilo para os colegas chiques do trabalho chique. É lógico que escolhi uma receita chique porque não sou boba nem nada...

Um peru com um pato e com um frango dentro, mais vários recheios diferentes no meio, grita pelo meu nome e sobrenome completo. Pois bem. Animada, já fui logo convidando as pessoas para, na despedida, comer o tal prato. À medida que a lista de convidados crescia, minha preocupação também. Resolvi, cinco dias antes, que era hora de começar a providenciar os ingredientes.

Neste ponto da história, é preciso dizer que tem hora que morar em Belzonte é uma m.! Para conseguir ostras frescas, fui a três lugares diferentes. E na véspera do almoço, a empresa que prometeu conseguir as tais ostras furou a entrega da encomenda... Para comprar um peru de 8 kilos, rodei meia dúzia de supermercados e terminei telefonando para a Sadia (!) que enfim me informou o único local onde conseguiria o tal bicho. A pimenta caiena eu consegui no Mercado Central, as demais no Mercado do Cruzeiro, a agulha de lona em uma loja de maquinário de costuras e por aí foi... Considerando que eu tinha todos os utensílios domésticos, comprar apenas os ingredientes foi uma visão dantesca do inferno. E o preparo não tinha nem começado...

É preciso dizer que eu contei com duas ajudas preciosas. Uma do melhor desossador da capital mineira, o Gonçalves, que trabalha no O Fino da Carne do Mercado do Cruzeiro (fica ao lado da barraca do Tião que tem os melhores sequilhos e biscoitos mineiros). Gonçalves desossou até mesmo o peru que eu não comprei lá e ficou per-fei-to. A outra ajuda é da santa da assistente para assuntos domésticos que está comigo há cinco anos na condição de braço direito e esquerdo, às vezes das duas pernas também. Pois bem. Meu clone aperfeiçoado fez todos os recheios sozinha. Nessa fase, o máximo era solucionar dúvidas, pelo telefone, diretamente do trabalho. Em outras palavras: ela fez a receita toda (rs) e eu só participei da parte do temperar as carnes, montar e assar o bicho, bem como das etapas finais do prato...

Depois de um dia de labuta, às 21 horas da véspera do almoço marcado para o feriado do dia 8 de dezembro, estávamos nós prontas para fechar o bicho e costurar, quando surge a brilhante idéia de “desentortar” a agulhar comprada em forma de meia lua “para ficar mais fácil”. Vou frisar que eram NOVE HORAS DA NOITE DA VÉSPERA DE UM FERIADO NA CIDADE DE BELO HORIZONTE, quando eu escuto um suave “tec” na agulha. Ham ham. Murphy, aquele f.d.p., agarrou o “patola” (delicado apelido da nossa receita) e não soltou. A maldita da agulha quebrou, eu tinha 35 convidados confirmados e nenhuma idéia brilhante para como fechar aquela coisa lotada de coisas outras.

Falando no celular com todos os amigos que pudessem ter uma agulha e, ao mesmo tempo, dirigindo para um shopping, debaixo de um verdadeiro dilúvio, no meio de um engarrafamento monstro, eu xinguei a Zel (que traduziu a receita e a colocou no blog). E minha avó que me ensinou a cozinhar. E minha mãe que me ensinou a fazer salada quando eu tinha 5 anos. E Rosilene que quebrou a agulha. E principalmente eu mesma, a imbecil que se meteu em um rolo desses no mês mais caótico do ano.

Faltando 10 minutos para as 22 horas, achei em um armarinho do shopping, no meio de linhas e rendas, uma agulha de bordar, pequena mas melhor do que nada. Para encurtar a saga, passava das onze da noite quando, em casa, dei os últimos pontos no “patola”, completamente destruída e em frangalhos. Antes de dormir, devido ao surto psicótico em que me encontrava, liguei para Zel que, delicadésima, retornou no dia seguinte cedo e deu valiosas dicas. O fato de ter acordado às seis da madrugada do dia seguinte para colocar o bicho no forno foi só um detalhe irrelevante para um loooongo dia de comemoração.

A festa foi maravilhosa. O perupatolinha valeu cada grama de esforço. Ah! E eu amo a Zel.

Dicas da Capital Mineira:

- Não perca tempo rodando supermercados. O Verde Mar é mais caro, mas tem praticamente tudo lá e de qualidade 100% (o que eu só descobri depois...): as ostras frescas, o peru de 8 kilos, a maioria dos temperos diferentes e as entradas mais deliciosas do universo.

- Para desossar, procurar Gonçalves no O Fino da Carne do Mercado do Cruzeiro (fica ao lado da barraca do Tião que tem os melhores sequilhos e biscoitos mineiros).

- A dica da Zel de colocar dois tabuleiros com água debaixo do bicho enquanto está assando, tendo o cuidado de tirar o caldo que vai soltando o tempo todo, é fundamental. Depois de duas horas assando com o forno um tantinho aberto, é possível fechar, colocar em forno médio e deixar por mais quatro horas, antes de tirar o papel alumínio para dourar.

- Diminuí o sal e a pimenta de tudo um pouco, devido ao número de problemas coronarianos e de pressão do público alvo.

- O molho de berinjela e batata doce foi pouco para atender toda a demanda dos esfomeados.

- Se for receber mais de 30 convidados é imprescindível que haja outros pratos (ex: abóboras recheadas, massa de espinafre).

**

raquel agora é do time do "perpatolinha: EU FIZ". camisetas, feitas pelo weno, em breve :)

dezembro 15, 2006

natal, essa época do capeta

o trânsito tá uma merda, não comprei presente da amiga secreta (que graças a deus é amiga mesmo), não comprei aliás quase presente nenhum e acho que nem vou comprar, as contas tão atrasadas porque eu não tenho ânimo de chegar depois de um dia todo de consultoria e ainda digitar 8 senhas pra pagar uma porra de uma conta, milhares -- eu repito -- MILHARES de pessoas nas ruas e nas lojas e nos shoppings comprando sem parar, eu tou na TPM (ou seja: inchada, com a pele horrível e achando tudo uma merda) e tá um calor insuportável.

mas há consolos: passo o natal na nossa casa (pela primeira vez na vida, a minha casa de verdade) com famílias e o ano novo na nossa casa, so-zi-nhos. aliás: nós dois, os 5 furões e todas aquelas garrafas de lambrusco que estão na geladeira.

enquanto isso vocês me perdoem a ausência, é que tá um inferno mesmo esse fim de ano. e eu trabalhando que nem uma camela (só eu, aparentemente, o que deixa tudo mais irritante).

voltando a trabalhar, até o próximo boletim.

presentinhos de natal


cena lindíssima de mulholland drive. filmão!


e uma propaganda que é TUDO. vi no .

**

e aguardem que eu volto, tenham paciência que tem mais sobre a viagem e sobre muitas outras coisas.

dezembro 16, 2006

das coisas mais engraçadas que eu já vi

ok, é verdade que só vai ser assim TÃO engraçado pra quem é ou foi programador alguma vez na vida, mas acho que qualquer pessoa pode achar engraçado. apresento a vocês a técnica avançadíssima de programação POG - programação orientada a gambiarra.

e de quebra ainda descobri que existe essa maravilha, a desciclopédia. a internet é maravilhosa!

(quando eu acabei de abrir a página pra colar aqui apareceu a definição de emo, que eu até uma semana atrás não tinha a menor idéia do que significava ou que existia. genial :))

dezembro 17, 2006

retratos da cidade

resolvemos, depois de meses falando do assunto, finalmente registrar os grafittis que vemos todo dia quando andamos pelo bairro. talvez seja uma tradição do bairro ou simplesmente porque os gêmeos são daqui do cambuci, mas por todo canto se pode ver algo lindo grafitado nas paredes, é incrível.

tiramos quantas fotos a nossa bateria (já acabando) permitiu, mas vamos enchendo esse novo set sempre que possível. pra quem não está acostumado ou não tem oportunidade de ver muito dessa manifestação de arte maravilhosa, aproveite!

e de quebra tiramos mais umas fotinhos de sampa e do café do páteo. o centro da cidade é e sempre foi meu bairro preferido :)

dezembro 19, 2006

(já foi doado)

* ATUALIZAÇÃO (21/dez): FILHOTE JÁ DOADO!*

pessoal, uma amiga ganhou um filhotinho de siamês sem ser consultada antes e não pode ficar com o fofucho de forma alguma, infelizmente.

ela DÁ o gatinho vacinado, vermifugado, com 1 mês de ração garantida e todos os apetrechos (tigelinha, caixa de areia...)

alguém se habilita? deixa comentário aí que eu passo o email dela.

drops de fel, para fal

namoro
foi logo na primeira viagem que ela percebeu: aquilo não ia dar certo, de jeito nenhum. aquela história toda de ex-várias-coisas, meias-verdades sobre sua história e um falso (falsíssimo, inclusive, ela descobriu depois) repúdio a tudo o que é fútil cheirava mal. ela, esquecendo deliberadamente as lições de mamãe, ao invés de desinfetar com aquilo foi deixando pro dia seguinte. meses depois o fedor era tanto que ela fugiu de casa, desesperada, com mais de 30 anos nas costas. demorou mais de 2 meses pra conseguir voltar; depois que o fulano saiu, parecia que o cheiro estava impregnado. a verdade é que até hoje, de vez em quando, ela ainda sente uma certa maresia e vai pra janela tomar ar.

noivado
essa história de pedido de casamento, festa de casamento e noivado nunca foi exatamente um sonho dela, não (a verdade é que ela gostava de casar e casava, até, mas não gostava do casamento). mas, apaixonadíssima, caiu na própria armadilha: assim como quem não quer nada, achou bonito dizer que ele era o escolhido, o homem da sua vida e com ele, só com ele, ela realmente tivera vontade de casar. (e era mentira, claro, porque ela tem mania de mentir pra si mesma com certa freqüência e às vezes as mentiras vazam). acontece que ele precisava se sentir especial e ela sabia, usava isso como sua arma secreta. pouco tempo depois, como ela previa, ele a pediu em casamento. era pra ter sido uma surpresa (não foi), ele a leva a um restaurante cafona e com os olhos brilhando, faz o pedido. até hoje ela não sabe direito se foi o susto, o camarão com gosto de isopor ou aquela criatura emocionalmente perturbada ali agarrada na mão dela que a fez continuar mentindo que tudo ia dar certo, mas o fato é que disse sim. até porque desconhecia o não, com aquela idade, coitada.

casamento
isso ninguém pode negar: ele era um homem que priorizava seus compromissos objetivamente. o casamento marcado para a sexta-feira à noite, tudo combinadinho, ela pergunta "amor, a gente não vai poder sair em lua-de-mel por muito tempo por causa do trabalho, mas podíamos passar o fim-de-semana logo depois da festa em algum lugar legal, né?" e ele responde "ah, querida, não vai dar... sábado é o dia que fico com minha filha, lembra?". ela, achando que era pegadinha do faustão, argumenta "mas, querido... será que nesse sábado específico da nossa lua-de-mel não é possível mudar o dia?" e ele, calmíssimo, "acho que é, mas eu não quero".

**

um oferecimento singelo deste blog à fal, a dona dos drops mais legais do universo!

a viagem (parte 3)

aqui tem a história desde o dia 1, pra quem quiser ler tudo.

dia 10
acordamos cedíssimo e pegamos o ônibus de volta a punta arenas. antes de chegar à cidade o nosso taxista-amigo e guia nos pegaria para um passeio à pingüinera mais próxima. obviamente não resistimos ao apelo de ver aquelas coisas fofas e fomos, pela estrada empoeirada e ouvindo o papo mais maluco do universo (guia, um senhor, estudou botânica, com especialização em micro-flora da região patagônica. nós viajamos forte na conversa). os pingüins são as coisas mais cuti-cuti e o lugar onde eles moram é lindo, tranqüilo e gelado de morrer, mesmo sendo verão. eu não sabia que eles fazem seus ninhos no mato e os pares se revezam para ir comer no mar. voltam andando naquele passinho desengonçado de pingüim... ploft-pleft. lindos!

fomos à praça principal da cidade, onde fica a estátua do famosíssimo hernando de magallanes (fernando de magalhães, para os íntimos do idioma luso) e o índio cujo pé se deve beijar para retornar à terra do fogo (beijamos, claro). fomos a um lindo mirante da cidade pra ver o estreito de magalhães mas o melhor do passeio foi o cemitério da cidade, auto-proclamado o mais lindo do chile (deve ser mesmo). um tanto céticos fomos conferir, mas confesso: é um lugar sensacional. dá vontade de morrer e ficar exatamente ali.

no fim deste mesmo abençoado dia voltamos a puerto montt e, para nosso deleite, o tempo estava espetacular: um céu azul e limpíssimo. corremos de volta ao vulcão osorno, para poder subir até a estação e vê-lo com dia claro. de quebra, assistimos um pôr-do-sol laranja e azul, quase às 9 da noite.

dia 11
o dia seguinte foi uma viagem de cerca de 300km até villarrica, à beira do vulcão villarica e região de esportes radicais. no caminho para pucón vimos o vulcão villarrica (ativo!) de longe e ficamos frustradíssimos por não termos condições físicas de subir até a cratera e ver a lava: é uma subida de 4km na neve, cerca de 5 horas, ou seja, inviável para dois sedentários :D

conformados, seguimos para pucón e nos entregamos à gula: o fer experimentou o prato mais famoso do chile, o curanto (escreverei um post sobre ele, pra cam) e eu comi o tal lomo a lo pobre (nosso filé a cavalo, muito bom).

dormimos no primeiro hotel de preço decente que encontramos perto da cidade, sem grandes exigências, e acordamos num jardim à beira do lago, lindo lindo lindo.

dia 12
optamos pelo passeio simples até o sopé do vulcão e depois paramos à beira do lago para um passeio de pedalinho em águas cristalinas e azuis, com vista para o vulcão. espetacular.

resolvemos dar a volta toda no lago, pra conhecer a região, uma grata surpresa: um dos caminhos mais lindos que já vi na vida, estradas de pedra com montanhas ao longe e muita água por todos os lados. descobrimos uma ponte pênsil sensacional, vimos cemitérios de árvores e o próprio paraíso na terra ali, à beira do vulcão e do lago.

dia 13
dormimos em chillán (um horror de hotel) e no dia seguinte compramos calcinhas e cuecas no supermercado porque não lavamos NADA na viagem. aliás, que calcinhas maravilhosas! comprei 4, uma de cada cor :)

viajamos mais de 300km e lá pelo meio do dia chegamos à vinícola miguel torres para a melhor refeição de toda a viagem: menu fechado com um vinho por prato. simples, prático e maravilhoso, ao som de... bossa nova :)

saímos de lá diretamente para o litoral e após uma penosa busca nos hospedamos num hotel de quinta categoria em viña del mar e dormimos o sono dos justos, apesar das mariposas e das toneladas de ácaros :D

dia 14
acordamos e fugimos rapidamente do hotel-macabro, pensando em achar algum lugar melhor em viña del mar. o problema é que nenhum de nós simpatizou muito com a cidade, principalmente porque depois do nosso mergulho nas montanhas e no silêncio aquilo tudo parecia caótico, fedorento, úmido e barulhento. resolvemos conhecer a costa, paramos, tiramos fotos, descobrimos alguns preços e, apesar dos lobos do mar e dos pelicanos, não nos empolgamos em ficar por lá.

fomos para valparaíso, a cidade portuária. o pacífico é lindo, com várias vistas incríveis, mas preferimos voltar a santiago e conhecer algumas coisas mais, afinal não somos mesmo de praia...

depois de uma maratona em santiago para encontrar um hotel (foi difícil) nos deparamos com a pousada el salvador (irônico, ahn?) que de fato foi uma bênção nas próximas 2 noites (apesar dos 4 lances de escada para subir...)

descansamos e, pela primeira vez na viagem, fomos a um bar à noite, tomar cerveja, comer uma pizza e bater papo de bar. fomos a pé, o bar tinha boa música, cerveja gelada e decoração maluca, do jeitinho que eu gosto. uma boa noite pra chegar ao fim de uma bela viagem :)

dia 15
de volta a santiago, fomos visitar o centro da cidade: museu precolombino, galerias cheias de lojinhas (compras!), a catedral (linda, com imagens de todos os santos que eu conhecia e não conhecia) e o mercado central, com toda a oferta de peixes e frutos do mar que existem.

eu estava gripadíssima e não aguentei a jornada urbana com calor senegalesco: me entreguei ao sono de muitas horas pra recuperar as energias. essa noite foi só TV e preguiça...

dia 16, o último
amanheceu um dia lindo e azul e pudemos acordar um pouquinho mais tarde. fomos para o aeroporto, fizemos compras, pegamos filas e sonhamos com nossa casinha de volta durante o vôo. mãe e pai esperando no aeroporto, alagamento em SP, 2 horas pra chegar em casa... ah, nada como nosso lar! :)

dezembro 20, 2006

finalmente, um espaço só pra esse assunto

demorou mas eu acabei conseguindo: fiz um blog separado só para falar de furões, chamado ferrets - os mustelídeos do capeta.

estou matando 2 coelhos com uma caixa d'água só: não mato de tédio os que não se interessam por animais em geral e/ou por ferrets em particular falando demais sobre as criaturas e contento quem gosta do assunto e dos bichos publicando mais detalhes sobre eles.

eu e o fer vamos procurar falar sobre assuntos que interessam a quem tem ferrets e contar um pouco da nossa experiência com eles.

que seja útil e divertido aos interessados :)

dezembro 21, 2006

desejos de ano novo

a léa mandou essa coisa fofa e eu queria compartilhar. que 2007 seja assim, gostoso :)

(tenham paciência e fiquem assistindo. é uma graça)

algo como um agradecimento

eu prometo chegar na parte dos agradecimentos e porque quero agradecer, mas a verdade é que tenho que começar pela parte de não saber bem pra quem agradecer, até porque minha relação com as coisas espirituais é um tanto confusa.

vejam vocês: hoje (re)fiz meu mapa astral (pela décima vez, tenho mapas de todos os sites astrológicos da internet, além do mapa feito pela clau, que é o melhor de todos) e essa versão conseguiu resumir um problema sério no meu mapa, a falta de elementos de água (somente 1):

é muito importante para a sua vitalidade permitir que os sentimentos fluam em sua vida, sem resistir tanto a eles. a sua dificuldade em lidar com as próprias emoções prendem muitas coisas que possui em seu coração, podendo, por muitas vezes, ressecar o seu cotidiano. trabalhe em busca de colocar sua emoção para fora, permitindo que ela percorra os caminhos que a sua natureza mais íntima deseja. não interrompa, apenas deixe...

dito isso, fica mais fácil entender porque uma pisciana -- ou para os mais céticos, uma pessoa tão sensível -- tem tamanha dificuldade em expressar sentimentos. não, volta a fita: a dificuldade é sentir e não expressar, porque eu explico e expresso tudo muitíssimo bem, obrigada, grande merda. alguém aí sofre do mesmo problema com o sentir? eu poderia ficar aqui parágrafos explicando, mas é mais ou menos como se alguém não percebesse que sente fome ou sede -- uma desgraça.

enfim, esse é um problema do tipo meu e eu vou levando, tentando resolver. tenho dificuldade de agradecer, elogiar, dizer que amo. e tenho a mesmíssima dificudade pra dizer que odeio, tenho problema com o sentimento de raiva, como se fosse errado. às vezes quero que as pessoas morram, desapareçam, e me sinto a última do mundo por ter sentido algo assim. em outras palavras, sou uma pessoa emocionalmente disfuncional (é claro que eu tinha que explicar, é parte do problema :))

voltando: eu queria ter mais fé, queria acreditar em deuses, santos, espíritos, instâncias superiores, vidas além dessa. e não é que eu não acredite, é que eu não me deixo acreditar. e, acreditando em algo maior, gostaria de agradecer com todas as células do meu corpo e com todas as outras partes que não são orgânicas, com algo além do que é só físico. queria de alguma forma passar um FAX para o além, para o todo-poderoso, para gaia, para o universo, o caos, e dizer (UFA!) muito obrigada!

pra mim esse ano foi simplesmente bom, doce, passou como uma brisa. houve problemas e dificuldades, sim, mas foi tudo interessante, construtivo e divertido. eu cresci (e não foi para os lados *hehehehe*), resolvi problemas (e deixei outros morrerem de velhos), realizei alguns sonhos e já tenho muitos outros no forno.

no fundo, acho que esse sentimento é a manifestação da incorrigível mania que tenho de considerar tudo um milagre, inventar histórias mirabolantes com alguns fatos daqui e dali e transformar as coisas mais bobas em maravilhas. pode mesmo ser, mas se for assim, a tela que me deram pra pintar em 2006 tinha fundo azul bem clarinho e foi mais fácil de inventar :)

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vou escrever mais por aqui até o fim do ano, mas hoje é o primeiro dia de verão e eu estou aqui em casa, sozinha com um ventão que não sei de onde vem e me sinto feliz e um pouco saudosa. esse ano me deixa muitas boas lembranças e e quero desejar que todos recebam um pouco desse calor que eu sinto enquanto ouço as músicas que escolhi para terminar o ano.

e o verso que não me sai da cabeça, aquele:

se eu tivesse mais alma pra dar, eu daria
isso pra mim é viver.

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feliz fim de ano, amigos (conhecidos e desconhecidos). que 2007 seja maravilhoso e que sejamos todos muito mais felizes :)

dezembro 22, 2006

quem rouba de ladrão tem 100 anos de perdão :)

adorei e roubei:

watch your thoughts; they become words.
watch your words; they become actions.
watch your actions; they become habits.
watch your habits; they become character.
watch your character; it becomes your destiny.

(frank outlaw)

peguei da fabi.

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você reconhece um ególatra quando ele elogia no outro as qualidades que vê nele próprio. conheço pessoas assim, vejam um exemplo: "fulano é incrível, ele é exatamente como eu: determinado, corajoso". identificando pessoas assim fuja rapidamente: eles só usam os outros como espelho pra ver sua própria imagem. o dia em que você deixar de refletir a linda imagem deles vira um monstro horroroso do qual eles querem se livrar.

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mas tem o oposto também, aquele tipo que tem auto-estima tão baixa que não vê suas próprias qualidades e, é claro, não suporta ver qualidade nos outros. basta você estar feliz ou ter sucesso que a pessoa encontra problemas e defeitos na sua vida, quer sempre carregar você pro buraco onde elas vivem. já convivi com esses tipos, também é roubada brava, se livre rápido antes de ir pro abismo fazer piquenique.

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bom... na prática, se prestar bastante atenção nas pessoas, você não vai se relacionar com quase ninguém (o que é sempre uma opção, afinal) :) portanto, não leve nada assim tão a sério, mas se preserve dos exageros (seus e dos demais).

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e com vocês, mais um post da série auto-recados :D

filial de BH aprovada com honras!

o perupatolinha em BH foi sucesso absoluto e agora eu tenho fotos para provar que a raquel abalou:

é um pouco difícil ter noção do tamanho do bicho por essa foto, mas olhem a colher de sopa ao lado da travessa (parece colher de chá). ele é grande!

aguardo mais tentativas e novas incrições para filiais pelo brasil afora :D

enquanto isso, ficam as fotos (adicionei mais algumas da sheilinha e do weno, tiradas no último evento) e a comunidade no orkut, pra quem quiser se juntar aos cozinheiros e comilões temerários e, é claro, ganhar a camiseta do weno (perupatolinha: eu fiz!)

evolution x revolution

vendo o comercial da dove (aquele que mostra a modelo sendo produzida e alterada) no youtube achei esse aqui, com a mesma produção feita em um homem!

who defines you and why do you listen? revolt.

dezembro 23, 2006

the power of your intense fragility

assistindo hannah e suas irmãs, hoje, ouvi um trecho deste poema, lindo. e ouvi várias vezes durante o filme uma música que gosto especialmente na voz da ella fitzgerald: bewitched. aliás, todos os filmes do woody allen têm trilhas sonoras inacreditáveis, que bom gosto ele tem...

bem, ficam ambos aqui, poema e canção, como um pequeno presente de natal a todos. tenham um excelente domingo :)

**

somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously) her first rose

or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands
(e.e.cummings)

dezembro 27, 2006

talking to the hand

eu já percebi que (1) ninguém mais lê essa coisa e/ou (2) tem quem leia mas não dá a mínima e/ou (3) lê e não tem vontade nenhuma de conversar comigo. não tem problema, eu vou falando sozinha mesmo, tudo bem, ok, nem é tão ruim assim... :D

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como eu ia dizendo pra mim mesma, a internet é um espetáculo: colocação pronominal for dummies. e eu que achava que conhecia bem esse assunto percebi que já não lembro mais o que é uma locução verbal. e me peguei achando próclise e ênclise palavras muitíssimo engraçadas (deve ser coisa de velho, isso)

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assistimos o labirinto do fauno ontem e eragon hoje. o primeiro é sensacional, o segundo é um lixo, não percam tempo. quem gostar do primeiro aproveita e, caso não tenha visto, pegue na locadora a espinha do diabo, que é muito bom também.

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ah, e são paulo quando começam as férias? que cidade ótima pra se viver... bem que podiam fazer uma campanha pras pessoas se mudarem. mas é verdade que o shopping iguatemi estava lo-ta-do. todas aquelas pessoas nojentésimas trocando seus presentes. e a maior quantidade de silicone por metro quadrado da cidade, concentrada ali. inda bem que eu não freqüento o local, acho que ficaria em crise.

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o natal foi divertido e em família. o que, no meu caso, significa aquelas coisas bizarras de sempre, tipo essa foto linda (eu, fer e meu irmão):



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e da nossa janela da sala vimos ontem um arco-íris gigante; da janela do escritório um fim de tarde sobrenatural. é bonito mesmo ou são os nossos olhos?

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estamos jogando piratas do caribe no PS2 -- que é fraquinho mas passável -- e, pasmem: o johnny depp é o máximo até em computação gráfica e os diálogos são ótimos!

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e voltando ao assunto, vou lá pro meu canto, em silêncio (nova aquisição, a ser comentada).

dezembro 28, 2006

a vida com trilha sonora, agora mais que nunca

conheci o radio.blog.club na cam, amei, recomendei pra sheilinha, que também amou.

aproveitem a amostra e experimentem: duas versões (lindas) da mesma música, fly me to the moon.

(e pra quem viu abaixo o amor, as duas músicas têm ainda mais graça :))

dezembro 31, 2006

bem-vindo, 2007!

essa é a árvore que acaba de nascer na parede branca da nossa sala, pelas mãos do weno. há muito desejávamos ter um desenho dele na nossa casa e pensamos em algo como a árvore da vida, do klimt. depois de muito esboço e sonho ela nasceu e há de crescer e amalucar ainda mais em 2007.

muita vida, amor, criatividade, esperança e sonho em 2007, pra todos. e um pouco de poesia, que é sempre bom :)

**

i carry your heart with me (i carry it in
my heart) i am never without it (anywhere
i go you go, my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)
i fear

no fate (for you are my fate, my sweet) i want
no world (for beautiful you are my world, my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;
which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart

i carry your heart (i carry it in my heart)

(e.e.cummings)

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