e falando em se ser quem é...

descobri há pouco tempo, andando pela livraria, esse livro com título estranho: tamanho 42 não é gorda. acreditem vocês ou não, juro que não entendi o título. demorei a perceber que há neste mundo quem considere uma mulher que veste número 42 como sendo gorda, a sério.
inocentemente pensei com meus botões: tenho 1,52m e fico ótima vestindo 42! aliás, eu fico também ótima quando estou vestindo 44 (o que não é o caso agora, infelizmente... aqui o número está em 46, quando cabe). que porra é essa de 42 ser gorda?
bem, fui perguntar ao meu consultor para assuntos aleatórios, o fer. ele me explicou, com paciência, que há muitas gentes no mundo que consideram 42 uma numeração "de gorda". aí não sei se fico feliz porque não entrei nessa onda neurótica de peso ou se fico triste porque não estou bem alinhada com o mundo. por mais que eu saiba que é ótimo não se deixar influenciar por maluquices como essa, também sei que pensar fora da caixa às vezes dá mais dor de cabeça que prazer.
enquanto isso, me proponho pela milésima vez a humilde meta de caber num jeans 42. na verdade, enquanto isso mesmo, eu me acho bonita no jeans 46, sem nenhum medo. se tem quem ache aqueles esqueletos esquisitos que andam nas passarelas bonitos, por que eu não posso me achar bonita no meu style miss pirelli, pô? :D
**
e ainda estou pra entender o que nos leva a olhar no espelho um dia e achar que estamos lindas e no outro jurarmos que estamos umas monstras sem salvação. não é maquiagem, roupa, cabelo ou peso, é outra coisa, mais misteriosa. algo como um espírito que nos invade e é ele que aparece no espelho, e não a gente. num mundo cheio de padrões é estranho perceber que a beleza é tão subjetiva mesmo no espaço mais privado que existe, aquele entre você e seu espelho.
**
eu desdenho quem vem com esse papo de beleza universal. como assim, meu bem? a beleza está nas proporções simétricas, diria da vinci; a real beleza está no parceiro geneticamente mais preparado, diria darwin; o africano nem olha mulher sem bundão; americano baba por peitos fora de proporção. eu mesma me vejo achando lindas as pessoas mais estranhas. padrão de beleza é que nem padrão de videocassete: vira padrão o que as pessoas compram mais, nem que seja na base do marketing-porrada.
**
e se um dia as mulheres deixassem de comprar essas revistas ridículas, hein? e se a gente parasse de sofrer tanto com a opinião de desconhecidos? e se a gente se valorizasse a ponto de não se relacionar com quem dá importância a essas coisas? e se...
**
tem um tipo de mulher que eu desprezo mais que todas as outras: aquelas que se relacionam com homens que deixam bem claro que só estão com elas porque elas são bonitas/gostosas. já ouvi frases do tipo "ah, se você cortar o cabelo eu não vou mais te achar bonita" ou "se você engordar eu não te quero mais". e não é de brincadeira, é sério (independente do tom). e as tais mulheres bonitas/gostosas/cabeludas em questão fazem o quê? se dedicam ainda mais à ginástica, dietas e cabeleireiros. valha-me deus, esse mundo tá perdido.
**
por outro lado, penso aqui de novo com meus botões solitários, é importante que haja mulheres assim, senão com quem esses homens-porta se relacionariam? é possível que seja bom que as coisas funcionem assim, vai saber...
**
diz a astrologia que esse é um ano especialmente importante para o cuidado com a saúde e eu decidi ouvir aos apelos do meu pobre corpo negligenciado: vou aprender a correr. depois, é claro, de pedir ao meu médico algumas dicas de como não morrer rapidamente no processo. ando sonhando que corro (como exercício mesmo) e sinto prazer e liberdade, é tão bom que eu quero comprovar se funciona na prática.
vejamos se o empurrão do tal ano de júpiter me tira do modo bicho-preguiça dos últimos 15 anos :)
