gosto não se discute
é lugar-comum, mas serve pra começar o post: gosto não tem explicação e nem precisa, porque é pessoal e intransferível. se houver alguém com gosto parecido com o seu, que sirva para compartilhar experiências, fique feliz. não fique chateado se as outras pessoas parecem não entender seus gostos, seu gosto não precisa de aprovação.
é muito comum me perguntarem o porquê da minha aversão por melancia, por exemplo. sei lá, gente? precisa de explicação? eu simplesmente não suporto melancia, não posso nem com o cheiro, quero distância. não tem explicação e não precisa, eu me dou o direito de não gostar sem precisar de razão. aliás, que herança medonha essa do iluminismo, não? nem tudo precisa de racional, pô!
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a dani deixou um comentário sobre como é tesudo ver mulher comendo com gosto. e homem também, claro: é delicioso ver qualquer pessoa se entregando à comida, com prazer. por outro lado, não vejo nada de tesudo em ver as pessoas se jogando pra cima da comida feito mortas-de-fome ou ver gente comendo loucamente sem sentir prazer (é muito comum, aliás). exagero é sempre ruim, seja em falta ou excesso.
pra quem repara em como as pessoas se alimentam e seu relacionamento com a comida, como eu, ver gente de dieta é triste. pessoas que fazem dieta são tristes e muito chatas, lamento dizer. posso falar sem medo pois já fiz dietas seríssimas pelo menos 2 vezes na vida e fui uma dessas pessoas chatas que não se contentam em fazer dieta mas também precisam compatilhar com o mundo. sinceridade? não tem coisa mais entediante que ouvir falar de dieta e de como sua vida muda e como sua auto-estima aumentou e como tudo é melhor e blá blá blá...
presta atenção: a auto-estima melhorou e a vida mudou porque você resolveu se dar um pouco de atenção ao invés de esquecer de você mesmo o tempo todo, e não por causa da dieta! não importa o que você resolva fazer por si mesmo: dieta, exercício, terapia, estudar, massagem. o resultado é que você será uma pessoa melhor e mais feliz, sim, afinal se tocou que você também precisa de um pouco do seu tempo.
mas voltando à dieta: deprimente. é a privação de um prazer, não dá pra tirar isso de vista nunca. não adianta vir com aquele papo de facilitadora do vigilantes do peso, não (eu fiz, gente, perdi 16kg -- que ganhei depois, mas isso é outra história -- e recomendo), porque o requeijão normal é mil vezes mais saboroso que o light, ok? não vamos mentir pra nós mesmos. quer fazer dieta, pelo motivo que for, faça, mas tente não ser tão chato falando disso o tempo todo, fica parecendo aqueles crentes recém convertidos, um saco. ah, e mantenha o progresso da sua dieta entre você e seu médico. ninguém além dessas 2 pessoas tá interessado no seu peso e no funcionamento do seu intestino, acredite em mim.
e por que pessoas de dieta são broxantes? pelo mesmo motivo que alguém que está praticando abstinência sexual é broxante: ambos estão deliberadamente (sem discutir se é certo ou errado, cada um sabe do que se priva e porquê) evitando algo que dá prazer. tou pra ver alguém que faz dieta mostrar o mesmo prazer ao comer o que realmente quer. se em algum momento os desejos alimentares se ajustarem e aquilo que se come na dieta se transforma no alimento prazeroso, a coisa muda, claro. mas estou falando da dieta padrão, aquela que a gente come o que precisa e pode e não o que quer.
por isso é tão tesudo ver a nigella lambendo os restos de massa de bolo: ela demonstra o prazer que sente quando coloca aquilo na boca, é delicioso ver as pessoas se entregarem às sensações. os budistas (eca, chatos de galocha!) que se danem: quanto mais humanos os sentimentos, reações e sensações, melhor e mais tesudo. se controlar, estraga.
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não sou a favor de se entregar aos prazeres todos sem nenhum limite, tipo as orgias romanas estilizadas (olha... pensando bem... :D). depois de ficar variando entre os limites de controle e descontrole dos prazeres, cada vez mais acho que bom mesmo é tentar equilibrar. nunca mais farei dietas milagrosas e nem me privarei do que gosto de comer.
mas tem uma lição que eu ainda não aprendi na arte de comer: aproveitar cada pedaço, cada gota, sem distrações. comer simplesmente pra encher a barriga é um pecado mortal que eu muitas vezes cometo. cada refeição devia ser tratada como um momento de lazer e prazer.
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quando fiz vigilantes do peso, entre 1999 e 2000, substituí vários alimentos pela sua versão light. um deles foi o requeijão: nunca mais comi do outro, só comprava desse. o marido, acostumado com meus hábitos, comprava sempre light também. não faz muito tempo (coisa de 1 ou 2 meses) ele não encontrou o requeijão light e comprou do normal. eu, sem saber, fui fazer um sanduíche e usei o tal requeijão.
a primeira mordida foi um acontecimento: anjos cantaram, tudo ficou mais bonito e brilhante! que sabor é esse, meu deus?! fui perguntar pro marido que requeijão era aquele, que maravilha, meu deus! aí ele esclareceu: é requeijão normal, não tinha o light dessa vez.
realizem que estamos em 2007 e eu parei de comer requeijão normal há 6 anos pelo menos? percebem quanto tempo perdido? eu fui uma idiota. bastava comer menos requeijão normal ao invés de adotar o light. estúpida!
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bem, claro que essa lição só vale pra quem preza o prazer do sabor e não a sensação de barriga cheia. pra quem gosta de se empanturrar de alguma coisa, a versão light é uma boa saída. e pensar nisso me faz pensar também em sexo (não consigo separar sexo de comida...) e como é muito melhor ter pouco sexo bom do que muito sexo mais ou menos.
mas essa sou eu, e o título diz tudo ;)
