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abril 2007 Archives

abril 1, 2007

cansada mas com alguma esperança

você se sente mal por reclamar de tudo e não fazer nada pra melhorar? eu também. então vamos pegar as dicas e fazer alguma coisa!

xô CPMF -- essa porra tem que acabar, não é?
eleitor ativo -- entre em contato com seu representante!
como reciclar lixo -- gere menos lixo e separe o que for possível reciclar
energia elétrica -- dicas de redução de consumo
consumo de água -- dicas para reduzir o consumo (eu tenho ódio de quem lava calçada com mangueira!)

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fui procurar alguma coisa legal sobre economia no consumo de água e achei esse site ridiculamente burocrático e desinformativo. eu gostaria de saber por que todo conteúdo relacionado a governo, ONG e assuntos jurídicos de forma geral é tão prolixo e vazio.

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falando em burrocracias, fiz a ata da tal reunião de condomínio aqui do prédio, de forma bem objetiva e escrita em português padrão. mandei pro síndico que é, claro, advogado, e o que volta após a "revisão"? uma ata de reunião possuída pelo caboclo do português prolixo e cheio de termos típicos de advogado. ridículo, estúpido e principalmente sem sentido.

o cara fez a mágica da complicação: meu texto claro e conciso virou algo que ninguém se dará ao trabalho de ler. vai ver é essa mesmo a idéia, sei lá.

somos macacos destreinados

chego a porto alegre e pego um táxi de um rapaz jovenzinho, que deixa tocando no rádio algo como música típica do rio grande mas "modernizado". é uma mistura de música regional com padoge com axé com country-abrasileirado. em suma, uma merda. mas isso é só a música, porque a letra consegue ser ainda pior. pobre, machista, constrangedora.

não me entendam mal, isso não é uma crítica ao rio grande. pode ir a qualquer lugar do brasil e tem mais ou menos a mesma coisa. isso quando o táxi não é imundo e o motorista parece um porco recém saído do chiqueiro, como acontece em várias capitais do brasil.

na volta, o caos dos aeroportos: centenas de pessoas agrupadas em espaços reduzidos e desconfortáveis, uma experiência antropológica que eu particularmente dispenso. alguns highlights para auxiliar minha tese:

- no saguão, perto de mim, 2 palhaços do recife falando altíssimo, secando a bunda de qualquer mulher que passava de forma acintosa e tirando sarro de uma senhora bem velhinha que tinha dificuldade de audição;

- na minha frente um menino de cerca de 10 anos sentado numa daquelas cadeiras que têm base comum chacoalhando a cadeira a ponto de pessoas 3 cadeiras ao lado sentirem o balanço. a mãe, do lado, se comportando como se não conhecesse o filhote do capeta;

- no avião, ao meu lado, um senhor de alguma cidade do nordeste que fedia a bebida e cigarro. a cadeira dele estava com problema e não baixava o encosto. ele passou 3 horas empurrando vigorosamente o encosto da cadeira, reclamando que não funcionava;

- na minha frente sentavam 3 amigos: moça e rapaz jovens, senhora de mais idade. uma colega deles, jovem, sentava no corredor da fileira ao lado. todos de são paulo, cheios de graça e energia. tomaram litros de bebida alcoólica "pra comemorar o atraso" e, quanto mais passava o tempo, mais escrotas ficavam as piadas sem graça e mais alto o volume da voz. as mulheres riam como gralhas histéricas;

- uma mulher alta, bonita, jovem e bem-vestida, sentada atrás de mim, não pára de chutar o encosto. "ela não deve caber direito ali, afinal é alta", relevo. ela fala de um jeito parecido com o da cicarelli (voz grave, volume alto, só fala merda, acha que está abafando com seus comentários espirituosos), mas com sotaque de são paulo;

- o comandante dá notícias periódicas sobre o atraso e as pessoas gritam, assoviam, xingam. o bando de macacos destreinados do título. o comissário repete 84 vezes que as pessoas devem ficar SENTADAS e com os cintos afivelados. as pessoas ignoram e se comportam como se estivessem num bar: levantam, apóiam os braços nos encostos alheios e pedem "uma cervejinha" pra aeromoça;

- o avião pousa em cumbica depois de 3h de vôo e temos que aguardar uma escada, pois não há mais fingers livres. todos se levantam e falam sem parar, sem perceber que quanto mais tumulto e barulho, pior para o bem-estar de todos;

- a cicarelli-like atrás de mim conversa com a amiga ali da fileira do lado, em volume de megafone, dizendo que "pelo menos não tivemos que ficar naquela bosta de cidade de porto alegre, né?". a gaúcha linda do lado dela faz cara de "que nojo". eu também;

- a cicarelli-like, não satisfeita, sugere que algum passageiro finja que está passando mal pra ela poder sair mais rápido. algumas pessoas riem e consideram a sério a idéia;

- as pessoas saem do avião descontando sua raiva e frustração nos funcionários da companhia aérea, que não tem nada a ver com o pato. sempre em forma de piada, pois ninguém é macho de reclamar a sério. dão patada em quem não pode se defender e vão pra casa se sentindo vingados;

- pegar a bagagem na esteira é uma tortura: homens atropelando mulheres e crianças pra chegar mais perto da esteira, independente da presença da bagagem. as pessoas não se tocam que é mais fácil olhar a bagagem aparecer e depois ir até a borda pegar. ficam todos se acotovelando em volta de uma borracha-andante;

vamos falar sério: por que tem gente que acha estranho alguém evitar contato com outros humanos? três vivas ao contato virtual! pelo menos podemos fechar a janelinha facilmente...

abril 3, 2007

pensamento positivo o meu cu!

eu procuro ser uma pessoa esperançosa, juro por deus. mas a vida real não permite que a esperança sobreviva a um período de horário comercial sequer. existe botão de liga/desliga pra percepção da realidade, alguém me diz?

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casal briga na justiça para registrar bebê com nome de "metallica": "combina com ela", disse nesta terça-feira [nome da mãe retardada], 27. "ela está decidida e sabe o que ela quer."

ela, o bebê de 6 meses. ah, e você tá achando que isso é coisa de brasileiro sem noção? muito se engana. a pobre metallica é sueca.

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padaria mexicana preferida (orquídea-pérola, um clássico da aclimaçção), domingo hora do almoço, estamos comendo nossa omelete mista básica e uma família habita a mesa ao lado. rapaz, moça, filho, avó. a avó, no celular, falando com alguém... aos berros:

- então, fulana... você sabe como é festa de criança, né? um horror! esse povo não sabe criar mais filhos, viu? a criançada corria, atropelando as pessoas!

(enquanto isso, o neto dela passa correndo atrás de mim, esbarrando em tudo, quase derruba minha bolsa)

- e o jeito que eles gritavam? nossa, impressionante, ninguém mais tem educação nesse mundo...

(na seqüência o neto berra pra mãe "vamo embora logo, manhê!")

fala: tem salvação?

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aí eu recebo email do paulo, assim:

lembrei de você! um monge deu uma declaração bombástica sobre a crise do setor aéreo: “é preciso ter paciência”. mas não foi só, ele ainda completou, “as pessoas têm que se refugiar na respiração”.

depois perguntam porque eu acho budismo uma religião sem salvação: alguém pragmático como eu pode ouvir um conselho desses e não se irritar? eu, que sou gente que faz, já quero aplicar na prática os ensinamentos do sábio monge.

cena 1: memorando de novo procedimento de atendimento pra todo mundo. cena 2: atendente de companhia aérea no balcão de atendimento, ajudando o passageiro cujo vôo está 6 horas atrasado: o senhor pode estar se refugiando na sua respiração nos próximos minutos, enquanto nós vamos estar vendo se vamos estar podendo verificar o problema? segue aqui um folheto ilustrado ensinando técnicas de refúgio respiracional. obrigada!

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é um alento saber que não sou só eu que me irrito com babaquices. a fal é a melhor fonte da internet de irritação com coisas idiotas, é minha irmã gêmela. a atual revolta é contra a capa da revista mais estúpida do país dando explicações científicas para a força da fé. não é à toa que é a maior revista do país: quanto mais gente gosta de alguma coisa, mais essa alguma coisa tem chance de ser uma bosta.

mas fugi do assunto, voltemos: a fal tá certa. se a força da fé funcionasse mesmo a humanidade já tava livre de pelo menos meia dúzia de caboclo por aí, porque o desejo e a fé aqui da pessoa são fortes...

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mas diz que agora fé é ciência, né? foda-se. nêutron também é ciência, e eu não acredito em nêutron, ok? crendice popular pura. em saci eu acredito, em nêutron não.

porque a páscoa está chegando...

... um post antigo com uma lenda da páscoa :)

(requentar é parte do talento culinário, saibam vocês!)

coisas que não enjoam

abril 5, 2007

coisas fofas

quase gritei quando vi esse vídeo, é insuportavelmente fofo... e como sempre faço, vou ler os comentários pra entender as pessoas e o mundo que me cerca ;)

os comentários do youtube são geralmente lixo puro, coisa de molecada retardada. mas tinha um comentário que valeu os tantos outros estúpidos (é nesse vídeo mesmo). aqui vai a minha tradução ultra-livre:

estou cansado dessa moda atual de "atropomorfização" dos animais -- a ridícula marcha dos pingüins é a maior culpada. eles não deviam ter que demonstrar gestos humanos para que nós conseguíssemos gostar deles. pela última vez, eles não são como nós, eles não pensam como nós... e isso é bom!

eu concordo 100% (mas ainda assim não deixo de achar a coisa mais linda as lontrinhas darem as patinhas :D)

trava língua no meu inbox

1. módulo básico

three witches watch three swatch watches. which witch watches which swatch watch?
(três bruxas observam três relógios swatch. que bruxa observa que relógio?)

2. módulo avançado

three switched witches watch three swatch watch switches. which switched witch watches which swatch watch switch?
(três bruxas travestis observam os botões de três relógios swatch. que bruxa travesti observa os botões de que relógio swatch?)

>> eu amei essa coisa de "bruxa travesti"...

3. e agora para especialistas

three swedish switched witches watch three swiss swatch watch switches. which swedish switched witch watches which swiss swatch watch switch?
(três bruxas suecas transexuais observam os botões de três relógios swatch suíços. que bruxa sueca transexual observa que botão de que relógio swatch suíço ?)

abril 9, 2007

escassez

tempo curto, um cansaço gigantesco... perdoem a ausência, mas às vezes é preciso priorizar :)

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vimos children of men, e eu gostei.

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a veja é mesmo uma bosta: faz todo um alarde sobre o aquecimento global, porque é moda, e não tem NADA sobre o que as pessoas podem fazer para ajudar a reverter a situação. e há muito o que fazer, como eu, uma criatura insignificante e não profissional do jornalismo, fui capaz de juntar em 10 minutos de garimpagem. bando de urubus filhos da puta!

aliás, por que vocês compram aquela merda, hein?

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heroes é muito massa!

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e eu devo ser a única pessoa com menos de 50 anos que ainda usa essa gíria... :D

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abril 11, 2007

puta que os pariu!

não tem outra expressão melhor na língua portuguesa pra expressar o que eu sinto quando leio isso:

câmara dos deputados decide não realizar votações nas segundas-feiras

e isso ao mesmo tempo:

câmara vai votar reajuste salarial de deputados

aí me digam: que diferença faz as briguinhas todas durante a eleição pra presidente? pode colocar jesus cristo, buda, alá, quem quiser! essa corja da câmara não muda e continua chamando todo mundo de idiota. e na próxima eleição volta o BBB versão presidenciáveis, para diversão geral da nação. eca.

no meu inbox -- explicações sobre a páscoa

- Papai, o que é Páscoa?
- Ora, Páscoa é ...... bem ...... é uma festa religiosa!
- Igual Natal?
- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.
- Ressurreição?
- É, ressurreição. Marta, vem cá!
- Sim?
- Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler o meu jornal.
- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?
- Mais ou menos ....... . Mamãe, Jesus era um coelho?
- Que é isso menino? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Papai do Céu! Nem parece que esse menino foi batizado! Jorge, esse menino não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma Educação cristã! Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola? Ave Maria!
- Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus?
- É filho, Jesus e Deus são a mesma pessoa. Você vai estudar isso no catecismo. Chama-se a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
- O Espírito Santo também é Deus? É sim.
- E Minas Gerais?
- Sacrilégio!!!
- É por isso que a Ilha da Trindade fica perto do Espírito Santo?
- Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe entende direito. Mas quando você for no catecismo a professora explica tudinho!
- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?
- Eu sei lá! É uma tradição. É igual a Papai Noel, só que ao invés de presente ele traz ovinhos.
- Coelho bota ovo?
- Chega! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais!
- Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?
- Era, era melhor, ou então urubu.
- Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né? Que dia que ele morreu?
- Isso eu sei: na sexta-feira santa.
- Que dia e que mês?
- ??????? Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.
- Um dia depois.
- Não, três dias.
- Então morreu na quarta-feira.
- Não, morreu na sexta-feira santa ....... ou terá sido na quarta-feira de cinzas? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois!
- Como?
- Pergunte à sua professora de catecismo!
- Papai, por que amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua?
- É que hoje é sábado de aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.
- O Judas traiu Jesus no sábado?
- Claro que não! Se ele morreu na sexta!!!
- Então por que eles não malham o Judas no dia certo?
- É, boa pergunta. Filho, atende o telefone pro papai. Se for um tal de Rogério diz que eu saí.
- Alô, quem fala?
- Rogério Coelho Pascoal. Seu pai está?
- Não, foi comprar ovo de Páscoa. Ligue mais tarde, tchau.
- Papai, qual era o sobrenome de Jesus?
- Cristo. Jesus Cristo.
- Só?
- Que eu saiba sim, por quê?
- Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha?
- Coitada!
- Coitada de quem?
- Da sua professora de catecismo!!!

(recebi o texto como sendo do veríssimo, mas como TUDO vem com o nome dele, vou esperar achar mesmo o autor e depois coloco aqui)

abril 13, 2007

para fãs de bichos

pra entender o quão pentelhos ferrets podem ser :) pobres gatinhos!

abril 14, 2007

forever and ever

abril 16, 2007

coisas não tão simples assim

enquanto eu penso, passa lost in translation na TV. dublado. não é irônico?

gosto muito desse filme. o sussurro final no ouvido, que não ouvimos -- e ela na ponta dos pés! -- sempre me faz sonhar, romântica que sou.

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sou só eu que me irrito com aqueles parênteses que funcionam como poesia concreta de má qualidade? tipo: (super)ação ou te(n)são? ARGH!

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aliás, poesia concreta... meu deus, que horror. todo mérito a quem inventou, a idéia é legal, mas insistir nisso depois de tanto tempo é piada de mau gosto. e falta de talento, claro.

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os momentos mágicos. quantos deles perdemos por dia, por pura distração?

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sempre tive medo de cortar laços, dizer não e deixar de atender a todas as expectativas. cometer erros não fazia parte do meu repertório. perder me causava pavor. acabei aprendendo que perder não é uma escolha, acontece; e que abrir mão conserva a mão, e pode ser uma sábia decisão. eu e minhas mãos deixamos uma coisa aqui e ali, outras simplesmente se perderam e tive de me conformar. cada vez é mais fácil dizer não e tomar outros caminhos. com as mãozinhas conservadas.

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o medo era de ser rejeitada, sempre foi. e o desejo maior era de reconhecimento, de aprovação. demorei a perceber que ser excelente sempre não faz diferença, o vazio vai sempre estar aqui: aquele elogio primordial não viria jamais, simplesmente porque não é possível voltar no tempo. de uma forma ou de outra, pra crescer e ser feliz, é preciso superar alguma fase da nossa vida.

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não é que eu não sofra e nem tenha meus momentos que-mal-eu-fiz: é que não me permito mais encher o saco alheio com drama. cada um tem seu draminha pessoal e já é de bom tamanho. ninguém precisa aguentar drama alheio, aqui entre nós. é mais ou menos como detalhes asquerosos de doenças: todo mundo tem alguma coisa pra contar, mas evita, para a manutenção da convivência social civilizada.

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algo como pálpebra de orelha não seria uma evolução sensacional?

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estou relendo a senhora das especiarias, 8 anos depois da 1a vez. reler é uma experiência sensacional, não somente para reencontrar histórias amigas mas também para se ver mudado. quando releio ou revejo alguma coisa inevitavelmente faço uma arqueologia de mim mesma.

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que a semana seja boa!

abril 19, 2007

a infâmia é engraçada também

tá, eu sei que ninguém merece ficar lendo piada que os outros recebem por email. mas essa eu RI ALTO, e estava no cliente (mico maior e inconvenientômetro gritando). por isso quero compartilhar, certo? mas vou fazer daquele jeito que você só lê tudo se quiser, clicando lá embaixo, pra poupar os sensíveis.

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certa vez o prícipe das trevas, mais conhecido como diabo fez um desafio ao seu arquiinimigo, jesus cristo:

- "aposto como digito muito mais rápido do que você." - disse satanás à jesus.

e o desafio foi aceito.

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word of the day

tem dias que as palavras são sensacionais. aqui, pra quem ainda não se inscreveu.

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deus ex machina \DAY-us-eks-MAH-kih-nuh\ noun
: a person or thing (as in fiction or drama) that appears or is introduced suddenly and unexpectedly and provides a contrived solution to an apparently insoluble difficulty

não trabalhamos com explicações

está difícil organizar idéias. pode ser a dor de cabeça constante que me acompanha há algumas semanas. ultimamente não me sinto muito eu mesma, uma sensação pouco confortável. principalmente pra quem, como eu, sempre soube bastante bem que era. deve ser essa maldita dor de cabeça.

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há algumas coisas que eu definitivamente não consigo adotar: fones de ouvido, por exemplo. não concebo essa situação de ficar alheia a todos os outros sons exceto o dos fones. eu me sinto desprotegida, vulnerável. deve ser sinal que sobrou em mim alguma coisa primitiva, que não me deixa baixar a guarda. ops, acho que disse alguma coisa importante... :)

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e vocês vão rir, mas sabe uma coisa que me deixa muito incomodada? aquela maldita função random ou shuffle dos aparelhos de som. não gosto de escutar músicas em ordem aleatória! gosto de ouvir as músicas nos cds na ordem que elas foram gravadas. há alguma coisa por trás dessa ordem e é estranho não respeitá-la. seria como ler um livro alternando os capítulos, entendem?

quase ninguém entende, tudo bem.

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e como tem gente que consegue ouvir pedaços de óperas ou pedaços de obras completas? tipo ouvir só o dies irae do requiem de mozart? não entendo, não adianta.

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nossa pequena didi está com problemas na adrenal e perdeu todo o pêlo. continua uma peste, está bem alimentada e feliz, mas é triste ver os bichinhos envelhecerem. groo, o monstro, fez 7 anos na segunda-feira e está gordo e feliz. velhinho e muito mais lento, mas comendo bem e passeando sem pressa pela casa. é mais difícil lidar com a passagem do tempo quando temos animais com vida tão efêmera ao nosso redor. ao mesmo tempo nos faz lembrar que aqui e agora são mais importantes que a próxima semana.

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dizem que o pior tipo de crítica é a que dirigimos a nós mesmos e blá blá blá. eu não acho, não. sou uma carrasca de mim mesma, mas isso eu administro: ou canto pra subir e dou um jeito ou finjo que não é comigo. já quando se trata dos outros, ave maria, juro que a raiva chega a níveis quase insuportáveis e desejo chacoalhar a cachola de um monte de gente, pra ver se pega no tranco. pqp.

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por um tempão achei que não conseguia perdoar os outros, até sofri pensando que era má ou coisa parecida. afinal, que tipo de pessoa não perdoa, mesmo quando o perdão é pedido oh so nicely? mas caiu a ficha outro dia: eu não consigo é perdoar a mim mesma por ter permitido que outros me violentassem. nessas horas é fácil entender porque a absolvição pós confissão funciona tão bem.

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casar é legal demais. não só por todos os motivos românticos que os filmes e propagandas de margarina alardeiam, mas principalmente porque a gente cresce, aprende e evolui. (os que são de evoluir, claro, porque há os que não evoluem nem que a vaca tussa). passar tanto tempo com alguém é como ter um espelho constantemente à nossa frente, fica difícil ignorar o que não gostamos em nós mesmos. é comum ter raiva do espelho quando estamos insatisfeitos, como se ele fosse culpado do que tão-somente reflete.

o amor de verdade nos faz querer ser melhores, lembro de ver ou ler isso em algum lugar e, ah, como é verdade. obrigada por estar sempre aqui, principalmente nos bad hair days.

abril 20, 2007

a arte do diálogo

dou bastante valor ao diálogo ou, mais precisamente, à troca de idéias. é verdade que nem sempre consigo estabelecer essa via de duas mãos, não é incomum o atropelamento. principalmente quando falo cara a cara: sempre acontece de não conseguir conter minha ansiedade e atropelar o interlocutor. não é por mal, juro, é pura ansiedade, um desejo incontrolável de colocar em palavras o que passa na minha cabeça à velocidade da luz.

não me incomodo muito com interrupções no meio de uma conversa descompromissada, não dou tanta importância assim para a continuidade, afinal sempre se pode retomar o assunto depois se for mesmo importante. mas sei que há quem se incomode a ponto de calar, deixar de conversar, e procuro respeitar. mas confesso: é difícil manter a regra de ouvir-e-depois-falar.

já quando o assunto é sério, acho importante tentar manter a regra de ouvir-primeiro-pensar-falar-depois. não é mais fácil, não, mas como é mais importante eu me empenho. e luto ferozmente contra a tendência de achar que já sei o que as pessoas vão dizer ou de concluir raciocínios alheios antes de finalizadas as sentenças. me pego fazendo isso mentalmente quase sempre, o que é quase tão ruim quanto interromper e concluir pelos outros de fato, em voz alta. cada vez que deixo de prestar atenção ao que o outro diz e assumo que sei, perdi tempo, desperdicei uma oportunidade de receber informação preciosa.

esse processo de ouvir-pensar e só então começar a tentar replicar é difícil demais. não sei se é pra todos, mas pra mim é um desafio enorme e constante. certamente é mais difícil de administrar quando a conversa se dá pessoalmente e em tempo real, mas o exercício escrito e assíncrono não é muito mais fácil.

uma vantagem clara é a de poder ler e reler várias vezes antes de replicar; e ler e reler outras tantas vezes a sua própria réplica antes de publicar ou enviar. mas quem consegue conter a ansiedade ou os humores, principalmente quando estamos "falando" com uma tela de computador e não com um rosto e um corpo aqui na frente? demorei a aprender que apesar de fantástico, esse meio de comunicação (eletrônico) é cheio de perigos e tentações. responder mensagens com raiva ou triste é o pior que se pode fazer. confiar na falsa proteção da tela do computador é como usar armadura de papel. letras escritas podem incomodar tanto quanto palavras pronunciadas pela nossa boca, às vezes até mais.

aprendi a não responder emails ou mensagens quando estou com raiva, ou pelo menos evitar o momento de explosão. procuro deixar passar, amenizar, e depois respondo. ainda assim, releio muitas vezes e quase sempre desisto. pena que ainda tem o "quase".

mesmo quando não sinto raiva ou tristeza, evito bater boca por meio eletrônico. podem reparar que é raro eu responder comentários, gosto mais de complementar alguma coisa do que já tinha dito ou agraceder uma ou outra mensagem mais carinhosa. não é falta de atenção ou de interesse, é que gosto de deixar os comentários para os visitantes ao invés de ocupar todos os espaços, se é que me entendem.

e foi por isso que esse post começou: estava navegando por aí e vi um desses blogs cujos donos respondem a todos os comentários e comecei a prestar atenção na dinâmica. são poucos que funcionam como a fal, que sempre tem uma palavra doce pros comentários, sem a preocupação de discutir. tem os que praticamente não respondem aos comentários, mais ou menos como eu. tem os que batem papo nos comentários e comentam a si mesmos, como o alexandre. e tem os que respondem a todos, psicoticamente, reforçando seu próprio argumento a partir do comentário ou explicando para o visitante que ele não entendeu nada.

esse último tipo me irrita profundamente. não sei se é porque tenho dificuldade em dizer não e essa categoria de pessoas costuma ser super invasiva e sem tato, ou se é simplesmente porque com esse tipo de pessoa não é possível dialogar. eles não entendem que nem tudo precisa de réplica ou explicação, que às vezes a gente só comenta alguma coisa como adição à questão apresentada, seja pra concordar ou discordar.

em suma, é aquele tipo que sempre tem que ter a última palavra, que quer dominar todos os ambientes e participar de todas as conversas. e que sempre tem uma história melhor que a sua, que sabe exatamente do que você está falando e acha tudo "óbvio". são cheios de opinião, certezas e geralmente são teimosos como o diabo. uns chatos.

às vezes me sinto mal por não responder comentários um a um, mas hoje decidi que não tem motivo: responderei quando alguma coisa me for perguntada. fora isso, vou procurar sempre ouvir mais que falar, por mais difícil que seja pra uma tagarela como eu :)

um pouco de poesia

aprendi com a primavera a me deixar cortar. e a voltar sempre inteira.
(cecília meireles)

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é liberdade ou estou sendo mandada? pois venho notando que tudo que é erro meu tem sido aproveitado. minha revolta é que para eles eu não sou nada, eu sou apenas preciosa: eles cuidam de mim segundo por segundo, com a mais absoluta falta de amor; sou apenas preciosa.
(clarice lispector)

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olha-me de novo. com menos altivez.
e mais atento.
(hilda hilst)

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o que eu adoro em tua natureza,
não é o profundo instinto maternal
em teu flanco aberto como uma ferida.
nem a tua pureza. nem a tua impureza.
o que eu adoro em ti - lastima-me e consola-me!
o que eu adoro em ti é a vida.
(manuel bandeira)

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não sei se estou sofrendo
ou se é alguém que se diverte
por que não? na noite escassa

com um insolúvel flautim.
entretanto há muito tempo
nós gritamos: sim! ao eterno.
(carlos drummond de andrade)


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um blog antigo, sobre poesia, uma palavra: saudade. e um excelente blog recém-descoberto, também sobre poesia: castelo preto.

abril 24, 2007

me perdoe a pressa / eu também só ando a 100

estou mesmo um tanto desmotivada pra escrever, confesso. não sei se é o cansaço ou o mergulho em assuntos de trabalho que não são interessantes pra ninguém, fato é que cada vez que me vejo na frente dessa caixa branca morro de preguiça e vou fazer outra coisa.

e as coisas que eu queria mesmo dizer não convêm escrever (talvez nem falar).

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são paulo é uma cidade cheia de coisas ótimas pra fazer e comer, mas a que custo, meu deus! fomos no sábado comemorar o aniversário da tati na casa do espeto, lugar incrível: uma casa gigantesca, arejada, bonita e que serve basicamente espetinhos de tudo que é tipo. o local foi muito bem escolhido e a comida é tudo, mas gastamos R$150,00 o casal. é verdade que estávamos com fome e jantamos espetinhos de vários tipos (tem uns frios-vegetarianos que são espetaculares), mas aqui entre nós, caro pra caralho!

mas valeu pela aniversariante, claro, e pelo weno, que estava um gato :D

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visitei o ateliê da denize la reina madre no sábado, pra escolher o presente da tati. é maravilhoso: uma casa linda, com cheirinho de casa-de-avó, cores inusitadas e dezenas de bolsas. de enlouquecer qualquer cristã, que de fato enlouqueceu e comprou a bolsa mais linda do mundo pra menina mais fofa que tem :)

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no sábado pegamos aquela chuva absurda (de pedra!) na rua e -- adivinhem? -- esquecemos as janelas da sala abertas. o sofá foi completamente molhado, lagartixas de papel perderam suas patas, perucas estão úmidas e um futon foi pras picas. pros tontos lembrarem que aqui é são paulo e não natal. só quem mora aqui sabe o quanto o clima dessa cidade é maluco...

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vi 300 hoje à tarde. ainda não sei se gostei, porque tenho alguma resistência a filmes de guerra e afins. testosterona demais pro meu gosto... e a estética é tão gay que chega a ficar caricata às vezes. rodrigo santoro tá uma traveca de unhas postiças douradas e o rei leônidas é um bofão com corpo de matar qualquer uma do coração. mas tem uma coisa que me incomodou demais: a rainha. mesmo ignorando a história, não dá pra aceitar uma mulher daquela época se comportar daquele jeito, pelo amor de deus! não li o quadrinho, mas duvido que ela seja retratada assim, seria idiota demais. a mulher é mais mandona e dominadora que a cleópatra, afe...

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e eu ganhei o melhor presente de todos os tempos, ontem: o terror das mulheres :) alguém mais lembra da sessão da tarde com esse filme maravilhoso? assisti mil vezes e nunca enjoei. um clássico!

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o melhor lugar pra comprar coisas que você nem sabia que precisava pra viver: emporium dinis.

wishful thinking

quanto mais presto atenção ao meu redor, mais me chateio com as pessoas e suas atitudes (ou a falta delas). é decepcionante ver alguém falando mal de fulano pelas costas e na frente tratar super bem; é triste concluir que integridade não é uma virtude de muitos. me sinto quase amaldiçoada: consigo ver a mentira e a falta de sinceridade em nuances quase imperceptíveis. às vezes é um tremor na voz, outras é uma vírgula. uma respiração ou levantar de sobrancelhas, mas eu vejo. e sei que não é loucura nem paranóia, é como se minha percepção estivesse alterada e eu conseguisse ver um pouquinho além do que se vê todo dia, enquanto estamos amortecidos pela pressa.

será que é pedir demais querer que as pessoas digam a verdade pra elas mesmas e pros outros? sendo necessário omitir, que o façam por compaixão e não por covardia. não sou completamente contra mentiras, entendo que elas às vezes são necessárias, mas que sejam somente as necessárias, não mais. não entendo por que as pessoas dizem uma coisa e fazem outra completamente diferente, fingindo que está tudo nos conformes.

estou cansada de pessoas que se apegam à aparência e grife, a valores vazios, que mal enxergam seu próprio nariz. ando irritada com aproveitadores e tiradores de vantagem, com os que só pensam no seu próprio benefício mesmo nas coisas mais mínimas. entristeço quando escuto ou leio discursos fabricados (seja pros outros, seja pra si mesmo). talvez por isso tenha sido tão urgente apagar 3 anos deste blog: era muita auto-mentira num lugar só.

não tem sido incomum eu mudar de assunto no meio de conversas com as pessoas, procurando terreno neutro. busco um assunto insípido o suficiente pra não trazer à tona o pior das pessoas, pra que eu não me decepcione de novo e mais uma vez com as mesquinharias. falemos da novela, do documentário do tubarão ou do que passa no cinema. por favor.

me sinto de volta àquela única noite na vida em que usei uma droga alucinógena, pra nunca mais: eu enxergava dentro das pessoas e todas eram horríveis. monstros deformados sorrindo pra mim, segurando um copo de bebida e andando pela casa.

concluo que só mergulhando em mim mesma e no meu mundo furta-cor, profundamente, é que consigo enxergar beleza mesmo nos monstros. mas não ultimamente: minha piscina interna pelo jeito fechou pra balanço. enquanto isso fecho os olhos, como em filme de terror, e rezo pra que seja tudo minha imaginação ou uma maldição que por milagre vai passar.

abril 27, 2007

pingos nos ii

eu sempre quis escrever "ii", acho o máximo.

mas era outra coisa que eu ia comentar: o paulo e a paula, pessoas jovens, belas e de bom coração, são também crédulos e se deixaram enganar pela minha falsa fofura. ambos estão decididos a doar várias horas da sua preciosa existência a ajudar outras pessoas e adivinha em quem eles pensaram pra entrar com eles nessa empreitada? eu e o marido.

digo que são crédulos e se deixaram enganar porque eu sofro com a escassez de água e com os lixões de pneus espalhados pelo mundo, além de querer salvar todos os animais do planeta; em relação aos seres humanos a história é bem outra: eu quero que morram todos. não tenho pena de absolutamente nenhum ser humano, nenhunzinho. alguns até me emocionam, de vez em quando, me fazendo lembrar que potencial espetacular nós temos para o bem. mas é o mal que impera, é só olhar ao redor. nossa espécie é de fato uma praga e o mundo seria melhor sem nós todos por aqui.

por favor não venham me falar das exceções, porque elas só confirmam a regra, como se diz. já fiz doações em grana e fui atrás de trabalho voluntário na minha área (acreditem ou não, mandei email pra pelo menos 3 ONGs oferecendo meu tempo e ninguém sequer se deu ao trabalho de responder). atualmente só acho aceitável me dedicar a ajudar bichos ou programas de preservação da natureza.

a proposta dos meus amigos de bom coração me fez pensar no assunto e fiquei triste. como se não bastasse ser cética também me tornei cínica. a falta de fé espiritual -- que me faz falta e não sei bem onde procurar -- combinada com a falta de fé na humanidade não contribui muito para a felicidade da pessoa. mas não vou desanimar, pois ainda me resta uma característica imutável e preciosa: a capacidade de mudar de idéia.

mulher com TPM perambulando

aos poucos vou recuperar alguns posts apagados que acho mais interessantes ou que por algum motivo quero manter aqui. segue o 1o da série!

**

hoje cedo me dediquei a tarefas ingratas. a primeira: ir a um cartório. sabem como é: reconhecimento de firma, xerox autenticado, fila, número apitando num painel, essas coisas cafonas. a segunda: enfrentar fila de banco pra acertar contas, encerrar conta, coisas assim gostosas. andando pra lá e pra cá pela av paulista, dou de cara com um homem e um menino, na calçada, ambos sentados no chão. cabelos pretos e lisos, muito brancos, ele com um bigodinho tipo chaplin e aquela cara de eternamente triste dos pedintes. ele tocava um acordeão azul, e uma placa grande se apoiava numa caixa de papelão, para as contribuições. a placa era curiosa, começava assim: solo uno refugiato... e eu parei de ler, já imaginava que era mais um dos muitos refugiados não se sabe de onde que resolveram brotar pela cidade nos últimos anos (e tem gente que se refugia no brasil, meu deus? que idéia!).

passei indiferente, mas ele começou a tocar o acordeão, uma música triste... e eu vi, na frente do menino sentado no chão, uma caixinha pequena, de papelão, quatro vezes o tamanho de uma caixa de fósforo, digamos. e lá dentro, uma tartaruguinha. quietinha, com a cabecinha levantada, como quem procura a saída. meu coração se apertou vendo o bichinho lá dentro daquela caixa mínima e pensei meu deus, que vida ruim ela deve levar! presa numa caixa, exposta ao sol e ao vento, e sem escolha. e a trilha sonora de filme italiano meloso no fundo. foi me dando uma vontade horrível de chorar e eu continuei andando. titubeei, pensei em dar esmola, em comprar a tartaruga, mas não fiz nada disso, fui adiante. e liguei pro namorado, pra contar das mazelas da humanidade, mas ele não atendeu. me senti um tanto estúpida por sentir pena, e na seqüência comecei a me sentir simplesmente um monstro por sofrer pela tartaruguinha refugiada e simplesmente esquecer que havia gente ali também. confesso: deles eu não senti pena. o homem era simplesmente a trilha sonora da desgraça da tartaruga e o menino o carcereiro da infeliz.

quando conto a história as pessoas riem muito. eu também, depois, acabei achando engraçado, mas a verdade é que meu coração ainda tá pequeno por causa da tartaruga. e naqueles poucos segundos de angústia, juro que pensei que nós também vivemos em caixas e passamos a vida a esperar sabe-se lá o quê. a diferença é que nós temos escolha, e acho que por isso não consigo sentir pena das pessoas. acho.

(11/jun/2002)

bom feriado :)

but while she there waiting
try just a little bit of tenderness
thats all you got to do

abril 28, 2007

genial e divertido

bach em barrinhas :)

(vejam outros vídeos que têm o mesmo efeito, aparecem como "related")

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