« setembro 2007 | Main | novembro 2007 »

outubro 2007 Archives

outubro 1, 2007

grécia, dia 1: paris (?)

vou publicar as fotos, como já disse, aos poucos. fizemos a "limpa" dos 10 primeiros dias e já organizei o dia 1. portanto, aqui estão as fotos do primeiro dia de viagem que (não me batam) não é na grécia :P

nossa maravilhosa conexão era em paris, naquele aeroporto do capeta, o charles de gaulle. pra quem não conhece, é um aeroporto imenso, sujo e desorganizado. e as pessoas mal e mal falam inglês, o que complica bastante a vida de quem, como eu, já esqueceu o francês faz tempo.

nossa conexão tinha um intervalo de 1h, que não foi suficiente para nos deslocarmos até o próximo portão de embarque. a verdade é que daria um tempo bem apertado se tivéssemos usado o caminho mais curto (ir a pé); como tomamos a decisão errada (fomos com o ônibus interno do aeroporto), chegamos atrasados e... ficamos em paris algumas horas.

não foi completamente ruim, afinal pudemos dar um pulinho na notre dame e almoçar à beira do sena. não fosse o sono, o saco cheio de ficar 1,5h na fila da air france pra sermos atendidos e o mau cheiro dos recintos fechados na frança, teria sido perfeito.


portal da notre dame

mas valeu rever paris e fazer baldeação na maldita estação do estádio de futebol onde perdemos aquela final de copa vergonhosa.

fomos para atenas no início da noite, via frankfurt (e aquilo sim é que é aeroporto!) e chegamos às 3h da manhã. mas esse eu já conto como dia 2 :)

palavras roubadas

vi na teca e amei.

não há paisagem senão o que somos. (fernando pessoa)

grécia, dia 2: atenas

o dia 2 começou às 3 da manhã do dia anterior (porque enquanto eu não durmo considero o mesmo dia). chegamos ao novíssimo aeroporto de atenas, tudo deu certo.

pedimos informação sobre táxi e soubemos que custaria cerca de 50 euros até nosso hotel, isso é claro se não fôssemos roubados no valor. aliás, saibam: andar de táxi na grécia não é recomendado, pode ser uma aventura desagradável. parece que além de tentarem roubar no valor (como fazem lá no rio - eu já fui vítima) os taxistas também pegam mais de um passageiro por corrida, mudam o caminho pra encaixar cada um (essa eu não conhecia!). em defesa dos taxistas de atenas posso dizer que os 2 táxis que pegamos foram ótimos.

bem: nos recomendaram pegar o ônibus que sai do aeroporto para syntagma e de lá negociar um táxi (sempre combinando preço antes). pois assim fizemos: 3,20 euros por pessoa e muitos quilômetros depois (o aeroporto é longe pra caramba do centro) chegamos, negociamos um táxi pra nos levar, por 8 euros. no caminho eu vi a acrópole iluminada à noite, pelas frestas dos becos, foi lindo!

chegamos mais mortos que vivos e dormimos até meio-dia. o hotel foi a primeira roubada da viagem: bem barato para os padrões de atenas (50 euros/dia), e não é à toa. o chuveiro era absurdamente minúsculo (mas tinha água quente. mal sabia eu como isso pareceria um luxo em alguns momentos da viagem...), tudo muito velho e acabado. mas não somos de frescura e ficou tudo bem, descansamos depois de assistir 2,1 minutos de TV em grego.


eu na acrópole!

decidimos gastar nossa tarde com a acrópole e ágora. não visitamos nenhum museu porque simplesmente não cabia nos 2 dias que tínhamos. decidimos ver só os sites ao ar livre, paciência. comemos um café na esquina (muita massa folhada e muito creme / queijo), pegamos o metrô e descemos na estação acrópole, claro :)

pra quem está curioso com o idioma, é o seguinte: na maior parte da grécia é muito fácil se comunicar em inglês, principalmente se suas necessidades são básicas. se você precisar de coisas complexas tipo "cotonete" eu francamente não sei se seria tão fácil :) nós precisamos de água quente e gelada, comida, quarto, estacionamento, ônibus, essas coisas que todo mundo sabe. então foi tranquilo, até porque se faltar vocabulário você sempre pode fazer mímica ;)

quanto à leitura das placas eu já não posso dizer o mesmo, mas falo disso quando entrar na parte da viagem que andamos de carro.

foi um dia lindo em atenas, o sol estava forte mas o ventinho ajudou a refrescar. andamos e subimos/descemos tanto que achei que meus pés iam cair, juro. mas valeu cada passo, foi incrível caminhar por aquelas pedras e pensar em tudo o que já aconteceu ali. passeamos pela acrópole e a ágora, subimos no monte areopagus e já foi suficiente pra cansar bem. terminamos o dia em monastiraki, comendo (adivinhem?) salada grega :)

bem mais tarde da noite fomos fazer um lanchinho perto do hotel, em omônia, num fast-food grego que nos deixou malucos: salada grega maravilhosa e souvlaki impecável. sobre comida eu falo com mais detalhes em um post separado, pois a culinária grega merece.

veja isso JÁ

sabe aquelas coisas que você precisa ver? essa é uma delas. ligue o som, assista e fique babando como eu.

chris bliss. dica do fer.

outubro 2, 2007

para alegrar nosso coração

apareçam, la reina madre estará por lá :)

outubro 4, 2007

olha por ele, são francisco

porque hoje é dia de são francisco de assis, e meu pequeno tá precisando bastante mesmo de muita força pra passar por mais essa. que ele sempre olhe por ele e por todos os bichinhos.

**

senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
onde houver ódio, que eu leve o amor;
onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
onde houver discórdia, que eu leve a união;
onde houver dúvida, que eu leve a fé;
onde houver erro, que eu leve a verdade;
onde houver desespero, que eu leve a esperança;
onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
onde houver trevas, que eu leve a luz.
ó mestre, fazei que eu procure mais
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

outubro 6, 2007

porque o céu é azul

ah, because the world is round
it turns me on
because the world is round

ah, because the wind is high
it blows my mind
because the wind is high

ah, love is old, love is new
love is all, love is you

because the sky is blue
it makes me cry
because the sky is blue

**

meu pequeno se foi essa madrugada, dormindo, depois de ficar um tempão no meu colo enquanto eu, sem saber, dizia adeus.

agradeço a são francisco por ter cuidado dele da melhor forma: ele não sofreu e se foi tranquilo. mas não vou negar: meu coração está em mil pedaços.

**

outubro 7, 2007

porque fazemos escolhas

é difícil perder animais de estimação. só quem teve e já perdeu sabe como é, como dói. criar furões é especialmente difícil porque eles vivem não mais que 8 anos, quando muito. ouvi dizer que há ou houve furões de 10 ou 12 anos, mas eu duvido. eles são frágeis por natureza (metabolismo muito rápido) e por algum motivo desconhecido desenvolvem doenças agressivas e com pouca chance de cura.

o pastel chegou à nossa casa já doentinho, com pneumonia, em 2000. a doença se repetiu mais duas vezes e a saúde dele era extremamente frágil, ele passava mal até com pó. morreu com menos de 2 anos, depois de 1 semana de internação cheia de procedimentos e respiração muito difícil. sofri muito com essa primeira perda, foi o primeiro animal de estimação "meu" que morreu, e foi cedo demais.

o pixel foi um caso à parte: ele morreu por incompetência do veterinário. considerando aliás que o veterinário do pastel era o mesmo, acho que ele pode ter morrido pelo mesmo motivo: ignorância. o veterinário dizia que entendia de furões, e na verdade ele entendia muito pouco. pudemos comprovar a diferença depois que levamos o pixel a uma clínica especializada. infelizmente era tarde demais pra ele. o pixel teve uma úlcera perfurada, mas só percebemos porque ele parou subitamente de comer. em 24h ele parou de comer e piorou a olhos vistos, até que foi operado pra descobrir o que era. quando vimos como ele estava do lado de dentro, decidimos pela eutanásia. ele tinha 5 anos e meio (já era idoso para um furão) e seus órgãos internos estavam totalmente comprometidos. caso fosse operado, ele teria uma recuperação difícil e dolorosa, sem muita chance de sobrevida.

não é fácil decidir terminar a vida de ninguém, ainda mais alguém que a gente ama muito. é preciso muito amor pra preferir a perda ao sofrimento do outro. não me lembro de ter sofrido tanto de saudade e culpa na vida. "e se tivéssemos percebido antes? e se...". muitos "e se". até hoje dói muito a saudade, mas cada vez mais acredito que tomamos a decisão correta.

com o gollum foi diferente: detectamos sem querer e rapidamente um insulinoma, doença muito comum em furões. um tumor no pâncreas causava produção excessiva de insulina, baixando violentamente a glicemia do animal. essa doença causa letargia, desmaio, convusões e danos aos órgãos vitais, caso não seja tratada. ele foi operado e metade do seu pâncreas foi retirado, juntamente com uma adrenal suspeita. a biópsia revelou que de fato ele tinha um tumor maligno. como conseqüência da cirurgia, ele desenvolveu diabetes (raríssima em furões) e teve que ser tratado com insulina injetável. mas ninguém sabia como tratar essa doença: os veterinários tiveram que mantê-lo internado por 20 dias para descobrir a dosagem ideal. voltando pra casa, nós aplicamos insulina subcutânea por 1 mês, ajustando a dose conforme o corpinho dele reagia. sempre ouvimos que o gollum sobreviveu por milagre ou por insistência nossa, ou uma combinação de ambos. ele se recuperou da retirada do pâncreas e voltou quase ao normal, pra nosso espanto.

no entanto, sabíamos que a saúde dele era frágil e qualquer tempo adicional que ele passasse conosco seria um presente. ele mudou muito depois de tudo isso que passou: tornou-se um furão mais carinhoso e próximo, ele passou a confiar totalmente em nós. ele viveu 1 ano depois da doença e foi um ano maravilhoso pra ele e pra nós. ele brincou, se divertiu, comeu pra caramba, irritou as irmãs e o irmão, roubou brinquedos e fez tudo o que quis. como os demais aqui de casa, foi o furão mais mimado, amado e livre do mundo.

ele morreu de linfoma, uma doença que poderia ser comparada à leucemia humana. ele desenvolveu os sintomas no final da semana passada e morreu no final desta semana, um dia antes de morrer ele ainda brincava e fazia gracinhas... as horas passam de forma diferente pra nós e pra eles, e não foi divertido acostumar com a idéia de perdê-lo em menos de 48h.

estamos com 2 furões aqui em casa com mais de 7 anos de idade, a didi e o groo. ambos já passaram por cirurgia para retirada de adrenal e apresentaram tumor maligno. eles tomam remédio a cada 12h, todos os dias, para mantê-los bem. cuidar de animais doentes não é barato e principalmente não é fácil: muitas vezes temos que voltar pra casa rápido só para dar os remédios; quando viajamos, precisamos de alguém cuidando deles 2 vezes por dia no mínimo.

além dos problemas práticos, há uma constante tensão emocional e afetiva: até quando eles vão resistir? até pouco tempo essa era a situação também com o gollum, até que ele se foi na madrugada de sexta, de forma tranquila e sem dor. e eu não me canso de agradecer, desejo que todos possam ter a sorte de morrer sem sofrimento e dor.

quando será o próximo? não sei, mas sei que aproveitarei cada dia e cada hora que eles estiverem aqui. vou brincar muito com eles e garantir que eles sejam felizes e muito amados. jamais me arrependi de adotar nenhum deles, e faria tudo de novo. e farei novamente, quando houver oportunidade: se encontrarmos outros furões que precisam de um lar, adotaremos e cuidaremos deles até que seja hora de ir embora.

é claro que vamos sofrer, estou triste como o diabo com a perda do meu querido vampirão tosco tarado por coca-cola. ele carregava brinquedos de sininho pela casa porque gostava do barulho. não vamos mais ouvir o tilintar dos brinquedos pela casa, e só de pensar nisso eu começo a chorar.

mas novamente: não me arrependo. sou grata por tudo o que eles me oferecem e ofereceram e vou tentar lembrar deles, contar suas histórias e deixar a dor melhorar. já a saudade, pra essa não tem remédio. mas como diz aquela música cafona que eu amo:

saudade até que é bom / melhor que caminhar vazio.
(ouça aqui)

outubro 8, 2007

e vamos botar água no feijão

fizemos ontem a já tradicional feijoada e inovamos na sobremesa: eu queria bolinhos individuais, bem bonitinhos, pra comer com café. a sheila então trouxe receitas e muitas forminhas e realizou meu sonho!

ela e o leo fizeram bolinhos de banana, iogurte e canela (com açúcar de confeiteiro e canela em pó pra decorar) e bolinhos de limão com semente de papoula e cobertura de limão, enfeitado com raspinhas. as receitas estão aqui.

a decoração foi uma obra conjunta: weno desenhando as "máscaras" para decoração; dani, sheila e eu decorando os bolinhos. a brincadeira fez o maior sucesso, e não foi só com as crianças não!

pra completar a festa teve a querida tati ajudando na cozinha e nos divertindo com seu sorriso constante.

porque aqui nessa casa, ser feliz é e sempre será prioridade, com pedras no caminho e tudo.


os amigos: keké no fundo, fer, felipeb, pai ao fundo, norbies e paulo. a paula tirou a foto :)

dica de veterinária

pra quem tem animais de estimação, uma dica valiosa: a thais tomaz, veterinária com grande experiência com ferrets e especialista em gatos abriu sua própria clínica no campo belo. o nome da clínica é centro veterinário jabuti :)

a thais, além de ser uma profissional excelente que de fato sabe do que está falando, é uma pessoa adorável. ela tem animais de estimação (7 jabutis inclusos) e claramente ama bichos. ela trata nossos animais com o mesmo carinho que nós mesmos tratamos. e ela sabe o quanto nós, os donos, também precisamos às vezes de um pouco de atenção e informação e sempre se dispõe a conversar e explica com detalhes tudo o que está acontecendo.

e tem mais: quando os bichos estão internados lá, ela dorme na clínica pra cuidar deles por conta própria. quando eles estão doentinhos ou são difíceis de manipular, ela mesma dá banho e garante que recebam o que existe de melhor.

não conheço em são paulo nenhuma clínica que tenha esse cuidado com os animais, não conheço nenhum veterinário que tenha tratado meus bichos e a nós com tanto amor, dedicação e respeito. ela já nos atendeu na nossa casa e atende por telefone em qualquer horário que precisemos.

o preço de tudo é mais em conta do que essas clínicas veterinárias "de nome" e a clínica dela é impecável, tem tudo de mais moderno.

parece demais? não é: ainda por cima ela é jovem, linda e legal :) recomendo muito,especialmente para quem tem gatos, pois eles são a especialidade dela.

centro veterinário jabuti
rua zacarias de goes, 1449
campo belo
tel: 11-5093-5303

outubro 9, 2007

eu te amo

pode ser só meu coração mole, mas acho que não: escuto/vejo tom jobim e chico juntos e choro como criança. já houve parceria mais bonita na música brasileira? o piano do tom tem vida própria, ele jamais acompanha. ele dialoga com a voz, com os outros instrumentos, conta histórias e me deixa sempre sem fôlego.

essa música, especialmente, tem algo quase místico: a voz aerada e esquisita de telma costa parece que torna tudo ainda mais melancólico, é uma noite fria com neblina.

tenho pena de quem não gosta de música brasileira em geral, mas quem não admira tom jobim é insensível, devia ter o dom da audição revogado.

e pra chorar, veja/ouça anos dourados ao vivo.

**

chora flauta, chora pinho
choro eu, o teu cantor
chora manso, bem baixinho
esse choro falando de amor

ah, tenha dó.

outubro 10, 2007

são tudo pequenas coisas / e tudo deve passar

hoje fui atualizar meu orkut e fiquei navegando, cheguei na minha irmã. aquele monte de perguntas e no final do perfil pessoal, tem "turns off" e ela responde: "um monte de perguntas".

minha irmã tem o poder da síntese. aprendi com ela uma das máximas que mais ando usando na vida nos últimos anos:

tem problema do tipo meu e problema do tipo seu. esse, negão, é do tipo seu!

porque eu não mereço resolver os meus problemas e mais os dos outros, não. já tem aqui de sobra, obrigada!

**

hoje fomos buscar a gaiola, cobertor e brinquedo de sininho do golitous. o carro andava e a bolinha tilitava, como quando ele brincava pela casa nas horas mais malucas. sentimos sua falta, coisico, onde quer que você esteja.

**

eu tou muito puta da vida com o flickr. renovei minha conta pro 1 semana antes de expirar e meu pagamento está pendente desde então (já são 13 dias corridos!). não tem suporte, email de reclamação, nada. você paga e é tratado como se estivessem te fazendo um favor!

alguém sabe se tem uma forma de reclamar por lá? tou revoltada. por isso não subi ainda as fotos das férias...

**

comprei mais uma bolsa de notebook la reina madre, preta com detalhes de frida. linda, macia e cheirosa. e ainda almoçamos com a rainha e seu rei num bufê de comida japonesa nota 10 ali em são bernardo.

porque merecemos uma folguinha na hora do almoço, no meio da semana, sim.

**

eu parei de reclamar das pessoas, até pra mim mesma. quando começa a aparecer o modo reclamação eu faço XÔ! e pronto. adotei a máxima de absorventes de muito tempo atrás, incomodada ficava sua avó. encheu o saco, irritou? saio fora. não deixo mais nada me incomodar. se o incômodo vem de alguém que eu gosto assim MUITÍSSIMO ainda me dou ao trabalho de dar um toque e tal. uma vez, talvez duas. senão abstraio, sublimo, culpo os astros, dou uma de louca e sigo meu caminho. cansei de ser farol de cego.

**

a batedeira nova, aquela rosa vintage que eu comprei, é um escândalo. o ruído é baixo e bate claras em neve em segundos, um absurdo! e é linda, vejam com seus próprios olhos:


foto de los paulos

outubro 11, 2007

ódio às marcas gritando

eu vi isso aqui e pensei...

... ridídulo, cafona, 25 de março seção carnaval gritando!

mas as loucas compram porque é LV, seja lá qual for o preço dessa coisa horrível. não entra na minha cabeça essa mania de comprar "porque é de marca" e ficar desfilando por aí fazendo propaganda pra marca X ou Y. não adianta tentar me explicar, não tem cabimento, ponto.

não compro nem camiseta com nome da marca escrito, acho um nojo. nem louca e bêbada eu uso uma bolsa toda estampada com a marca ou com aqueles Cs da chanel ou com aquelas placas-outdoors da prada, jesus me salve. precisa ser muito fútil e/ou babaca pra fazer questão de mostrar que usa a marca essa ou aquela. se você é minha amiga/o e faz esse tipo de coisa, disfarça e vamos fingir que nada aconteceu, tá? mas é fato: acho idiota e cafona.

falava ontem com a denize sobre bolsas de couro x bolsas de pano e tive um choque: ela me explicou que tem gente que não gosta de ou não usa bolsa de pano porque é "coisa de pobre", coisa de hippie. hein? a idiotice humana não tem limites, é impressionante. não gostar porque não gosta tudo bem, cada um com suas preferências, mas esse motivo é o fim, que nojo!

ela, ao contrário dos ricos-e-famosos, prefere bolsa de pano porque não gosta de usar couro, vegetariana que é. já eu, que como a senhora vaca com prazer, uso couro sem culpa, porém com restrições: couro, meu bem, tem que tomar cuidado. qualquer mínimo exagero e fica breguérrimo, é um perigo. tem umas bolsas de couro por aí que nem o chacrinha usaria, francamente. mas a mulherada usa, porque tá na moda, junto com a sainha balonê e a cintura alta. lindas.

tem uma bolsa de couro que tá na moda, eu acho, porque eu vejo 5 de cada 10 mulheres usando: uma coisa tipo "saco" de couro com alças duplas curtas, uma bolsa que seria quadrada se não fosse mole. as mais-mais são brancas e beges, pelo que vi. tudo que é loja de bolsa tem e a mulherada anda tudo combinandinha. não é que eu ache feia, mas... que horror eu ir prum restaurante e a fulana do lado de chapinha tem uma bolsa igual à minha! credo.

essa mania de seguir revistas de moda é mais ou menos como andar estampada de LV ou coisa parecida, é praticamente um grito visual: eu tou na moda, tá, gentem? eu compro tendência, eu SOU tendência e tenho dinheiro! bu!

acho que é por isso que eu gosto tanto das bolsas da denize (muito embora nem todas sejam do meu gosto, eu não compraria todas que ela faz) e outras que eu garimpo por aí: não visto nada pra agradar os outros, faço questão de usar coisas que são a minha cara e, é verdade, a minha carinha é esquisita mesmo, nem todo mundo gosta. paciência. o que definitivamente não é minha cara são esses montes de bolsas quase-bregas que estão em tudo que é loja por aí, portanto, tou fora.

desprezo esse mundinho de uniformes, tendências e "cores da moda". das marcas todas só tem uma à qual sou 100% fiel: aviação. nenhuma manteiga é tão boa e nenhum requeijão chega aos pés :)

não resisti

demorei mas acabei cedendo: criei minha rádio. e minha vida acabou, porque agora eu só faço pesquisar e adicionar... aqui vai minha lista, pra quem quiser ouvir. depois dou um jeito de deixar ali do lado :)


outubro 15, 2007

atenção todos os carros!

a fal, diante de toda a merda que a vida pode proporcionar, o que faz? chora, se descabela, xinga o vizinho ou chuta o cachorro? não senhores, ela faz mais uma edição do seu maravilhoso curso de história da arte virtual em dez lições. vejam os módulos:

ARTE NA HISTÓRIA

Aula I
Arte. Que é isso?
Algumas teorias sobre o surgimento da arte.
Pedra lascada, pedra polida.
A vida como nós a conhecemos: as primeiras civilizações
No princípio era o verbo
Dos tijolos sumerianos aos jardins suspensos da Babilônia, passando pelos gatinhos do Egito.
Os números da Maloca
Tantos povos, tantas histórias: persas, minóicos, micênicos, hititas, lídios, medos, dóricos fenícios, cartaginenses e, ufa, hebreus

Aula II
Se oriente rapaz I: China e Índia
As crianças da Grécia
Os geniais etruscos
Roma e a não-arte

Aula III
Balaio de gatos: bárbaros germânicos, arte românica, gótica e a Idade Média
Construindo catedrais com a Ana Paula
Se oriente rapaz II: Japão

Aula IV
Humanismo
Grandes navegações: o mundo diminui
A terra é mui graciosa, tão fértil eu nunca vi
Apertem os cintos, o Papa sumiu

Aula V
O barroco francês, Rembrandt, Bach e outras coisas do século XVII que fazem meu coração sorrir
Bebendo café com o Mauro

Aula VI
Carneirinho, carneirão: o Arcadismo
Born in the USA
Eu sou Napoleão Bonaparte
Linha de montagem

Aula VII
Vizinhos Reais
Noutras palavras, sou muito Romântico
Romantismo Português, ó pá!
Eu te amo, porra! - Romantismo no Brasil
Evolução: 'Sua mãe pode até descender dos macacos, mas a minha não'

Aula VIII
A vida como ela é: O Realismo
A Natureza é tão natural
Simbolismo
Lerê Lerê
República ou morte
Impressionante
Freud, explica!!

Aula IX
Século novo, vida nova
Espartilhos e grandes bigodes: a Primeira Guerra Mundial
Futurismo, cubismo, dadaismo: é ismo que não acaba mais
Modernismo: Brasil e Portugal
Derretendo relógios
Fazendo moda, fazendo arte
Nós cantamos na chuva
A Segunda Grande Guerra
Baby boom
O anjo pornográfico

Aula X
Flower Power, o passaporte pra revolução
As veias abertas da América Latina
Coca-cola é isso aí: a publicidade e o divino, e as malas da Carla San
Moda, cinema, literatura, poesia, arquitetura, teatro, pintura, escultura, publicidade, rádio: stress puro ou seu dinheiro de volta.
O Havaí seja aqui : internet, a nova arte e o diário coletivo
De volta à pintura de paredes: os novos urbanos

pra se inscrever, mandem email para artenahistoria@gmail.com. eu já vi o material que ela manda como apoio pras aulas e realmente vale a pena.

dica de game

na sexta, a convite da tati e weno, fomos almoçar na linda casa deles. estava tudo maravilhoso, como sempre, mas acabamos ficando também para o jantar e fomos embora lá pela 1 da manhã porque temos furões que precisam de medicação de 12 em 12 horas, senão não sei que horas teríamos ido embora...

além da companhia super-maravilhosa, é claro, o grande culpado desse programa longo e digno do dia das crianças foi o ps2. nos demos de presente de 12 de outubro, depois de muito ensaiar, o multitap, acessório que permite jogar com até 4 pessoas ao mesmo tempo :D

tentamos o x-men (bom, mas demora pra entrar no modo multiplayer), os incríveis (descobrimos que só se pode jogar de 2) e engatamos mesmo no culdcept.

gosto de muitos jogos de ps2, e a maior parte deles é bem complexo. gosto de RPGs, jogos de terror e quebra-cabeças, o que torna o culdcept de fato uma exceção: ele é bem simples, com gráficos que chegam a ser toscos e, na verdade, é a versão vídeogame de um jogo de cartas.

funciona mais ou menos assim: o jogo se passa numa espécie de tabuleiro, no qual você caminha de acordo com os números que tira no jogo de dados. cada "célula" do tabuleiro é um terreno, que pode ser ocupado por uma criatura. cada mago tem cartas, divididas em 3 tipos: criaturas (que podem atacar e/ou defender outras criaturas), itens (que servem para ataque e defesa) e feitiços (bons e ruins, que podem ser lançados em criaturas ou em outro mago).

você ganha o jogo conquistando terrenos (você "conjura" suas criaturas nos terrenos, e elas dominam aquele espaço. como um banco imobiliário, porém com inquilinos :)) e fazendo com que seu oponente pague quando cai na sua propriedade. simples assim.

um dos jogos mais divertidos que já joguei, capaz de me entreter por muitas horas. a cada partida jogada, você ganha cartas novas para compor seu baralho. o catálogo completo de cartas é enorme, até hoje não completei a "coleção". o baralho (e consequentemente sua estratégia de jogo) são construídas por você mesmo. podem ser montados baralhos mais ofensivos ou defensivos, com mais criaturas ou mais feitiços, conforme seu estilo de jogo e conforme o estilo do oponente, é claro.

o computador tem bons jogadores, portanto nunca fica sem graça. além disso, é possível jogar em até 4!

recomendo fortemente, inclusive pra crianças, pois é um jogo que exige muito raciocínio, antecipação de jogadas e, quando há mais pessoas jogando, espírito de equipe :) além de ser divertido pra caramba ver as criaturinhas conjuradas na tela...

outubro 16, 2007

seja como for

eu dizia para as amigas, sentada na cozinha, sobre o quanto as mudanças fazem parte da minha vida. sou do tipo de pessoa que gosta de mudar, de verdade, não importa o tamanho da mudança. lembrei do vídeo que vi pela primeira vez na tati e copiei pra mim. não só assisto sempre (porque é hilário) como costumo incluir nos workshops sobre gestão de processos e gestão da mudança. as pessoas riem e, em alguma das partes do ciclo, sempre se identificam com a girafa.


o ciclo da mudança

gosto especialmente da fase da depressão. porque se é pra sofrer, que seja assim, puramente :)

**

que saudade eu senti de 1989 essa semana quando ouvi legião no rádio! não foi um ano especialmente bom, até porque teve vestibular e fim do primeiro namoro a sério. mas tinha a casa dos meus pais, horas ouvindo legião urbana com a minha irmã, muito quebra-cabeça numérico (um dia explico o jogo com números que inventamos, parece com soduko) e as muitas tardes de sábado no CCSP.

**

senti teu coração perfeito
batendo à toa e isso dói
seja como for
é uma dor que dói no peito
pode rir agora que estou sozinho
mas não venha me roubar

(...)

vai ver que não é nada disso
vai ver que já não sei quem sou
vai ver que nunca fui o mesmo
a culpa é toda sua e nunca foi
mesmo que as estrelas
começassem a cair
e a luz queimasse tudo ao redor
e fosse o fim chegando cedo
e você visse nosso corpo em chamas
deixa pra lá

quando as estrelas começarem a cair
me diz, me diz
pra onde é que a gente vai fugir?
(angra dos reis, legião urbana)

outubro 17, 2007

grécia, dia 3: atenas

no dia 3 voltamos à rua: visitamos o templo de zeus. o tamanho das colunas é assustador, não é difícil imaginar a adoração de zeus acontecendo ali, com a acrópole ao fundo.


(não é mais fácil pensar no passado em sépia? :))

depois de muito andar, voltamos a monastiraki e almoçamos com a ana renata, amiga apresentada pela denize, que fica por lá alguns meses do ano. ela não só nos deu dicas preciosas como arranjou mapas que salvaram nossa vida e é uma pessoa adorável.

almoçamos no famosíssimo e de fato imperdível thanasis: comemos o melhor souvlaki com pita e tzaziki, cerveja e muito papo. numa das muitas sorveterias comi um delicioso sorvete de pistache e fomos visitar keramicos. o museu é mais interessante que o sítio, mas teve uma surpresa ótima: vimos tartarugas comendo grama, no meio do local! a ana então nos contou que as tartarugas selvagens são muito comuns na grécia e que morrem atropeladas nas estradas porque vivem soltas, pobrezinhas.

acreditem ou não, essa informação foi muito útil, porque pudemos salvar uma tartaruga na estrada para delfos (se não soubéssemos, eu acharia que era uma pedra no meio da pista...) :)

no final deste dia decidimos o que fazer no dia seguinte: compramos passagens de avião para creta. diante da infinidade de opções, resolvemos conhecer o berço da civilização grega. nosso vôo era cedíssimo na manhã seguinte (naquele aeroporto fim-de-mundo), portanto dormimos cedo, sonhando com o minotauro :)

grécia, dia 4: creta

chegamos às 7 da manhã em creta, a maior ilha da grécia e também onde a civilização grega começou. é de lá que vem a civilização minóica e é de lá o mito do minotauro. mais precisamente do palácio de knossos, que foi o grande motivo de visitarmos a ilha.

pra ver o palácio de knossos hoje em dia é preciso muita imaginação e informação histórica: só restaram ruínas, de fato. também, depois de tsunami, terremoto e não sei quantas invasões, pudera... :) depois da acrópoles, foi o lugar com mais turistas que visitamos na viagem toda.

apesar disso, uma curiosidade: tivemos muita dificuldade em encontrar lembranças com o tema do minotauro. procuramos muito uma réplica de moeda com o minotauro desenhado (trouxemos para minha sobrinha de 5 anos, que ficou encantada em saber que íamos visitar "a casa do minotauro") e achamos somente umazinha. perguntamos ao rapaz da loja de souvenirs o motivo de ter tão pouca coisa sobre a mitologia grega à venda. a resposta foi assustadora: "não vende, senhora. as pessoas não conhecem nada de mitologia grega, muitas delas perguntam inclusive onde estão, não sabem nem o nome da ilha". O_o

quando chegamos ao local, senti um cheiro bom, adocicado, mas não soube dar nome a ele. achei que era um tempero, mas depois descobri: voltando para o carro para seguir viagem, vi uma senhora vendendo figos, uma das minhas frutas preferidas. ela colhia os figos de um pé na sua própria casa e vendia às dúzias! era esse o cheiro, os figos ao sol!

comprei, é claro, e eram doces como mel.

almoçamos muito bem e foi neste dia que nos demos conta que a fama de país machista era real: os garços, reparamos, não só não olhavam nunca pra mim como serviam sempre primeiro o fer. juro: as mulheres são servidas por último e tratadas como seres de segunda categoria, não é exagero. um horror, mas vamos ignorar essa parte. dizem que temos que respeitar a cultura alheia, essa coisa de "diversidade" que eu abomino. sigamos.

alugamos um carro para dar a volta em boa parte da ilha, pois dar a volta completa não caberia em 2 dias apenas. seguimos para o lado oriental, parando às vezes para apreciar o mar e tomar nosso primeiro banho no mar egeu!


a áfrica é do lado de lá...

almoçamos, apreciando o azul e descemos até ierapetra, onde resolvemos dormir.

e foi aqui a primeira roubada: seguindo a recomendação do guia lonely planet (aliás, mil vezes melhor que o guia da folha, sem comparação), fomos para um hotel razoável e conseguimos pedir um quarto. pela primeira vez na viagem encontramos alguém que não falava uma palavra de qualquer outro idioma que não fosse grego. ena domatia, parakalo (um quarto, por favor) então, e tudo bem. só que o hotel não tinha água quente! imaginam os dois cansados, suados, com sal de mar e sem água quente?

de alguma forma o fer conseguiu explicar pra mulher que só falava grego que não tinha água quente. quando eu resolvi ir embora, puta da vida, ela arranjou outro quarto "very good" (apareceu o inglês dela na hora do barraco, vejam vocês) e lá ficamos. tinha água quente e eu tomei um banho demoradésimo, pra compensar. só que o fer, coitado, tomou banho frio esta noite, porque a água quente acabou, graças a mim. ops!

grécia, dia 5: creta

e vocês pensam que no dia seguinte a água quente tinha voltado? na-na-ni-na-não. tomamos banho de gato, frio mesmo, e saímos putos. e pagamos 45 euros por isso, tá?

continuamos nossa volta pela ilha, chateados porque queríamos fazer um passeio que merece uma viagem exclusiva e não cabia nesta viagem: a caminhada pelo desfiladeiro de samaria. decidimos fazer esse passeio quando formos à itália :)

saímos do litoral e atravessamos a parte montanhosa de creta, lindíssima. a estrada é ótima e além da paisagem sensacional, aproveitamos para parar no caminho e ver uma igreja do século IX, simples e linda.

a paisagem é geralmente muito seca e cheia de oliveiras. nos guias, descobrimos que as oliveiras são uma espécie de praga, pois impedem o crescimento de várias plantas da flora nativa da grécia. o problema é que boa parte da economia da grécia (especialmente lá nos muito antigamente) era baseada em azeite de oliva, ou seja, o povo destruía tudo que é mata nativa pra plantar oliveira. e hoje é isso: um país muito seco em quase toda parte. mas o azeite é bom, vá :)

voltamos então à iráclion, capital da ilha, para pegar o barco no dia seguinte cedinho para santorini. ficamos num hotel simpático à beira do mar e andamos à pé no centro lindíssimo da cidade, que tem grande herança veneziana (a ilha foi invadida por quase todas as potências do mundo antigo, especialmente itália e turquia).

grécia, dia 6: santorini

é, gente: santorini é um local especial. francamente não é o que vimos de mais bonito na viagem, embora seja lindíssimo, como vocês vão ver nas fotos, mas é uma paisagem espetacular.

fiquei impressionada ao chegar na ilha, mas confesso que meu maior encantamento foi com sua história. a ilha, que hoje tem formato de lua crescente ou minguante, sei lá, já foi uma ilha como qualquer outra, porém com 3 vulcões. imagine uma ilha com 3 grandes picos que subitamente entram em erupção (eu inventei inclusive um novo verbo, "erupir", só pra usar por lá) e deixam um buraco gigantesco no meio da ilha, onde antes viviam pessoas em cidades e tal.

a erupção de santorini é a maior que aconteceu na terra, dentro do período de existência da humanidade. o resultado da erupção não só destruiu quase toda a ilha como causou um tsunami monstro que destruiu o litoral de creta (lembra de iraclion e knossos? foi tudo destruído). essa semana, vendo um programa sobre as pragas do egito, descobri que uma das pragas (a escuridão) pode ser inclusive conseqüência da erupção de santorini, não é incrível?

voltando: o que sobrou no meio da ilha foi um buraco enorme, a cratera do vulcão e as laterais, a "casca" dos vulcões, com cerca de 300m de altura. e lá em cima ficam as cidades e as vistas mais incríveis para essa imensa caldeira.

resolvemos ficar numa das pontas da ilha, acrotiri, que tem vista para ia, a cidade mais famosa da ilha. de lá, víamos os paredões avermelhados no fim da tarde, a caldeira e o mar azul de dar aflição. a vista da varanda do nosso quarto era essa:

andar a pé em santorini é inviável. você pode até andar de ônibus, mas pobre de você, porque demora que só o capeta. o pessoal aluga motos (lambretas), quadriciclos (fofos!) ou carros. decidimos alugar um smart, porque somos apaixonados pelo carro e ele não existe no brasil. foi uma delícia! e saímos passeando feito loucos pela ilha toda, já no primeiro dia.

são 3 os grandes pontos de referência de santorini: ia numa ponta, fira ou thira no meio, e acrotiri na outra ponta, as 3 com vista para a caldeira. somente de ia, no entanto, se pode ver o pôr do sol no mar, um fenômeno que encanta todos os visitantes da ilha, e nós não fomos exceção... no primeiro dia fomos assistir ao famoso pôr do sol e, olha: valeu.


o fim do dia

**

além das cores lindas, do sol, de tudo, gente, tem os tomates. os tomates da grécia são realmente espetaculares, doces e vermelhos, uma tentação. e num mercadinho de ia compramos tomates cereja que pareciam recém-colhidos, com seus caules e folhas, queijos, pão e iogurte. e jantamos no quarto do hotel, ainda sob o efeito do encantamento que aquele pedaço incrível do mundo provoca.


as cores de ia

grécia, dia 7: santorini

o espanto não passou no dia seguinte: abrir a janela e ver aquela paisagem continuou nos deixando passados.

fomos fazer um passeio de barco pela caldeira, para visitar o vulcão. diz que está inativo, mas "erupiu" :) na década de 50 pela última vez, a terra é quente e tem águas quentinhas pra nadar (e nadamos nela, é claro).

descobrimos que de qualquer ângulo a ilha é linda:

e subimos muito e por muito tempo até chegar ao topo do vulcão. não há cratera ativa, não se vê lava, mas há um mapa das crateras e da história das últimas erupções, é um passeio imperdível. eu achei que ia morrer de tanto andar, mas consegui chegar até o fim :)

ao voltar, passamos o fim de tarde conhecendo outras partes da ilha e voltamos a ia para almoçar/jantar, curtindo a vista incrível.

grécia, dia 8: santorini

neste dia fizemos o passeio que eu considero o melhor de santorini: thira antiga. e até agora não entendi porque foi dada pouquíssima ênfase a este sítio arqueológico nos 2 guias que levamos (publifolha e lonely planet).

a cidade foi fundada no século 9 antes de cristo, e passou pela grande erupção que destruiu a ilha (além de outros terremotos ocasionais). santorini, aliás, é muito sujeita a terremotos (não presenciamos nenhum).

esse passeio pode ser feito 100% a pé (que deus proteja os corajosos que sobem aquilo tudo). é uma estrada muito muito longa, que serpenteia até o topo da montanha. a vista, ao subir esta primeira parte, já é estupenda (este é lado oposto da caldeira, onde a ilha ruiu. por isso a cidade "sobreviveu"):


kamari e suas areias pretinhas da silva :)

mas tem mais subida. o próximo trecho se faz a pé, e eu novamente tive a impressão que não ia acabar nunca... mas acaba e o lugar é absurdo. tão, tão antigo e é possível imaginar o que já foi e se deslumbrar com a vista privilegiada da ponta da ilha. algo assim:

passamos, na volta, pela praia de kamari, cheia de restaurantes da moda e gente bronzeada e voltamos a acrotiri para um almoço longo e delicioso. passeamos por fira e ficamos curtindo o fim do dia no hotel e sua vista linda de morrer.

e o hotel, gente, pasmem: foi o mais barato de toda a viagem. pagamos 30 euros por noite (sem café da manhã) e a dona do hotel é linda e simpática (um achado na grécia, aqui entre nós). recomendo fortemente pra quem prefere hotéis simples e de preço justo: goulielmos.

antes de ir embora, já estávamos com saudade. santorini é definitivamente um lugar que, podendo escolher, não se deve morrer sem conhecer.

outubro 19, 2007

stardust we are / nothing more, nothing less

na quarta-feira fiquei com a tarde livre e fui ao cinema às 2 da tarde, na paulista. difícil decisão: resident evil 3 ou stardust (traduzido ridiculamente como "o mistério da estrela")?

optei pelo segundo, com certo medo. pelo que o pôster antecipava, me preparei para o pior: sou fã de neil gaiman e imaginei que poderiam estragar sua história...

felizmente eu estava errada. o filme é legal e tem algumas coisas de fato ótimas: michelle pfeiffer perfeita como uma bruxa muito má e robert de niro muito engraçado interpretando um pirata pouco ortodoxo, digamos. foi um ingresso bem pago: 2 horas de pura diversão e um final feliz pra completar. quem pode desejar mais numa quarta-feira à tarde? :)

porém... é, teve um porém. foi a primeira vez que vi (em contraposição a ler) alguma história do neil gaiman e, sem querer ser a chata de "livro é melhor que filme", não é a mesma coisa. tenho uma paixão toda especial por quadrinhos e ouso dizer que gosto mais de quadrinhos que de livros. principalmente quadrinhos do quilate de tudo que já foi publicado por neil gaiman, alan moore e tantos outros gênios de contar histórias.

não é só a riqueza das ilustrações que torna a experiência de ler estes quadrinhos incrível, é também o espaço de imaginação que é concedido ao leitor. são histórias longas, com referências interessantes, faz pensar e sonhar. filmes são tão rápidos, tão... "mastigados", que nos resta pouco a fazer senão engolir rapidamente. descobri que gosto muito de mastigar! ver filmes é como comer comida rápido demais, sei lá.

alguém mais sente isso às vezes?

**

mas assistir filmes não é sempre assim, felizmente. semana passada assisti sunshine -- do mesmo diretor de extermínio (28 days later), que eu adoro -- e deixou aquela sensação boa de "preciso pensar sobre isso".

não é à toa que escrevo sobre os 2 filmes ao mesmo tempo: o "pó de estrela" do primeiro filme é tema recorrente no segundo, embora de forma menos literal. o pó de estrelas de sunshine é uma referência à nossa insignificância e pequeneza, é o grande drama dos físicos.

a história é o seguinte: o sol está morrendo e a humanidade faz sua última tentativa desesperada de reavivá-lo. uma nave espacial, levando uma bomba poderosíssima com o poder de fazer renascer uma estrela, deve chegar ao sol e fazê-lo brilhar novamente. das janelas da nave vemos a terra, coberta de neve (quando vista do espaço não é mais azul, é branca), que não pode suportar mais a era glacial e vai morrer congelada em breve.

não conto como termina a missão, mas não importa se o final é triste ou feliz, o que sempre importou o tempo todo é que somos pó de estrelas, e só. e como somos frágeis e pequenos!

**

mas assistam (ou leiam) a fábula de gaiman, porque é bom e sincero acreditar que ainda que sejamos nada mais que pó, podemos ser felizes e brilhar, sim senhores.

memê!

então lá vai:

1ª) pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª) abra-o na página 161;
3ª) procurar a 5ª frase completa;
4ª) postar essa frase em seu blog;
5ª) não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6ª) repassar para outros 5 blogs.

he was looking rueful enough now, and was seated on the side of a tombstone on which he had laid a pistol, while he was ramming home the charge of another.

in a glass darkly, sheridan le fanu. emprestado da paula :)

(eu bem que tentei pegar o guia da grécia que estava aqui, mas caiu uma explicação de horário de ônibus, achei sacanagem :D)

ah, gente, eu não vou indicar ninguém não. faz todo mundo aí que estiver com vontade e deixa um recado pra eu ir lá ver, vá? :)

outubro 20, 2007

call me bitch

eu preciso desabafar: odeio supermercado! odeio odeio odeio. o único supermercado que eu aceito ir é o pão de açúcar, e não me importo nem um pouco de pagar às vezes 3 vezes mais caro pelas mesmas coisas. pelo menos lá eu me sinto num ambiente minimamente civilizado.

por que supermercados são tão hostis, barulhentos, irritantes?

hoje me prometi que não vou mais a outros supermercados, pronto. parei num desses grandes mercados pra comprar coisinhas faltantes aqui em casa e passei raiva, muita. gastei boa parte da minha energia tentando ignorar um cara gritando promoções pelo microfone em volume ensurdecedor, enquanto desviava das crianças mal-educadas que gritam e correm, dos velhinhos de 200 anos que param no meio do corredor e das 200 moças com calças da gang com os pentelhos aparecendo e barriga de fora.

podem me chamar de esnobe, metida, chata, arrogante, eu não ligo. nesses lugares horrorosos eu não encontro meus queijos franceses e manteiga president com sal em grãos, jesus, e só encontrava margarina vigor enquanto esbarrava nos montes de moças de escova progressiva malfeita. SOCORRO! azeitona espanhola? não tem. pães bonitos e deliciosos? menos ainda.

e a fila pra pagar? sério, eu demorei quase 1 hora pra conseguir passar no caixa! se não estivesse realmente precisando das coisas eu tinha desistido. e as pessoas levam aquelas ofertas de outros lugares, pra pedir desconto, ahhhhh...! a infeliz da caixa tem que cadastrar o desconto item por item e o processo fica ainda mais lento.

não fosse tudo isso, naquelas prateleiras da fila só tem revistas xexelentas de fofoca de celebridade pra comprar, não dá nem pra se distrair. quando finalmente chegou minha vez de começar a colocar as compras na esteira, derrubei um vidrinho de essência de baunilha,que caiu no pé (juro) de um cara atrás de mim na fila, tinha uns 40 anos. entre eu e meu vidrinho havia um carrinho cheio, o que complicava bastante ir lá buscar. sabe o que ele fez? olhou o vidrinho e ignorou. tipo: ela que pegue, foda-se. só gente fina e educada no local, uma maravilha.

pois me prometi o seguinte: ou compro pela internet ou no pão de açúcar, chega! além de tudo isso, não tinha pepino orgânico e nem aquelas torradas de metadinhas de pão que vêm num saquinho super-fofo. tenha dó!

**

fiz uma pequena cirurgia na boca e tive que ficar 2 dias só tomando líquidos frios ou gelados. sorvete era altamente recomendado, e meu amado, empolgado, comprou meia dúzia de potes de sorvete. o problema é que eu não gosto de sorvete. é, pode me apedrejar, mas não gosto. não é que eu deteste ou não coma, até como, mas não gosto, não. há exceções -- qualquer um da mil frutas, chocolate amargo e pistache, que eu chego a gostar -- mas de forma geral eu dispenso.

consegui me livrar do sorvete tomando iogurte, suco, vitamina e sopa fria. e agora tenho litros e litros de sorvete atravancando meu freezer e tive que fazer milagre pra incluir todas as maravilhosas carnes que comprei.

acho que vou doar sorvete pro garagista aqui do prédio, na calada da noite...

**

comprei forminhas de silicone lin-das pra fazer bolinhos em casa. confeitos, muitos, e é claro, velinhas. agora só falta março chegar :D e foi deprimente ver o pacote de velinhas (daquelas compridinhas, coloridas) de 24 velas e ter que comprar 2, senão não dá pro meu número de anos... *sigh*

**

minha habilitação venceu em 2005 e eu simplesmente não renovei porque estava com excesso de pontuação. esse ano dei um basta e resolvi resolver o problema: algumas centenas de reais e uma prova besta depois, eis que estou habilitada novamente e voltando a dirigir. bem, quase...

descobri que estou com medo e insegura para dirigir pela cidade, e além destes sentimentos não serem muitos comuns em mim, eu os abomino. portanto, está sendo uma provação a cada esquina. além de tudo, mudamos de carro neste período, e o atual carro é muito maior que o outro, completamente diferente do que estou acostumada a dirigir. me sinto uma formiga dirigindo um caminhão, um pavor.

mas no estacionamento do maldito supermercado, depois de estacionar (ufa) e fechar o carro, veio uma mistura de sensações: poder, independência, sei lá. como se eu fosse dona do meu nariz e pudesse me virar sozinha, sabe? nestes mais de dois anos sem dirigir eu usei motoristas (táxi ou marido), estive sempre sendo conduzida por alguém.

acho que uma parte dessa sensação também se deve à ausência do marido, viajando a trabalho e fora por quase uma semana (o que é bem raro). como a gente se acostuma a ser mimada e protegida, não? hoje me senti um pouco mais "adulta" estacionando o carro e comprando as coisas da casa sozinha.

como é bom reparar nestas pequenas coisas e se espantar com elas, por mais bobas que sejam; faz a gente se sentir mais vivo.

outubro 21, 2007

everybody hurts sometimes

**

gostei desse artigo indicado pelo polzonoff: i think you're fat. o autor pratica a proposta de radical honesty (honestidade radical), entrevista o "dono" da idéia e conta o que aconteceu.

acho a proposta de ser radicalmente honesto uma bobagem, simplesmente porque não é prático: além de dar um trabalho danado (emocionalmente falando), é preciso lidar com as conseqüências.

mas não me entendam mal: acredito que a conseqüência de dizer a verdade nua e crua é positiva no sentido de crescimento humano, digamos. em outras palavras, o confronto nos faz pessoas melhores, faz crescer e transforma os relacionamentos em algo mais sólido.

a pergunta é: eu quero aproveitar todas as oportunidades para crescer e ser uma pessoa melhor? estou a fim de dedicar esforço e elevar o nível da minha comunicação o tempo todo, em todas as interações? não, pelo amor de deus!

o artigo me fez pensar. eu gosto de ser sincera e acredito que dizer a verdade é importante, mesmo que seja inconveniente às vezes (em linha com a proposta de honestidade radical), mas... ser sincero é arriscado, porque normalmente abre a porta para a sinceridade do outro.

você já experimentou ser 100% sincero com alguém, sem a preocupação de ferir sentimentos? eu já, e a resposta é difícil de engolir. sabe aquele ditado "quem fala o que quer ouve o que não quer"? é por aí: ao abrir seu coração pra alguém, esteja preparado para ouvir o que o outro tem a dizer. é quase como uma regra natural tácita: você me diz a verdade e eu sou obrigado a dizer a verdade em resposta.

ouvir a verdade geralmente é uma merda, mas tem um benefício: faz com que a gente possa se colocar em perspectiva e tentar melhorar. e aí é que pega: quem quer melhorar, não é mesmo? muito mais fácil é reclamar do mundo, da vida, dos outros, ver tão claramente como todos estão errados enquanto nós estamos certos ou temos as melhores das intenções.

sempre desconfio de pessoas políticas ou polidas demais: geralmente são babacas que se acham o máximo escondidos sob a maquiagem de pessoas legais, modestas e fofas. e que não querem melhorar, até porque se consideram ótimas e perfeitas. pessoas extremamente simpáticas, no fundo, são arrogantes disfarçados. talvez por isso eu prefira o arrogante declarado, em geral mais disposto a ser alguém ainda melhor.

mas voltando ao que eu dizia: mesmo sabendo que ser mais sincera de forma geral seria bom pra todo mundo, inclusive pra mim (depois de digerir as respostas, é claro), não estou disposta a gastar tanta energia assim nisso.

por outro lado, fiquei ainda mais animada em ser sincera com aqueles com os quais me importo de verdade. com estes vale a pena atravessar o processo de confrontamento, negociação e reaproximação.

é, estou me propondo uma honestidade radical seletiva :) porque eu realmente não acredito em nenhum tipo de radicalização, mas creio nos relacionamentos como a melhor forma de crescimento individual. mesmo que machuque, às vezes.

outubro 24, 2007

tipo assim...

... existe a chance de eu estar com uma maravilhosa hepatite medicamentosa. não me pergunte o que isso significa, não tenho idéia, eu repito o que a médica diz.

(sim, há chance de ser algo diferente e pior, não se sabe, mas eu prefiro acreditar na opção mais simples)

hepatite ou não, fato é que minhas funções gástricas estão extremamente comprometidas e eu prometo não entrar em detalhes porque não é nem um pouco bonito nem divertido.

vou resumir e encerrar o assunto: não consigo comer e quando insisto a comida não se mantém dentro da minha pessoa por muito tempo. se como uma torrada me sinto como a jibóia que comeu o elefante...

continuo trabalhando sim senhores, mas em casa somente, por motivos, hm, logísticos.

façam orações para todos os santos que curam, não só por mim mas pela humanidade, porque eu sem apetite e sem poder comer é certamente o início do apocalipse.

outubro 25, 2007

flamenco em são paulo

LunaresTrianaFlamencaSP.jpg
(clique para ver maior)

se o espírito da jibóia largar de mim, vou estar lá no shopping eldorado domingo prestigiando a lunares. estejam lá :)

outubro 26, 2007

agora sim ficou bom!

sabem que a fal faz a interpretação das novelas pra nosso deleite, né?

pois agora ela faz isso aqui, e com freqüência. quem precisa de TV? :)

grécia, dia 9: em trânsito

este foi o dia de sair de santorini, de barco, voltar a atenas, alugar o carro e ir adiante. é um bom momento para falar da experiências com o sistema aquaviário da grécia...


catamarã highspeed

este é um barco nota 10, você mal percebe que está no mar, é incrível. balança pouquíssimo (imperceptível) apesar da velocidade enorme. absolutamente confortável e quase sem contratempos. mas já volto pra esse pedaço, preciso contar outra história antes:

o trecho creta-santorini, por outro lado, foi uma experiência bem diferente. é outro tipo de catamarã, bem menor, numa viagem de mais de 4 horas. o barco foi lotado, com cadeiras como de avião, e com aquelas fileiras centrais de 5 pessoas. fomos numa dessa, eu espremida entre o fer e um inglês grandão e simpático. acho que foram as 4 horas mais bizarras da minha vida, e explico o porquê.

todos sentados, tripulação mal-educada (e sinto dizer que a maior parte dos que lidam com turistas são toscos por lá. rola um mau-humor generalizado), empurrando a galera pros lugares. o barco sai e em 5 minutos desenvolve uma velocidade absurda e quica na água loucamente. juro: o barco sai da água e cai (é um barcão!), balançando de um jeito que nunca vi. não é possível ficar de pé sem se segurar como numa montanha-russa. 7 minutos depois as pessoas começam a passar mal e os tripulantes começam a distribuir saquinhos de vômito. eu percebo que vai fuder, porque o fer não se sente bem (mas tomou dramin, portanto é improvável que vomite) mas o inglês do meu lado está 100% verde.

em 10 minutos 10% das pessoas no barco já tinham começado a vomitar. nos saquinhos, ao nosso redor, no chão, onde dava. nos próximos 30 minutos posso dizer que 40% das pessoas estavam vomitando (ou) quase vomitando (ou) tentando não vomitar (ou) passando muito mal. e quando um vomita do seu lado, rola uma empatia, vocês sabem.

eu não sabia se ria ou chorava, porque estava parecendo filme do monty phyton. eu não vomitei nem fiquei abalada, apesar do inglês ter vomitado (a 30cm de mim) umas 4 vezes, com barulhos dignos de filme B.

(tipo: UAAAAAHHHHHHGGGGGG, UUUUUGGGGGG, AAAAAHHHHHHGGGG)

os tripulantes, desesperados, "trocavam" os saquinhos (cheios por vazios) e corriam pelos corredores com esfregões para manter o local minimamente habitável. eu expliquei que é tudo fechado? e que havia somente 2 banheiros? pois agora já sabem. eu, que estava com ódio da falta de educação da tripulação, tive um momento de compaixão (mas durou pouco).

mas voltemos ao catamarã enorme e bom no qual fomos de santorini a atenas: não balançou, não teve saquinhos e até conseguimos tomar um lanche. não fosse uma família de turcos mais imundos que porcos de chiqueiro que se acomodou a alguns metros de nós, a viagem teria sido perfeita. os turcos eram nojentos, não sei nem como explicar. sujos, engordurados, com roupas rasgadas e muito folgados. e com dinheiro, pois viajaram na classe executiva e gastaram uns bons euros de refrigerante, comida e afins. quantos euros deve custar pra tomar banho, não? que horror.

e eu, a louca, olhava pra eles horrorizada e só conseguia pensar que antes de mim podia ter sentado uma criatura daquele naipe naquela-mesma-poltrona. o pavor tomou conta de mim e tive que improvisar com um saco de papel pardo a respiração do pânico. inspira-segura-expira.

**

em atenas o calor era de 40 graus, sol na cabeça e mochila nas costas. pegamos o metrô (muito bom, aliás) do porto para o aeroporto, alugamos um carro e fomos para o trecho continental da viagem. nossa primeira parada foi delfos, já no início da noite.

há algumas poucas fotos desse dia, que foi basicamente viajando, lendo guia e planejando os próximos passos.

grécia, dia 10: delfos - lefkada

chegamos exaustos na noite anterior, depois de viajar de barco, andar muito de mochila, alugar o carro e pegar muitos quilômetros de estrada. não que viajar de carro seja um problema (pelo contrário!) mas vocês não têm noção do que é ser navegador com mapa em inglês e placas em grego!

bom momento pra falar do assunto: o alfabeto grego é uma vaga lembrança de infância. eu aprendi o alfabeto grego e os radicais gregos na escola primária, saibam. era comum ensinar isso na escola, na minha época de anciã :) pois quando compramos o guia, começamos a relembrar o alfabeto e aprender palavrinhas simples. mas até esse momento da viagem conhecer um pouco do idioma não tinha feito diferença nenhuma, o inglês dava pro gasto. neste trecho, fez toda a diferença, pois eu não conseguia "traduzir" as placas do alfabeto grego na velocidade adequada para ajudar o pobre que estava dirigindo.

era uma beleza... aparecia Θήβα na placa e eu lia mais ou menos assim "PN... não, isso é um fi... Fn... não, êne com perninha é i... FI..." e a placa tinha passado, é claro. volto pro guia e confiro: THIVA. ahhhhhhh, passou, passou, volta!

a sorte é que a maior parte das placas é duplicada, aparece primeiro em grego e depois em inglês. mas nem todas, e aí a casa caía. rapidamente começamos a "pegar o jeito" e traduzir mais rápido, ficamos confiantes e aí fudeu de novo: quando era em letras minúsculas a gente não sabia mais ler, é tudo bem diferente. espetacular. essas são as férias que todo mundo pediu a deus, não é? parecia um pesadelo encenado na aula de ditado da terceira série.

**

mas chegamos a delfos e, sem perceber, passamos por tebas. thiva, pois é! idiotas completos. o guia nos deu certo alento: não restou nada da antiga cidade, só o que perdemos foi o local onde supostamente édipo mata seu pai, laio (entre tebas e delfos). voltamos a este lugar depois, não se preocupem, mais adiante falo disso :)

nós queríamos ficar no hotel sybilla, é claro, mas estava lotado. ficamos numa pensão, que -- adivinhem? -- não tinha água quente. era tarde da noite, estávamos mortos e a temperatura permitia um banho frio, então deixamos pra lá e encaramos de novo o problema de água quente de mais um hotel de 45 euros. paciência.

**

era domingo quando acordamos, e dia de eleição. surpresa: o museu e o sítio arqueológico do oráculo de delfos, com o templo de apolo e tal, não abria nesse dia. (coloque aqui aquelas músicas de palhaço: póim-óim-óim-óim-óooooim...)

decidimos então ir para o nosso próximo destino, lefkada, e voltar a delfos na volta para atenas. nem morta eu ia deixar de visitar o oráculo de delfos!

delfos fica no continente, do lado de "dentro" e há um golfo entre o continente e corintos, no peloponeso. seguimos a estrada que costeia o golfo, com uma vista espetacular do mar muito azul e das encostas secas, cheias de oliveiras.

as fotos desse trecho valem a pena ser vistas, é uma paisagem muito bonita. no final dessa costa há uma ponte imensa, moderna, que liga o continente ao peloponeso.

chegamos a lefkada no final do dia e encontramos um lugar ótimo para ficar: uma escola de kitesurf, que aluga apartamentos e tem um bar lindíssimo, na beira da praia. a decoração é toda de madeira, com louge music tocando o tempo todo e comida nota 10. neste lugar delicioso assistimos ao pôr-do-sol ouvindo música e tomando cola-light...


quem quer outra vida? :)

outubro 27, 2007

grécia, dia 11: lefkada

as fotos e descrições não nos prepararam para a maravilha que é esta ilha. ela fica na costa oeste da grécia e não precisa de barco para atravessar, há acesso por terra. é um dos locais mais famosos do mundo para praticar esportes náuticos que dependem de vento e tem a cor de mar mais impressionante que já vi.

não bastasse a beleza do local, as pessoas são simpáticas e a comida é ótima. espero que as fotos dêem pelo menos uma idéia do que é este lugar incrível.


agios nikita


kavalikefta, estonteante


porto katsiki e as águas mais cristalinas


o farol da ilha

demos a volta na ilha toda, parando nas praias para tomar um banho de mar e curtir um pouco o sol. no final do dia paramos para almoçar/jantar e comemos (adivinha?) uma maravilhosa salada grega. vejam se não dá fome:

e pra terminar o dia, assistimos ao pôr-do-sol, no mar, como convém :)

veja todas as fotos aqui, mas saiba que elas não dão idéia do quão linda é lefkada.

outubro 29, 2007

recadinhos

primeiro: eu melhorei! a hepatite sumiu, com a graça dos anjos, tão rápido quanto apareceu. os exames mostraram que estou em perfeito estado de saúde (a menos do meu colesterol bom, que está no limite do baixo, indicando que eu devo fazer exercícios com urgência -- abafa!), o que me leva a algumas conclusões que não são mutuamente excludentes:

(a) tive um piripaque, uma frescurite, um ataque de shoshota (pra evitar a palavra correta, que iria piorar ainda mais a indexação deste velho blog) (chance 89%)
(b) comi merda (chance 98%)
(c) engoli sapo e meu corpinho gritou (chance 100%)
(d) peguei um vírus bizarro (chance 60%)

mas tudo bem: depois de botar muitos quilos e litros de coisa pra fora, passou. próoooximo!

**

segundo: gastei muitas dezenas de reais em gibis do lobo e livros de dragonlance na devir, aqui do ladinho de casa. evitem esse lugar do capeta a qualquer custo.

ficar doente é uma ótima desculpa pra comprar gibis, vocês sabem...

**

terceiro: estou publicando as fotos da viagem, finalmente. hoje adicionei algumas do oráculo de dodona (anterior ao de delfos) e na seqüência vem meteora (onde ficam os mosteiros no alto das montanhas de pedra), ambos imperdíveis.

**

quarto: descobri que embora eu adore filmes de terror (ou seja, gosto de passar medo) eu tenho muito medo de vanilla sky. não posso ver a cameron diaz que quero mudar de canal, juro por deus!

outubro 31, 2007

como lidar com a adversidade

assisti ontem um programa hilário-horrível sobre churrascos de amigos. no caso era churrasco dos amigos de infância do marido e todas aquelas coisas péssimas que acontecem nesse tipo de ocasião: amigos bêbados, machistas (às vezes as 2 coisas) e com mania de brincadeiras idiotas; mulheres cafonas que adoram show do chiclete com banana e que provavelmente seu marido já apalpou; carne dura e pouca; música de merda e histórias constrangedoras.

por essas e outras é que eu não vou a festa de colegas de faculdade nem de amigos de infância. tenho medo de me ver frente a frente com meu próprio passado e perceber que não resta nada daquilo que já fui.

porque é importante admitir: por mais que se creia que a mudança é para melhor, o que de bom poderá ter sido perdido nessa mudança de rota? será que eu seria mais feliz gostando da música da ivete sangalo?

**

tenho dificuldade com muitas coisas na vida, mas tem uma que quase me tira do sério: pessoas que se dão o direito de serem desagradáveis porque desta forma se sentem mais protegidas. provavelmente esse tipo me incomoda porque eu tendo a ser assim, então posso explicar melhor: com medo de ser agredida, eu ataco primeiro. pros que são de ditado, faço parte do do time cujo lema é "o ataque é a melhor defesa".

cada vez que vejo alguém subindo nas tamancas (reais ou virtuais) e despejando verdades e constatações a respeito do mundo, olho um pouco melhor pra mim mesma e suspiro irritada; não são as supostas verdades que me incomodam, é o espelho. me sinto ridícula quando vejo o meu comportamento reprovável através da atuação de outros personagens.

e prometo, não pela última vez, que não serei mais desagradável só pra me proteger ou parecer espertinha.

(ilusão pura, já que cada vez que não consigo lidar com o mundo eu chuto ele na cane