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novembro 2007 Archives

novembro 2, 2007

memê dele

último livro comprado...
... uma trilogia: dragons of a new age.

estou lendo agora...
... a trilogia acima, in a glass darkly e um montão de gibis.

número de livros que eu tenho...
... nossa! não tenho idéia. vou contar :)

update: o fer contou! são 490 livros + quadrinhos de capa dura. só livros são 375.

três livros que significam muito para mim...
...laços de família, clarice lispector
perdi a conta de quantas vezes reli esse livro, e não canso jamais. cada vez que volto a ele fico emocionada e espantada, é definitivamente o livro que gostaria de ter escrito.

...memórias póstumas de brás cubas, machado de assis
não sei o que me agrada mais nesse livro: o (mau) humor ou o diálogo constante com a natureza. um pouco do que sou vem dessa fonte.

...grande sertão: veredas, guimarães rosa
esse livro é um mundo, me perco toda vez que resolvo explorá-lo (volto a ele com freqüência, nem que seja pra ler trechinhos). ele contribuiu com meu estilo, vocabulário e (acho) no modo de desenvolver idéias. não sei se faz sentido, mas é o mais próximo que a prosa chega da poesia, na minha opinião.

últimos filmes que vi...
... acabei de ver transformers (super-divertido) :)

filmes que significam muito para mim...
... asas do desejo: um anjo se encanta por uma humana e quer ser mortal. a humana em questão é uma trapezista e a história se passa em berlim, enquanto os anjos observam a vida sentados nos ombros da estátua da vitória. como não se encantar com uma história assim? :)

... big fish: há um pai sonhador e que enxerga o mundo de um jeito inusitado e um filho pé-no-chão, que enxerga pouco além do próprio nariz. não bastasse o pai do filme ser igual ao meu próprio pai, também eu faço parte dos que vêem a vida com olhos de sonho. um filme que me fez chorar por muitas semanas.

... nosferatu + a sombra do vampiro: a história do vampiro e a história da história. filmes de terror de forma geral me encantam, mas esse nosferatu de murnau é assustador, doce e às vezes até poético (a cena da sombra da mão do vampiro no peito da mocinha, ah!). o outro filme é um filme sobre este filme, trazendo para a história uma outra dimensão sobre a arte, o artista e a vida. ambos adoráveis.

... um dia, um gato: ah, o gato mágico! e os sentimentos das pessoas aparecendo em cores, entregando os apaixonados, invejosos, falsos... maravilhoso!

último “cd” que eu comprei...
... frank, amy winehouse

música que está ouvindo agora...
... nenhuma. estou aqui escrevendo com a TV em "mute"

três músicas que significaram muito pra mim...
... ainda significam :)

'round midnight, miles davis
lola, chico buarque
requiem de mozart

(complementando...)

bebida favorita

nenhuma dúvida: água (sem gelo, sem gás, purinha)

entidade favorita

afe... entidade de macumba? ou organizacional? :D

se for de macumba, é xangô meu pai; se for organizacional, nenhuma!

férias favoritas

as que virão ou as que foram? perguntas subjetivas...

as que foram eu não sei escolher. a última (grécia) foi boa, a penúltima (jalapão) também, a do ano passado (chile) idem... eu amei quase todas as minhas férias (acho que só tem 1 exceção!) :)

e as que serão: grand canyon, atacama, rússia, sei lá... vai ser tudo bom, porque decidi que não tem mais espaço na minha vida pra programa de índio e/ou coisa chata. pra mim, só o melhor!

vício favorito

videogame e TV. amo os dois :)

novembro 6, 2007

um update rápido

o feriado foi o seguinte:

1) filmes, vários. nem lembro mais quais, meus neurônios se foram
2) PS2, claro
3) arrumação de todos os livros e quadrinhos da casa. to-dos. o fer inclusive catalogou alguns com um super-mega software (free!) que nos deixou apaixonados! a parte mais difícil foi organizar alfabeticamente. sou só eu que tenho que começar o alfabeto SEMPRE do zero pra conseguir descobrir a próxima letra? *vexame*
4) almoço bom no ganesh

e curtir a chuva, o friozinho e olhar pela janela. logo que a chapa esfriar eu coloco umas fotos novas e o conto o restante da viagem.

novembro 10, 2007

ao redor


as coisas mais lindas da casa: pretinha e a batedeira :)


são quase dois anos morando aqui e não me canso do pôr-do-sol visto da janela da cozinha

a janela da sala não é de todo má:

o sol das 7 da manhã num dia cinza

e a tempestade

novembro 12, 2007

mistérios linguísticos

sou só eu que acho isso o máximo? será que o "octo" é porque o símbolo tem oito pontinhas? e o thorpe? amei!

**

octothorpe \AHK-tuh-thorp\ noun
: the symbol #

example sentence:
barry noticed the pound sign on the telephone and remarked about how much the octothorpe resembled a tic-tac-toe grid.

**

diretamente do word of the day.

novembro 13, 2007

sal grosso

não quero ser repetitiva, mas estou no 5o dia de uma crise de sinusite a-ni-mal. semana com muito stress e ar-condicionado em torno de 16 graus o dia todo, não podia dar em outra coisa...

ei, um momento, por favor: passar raiva me dá hepatite e 1 semana de stress me dá sinusite... o que vem mais por aí? se alguém me contrariar eu desenvolvo umas pipocas pelo corpo e se mais um furão morrer eu tenho úlcera, vai ser algo assim!

o que me leva à conclusão de que preciso me cuidar. estou suscetível a vírus, excessos, bactérias e principalmente vampiros. você não acredita em vampiros, eu sei, mas eles existem e têm me deixado fraquinha, fraquinha.

já tenho algumas coisas em mente para me proteger um pouco, mas quaisquer dicas são bem-vindas, então mandem suas mandingas, simpatias e recomendações para se proteger contra o que der e vier.

enquanto isso, boas vibrações :)


santorini, set/2007

com vocês, opiniões inúteis!

há tempos estou pra fazer essa lista ou, na verdade, um par de listas. porque adoro séries de TV, confesso; mas tem algumas que eu abomino e qual é a graça de odiar as coisas se a gente não compartilha com as pessoas, não é?

então vamos às minhas listas, com explicação.

as 5 6 séries que eu mais amo

law and order, SVU: gosto das histórias, é claro, e do esquemão mistério + policiais que se envolvem com os crimes :) e tem a dupla mais linda de todas as séries, mariska e chris melloni.

CSI las vegas: que geek resiste a essa série? ciência, mistério e um mentor charmosíssimo e com TOC! perfeito :)

house: adoro o processo de diagnóstico e não sei se amo ou odeio o dr house. o que eu sei é que adoro cada episódio, porque nunca sei se naquele dia vou amá-lo ou odiá-lo. ou os dois.

medium: amo a patricia arquette desde sempre e acho que amo mais depois que ela se transformou numa espécie de símbolo de mulher com corpo normal (apesar dos equívocos na escolha dos figurinos, é verdade). acho uma delícia as histórias de fantasma e a-do-ro o relacionamento dela com o marido (que, aliás, é o máximo)

grey's anatomy: fiquei na dúvida se essa não devia ser incluída na lista de baixo também, porque apesar de adorar a série eu odeio a protagonista e aquele george bicho-de-goiaba. não entendo o que a callie vê naquele idiota (olha a louca discutindo a série, deus!)... bem, eu gosto das histórias e já chorei várias vezes no final dos episódios. vale a pena, apesar dos 2 sem-gracinha.

ai, só mais uma: supernatural. com estes dois irmãos lindos e mais um monte de demônios pra exterminar, precisa explicar por que essa série é sensacional?

as 4 séries que eu mais odeio

sex and the city: basicamente são 4 carentes profissionais que se dizem independentes, modernas e sexualmente liberadas e só querem, no fundo, casar de véu e grinalda e trocar fralda de criança, como qualquer mocinha de fazenda. completas idiotas. e caretas, aliás, caretésimas. qualquer coisa que não seja sexo feijão-com-arroz, pra elas é um acontecimento intergaláctico e que merece análise em grupo e discussão aprofundada. jesus.

gilmore girls: antes de me apedrejar, escute (porque eu sei que 9 entre 10 pessoas amam essa série) - os diálogos são inverossímeis, pessoal. eu não consigo assistir 1 minuto dessa série sem pensar "nossa, que trabalho o roteirista deve ter tido pra TODAS as frases soarem espirituosas, inteligentes, rápidas e etc e tal". desculpaí, gente, eu não consigo achar graça em roteiro que pressupõe que eu sou idiota e vou engolir aqueles diálogos super-mega-preparados. tenham dó.

friends: não me identifico com nenhum deles, acho as piadas chatinhas e de certa forma me irrita um grupo de pessoas ser tão grudadinho. me dá uma sensação de claustrofobia, deus me livre. já vivi essa situação de "cercada de amigos por todos os lados todas as horas do dia" e é um horror, acreditem. quando vejo essa série tenho vontade de dizer "vocês não têm suas próprias casas, não? vão ler um livro, ficar sozinhos um pouco, hein?"

seinfeld: ai, essa eu não sei nem o que dizer. eu devo ter algum problema, porque acho 100% sem graça, eu simplesmente não acho nenhuma graça. acho as piadas idiotas, detesto aquela elaine (o que é aquele cabelo?!), detesto aquele vizinho retardado (O QUE É AQUELE CABELO?) e eu vou parar de falar dos personagens porque todos têm cabelos deploráveis. eca!

**

update: só pra esclarecer, eu amo mais um monte de séries, e acho que não odeio mais nenhuma. adoro the l word, heroes, monk e outras dessas de detetive. cold case eu acho do caralho, aquele final tocando música e fechando o episódio é muito massa (apesar daquele cabelo da detetive loura...).

e percebi que tenho birra de séries com risadas ao fundo (sabem do que eu tou falando?), acho todas ridículas. algumas ainda têm piadas com as quais me divirto (two and a half men, according to jim) mas ainda assim resisto um pouco.

o modelinho frases de efeito + piadas engenhocadas + diálogos "inteligentes" me incomoda.

novembro 17, 2007

sai tentação!

tou aqui há 1 semana resistindo bravamente, alguém precisa me arranjar uma novidade *rápido* pra eu esquecer a última que me deixou de queixo caído. sem entrar em detalhes (resistindo, resistindo), vi umas fotos por aí que me fizeram rir até chorar (o puro horror!) e me senti feliz e aliviada por ter tomado outro rumo na vida há mais ou menos 4 anos.

saber que você tomou a decisão certa não tem preço; rir da cafonice alheia também não :)

(e paro por aqui, senão vou acabar falando o que não devo :D)

dica

para os que gostam de dicionários, uma descoberta nova!

eu costumo usar o merrian-webster, mas por não achar a expressão "busted out" por lá acabei descobrindo um novo dicionário online: urban dictionary. tem expressões do dia a dia e gírias, é simples e usar e tem exemplos. cool :)

novembro 19, 2007

na velocidade da luz

mudanças à vista, muitas. but don't ask (not yet).

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de uma vez por todas decidi não ler mais alguns blogs. porque lê-los me faz odiar e desprezar as pessoas que os escrevem, e tudo que eu não quero na vida é odiar e desprezar ninguém. mesmo quem merece.

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vocês podem não ter reparado, mas eu conto: estou introspectiva e entocada. não tem feito parte dos meus últimos meses sair de casa, freqüentar locais e casas (mesmo quando convidada) e muito menos procurar amigos e/ou conhecidos. não é o caso de ser anti-social, mas estou precisando de espaço pra pensar e principalmente espaço para o silêncio.

eu, que sempre fui tagarela, aprendo cada vez mais a ouvir e, como conseqüência, me incomodo com quem fala demais. especialmente quando a essência é pouca. entendam: mesmo para trivialidades como fofoca é importante ser objetivo; cansei, definitivamente, dos prolixos.

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e falando em falar demais, vejam a super-dica hilária da beth:

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atualizei meu perfil no linkedin, depois de anos (literalmente, estou lá há pelo menos 3 anos) tentando ajustar os dados, fotos, etc. só funcionou depois de adotar o firefox, acreditam? bem, quem quiser saber mais do meu perfil profissional, é lá o lugar. e quem já trabalhou comigo e quiser recomendar, sinta-se à vontade :)

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sei lá quantos filmes vi nas últimas semanas, mas preciso compartilhar dois deles que me balançaram:

28 weeks later (extermínio 2): seqüência do ótimo 28 days later, esse filme funciona bem independente do primeiro. ele mantém a mesma estética e tem uma história muito interessante, embora menos assustadora (pelo menos pra quem já viu o primeiro). recomendo para os fãs de terror e zumbis :)

the prestige (o grande truque): caramba, que história! além dos atores liiindos, tem uma canjinha da scarlett johansson, sempre maravilhosa. o filme é uma disputa - que extrapola o campo dos truques - entre dois grandes mágicos contemporâneos. e mais não conto, porque perde a graça! vejam.

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fomos ontem a um lugar sensacional: bar do peixe. apesar da minha aversão profunda a lugares com mais de 4 pessoas, xóvens que falam alto e a fumantes de forma geral (no-jo!), fui feliz por lá. só cervejas daquelas boas e porções de peixe generosas, além da coisa mais importante de todas: caranguejo, feito à moda do nordeste. pra comer com martelinho, como se deve!

ahhh, não sei o que foi maior: o prazer de comer cada pedacinho daquela carninha branca e deliciosa ou a culpa mega-monstra antes, durante e depois de devorar aquele serzinho simpático que é o senhor caranguejo. minha cota de karma negativo está atingindo limites inalcançáveis. acho que jamais conseguirei balancear esse saldo, vou entregar pra deus... ops, pro diabo.

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saiu a edição mais nova de um dos meus livros de não-ficção preferidos: o gene egoísta. pra quem não leu, leia; vale a pena, mesmo que você discorde.

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e falando em discordar, um desabafo rápido: entendo quem desqualifica ou tenta diminuir as pessoas com idéias diferentes das suas pra conseguir mais força para o seu argumento, afinal eu também sou humana e caio nessa tentação.

creio firmemente que lançar mão desse tipo de artifício depõe contra a inteligência da pessoa, ou contra seus princípios; mais freqüentemente contra as duas coisas.

exatamente por isso procuro ser vigilante: se não posso ser sempre brilhante, tento pelo menos ser digna a maior parte do tempo.

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tem quem odeie essa época aqui em são paulo, mas eu amo: chuvas, tempestades, raios, trovões e um céu cinza e pesado que parece de filme de terror. poucas coisas na vida são tão lindas quanto água caindo do céu. e as gotas batendo na janela, no meio da noite... melhor que música!

**

eu ia escrever sobre o milagre do silêncio durante uma experiência de surdez temporária (aqueles pousos e decolagens de viagens curtas, vocês sabem), mas já falei demais por hoje. fica para o próximo post :)

confissões embaraçosas

eu a-mo a musiquinha pop big girls don't cry. pronto, falei.

e revejo o clipe mil vezes, tentando ignorar o chapéu + cintura alta + suspensório da fergie, é claro. pra ver mais uma vezinha aquela coisa espetacularmente tesuda que é o milo ventimiglia tatuado e com cara de mau eu faço qualquer sacrifício...

novembro 20, 2007

de volta ao começo

e o menino com o brilho do sol
na menina dos olhos
sorri e estende a mão
entregando o seu coração
e eu entrego o meu coração

e eu entro na roda
e canto as antigas cantigas
de amigo irmão
as canções de amanhecer
lumiar e escuridão

e é como se eu despertasse de um sonho
que não me deixou viver
e a vida explodisse em meu peito
com as cores que eu não sonhei
e é como se eu descobrisse que a força
esteve o tempo todo em mim

e é como se então de repente eu chegasse
ao fundo do fim

de volta ao começo.
(gonzaguinha)

**

ouça aqui.

novembro 21, 2007

grécia, dia 12: lefkada - meteora

esse foi um dia passado no carro, praticamente. pra nós, que adoramos estrada, foi maravilhoso. fomos da costa oeste da grécia para a parte central, no meio das montanhas. descobrimos, aliás, que há várias estações de esqui na região montanhosa para a qual nos dirigimos, a tessália.

curiosidade: minha bisavó por parte de pai se chamava thessalia, um nome que eu aliás adoro.

antes de sair de lefkada, visitamos a fortaleza agia mavra, que "guarda" a entrada da cidade. é interessante, mas muito menos cuidado que outros sítios arqueológicos que vimos na viagem.

antes de enfrentar as montanhas, decidimos parar num local pouco visitado porém muito impactante: dodona, o mais antigo dos oráculos gregos.

além de estar situado num local espetacular - que justifica inclusive a escolha de zeus em se manifestar naquela árvore específica :) - o sítio arqueológico tem um teatro muito bem preservado e informações históricas preciosas espalhadas pelo caminho.

segundo conta a história, esse foi o oráculo mais importante da grécia (e do mundo) por muitos séculos, iniciando suas operações por volta do século VI antes de cristo. a deusa gaia era então cultuada, zeus e os demais deuses do olimpo vieram bem depois, incorporando as culturas mais antigas. uma coisa muito legal deste museu ao ar livre é que há mapas indicando, com cores, o que é de cada época, então você pode ver o efeito das invasões culturais transformando o que antes era o templo de gaia em tempo de afrodite, por exemplo.

fizemos nossas orações a zeus e continuamos nossa viagem pelas montanhas.

as paisagens da estrada são maravilhosas: passamos por serras, estradas sinuosas e cidades minúsculas com suas igrejinhas impecáveis. a grécia de verdade é bem diferente de santorini, com aquelas casas caiadas e cúpulas azuis. a maior parte da grécia é rústica, seca e cheia de cores quentes.

num boteco no meio da estrada, em um lugar que sequer sabemos o nome, comemos a melhor refeição de toda a viagem: salada grega feita com ingredientes da horta, souvlaki simples e impecável e o melhor tzatziki do universo. os tomates mais doces, o pão mais fofo, ah!

e chegamos, no final do dia, ao nosso desejado destino, meteora. mesmo com um céu cheio de nuvens não nos decepcionamos com o visual:

e já aviso: nem esta nem as demais fotos das imensas montanhas de pedra fazem jus à beleza e espírito do local. há de fato um ar de mistério e santidade naquelas pedras imensas no meio das árvores e dos muitos tons de cinza por toda parte.

demorou mas eu cedi!

olha, eu juro que meus "ss" não são assim chiados, é tudo culpa do microfone vabagundo!

resolvi brincar de gravar minha voz e realmente falar com vocês depois que ouvi um tiquinho da fal no podcast. espero que vocês se divirtam e riam só um pouquinho da minha falta de jeito conversando com o microfone da santa ifigênia :D

prometo falar de vez em quando e alguma coisa que seja mais interessante que "oi, você vem sempre aqui?" ;)

novembro 22, 2007

vocação

demorei pra me dar conta do quanto a voz é importante. o tom, textura, volume, entonação, tudo isso diz muito sobre quem você é. ou será que não diz?

por muitos anos (pra ser precisa, até os 23) fabriquei minha voz. era bem mais grave, mais forte, impunha presença. eu usava a voz como quem usa uma roupa ou assessório, era uma forma de explicar quem eu era. não era isso não, seria mais correto dizer que minha voz ajudava a promover quem eu queria parecer ou ser.

cresci aprendendo que precisava ser independente, poderosa, forte, auto-suficiente. meu ideal de mulher era aquele da década de 70, pós queima de sutiã: cabelos esvoaçantes, roupas sexy porém masculinizadas. eu também seria uma mulher estudada, com emprego e boa grana, dona do meu nariz (ou melhor, da minha buceta) e da minha própria vida. homens? acessórios sexuais. nenhuma mulher precisa deles para viver, ser feliz ou fazer qualquer coisa.

com todo esse ideal, imagem e pressão por trás da minha formação, como poderia eu ter voz de mocinha indefesa e fofa? minha voz não condizia com o ideal traçado pra mim, portanto eu a modifiquei. simples assim.

comecei a cantar muito cedo, antes de falar, acho. meu pai conta que eu mal andava e de dentro do berço já acompanhava as músicas cantando no meu idioma particular. cantava e dançava, sozinha, até dormir. não me lembro da vida sem cantar, sem música. aos 10 anos comecei a estudar violão e com ele fui até os 18 anos, quando iniciei estudos de canto de verdade. tudo amador, entendam, nunca quis ser cantora de verdade, mas cantar era parte importante da vida.

aos 18 fui cantar em coral, uma orgulhosa contralto. voz pequena, porém afinada, uma pérola no mundo das sopranos-mulherzinhas de vozinha irritante :) rá!

mas quanto mais eu cantava, mais os professores e especialistas diziam, para meu desgosto, "querida, você não é contralto, é no máximo mezzo soprano". como assim? eu não queria cantar com vozinha de mulherzinha, não!

segui me enganando (e enganando o ouvido alheio) até que com 23 anos fui estudar canto mais a sério, com o joão malatian, que depois de 1 aula me deu a notícia: eu era soprano. ponto.

pode parecer estranho, mas minhas aulas de canto semanais se transformaram em terapia, pois toda vez era a mesma coisa: toda uma preparação e muita conversa pra que eu conseguisse aceitar a minha voz verdadeira. eu não conseguia evoluir porque queria ser quem não era, queria ser carmen e não mimi.

com o problema ainda não resolvido, fui cantar no coralusp, com a sandra espiresz. no meu teste para entrar no seu coro, ela me deu uma bronca: você é soprano, e precisa aprender a se aceitar, a aceitar sua voz. você vai cantar aqui, como contralto, e vai aprender primeiro a falar com a sua própria voz, depois a cantar com ela como soprano que é. aos poucos.

e assim foi: com as aulas semanais e a orientação dela e do fernando coutinho, minha voz mudou. ou melhor, veio a ser o que devia sempre ter sido.

minha voz é suave, doce, quentinha. como eu sou, aliás, mas disfarço bem. ou não tão bem assim, já que teve gente que mesmo sem me conhecer sempre soube como eu era :)

sei que aparento ser totalmente durona, brava, independente, mas não é verdade, e minha voz me denuncia. não é que eu não seja nada disso, até posso ser de vez em quando; mas sou muito mais frágil e doce do que gosto de admitir. ainda me protejo, mas pelo menos a voz eu assumi!

e se quiser confirmar, escute minha tentativa (enferrujada) de cantar. e a escolha da música certamente não é à toa :D

e depois de me ouvir, ouça o original, pelo amor de deus, porque minha tentativa foi risível e só pra mostrar como eu tenho voz de mulherzinha sim senhores e senhoras. sem fantasia, chico buarque, versão de 1968.

**

update: meu marido, que ouviu a gravação lá de recife, mandou dizer que essa voz não é a minha não, que esse microfone tá uma merda e eu tou toda insegura de falar em público :D em suma, essa aí não sou eu, acho (e eu sei como é minha voz de verdade? eu só me escuto do lado de dentro!). vou arranjar um microfone que presta e a gente tira a teima, pronto.

grécia, dia 13: meteora

eu já contei isso, mas repito: o nome do local vem do grego meteoros, que significa 'suspenso no ar'.

aqui você pode saber mais um pouco sobre a região e os mosteiros, vale a pena ler. em resumo, é uma região com montanhas de pedra (parecem um pouco o pão de açúcar, mas são várias juntas) que vêm sendo usadas por monges ortodoxos como retiro.

no início, os monges se instalavam nas cavernas formadas nas paredes das montanhas, é uma coisa inacreditável, espero que dê pra enxergar:

cavernas na pedra

não consigo imaginar o que era escalar até ali e se instalar. coisa de louco! com o tempo - e motivados pelas constantes invasões turcas, principalmente - os monges subiram a montanha de verdade e construíram mosteiros no topo.

o primeiro mosteiro foi construído há cerca de 600 anos e atualmente há 10 mosteiros instalados no topo das montanhas de pedra, dos quais 6 são abertos à visitação do público. destes, visitamos 4 (poderíamos ter visitado 5, que estavam abertos neste dia, mas eu não aguentei ir para o último, minhas pernas pediram água).

visitar estes locais santos não é simples, saibam vocês. primeiro porque só se sobe a pé, e são muitos, muitíssimos degraus. segundo porque há um código de vestimenta rígido, mulheres só podem entrar de vestido ou saia (compridos, claro) e homens de calça; blusas sem manga não são permitidas. aliás, em alguns deles é obrigatório o uso de manga comprida tanto para mulheres quanto para homens. sendo assim, comprei uma adorável túnica preta que me fez muito feliz esteticamente porém quase me mata de calor.

aqui vão os mosteiros que visitamos e alguns detalhes sobre eles (há fotos somente dos páteos, porque nos lugares fechados lá dentro não se pode fotografar quase nada):

nikolaou anapafsa: o primeiro que visitamos e o menor. nem por isso foi menos interessante: ele tem um ar de real santidade e retiro, um silêncio que dá gosto. dentro da capela mínima há um afresco incrível de adão nomeando os animais que é uma coisa de chorar.

varlaam: escadas sem fim. achei que nunca ia chegar, juro. este mosteiro era bem maior, e mais cheio. os afrescos são todos maravilhosos e geralmente trágicos. a maior parte conta as agruras que os homens santos passavam, coisa de filme de terror. artisticamente lindo, mas de uma violência psicopata :) a subida foi difícil, mas a vista compensa, vejam só:

vista do páteo principal

megalou meteorou: esse, como o nome diz, é o maior de todos e também o mais bonito. vimos 2 museus dentro deste mosteiro - um de aparatos da igreja (roupas, taças, bíblias, crucifixos, tudo incrivelmente antigo) e um sobre a história da grécia (incrível!) - além de várias partes do mosteiro que já não são mais usadas, só servem para mostrar como era antigamente (refeitório, cozinha, marcenaria, etc.). a capela é belíssima, com afrescos incrivelmente coloridos e cheios de ouro, um espanto.

a vida monástica

agiou stefanou: esse é um mosteiro onde moram as freiras (tem outro nome?). é organizado, tem um ar de perfeição incrível e é o de mais fácil acesso (vejam que não tem escadas):

agiou stefanou

dentro dele visitamos 2 capelas mínimas com afrescos bem diferentes dos demais: os rostos dos santos bizantinos estavam completamente destruídos, com buracos no lugar dos olhos, com as faces riscadas claramente por objetos cortantes. descobrimos então que este mosteiro foi invadido algumas vezes por turcos (eles deviam ser preguiçosos, foram pro mosteiro com menos escadas :)) que destruíram os símbolos religiosos ortodoxos.

além dos mosteiros, exploramos a estrada que liga todos eles e paramos num mirante espetacular, chamado psaropetra (é uma pedra gigante se projetando, como um platô). a vista é de tirar o fôlego:

fer fotografando

não sei nem mais o que dizer, gente: é um lugar especial. o visual é absurdo, parece outro planeta, e o espírito do lugar é de introspecção, silêncio e respeito.

muito me incomodou ver que havia por lá pessoas que não respeitam as tradições e religião alheias (falavam alto dentro das igrejas, insistiam em vestir roupas inapropriadas, etc.) mas deixei de lado. preferi aproveitar a dificuldade da subida para pensar no que quero mudar na minha vida, passar momentos únicos com a pessoa que eu amo, ficar longos minutos sentindo o vento e olhando aquela paisagem louca.

andamos juntos, apreciamos os afrescos, aprendemos história, comemos muito bem e agradecemos a oportunidade de estar vivos e tão felizes.

grécia, dia 14: termópilas

e estava chegando a hora de começar a voltar... nosso destino era delfos mas não podíamos deixar de conhecer as termópilas, palco da famosíssima batalha dos espartanos contra os persas. ou, na versão roliúdi, leônidas versus xerxes.

o guia indicava o local, mas a verdade é o tal local era no meio do nada. ou melhor: nada cortado por uma auto-estrada gigantesca. depois de muito procurar e quase desistir, paramos para perguntar e descobrimos que sim, ali mesmo, naquele pedaço cortado pela enorme estrada era o local da batalha. pois que logo adiante, na estrada, encontramos um monumento de gosto duvidoso:

monumento a leônidas

eu nem desci do carro, confesso. estava frio, chuviscando e tinha que atravessar uma auto estrada pra ver (tenho medo de atropelamento). o fer foi lá prestar sua homenagem ao rei, atendendo ao chamado da testosterona, e passou longos minutos lendo a história da batalha (você também pode ler, ele tirou foto da explicação do monumento).

fomos então dali direto para delfos, uma longa viagem. mas não sem nos perdermos (de verdade) no meio das montanhas graças a uma placa de "templo de apolo" (que não achamos). a paisagem pelo menos era linda :)

mas chegamos a delfos sãos e salvos, ainda era dia. ficamos num hotel ótimo com vista maravilhosa, andamos a pé pela cidade, à noite, fizemos uma excelente refeição e fomos dormir sonhando com o oráculo de delfos.

novembro 25, 2007

felicidade em doses homeopáticas

sexta-feira jantamos com o weno e a tati num japa do lado da casa deles e a 15 minutos da nossa casa. sensacional: barato, gostoso, divertido. mas o melhor não foi o jantar (que foi bem bom), mas a companhia. digo pra eles e digo pra quem quiser ouvir: que companhia maravilhosa são esses dois! doces, queridos, gostosos de ficar conversando horas e horas e horas sobre qualquer assunto. eu queria morar com eles :D *hahahahhahahaha*

e no fim da noite, tomando café na casa deles, vimos um vídeo que a tati desenterrou das profundezas do inferno, absolutamente hilário:

por favor, assistam! é um pastor falando que videogames são coisas do diabo, com uma série de exemplos. e um rapazinho, no canto inferior esquerdo da tela, faz a "tradução" para surdos-mudos. passei mal.

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ontem meus irmãos e eu (e todos os respectivos) fomos jantar, sortear o amigo secreto e jogar baralho na casa dos meus pais. foi só isso, e como coisas tão simples podem ser boas e divertidas, não? como é simples ser feliz e se divertir. por que a gente complica? panquecas de carne, coca-cola, família e um jogo = receita de felicidade instantânea.

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e hoje, pra completar, fui ao municipal com o leo e a sheilinha, assistir ao programa das 11 da manhã: scherazade de ravel e a sinfonia nº 5 de mahler. teatro cheio, para minha surpresa, e o concerto foi bom.

o municipal é sempre lindo, até tirei umas fotos mas não sei como saíram (se ficarem boas eu publico). mas sempre tem um "mas": 2 moços empolgados do nosso lado não conseguiram calar a boca durante a peça de mahler e me irritaram um pouco. e reparei em uma coisa que me incomoda de leve sempre que freqüento peças eruditas: ao final de todo espetáculo me sinto como numa terapia em grupo! bastou terminar, as pessoas entram em processo catártico, levantam das cadeiras, gritam BRAVO! BRAVO! mesmo que não tenha sido bravo e querem bis, como se fosse show da ivete, sabe?

hoje, por exemplo, nenhuma das duas peças foi excepcional, foi apenas bom (a soprano da primeira parte, inclusive, precisava melhorar aqueles graves com urgência, but...). por que, então, tanto alvoroço? é como se fosse obrigatório, por se tratar de repertório erudito, aplaudir de pé e demonstrar que gostou. esquisitíssimo.

mas gostei, e a companhia estava ótima. tomamos café na casa do pão de queijo antes de começar e almoçamos no sempre delicioso mestiço, ocupando a mesa por horas e horas enquanto falámos de negócios, de ciência, de amor e da vida.

ah, se todo fim de semana fosse assim... :)

novembro 27, 2007

uma mulher à frente do seu tempo!

pois dizem que é modinha fazer festa quando se separa, vejam vocês.

muito embora minha separação mais recente merecesse sim uma big-festa com direito a fogos de artifício e sacrifício humano, acabei fazendo festa foi na separação anterior (é, eu sou gente que casa, pessoal).

a festa não foi exatamente de comemoração, até porque a separação que aconteceu no distante ano 2000 não me deixou nada feliz; mas foi sim uma forma de dar boas-vindas a uma nova fase da vida, digamos que foi uma despedida de casada :)

ei, mas isso é só pra dar um alô e compartilhar o espanto com as modernidades, tá? no que me diz respeito, pretendo continuar muito bem casada, obrigada. até porque misturamos os livros todos na última arrumação, separação agora só se for por justa causa :D

novembro 29, 2007

faça alguma coisa!

eu sei que vocês já viram coisa assim, mas gastem 5 minutos e entrem na lista de protesto contra as barbaridades que são feitas na china contra os animais.

assine!

**

agora... em relação às barbaridades de colocar moças na cadeia junto com os presos, não sei se tem o que fazer, francamente. os chineses bem que podiam exportar os animais pra cá e a gente mandava os delegados/as e etcéteras pra lá, pra eles torturarem, comerem e pra fazer sabão. eu compraria sabão de delegado, político, essas coisas.

informativo do dia

eu comentei sobre os mosteiros na grécia e me perguntaram sobre a igreja ortodoxa, e encontrei essa explicação bem legal na wiki.

sobre a viagem, ainda falta incluir as fotos do último dia de passeio (o último dia mesmo foi a viagem de volta a atenas, que não tem basicamente nada pra ver), mas como são muitas fotos eu preciso ver quais vou mesmo publicar, organizar, contar a historinha, etc.

paciência um tiquinho :) enquanto isso, ferrets fofos pra vocês:


as minhas meninas, pra onde é que elas vão?

novembro 30, 2007

da série: mundo, esse lugar horrível

preciso compartilhar as maravilhas de viver numa cidade grande e cheia de gente idiota. contar essas barbaridades pra vocês me faz sentir melhor, por algum motivo estranho.

momento quinta série

xópis higienópolis (teoricamente local chique), cinema, quarta-feira à noite, filme de terror. havia esperança dos imbecis não estarem lá, mas eles estavam, é claro. tá tudo dominado.

trio tremendão: um trintão careca e duas trintonas loiras falsas (com escova progressiva, claro, porque hoje em dia ninguém mais tem cabelo normal em são paulo). sacos de pipoca do tamanho da caixa da nossa TV de 50 polegadas, coca-cola, aquela coisa.

o filme começa, eles ficam de ti-ti-ti. prometo pra mim mesma que dessa vez não vou brigar. mas o telefone da loira-2 toca, e ela obviamente atende. eu xingo, claro, ela desliga e finge que não foi com ela. daqui a pouco a mesma pessoa continua tagarelando com a loira-1 e eu não me aguento. pergunto, fina: "vocês são otários sempre ou só quando entram no cinema?"

bem, a discussão durou alguns longos segundos se resumiu ao seguinte: eles dizendo que mudássemos de lugar ou que fôssemos embora, porque afinal eles precisam conversar. eu insisti no "cala a boca seus idiotas sem noção, que eu quero ver o filme", até que a loira 2 solta a pérola da noite: "vem fazer calar!"

só faltou a musiquinha de viagem no tempo, me senti de volta à quinta série e não digo isso no bom sentido. desejos assassinos passaram por mim, pude inclusive me visualizar enfiando um murro na cara feinha da loira-2.

por não desejar ser expulsa do xópis por um segurança, fiquei onde estava e consegui ver o resto do filme em silêncio (o barraco funcionou, pelo menos). apesar disso, não pude deixar de lamentar a ausência de meteoros assassinos e/ou vírus letais que eliminassem de uma vez por todas essa raça nojenta do planeta. as pessoas não têm salvação.

ah, e não vou mais ao cinema. ponto final.

jeans e camiseta, forévis

começo dizendo que acho idiota seguir tendência de moda. seja em relação a cor, estampa, modelo, qualquer coisa. primeiro porque a maior parte das tendências fica feia em todo mundo (menos na gisele b, nela tudo é aceitável). segundo porque é ridículo andar na rua e ver a fulana do lado com uma roupa idêntica à sua. terceiro porque é no mínimo esquisito gostar de coisas que estão na moda agora e que antes você não gostava. tipo: há 1 ano e meio ninguém sonharia em usar cintura alta e calça agarradinha na canela; hoje em dia todo mundo super-adora essa porra? tenha dó.

cada vez que ando por lojas eu passo mal: as vitrines de xópis estão de matar do coração qualquer pessoa sensata! bem, se você tiver 7 ou 8 anos talvez algumas coisas sejam apetitosas. mas só nesse caso.

as bolsas parecem restos de roupas de astronauta de filme B: engruvinhadas, feitas de materiais desconhecidos, são todas cintilantes e gigantescas. dá pra levar uma família de duendes lá dentro, com mobília e tudo.

e os sapatos? sandálias que antigamente a gente achava ali na rua augusta, nas lojas de acessórios profissionais de travecas de sucesso, agora estão em toda parte. como diz meu marido, vivemos no tempo da democratização da breguice.

todos os sapatos são de vinil vagabundo, com solas altíssimas de cortiça, madeira, plástico, sei lá eu o que é aquilo. e de cores cítricas, claro, porque esses filhos da puta não deixam os anos oitenta morrerem de jeito nenhum. vou ficar anos sem comprar sapato, já vi tudo. nem sob tortura eu coloco um horror daqueles no pé, credo.

e é claro que eu posso estar errada, sei lá, mas penso que alguma coisa não vai bem no mundo da moda quando em produção de vitrine de loja chique a bolsa da moça é 3 vezes maior e mais comprida que a saia que ela está vestindo...

mulherzinha burra, este ser hediondo

houve um tempo em que eu desprezava mulherzices. essa coisa de se arrumar, se cuidar, ser vaidosa e etc. era pra mim motivo de vergonha. como se ser fodona profissionalmente e independente não combinasse com vaidade e feminilidade.

já superei esse momento há muitos anos, hoje em dia me permito ser mais vaidosa e feminina sem grandes incômodos. só maquiagem é que não tem jeito: não consigo adotar, apesar de ter em casa um bom kit. por preguiça, admito, mas principalmente por causa de um hábito incorrigível de esfregar os olhos constantemente e sem perceber. ou seja: viro um panda rosado toda vez que cedo à tentação e uso máscara ou lápis.

mas (até por causa da idade) tenho me permitido algumas vaidades, uma delas bem recente: neste último ano visitei regularmente um cirurgião plástico para um tratamento de colágeno que ameniza um pouco as rugas de expressão que eu tanto detesto (botox eu sou contra, fica com cara de meredith grey, eca!).

acontece que sempre que passo por lá tenho recaídas de ódio a mulherzices, porque sempre dou de cara com a vaidade excessiva e quase sempre burra. o exemplo dessa semana é patético: me aparece uma senhora já ida nos seus 50, com a cara esticadíssima e andando feito o robocop depois de uma lipo de corpo todo, com os pés ainda inchados e tal; em recuperação, portanto.

um minuto (sério!) depois de entrar na sala de espera chiquérrima ela pergunta para a atendente: "posso fumar aqui, querida?". a querida responde, horrorizada, "não!!". a senhora então, toda bravinha, vai pro corredor fumar feito uma chaminé.

aí eu me revolto, falando sério. a criatura quer porque quer parecer 10 anos mais nova, quer ter rosto e corpo lindos, gasta rios de dinheiro com tratamentos de beleza e fuma? pra detonar um pouco mais a pele da criatura só falta ficar tostando no sol... haja plástica, lipo, cosmético e maquiagem, minha nega.

hoje em dia é essa mulherzice burra e superficial que me incomoda. a pessoa não quer ser e se manter bonita como um todo, a idéia é parecer bonita, jovem, alegre, sei lá, comercial de coca-cola. o que tá por baixo ou por dentro do verniz pouco importa.

mas apesar das revoltas ocasionais, parei com o lema "o importante é ser bonita por dentro"; até porque depois dos 30, se você continua nessa linha "tou nem aí", daqui a pouco parece que tá do avesso...

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