da série: mundo, esse lugar horrível
preciso compartilhar as maravilhas de viver numa cidade grande e cheia de gente idiota. contar essas barbaridades pra vocês me faz sentir melhor, por algum motivo estranho.
momento quinta série
xópis higienópolis (teoricamente local chique), cinema, quarta-feira à noite, filme de terror. havia esperança dos imbecis não estarem lá, mas eles estavam, é claro. tá tudo dominado.
trio tremendão: um trintão careca e duas trintonas loiras falsas (com escova progressiva, claro, porque hoje em dia ninguém mais tem cabelo normal em são paulo). sacos de pipoca do tamanho da caixa da nossa TV de 50 polegadas, coca-cola, aquela coisa.
o filme começa, eles ficam de ti-ti-ti. prometo pra mim mesma que dessa vez não vou brigar. mas o telefone da loira-2 toca, e ela obviamente atende. eu xingo, claro, ela desliga e finge que não foi com ela. daqui a pouco a mesma pessoa continua tagarelando com a loira-1 e eu não me aguento. pergunto, fina: "vocês são otários sempre ou só quando entram no cinema?"
bem, a discussão durou alguns longos segundos se resumiu ao seguinte: eles dizendo que mudássemos de lugar ou que fôssemos embora, porque afinal eles precisam conversar. eu insisti no "cala a boca seus idiotas sem noção, que eu quero ver o filme", até que a loira 2 solta a pérola da noite: "vem fazer calar!"
só faltou a musiquinha de viagem no tempo, me senti de volta à quinta série e não digo isso no bom sentido. desejos assassinos passaram por mim, pude inclusive me visualizar enfiando um murro na cara feinha da loira-2.
por não desejar ser expulsa do xópis por um segurança, fiquei onde estava e consegui ver o resto do filme em silêncio (o barraco funcionou, pelo menos). apesar disso, não pude deixar de lamentar a ausência de meteoros assassinos e/ou vírus letais que eliminassem de uma vez por todas essa raça nojenta do planeta. as pessoas não têm salvação.
ah, e não vou mais ao cinema. ponto final.
jeans e camiseta, forévis
começo dizendo que acho idiota seguir tendência de moda. seja em relação a cor, estampa, modelo, qualquer coisa. primeiro porque a maior parte das tendências fica feia em todo mundo (menos na gisele b, nela tudo é aceitável). segundo porque é ridículo andar na rua e ver a fulana do lado com uma roupa idêntica à sua. terceiro porque é no mínimo esquisito gostar de coisas que estão na moda agora e que antes você não gostava. tipo: há 1 ano e meio ninguém sonharia em usar cintura alta e calça agarradinha na canela; hoje em dia todo mundo super-adora essa porra? tenha dó.
cada vez que ando por lojas eu passo mal: as vitrines de xópis estão de matar do coração qualquer pessoa sensata! bem, se você tiver 7 ou 8 anos talvez algumas coisas sejam apetitosas. mas só nesse caso.
as bolsas parecem restos de roupas de astronauta de filme B: engruvinhadas, feitas de materiais desconhecidos, são todas cintilantes e gigantescas. dá pra levar uma família de duendes lá dentro, com mobília e tudo.
e os sapatos? sandálias que antigamente a gente achava ali na rua augusta, nas lojas de acessórios profissionais de travecas de sucesso, agora estão em toda parte. como diz meu marido, vivemos no tempo da democratização da breguice.
todos os sapatos são de vinil vagabundo, com solas altíssimas de cortiça, madeira, plástico, sei lá eu o que é aquilo. e de cores cítricas, claro, porque esses filhos da puta não deixam os anos oitenta morrerem de jeito nenhum. vou ficar anos sem comprar sapato, já vi tudo. nem sob tortura eu coloco um horror daqueles no pé, credo.
e é claro que eu posso estar errada, sei lá, mas penso que alguma coisa não vai bem no mundo da moda quando em produção de vitrine de loja chique a bolsa da moça é 3 vezes maior e mais comprida que a saia que ela está vestindo...
mulherzinha burra, este ser hediondo
houve um tempo em que eu desprezava mulherzices. essa coisa de se arrumar, se cuidar, ser vaidosa e etc. era pra mim motivo de vergonha. como se ser fodona profissionalmente e independente não combinasse com vaidade e feminilidade.
já superei esse momento há muitos anos, hoje em dia me permito ser mais vaidosa e feminina sem grandes incômodos. só maquiagem é que não tem jeito: não consigo adotar, apesar de ter em casa um bom kit. por preguiça, admito, mas principalmente por causa de um hábito incorrigível de esfregar os olhos constantemente e sem perceber. ou seja: viro um panda rosado toda vez que cedo à tentação e uso máscara ou lápis.
mas (até por causa da idade) tenho me permitido algumas vaidades, uma delas bem recente: neste último ano visitei regularmente um cirurgião plástico para um tratamento de colágeno que ameniza um pouco as rugas de expressão que eu tanto detesto (botox eu sou contra, fica com cara de meredith grey, eca!).
acontece que sempre que passo por lá tenho recaídas de ódio a mulherzices, porque sempre dou de cara com a vaidade excessiva e quase sempre burra. o exemplo dessa semana é patético: me aparece uma senhora já ida nos seus 50, com a cara esticadíssima e andando feito o robocop depois de uma lipo de corpo todo, com os pés ainda inchados e tal; em recuperação, portanto.
um minuto (sério!) depois de entrar na sala de espera chiquérrima ela pergunta para a atendente: "posso fumar aqui, querida?". a querida responde, horrorizada, "não!!". a senhora então, toda bravinha, vai pro corredor fumar feito uma chaminé.
aí eu me revolto, falando sério. a criatura quer porque quer parecer 10 anos mais nova, quer ter rosto e corpo lindos, gasta rios de dinheiro com tratamentos de beleza e fuma? pra detonar um pouco mais a pele da criatura só falta ficar tostando no sol... haja plástica, lipo, cosmético e maquiagem, minha nega.
hoje em dia é essa mulherzice burra e superficial que me incomoda. a pessoa não quer ser e se manter bonita como um todo, a idéia é parecer bonita, jovem, alegre, sei lá, comercial de coca-cola. o que tá por baixo ou por dentro do verniz pouco importa.
mas apesar das revoltas ocasionais, parei com o lema "o importante é ser bonita por dentro"; até porque depois dos 30, se você continua nessa linha "tou nem aí", daqui a pouco parece que tá do avesso...
