até que nem tanto esotérico assim
putz, como eu insisto em ser racional. e como os esoterismos me atraem! parece na verdade que me perseguem, e quanto mais fujo deles, mais eles vêm até mim.
ontem eu conversava com minha mãe sobre a ansiedade e como essa maldita doença é nociva. eu acho que ansiedade é doença, sim, apesar de nunca ter visto nenhum médico dizer "a senhora sofre de ansiedade crônica, vamos interná-la" ou coisa parecida.
pior: acho que ansiedade é genética. meus pais são ansiosos, meus irmãos também. cada um expressa a ansiedade de um jeito, mas são todos assim. meus irmãos e eu temos piripaques físicos quando a coisa aperta. como se fosse doença "normal": pneumonia, hepatite, pressão alta, sinusite, bronquite e mais tantas "ites". a gente vai pro médico e ele trata a conseqüência, a causa fica lá, escondidinha, pronta pra próxima.
depois desse papo de ontem, essa tarde minha mãe chega do seu curso de bruxa com um material que recebeu hoje: alma x mente, o bem contra o mal.
vamos embarcar na metáfora, que facilita a vida: a alma é o bem, é tudo aquilo que leva a gente para o que de fato desejamos e somos; a mente é o mal, é o que nos desvia do caminho da alma, nos faz sentir medo, ansiedade, etc.
eu odeio admitir, mas os ensinamentos bruxísticos, com todo seu teor religioso (misturando cristianismo com budismo com sei lá o quê) têm razão. não é mesmo a minha mente que, com seus pensamentos intrusivos e diálogos internos, me faz sentir ansiosa, com medo e insegura?
claro que é. os milhares de "e se..." transformam a vida numa eterna especulação sobre passado e futuro, enquanto o presente se esvai em elucubrações inúteis. quando vejo, passei o dia incomodada com algo que aconteceu ou que talvez aconteça e perdi milhares de oportunidade de ser feliz e me divertir. droga!
quem não sente essa briga interna constante de alma (ou como queira chamar) e mente, cada uma puxando prum lado, e a gente no meio, sofrendo? credo, como a gente faz pra desligar essa maldita cabeça?
segundo os ensinamentos das bruxas-mães, a gente primeiro tem que se aceitar como é (só aí acho que vou demorar uns 10 anos); depois a gente aceita os outros - HA HA HA :D - até que, finalmente, percebe que existe somente a realidade, o agora, e vive cada momento real e não imaginário.
facílimo.
e se no processo de auto-aceitação eu aceitar que não tenho botão de desliga pra mente, essa desgraçada que me domina? estou condenada a uma vida de racionalização e "e se"s eterna!
com licença que vou pensar no assunto e volto depois. se eu não desenvolver uma pancreatite, amigdalite ou coisa que o valha pra castigar minha alminha aprisionada.
