eu quero uma casa no campo
ah, uma casinha no campo... quero muito! por vários motivos, e o principal deles é o silêncio. há poucos anos percebi o quanto o silêncio me faz e fez falta. o dia em que isso ficou claro como água foi no mínimo curioso:
depois de um daqueles vôos chatíssimos que vêm de porto alegre (turbulência é apelido!) eu desci da aeronave surda. ok, quase surda, o suficiente pra não ouvir o que as pessoas ao meu redor falavam. com muita atenção escutava murmúrios. tudo abafado, como se estivesse com algodão. me incomodei no início, mas logo acostumei e percebi que estava calma como nem sabia que era capaz. percebi que o silêncio melhorou minha constante ansiedade, minha pressa, foi delicioso. ri sozinha no banco de trás do táxi, passando no meio de carros buzinando (nem aí) e o rádio ligado (tocando sei lá o quê). a orelha precisava de pálpebras.
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ia dizer que não entendo essas pessoas que escrevem ou dizem coisas com convicção mas que nas entrelinhas desdizem tudo o que tentam dizer. são tão certas, fortes, firmes, cheias de opinião e etecéteras e tais e ali, onde é fácil de ler quando se sabe, são solitárias, inseguras e querem mesmo é aprovação.
mas eu, infelizmente, entendo bastante bem como é isso. é facinho entrar no modo "nada está acontecendo, *lalalala*" e, pra compensar, falar-falar-falar de como tudo-está-bem-não-pergunte.
é que nem largar drogas, saibam: cada dia, todo dia.
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aliás, chuta que é macumba!
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se somar a ansiedade minha e do marido por conta das mudanças todas, a voltagem resultante sustenta uma cidade de médio porte. se nessas horas a gente não se separa, não separa nunca mais, ave maria :D
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estamos pensando em alugar nosso ap ao invés de vender. alguém interessado? :)
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não é preconceito nem impressão: as pessoas são mais educadas e solícitas no interior. em compensação, não têm pressa, o que me dá ganas de estrangular alguém. essa mudança vai ser mesmo definitiva: ou eu aprendo a ser uma pessoa melhor e mais calma ou vou ter internada com crise de nelvos.
Sempre morei no interior mas, como diz a minha mãe, tenho pressa de paulistano. Morei por bons 5 anos em Ribeirão Preto, que de interior só tem o sotaque do povo e a localização geográfica no mapa do estado - mera falta de sorte, poderia estar no litoral :D
Enfim, lá me sentia à vontade. O trânsito meio doido, meio rápido demais, as pessoas eficientemente eficientes, a solução fácil de problemas por telefone e internet... coisas do mundo moderno.
Há 2 anos tive que me mudar para uma cidade próxima, mas com 1/3 do número de habitantes e estilo de vida mineiro: devagar, quase parando. Uma típica cidade do interior paulista, com aquela tranquilidade irritante (pra mim, ao menos). Td aqui é de uma lerdeza sem tamanho: os motoristas, as pessoas na fila do restaurante, o caixa do supermercado... às vezes acho que vou ter um úlcera nervosa de tão irritada que fico.
Definitivamente não é o meu lugar. Mesmo depois de 2 anos, não consegui me ambientar. Estou a anos-luz da velocidade calma e pacata dos nativos.
Eu mudei tem pouco tempo, não de cidade, mas de bairro, saí de uma apartamento no centro de uma cidade da região metropolitana de Poa para uma casa em um bairro. Com direito a varanda, rede, hortinha, gramado, flores, árvores frutiferas, e tudo mais que eu tenho direito. Eu não dormia com o barulho infernal de carros, buzinas e pessoas saindo de festas embriagadas ou com aquela felicidade irritante de pré adolescentes (e alguns pós adolescentes) mal educados... Assistir um filme em finais de semana de verão nos era impossível, porque, pelo menos nesta cidade, temos um bando de escrotos que nos impõe as músicas dos carros deles, que ficam estacionados no centro com o porta malas aberto... Se o inferno existe, é morar no centro de São Leopoldo/RS, pode acreditar!
Até nosso cachorro está mais feliz, em dias de chuva ele corre no gramado e mergulha feliz da vida em toda poça de água que encontra, sai com a carinha preta, molhada, mas olhinhos brilhantes de felicidade!
Amo o silêncio da casa nova e torço que vocês sejam muito felizes nesta nova vida, que tem tudo pra ser melhor, pode acreditar ;)
beijoca
*desculpe o "livro", empolguei ;)