momento "história verídica"
deus sabe que eu sou a última pessoa que pode falar de economia, afe, porque sou uma gastadora profissional.
mas mesmo para mãos-abertas como eu há salvação, sou a prova disso, e resolvi compartilhar com vocês uma experiência interessante. sei que muitas pessoas prometem a si mesmas no fim do ano velho ou no começo do ano novo resolver os problemas financeiros. minha estratégia sempre foi outra: fingir que nada estava acontecendo. aquele "menos" na frente do meu saldo não significava nada pra mim, era enfeite. contas atrasadas, cheque especial, etc., tudo isso era desimportante.
até que iniciei o ano de 2002 devendo nada mais nada menos que 40 mil reais. cartões de crédito (3, acho), cheque especial de 2 contas, entre outras coisinhas mais. minha sorte é que entre essas coisinhas mais estava uma dívida com um amigo que é praticamente um irmão, e que sempre salvou minhas inconseqüências financeiras (além de ser meu fiador em aluguéis, vejam o grau de confiança).
a proposta dele foi bem simples, e obviamente irrecusável na minha situação: ele "comprava" a minha dívida toda e, em troca, eu pagaria a ele um X por mês, fixo (com uns jurinhos, pra ele não sair no prejuízo), até saldar a dívida. parece simples, não? tinha um truque, é claro, pois ele me ama e queria corrigir esse meu probleminha de falta de noção - eu teria que fazer um relatório mensal detalhado de TODOS os meus gastos, que seria analisado por ele junto comigo.
já vou falar do tal método, mas primeiro deixa eu contar que em agosto de 2003 eu havia pago tu-do e nunca mais fiquei devendo pro cartão de crédito nem cheque especial (só deslizes eventuais, bem pequenos. desatenção mesmo!). e o sucesso persistiu, pois nos anos a seguir comprei carro, apartamento, viajei muito, etc.
não foi o milagre do aparecimento do dinheiro, não, gente, nem herança e nem ajuda externa (até porque minha família não tem um tostão furado pra ajudar ninguém). é verdade que meu rendimento aumentou, mas não teve nenhum tsunami de dinheiro que resolveu minha vida, foi pura e simplesmente organização. e por isso quero compartilhar: quem sabe o método ajuda mais alguém?
a história é muito simples: anote tudo o que você gasta. pode ser num caderninho ou numa planilha excel, como eu faço (tenho todas elas completas, de 2003 pra cá). mas é anotação diária, tem que ser metódico. esse meu amigo faz um pouco diferente: ele pega todas as notas fiscais (nossa obrigação, aliás) ou anota em um papelzinho e coloca num daqueles espetos de papel que a gente vê em restaurante, sabem qual?
muito bem: anote cafezinho, estacionamento, refeições, táxi, gastos no cartão de crédito, tudo, tudo. eu disse TUDO. não subestime os gastos pequenos, quando a gente soma é que vê o estrago.
eu anoto por categorias, por exemplo, "casa". dentro dessa categoria eu tenho supermercado, reparos, empregada, feira, condomínio, luz, água, telefone, etc.
no final do mês, passe a régua nas anotações e analise as categorias. verifique o quanto percentualmente representaram naquele mês os gastos com "cds" ou "sapatos" - e caia duro, como eu. minha reação inicial foi hilária: "como assim, 10% do meu rendimento vai em REVISTAS que depois eu jogo fora?!"
é assustadora a quantidade de dinheiro gasto em coisas inúteis. e, nas análises, ele me disse uma coisa legal: você não precisa diminuir gastos ou cortar tudo, a idéia não é que você se prive de nada. a questão que você tem que se colocar é: eu quero MESMO gastar essa quantidade de dinheiro com isso? será que não há outras coisas que eu gosto mais e que poderia fazer com esse dinheiro?
com essa mentalidade, comecei a fazer minhas análises sozinha e percebi que de fato gastava dinheiro com coisas que eram médio-importantes pra mim e não sobrava dinheiro pras super-importantes. porque - dã! - o dinheiro é finito aqui nesta casa. não sou rica, não tenho pais ricos e tampouco marido rico. sendo assim, que tal gastar meu rico dinheirinho com coisas que realmente são legais?
e assim foi: mês a mês fui ajustando meus gastos e percebendo onde estavam os vazamentos. aprendi a priorizar os gastos, gastar com mais inteligência e me programar para os pagamentos de conta no decorrer do mês, evitando aquela maldita semana de não ter dinheiro nem pra tomar um lanche no boteco.
passaram-se 5 anos e coloquei as contas em dia, mas... não guardei 1 centavo, confesso. agora estou entrando na próxima fase deste joguinho: fazer meu dinheiro render! essa é a meta financeira do ano, e quando eu for bem-sucedida conto tudinho pra vocês!
se alguém quiser a planilha excel que uso aqui em casa, eu mando com prazer, me escreve. é uma adaptação da original que meu amigo-irmão me deu e acho que serve pra quase todo mundo. é simples, mas funciona muito bem.
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UPDATE: eu sou uma ingrata, mas vou me retratar. esse meu amigo sensacional tem uma empresa de investimento (para pessoas físicas e jurídicas) e quem conhece o serviço e o atendimento elogia pra caramba. eu, obviamente, recomendo - simétrica eficiência financeira.
