Zel,
Sou ovo-lacto há quase 4 anos (o peixe eu larguei tem menos tempo), e só posso te dizer que era a maior canívora... Meus pais não acreditam até hoje, mas foi de um dia pro outro e não senti vontade mais. Eu adorava carne mal passada quase crua, comia muito mesmo.
Não sou hipócrita: carne é uma delícia, acho o cheiro bom (especialmente o de galeto no espeto), etc, mas tudo fica muito fácil quando a motivação é forte. Juro que nunca senti vontade mais.
No meu caso, aconteceu por causa de um periquito. Eu nem era grande fã de bichos. Um dia inventei de ater o Tatá (um agapornis, filhotinho) e me envolvi de tal maneira que não consegui mais comer animais... Comecei a não ver diferença entre ele e outros animais, e entre eles e nós pra muitas coisas. Acho, pessoalmente, os animais melhores que nós em muitas coisas, mas enfim, esse é um ponto de vista muito pessoal.
Nao parei imediatamente, estava em dúvida por uns meses, até que li o Libertação Animal, do Peter Singer, e nas primeiras páginas vi que não poderia compactuar com o tratamento a que eram submetidos (eu nem precisei ler sobre alimentação, decidi parar quando ele falou de experiências com animais no campo da psicologia).
Li no último post que você está lendo "O Dilema do Onívoro". Só li um pedaço e gostei muito: é o capítulo em que ele faz a contra-argumentação aos argumentos de Singer e cia, enfim, os vegetarianos.
Acha engraçado eu ter gostado? Eu também, risos. Mas é que ele resume bem a posição que adoto: no fundo, meu problema não é o abate em si, e sim a maneira com que os animais são criados com fins comerciais. É cruel e desnecessária, ruim em todos os sentidos, putaqueopariu, é tudo pura ganância, e não me venham com o papo de que "o mundo tem fome e precisa de produção de alimentos em escala cada vez maior".
E mesmo se você não se importar com os animais, os danos ambientais e econômicos são inegáveis (nesse sentido, sugiro o "Ética na Alimentação", do Singer com outro autor - é bem curto e objetivo, vale a pena.
Voltando ao "Onívoro", o autor (grosso modo) concorda com os argumentos sobre a criação dos animais e as questões éticas que ela implica, e fala em só comer animais criados de modo ético. O problema é que hoje é praticamente impossível comer animais sabendo de onde vieram e como foram criados, enfim, se você só for comer carne assim, acaba virando vegetariano (mas hoje não comeria carne nem se o bichinho tiver sido criado a pão de ló, risos, não dá mais).
Não tenho nada contra quem come carne (meu marido come - cada vez menos - carne e vivemos bem, vou aos churrascos de minha família, etc etc etc, e só falo sobre o assunto quando me perguntam - adoro falar, claro :). Minha família hoje aceita muito bem. Falo sobre carne tranquilamente, até dou pitaco na cozinha quanto a carne. Não me acho uma vegetariana antipática e nem acho que minha convivência social foi prejudicada por minha opção.
Hoje me sinto muito mais feliz e em paz com minha consciência. Quero um dia virar vegana, mas acho que só quando tiver tempo para cozinhar pra mim sempre, etc, porque ser vegano é menos prático, mas no fundo acho que é o ideal.
Desculpe o post confuso. Se quiser trocar uma idéia, daniclau@gmail.com :) Não posso evitar de torcer pra você virar vegetariana :D Espero ter ajudado.