alegria da locadora somos nozes
eu certamente já mencionei aqui essa história de alegria da locadora, mas não sei se expliquei. funciona assim:
você vai até a locadora no sábado à noite, escolhe 8 filmes - todos pra devolver em 24 horas. chegando em casa você esquece que alugou tudo isso e vê um filme repetido que está passando na TV a cabo. no domingo você acorda meio-dia, sai pra almoçar e volta depois das 17h e só então lembra que tem 8 filmes pra ver e devolver até 21h. você então se desespera, demora cerca de 1h pra escolher qual dos 7 filmes você não vai ver (tem que ler todas as sinopses e descobrir quanto dura cada filme, é importante) e decide finalmente que vai assistir o ataque dos tomates assassinos. depois de ver esse maravilhoso filme e amaldiçoar seu gosto estragado, você percebe que são 20:54 e não dá mais tempo de devolver os OITO filmes que você alugou (tendo visto somente 1, o pior deles). aí você entrega pra deus e escolhe o próximo pior filme pra ver, afinal já que vou pagar 16 locações, é melhor que eu veja pelo menos 2 filmes, certo?
essa é a nossa vida. é muito raro não acontecer algo bem parecido com a historinha do parágrafo anterior (só exagerei no número de filmes, geralmente não passamos de 4) e esse fim de semana não foi exceção...
assistimos resident evil 3, valente e desbravadores, todos clássicos do cinema internacional :)
o primeiro e o último são, respectivamente, videogame e quadrinho, é para os fãs do gênero. sangue, pancadaria, zumbis, guerreiros sanguinários assassinos, essas coisas que fazem a gente feliz :)
valente é outra história - filme pra gente grande, gostei bastante. pode ser porque sou fã da jodie foster ou porque gosto do neil jordan, mas eu acho que o X da questão é que me identifiquei demais com a protagonista.
depois de ser vítima de um episódio de violência absurda e gratuita, ela descobre o que é sentir medo o tempo todo, mesmo numa cidade segura como NY. apavorada, compra uma arma e começa a reagir à violência, matando os filhosdaputa que a ameaçam.
gostei de uma série de coisas na história, mas uma me pegou de jeito: ela não é escrota tipo charles bronson naquele momento "você matou minha família agora eu vou matar você!". ela sabe que é errado matar as pessoas simplesmente porque elas são más, e ela é uma pessoa boa e correta, mas não consegue parar de fazer justiça por conta própria.
vivo com esse sentimento desde sempre. e, sério, acho que se portasse uma arma poderia ter matado alguém, sim. por mais que eu seja contra pena de morte, por exemplo (sou!), não posso negar que desejo que alguns filhosdaputa morram.
não preciso ir muito longe, hoje mesmo tive um pequeno drama interior: ouvi no rádio que querem devolver o beira-mar pro rio de janeiro e o estado se recusa a recebê-lo de volta, alegando que não tem condições de abrigar um bandido de tamanha periculosidade. imediatamente pensei "podiam matar esse filhodaputa que não serve pra nada. aliás, podiam matar TODOS os filhosdaputa condenados por assassinato, estupro, etc...".
se parasse por aí eu não teria drama nenhum - quero que morram, que se dane. mas eu fico culpada, acho errado sentir o que sinto. não acho, de verdade, correto matar alguém por qualquer motivo que seja. então é sempre a mesma coisa: desejo de morte + culpa.
espero nunca me encontrar na situação da mocinha (vilã?) do filme, porque lá no fundo eu tenho certeza que mataria, sim, apesar de saber que é errado. e nesse sentido o filme foi catártico, me realizei em cada tiro dado na cara dos malditos bandidos.
assista, nem que seja pra ver uma jodie foster envelhecida, dura e (como sempre) linda.
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e no previsível desbravadores, um diálogo ficou martelando até agora:
ela - no coração de todo ser humano existem dois lobos que vivem brigando. um é o amor e o outro é o ódio
ele - e quem vence?
ela - o que você alimentar mais.
