quase arrependimentos
às vezes - bem de vez em quando - fico pensando se os cortes que fiz na folha de relacionamentos nos últimos anos foram radicais demais. percebo, a tempo, que a dúvida aparece quando a distância se estabeleceu de vez e eu pouco lembro do que me fez dizer não.
importantíssimo o parêntesis aqui: sou daquelas pessoas geneticamente incorretas que esquecem os motivos pelos quais devemos evitar isto ou aquilo. em termos evolutivos eu sou um fracasso e já teria sido comida por uma onça há muitos anos - "ahhh que gatinho bonitinho, duvido que vá me fazer mal e... *nhoc*".
pois vejam um exemplo da tecnologia a serviço da falha genética alheia - vários elementos da minha lista de ex-convivas estão espalhados pelo mundo digital e muitos deles têm blogs. quando minha memória-de-perigo falha, geralmente eu volto aos blogs e afins dessas pessoas e levo uma pancada digital, daquelas bem doloridas.
"ahn, então foi por isso que eu botei esse aí no congelador. lembrei."
é muito mais simples quando as pessoas são pura e simplesmente más ou imbecis. estes eu elimino com facilidade e nunca mais penso nisso. o problema são os que parecem legais - e talvez até sejam legais pra outras pessoas - mas que não são legais pra mim.
esse tipo geralmente me faz pensar "que idiota!" mas é pura raiva, estas pessoas não são nem de longe idiotas. elas têm lá suas qualidades, às vezes até muitas. não são burras nem nada, elas simplesmente não respeitam a mim e às minhas idéias e portanto não cabem no meu mundo.
pois então, ciclicamente, revivo meus motivos para afastar alguns, graças à internet. fico um tempo sem saber nada da pessoa e quando volto a "procurá-la" quase sempre redescubro que essencialmente nada mudou.
mas o choque de realidade dura pouco e, logo logo, volto pra minha vidinha de achar que todo mundo é legal (e não é?) e tudo vai acabar bem (e não vai?) :)
