puxando o fio da meada
ou deixando algumas coisas mais claras (pra mim e pra todo mundo aí do outro lado da tela).
o assunto não é exatamente o mesmo, mas é correlacionado. a lúcia menciona, não pela primeira e nem pela última vez, a questão da censura no brasil. existe, fique atento.
mas meu assunto é outro - quero falar sobre o blog, sobre a autora (eu) e sobre meu direito de expressar o que penso.
esse é um blog 100% pessoal. não existe aqui compromisso com absolutamente nada e nem ninguém que não seja eu mesma. não vendo nada, não defendo "profissionalmente" nenhuma causa, não ganho absolutamente nada para escrever (a não ser um ou outro amigo e muitas mensagens legais). costumo dizer o que penso sem preocupação, não só porque acredito no meu direito de fazê-lo mas principalmente porque quem quer que chegue até aqui e se dê ao trabalho de ler posts enormes como esse só o faz por que realmente quer.
desde seu nascimento esse blog foi assinado por mim com apelido - zel. esse é um apelido "real", eu não o inventei para escrever o blog. muitos dos meus amigos me chamam assim desde minha adolescência. tampouco pensei em preservar meu nome completo, essa questão nunca me importou (embora devesse!). jamais imaginei que esse blog chegaria a ter essa quantidade de leitores, nunca tive nenhuma pretensão (ainda não tenho).
embora eu sempre tenha assinado com apelido, nunca fiz segredo de quem sou. sei que há quem escreva blogs escondidos atrás de apelidos e que não quer revelar sua identidade. respeito, entendo os motivos, mas não é meu caso. se alguém realmente quiser saber quem está por trás deste blog é facílimo - basta perguntar ou procurar no google um pouquinho. em 10 minutos qualquer um descobre quem sou eu, o que faço, o que falei no passado e até consegue ver como eu sou fisicamente.
no entanto, eu não costumo falar aqui dos locais onde trabalho ou trabalhei (e, de novo, é fácil descobrir se procurar), por um motivo simples: não quero associar minha opinião pessoal com a imagem de qualquer empresa na qual trabalhe ou tenha trabalhado. as pessoas confundem opinião pessoal com posicionamento profissional, e estas duas coisas não são exatamente a mesma coisa. no trabalho eu continuo fiel às minhas crenças e opiniões, mas só entro neste mérito se houver espaço e se couber no contexto. afinal, não faz parte da minha profissão dar opinião sobre assuntos gerais!
sendo perguntada diretamente sobre opiniões fora do contexto profissional, eu respondo sem nenhum medo. e com as pessoas que tenho maior intimidade, acabo sendo exatamente a mesma dentro e fora da empresa. sou informal por natureza, gosto de me comunicar e depois de algum tempo todo mundo me conhece na empresa como "aquela moça diferente". "diferente" é sempre relacionado às minhas opiniões, posicionamento, estilo e principalmente minha capacidade de encontrar soluções criativas para problemas. eu realmente sou diferente da maioria dos profissionais da minha área, e isso tem sido positivo na minha carreira.
mas essa minha personalidade expansiva tem um ponto de atenção: qualquer pessoa que quiser usar minhas opiniões para polemizar ou me colocar em situação difícil (profissional ou pessoalmente) vai conseguir encontrar motivos. basta uma distorção aqui, um viés ali e o problema está pronto para servir.
e o blog com isso? tudo o que digo aqui fica registrado para todo o sempre, amém, ou seja: pode ser munição infinita contra mim! já me apavorei muitas vezes, me arrependi de ter escrito tantas coisas nesses anos, mas agora não mais. vejam: eu sou a mesmíssima pessoa aqui no blog, na festa de aniversário da minha cunhada e nas reuniões executivas. talvez em cada um destes contextos eu expresse minha opinião de forma diferente, mas a essência é a mesma. independente de onde e com quem eu estou, dou muita informação sempre. ou seja: quem quiser usar o que eu digo contra mim tem material de sobra, com ou sem blog.
(talvez minha opinião sobre isso fosse diferente se eu fosse do tipo que nega o que diz. eu não sou desse tipo. se eu falei, confirmo, por mais que seja constrangedor, chato, desagradável. e peço desculpas se errei)
há diferenças na forma como me expresso em contextos diferentes e com pessoas diferentes? sim, há. alguns assuntos precisam de mais cuidado que outros, não necessariamente no conteúdo, mas principalmente na forma. não é à toa que procuramos ser mais discretos quando vamos jantar na casa dos pais do nosso namorado/a pela primeira vez: não queremos passar a impressão errada, causar julgamentos precipitados.
este blog é uma expressão da minha verdade e opinião, assim como uma conversa gravada, um email ou um trecho de conversa de corredor. qualquer criatura do mal pode pegar um post, um email ou um comentário meu no café e transformar em munição contra mim, é facílimo, mas por um só motivo: eu dou a cara pra bater.
é isso. mas e aí, o que faço? paro de dar a cara a tapa, paro de dizer o que penso, me transformo numa pessoa discreta?
não, senhores. prefiro arriscar e dar munição pro bandido do que ficar encolhida ou escondida atrás do anonimato, da omissão. quero evitar as confusões e problemas profissionais e pessoais, como qualquer pessoa normal, e por isso procuro não citar nomes aqui (de empresas e de pessoas). decidi aceitar o risco: ataques contra mim já aconteceram e vão continuar a acontecer. seja porque já escrevi aqui que faculdade de administração é escolha de preguiçoso indeciso (ainda acho isso), seja porque já escrevi dezenas de textos sobre sexo (oh! quem trabalha também faz sexo?!), seja porque torço para o coríntians (isso é usado contra mim constantemente ;)).
sempre vai ter alguém que vê em mim (ou em você, leitor) um inimigo. talvez você seja um profissional excepcional (como eu sou) e alguns colegas se chateiam porque sua (deles) incompetência fica gritante quando estão perto de você. talvez você seja lindo (não é meu caso) e queiram taxar você de burro/a pra compensar. talvez seja só maldade pura, não importa.
o que importa é ser verdadeiro com você mesmo, ou como disse uma amiga minha (americana, aliás): alimentar sua alma. porque a empresa onde trabalhamos, a vizinhança que freqüentamos e o grupo de amigos que mantemos, tudo isso é volátil e pode mudar, desaparecer. mas não a nossa alma (nada de espiritismo aqui, pode chamar de "essência" se quiser). nossa alma é o que nos torna o que somos, é nosso legado, o que levamos conosco até o fim da vida.
já pensei várias vezes em fechar esse blog no decorrer destes oito anos, e já cheguei a ficar algum tempo sem escrever. mas sempre volto e continuo insistindo, meio que sem saber porquê. semana passada eu descobri: porque encontrei mais um meio de ser quem eu sou. sou do tipo que fala, que gosta de analisar coisas e pessoas, que dá receitas na hora do almoço e sempre tem uma historinha pra fazer as pessoas rirem.
as opiniões expressas aqui são parte de mim e não tem nada nem ninguém que vai me intimidar ou me fazer acreditar que é errado me expressar. eu não tenho medo de ameaça, não tenho medo de retaliação. podem xingar, me processar, espumar, advertir ou aconselhar. vou ouvir tudo, procurar aprender o máximo que puder com as reações, e vou seguir adiante.
não sei se vocês já pensaram nisso, mas graças à internet, pela primeira vez na história da humanidade praticamente qualquer pessoa da face deste planeta pode expressar o que pensa e sente para todo o restante do mundo. quão valioso e espetacular é isso?
não serei eu a abrir mão deste privilégio. estarei sempre aqui, firme e forte (ou quase ;).
