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outubro 2008 Archives

outubro 1, 2008

ré confessa

eu esqueci que tinha blog na última semana, sorry. a coisa tá tão maluca aqui que juro que nem lembrei que isso aqui existia... não é um horror?

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da série: recados bisonhos

De: [eu]
Enviado em: quarta-feira, 1 de outubro de 2008 15:45
Para: [danynhaaa]
Assunto: RES: [zel v3.4] New Comment Posted to 'bolo de fubá com queijo'

Querida, você é retardada?

Só pra saber.

Abraço,
Zel

-----Mensagem original-----
De: [danynhaaa]
Enviada em: quarta-feira, 1 de outubro de 2008 15:35
Para: [eu]
Assunto: [zel v3.4] New Comment Posted to 'bolo de fubá com queijo'

Name: daniely
Email Address: danynhaaa@hotmail.com

aiiiiiii.....eu simplesmenteee
ODIEIII ve se coloca uma coisa melhorr
e agente pergunto se tinha
manteiga na sua casa???
agente quer saber a receita nao o que tem e o que nao tem na sua casaaa...
derrrrrrrrrrr

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esqueci de adicionar 2 filmes nas dicas da semana passada: o pianista e o reino. adorei os dois, mas não dá tempo de falar deles agora.

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é tarde! é tarde! tão tarde até que arde
ai ai meu deus, alô adeus
é tarde é tarde é tarde!
(coelho maluco)

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eu quero falar sobre eutanásia, mas hoje não dá.

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a nossa jabuticabeira lotou de flor mas não deu uma única jabuticaba. alguém tem método de fazer a bichinha dar fruta? nos disseram que era bom botar bastante água e botamos todo santo dia. nada de frutas. minha mãe desconfia de formigas que comeram todos os brotinhos.

dicas?

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pequena didi vai indo, ainda comendo bem e com curiosidade. mas ela não arrasta mais os bichinhos e não pula do mesmo jeito de antes. mas tudo bem - nas nossas contas de padaria, ela está na idade equivalente aos nossos 95 anos pra mais. ela ainda está uma velhinha nítida ;)

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depois de ter a trilogia em casa por anos, li finalmente a história completa iniciada com 30 dias de noite (este é o volume 1, na seqüência vêm dias sombrios e de volta a barrow, veja mais no link).

gostei mais do primeiro (que deu origem ao filme) que dos outros dois. e a ilustração é algo à parte - sensacional. recomendo para os fãs de terror.

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certamente eu tenho mais alguma coisa pra dizer, mas o tempo acabou. esperem aí com fé, eu volto!

quem quer adotar um amigo?

pessoal, a nossa vet mais querida de todo o universo está com um cãozinho para adoção, vejam que coisa fofa:

armani

segue a história dele:

ele está há 4 meses esperando para ser adotado. a história do armani é triste, como todas as histórias de animais de rua. ele foi atropelado, por sorte uma pessoa o socorreu e levou na hora para a clínica, onde foi operado, teve problemas sérios numa pata traseira, e hoje está recuperado. na verdade há uns 3 meses ele já estava bom para ir para casa, mas não estamos encontrando alguém que o queira. ele mora então na clínica, sai na rua para passear algumas vezes por dia, mas está muito infeliz, preso numa gaiolinha quase o tempo todo. não há condição de deixá-lo solto passeando pela clínica.

a dra. thais, a veterinária, já divulgou em vários fóruns, eu também já estou contatando outras pessoas para ajudar, quem sabe um esforço coletivo consegue uma boa casa para o armani...

a clínica onde ele está fica no campo belo e o e-mail da veterinária é thais_tomaz (arroba) hotmail (ponto) com.

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se não quiserem / puderem adotá-lo, ajudem a divulgar, por favor!

(quem me dera... ele é lindo!)

outubro 3, 2008

questão de ordem

vocês que são pessoas esclarecidas e inteligentes me expliquem, porque eu não consigo: o que leva alguém a dedicar horas e horas do seu tempo elaborando e executando planos para prejudicar outra pessoa, deliberadamente?

eu entendo a gente pisar na bola e ferrar os outros sem querer, acontece. e também entendo quem se depara com uma oportunidade de ferrar e aproveita. é escroto, mas entendo. mas pelo amor de deus, a pessoa fazer planos, dedicar tempo da sua vida pra prejudicar outra pessoa diante das outras? estragar relacionamentos, profissão, talvez a vida de alguém?

não entendo, espero nunca entender. e podem me chamar de otária e explicar que é assim que funciona o mundo, mas me recuso a acreditar que o mundo é assim. pra mim isso é coisa de gente doente.

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e como é sexta-feira e eu sou uma pessoa sã e do bem, compartilho com vocês a música massa que ouvi hoje cedo no rádio quando vinha pro trabalho:

eu sou a chuva que lança a areia do saara
sobre os automóveis de roma
eu sou a sereia que dança
a destemida iara, água e folha da amazônia
eu sou a sombra da voz da matriarca da roma negra
você não me pega
você nem chega a me ver
meu som te cega, careta

quem é você?
que não sentiu o suíngue de henri salvador
que não seguiu o olodum balançando o pelô
e que não riu com a risada de andy warhol
que não, que não, e nem disse que não
eu sou um preto norte-americano forte
com brinco de ouro na orelha
eu sou a flor da primeira música
a mais velha e a mais nova espada e seu corte
eu sou o cheiro dos livros desesperados
sou gita gogoya
seu olho me olha, mas não me pode alcançar
não tenho escolha, careta vou descartar
quem não rezou a novena de dona canô
quem não seguiu o mendigo joãozinho beija-flor
quem não amou a elegância sutil de bobô
quem não é recôncavo e nem pode ser reconvexo
(reconvexo, por maria bethânia)

QI... colorido?

o weno deu a dica e eu adorei: teste seu QI para cores.

sou praticamente retardada em cores, cheguei a meros 35 pontos. blé :D

outubro 6, 2008

são francisco de assis

não é novidade pra ninguém o quanto sou (somos!) apaixonada por animais, desde sempre. tenho certeza que esse amor pelos bichinhos vem em boa parte dos meus pais, especialmente do meu pai. ele sempre diz que não devemos confiar em pessoas que não gostam de animais, e essa é uma das poucas regras que respeito à risca.

nestes 9 meses de casa nova, quase no meio do mato, temos o privilégio de conviver com vários bichinhos e vê-los andar livres e felizes. tem macaquinho, coruja, montes de passarinhos, pato (vários tipos), gato, cachorro, ratão do banhado, porco-espinho e diz que até lagarto tem. nesse fim-de-semana apareceu mais um coisico fofo já velho conhecido da casa da praia, o saruê. ele estava fuçando nosso lixo (e a gente achando que era cachorro...), muito confortável e sem medo nenhum, o atrevimento em quatro patinhas.

ficamos curiosos sobre ele - o que come? que tipo de bicho é esse? o fer é diligente e descobriu montes de coisas, entre elas que ele é um tipo de gambá, marsupial e onívoro, como nós. ele é tão feio que é bonito, vejam:

essa foto é do álbum da beth coe maeda, artista plástica que salvou um saruezinho bebê e depois devolveu ele pro mato. uma das coisas que mais me deixa feliz na vida é ver que tem mais gente com bom coração, que ama os bichinhos e quer ajudá-los a continuar vivendo bem apesar da invasão humana.

não há um dia sequer que eu não pense no quanto a humanidade custa às demais espécies, seja por consumir sua carne e seus derivados, seja por destruir os locais onde os animais costumavam viver. quero acreditar que a natureza se encarregará de balancear essa equação, que de alguma forma nossa proliferação será controlada. da minha parte, ainda não decidi abandonar o consumo de produtos animais na alimentação, mas tenho feito o possível para garantir que os animais que como são tratados com dignidade.

com atraso, mando minhas preces a são francisco, único santo no qual acredito, e mando também todo meu carinho a cada pessoa que faz bem aos bichinhos.

outubro 7, 2008

mais dicas e algumas reflexões

no vale das sombras é um daqueles filmes que mexeu comigo quando eu não esperava nada.

talvez se tivesse sido feito em qualquer outro lugar do mundo ele não me surpreendesse tanto, mas é americano e tem coragem de falar do que não se fala. eu cheguei a pensar, no último momento do filme, que uma reviravolta ia acontecer e que o final não podia ser aquele, tão cru. mas era. e o desmoronamento lento da organização compulsiva do pai ex-militar já dá a dica de que no final nada vai acabar bem, não senhores.

e tem a pergunta de um menino pequeno sobre a mítica história de davi e golias: mas por que deixaram um menino lutar contra um gigante?

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e o último indiana jones? uma merda, não vou nem comentar.

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finalmente vimos johnny e june. que filme legal!

é muito bonito ver alguém ser salvo de si mesmo por um amigo que insistiu, que não virou as costas.

acho que meu encantamento com a história vem da minha dificuldade de lidar com problemas dos outros. nem sempre sei estender a mão, acabo virando as costas e fingindo que não é comigo. se pudesse escolher uma virtude pra adotar, seria compaixão.

(mas sempre é tempo, não?)

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pela milionésima vez, dr. dolittle e o dia depois de amanhã (até dublado eu vejo). o primeiro porque tem animais falando e isso é o sonho de toda minha vida; o segundo porque não tem preço ver americanos imigrando com a roupa do corpo para o méxico ;) (mentira, não é só isso: eu gosto de filme-catástrofe em geral)

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antes de partir é uma delícia. você sabe exatamente o que esperar e o resultado não decepciona. tem cenas lindas do mundo todo, diálogos divertidos e algumas coisas bem fofas. eu veria de novo.

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aguardando ansiosamente hulk e wall-e na locadora. cinema pra quê, com uma TV de 50 polegadas? :)

outubro 8, 2008

a hora de ir

eu disse que queria falar de eutanásia, e acho que hoje é o dia. especialmente porque ontem ela teve que tomar essa difícil decisão por sua gatinha, charlote.

vocês sabiam que a palavra eutanásia vem do grego, bom + morte? eu não sabia, e gostei de descobrir, porque realmente acredito que a eutanásia é um ato de caridade, respeito e amor. descobri ao mesmo tempo que eutanásia é ilegal no brasil (para humanos, suponho), é considerada homicídio (leia o texto com reservas, ele é bastante parcial).

um dos argumentos contra a eutanásia é que ela seria executada em benefício não do paciente mas dos familiares ou responsáveis. algo como "precisamos nos livrar desse problema / sofrimento". só quem realmente nunca precisou passar sequer perto dessa opção pode pensar que é essa a motivação de quem toma essa decisão.

bah, eu sei que haverá os que querem se livrar do fardo, e pronto. assim como há mães que engravidam para ganhar pensão ou homens que compram uma esposa para ter escrava particular. posso estar errada, mas me parece que transformar a opção por uma morte assistida e digna em crime é forte demais.

da minha parte, gostaria de ter esta opção, seja pra mim ou pra qualquer pessoa que eu amo. não consigo imaginar nada pior que assistir alguém amado sofrendo ou ligado a aparelhos num hospital, sem esperança de recuperação e ainda assim amarrado a um arremedo de vida.

mas é bem mais fácil falar que fazer, admito, e a única experiência que tenho a respeito é com meus furões. optamos pela eutanásia de 2 dos nossos queridos: pixel e groo.

o primeiro foi o mais difícil, não por ser o primeiro mas porque fomos pegos de surpresa. ele ficou mal subitamente (úlcera perfurada) e foi só na mesa de cirurgia que pudemos entender o quanto seus órgãos estavam comprometidos. ele tinha mais de 5 anos (idade considerável para um furão), teria que ter seu estômago reparado e toda cavidade interna tinha sido de alguma forma comprometida pelo suco gástrico. a operação era viável, porém as chances eram poucas e sua recuperação seria muito dolorosa, caso ele conseguisse sobreviver à cirurgia.

decidimos então não submetê-lo a isso. nos fizemos muitas perguntas até decidir, mas a mais importante delas é: por quê? qual é o propósito de passar por dor e sofrimento, com chances tão pequenas de sobrevivência? não nos custaria absolutamente nada cuidar dele na recuperação. o bichinho não chora, não reclama de nada. ele ficaria quietinho, e o máximo que nos daria de trabalho seria monitorar de hora em hora, dar os remédios, limpar. tudo o que já fazemos normalmente quando qualquer deles está doentinho. não foi por preguiça e nem para evitar a nossa dor que escolhemos a eutanásia, foi para que sua partida fosse a mais suave possível. o fer, que estava com ele no dia da cirurgia, ficou ali do lado conversando com ele, protegendo e acariciando até que ele desse o último suspiro. porque era assim que queríamos que ele partisse: sentindo-se seguro e amado, sem dor.

o groo viveu até os 8 anos - um ancião. foram meses de cuidados especiais, pois ele não comia e nem andava sozinho. não fazia mais xixi ou cocô nos lugares certos, sujava a casa toda, os paninhos, trocávamos tudo mais de uma vez por dia. ele tomava remédios 4 vezes ao dia, comia só quando estimulado várias vezes ao dia e precisava de exames constantes de sangue. o fer passou muitas noites em claro com ele, eu passei muitos fins de semana limpando a casa e ajudando com os remédios. até que chegou o dia em que ele já não podia mais ficar em casa, sua glicemia estava tão baixa que teria que ficar internado até que seus órgãos parassem por completo.

fosse ele um humano, teria ido para a UTI e ficaria vivo às custas de aparelhos, até não se sabe quando. sem comer, beber, andar, isolado dos amigos e de nós, cercado por médicos e enfermeiros eficientes porém distantes.

ele passou 2 dias internado, no terceiro dia fomos nos despedir. pegamos no colo, fizemos muita festa, demos todo nosso amor e dissemos adeus. agradecemos a ele por todos os anos de alegria que nos proporcionou. ele foi sedado e a injeção final foi aplicada. nossa veterinária e amiga ficou ali conosco, escutando o coraçãozinho dele e fazendo carinho até que ele desse seu último suspiro.

não foi triste, chocante e nem ruim. choramos, é claro, porque nunca é fácil dizer adeus. e o mundo fica fora de prumo quando alguém que nos é caro(*) o abandona. nós sabemos que a decisão que tomamos foi por ele e para ele, que estava cansado e fraco, sem esperanças de qualquer melhora. não há um fiapo de arrependimento ou de dúvida em mim, tenho absoluta certeza que fizemos o que era melhor pra ele.

quanto mais penso mais acho que manter vivo alguém que sofre sem esperança ou que não tem mais vontade própria é egoísmo. é difícil aceitar que alguém que amamos vai embora para sempre. preferimos manter alguém sofrendo porém vivo a abrir mão da existência do outro.

bom... o assunto é difícil e acho que não existe resposta certa ou errada, no fim das contas. sei o que sinto e acho hoje. e neste momento fico feliz por ter tido coragem de escolher a eutanásia para os nossos pequenos. estou certa que eles são gratos, onde quer que estejam.

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(*) há quem ache que é bobagem amar animais, eu sei, mas deixo pra lá. aqui nesta casa não trabalhamos com amor categorizado. amamos sem reservas, independente da espécie.

outubro 9, 2008

você tem sede de quê?

vocês assistiram obrigado por fumar? assisti algumas partes e já adorei. uma das coisas mais divertidas do filme é a reunião periódica dos 3 cavaleiros do apocalipse (ou algo assim :)) - lobistas das indústrias de tabaco, armas e bebidas alcoólicas. numa destas conversas entre amigos, eles competem pra ver qual das indústrias mais mata pessoas por ano... ;)

mas isso é só curiosidade - quero falar sobre a ditadura da bebida alcoólica nos convívios sociais. às vezes fico imaginando como deve ser difícil ser alcoólatra recuperado e ter vida social...

nunca fui de beber, e meus pais faziam muita piada na minha adolescência porque eu era mais "careta" que eles - não bebia e nem fumava. não bebia e não bebo porque não gosto na maior parte das bebidas alcoólicas, é simples. poucas bebidas alcoólicas me agradam, e ainda assim em pequena quantidade: 1 chopp ou copo de cerveja (escuros, de preferência), uma taça de vinho tinto, um cálice mínimo de licor, e é suficiente.

quando tinha entre 17 e 25 anos, lembro de sair com amigos e beber montes de coisas que detesto, encher a cara, fazer besteira, etc. e eu continuava não gostando de beber, mas hoje percebo que não queria me sentir "aquela chata que não bebe". pra não falar de outro inconveniente - quando todo mundo está bêbado e você não está, características desagradáveis dos seus amigos saltam aos olhos. confesso que é difícil continuar se divertindo na companhia dos amigos quando eles estão bêbados e você não está.

se você bebe e acha que não é um bêbado chato, vou contar um segredo: você é chato sim. todo bêbado é chato, desagradável, inconveniente, constrangedor. a única forma de não perceber o quanto a bebedeira alheia é ridícula é bebendo junto.

e há outro problema ainda mais difícil de administrar quando você decide não beber: a pressão do grupo. experimente uma só vez sair com amigos e não beber nada alcoólico. você ouve toda a sorte de perguntas e/ou comentários sem noção, tipo:

- você tá tomando remédio? tá doente?!
- ih... tá grávida!
- o que foi, entregou o coração pra jesus?
- ah, agora não bebe mais com os amigos, entendi
- pronto, lá vem a chata que não bebe e vai ficar regulando nossa bebedeira...
- pô, só um chopp! Ô, GARÇON, PÕE UM CHOPP PRA MOÇA!

é como se não beber fosse um problema, uma limitação. beber virou obrigação, forma de provar que você é amigo, companheiro, sei lá. é como se diversão e bebida fossem sinônimos ou irmãos siameses, que não andam separados. que saco!

não sei dizer até que ponto essa relação entre diversão e bebida vem das propagandas, mas chutaria que há uma forte influência. tudo quanto é comercial de bebida tem mulher gostosa, música, diversão, gente bonita, etc. em filmes ou comerciais, quando querem caracterizar alguém como chato e sem graça basta colocar a pessoa pedindo um refrigerante ou suco.

suco e refrigerante são bebidas de criança; água é sinônimo de ressaca ou problema de saúde, ainda mais se você tomar sem gelo, como eu tomo; café e chá são coisas de gente metida a besta; não beber simplesmente não é uma opção.

e se eu simplesmente não estiver com sede, caramba? beber pra quê?

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ao acabar este post, me dei conta de que tem gente que bebe pelo efeito que o álcool causa, e isso sequer tinha passado pela minha cabeça até agora! detesto tanto estar bêbada que não lembrei que tem gente que gosta da sensação...

mas isso é assunto pra outro post - bebida é só um dos tipos de droga, e eu não gosto de nenhuma delas pelo mesmo motivo. esse papo fica pra outro dia :)

da série: histórias de infância

a denize pediu histórias de infância (a minha tá lá) e me dei conta do quanto tive uma infância maravilhosa... mas conversando hoje com a gracinha, lembrei de uma historinha que me faz pensar que o paraíso de uns é o inferno de outros :)

éramos 3 crianças praticamente da mesma idade, todos uns capetas. brigávamos o dia todo, minha mãe ficava quase louca. e nas brigas, a palavra mágica era sempre a mesma: MA-NHÊ!!!

não sei dizer quantas milhares de vezes por dia repetíamos MA-NHÊ, fato é que o nosso papagaio aprendeu a gritar MA-NHÊ e se juntou ao coro.

e um dia minha mãe surtou (quem não surtaria? :D). chamou as 3 crianças (e o papagaio) e decretou (aos gritos, histérica): de hoje em diante eu não sou mais MA-NHÊ. chega!! não aguento mais!! podem me chamar de qualquer coisa: vera, tia, moça, tudo menos MA-NHÊ.

acho que desde então não a chamamos mais de MA-NHÊ, porque ela era brava pra valer. talvez tenha sido nesta ocasião que começamos chamá-la de mami, que dura até hoje.

já o papagaio, acreditam que não lembro mais dele depois desse dia?! pode ter sido doado, acho que o bicho desapareceu misteriosamente....

outubro 10, 2008

leila diniz revirando na cova

ontem soube de uma história que me deixou indignada: um professor foi demitido por escrever num blog textos considerados incompatíveis com sua função de educador. os textos, no caso, são poemas eróticos, escritos em um blog pessoal. um trecho da matéria:

Poeta e professor de literatura, Oswaldo Martins Teixeira, 47, foi demitido no dia 11 de setembro da Escola Parque do Rio de Janeiro, onde lecionava para turmas de 7º e 8º anos do ensino fundamental. Pais de alunos descobriram que Teixeira escreve poemas eróticos; ele os publicou em livros e em um blog. Pediram a cabeça do professor.

A escola moderna, construtivista, mensalidade de R$ 1.161, unidades na Barra da Tijuca e no aristocrático bairro da Gávea, que funciona sob o lema ‘Uma escola que estimula a expansão cultural’, demitiu.

adriana lisboa não só comenta o ocorrido como publica a resposta de uma mãe de aluno, vejam vocês mesmos:

Boa noite. Sou mãe de alunos da Escola Parque. Posso te assegurar que o motivo da demissão do professor de literatura não foi a indicação do livro, mas sim o fato de ele haver disponibilizado na web "poemas" bastante pornográficos, um dos quais refere-se a ato sexual com "fedelhas" que, na liguagem coloquial, representa meninas adolecentes. Paralelamente a isso, algumas alunas começaram a resistir a assistir a suas aulas, alertando a direção. Se tiver interesse, dê uma olhada nos "poemas" POSTIGO e PISCADELA DA DIABA, ambos disponibilizados na internet.
Um grande abraço.

muito bem. mais alguém aí fica revoltado com uma história destas ou eu estou louca?

escola bacana do rio de janeiro. é, aquela cidade de artistas e modernos, cidade prafrentex. cidade do maior carnaval do mundo, com bundas e peitos sendo esfregados na câmera pra todo o mundo em tempo real. vêm de lá também o bonde do tigrão, as cachorras e toda a sorte de músicas cheias de sexo, que aliás embalam muitas festinhas de criança por aí.

e o rio de janeiro não é assim tão diferente do resto do país, sejamos justos. nossos sensacionais canais de tv aberta se encarregam de disseminar a sexualização precoce por todo o nosso país. vivemos no país das lolitas, do turismo sexual com meninas de 12 anos. democratizamos a putaria light e nos gabamos de ser um país cheio de energia sexual e sem preconceito. aham.

dito isso, confesso que algo assim ocorrer no rio de janeiro me espantou genuinamente. sempre achei a cidade tão... liberal. liberal nesse contexto significa o oposto de conservador. considero são paulo, por exemplo, como uma cidade conservadora. eu sei que não é correto usar um episódio isolado como representação do comportamento ou espírito de toda uma comunidade de pessoas, mas me fez pensar...

esqueçamos a cidade, então, vamos à história: professor de literatura supostamente indica livros com algum conteúdo sexual (e capitães de areia, alguém lembra?) para "crianças" de 15 anos. o professor de fato tem interesse em literatura erótica, seu mestrado é sobre este assunto e ele escreve poemas eróticos em seu blog pessoal.

os pais das crianças de 15 anos então pediram à escola que demitisse o professor, e a escola fez o quê? demitiu o cara.

segundo a mãe ali em cima, algumas meninas não queriam mais assistir à aula porque o professor escreve poemas eróticos. ahn? sério, gente, eu simplesmente não consigo ver essa cena acontecendo. a maior parte dos adolescentes com 15 anos já iniciou sua vida sexual (procurem e encontrem as estatísticas), duvido muito que se incomodassem de ter um professor que escreve poesia erótica.

talvez seja um caso simples de alunos se vingando do professor usando o suposto constrangimento como desculpa. joguinhos de adolescente pra sacanear o professor e demonstrar algum poder eu entendo. essa é a idade mais horrorosa da nossa existência, é quando ainda não sabemos nada da vida porém acreditamos que somos onipotentes e oniscientes. ignoramos lindamente as conseqüências dos nossos atos, pisoteando o que vier pela frente.

o que eu não entendo são esses pais, ricos e supostamente modernos entrarem nesse jogo. será que eles estão assistindo muito SVU, como me disse a denize? acham que porque o professor escreve poemas eróticos vai também atacar sexualmente suas mocinhas indefesas?

estão mesmo preocupados com o bem-estar e educação dos seus filhos, esses pais? são estes os mesmos papais que comem suas esposas pensando nas amiguinhas das filhas de 16 anos. as mesmas mamães que competem com as filhas, fazendo qualquer coisa para atrasar seu relógio biológico e usam as mesmas calças gang das suas meninas de 15 anos.

hipocrisia nojenta, é o que eu acho que isso é. eu tenho um recado pra vocês, mamães: os professores das suas menininhas tocam uma pra elas, sim. aliás, seu marido também. e suas menininhas se insinuam e sonham toda noite com um professor, tio ou amigo do papai que vai mostrar pra ela como as coisas funcionam. saiam da caverna, olhem ao redor. desejo é bom; falar de sexo é bom e praticar é ainda melhor. parem de tapar o sol com a peneira!

e a escola, hein? que atitude absurda para uma instituição de ensino e educação. estão passando uma série de mensagens super-construtivas: expressar sua sexualidade, mesmo que num contexto totalmente pessoal, é condenável; eles fazem o que os pais mandam, afinal eles estão pagando.

será que nesta escola existem pretos? como será que lidam com adolescentes gays ou mais sexualizados? fico me perguntando se existe alguma restrição de vestimenta, ou se as meninas podem ir vestidas de puta-mirim, como a gente vê por aí em todos os shoppings.

a demissão desse professor me fez pensar no quanto a maior parte das pessoas lida muito mal com sexualidade, com o desejo e principalmente com a expressão deste aspecto da sua humanidade.

e acho que essa história toda não aconteceu porque este era um professor de adolescentes, não. "defender as crianças" do professor "inapropriado" é só uma desculpa que travestiu muito mal a frustração, hipocrisia e ignorância dessas pessoas. estão replicando para estes jovens o que existe de pior em si mesmos. a nova geração ganhou mais uma meia dúzia de preconceituosos, graças ao exemplo dos seus educadores.

esta gente toda perdeu uma excelente oportunidade de ensinar aos seus filhos o que significam na prática liberdade sexual e de expressão.

outubro 13, 2008

antes tarde que mais tarde

miss potter é uma coisa fofa! filme gostoso contando uma história que até parece ficção. e os desenhos?! quero todos os livros dela, daquele tamaninho e com capa dura. lindos lindos lindos. acho a reneé zellweger uma chata nhé-nhé-nhé quando não está atuando (já viram entrevista? eca!) mas tenho que admitir que é boa atriz. ela sempre me convence em qualquer papel que interpreta.

recomendo!

(mas sou suspeita. vocês sabem que amo loucamente abaixo o amor, com a mesma dupla romântica)

**

história real é um filme especial. um senhor de 73 anos resolve visitar o irmão que sofreu um derrame e com o qual não fala há 10 anos. ele já não anda sem bengalas (duas), não pode mais dirigir e o irmão está a mais de 900km de distância. ele resolve então fazer a viagem usando um carrinho de cortar grama, e o filme mostra sua jornada.

o velhinho é absolutamente incrível, poucas vezes vi um rosto tão expressivo. o filme é comedido, simples e muito tocante. sem ofensa, nem parece feito pelo david lynch.

vejam, vejam, vejam.

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e comprei o diabo disse não. será que o filme é tão bom quanto a idéia? :) vejam a sinopse (daqui):

certo de que não será aceito no céu, o milionário henry van cleve morre e vai parar no inferno, onde é recebido pelo diabo, que não tem certeza de que ali é seu lugar. para convencê-lo, henry começa a relembrar sua vida, recheada de traições à mulher, entre outros problemas.

bordando franjas

parece que minha vida tem sido feita de observar o mundo e ver filmes, não é? pois é mais ou menos isso mesmo. filmes e causos (histórias vêm em vários formatos), casa no meio do mato, visitas gostosas à quitanda pra comprar jabuticaba, goiaba e banana (pros macacos, eu nem gosto assim tanto), canto de passarinho, observação da luz que muda, das estações do ano, silêncio e aconchego.

no domingo, vejam vocês, ganhei lembrancinha de dia das crianças dos meus pais, com 36 anos... puro carinho e brincadeira. fizemos almoço de família, daqueles que cada um contribui com um pouco e todos ficam felizes. quem precisa de mais que boa comida e bebida, companhia de amigos e sonhos? alguns momentos da vida são especiais e a gente não percebe, mas eu percebo este aqui. é como se tudo fosse banhado por outra luz, mais dourada e quentinha. há saudades e medos, alguns sonhos ruins e incômodos passageiros, mas são como pedras escorregadias ou morros que a gente escala e depois diz "ufa!" antes de continuar andando. a caminhada é que importa.

entre os fios que se cruzam, de diferentes cores e tipos, forma-se a vida. alguns são finos e quebradiços, temos que cuidar com cada puxão; outros são firmes, outros ásperos, outros coloridos e fofinhos. a mistura deles é que faz o xale que me aquece e embala nos dias que passam sem que eu perceba direito. parece que foi ontem que fiz 30 anos, meu deus.

dezembro se aproxima, e sinto que esse foi um ano de plantio e não de colheita. acompanhei tantas histórias, vi desenrolares vários, assisti morte e vida. tive medo e coragem, e sorri tanto, tantas vezes. chorei pouco. esse foi o primeiro ano sem férias em muitos anos. tem sido um ano de pé no chão, investimento, correção de rota (ou seria desenho de rota? sempre fui um tanto desgovernada e hoje me sinto firme, timão na mão).

vamos casar, pra valer. sem alarde, ali no cartório mais próximo, simples do jeito que gostamos. a intenção se expressa no gesto, mas a verdade está nos pontos bordados cuidadosamente dia após dia. está no beijo de cada manhã e no sorriso de cada tarde.

acho que aprendi (ou entendi), finalmente, que não existe nada mais importante que o detalhe, os alinhavos delicados de cada minuto. atualmente saúdo cada dia quando acordo e digo adeus às noites antes de dormir, agradecendo por estar aqui e poder contar com tudo e todos que me cercam. sou grata pelo meu passado, pelos erros que me ensinaram, pela minha disposição em aprender.

talvez esse sentimento e atitude sejam a prece ou a fé que procurei por tantos anos e nunca encontrei nas religiões. percebendo a trama dos dias e das horas, descobri as oportunidades que nascem a cada instante que chega.

já não deixo mais as chances passarem, agarro forte.

outubro 14, 2008

me belisquem

sei não, mas algo não vai bem.

primeiro a história que eu contei aqui, sobre o professor demitido porque escreve poemas eróticos; aí tem a denize e a história do tomate saxofonista apedrejado porque toca mal (entre outras coisas); em SP a marta ataca o oponente porque ele não tem filhos e família (hein?), no rio questionam a sunga do gabeira.

mas eu tou mesmo passada é com o comentário da mari no meu post sobre o professor (é o último): meninas de 5 anos brigam por causa de namorado (!) e uma joga o celular (!!) da outra no cocô, de vingança. a mãe da dona do celular descobre e pede a expulsão da ladra de namorado (não consegue) e consegue uma liminar na justiça para uma menina de 5 anos manter distância da outra (!!!).

por favor me digam que estou no universo paralelo, não é possível. quando foi que nosso país, além de ser um antro de corrupção e falta de educação, voltou pro século passado?

seria bom se as pessoas demonstrassem tanta paixão pela ética quando têm demonstrado pela (aham) moral.

outubro 15, 2008

mulheres na pauta

falando sobre câncer de mama, esclarecendo, nos fazendo rir e ter esperança, as moças que passaram pela experiência:

nuna no luluzinha (corrigido!)
dani no enzimas, sempre

**

tem a lúcia também falando do assunto e dando detalhes importantes no ladybug.

**

e falando sobre a sexualidade de mulheres que amam mulheres, tem a mari no queergirls.

outubro 23, 2008

meu país, meu orgulho

é nozes no darwin awards de 2008, gentem! vejam que espetáculo:

Sitting for more than 19 hours in a lawn chair is not a trivial matter, even in the comfort of your own backyard. The priest took numerous safety precautions, including wearing a survival suit, selecting a buoyant chair, and packing a satellite phone and a GPS. However, the late Adelir Antonio made a fatal mistake.

He did not know how to use the GPS.

o score deste causo real está em 9.1, merecidamente. vá votar :)

dica do fer, claro.

outubro 26, 2008

23/set/2000 - 25/out/2008


forever may you run

pequena, que saudade vamos ter de você... confesso que nunca admiti a idéia da sua partida, você sempre pareceu mais forte que a vida e a morte.

acompanhei 7 dos seus 8 anos de vida, e jamais conheci um serzinho tão independente ou corajoso. você não tinha medo de nada, era uma ogrinha de 650g. você só parecia um furãozinho indefeso quando dormia, enroladinha como uma bola, branquinha feito algodão. minha ursinha polar, princesinha de nariz preto, meu avatar em forma de furão.

sonhei com você durante estes 7 anos com freqüência, e você era sempre eu. quando eu temia por você e queria protegê-la, era eu mesma que precisava de ajuda. sua personalidade brincalhona e mandona ao mesmo tempo foi uma piada do destino - eu merecia mesmo um sósia mustelídeo me mostrando o quanto eu precisava aprender a aceitar carinho e cuidado.

você aprendeu devagar, junto comigo. andamos de mão e patinha dadas nestes 7 anos, aprendendo a ser independente e brincalhona sem ser um porco-espinho. nestes útimos anos você se deixou amar e acarinhar, e nos seus útimos dias foi quase uma criatura fofa ;)

aprendi a amar você e suas manias ao mesmo tempo que aprendi a me amar, petitica. sei que há pessoas que só dedicam amor àqueles da mesma espécie, mas não é meu caso. amei sempre e muito sua carinha de urso, suas mordidas e seu gosto pela organização. amei suas brincadeiras 100% conduzidas por você mesma, sempre no seu ritmo e no seu tempo. amei os últimos anos da sua velhice e tranquilidade forçada. amei também cada pequena tentativa sua de organizar os bichinhos.

seu último descanso vai ser ao lado dos montes de bichinhos amigos da thais, mas vão com você também sua po e a rena de nariz vermelho, suas preferidas.

não sei dizer o quanto sinto sua falta, o quanto essa casa é vazia sem sua presença minúscula. mas eu sei como são as coisas da vida: todos precisamos ir um dia e é fato que estes nossos meninos safados e sem-vergonha precisavam mesmo de uma mocinha pra organizar a bagunça que deve ser uma morada só de furões machos...

nos encontramos um dia, querida. fique bem e espere por mim!

didi
(foto da denize, numa visita à nossa casa)

outubro 27, 2008

um recado se faz necessário

anônimos são sempre covardes e mau-caráter, e eu não costumo dar corda pra esse tipo de gente. mas este caso merece um post, porque a resposta para esta pessoa pode também ser resposta pra outros por aí.

o email aí embaixo voltou, obviamente, porque o destinatário é falso. eu, na minha inocência, respondi como se estivesse falando com alguém de fato interessado no assunto, que deixou recado porque quer de verdade trocar idéias. mas tudo bem - melhor fazer papel de boba que ser mau-caráter.

de baixo pra cima: o recado (deixado no post sobre a morte da didi) e minha resposta.

Cither,

Eu também acho um problema e penso bastante no assunto, falo bastante disso no meu blog e continuarei falando.

No entanto, acho extremamente insensível da sua parte deixar um recado como este no meu post sobre a perda de um animal que me era muito querido. Entendi seu objetivo e, apesar de acreditar que bem no fundo suas intenções em relação aos animais são boas, acho que você não deve ser uma pessoa legal. Pessoas legais respeitam a dor alheia ao invés de usá-la como alavanca pra defender suas idéias.

Peço que você não entre mais em contato comigo ou deixe recados no meu blog. Esse assunto que você levantou me intessa muito, mas conversá-lo com você não me intessa.

Zel

-----Mensagem original-----
De: cither.cither@yahoo.com.br [mailto:cither.cither@yahoo.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 27 de outubro de 2008 11:23
Para: zel_contato [ @ ] hotmail.com
Assunto: [zel v3.4] New Comment Posted to '23/set/2000 - 25/out/2008'

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Esses bichinhos fofos e sensíveis ñ são nem um pouco diferentes dos porquinhos, galinhas e vaquinhas que são torturados pra gente comer. Já imaginou um furão levar uma paulada e depois aparecer assado na nossa mesa?!? Sei lá, fico tão perdida por privilegiar alguns bichos em relação a outros, ainda mais tendo tantas opções de alimentos: verduras, legumes, folhas, massas e molhos maravilhosos, castanhas, arroz, feijão, sopas, pães e tortas incríveis, doces... Realmente é um problema pra mim, o q vc acha disso?
Um abraço,
Cither.

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eu não sofro por muito tempo, nunca. as coisas doem, incomodam, eu choro um rio de lágrimas e quando eu menos espero, passou. ela me disse que isso é culpa da minha lua, e eu acredito porque a claudia sabe tudo e mais um pouco (além de ter a lua idêntica à minha).

agradeço muito todos os recados, emails e os abraços. recebi todos os carinhos de vocês e tenho absoluta certeza que minha pequena está em algum lugar melhor. eu inclusive acredito em vida após a morte para os animais, acredito mesmo que há um céu para os bichos. acredito também que eu vou pra lá quando chegar a minha hora, vou me esforçar bastante pra merecer estar lá, apesar de todos os meus erros.

e falando em erros, esse recado que recebi e publiquei aí embaixo foi interessante, por dois motivos: o primeiro foi minha reação / resposta. há alguns anos, tudo teria sido bem diferente. eu teria sentido raiva, xingaria, ficaria revoltada mesmo. hoje eu só sinto muito pelos equívocos alheios. fico triste quando vejo pessoas que poderiam ser legais sendo escrotas, simplesmente porque não enxergam o outro. outra coisa que me surpreendeu foi não querer discutir com quem não me respeita. novamente - há alguns anos isso não importava, eu discutia pela discussão. me importava menos o resultado e mais o processo, discutir era um modo de vida. cansei disso - só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder.

o segundo motivo é que este recado me fez perceber que as pessoas acendem luzes pra ver melhor mas não entendem que olhar demais para a claridade também cega. defender idéias é sensacional, eu realmente admiro quem se empenha em se fazer ouvir, vender aquilo em que acredita e mudar o mundo. mas toda crença cega e radical é ruim, é tão ruim quanto "o mal". é impressionante como o mundo está cheio de pessoas que poderiam ser do bem e se tornam tiranas escrotas porque exageram na dose.

vocês vão rir e fazer chacota da minha citação, mas tudo bem: nessa altura da vida isso já não me incomoda mais :) as novelas da dragonlance têm um mundo particular, inserido num universo que é organizado por três grandes forças: luz, escuridão e neutralidade. cada força tem exatamente o mesmo poder, e enquanto a luz e a escuridão tentam prevalecer, a neutralidade procura sempre trazer equilíbrio, tomando partido de acordo com a ocasião.

essa tríade é formada por irmãos: paladine (a luz), takhisis (a escuridão) e gilean (a neutralidade). eles são filhos do caos, e influenciam o mundo que criaram (krynn) e suas criaturas.

faz-se referência a "bem" (a luz) e "mal" (a escuridão) às vezes, mas o que existe de mais legal nesta série é que nenhum dos dois lados é certo ou errado. eles têm visões diferentes das mesmas coisas, são lados opostos da mesma moeda. e têm, ambos, seus pontos fracos e seus exageros. os elfos, representantes da luz, são arrogantes, fechados, conservadores, detestam e desprezam tudo o que é diferente de si mesmos. os ogros, representantes da escuridão, são violentos, irascíveis e se consideram as criaturas escolhidas pelos deuses. por outro lado, os elfos amam e respeitam a natureza e a beleza; os ogros são corajosos e leais aos seus camaradas. quem está certo, quem está errado?

em diversas ocasiões nesta novela (que tem centenas de livros, dos quais li talvez 2 dúzias) a luz prevalece e destrói tudo que vagamente lembra a escuridão. é uma luz cegante, estéril, que não dura muito tempo. quando a escuridão prevalece, o mundo é formado de escravos. no decorrer das longas histórias, percebe-se que a beleza da vida e deste mundo está na diversidade, no respeito pelas diferenças, no equilíbrio.

pessoas boas às vezes se tornam completos imbecis porque esquecem que ser bom não significa estar sempre certo, e que os fins não justificam os meios. passar por cima dos sentimentos e crenças alheios não é aceitável em nenhuma hipótese, mesmo que sua causa seja justa. ter razão não dá a ninguém o direito de ser cruel. usar a vantagem de ser "do bem" para pisar nos outros é muito escroto.

por que contei essa historinha? porque ela ilustra bem aquilo em que acredito cada vez mais: respeito ao próximo (seja pessoa, animal, planta) é a chave para uma vida melhor. procuro direcionar minha vida a entender como posso melhorar minha interação com o que me cerca, de vários pontos de vista. minha interação não é obviamente perfeita, mas eu sei onde quer chegar.

dou um exemplo: acho mais prioritário aprender a ser respeitosa com aqueles que estão diretamente ao meu redor que deixar de comer omelete para respeitar a galinha. eu amo animais e acho relevante questionar se é justo usar as galinhas para botar ovos para o meu almoço, mas de que adianta poupar as galinhas e ser um filho da puta com alguém ao alcance de um email? (hello leitora cither, essa foi pra você! aprenda a ser melhor com seus semelhantes antes de ser qualquer outra coisa; isso é essencial).

por isso eu entendo, uso essas experiências de tristeza e incômodo para aprender a ser melhor, mas mantenho distância de seres radicais. porque aprendi também que não preciso me submeter a todas as provações (e vencê-las) pra ser melhor.

em suma, entôo um mantra velho conhecido de todos: vá de retro, satanás! (um dia falo sobre a figura do demônio, que é interessantíssima neste contexto)

e vou pra próxima página, que eu não nasci pra sofrer. e também acordo pra vencer, que nem ela.

outubro 28, 2008

o menino mais lindo e o presente mais lindo

do weno, claro.

sua ligação é muito importante para nós

a lúcia avisa e eu passo o recado:

o ibama quer saber: o que você acha sobre a caça amadora?

eu sou contra. tentei votar e o site disse que eu já tinha votado (não tinha).

puxando a brasa pro meu tubarão ;)

tá, eu sei: o sujeito é meu marido e é claro que eu devia mesmo gostar do que ele escreve. sei também que ele andava escrevendo pouquíssimo e seria sacanagem recomendar um blog que tinha um post a cada 29 de fevereiro, mas...

... ele está escrevendo quase todo dia e uma coisa melhor que a outra. preciso recomendar: pessoal, o palavras brutas é muito bom.

mas aviso: por lá não tem flores, passarinhos (well...) e conversa mole como aqui, não. o nome do blog não é mera coincidência!

(mentira: o nome vem da música do chico, o mau-humor é tudo fachada e ele é um doce de criatura. praticamente a encarnação humana de ferdinando, o touro que gostava de flores :P)

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