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história #27: renata

Oi Zel,

tudo bem?

Sou mais uma leitora silenciosa do seu blog. O leio há anos e, como algumas pessoas têm comentado, também discordo de você em algumas coisas, mas admiro a forma como apresenta suas ideias e as defende e, especialmente, me encanto com o quanto você é uma pessoa do bem. Isso é mesmo visível através das suas palavras e eu fico imaginando o quanto você deve ser ainda mais do bem do que demonstra, já que os discursos sempre limitam a realidade (ou pelo menos assim eu acredito).

Quando vi seu chamado para escrevermos contando nossas histórias, fiquei pensando se eu teria alguma. E acho que não tenho, sabe? Não me recordo de um momento específico em que seu blog e você tenham sido parte de uma história minha. Mas o que acontece com bastante frequência (muita mesmo) é ler ou ver alguma coisa e pensar em você. Em qual seria sua opinião sobre aquilo, em como você se expressaria sobre determinado assunto. Acho que é porque eu admiro bastante a forma como você se expressa e acho muito legal o quanto você, de fato, reflete sobre o mundo, as pessoas, você mesma e a vida. Estranha e tristemente, tenho a impressão de que isso não é muito comum, sabe? Acho que boa parte das pessoas liga o automático e vai vivendo, sem pensar muito, sem refletir, sem decidir o rumo que quer dar pra própria vida. E você sempre me passa a impressão de que faz muito isso. Acho muito legal quando a leio falar sobre assumirmos nossas escolhas, sermos responsáveis por elas e aceitarmos as consequências. Isso me fez pensar (e acho que essa talvez seja uma história que eu tenha prá contar sobre o seu blog e você, rs) que não há uma forma certa ou errada de viver. Existem as nossas escolhas, que nos trazem coisas boas e ruins e quando decidimos alguma coisa temos que aceitar o pacote todo. Isso é realmente maturidade e acho que lê-la dizendo isso me amadureceu também. E olha que curioso: hoje recebi a ligação de uma amiga que está sofrendo em função de uma escolha que fez (e que deu errado) e eu me vi repetindo o que você disse. Ela concordou e agora está lá, assumindo o pacote vida, sempre tão cheio de contradições.

Mas enfim, o que eu queria mesmo com este email é mandar o link para um texto que me fez pensar em você. Seja porque você vai ser mãe (parabéns!), seja porque o assunto é polêmico, o fato é que quando eu o li, tive vontade de saber sua opinião (como se você fosse uma velha amiga que me dá conselhos, rs).

O texto é este: http://contardocalligaris.blogspot.com/2010/06/os-adolescentes-que-merecemos.html

Um abraço, parabéns pelos 10 anos do blog e não deixe de escrever!

Renata

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caramba, renata, você é muito perceptiva. várias coisa que você menciona na sua história são essenciais pra mim, e o fato de serem justamente estes pontos que chamam sua atenção me deixam feliz. encontrar eco nos outros é sempre delicioso, dá uma sensação boa de não estar sozinho no mundo das reflexões.

você está certa: eu penso muito, reflito o tempo todo e tento colocar um pouco disso aqui no blog. curioso é que os meus posts mais reflexivos são os que menos têm eco em comentários. antes eu achava que era uma questão simples de facilidade – as pessoas se identificam mais com assuntos leves, e têm preguiça de pensar – mas hoje acho que não é só isso (felizmente). pessoas como você de alguma forma aproveitam minhas reflexões, concordando ou não, só que preferem não se manifestar, seja pelo motivo que for. saber que essas minhas elucubrações de alguma forma chegam até alguém me animam a escrever mais.

eu às vezes me sinto um disco riscado (afe, isso é velho e quem tem menos de 30 nem deve mais entender essa expressão, hahahahaha! o vinil morreu, coitado…) quando repito insistentemente sobre fazer escolhas e arcar com as consequências delas. caramba, isso é tão absolutamente simples e primário, e as pessoas não entendem! ok, não é realmente questão de entendimento, é como você falou: tem a ver com a maturidade de se colocar como protagonista da própria vida. mas a gente aprende (bem, alguns aprendem pelo menos…) e evolui. veja aí que exemplo legal o seu com sua amiga. adorei! não importa que deu errado, pô, o que importa é que eu escolhi ao invés de deixar “a vida” me levar. eu controlo o leme desse barco.

e esse artigo que você mandou, putz, é genial. sob o risco de me repetir irritantemente de novo: pais adultos-adolescentes, controladores e inseguros criam filhos dependentes e imaturos. e que vão repetir o modelo dos seus pais, fazendo bobagem vida afora e culpando o mundo e os outros por suas escolhas erradas. concordo totalmente com o autor: o que é mais perigoso ou “irresponsável”, deixar sua filha velejar ao redor do mundo sozinha ou sair à noite com as amigas e amigos bêbados dirigindo feito loucos? é o tipo de pergunta que nem precisava ser feita, desculpaí. a pergunta no fundo é que tipo de filho você está criando, um eterno adolescente-vítima-do-mundo ou um adulto que se permite errar e tentar de novo?

essa é uma das principais preocupação que tenho nos anos que virão, pois com um filho chegando tenho a obrigação de prepará-lo para ser um adulto consciente, responsável e confiante. o que mais quero é que ele tenha capacidade de escolher e assuma as consequências dos seus atos sem posar de vítima. tarefa dura, hein? 😉

querida, obrigada pela história, por estar sempre aqui e pelo ótimo link. beijo enorme!

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