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Archive for fevereiro, 2018

quem tem privilégio precisa ouvir, sim.

fevereiro 23, 2018 Leave a comment

Sobre esses temas polêmicos (racismo, machismo, outros): pode não parecer, mas eu leio e concordo com várias coisas que os críticos do que enxergam como “exageros” pontuam.

 

Li o texto da E. Brum e fiquei constrangida. Bloqueei o perfil da Stephanie no FB. Saí de diversos grupos feministas / transgênero por me incomodar com opiniões muito agressivas, sem abertura pro diálogo e pro diferente. No limite, a resistência se torna tão radical que se aproxima em postura dos que está combatendo, e isso me dá um enorme desânimo e cansaço.

 

MAS,

 

se for pra tomar partido ou me colocar sobre o assunto, sempre vou preferir escutar quem está em posição de desvantagem. Porque por mais que os críticos da resistência tenham razão, eles ainda estão em vantagem, e falam do assunto do alto da tranquilidade de quem não é atropelado pela realidade dele todo dia.

 

Eles (os críticos) podem escrever textão lindo na internet, cheio de argumentos mais lindos ainda e gastar todos os seus neurônios e referências acadêmicas, e podem ter razão em alguns pontos. Mas quem passa por violência e humilhação, quem é estuprada, morta, todo dia é aquela pessoa que resiste.

 

Também acho que reagir violentamente e de forma a excluir o outro do debate é péssimo. Polariza e machuca (motivo pelo qual não leio Stephanie — me dá raiva).

 

MAS,

 

raiva e violência, choro, ranger de dentes e descontrole emocional também são mensagens, e devem sem ouvidas.

 

A gente que é educador aprende que quando a criança dá chilique (*), geralmente tem alguma coisa ali por trás. Chiliques são sintomas, não são causa. As causas podem ser muitas: cansaço, medo, fome, dor, raiva, ciúme. Enquanto você não for capaz de ultrapassar a barreira do chilique e entender o incômodo da criança, o problema não se resolve. Ameaçar, humilhar e ignorar podem até desestimular ou alterar o sintoma (já que não adianta, não faço mais; já que não tá adiantando vou gritar mais alto) mas não ajudam a criança a ser mais feliz e saudável, tal que dar chilique não faça nem sentido. Criança feliz, descansada e segura não dá chilique.

 

Algumas pessoas humilhadas e violentadas diariamente estão gritando e esperneando. Às vezes elas estão fora de controle, às vezes me machucam no processo.

 

Em algumas situações me sinto no papel de quem dá chilique. Mas às vezes eu sou o alvo. E nestes casos escolho buscar entender o que acontece além da manifestação violenta que estou presenciando. Escolho buscar entender quem está sofrendo o suficiente para perder a paciência e o controle e gritar mais alto.

 

Escolho tentar entender onde estou errando, o que EU posso fazer pra ajudar o outro, ao invés de dizer pro outro que sofre que a reação dele é frescura, exagero.

 

Com base no que penso a partir do que leio, poderia não me envolver, não ter opinião, ou ficar em cima do muro (porque concordo com gregos e troianos, muitas vezes).

 

Só que conscientemente prefiro tentar ouvir e dar voz a quem não tem. Não vou ampliar quem já tem voz o suficiente, repetindo as opiniões de senso comum.

 

(E por favor, não vamos confundir o ruído e repercussão das redes sociais com a realidade DO MUNDO. Quem acha que é oprimido por movimentos negros e/ou feministas é porque passa tempo demais online e de menos na rua!)

 

(*) sei que “chilique” pode ter conotação negativa, ridicularizando a reação emocional, mas só usei essa porque não encontrei nenhuma melhor. Leia sem conotação negativa, por favor.

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regra do jogo

fevereiro 16, 2018 Leave a comment

Lá em 1900-e-bolinha (sou velha), escutei uma brincadeira feita com um amigo extremamente egocêntrico que se aplica a muitos casos na vida. Segundo os amigos, a frase que o definia era:

 

“Eu ganhei; nós empatamos; você perdeu.”

 

E o que tem de gente assim? Afe. Nunca são parte do problema. O problema SEMPRE são os outros.

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express yourself

fevereiro 16, 2018 Leave a comment

Sábado vou fazer uma tatuagem grande no braço. Depois de 17 anos (!!!!) desde que tatuei o dragão gigante.

 

Uma mistura delícia de ansiedade com excitação, alegria de registrar na pele, do lado de fora, um aspecto do lado de dentro.

 

Não é pra isso que serve tatuar? Ou vestir?

 

É um jeito de lembrar pra nós mesmos quem somos.

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foco na solução – POR FAVOR!

fevereiro 2, 2018 Leave a comment

Não passa um dia sequer sem que eu enfrente tretas homéricas, é parte do meu trabalho. O que chega pra mim é só cacho de abacaxi, contêiner de pepino… e com eles uma série de pessoas emocionalmente abaladas, com medo, com raiva. Algumas inseguras, algumas achando que estão cheias de razão.

 

Todo mundo tem razão; ninguém tem razão. Sempre. Quanto mais você mergulha no problema, mais claro fica que tem erro e acerto de todo lado, e que é raro uma solução deixar todos feliz, porque

 

(Rufem tambores 🥁)

 

quase ninguém quer (1) admitir que pode estar errado em alguma parte e/ou (2) ouvir os outros e **ceder**.

 

Admitir que está errado requer uma autoanálise e condição intelectual / emocional que de fato são complicadas de “exigir” da maioria das pessoas. Precisa ter coragem pra se olhar com olhar crítico e assumir erros. Deixa essa pra lá.

 

Mas ceder, gente… não devia ser tão difícil quando existe um objetivo comum. Por isso que quando a bomba chega pra mim, sempre tento entender o que aquele monte de gente quer, no final. Que o sistema funcione? Que o cliente receba a mercadoria? Que a satisfação do funcionário melhore? Que a coleta seletiva do lixo do condomínio exista?

 

A exposição do problema traz consigo os conflitos entre as partes mas devia também trazer os pontos em comum entre os afetados.

 

É importante entender o problema, destrinchar ele, sim; mas é muito mais importante saber o que queremos CONSTRUIR ou CONSERTAR, como objetivo.

 

As pessoas gastam tempo falando de outras pessoas, do passado, de problemas paralelos, de suas frustrações, e não falam de construção da solução.

 

E não ouvem os outros. Não são transparentes. É um trabalho de garimpo conseguir extrair fatos, informações “limpas”, opiniões sinceras. (aqui na américa latina isso dá um trabalho insano! É incrível como as culturas mais diretas no relacionamento tratam problemas de forma mais rápida)

 

É preciso ser quase um PASTOR (de rebanho) pra direcionar para o caminho da solução; é preciso ser psicólogo pra tirar das pessoas informações “limpas”.

 

Não tem um só dia que eu não pense no bem que faria à humanidade aprender mais desde criança sobre autoconsciência e assertividade.

 

Me economizaria metade do dia, todo dia.

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eclipse

fevereiro 1, 2018 Leave a comment

Uma preguiça imensa das tretas, das pequenezas da alma humana, das bobagens.

A vida é tão maior.

Penso em todas as pequenas oportunidades diárias de ser feliz.

Há tanta coisa importante passando enquanto a gente se preocupa ou gasta energia com o irrelevante…

(Pra quê, mesmo?)

Amanhã é dia 1, ou simplesmente mais um dia pra começar de novo, de outro jeito. Mais um dia pra buscar lampejos de vida e alegria, no meio da lama do mau humor, baixo astral e problemas que nunca acabam.

Vem, super lua, e ilumina esses caminhos, ‘bora afastar a sombra dos cantos.

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