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Archive for junho 4, 2018

sororidade

junho 4, 2018 Leave a comment

Caso exista inferno, há um lugarzinho mega desconfortável especialmente reservado a mulheres que tentam humilhar e diminuir outras.

Moças, a gente já se fode o suficiente, nenhuma de nós precisa de outra empurrando pra baixo. Vamos só empurrar pra cima, ok?

Vamos. 👊🏻

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31 de Maio

junho 4, 2018 Leave a comment

Hoje é aniversário do meu pai, aquele da horta, dos bichos, das madeiras. Do lagarto, dos galos e gansos, das histórias mais fantásticas e malucas. Da melhor receita de macarrão, de siri, de peixe.

 

65 anos. Ele nasceu num ano com final zero, como o Otto (tão bonito, né?). Nasceu no último dia do último mês antes do inverno.

 

Ele é tão parte de mim que não sei quem seria se não fosse ele. Tenho orgulho dele, tenho raiva de tantas coisas que ele poderia fazer e ser, tantos dissabores que ele poderia ter evitado pra si mesmo, para os outros…

Ele também me ensinou com seus erros, e eu aprendi.

Obrigada, pai, você sempre foi meu maior heroi, uma inspiração, um alerta.

Amo você e sua história. Que ainda haja muitos patos, couves e cauacos.

<3

 

**

 

E hoje ele me contou que 2 cachorros do vizinho da chácara mataram 16 bichos dele (galinhas, galos e seu pato preferido). “Até chorei, filha”.

Mas ele não ficou bravo com os cachorros “eles não fazem por mal, é da natureza deles”.

“Mas é assim, fazer o quê né?”

 

**

 

O Otto deu parabéns pelo telefone, mas me avisou que “quero ir dar parabéns pro vovô lá na horta dele, mamãe!”

Eu também, meu amor, eu também.

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sustentabilidade e política

junho 4, 2018 Leave a comment

Tou achando tão interessante esses textos sobre “sair sem carro”, em especial de gente (adivinha?) rica, privilegiada.

Aprendi a dirigir com 23 anos, obrigada pela minha mãe. Sempre andei a pé e de bicicleta quando criança e adolescente, e depois de ônibus. Comprei meu 1o carro com 28 anos, vendi depois de 1 ano (desnecessário em SP, onde eu morava, e caro), só fui comprar outro com 35 anos, quando vim trabalhar no interior.

Passei a maior parte da vida sem carro, como aliás a enorme maioria das pessoas que não têm dinheiro.

Me irrita um pouco essa romantização dos meios de transporte sustentáveis, além do julgamento moral de quem valoriza (e usa) o carro, pelos seguintes motivos:

– Ter carro tem um valor social importante, é sinal de sucesso. As pessoas se sentem bem-sucedidas quando têm carro. É como comprar iPhone, tênis de marca. Antes de criticar as pessoas, precisamos criticar o sistema.

– É fácil andar a pé e de bike morando em bairro bom. Andar a pé e de bike lá na Vila Ré (onde morei, inclusive) não é tão divertido assim. E pra ir de bike ou a pé da Vila Ré pro centro é uma vida, arriscando morrer atropelado numa cidade que não foi desenhada pra acolher pedestres.

 

(Pode ser minha bolha, mas todo mundo que defende mobilidade mais sustentável é rico. (“Ain, eu não sou rico!” — é sim, se manca))

 

– O tempo livre é um bem escasso, e de novo, a causa disso é estrutural. Não adianta colocar a culpa no indivíduo. De carro eu demoro 12 minutos pra chegar ao trabalho. A pé eu demoraria 2:15h e de bike seria 1h (e na volta do trabalho eu pego o Otto na escola). Eu trabalho 9h por dia, que tal adicionar mais 1 ou 2h me deslocando só pro trabalho? Fora a escola da criança, supermercado, seja lá o que eu precise fazer. Parte desse trajeto seria já sem luz do dia, e tudo passando por rodovias, e moro na zona rural.

É impossível? Claro que não. Mas requer uma estrutura de infra e social que não existe. Não é à toa que nos lugares pequenos se usa mais bicicleta e anda-se mais a pé — o tempo compensa. Tempo é precioso, e o carro ajuda com isso sim. Moto, ou ônibus também.

Carona colaborativa, maravilhoso, e pra algumas pessoas que têm flexibilidade funciona legal. E quando você tem um itinerário complexo, horários rígidos? E quem tem mais de um filho, creche, escola? Não é impossível, passa por um milhão de escolhas diferentes e — inevitavelmente — **mais tempo livre**.

Pra ter mais tempo livre é preciso mudar bastante a forma de viver. Não é tão simples quanto parece, e repare que as pessoas que adotam formas minimalistas de viver são ou moradores de rua ou privilegiados que podem fazer certas escolhas.

Aquela moça que resolveu “vender tudo” (ela tem o que vender, olha que coisa) e dar a volta ao mundo; aquele cara que vive da sua arte e estudou nas melhores escolas, criado a danoninho e tem onde morar (e sempre tem os pais caso tudo mais falhe); aqueles que podem se dar ao luxo de tirar sabáticos, férias — um luxo.

Claro que poderia escolher não ter filhos, viver só, não ter trabalho fixo, ou fazer algum trabalho que não requer horário… tenho o privilégio de poder fazer todas essas escolhas. Eu faço parte do 1-2% da população que tem escolhas. Você que tá lendo certamente também faz.

Esse textão é pra lembrarmos que ficar dando lição de moral mandando as pessoas andarem menos de carro não muda o mundo. Política muda o mundo. Precisamos de mais transporte público, e cidades que dêem suporte a formas alternativas de mobilidade.

E, mais que nada, precisamos de novos modelos de trabalho e apoio pra quem tem filhos, porque quem trabalha 9-10h por dia não consegue gastar 2-3h adicionais por dia (com MUITA sorte; lembrando que muitas pessoas já gastam de 2-4h pra se deslocar para o seu trabalho) se transportando.

 

**

 

Fora isso tudo, sim, precisamos usar menos combustível fóssil, urgente.

E cuidar da nossa água.

E criar humanos bem melhores.

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saudade

junho 4, 2018 Leave a comment

Amigo querido que já se foi: hoje passei ali naquele Café Creme da Paulista, nosso ponto de encontro por tantos anos pra falar da vida, das coisas e (mal) das pessoas.

Faz 10 anos que você se foi (11 no final desse ano) e ainda sinto sua falta, penso em você, ouço sua voz, porque você vive em mim enquanto eu viver.

Você faz uma falta danada. Mas agradeço todos os anos que tive contigo, e que me modificaram. Às vezes pra pior 😀 mas no geral pra muito melhor. (Ainda) te amo.

❤💔

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