Dízima periódica

Minhas crises têm data marcadinha no calendário. A primeira que me lembro, em 2006, uma labirintite inexplicável. Em 2010, diabetes e pressão alta depois de um parto pra lá de complicado. 2012 minha vesícula foi pro espaço. Em 2018 ou alienígenas invadiram meu corpo ou ele tá me dando uma mensagem

**GRITANDO**

que eu preciso dar uma pausa.

Diarreia, vômito, pressão alta, ansiedade batendo recordes que eu desconhecia.

Tenho acordado às 5h da manhã. Só quem me conhece tem noção o que é isso — sou uma pessoa que dorme, muito. Pois agora acordo e os pensamentos me invadem. Os mais inúteis, os mais preocupantes. Toda preocupação do mundo é minha, só minha, ninguém tasca.

Há 2 anos fui na cardiologista, e ela me disse (adivinha?): você precisa de exercício; você precisa perder peso.

Não só não perdi como não me exercitei quase nada, ainda mais com regularidade. Literalmente empurrei com a barriga.

Há algumas semanas achei que meu corpo tava pedindo exercício, e esperei passar. Devia ter escutado.

Ele, meu corpo, tá agora em greve, e precisamos nos reconciliar. Com amantes a gente tenta presente, comida boa, programas românticos. Com o corpo, agora tou na base do remédio, repouso, respiração ativa (inspira, expira), água, comida controlada e caminhadas homeopáticas, que –PROMETO, CORPINHO, JURO! — levarei pra sempre.

Tem paciência comigo, corpinho. Eu demoro a aprender, mas tá dado o recado. Fica comigo aqui mais umas décadas, que eu tenho um filho pra criar.

Baby steps, aos 46-quase-47, porque minha vida é isso mesmo, desde sempre: começar tudo de novo.

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