Feliz 2019!

Último dia do ano, e eu ainda preciso contar pra vocês dessa ausência desde antes da eleição que nos leva de volta ao passado.

Na última semana de Outubro eu fui pro hospital duas vezes: uma por algum tipo de vírus gastrointestinal e a outra, dois dias depois, com a pressão a 17/11. E aí precisei ar foco absoluto na minha saúde, porque tinha q sensação real que algo estava muito errado. Tive medo de morrer, de verdade.

Pra ninguém ficar assustado, eu já dou o spoiler: só falta 1 exame médico pra fazer, mas nenhum dos exames que fiz até agora deu NADA. Coração, fígado, pâncreas, rins, pulmão, sangue, inclusive a pressão estão OK. Recomendação médica: perder peso, fazer exercício e cuidar da ANSIEDADE, que está me deixando incapaz.

Já faço terapia, como vocês sabem, amo e recomendo pra todo mundo. Reparei com essa crise que tem muita gente MESMO que está sofrendo com ansiedade e não está se cuidando, especialmente mulheres. Falei com 4 no trabalho que estão com sintomas de ansiedade grave e estão tocando a vida. Precisamos nos cuidar. Passei uma uma psiquiatra e psicanalista que me recomendou medicação pra ansiedade, a cardiologista reforçou a importância, e estou medicada e feliz com o resultado. Continuo trabalhando na causa com a terapia, mas a medicação me ajuda a viver sem sentir que tem um dragão me perseguindo o tempo todo. Consigo dormir melhor, lidar melhor com as dificuldades do dia a dia. E sigo buscando qualidade de vida.

Uma das medidas que adorei pra melhorar minha ansiedade foi diminuir muito o uso de redes sociais. Já falei um pouco sobre isso, mas sinto que são ladrões do meu tempo, e aumentam minha ansiedade porque trazem pouca sensação de estar fazendo algo positivo. É muita notícia ruim, muita reclamação, uma espiral negativa. Vejo uma série de coisas legais também, mas o balanço não está positivo. Pretendo rever minha relação com o uso essas ferramentas. Apaguei o Facebook do meu celular, o que foi um passo importante da mudança do hábito.

Mas voltando à história, não foi aí na crise que as coisas começaram. Só fui perceber que há meses alguns medos que nunca tive começaram a aparecer, que eu tinha taquicardia em momentos mais tensos, que estava com tolerância muito baixa a momentos de conflito.

O que tinha mudado? Minha terapia. Venho num movimento de PARAR de controlar tudo, de perceber que não posso e nem devo tomar as rédeas de tudo. Só que sempre fui aquela pessoa que toma a frente, que de alguma forma controla as situações todas. O que não significa que isso é bom e nem que dá certo — só significa que eu de alguma forma me sinto no controle, pro bem e pro mal, e esse sempre foi meu modus operandi. Quando deliberadamente comecei a abrir mão e deixar as coisas acontecerem, como observadora, meu mundo caiu. Não porque as coisas dão mais certo ou mais errado, mas porque eu nunca aprendi a estar ao largo, e lidar com a ansiedade de não fazer parte das situações, de não ser protagonista. E para complicar mais ainda esse quadro, ser mãe de crianças que crescem é exatamente isso — ser menos e menos protagonista e só observar como as coisas se desdobram sem a sua interferência.

Esse processo está me exigido um conhecimento, um “músculo”, que nunca usei. Não sei fazer isso, estou aprendendo do zero. Aos 46 anos, estou tendo que ter humildade e tranquilidade (ha ha ha!) de trilhar um caminho desconhecido. Estou sofrendo e apavorada. E está tudo bem, eu tenho coragem pra seguir, mas não sem ajuda, não sem empenho.

Saí da famosa zona de conforto, de forma profunda, e não está fácil. Mas estou feliz, e empenhada nessa transição.

A visita à Lucinha, como contei no post que escrevi sobre ela, foi o grande gatilho da minha crise. Sem querer, como um espelho, ela me fez perceber que muito pouco está sob nosso controle, inclusive nossa morte, e isso me deu tilt. A morte é um caso extremo, claro, e é natural ter medo. Ter medo é saudável. Preciso aprender a ter medo, eu que sempre fui tão destemida, e seguir adiante com medo mesmo.

Essa semana ainda disse ao Otto, que reclamou pra mim que “estava cansado de ter medo de escuro; quero superar isso mamãe!” que coragem é ter medo e seguir assim mesmo.

Quem não tem medo não tem coragem.

Tenho medo, e tenho também muita coragem. Continuo firme na terapia, estou medicada, cuidando da minha saúde melhor, caminhando um pouco todo dia (baby steps), meditando todos os dias (uso o app Calm, recomendo muito!), atenta ao que me causa a ansiedade. O caminho não é simples, mas é meu caminho, e estou feliz por estar aqui é ter a oportunidade de caminhá-lo. Lembro de todos que não estão aqui, cujo caminho acabou; lembro dos que estão travados (desejo que achem um atalho!).

Estamos vivos, vamos comemorar e viver!

Para 2019 desejo a mim e a vocês um viver mais atento, fora do modo automático, buscando caminhos pra ser feliz com as barreiras que cada um tiver. Desejo olhos pra ver, ouvidos pra ouvir, e que todo sentimento que aparecer possa ser acolhido.

ABRA SUS OJOS.

Beijo, amo vocês.

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