Relato de imigração: burocracia

Ah, e sobre burocracia: eu entrei com visto L1, que se aplica pra 2 casos — executivos (meu caso) e especialistas na área de atuação. Otto e Fer entram com o visto L2, que é dependente do L1.

Esse é um visto temporário, que no meu caso é de 3 anos, e que pode ser estendido por mais 3. Depois disso, você tem que ter greencard, senão não trabalha mais. A ideia é dar entrada no greencard depois de 12 meses, mesmo sem saber o que acontece mais adiante, pra evitar mais burocracia.

O Fer pode trabalhar, mas depois de conseguir uma permissão de trabalho, que vamos pedir mais pra frente. Por enquanto a ideia é ele acompanhar o Otto e estudar inglês ou outra coisa do interesse dele. Meu trabalho segue igual, pra mim é bem mais tranquilo.

Chegando aqui, você vai a uma agência de seguridade social e pede seu SSN (nosso CPF, ou coisa assim), que é sua identidade local, à qual é associada sua história de crédito (que é fundamental aqui. Sem história de crédito você não existe e não compra nada sem ser em dinheiro). Pedi o meu SSN na quarta da semana anterior e ainda estou esperando.

Abrir conta no banco é tranquilo, basta ter 25 dólares 😉 Você fica com um cartão tipo de débito, como temos no Brasil. Não dá pra ter cartão de crédito aqui (nem financiar nada) sem ter histórico de crédito. Pra construir seu crédito, você começa com um cartão pré-pago (ou seja, gasta seu próprio dinheiro), até que tenha histórico de bom pagador e possa ter outros cartões. Demora, pelo que me contaram, no mínimo uns 9 meses pra isso acontecer.

Por enquanto estamos gastando em dinheiro (comprei — chorando — dólares no Brasil e trouxe comigo) e nos cartões do Brasil, pagando não só a taxa desgraçada do dólar mas também os 6.38% de IOF. Não é ideal mas é o que tem pra hoje.

Nossa vinda tem uma série de facilidades — eu tenho consultoria pra TUDO. Documentos, casa, escola, imposto de renda, ajuda nas compras, aluguel, mudança. E ainda assim é puxado. Não consigo imaginar como é imigrar sem esse apoio; admiro demais. Além da adaptação cultural, do idioma (falo inglês bem, o Fer também, e ainda assim é muito complicado especialmente no telefone), tem toda burocracia, né? Tudo desconhecido.

Enfim, pra nós por enquanto o perrengue é preocupação com dinheiro mesmo. Real não vale nada, e não temos crédito local, então é tenso. Quando receber meu salário aqui isso se resolve, é temporário.

Daqui a pouco começa o terror do Otto na escola em outro idioma, mas uma coisa de cada vez. Por agora estou muito contente e orgulhosa dele, que está se adaptando muito bem e tentando falar com as pessoas na rua, nos restaurantes, uma coisa linda. Falas simples, claro, mas pelo menos está tentando.

Ter vocês por aqui, e no whats, faz MUITA diferença, gente. Me sinto muito acolhida e próxima, e segura que nesse mundão louco tem um monte de gente me abraçando.

E tem os amigos locais que estão sendo INCRÍVEIS nesses primeiros dias. Pessoas lindas que querem que a gente se sinta em casa. Não tem nem como agradecer tanta gentileza ❤

Sigamos juntos, ok? É nóis jogado no mundo, mas sempre na área.

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