Nome aos bois

Uma amiga comentou num post meu (não vou marcar porque não sei se ela quer ser marcada :)) sobre o perigo de responsabilizar os homens pelo machismo estrutural (que machuca TODOS, mas mata mulheres), porque várias de nós como mulheres entramos também nesse jogo e perpetuamos a situação.

É verdade que muitas de nós (demais, eu acho) fazemos parte desse jogo, e é exatamente por isso que precisamos do feminismo ativo e constante — pra garantir nosso direito, e o direito delas, de continuar lutando e melhorando a sociedade.

Eu falo com TODAS as mulheres que conheço sobre isso, até as que acabei de conhecer. Eu falo com meninas, com jovens, com senhoras. Às vezes funciona e às vezes não, mas não desisto. Vamos continuar fazendo isso, pra tentar curar a cegueira que faz com que essas mulheres se comportem como opressoras e não como aliadas de outras mulheres. Vamos continuar lutando, nós mesmas por nós, porque somos capazes e podemos mudar as coisas.

Podemos ajudar a educar crianças e jovens a serem melhores. Muitas de nós são cuidadoras e educadoras, podemos tentar influenciar as novas gerações. A dificuldade aqui é ter lastro — quantas de nós são educadas, são auto confiantes, têm condições de fazer isso? Se dissermos pras nossas filhas que elas não precisam se depilar porque isso é uma imposição da sociedade machista, elas vão conseguir emprego? Elas serão maltratadas por colegas na escola? Elas serão estupradas pra “tomar jeito”?

Outra coisa que podemos e devemos fazer, urgente, é OCUPAR ESPAÇOS DE PODER. Essa parte é muito difícil porque não fomos educadas pra isso, seguimos devagar mas com firmeza. Precisamos ter poder para poder mudar a sociedade. Vamos juntas.

Porém, dito isso tudo, não dá pra não responsabilizar os homens, por uma série de motivos práticos:

1) eles matam as mulheres próximas deles porque as tratam como propriedade

2) eles as estupram numa velocidade assustadora. A maioria é próxima deles e uma parte enorme é MENOR DE IDADE

3) eles buscam moças muito jovens pra transar. A maior parte das moças menores grávidas foram engravidadas por homens maiores de idade

4) os homens abandonam as mulheres grávidas sozinhas com seus filhos. São mais de 5M de crianças sem pai só no nosso país

E finalmente: os homens estão em posição de poder em TODAS as áreas. São eles que decidem políticas organizacionais, salários, promoções, conteúdo educacional, leis. Estamos sujeitas a regras criadas e mantidas por eles, SIM. Líderes religiosos? Políticos? CEOs? Olhe os números.

Essa realidade está mudando muito, muito devagar, e ainda assim a trancos e barrancos. A maioria das mulheres que chega em posições de poder é basicamente cópia dos homens, no comportamento e postura. Mulheres líderes muitas vezes massacram outras mulheres. É um ciclo vicioso difícil de quebrar.

Mas vamos quebrar. Com ajuda de (poucos) homens que percebem que a igualdade é boa pra todos e todas; com a força de mulheres que cansaram de ser capacho; com a energia das moças e moços jovens que já querem viver outra era.

Enquanto isso, minha postura é: lutar, e dar os braços pras amigas virem junto, E deixar bem claro que sim, os homens são responsáveis. E que eles, mais que ninguém, precisam se revisar e mudar a estrutura por dentro. Os homens precisam mudar PRA ONTEM.

E não, não vou aceitar me responsabilizar como mulher por um sistema massacrante que foi criado e é mantido por homens só porque há tantas mulheres que sofrem de síndrome de Estocolmo.

Posso e tou aí na luta pra mudar a realidade, mas não fomos nós mulheres que criamos essas regras. Me solidarizo, apesar de não concordar, com quem decidiu seguir as regras pra sobreviver.

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