Feminismo aos poucos

Não tem resposta simples quando se trata de mulheres usando seus corpos para ganhar dinheiro. Seja na indústria pornográfica ou em passarelas como modelos, passando por bailarinas e apresentadoras de TV, sempre dá aquele desgosto de observar que antes ou depois elas se adequam ao padrão, alimentando o ciclo vicioso (é bonita porque é bem sucedida vs. é bem sucedida porque é bonita).

Adele que o diga. Você pode ser talentosíssima, virtuose, mas se não for magra e jovem e branca, ainda não é suficiente. Precisamos ser lindas, sexies, e de preferência cordatas.

Então, acreditem, eu entendo o problema, e passo por ele também. Resisto bravamente à tentação de me adequar, e sigo pensando a respeito.

Ainda assim, e com todas as ressalvas, o que mais me deixa tranquila (e contente) com a performance de JLo e Shakira é que:

– elas não são brancas

– elas são muito talentosas, fazem suas performances muito bem e com muito profissionalismo

– elas trazem um componente cultural às suas performances que é especialmente importante em tempos de intolerância com imigrantes e todos que são diferentes (as reações às alusões de Shakira à cultura libanesa estão aí escancarando isso)

– elas NÃO SÃO padrão. Elas são bem menos padrão que Madonna por exemplo

– elas COMANDAM O SHOW. Elas são o chefe.

Correspondem ao modelão de mulher gostosa padrão? (Latino!) SIM.

Mas são donas da poha toda, e isso faz MUITA diferença. Não resolve o problema social de objetificação feminina, mas ao menos mostra mulheres não brancas no comando.

Gosto. E respeito.

Artigo a respeito.

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