Um cantinho

Às vezes eu acho que estou num filme, e percebo o tamanho da sorte que tenho na vida. Não por esse episódio, mas porque a vida é boa pra mim.

Essa semana completei 100 dias de isolamento quase absoluto, a menos de saídas muito cuidadosas (e com máscara!) pra buscar remédio, ou ir ao mercado. E caminhadas ao redor do nosso quarteirão, que é muito vazio.

É verão, 27C, está sol, meu bairro é lindíssimo. Parece filme de sessão da tarde, com casas sem muros, jardins maravilhosos, trânsito calmo, pouca gente na rua, crianças andando de bicicleta…

Entro no meu carro, e enquanto dirijo pro centrinho (5min de carro!) toca Sinatra cantando Corcovado. “Quiet nights of quiet stars…”, tudo parece tão perfeito, e me sinto com tanta, tanta sorte.

Eu sei que sou parte de um grupo muito privilegiado, não me esqueço jamais. Farei tudo que puder, sempre, pra distribuir de volta tudo que recebo de bom. Mas tenho certeza que vários de vocês aqui que me acompanham também têm suas sortes, seus privilégios, então estou aqui pra lembrar vocês de observar, viver e aproveitar.

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Ainda estou impactada depois de assistir Watchmen, com a questão da fluidez do tempo, e da experiência de passado / presente / futuro como uma grande coisa só. Vivo o momento presente às vezes como uma lembrança ou sonho, e no fundo acho que é assim mesmo a vida.

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