Dos piores assuntos que existem

Ok, eu vi esse vídeo nos comentários de um post sobre violência sexual contra crianças, e acho que vale a pena assistir (leiam a descrição no YouTube também, tem muita informação relevante).

Desde que veio de novo à tona o assunto “abuso infantil” e ped0filia (não acho bom nem escrever essa palavra, pra não alimentar o algoritmo) eu estou sofrendo. De verdade — tenho tido pesadelos, e me sinto cansada e triste. E não é pelo caso dessa menina de 10 anos, grávida a exposta, mas porque essa história me fez lembrar da realidade MEDONHA do Brasil, que a JoutJout expõe muito bem nesse vídeo.

A gente não consegue saber quantas crianças são estupradas e abusadas por dia no Brasil, mas a gente sabe que 6 meninas de 10-14 anos abortam POR DIA (legalmente) por terem sido estupradas.

A gente também sabe que +90% dos casos reportados de estupro de menores são cometidos por parentes ou conhecidos da família.

O que o vídeo traz pra discussão é muito assustador e — vamos confessar? A gente SABE disso — tão corriqueiro: abuso e estupro de crianças no Brasil é COMUM. Crianças são tratadas como posse, meninas são tratadas como objetos sexuais desde muito cedo.

Estima-se que 5% dos homens adultos sejam pedófilos, aqueles que têm uma doença mental, documentada como tal. Considerando o volume de crianças abusadas e estupradas e lembrando que a enorme maioria das crianças são abusadas em casa, ou dentro da família, a conta não fecha. Não creio que tenhamos uma incidência da doença muito maior no Brasil, ou em outros países com perfil semelhante de abuso às crianças.

Não são só pedófilos — os que têm a doença — que abusam e estupram crianças. São homens, como ela bem coloca no vídeo, que acham que não estão fazendo nada tão errado assim. Só um pouco, talvez? Quem aqui já ouviu justificativa defendendo estuprador e culpando a criança?

Eu vi uma hoje: “Ela não gritou, não chorou, não reclamou! Sabia o que estava fazendo!”. Ela, no caso, é a menina que começou a ser estuprada aos 6. Eu tenho certeza que você já leu ou ouviu gente culpando a vítima, seja criança ou não.

E é aí que está: ou a gente muda a sociedade, ou as crianças continuarão a ser abusadas e estupradas dentro das suas casas. E não terão pra onde correr, porque o Estado — muito bem suportado pela Igreja — não quer que de fale de educação sexual nas escolas.

Quem quer expor o problema dos nossos homens se sentirem OK em serem animais mal domesticados, das mulheres aceitarem e baixarem a cabeça, e lidar com ele?

O vídeo dela fala sobre lidar com esses homens, que é uma coisa que outros homens podiam fazer, como trabalho voluntário inclusive: falar sobre isso, mostrar que é errado. Começando, de repente, com conversas sobre pornografia e as “novinhas” (crianças)

Precisamos estar atentos, e tentar mudar alguma coisa. Não dá pra gente fingir que isso não acontece todo dia o tempo todo, porque é mais fácil esquecer e fingir.

Precisamos falar sobre isso. É duro, mas necessário.

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