Saúde mental não devia ser tabu

Acho que sempre sofri de ansiedade (roer unhas? Não conseguir parar de pensar? Atropelar quando os outros falam? Não conseguir ouvir porque a mente atropela tudo? Fazer tudo correndo por medo de deixar a peteca cair? Chequei todas as caixas) e só achava normal, vivia com ela.

Tive 3 episódios importantes de piripaque do meu corpo dizendo CHEGA, graças à ansiedade, e eu fui pra terapia, fiz meditação, ioga, e ela continuava lá, sob controle.

Até que me tornei mãe e a ansiedade foi piorando, ano a ano, com tudo que o Otto exige, com o peso da minha responsabilidade não só como mãe mas também como provedora. Minha ansiedade, que antes era só relacionada à minha performance como pessoa, ganhou também a dimensão da responsabilidade de ser aquela que precisa estar viva e produtiva pelo meu filho.

Dei tilt. Lentamente o medo de morrer, de faltar, levou minha ansiedade pra um nível insuportável, atrapalhando meu sono, minha felicidade, minha vida, e encontrei profissionais que me acolheram e aconselharam a tomar medicação pra manutenção da minha saúde mental (e física, porque minha ansiedade afeta minha pressão arterial diretamente).

Odeio tomar remédio, mas agradeço todos os dias por existir um remédio que devolve minha ansiedade ao nível normal sem afetar minha capacidade de sentir a ansiedade e aprender (lentamente) a lidar com ela, através da terapia.

Não é problema nem vergonha precisar cuidar da saúde mental, seja pelo motivo que for. Remédios, terapia, o que for preciso para que possamos ser felizes e funcionais, estar nesse mundo com mais alegria e tranquilidade.

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