Feliz dia da criança

Eu nunca soube ser triste.

Choro, fico brava, mas ficar triste tipo sentir a tristeza e pensar “estou triste” eu nunca soube. Fui entender com mais de 30 anos que eu não sabia sentir tristeza, que não respeitava esse sentimento. Percebi que sentia raiva quando estava triste porque esse era um sentimento que eu entendia.

Só que raiva tem alvo, tristeza não necessariamente. Às vezes a gente só tá triste e pronto. Mas e quando a gente aprende que sentimentos precisam de justificativa, só que nem sempre ela existe?

Aí a gente inventa, a gente cria. Quanto mais inteligente você for, mais elaborada ficam as justificativas — rocambólicas. E aí pra desenrolar é muita hora de terapia, muita mesmo.

Nas minhas caixinhas onde devia haver tristezas, enchi de outras coisas: ocupações, problemas pra resolver (de preferência dos outros), festas, conversas, comidas (comidas!), viagens, histórias. Não tinha lugar pra elas, tadinhas. Nem pro medo — mas essa é outra história. E quando a tristeza e medo não têm lugar, a raiva domina, irracional, e atrapalha demais a alegria pura.

Há 16 anos venho tentando abrir espaço pra tristeza. Quando vejo, PÁ, já ocupei o espaço dela com outra coisa. Vou lá com paciência, libero o espaço de novo, convido a pobrezinha pra entrar, passo um café. Quando dá certo, não aparece a raiva, a tristeza vem, toma café e vai embora, e a alegria que é a essência mais pura de mim, flui de novo.

Como uma mina, que não seca.

Hoje que é dia das crianças, quero lembrar a mim mesma (e quem sabe também a vocês) de acolher meus medos, tristezas, e também deixar a alegria fluir. Como se ainda fôssemos pequenos o suficiente pra simplesmente sentir antes de pensar, ter curiosidade ao invés de julgar.

Minha criança abraça a sua, bem forte ❤️

Deixe uma resposta