Vergonha alheia — no caso, própria 😬

Aproveitando um intervalinho de respirar, deixa contar: eu achei ontem à noite uns arquivos do meu blog de 2000-2002 que só tenho em word (o meu blog atual começa em novembro de 2002).

Meu blog foi inaugurado em algum momento do ano 2000, tenho lembrança de ser Julho mas o 1o post que consegui resgatar é de Outubro de 2000. Eu tive vários blogs, com nomes diferentes, até comprar meu domínio e sossegar em 2002.

Ou seja, meus escritos completam VINTE E UM ANOS este ano!

Dito isso, com todo espanto e horror, eu quero dizer que admiro demais vocês que me leem desde aquela época terem me suportado até aqui. Francamente, gente, que chatice eram meus posts, JESUSAMADO, como vocês aguentavam?

Como a gente se acha adulto aos 20, e como a gente é mirim porém se acha sabido; chega a ser engraçado! Meus textos sempre foram bem escritos, é verdade, e sempre muito honestos. Mas fiquei constrangida enquanto lia — como eu tinha coragem de me expor daquela forma? Era muita exposição, Braseew! Não é à toa que eu atraía tantos trolls. Eles se alimentam da vulnerabilidade, mesmo que seja tão autoconfiante e leve como era a minha.

É louco perceber que eu sou aquela mesma pessoa, porém com noção 🤣 a alegria ainda está aqui, os pensamentos desencontrados, o desejo de me conectar com o mundo. Mas agora com o pé atrás. Os dois 😬

Será que se eu tivesse tido alguém pra me avisar que eu estava me desnudando demais, eu teria ouvido? Talvez não, porque a juventude + hormônios + novidade tecnológica é uma combinação explosiva né? Um perigo.

Não dá pra dizer que sobrevivi sem cicatrizes. Lembrei que tinha um blog nessa época (de anônimos, claro) que se dedicava a falar mal de quem tinha blog, e eu era uma das vítimas favoritas. Descobri depois, por pura sorte, que 2 pessoas que eu considerada BEM amigas é que criaram o tal blog. Minhas “amigas” me chamavam de gorda, feia, baranga (basicamente isso; atacavam minha aparência). Sequer me lembro como lidei com isso. Devia ter defenestrado as 2 né? Mas acho que não, eu deixei pra lá.

Não devia; inclusive devia sim é ter um lugar especial no inverno pra mulheres que colocam outras pra baixo.

Mas isso tudo é pra dizer que achei textos maravilhosos, que me emocionaram, e achei também tanta bobagem, TANTA. Espero que meus contemporâneos dessa época tenham se divertido e não tenham sentido tanta vergonha alheia (no caso, própria) quanto eu senti. Não posso dizer que me arrependo, mas faria diferente com certeza. Especialmente no quesito pagar-pau-pra-homem. Meu feminismo cresceu e melhorou absurdamente nos últimos 20 anos — tenho orgulho.

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Um dos textos que me tocaram, de 13.Jan.2001:

…não quero ter filhos. É, isso mesmo, não quero tê-los, não quero embalá-los nem levá-los à escola. Não quero chorar por eles, nem rir com as coisas que eles fazem, nem deixar de dormir porque eles não chegaram. Nem acordar à noite, só pra conferir se eles estão vivos, naquele sono tão quieto que colocamos as mãos perto da boca e do nariz, pra sentir a respiração. Não vou odiar as namoradas do meu filho nem olhar torto para os namorados da minha filha. Não vou achar moderno serem gays ou lésbicas, não vou mostrar minhas tatuagens pra eles. Não vou ter que explicar porque as coisas acontecem do jeito que acontecem, porque as pessoas são ruins, porque os dodôs estão extintos. Não vou ensinar a comer rã ou scargot, nem a temperar um frango corretamente antes de cozinhar. Não vou beijar as mãozinhas gordinhas deles quando pequenos, nem segurar a mão no hospital, na hora de dar pontos naquele corte de bicicleta. Não vou ficar triste porque eles esqueceram o dia das mães, nem alegre porque eles lembraram.

Vou só pensar em como teria sido, poderia ter sido, e não foi. E talvez seja melhor, pois só terei o que a minha imaginação e vontade permitirem.

Talvez não.

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