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lançamento do livro novo da cris lisbôa!

pessoal, imperdível, hein?

a cris lisbôa, mulher talentosa e do bem, lança seu novo livro dia 3 de abril às 19h, próxima quarta-feira, na livraria da vila da lorena.

o livro se chama sylvia não sabe dançar e essa é a sinopse (entre no site e saiba mais):

sylvia, uma mulher profundamente ofendida, atira em um famoso
jornalista e ilustrador. ele morre nos braços de seu irmão, nélson rodrigues.

as semelhanças entre a vida real e este romance param por aqui. A história acontecida foi ficcionalizada a ponto de se tornar outra, nova.

o que une as duas é o cheiro da pólvora.

eu recomendo muitíssimo comparecer ao lançamento, comprar o livro e pegar um autógrafo da linda cris :)

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lendo de verdade

além das técnicas de leitura que comentei neste post, tem mais umas coisinhas a respeito de modo de leitura que gostaria de compartilhar.

vamos começar do começo: ler é uma atividade que nem sempre dá prazer. às vezes temos que ler livros ou textos muito chatos, densos e difíceis. eu separo bem separadinhos os meus tipos de leitura, pois o método é completamente diferente dependendo do objetivo.

pra facilitar vou separar as leituras em 2 categorias somente: lazer e aprendizado. não, pedro bó, não quer dizer que quando estou me divertindo não estou aprendendo e vice-versa.

o prazer de ler
tem gente que encara a leitura como algo além do prazer de se envolver em mundos paralelos, é uma forma de se destacar dos seus semelhantes. mais ou menos como os rappers que usam aqueles colares gigantes com muito ouro e diamante: é importante e essencial exibir o que conquistou, citar, comentar, ter opinião, etc.

eu não sou desse tipo: leio pra me divertir, ponto final. a maior parte das vezes me divirto com livros de ficção, às vezes com quadrinhos, e poucas vezes com livros de filosofia ou história. não me considero melhor que ninguém pelo volume ou qualidade de coisas que li, mas não fui sempre assim. eu era uma jovem leitora extremamente pretensiosa e julgava as pessoas pela faculdade que tinham ou não frequentado, pelos livros lidos ou não lidos. aprendi que usar essa medida para julgar pessoas é roubada e que eu era uma ignorante metida a besta.

com a idade percebi que sou uma contadora de histórias por natureza, então uso as histórias que leio, vejo ou escuto para entreter os outros, seja recontando o que já ouvi ou contando/inventando minhas próprias histórias.

quando leio por prazer, a regra é simples: eu devoro a história. não quero nem saber quando foi escrita, se o autor é preto ou branco. me entrego totalmente ao enredo, rio e choro, torço pelos personagens e me permito sentir profundamente o que a história despertar. mergulho tão de cabeça que passo dias "vivendo" aquela história e seus personagens, sonho com eles e falo deles, aquilo tudo se torna parte da minha realidade. e sofro quando acaba, me despeço com tristeza da última página. não é incomum eu reler pelo menos o primeiro capítulo depois de terminar o livro.

minha dica é: se entregue, apaixone-se pelas histórias. mande à merda o que a crítica diz, o que seu amigo acha. todas as histórias são pessoais, tocam cada um de forma diferente. não se deixe influenciar por opiniões e inseguranças, não fique na defensiva. é mais ou menos o mesmo conselho que eu daria para ter sexo de boa qualidade :)

quando é preciso ser eficiente

e tem aquelas leituras que precisam de atenção diferenciada. como só sei pensar analiticamente, então vamos às sub-categorias de leitura que criei pra mim: aprendizado, informação e análise. pra este tipo de leitura eu sempre uso as técnicas que comentei no post linkado ali em cima: pesquiso autor, data, contexto e anoto muito.

quando preciso aprender alguma coisa, a técnica que mais ajuda é a anotação. faço anotações em formato de mind mapping ou tópicos, desdobrando hierarquicamente. fica um desenho bem maluco, com setinhas e destaque de palavras-chave. aliás, palavras-chave são essenciais pro meu aprendizado e fixação: lembro muito mais daquilo que anoto e das palavras-chave que extraí dos pedaços de texto.

pra que a anotação seja eficiente, no entanto, é importante conseguir identificar "blocos" de informação nos textos. preste atenção quando estiver lendo: o autor conduz nosso pensamento apresentando conceitos, argumentos, citações, etc. normalmente essa condução é feita em passos, o autor nos leva pela mão. se você conseguir identificar esses passos durante a leitura e resumir cada um deles, ao final da leitura suas anotações serão um resumo esquemático que ajuda não só a fixar como também a compreender o todo e estabelecer relações entre as partes.

faça um exercício simples: pegue um artigo de revista (2 ou 3 páginas) e tente identificar os "passos" ou a condução do autor. para cada passo faça uma anotação com palavra-chave ou uma frase que resuma o conceito ou idéia apresentada. faça isso até o final e depois avalie suas anotações, veja o que ficou da leitura.

leituras de informação são mais simples: faço uma "leitura dinâmica" (sem técnica, é o que eu chamo de "leitura de reconhecimento", só pra sacar de onde o autor vem e onde quer chegar). se for um livro, dou uma olhada nos capítulos, leio a introdução ou o prefácio, procuro opiniões e críticas sobre o livro, etc. a idéia não é esgotar o assunto, mas me preparar para o que vem pela frente.

pra este tipo de leitura eu também faço anotações, mas não leio com tanto cuidado. vou passando trechos menos críticos (como eu já sei onde ele quer chegar, não é tão difícil perceber o que é retórica ou chover-no-molhado) e o processo é bem mais rápido.

as leituras de análise é que são as mais complexas. não sei se todo mundo precisa fazer este tipo de leitura, mas era bastante comum no curso de história: precisávamos freqüentemente ler textos, analisar o conteúdo e dar opinião a respeito. felizmente, durante o curso, aprendi que dar opinião não é simplesmente dizer "eu acho", como muita gente faz por aí. o que você acha é geralmente irrelevante num contexto de debate, a menos que você tenha razões para achar o que acha, entende?

bem, nesse caso nem preciso dizer que é absolutamente crítico que seja feita uma pesquisa sobre o autor, época, obra e assunto. também é essencial avaliar quem são os antecessores, predecessores e pares desse autor, pois ele se encaixa num contexto complexo, é importante ter perspectiva. de fato, a palavra-chave para este tipo de leitura é perspectiva.

feita a pesquisa, o método é parecido com o de aprendizado, com uma diferença: eu leio textos de outros autores, sobre o mesmo assunto, e procuro saber de que forma a opinião deste autor que estou analisando repercutiu em relação aos seus pares, predecessores e antecessores. vou dar um exemplo: não faz muito sentido ler hegel sem ler marx e kant, pois suas opiniões dialogam entre si. para entender um é preciso entender os outros!

então, resumindo até aqui: pesquise, leia outras coisas relacionadas, leia com cuidado o texto, anote, resuma e releia o que resumiu.

feito isso, pense. e não preciso nem dizer que essa é a parte mais difícil: anote os relacionamentos, conflitos e convergências de idéias e conceitos. tente lembrar se você já leu alguma outra coisa que possa se relacionar com o assunto sendo analisado. seja crítico, duvide do que leu, coloque as idéias em questão. avalie se você se convenceu do que leu, pense sempre no que perguntaria ao autor, se tivesse oportunidade. procure os links entre partes do texto, entre textos diferentes, procure palavras que o autor usa com freqüência e investigue-as, procure sua origem, quando surgiu e quando começou a ser usada.

aliás, mais uma dica importantíssima: use o dicionário, pelo amor de deus! por mais que você ache que conhece uma palavra, acredite, você não conhece. entenda qual é a origem da palavra, essa informação pode fazer toda diferença quando estamos analisando um texto. há palavras que, sozinhas, explicam toda uma idéia. se possível, investigue no idioma original do autor. ler no idioma original também ajuda a entender certos conceitos e as construções gramaticais podem inclusive nos dar dicas sobre as idéias.

fiz um curso de história antiga na USP ministrado por um professor de grego. ele é filólogo e conduziu seu curso através de análise de textos antigos, em grego! eu não sei grego e nem nunca soube, mas a pesquisa das palavras para tentar decifrar o texto combinada aos livros de apoio já nos abria várias portas de análise. com o auxílio do professor, conseguíamos entender melhor o mundo grego da época através de documentos históricos.

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bem, espero que as dicas sejam úteis! depois de escrever esse post começo a entender porque me irrito tanto com críticos: são pouquíssimos os que de fato têm conhecimento pra dar opinião; dos que têm conhecimento, poucos se dão ao trabalho de realizar análises de fato. e francamente, eu é que não vou ficar lendo opinião de quem sequer se deu ao trabalho de pesquisar e analisar a fundo. e ainda bota banca de fodão...

leigo por leigo, fico eu aqui bem confortável com minha opinião, obrigada.

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retomando de onde parei...

... como se fosse mesmo possível, imagina :)

tem mil coisas que quero comentar sobre idéias alheias, pois eu deixei de escrever mas não deixei de ler não. e as ideinhas fervilhavam aqui na minha cabeça e nada de conseguir colocar em letras.

vou começar por este post da paula sobre aprender a ler.

o assunto me fez lembrar que aprendi a ler com 22 anos, quando fui pra fflch estudar história. eu já tinha me formado em outro curso, vejam bem, e não sabia ler!

a paula indicou um post de um amigo sobre o assunto, que dá dicas sobre como ler de verdade. não concordo com todos os pontos, não, mas há alguns que considero também essenciais, portanto farei minha análise de prós e contras da lista do moço, que é muito boa. no entanto, vou primeiro contar a historinha de como aprendi a ler.

fiz uma disciplina do curso que se chamava metodologia da história ou coisa parecida, mas não importa; o que importa é que o curso era muito massa, funcionava assim: tínhamos 2 ou 3 trechos de livros pra ler por semana (1 aula por semana), sobre o mesmo assunto. sim, o mesmíssimo assunto. nossa lição de casa era pesquisar sobre o autor, sobre a obra, sobre a época em que cada livro foi escrito, ler os textos e identificar diferenças, semelhanças, enfim, correlacionar os textos de alguma forma e tirar dali alguma opinião.

colegas, cada semana era uma aventura. quanto mais eu praticava, mais entusiasmada ficava. na mesma medida crescia o meu desespero, lembrando do volume de livros que eu já tinha lido na vida sem saber ler. esse exercício mudou minha forma de me relacionar com textos e livros, enriqueceu muito a experiência toda e, de quebra, me tornou uma leitora mais curiosa e principalmente mais criteriosa. nunca mais li nada com preguiça ou desprezo e aprendi a raciocionar e pesquisar, tudo ao mesmo tempo.

como toda revelação, essa também teve uma contrapartida irritante: comecei a reparar na quantidade de pessoas que não sabem ler e regurgitam opiniões ou "fatos" de terceiros usualmente pouco qualificados pra produzir informação e/ou opinião. mas essa é outra história, voltemos à prática de ler.

dito isso, vamos à lista do alessandro:

1 - pesquise a vida do autor
considero também essencial, faz toda a diferença. principalmente para entender os inevitáveis vieses. sendo uma leitura somente pra diversão também vale: você aproveita melhor a leitura se souber detalhes da vida do autor, algumas coisas fazem mais sentido.

2 - pesquise a época em que o livro foi escrito
pelo amor de deus, isso é absolutamente básico. não é possível fazer uma leitura decente sem saber em que época o livro foi escrito! é importante conhecer um tiquinho de história também, lembre da sua época de ginásio :)

3 - saiba onde o autor vive e como
não acho essencial, mas é bom. novamente, ajuda a contextualizar as idéias do autor.

4 - leia uma sinopse
também não dou bola. eu pessoalmente gosto de ler, pra me preparar pro "espírito" do livro. tive uma experiência curiosa sobre isso: comecei a ler um livro "a seco" no que diz respeito ao enredo, comprei pelo autor. cheguei ao primeiro terço do livro um tanto perdida e fui pra sinopse. mil fichas caíram e eu voltei à página 1. era absolutamente imprescindível estar "preparada" para o que viria.

5 - o livro anterior e o livro posterior
aí eu acho que depende bastante, especialmente do propósito da leitura. para leituras profissionais ou acadêmicas, com propósito específico, concordo que é útil. para leituras menos formais, acho dispensável.

6 - com que outras obras o livro se relaciona
acho essa idéia interessante, mas quem é que faz esse relacionamento? como "validar" se o relacionamento faz sentido? acho arriscado, prefiro estabelecer os relacionamentos entre as obras por conta própria, até porque para categorizar livros é preciso escolher uma visão. por exemplo: triste fim de policarpo quaresma pode ser lido puramente como romance ou como forma de ver uma época. as duas formas são válidas e podem até se combinar na mesma leitura, mas correlacionar livros ou textos não é atividade simples.

7 - enquanto lê, escreva sobre o livro
extremamente útil, especialmente para leituras profissionais ou acadêmicas. sem escrever sobre o livro quase impossível concluir idéias a respeito, no final da leitura, e eventualmente voltar, reler trechos importantes, etc.

8 - anote no livro
essa aqui é o problema: tanto a paula quanto o alessandro concordam que é essencial anotar, consideram a dica mais importante. não partilho da opinião deles, por uma série de motivos e não é por desejo de preservar o livro.

nessa época de aprender a ler, recebi essa dica de anotar, e foi o que fiz. lembro até o livro: heresia. fiz diversas anotações que fizeram sentido na ocasião da leitura, mas confesso que por uma questão de forma de anotação, meus mapas mentais no caderno foram mais úteis para consolidar a informação e tirar conclusões (dica 7).

depois de alguns meses (vejam, eu disse meses e não anos) resolvi retomar o livro, pois tinha avançado no assunto e queria rever algumas coisas. foi um horror: o livro estava todo anotado e eu ficava o tempo todo esbarrando com minhas idéias de meses atrás, e não conseguia conceber NOVAS idéias e interpretações. eu fiquei influenciada por mim mesma, e incomodada com a quantidade de intervenção. e pra mim, é aí que a coisa pega: minha segunda leitura foi substanciamente diferente da primeira e eu preferia não ter minha primeira interpretação me assombrando ali, nas páginas. minhas anotações eram curiosa e até criativas, porém inúteis. a leitora de agora não é mais aquela dos meses atrás, as anotações não me serviram de nada, francamente, e ainda me atrapalharam.

costumo reler livros com freqüência, de tempos em tempos. e essa experiência se repete: é como se fosse a primeira vez. e é, pelo menos pra versão atual de mim mesma :) prefiro então anotar minhas idéias e interpretações com referência a trechos dos livros e guardar, se de fato isso puder ser útil algum dia na vida. ou escrever sobre o texto em questão, registrando minha impressão.

nada me dá mais prazer que abrir a primeira página do livro e saber que existe todo um mundo a explorar, como a praia de manhãzinha quando ninguém ainda pisou na areia. ou melhor: tem algo que às vezes dá um prazer danado também -- lembranças vívidas da leitura anterior, como um flash. um pedacinho de prazer inesperado, ah.

mas eu sou romântica, não liguem pra mim. sigam o conselho do moço e da paula, que são certamente leitores muito mais eficientes que eu :D

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sobre leitores

gosto bastante de ler, sempre gostei, desde pequena. não lembro quando comecei a ler, mas foi cedo. ganhei meu primeiro livro de uma tia toda cabeça, ela me deu o planeta lilás e desde então não sei o que é uma vida sem livros. ia dizer o quanto leio por mês, mas percebi a tempo que esse número é uma bobagem e vai contra tudo o que vou dizer mais pra frente :)

acho que os pais têm papel fundamental na forma como nos relacionamos com o mundo, incluindo o mundo dos livros. meu pai, por exemplo, não dá a menor bola pra qualquer tipo de coisa escrita: o lance dele é trocar idéias e informações, nisso ele é expert. e aqui entre nós, ele sabe muito mais coisas que muita gente que lê, viu? tem uma memória incrível e é um ouvinte muito atento, além de ser curiosíssimo. um tipo de inteligência diferente, que me fez entender depois de adulta que nem só de livros vive a cultura de uma pessoa. nem discuto com quem despreza outras formas de adquirir cultura que não através dos livros. pura perda de tempo.

já minha mãe é de outro estilo: ama ler, sempre devorou livros a vida toda. não é à toa que eu escrevi "ama ler" e não "ama os livros": ela é consumidora de literatura de todo tipo, mas não tem fetiche pelo objeto. acredito que veio do exemplo dela minha fome de leitura. é difícil não sucumbir quando se observa alguém que você ama dedicando tanto tempo a uma atividade... dá vontade de experimentar! pois experimentei e viciei, pra sempre.

dessa mistura de estilos saí eu, que acabei descobrindo o meu próprio: sou devoradora de livros, compro muito mas não me apego a eles. há alguns anos me desfiz de 2/3 dos meus livros, sem nenhuma pena. não me arrependo, embora às vezes lembre de algum deles com saudade (vontade de reler. eu releio muito). possuir livros, vê-los na minha casa, não me dá nenhum prazer especial, mas acho prático: quando quero reler alguma coisa, está à mão. quando preciso consultar algum assunto, está fácil. confesso que com o google cada vez mais mágico essa necessidade diminuiu, mas ainda há muita coisa que só acho nos livros que já li.

literatura, pra mim, é pura e simplesmente lazer e prazer. eu sequer chamaria de arte, considero entretenimento e, ainda nessa categoria, uma forma de exercitar meu intelecto. vejo a literatura mais ou menos como o cinema: é um meio de contar histórias, transmitir idéias, provocar idéias em outras pessoas. evoluímos de um sistema de história oral (cada vez mais abandonado) para a história escrita e em algum momento esse conceito simples de usar o verbo para se comunicar se deturpou, transformando-se em objeto de desejo, em fetiche. um livro é hoje um objeto de desejo; as idéias e histórias se transformaram em estandartes, carregados com uma paixão que é quase infantil. as pessoas se esqueceram da diversão!

acho triste observar "leitores profissionais", que inclusive se vangloriam dos seus "feitos": li todos os clássicos; li [coloque aqui o nome de um livro considerado "difícil"] e gostei/desgostei. dão suas opiniões de forma séria e discutem interminavelmente, como se o que eles pensam fosse de fato relevante. classificam obras e autores como se algué desse bola, definem o que é literatura e o que não é, cada um segundo seus padrões subjetivos. cheios de vaidade, se consideram cultos e intelectuais porque lêem. como se ler "clássicos" tornasse alguém mais inteligente, culto ou intelectual. acumulam nomes de livros e autores nos seus "checklists de leitura" mas não estabelecem relações entre diferentes meios, não pensam fora da caixa.

existem fetichistas-de-livros que são de fato cultos, inteligentes e intelectuais? claro que existem, mas são raros. a enorme maioria dos fetichistas-de-livros é composta de pessoas vaidosas que, com dificuldade de se sobressaírem de outra forma, usam os livros como alavanca. precisam de uma muleta (os livros lidos) para mostrarem que são diferentes dos demais, que fazem parte de alguma elite, a dos "lidos". e não lêem qualquer coisa, não, porque não têm tempo a perder (seja lá o que isso significa): lêem somente o que a intelligentsia considera bom. afinal, eles não podem perder seu precioso tempo com sub-literatura.

o que mais me irrita em pessoas com este perfil (além de serem chatas, é claro) é que apesar de toda a pompa, nunca se debruçaram de fato em textos com conteúdo para estudo e leram com olhos de investigador e pensador. não sabem se comportar como filósofos, são meros "etiquetadores": isso é BOM e isso é RUIM. basta 5 minutos de conversa para perceber que eles nunca investigaram de fato textos filosóficos ou literários que se prestam a isso, estabelecendo relações, tirando conclusões e contribuindo com suas próprias idéias. em outras palavras: nunca dialogaram com nenhum texto; esse tipo de leitor só consegue falar sozinho.

já não tenho mais paciência de ler/ouvir gente assim. durante minha década dos vinte eu era atraída por esse tipo, não percebia que eles eram vazios, meros repetidores de idéias alheias (de preferência idéias controversas, pra dar mais ibope); hoje em dia tenho vontade, antes de iniciar qualquer conversa, de fazer uma sabatina de pensamento filosófico (que não é a mesma coisa que ter lido livros de filosofia, tá?) e ver no que dá. se não passar na provinha básica, só vale incluir na pauta da conversa assuntos divertidos e sem grandes profundidades. ficam proibidas conversinhas pseudo-intelectuais, já não tenho mais idade pra ouvir bobagem sobre assunto sério.

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outro dia discuti uma coisinha com meu amigo do pequenos delitos que achei interessante a ponto de virar um texto aqui: a forma como certos textos ou idéias nos tocam.

a questão começou assim: ele tem aversão ao pequeno príncipe por causa da famosa frase és eternamente responsável por aquilo que cativas (ou algo assim). a famigerada frase foi escrita num bilhete dado a ele por uma namoradinha de infância e ele ficou incomodado com tamanha responsabilidade. como assim, eternamente responsável? :)

independente de gostar ou não do livro (eu gosto), tentei explorar a seguinte idéia: o autor é ruim ou o leitor tem problemas particulares com o assunto? acredito de verdade que o incômodo com a frase não tem origem na idéia que ela transmite, mas antes no universo do leitor que a interpreta. se não houvesse do lado do leitor alguma questão não resolvida quanto a assumir responsabilidade por aquilo que cativou, neste exemplo, acredito que nenhum incômodo surgiria em relação ao romance. minha pergunta pra ele foi -- e se a frase escolhida para o bilhete de amor fosse do romance romeu e julieta, você teria ficado com medo da moça se matar por você ou teria achado só romântico?

a idéia não é provar se estou certa ou errada e nem esmiuçar o pobre leitor, mas fazer pensar sobre a seguinte idéia: textos e/ou idéias nos provocam reações, mas são agentes passivos. nós, quando nos dispomos a ler, ouvir ou ver somos os agentes ativos. é muito mais interessante e rico observar nossas reações e entendê-las do que emitir opinião sobre o que nos despertou. qual é o benefício intelectual ou emocional de reagir a algum estímulo protestanto ou concordando veementemente? essa é a nossa reação mais primitiva: rejeitar ou aceitar. pensar-se, refletir (espelho, ahn?) é muito mais elaborado e, aqui entre nós, a parte mais bonita de ser humano. não devíamos nunca deixar em segundo plano essa capacidade única da nossa espécie.

da próxima vez que uma idéia provocar você, tente perceber-se antes de simplesmente reagir contra ou a favor da fonte de estímulo. garanto que será mais útil, muito embora eu não possa esconder um fato: pode não ser tão prazeroso assim ver esse lado do mundo (o de dentro). reagir ao que está do lado de fora com opiniões (boas ou ruins) é muito mais fácil e seguro.

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boa semana a todos :)

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