Posts com a tag “opiniões”

antes que eu me esqueça

sou contra discussão de relação, qualquer que seja o relacionamento. há alguns anos eu só entro em uma discussão desse tipo se realmente for caso de vida ou morte.

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eu já considerei amigos tipos que falam o que querem sem dar importância ao quanto isso poderia me machucar, mas defenestrei (simbolicamente, pelo menos). eu mesma já fui assim (dizia o que achava que tinha que dizer, foda-se quem está ouvindo) e percebi o quanto essa atitude é horrorosa, procuro mudar a cada dia (nem sempre com sucesso, é bem verdade).

mas gente assim faz mal, não fique por perto. e se a pessoa em questão achar que "faz isso para o seu bem" ou que "a verdade precisa ser dita", afe, corra muito.

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nada contra sinceridade, é que aprendi que quem se importa com você de verdade procura entregar sinceridade embalada sempre em muita gentileza. e é assim que eu quero ser, é de pessoas assim que eu preciso na vida.

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alguém mais tem às vezes a sensação desagradável de como eu pude? essa semana fui ler o blog de um ex-amigo e a cada linha que eu lia o meu nojo aumentava. eca, eca, eca! como eu pude um dia sentar à mesma mesa que essa... criatura?

fui lavar as mãos, simbolicamente, após ler o blog.

(podem rir, é porque não é com vocês :))

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por motivos pessoais ;) não gosto de usar muito o mito da caverna, mas nenhuma metáfora se aplica tão bem ao que observo por aí. as maior parte das pessoas realmente acredita nas sombras e vive uma realidade toda particular e, é claro, equivocada.

outro dia alguém me disse uma grande verdade - depois que você passa por um processo psicanalítico, enxerga o mundo - e as pessoas - de outra forma. não significa que seus problemas estão resolvidos nem que você é uma pessoa ótima, mas significa que você teve coragem de sair da caverna. quando você vê os outros lá, falando com as sombras, é muito esquisito, dá vontade de chacoalhar!

entendo quem abandona tratamentos psicológicos no meio ou se trata com terapeutas de mentirinha, de verdade. o processo real de sair deste lugar conhecido (nem sempre confortável, porém conhecido) é difícil e doloroso. e o mundo lá fora, pra dizer a verdade, nem sempre é bonito de ver.

ainda assim, control freak que sou, prefiro lidar com o mundo real. dói às vezes, mas é bem mais bonito.

(mas e se o mundo for como nesse filme? esse assunto é melhor esquecer :))

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eu odeio politicamente correto

... mesmo, de coração. porque essa coisa bizarra, que só podia ser invenção de americano, só existe graças à falta de compaixão do ser humano. esse pequeno artigo explica o conceito, e eu gostei especialmente desse resumo: ter compaixão é não ter indiferença frente ao sofrimento do outro.

é da nossa natureza criticar e julgar e, freqüentemente, verbalizar nossa opinião a respeito das diferenças e dificuldades dos outros. quando ligamos o botão do "foda-se" para o que os outros vão sentir quando dizemos nossas próprias verdades a respeito deles, esquecemos completamente a compaixão. deixamos de nos colocar no lugar do outro.

esse comportamento é comum nas crianças, e com razão: elas ainda não aprenderam a se colocar no lugar do outro, a ter compaixão. elas dizem o que lhes vem à cabeça, e nem sempre é algo legal de ouvir. esse sentimento ou atitude se aprende, não nasce conosco. e há muitos (mesmo!) adultos que ou não aprenderam direito ou ignoram os sentimentos alheios.

por isso digo que o politicamente correto é uma aberração - é um remendo para a falta de educação emocional da humanidade (ou um instrumento para processar os sem-noção, pode ser...).

escrevo sobre isso porque deu pra perceber neste post que várias pessoas já se sentiram vítima de alguém que não sabe o que é compaixão. me parece óbvio que o real sentido da compaixão é mais fácil de entender quando você é vítima do que quando é algoz, e nós trocamos de papel o tempo todo sem perceber. não me iludo - é inevitável errar quando o algoz é você, pois é difícil observar diferenças e fragilidades. ok, não é exatamente difícil, mas demanda sensibilidade e atenção, produtos em falta na vida de quem vive a milhão. a pressa e a ansiedade têm conseqüências, e a perda de capacidade de se sensibilizar pelo que nos cerca é uma delas. (depois perguntam porque eu quero diminuir o ritmo...)

há uma infinidade de pessoas que confundem humor com crueldade e falta de compaixão. fazer graça com a dificuldade de fala de um amigo gago, por exemplo, não é exatamente legal. pode até ser engraçado - pra todo mundo menos pra ele, é claro - mas não demonstra nem um pouco de compaixão.

tenho pena de quem precisa agredir ou ridicularizar os outros pra se destacar. não há nada errado em fazer piadas ou ter opinião negativa sobre qualquer assunto, mas nunca é demais se colocar no lugar do outro e pensar duas vezes antes de falar/escrever.

acredito que choque e dor são inevitáveis e fazem parte do processo de mudança e crescimento de todos nós. "levar porrada" não é necessariamente ruim, muitas vezes ajuda de verdade. mas se você é o emissor da "porrada", pense bem se é esse mesmo o sentimento que você deseja provocar. e pense se não está simplesmente usando a fragilidade de alguém pra se sentir melhor. ter compaixão não é a mesma coisa que mentir o tempo todo, é aprender a ter consciência de que tudo o que você diz pra alguém tem conseqüências - você é agente ativo no processo de convivência, não se exima disso!

penso muito nisso, pois sou impulsiva e cheia de gracinhas. e já me peguei muitas vezes com vergonha de mim mesma, o que é sinal que sou humana e erro, mas que fui bem criada e sou uma pessoa legal. i care.

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nem sempre o que passou, passou

estou conversando bastante com a sam, que tá sempre por aqui dizendo coisas legais de pensar, sobre essa questão da auto-imagem e não se adequar aos padrões.

eu estou uma adulta gorda, neste momento. já fui uma adulta normal, nunca fui magra. a relação mais "magra" de altura x peso que tive foi 48kg em 1,52m (minha altura desde os 12 anos até hoje, espero não ter encolhido :D). o resto da vida adulta variei de 50 a 85 (!) quilos. mas qualquer coisa ali na faixa dos 60kg é bem razoável pra mim, me acho bem bonita com 65kg, mesmo que achem que 65kg para uma mulher de 1,52m é demais.

eu não fui uma criança nem uma adolescente gorda. até os 9 anos, aliás, eu acho que era bem magrinha - vejam uma foto minha com essa idade, na escola - e depois de ter hepatite engordei um pouco, voltando depois dos 11 anos a ter um corpo que eu considero normal. só comecei a engordar mesmo depois dos 20 anos, quando fiquei sedentária e preguiçosa :) o apetite foi sempre o mesmo - ótimo.

minha irmã, que é bem magra, me "xingava" de gorda quando queria me agredir (porque mesmo não sendo gorda, eu era bem mais gorda que ela); ouvi piadinhas na escola e na família sobre ser "gordinha". hoje eu vejo que eu não era gorda de verdade, a questão é que eu não era magra. e as pessoas medíocres precisam categorizar umas às outras - e quem não é magra é... gorda! pronto.

os xingamentos ou comentários incomodavam, sim, mas não o suficiente pra que eu me importasse. eu era uma menina inteligente e articulada, tinha muitos amigos e era muito boa aluna. me dava bem com todo mundo. o fato de não ser bonita e nem magra não fez falta, eu tinha outros atributos que compensavam muito bem. não precisei virar a louca da dieta e nem me empenhar em ser gatinha pra ser aceita.

mas... eu precisava ser legal, porque afinal era o que eu tinha de melhor. e pessoas legais não dizem não pras outras, elas precisam sempre agradar todo mundo! e parte de agradar todo mundo é aceitar tudo o que vem, literalmente engolir o que for oferecido, sem reclamar. e assim, pessoal, nasce um distúrbio alimentar.

eu gosto muito do meu corpo, da minha aparência, mesmo quando estou gorda. sei que posso e devo melhorar, não só pela minha saúde mas também pra me sentir mais bonita, mas estar gorda não me faz sentir horrível. aprendi que sou muito mais que minha aparência, já provei pra mim mesma essa tese há muitos anos. não quero ser magra, não serei magra e estou muito tranquila com as minhas escolhas estéticas. não quero nunca ter aquela "barriga de lipo", da mesma forma que não quero nunca seguir tendências de moda. essas coisas não têm valor nenhum pra mim, portanto não tem porquê gastar energia buscando nada disso.

ao mesmo tempo, reconheço que é direito de todo mundo escolher. eu escolhi assumir meu corpo e não me render à pressão do padrão seja-magra; há quem escolha entrar no padrão, fazendo sacrifícios pra isso. às vezes vejo comentários dizendo que minha escolha é sensacional, "não aceitar o padrão" e tal. por quê? tanto eu quanto a que escolheu entrar no padrão fizemos escolhas, abrimos mão de algumas coisas e ganhamos outras em troca. não há escolha certa, há a escolha que nos deixa mais felizes, quando se passa a régua.

eu tenho, é claro, minha opinião a respeito de quem se violenta em favor da aparência, mas isso é problema meu. as que fazem lá seus sacrifícios não querem nem saber o que eu acho, o que importa é o tamanho da bunda no final do mês, é a admiração do namorado ou das amigas, sei lá eu o que importa pra elas. o que tenho certeza é que eu quero continuar comendo minha pizza, meus pastéis e sendo feliz; não abro mão de certos prazeres de jeito nenhum. e arco com as conseqüências, é claro - vira e mexe tenho que fazer milagre pra voltar prum peso minimamente aceitável, porque eu engordo, sim.

no entanto, o que menos me incomoda é o que acham sobre o meu corpo, isso eu ignoro sem o menor grilo. dureza mesmo é admitir que eu tenho uma desordem alimentar (e eu tenho), e que há por trás de cada porção a mais que eu como um problema emocional mal-resolvido. a dieta resolve os quilos excedentes, mas não cura a compulsão. e isso vem lá da infância, de quando eu era a menina "legal", que tinha que agradar todo mundo.

com 36 anos, eu ainda tenho que agradar todo mundo. aquela menina vive firme e forte dentro de mim, e é pra ela que eu escrevo aqui boa parte das vezes. é pra ela que eu digo, dia sim outro também, que ela é bonita e tem valor, independente do que qualquer um diga.

pense muitas vezes antes de dizer que alguém é feio, gordo ou inadequado fisicamente, principalmente se for uma criança ou adolescente. preste atenção primeiro se o problema não está no seu olhar enviesado e, mesmo se estiver convencido que a pessoa é inadequada de verdade, guarde sua opinião pra quem perguntar. uma brincadeira, às vezes, tem impacto numa vida toda.

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sobre manuais e a evolução

o inagaki escreveu um post hilário no começo desse mês sobre aquelas dicas de como enloquecer seu homem de revista feminina e eu estou desde então pra comentar.

eu não consumo revistas femininas, nunca comprei, mas leio pedaços às vezes, em consultórios e manicures. e cada vez que leio tenho menos vontade de comprar, me sinto ofendida pelo conteúdo destas revistas, se querem saber.

eu ia dizer que as capas já me dão a impressão de "essa revista não é pra mim", mas vá: entendo quem se encanta pelo sonho da perfeição, quem se projeta na modelo ou artista da capa. eu não me projeto e não me relaciono com essas imagens, eu nunca tive nem vou ter essa pele perfeita e essa barriga chapada. e francamente me importa muito menos a minha barriga que a minha próxima viagem, eu nunca vou dedicar tanto dinheiro e/ou energia pra ser linda e/ou perfeita.

mas isso é só a capa, aí vêm as matérias: técnicas de depilação, cosméticos milagrosos, cores da estação, depoimento da leitora (sempre histórias escabrosas), editorial de moda com modelos de 13 anos e esqueléticas (como a leitora-padrão consegue se identificar?!) e a inevitável matéria ex-clu-si-va e quentíssima sobre sexo.

richard dawkins grita no meu ouvido: é isso aí, minha nega, it's all about sex. você precisa ser gostosa, vistosa, ter cabelos sedosos e esvoaçantes, bunda durinha e saber fazer um boquete matador pra conseguir se reproduzir, amiga! 'bora trabalhar esses glúteos, senão nenhum macho alfa vai te querer.

ok, admito que estou mais pra brás cubas, e no ritmo e estilo de vida que vou seguindo é possível que não deixe mesmo a ninguém o legado da minha miséria. mas peralá, gente, olha esse conselho de como enlouquecer um homem:

li uma vez em uma revista que a bianca jagger, ex-mulher do mick jagger, colocava uma barra de chocolate na vagina e o convidava para degustá-la. imitei a tática dela e foi um sucesso.

o mundo tá assim, e eu me sinto uma alienígena. as pessoas precisam de (e querem) manual de instruções pra explicar como ser feliz, como comer, como ficar perfeita, como ser profissional, como trepar. e pelo jeito as instruções são aprovadas, as revistas vendem mais que nunca...

olha, concordo 100% com dr dawkins e tal, mas acho que estamos na bancarrota evolutiva e faz é tempo. pensem comigo: eu, uma pessoa inteligente, saudável e legal (embora bem longe de ser perfeita) não espalhei meus genes pelo mundo; criaturas que colocam toblerone (espero que tenha sido esse né? só falta ser uma barra) na dita-cuja tão aí se espalhando pelo mundo.

tá errado, tá tudo errado.

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ponto-e-vírgula

eu gosto do fato da internet ter dado possibilidade pra todo mundo dizer o que quer, quando quer e como quer. gosto também de poder encontrar informação sobre quase qualquer assunto - menos sobre poços de alcatrão, tem muito pouco sobre isso disponível, vou ter que consultar uma biblioteca! :)

mas tem uma parte dessa enorme possibilidade que é sacal - o monte de zé mané que acha que entende de todos os assuntos e escreve como se fosse especialista. o mundo dos livros também tem seus zé manés, mas o volume é menor e é preciso gastar dinheiro pra lê-los, tornando o processo de consumo mais criterioso. o volume de "especialistas" dando opinião aparentemente profissional na internet é incrível. há que se ter cuidado pra não cair nessa armadilha e sair repetindo bobagem que sai dos dedos nervosos dos tolos-cibernéticos.

mais que nunca aplico as dicas de como ler bem que fui colecionando com o tempo.

e não pensem que não gosto de opinião pura e simples - eu adoro! o que não gosto é de opinião disfarçada de teoria ou de fato. isso irrita a pesquisadora dentro de mim profundamente.

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acho, significando essa é minha opinião baseada em percepção, que as pessoas não lêem mais com o intuito de pesquisar, entender teorias e criar perspectiva. o google se transformou em fonte única de conhecimento, no formato de textos curtos e mal escritos ou posts de blogs. misturado, é claro, a textos realmente úteis e com conteúdo confiável. como diferenciar é que são elas, assunto antigo no mundo das teorias de informação.

procurando sobre como a internet influencia os estudos, achei um mini-artigo legal sobre pesquisa na internet x pesquisa em livros - não é profundo mas serve para pensar.

há uma horda de pessoas escrevendo por aí sobre assuntos, digamos, sérios, sem nenhum tipo de pesquisa por trás, sem base de apoio (sem a qual não existe reflexão de fato), é pura e simplesmente "eu acho" disfarçado de teoria. e o pior de tudo, pra mim, é que não é por preguiça ou falta de informação que as idéias são lançadas na rede sem qualquer tipo de lastro, é por arrogância pura. porque os "autores" acham que a informação superficial e em pílulas encontrada nos mecanismos de busca é suficiente para sair discutindo quaisquer assuntos, tais gênios acham que são fontes de idéias e teorias que brotam milagrosamente graças às profundas leituras de reader's digest (ou equivalente) no banheiro.

a leitura (le-n-ta!) de breve história de quase tudo tem me feito pensar muito nisso - no quanto todas as grandes revoluções científicas são, sempre, resultado de tudo o que os pensadores e cientistas das gerações anteriores deixaram de legado. não há invenção ou descoberta que não seja resultante de passos dados por outros. isso é, aliás, a essência da evolução humana - somos capazes de transmitir conhecimento e subir degraus, ao invés de começar sempre do zero.

penso, e não é de hoje, que o acesso a tal quantidade de informação (geralmente rasa) nos torna arrogantes demais, a ponto de entornar o caldo. graças às facilidades da internet, não é mais preciso pesquisar, ler em profundidade, analisar, criticar e concluir. ficamos preguiçosos e metidos. tou cansada de ver marmanjos fazendo leitura dinâmica de textos vabagundos, concluindo porcamente e usando links pra confirmar suas "geniais" conclusões. e os infelizes que ainda se preocupam com algum rigor científico e intelectual são taxados de "atrasados" ou pedantes. diante desse cenário, sinceramente me preocupa como nosso legado científico e intelectual vai ser perpetuado.

a "nova geração" pode ser mais esperta e conseguir fazer algumas coisas mais rapidamente graças ao domínio das ferramentas, mas não é necessariamente mais inteligente. talvez se virem bem pra ganhar dinheiro e manter funcionando a máquina de consumo, mas tenho cá minhas dúvidas se continuaremos a evoluir do ponto de vista científico. quantos humanos da nova geração se interessam pelas ciências, puras ou aplicadas? me parece que o mundo se transformou num mar de administradores e marketeiros, com uma porção de geeks úteis, pra manter os servidores no ar.

o darwin da nossa era é, sei lá, bill gates?! tenho medo.

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tenho estado introspectiva e pensativa nos últimos meses, procurando entender o que de fato tem valor pra mim, o que me interessa. segundo o meu trânsito do personare, é assim que será meu ano, regido por touro.

os astros me ajudam a confirmar o que eu já tinha percebido, então deixo um aviso aos navegantes - talvez esse não seja um ano de muita diversão e festividade neste blog. quem caminhar comigo vai ficar às vezes de saco cheio de tanto questionamento (sobre mim mesma, sobre a vida, sobre os outros); quem gosta do oba-oba que sempre me foi tão característico... sorry. fica pro ano que vem :)

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é possível que eu diminua o ritmo dos posts. mas o email tá sempre aberto, pra quem quiser bater papo sobre qualquer assunto. opiniões me interessam.

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elogio ao radicalismo

ainda não cheguei a nenhuma conclusão em relação à questão que coloquei aqui - por que ser ou não vegetariano? o assunto não morreu, continua vivo e chutando aqui na cachola. sigo buscando informação e minhas próprias motivações, pra ter certeza que quaisquer mudanças nos meus hábitos alimentares sejam conscientes e não fruto de um desejo de me destacar dos demais humanos cruéis e desperdiçadores (cada vez mais acho que a auto-imposição de restrições alimentares é uma forma sutil de se diferenciar dos demais, mas isso é assunto pra outro post).

a denize me indicou o blog brazil nut para receitas veganas, já avisando do tom um tanto radical do texto. achei as receitas fracas - é possível ser bem mais criativo usando os ingredientes veganos, eu mesma faço receitas veganas melhores - e o tom é mesmo bem radical e me incomodou. e exatamente por isso eu continuo acompanhando o blog (que é bom): é importante ser incomodado, é isso que nos faz sair do conforto dos nossos lugares quentinhos.

ontem no almoço o assunto foie gras apareceu e eu comentei que adorava essa iguaria, mas me recusava a comprar e a comer, por causa da crueldade praticada com os animais para sua obtenção. hoje, coincidentemente, o post do brazil nut é exatamente sobre o assunto. recomendo que todo mundo leia, principalmente porque foie gras é um alimento 100% desnecessário (apesar de delicioso) - é puro luxo, às custas de um tratamento horroroso para os bichos.

só que quando paro pra pensar nesse assunto, dói. o quanto um bife ou uma costela de porco são realmente necessários na minha vida? eu poderia facilmente viver sem eles. então por que submeter um animal ao confinamento e à morte prematura pra que eu possa ter alguns momentos de prazer? às vezes parece fútil demais, desnecessário.

vejam que nem estou discutindo se os animais em questão sofrem ou não no confinamento e na morte; isso é outro problema, complicadíssimo. a começar pela pergunta "o que é sofrer?".

e antes que eu me perca e fique só no assunto do animal que é confinado e morre pra eu ter bife no prato ou sapato no pé, vou a outras questões - e os zoológicos? há quem defenda que "isso é melhor para os bichos que viver na floresta, no zoo eles são cuidados". really? e manter alguém trancado num apartamento, sendo cuidado, é melhor que deixar que seja livre e se aventure pelos perigos da cidade? a pessoa poderia morrer de bala perdida, de atropelamento, de susto. a verdade é que os bichos são mantidos em zoos pra que possamos vê-los, é tão-somente uma forma de diversão pra nós.

assim como os animais domésticos, convenhamos. por que criar animais de estimação, senão para nosso conforto (no caso de animais que trabalham) ou para o nosso prazer? eles são bens de consumo, como qualquer outro. bem tratados e alimentados, às vezes, mas ainda assim bens de consumo. senão por que comprar animais "de raça" ao invés de cuidar dos que estão abandonados e precisando de apoio?

e quanto aos animais mantidos em gaiolas, submetidos a testes de remédios e cosméticos? como aceitamos tão sem culpa comprar cremes ou xampus que para serem criados submetem animais indefesos a testes (principalmente quando existe a opção de produtos que não são testados em animais)? quanto aos remédios, entendo que são essenciais para melhorar nossa qualidade de vida, mas acho que nossas cobaias deviam ser humanos dispostos a se submeter. que fosse pelo bem da ciência ou por dinheiro, não importa, mas que as cobaias fossem usadas por sua vontade. escravizar animais para testar produtos pode ser até "necessário" mas é absurdo e cruel.

cada sanduíche, xampu ou remédio, cada produto que eu consumo, o quanto existe de sofrimento por trás deles todos? onde afinal estou gastando meu dinheiro? será que compensa?

são perguntas horrorosas, se você realmente estiver disposto a pensar sobre elas. o que eu tenho feito, por enquanto, é tentado rever todas as pequenas coisas que eu faço e consumo, analisando o que eu poderia fazer diferente. vocês não têm idéia da quantidade de coisas que podem ser mudadas só dentro de um pequenino universo de consumo e ação como o meu.

tenho comprado quase tudo origem orgânica, dentro da pouca variedade que existe: produtos de limpeza, verduras, legumes, frutas, frango, carne, grãos, açúcar, café, chá, farinhas. ainda não me tornei radical, mas já deixo de comprar ovos, frango, carne e legumes/verduras não orgânicos. o restante, como é mais difícil, faço o que posso. mas meu ideal é, em alguns meses, simplesmente não comprar quando não houver a opção orgânica.

(para saber mais sobre o que é produção orgânica, leia aqui - não tem a ver só com ausência de agrotóxicos!)

há alguns anos procuro consumir menos água, eletricidade e combustível. é muito difícil, sim, mas aos poucos a gente acostuma e pensa duas vezes antes de ficar 1h no banho ou ir até a esquina de carro. estou longe ainda do que desejo, mas vou caminhando.

há 5 anos tenho separado religiosamente meu lixo e nunca deixo de me espantar com a quantidade de lixo reciclável que somente 2 pessoas na casa produzem. incentivo todo mundo ao meu redor a reciclar, economizar, reaproveitar. já vi algumas mudanças e me orgulho disso.

não sei ainda o que será da minha alimentação ou dos meus hábitos de consumo nos próximos anos, mas tenho certeza que serão diferentes, pautados pelo respeito aos animais e pelo ambiente ao meu redor. e muita calma com esse papo de "mundo globalizado" - quero dar preferência à produção local, do meu vizinho que planta figos e laranjas e vive disso. parei de comprar importados e enlatados cheios de conservantes, chega.

sim, leitor amigo, sua impressão está correta - eu tenho mais perguntas e dúvidas que respostas. tenho ideais e desejos de melhorar, mas ainda como aquela deliciosa picanha na chapa no boteco sem lembrar de tudo o que aconteceu até aquele pedaço de bife chegar ao meu prato. e quando lembro, jogo a culpa pro canto e peço mais um chopp.

por isso agradeço aos radicais que tanto me incomodam dia sim, dia não - graças a eles eu certamente me tornarei uma pessoa melhor, ainda que diferente do que eles defendem.

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todos são malucos por aqui, você não notou?

sábado, a caminho do parque de diversões, paramos pra tomar café da manhã no posto da estrada (adoramos!). na TV passava alice no país das maravilhas, um dos meus filmes prediletos (além é claro da história, definitivamente uma das minhas top 10).


(mas o gato me dá medo!)

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tenho o tarô da alice, que é espetacular. e sempre me faz lembrar dela.

o que me faz lembrar que comprei um caleidoscópio ontem, novinho em folha. porque o outro que eu tinha sumiu, tipo assim, POF!

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o hopi hari foi muito legal APESAR das filas monstruosas. quando eu digo monstruosa quero dizer mais de 1 hora de fila pra qualquer brinquedo - horror absoluto, principalmente debaixo de um sol de 40 graus. mas conseguimos ir na torre, no rio bravo (momento relax), no crazy wagon e no meu preferido, o katapul.

e depois voltamos pra casa, doidos pra pegar uma piscina... mas uma tempestade caiu sobre vinhedo e (graças a deus) refrescou o mundo. a piscina ficou pro dia seguinte :)

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estávamos em casa jogando videogame e relaxando quando descobrimos que a sheilinha e o leo estavam em vinhedo! então encaramos um jantar-de-surpresa no mestrino - comida, vinho, companhia e música ótimos. um final inesperado e delicioso de noite de aniversário. adoro surpresas :)

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e os presentes? o carinho e amor desse montão de gente massa que me cerca. eu não quero mais nada além disso, não... ganhei presentinhos, sim, alguns, e amei. mas nada é mais gostoso e importante que alguém se lembrar da gente e desejar nosso bem.

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e pra não dizer que não tivemos presente de aniversário (eu e ele), encomendei a coleção completa do calvin & hobbes. e vamos ficar com várias duplicatas em casa, mas quem se importa? em se tratando do calvin, mesmo três não é demais.

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é verdade que estou procurando consumir cada vez menos, mas algumas coisas são alimento pra alma (como o presente que nos dei). meu outro sonho de consumo (quem sabe ano que vem?) é a coleção completa dos filmes da disney. um dia, um dia.

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ontem assisti trechos de um programa na GNT com a maria bethania (absoluta! poderosa! salve salve!) e outras mulheres. alguém sabe o que é? pre-ci-so ver o programa completo!

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constatação de aniversário OU contas simples: quando minha mãe fez 36 anos eu tinha 18 e já estava na faculdade (!!) tá difícil me convencer de que algo *não* está errado na minha cronologia...

será que só deixamos de ser crianças, bem lá no fundo, quando temos nossos próprios filhos?

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é meu (nosso) dia, de novo

amanhã, chegam os temidos 36 (simpatizo mais com meus anos ímpares, não tem motivo claro). e é também o dia da mulher, data que eu gosto tanto.

não sei o que me irrita mais: o comércio dando flores murchas nas lojas, as propagandas melosas e nada a ver na TV ou os homens escrotos que, a título de piada, perguntam todos os anos "por que tem dia da mulher e não tem dia dos homens? isso é injusto!". dã.

eu procuro contextualizar a comemoração, sempre, e é inevitável ouvir como resposta piadinhas idiotas como "ha ha ha, os caras sabiam colocar as mulheres no seu lugar...". eu já falei o quanto desprezo pessoas que fazem ironias pra dizer o que pensam? odeio, porque quando confrontadas, elas dizem que era brincadeirinha. você cai nessa, é? não caia não, gente assim é escrota, fique esperto.

mas eu queria falar sobre o dia da mulher, porque amanhã estarei de folga comemorando meu aniversário e não vou poder participar da postagem coletiva.

procurei (de novo, todo ano faço a mesma coisa) a música que mais me vem à cabeça nessa data: eu gosto de ser mulher / que mostra mais o que sente e meu blog é o segundo da lista :) que gostoso! porque eu gosto mesmo de ser mulher. mostrar mais o que sinto foi uma conquista árdua (ainda é), e muito me orgulho dela.

não acho que há mérito em ter nascido mulher, afinal não é uma escolha... mas há mérito sim em se assumir mulher, com todas as dificuldades e problemas que o sexo implica. se você acha que não faz diferença ser homem ou mulher, você tem sérios problemas de percepção do mundo, abre los ojos.

é muito mais difícil ser uma profissional mulher - nós ganhamos menos e temos que trabalhar muito mais que os nossos colegas homens pra provar que somos boas. aliás, pra conseguimos qualquer credibilidade temos que nos desdobrar em duas mil. sei que há áreas em que as mulheres têm maior trânsito - magistério, por exemplo. mas na minha área - tecnologia da informação - a coisa é punk. nós somos freqüentemente usadas como secretárias (que aliás eu acho uma profissão do caralho) ou assistentes dos homens, porque afinal são eles que mandam.

o pior de tudo é que essa realidade transformou boa parte de nós em monstras - ao invés de entender nossos pontos fortes e brigar pra conquistar espaço usando exatamente o que temos de melhor, fizemos um caminho torto: começamos a imitar os homens pra concorrer com eles e nos perdemos de nós.

a maior parte (esmagadora) das mulheres fodonas-poderosas é praticamente homem. reparem na atitude, no estilo de vida, nas escolhas. elas mal são percebidas pelos seus "pares" como mulheres, e inclusive consideram isso um elogio!

no campo sexual, então, a coisa é lamentável: nos convencemos que liberdade sexual é se comportar como os homens. liberdade sexual é dar pra todo mundo e ser agressiva na conquista e no ato, é deixar os sentimentos (essa coisa de mulherzinha) de lado. afinal, direitos iguais, certo?

eu dispenso o direito de trabalhar 16 horas por dia como os homens; eu abro mão do meu direito de dar pra qualquer zé mané que conheci na festa de carnaval de paranapiacaba e que não me valoriza.

pra quem é mulher, recomendo aproveitar o dia da mulher deste ano pra pensar no quanto você abre mão de ser você mesma pra poder ganhar espaço nesse mundo. reflita o quanto do seu comportamento é dirigido pelos "direitos iguais". permita-se ser diferente e sinta orgulho disso. não entre nessa nojeira de se valorizar pela sua aparência, não deixe os homens "medi-la" pelo seu cabelo, sua bunda, sua barriga. não ceda a essa pressão, se respeite.

pra quem é homem: preste atenção à forma como você trata as mulheres ao seu redor. não seja condescendente, não é isso que queremos. queremos respeito, amor, carinho e admiração pelo que temos de melhor. enxergue além das bundas, meu amigo. não nos trate como se fôssemos homens, cada pessoa é única, independente do sexo. eu sei que dá trabalho sacar qual é a de cada um, mas é um trabalho legal. enxergue as mulheres, entenda o que cada uma delas quer, e você terá sempre o melhor delas.

ah, e se você é daquelas mulheres que acha que mulheres não podem ser amigas, que mulheres são invejosas e vingativas e do mal umas com as outras - saiba que você é uma pobre coitada. você caiu no conto do vigário, minha filha, e provavelmente é uma mulher horrível. aproveite o dia de amanhã pra pensar e mudar, viu? e pare de repetir esse discurso ridículo.

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participe!

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contra os chatos

ah, luciana leitora querida, obrigada pela notícia boa: começaram a fazer campanha contra os imbecis que deixam celular ligado no cinema e/ou atendem quando toca.

leiam mais aqui.

se você é do tipo que deixa celular ligado no cinema ou teatro, e pior, se você atende quando o aparelho toca, não me conte, por favor, que eu estou em inferno astral e preciso só de energias positivas! :)

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ainda sobre diferenças

recebi na semana passada uma apresentação muito legal sobre diferenças culturais (esse é um assunto importante aqui na empresa onde estou trabalhando), e uma parte dela me chamou a atenção: as mesmas idéias são representadas graficamente do ponto de vista de ocidentais e orientais, mostrando como percebemos as coisas de forma diferente.

vou compartilhar com vocês as imagens, que foram muito instrutivas pra mim, quem sabe é útil pra mais alguém. atenção: não sei de onde essas imagens vêm, não tenho como citar a fonte e não sei se existe copyright. se alguém souber, por favor me avise!

update: as imagens são da yang liu. dica da grace :)

lado esquerdo, azul: "modo" ocidental
lado direito, vermelho: "modo" oriental

fila
filas

opinião
opini%E3o

problemas
problemas

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porque tem gente que evolui e gente que estaciona

eu posso errar feio e com freqüência na vida, mas tenho certeza que sou do tipo que evolui. exatamente por isso procuro melhorar minha vida e, é claro, a mim mesma.

pra ajudar nessa minha busca, a paula mandou um artigo muito legal: 20 maneiras de eliminar o stress. é em inglês e eu sou uma tradutora horrível, então nem vou arriscar, mas coloco os 20 tópicos e uns comentários, pra quem não lê em inglês:

1) identifique as fontes de stress (e tente eliminá-las)
2) elimine compromissos desnecessários
3) procrastinação: evite, é claro. deixar tudo pra última hora - adivinha? - stressa a gente
4) desorganização: a bagunça nos deixa mais stressados, se organize minimamente
5) atraso: a sensação de estar atrasado é horrível, e nos deixa estressados. chegar antes ou na hora é legal
6) ser controlador: nossa, só quem é assim sabe como é... talvez a pior fonte de stress, porque afinal por mais que a gente se iluda, nós não temos controle sobre quase nada da vida e temos que viver com a frustração constante de ver tudo que queremos controlar sair dos eixos
7) multi-tarefa: além de render menos fazendo mais de uma coisa ao mesmo tempo, isso nos stressa
8) elimine desperdícios de energia: algumas coisas nos deixam exaustos e não são tão importantes; elimine-as da sua vida!
9) evite pessoas difíceis: preste atenção no quanto certas pessoas demandam de você, fique atento se sentir cansaço quando está com alguém. evite esse tipo de pessoa
10) simplifique sua vida
11) desagende :) ou seja: não preencha sua agenda demais, deixe tempo livre
12) vá mais devagar: aproveite mais cada coisa
13) ajude outras pessoas
14) relaxe no decorrer do dia: pare um pouquinho várias vezes, nem que seja pra respirar
15) abandone seu trabalho: pode parecer radical, mas se seu trabalho é sua maior fonte de stress, considere fazer outra coisa
16) simplifique sua to-do list
17) faça exercício
18) coma de forma saudável
19) seja grato: pode parecer bobagem, mas acho esse sensacional. agradecer pelo que temos e somos é muito calmante, traz felicidade
20) ambiente "zen": o entorno deve nos ajudar a ter uma vida mais tranquila e melhor. um ambiente barulhento, feio, sujo ou bagunçado só nos stressa

**

gostei de vários itens dessa lista, mas especialmente o 9 me chama a atenção; falei sobre isso há poucos dias aqui, sobre fazer uma "faxina" nas amizades, lembram? sem querer estava aplicando este princípio: se a pessoa me incomoda mais do que me ajuda a ser feliz, bye bye pra ela.

pois ouvi uma história esse fim-de-semana que me lembrou o tipo de coisa que me fez defenestrar algumas pessoas do meu convívio, vejam se conhecem o tipo:

você não encontra a criatura há muitos meses e de repente, no meio da noite, saindo de outro compromisso, vocês se esbarram. a pessoa mal o cumprimenta, não faz questão nenhuma de saber de você, o que tem feito ou como tem passado, mas faz questão absoluta de explicar pra você com muitos detalhes insignificantes como está a vida dela. explica detalhadamente a cor e a textura do tapete da casa nova, o quanto tem trabalhado naquele projeto im-por-tan-tís-si-mo e como a vida anda corrida, oh meu deus, e como fez dieta e perdeu 3,8 quilos e comprou um sapato azul marinho a semana passada que super combinou com aquela camisa que, lembra?, estava usando naquela festa há 18 meses e...

... e você tentando fugir, olha o relógio várias vezes pra ver se a pessoa se toca que está sendo inconveniente, concorda com a cabeça (porque esse tipo não deixa ninguém mais falar), se lembra afinal porque você nunca, jamais, em tempo algum liga pra essa criatura. e se sente culpado por isso, claro, porque afinal a pessoa não é exatamente má, ela até parece legal.

minha mãe me explicou que esse é o pior tipo de vampiro: eles se infiltram na sua vida porque parecem legais e prestativos. como estão sempre "agitando", a gente não percebe que eles não são "descolados", são só chatos narcisistas e que não acrescentam nada de bom à nossa vida. essas criaturas vão se grudando na gente feito polvo, sufocando e invadindo cada milímetro quadrado da nossa vida, incluindo família, nossos outros amigos, e às vezes chegam a invadir a esfera do trabalho e do casamento!

sem se dar conta, você se transforma num ouvido-ambulante pra eles falarem das peripécias da sua super-interessante-vida (seja coisa boa ou ruim, não importa: tudo que diz respeito a eles é interessante), você é o amplificador da imagem deles. pra tirar a teima e comprovar que está diante do vampiro-verborrágico, tente falar de você mesmo um pouco. eu garanto: se você contar uma história boa, ele tem uma melhor; se você comprou uma roupa barata e boa, ele já viu mais barato e melhor ainda. esses seres das trevas sempre têm alguma coisa a acrescentar que é infinitamente melhor, eles são o centro do universo, MWAHAHHAHAHA!

você, sem perceber, vai se sentindo fraquinho, transparente, cansado. eles fazem a magia da desintegração do outro e nós, os otários, deixamos.

pois comigo não, violão. parei. item da 9 da lista: CHECK.

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as viagens - e o homem


restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar.
ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.

**

esse poema (no link abaixo tem ele completo) me marcou quando eu era ainda criança. não é curioso explorar tanto o que é distante ou inacessível e esquecer do que está logo aqui ao lado? é curioso e sintomático: é difícil conviver de verdade, é difícil se aproximar de outras pessoas com profundidade.

relações superficiais são fáceis. e por mais que eu ache mesmo que essa mídia (a internet, aqui onde estou agora) é sensacional para ampliar os relacionamentos e melhorar a vida, também acho que ela amplifica a superficialidade. email, blog, orkut, flickr, twitter são divertidos e nos fazem ter a impressão de um milhão de amigos, mil programas, agenda cheia, uau! parece que a comunicação horizontal (superfície) se amplia e a vertical (profundidade) diminui cada vez mais. até porque com um milhão de amigos não temos tempo pra sentar com um deles e conversar por uma ou duas horas...

experimento e testo tudo o que a tecnologia me oferece, mas venho me colocando na contramão de forma consciente. a cada dia corto um pouco mais das superficialidades, talvez de forma radical demais, confesso, mas com um propósito. tento conviver além das mensagens de texto com limites, além da premeditação do email, além da coleção de amigos do orkut. e bem além dos updates dos twitters da vida.

não descarto a chance de estar cega nesta busca pela essência da vida e dos relacionamentos, mas enxergo esses mecanismos como instrumentos meramente práticos. ganhamos montes de novas formas de comunicação, somos mais rápidos e mais produtivos, ampliamos nosso leque de possibilidades de relacionamento. no entanto, tenho tido dúvidas sobre o ganho de conteúdo e evolução humana através do uso de tantos recursos. o que exatamente estamos ganhando?

posso estar enganada ou procurando nos lugares errados, mas o que leio sendo compartilhado por aí é vazio. parece que as pessoas estão ficando cada vez mais antenadas com tudo que se passa e, em contrapartida, pensam cada vez menos. quem tem tempo pra refletir ou criar com tanto email, scrap ou twitter pra ler e tanto update em 'n' ferramentas pra fazer? além de trabalhar, estudar e/ou cuidar da vida.

eu prezo o pensamento, a reflexão, faço exercícios diários, questiono a realidade e as opiniões (minhas, alheias). no meio internético, o que mais me provoca a pensar são alguns blogs pessoais, os que questionam as tramas mais básicas e simples da vida, do cotidiano. não todos, claro, há os que são simplesmente diários de fiz-isso-comprei-aquilo ou são tão herméticos que não convidam ao diálogo. mas há os que compartilham pensamentos e dúvidas, como quando sentamos pro café e dividimos um pouco dos nossos pensamentos. falamos e ouvimos, vivemos juntos nossas experiências.

é aí, pra mim, que está o conviver do poema do drummond. não é simplesmente contar que fui à quitanda ou que estou com dor de cabeça, convidar para a balada ou dar opinião sobre a política externa. é dividir com o outro o que sente e pensa, com espaço aberto para a dúvida, a pergunta, o dilema. quantos blogs, orkuts e twitters que eu leio proporcionam de fato uma troca com recompensa? há alguns blogs, e poucos. por isso mesmo venho procurando aproveitar melhor meu tempo online. alguns minutos de MSN com algumas poucas pessoas às vezes me acrescentam mais que 1 hora de leitura de blogs.

pensar, pelo jeito, está se tornando obsoleto. até porque é atividade individual e demanda tempo. temo que nesta era do coletivo e do bordão "o dia devia ter mais de 24h", os filósofos vão se extinguir.

(o poema completo segue abaixo)

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riquezas são diferenças

eu li essa matéria hoje e fiquei matutando: os dinossauros do aquário. diz que é o seguinte - os blogueiros (é uma classe? uma categoria? eu tou fora dessa) acham os jornalistas ultrapassados, pois qualquer blog pode produzir informação. os jornalistas acham que a informação dos blogs é irrelevante, portanto uma coisa não substitui a outra.

não acho que blogs substituam o jornalismo, principalmente porque sou uma romântica e acredito que profissionais são sempre melhores na sua área de experiência que os leigos. por outro lado, se for pra falar de irrelevância, os jornalistas estão em maus lençóis - haja matéria idiota, mal informada, mal escrita e cheia de viés. tem aos montes, taí aquela bosta da revista-veja pra não me deixar mentir.

seja lá como for, continuo fazendo o que aprendi lá na fflch: leio tudo o que aparece, duvido de todos, comparo informações e não aceito idéia mastigada. absolutamente nada que sai da minha cabecinha veio pronto de lugar nenhum, portanto qualquer coisa que servir de input tá valendo. o que é lixo eu descarto, mas não deixo de avaliar, pensar, pesar prós e contras. dá um trabalho dos infernos, é verdade, mas se não for assim, qual é a graça?

frangamente. não entendo como tem gente que lê notícia/blog e assume como verdade sem pensar e pesquisar.

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assisti hoje uma palestra de um cara da empresa txai e adorei. ele é simpático, a apresentação é bonita e toca em assuntos que muito me interessam: sustentabilidade e diversidade.

é muito curioso, isso: na época que eu me relacionava com uma figura envolvida em ongs e tais, era acusada de ser "alienada" ou "reacionária" porque não me engajava em ongs, sindicatos ou similares, como se somente quem faz "carteirinha" pudesse contribuir pra um mundo melhor. de fato, nunca me identifiquei com estes grupos organizados, tenho uma opinião bem forte sobre essas associações (falo sobre isso em outra ocasião) e em geral não gosto da postura dessas pessoas. elas me parecem bastante radicais no discurso e permissivas na prática.

dou um exemplo: a tal figura com a qual me relacionava era fervoroso defensor de inclusão social, mas pagava 1500 reais mensais de escolinha pra filha de 5 anos, porque "ela precisa fazer networking". acuma? ah, claro: inclusão social é pros filhos dos outros, sacou?

voltando: não me envolvo em grupo de voluntário e nem de associação de porra nenhuma e pronto. sempre acreditei e ainda creio que posso fazer a diferença sem me politizar ou pertencer a um grupo. não preciso de grupo ou "selo" nenhum pra me validar.

o que fiz e tenho feito é o seguinte: enfrentei meus preconceitos, entendi boa parte deles e, aos poucos, venho aprendendo a conviver com o que é diferente de mim. digo mais: as diferenças se tornaram bem-vindas, mesmo quando são difíceis de lidar. e vou um pouco mais longe - procuro influenciar as pessoas ao meu redor, faço isso de forma sistemática. sei que sou uma pessoa com certo grau de influência, graças à minha personalidade, então planto sementinhas em todos que estão na minha esfera de relacionamento. e eu já vejo os brotinhos, os frutos. dou minha contribuição para um mundo mais justo e cooperativo mudando a mim mesma e aos que estão ao meu redor.

procuro, cada dia mais, reciclar, reaproveitar, consumir menos. estou longe do que gostaria de fazer de verdade em relação a isso, mas estou no caminho. tento convencer as pessoas a reciclar, a consumir produtos de origem certificada, a não comprar produtos de empresas que não se preocupam com os animais e a natureza em geral.

procuro não recriminar as atitudes e escolhas não sustentáveis (nem sempre consigo... :)), mas faço questão de dizer como eu faço e porque faço; quando as pessoas gostam de você e o admiram, não é preciso muita argumentação, o exemplo fala por si. você não quer imitar atitudes de pessoas que considera exemplares? todos somos assim. procuro então ser uma pessoa boa, correta, positiva e dou o exemplo para quem me ama e/ou me admira. procuro fazer o que digo e realizar o que acredito. em outras palavras: procuro ter atitudes consistentes com as idéias que manifesto.

hoje na palestra uma frase me marcou muito: a homogeneidade é morte! (em oposição à necessidade de diversidade para que exista a vida, como nos ensina a natureza). ou seja: diferenças são essenciais para a vida. e pra complementar essa idéia da importância do "outro" (o que é diverso, diferente de mim), ainda tem o significado da palavra txai - mais do que companheiro, a outra metade de mim.

esses conceitos me tocaram fundo porque há muitos anos percebo a importância do outro na minha vida; sem interlocutores, sem opositores, não sou ninguém, não sei me definir. preciso do outro como espelho, me ajudando a me ver melhor.

(eu tenho problema de sinapses hiperativas, sorry!) lembram do filme unbreakable (corpo fechado)? adorei demais aquele desfecho, a questão da necessidade da existência do nêmesis para que possamos saber quem somos de verdade. acho esse filme massa!

mas antes que eu escreva um tratado, vou concluir (ou tentar): o exercício diário e particular da tolerância (ou pelo menos a tentativa!) e do cuidado com a vida em toda sua extensão me interessa. simplicidade me interessa.

politicagem, networking (eca!), brigas de egos, poder e ongs não me interessam.

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ontem jantamos salada de alface e tomate cereja e suflê de alho poró, e todos os legumes vieram da nossa hortinha. decidimos fazer compras num local sensacional aqui em sousas (bairro de campinas) chamado ecomercado, que vende não só alimentos orgânicos (muita variedade. até cerveja tem!) mas também produtos de limpeza biodegradáveis.

nosso condomínio (a cidade toda, aliás) promove coleta seletiva e recicla óleo de cozinha. nós, que já fazíamos coleta seletiva, estamos muito contentes - aos poucos estamos conseguindo colocar em prática nossas idéias e desejos de contribuir para uma vida mais simples, saudável e sustentável.

e a empresa na qual trabalho é uma indústria, sim, com tudo o que isso tem de ruim; mas há investimento em qualidade de vida para os que trabalham aqui, há incentivo para ser voluntário, passar mais tempo com a família, participar de ações sociais e, obviamente, reduzir o impacto da produção na natureza.

pode não ser o mundo ideal e a vida perfeita, mas estamos caminhando. devagar e sempre.

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e assisti duets de novo. chorei, chorei, chorei. porque cada par tem suas delicadezas que mexem comigo de formas diferentes, e tem as músicas que eu adoro tanto. a versão de try a little tenderness é sensacional (se eu achar publico pra vocês).

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e bom fim de semana, ufa!

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atenção parcial contínua

eu nem sabia que essa expressão existia, mas quando li este artigo sobre modos de atenção me identifiquei imediatamente com vários deles. a autora discute os diferentes tipos (atenção completa, parcial e multi-tarefa) e algumas conseqüências no nosso comportamento e nos relacionamentos.

uma coisa que me chocou foi um parágrafo que começava assim: RESPIRE. e eu percebi que estava mesmo segurando a respiração! preste atenção em você mesmo quando estiver lendo ou escrevendo emails. impressionante.

outra coisa interessante: o impacto do uso da comunicação eletrônica móvel nos relacionamentos é enorme. as pessoas se encontram ao vivo e ficam boa parte do tempo concentradas nos seus aparelhos, seja atendendo ligações (enquanto os outros ali, ao vivo, ficam com cara de tacho), respondendo mensagens de texto ou lendo/respondendo emails.

lembram que eu já falei aqui sobre etiqueta de uso de celular? pois parece que não sou só eu que percebi que tem alguma coisa muito errada com a forma que as pessoas usam a tecnologia... :)

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ponto de inflexão

e eis que algo muda, de forma definitiva: é o tempo que passou. eu não tinha me dado conta, mas entrei numa fase da vida de começar a perder pessoas. até então era como se as pessoas que conheci fossem estar sempre ali, ao alcance de um telefonema ou email.

quando a gente é muito jovem a morte é como uma lenda, uma coisa que acontece com os outros. quando ela acontece com pessoas muito mais velhas que nós, por mais que seja chocante e às vezes doído, é de certa forma esperado. os velhos morrem, certo? quando acontece com jovens, é uma tragédia, e ela é maior que a morte. o choque é tão grande que embaça o fato mais puro e simples: todos vamos morrer, cedo ou tarde, de um motivo ou de outro. na juventude, a morte é um conceito, somente.

mas chega a hora da morte se tornar algo concreto e certo. e não tem mais pra onde fugir, nem pai e mãe pra perguntar "por quê?", até porque também sobre eles paira essa sombra, aquela-que-não-nomeamos. e essa hora chegou pra mim, amigos.

o alê foi certamente o estopim dessa mudança de percepção, muito embora eu ainda não tenha de fato concretizado sua morte (ah, deus, falei). são quase 6 meses e ainda parece que tudo aquilo foi um sonho estranho.

neste sábado morreu uma mulher muito legal, muito doce, a lígia. ela não era minha amiga, nos conhecemos muito rapidamente, mas não importa. eu soube pela fal, que era muito amiga dela e deus sabe o que deve estar sentindo agora. perder o marido e uma amiga no período de 6 meses não é justo, é uma merda. e isso faz parte da revelação: o mundo não é justo.

me dei conta, subitamente, que as pessoas morrerão, todas elas, inclusive as que eu amo; inclusive eu. parece óbvio, eu sei, mas eu nunca encarei essa idéia de frente. e percebi ao mesmo tempo que simplesmente não há justiça no quando, onde e quem. dado esse cenário, o que fazer?

cheguei ao ponto da vida em que tudo pode acontecer, não há mais a juventude me protegendo do medo da morte; e ela não pode mais ser essa vilã absoluta! como viver feliz com a idéia da morte pairando o tempo todo? aliás, a pergunta mais importante é como ser feliz, porque da morte não tem como fugir.

a morte da lígia me balançou; podia ser eu. podia ser qualquer das pessoas que eu mais amo na vida. o que posso fazer pra conseguir ser feliz enquanto estou aqui e lidar com a morte sem sofrer tanto?

não tenho ainda resposta pra toda a questão, mas antes mesmo desse novo choque já tinha decidido levar uma vida melhor e mais feliz. acho que tomei a decisão certa: viver melhor, mais tranquila, mais perto da natureza; comer melhor, cuidar mais da minha saúde; ser mais feliz. me concentrar no que tenho aqui e agora, e só.

não tenho solução, no entanto, para amenizar a tristeza da perda e lidar com a sensação de injustiça. preciso de uma religião, urgente.

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