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hoje cedo li esse ótimo artigo e deu vontade de escrever sobre tanta coisa que nem sei o que vai sair desse post, me perdoem antecipadamente se ficar longo demais ou disperso.
antes de mais nada, por favor leiam o artigo. sei que é longo, mas vale a pena, pois traz informações interessantes e também algumas provocações que fazem pensar. não importa se você concorda com tudo ou não, a mera reflexão sobre os assuntos é suficiente.
pra começar fui procurar o que significa examente sexismo. descobri que muito embora eu não me considere preconceituosa quando se trata de gênero, há uma parte de mim que é sexista. sou atéia e evolucionista, fã do gene egoísta (baixe o livro aqui) e tenho convicção que as inclinações baseadas em gênero são realidade, e explico:
creio que o gênero determina sim alguns comportamentos ou tendências, por exemplo: violência no sexo masculino e melhor capacidade de comunicação verbal do sexo feminino (entre muitas outras características). como evolucionista, acredito que estamos geneticamente programados para certos comportamentos que se mostraram bem-sucedidos no decorrer da nossa evolução, e tais comportamentos diferem de acordo com o gênero, por vários motivos. não vou me estender no assunto, que é complexo, mas se quiser entender melhor essa visão sugiro ler o livro que indiquei acima. o que gostaria de deixar claro é que apesar de acreditar nas inclinações, não acho que: (1) são absolutas e genéricas (se aplicam a 100% dos casos, baseado em gênero) e principalmente (2) significam que não podemos agir CONTRA elas. explico mais um pouco:
suponha que aceitemos como fato que as mulheres são melhores em comunicação verbal e piores em posicionamento espacial. isso não significa que todas as mulheres falam bem e péssimas motoristas, necessariamente. dentro da maioria há também gradações, e há as exceções. além disso, mesmo nos casos de inclinação típica (dificuldade com posicionamento espacial, por exemplo), há a possibilidade do desenvolvimento para superação. mesmo uma mulher "típica" pode sim se tornar muito boa em posicionamento espacial, com treinamento e dedicação.
resumindo: acredito sim na programação genética e nas inclinações de gênero, mas não acho que isso seja determinante ou final no comportamento ou nas habilidades de alguém. é justamente a capacidade do ser humano de superar a si mesmo e se adaptar que o faz tão bem-sucedido como espécie.
mas enfim, admito que posso ser considerada sexista por alguns e esclarecido esse ponto, sigo adiante pra explorar alguns pontos do artigo.
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curioso como este assunto de certa forma se relaciona com meu post anterior. o que me incomodou na história foi a crucificação da amiga traidora e não do marido traidor (e esse roteiro se repete em quase todas as histórias que eu já vi a respeito). mulheres são invejosas, mentirosas e, no fundo, todas vagabundas. a que foi traída é uma bruxa, a que traiu é puta. os homens só estão fazendo o papel deles: se comportando como machos, ué. minha mulher é uma chata e a vizinha quer dar pra mim? eu tenho mais é que comer.
(de curiosidade e como ilustração, confiram essa música do zeca baleiro. eu não quero que essa gente diga / esse camarada se androginou / a moça deu bola e ele nem ligou)
o artigo cita o caso eliza e o estupro de uma garota por 3 rapazes em SC, e ambos os casos têm um problema comum: o julgamento das vítimas (em negrito bem forte) na sua condição de mulher como forma de amenizar ou explicar o crime. as pessoas (homens e, vergonhosamente, mulheres também) citam imbecilidades como o fato da primeira ser atriz pornô ou coisa que o valha como justificativa pro crime, sim. no caso da segunda, vocês vão achar comentários do tipo "mas o que uma menina de 15 anos fazia fora de casa às 3h da manhã na casa dos meninos?"
a profissão ou comportamento sexual da primeira dá aval pra matá-la, é isso? e a segunda estar acompanhada de 3 rapazes às 3h da manhã os autoriza a estuprá-la? eu sei que as perguntas parecem óbvias, mas acredite: não são. os comentários da audiência demonstram claramente que achamos sim que se essas mulheres tivessem se comportado como as mulheres devem se comportar, nada disso teria acontecido. sim, achamos que a culpa é delas.
usando minha lógica, então: existe uma inclinação masculina para a violência e agressividade sexual (no limite, o estupro)? eu acho que existe, sim. mulheres com comportamento sexual mais agressivo ou liberal criam mais oportunidade para serem "atacadas"? eu acho que sim. isso significa que elas devem ou merecem ser atacadas, que estão "pedindo"? porra, NÃO, NÃO e NÃO. não somos bichos, sabemos o que é certo ou errado dentro do contexto social e temos que respeitar as regras, por mais que nosso desejo ou instinto nos digam o contrário. caramba, isso é BÁSICO. é por isso que este tipo de violação de acordo social é considerado CRIME. é inaceitável até sugerir que o comportamento dessas mulheres de alguma forma ameniza os atos cometidos. é perverso, nojento.
mas o mais perverso e nojento é que somos ensinados (e continuamos repetindo esses ensinamentos) inclusive pelas nossas mães que é assim que funciona. aos homens cabe meter seu pau em todo buraco que se apresente e às mulheres cabe fechar seu buraco e de preferência não deixar os paus da vida perceberem que o buraco existe. temos que nos fingir de mortas, sob o perigo de passar a "mensagem errada" e enfim "ter o que merecemos". os meninos devem ser sexualmente agressivos e nunca perder uma oportunidade (não importa se está a fim, se o buraco apetece...); as meninas devem se preservar e tomar todo cuidado, porque afinal não têm o direito de dizer NÃO.
é impressionante e triste o quanto somos atrasados e primitivos na educação sexual. alguém já viu pais discutindo com seus filhos homens como se relacionar com mulheres? como dar prazer a elas? como respeitar as diferenças entre os sexos? as conversas dos pais com suas filhas é mais triste ainda. por mais que tenhamos "evoluído" e hoje os pais pelo menos falem com seus filhos a respeito de sexo, repetimos preconceitos. os pais falam aos filhos sobre proteção (doenças e gravidez) e talvez sobre reputação (com diretrizes invertidas para os 2 sexos). não conheço quem fale sobre relacionamento, respeito e principalmente prazer.
pra muita gente (sério, é assustador como isso é amplo) sexo é forma de dominação e/ou libertação. o prazer físico, o desfrute das sensações e do outro é absolutamente secundário. estupro não é prazer, é demonstração de poder. traição também pode ser o uso do sexo como vingança, compensação. o que fizeram com a eliza foi mais que simplesmente dar sumiço - há um componente fortemente sexual na história, que obviamente nada tem a ver com prazer.
usar gênero ou sexo como desculpa ou arma é triste. demonstra que somos e estamos atrasados. neste aspectos estamos próximos dos nossos parentes chimpanzés. e cada vez que validamos comentários desse tipo, seja na internet ou no dia a dia, regredimos. perdemos a opotunidade de ser melhores, mais evoluídos e quebrar o ciclo vicioso criado pelas gerações anteriores.
acho que podemos mudar esse quadro, ainda hoje, mesmo que aos poucos. como? ficando atentos. não permitindo comentários preconceituosos em relação a gênero de nenhuma espécie. nem ao vivo, nem na internet. nos posicionando quando isso acontece, quando pessoas ao nosso redor soltam frases maldosas e aparentemente inocentes. experimente não permitir que seu namorado faça comentários engraçadinhos sobre sua condição de mulher, por exemplo, tampouco aceite comentários de amigos ou amigos de amigos. quando seu pai ou mãe falarem alguma bobagem preconceitosa, responda. com educação, assertivamente, responda.
quando você se pegar sendo sexista, reflita. repense, modifique seu modelo mental. e não deixe que as pessoas ao redor de você o contaminem. faça mais: reaja. e reaja como ato de amor, como quem educa um filho. a mudança desse quadro triste começa em cada indivíduo.
já tenho feito isso há anos, mas depois de ler o artigo, me propus a recomeçar de novo, hoje, escrevendo esse texto. espero que alguns de vocês também se disponham a mudar.
(*) pagu, da rita lee.
já comentei aqui outras vezes sobre esse cineasta que faz filmes polêmicos: tenho uma série de restrições a ele. a mais importante é uma tendência ao jornalismo melodramático (estilo predominante na globo, aliás) que eu detesto. ele explora a desgraça alheia pra colocar seu ponto de vista com mais frequência do que eu considero aceitável.
acho também que ele é tendencioso na apresentação dos fatos (espertamente "ignora" outros argumentos na exposição do seu ponto de vista), mas isso não é um problemão, afinal todo mundo faz isso. não existe isenção absoluta em nenhuma exposição, cabe àquele que recebe a informação procurar outras fontes e tirar suas próprias conclusões.
(a propósito, se puderem leiam esse post e o anterior da rosely sayão. ela fala um pouco sobre liberdade de expressão e sobre como reagimos à informação que recebemos)
os filmes mais recentes que assisti do diretor são sicko e capitalism, gostei muito de ambos e recomendo. quer dizer: recomendo pra quem está disposto a ver e pensar, e não somente julgar (leiam os posts da rosely, please :)).
cabe dizer, antes de mais nada, que tenho profunda resistência ao estilo de vida americano, à ética protestante e o capitalismo como ele se caracteriza nos USA.
isso não quer dizer que eu seja socialista ou comunista ou qualquer outro rótulo que queiram adotar. primeiro porque não acredito nessa categorização, segundo porque socialismo e comunismo pra mim foram e continuam sendo meramente utopias sem chance de realização considerando a humanidade como ela é.
uma coisa que admiro nos USA é justamente a possibilidade da existência e sucesso de um cara como michael moore. qual outro país de fato permite críticas tão graves ao seu sistema, seus políticos e sua indústria serem transformadas em filmes e divulgadas livremente? acho admirável. por outro lado, questiono se essa liberdade não é arrogância excessiva, condescendência (tipo "pfff... deixa esse doido falar, não nos faz nem cosquinha"). de toda forma, é impressionante.
os dois filmes a que me refiro aqui questionam basicamente a mesma coisa: o privilégio do lucro em detrimento do ser humano. a tese é simples: o governo americano deu as mãos aos empresários, uniu-se a eles na busca pelo lucro, e os indivíduos que se virem com suas necessidades básicas de subsistência e qualidade de vida. democracia virou só um regime de votação, já que as decisões que afetam ao povo representado pelos políticos são tomadas em função do lucro e não das consequências para "o povo".
em sicko, ele mostra claramente que o sistema de saúde (que nos USA é privado) tem como meta reduzir custos. os gerentes/CEOs destas empresas têm seus bônus baseados na quantidade de dinheiro que eles deixam de gastar com os associados aos planos. você, pessoa de bem que me lê, poderia pensar que eles deviam ser recompensados por reduzir custos/gastos com tratamentos através da medicina preventiva, certo? errado! eles se baseiam em brechas das regras de cobertura dos planos para recusar tratamento. é assim que reduzem custos. e só de curiosidade, as indústrias farmacêuticas são parceiras das empresas de seguro saúde. conflito de interesses não parece ser algo que preocupa os americanos, o importante é a planilha de profit & loss.
michael moore mostra como esse sistema americano de saúde é exclusividade deles: os USA são o único país rico que deixa seus cidadãos (que pagam imposto como todos os demais, aliás) completamente desamparados caso não consigam um seguro saúde. se você não pode pagar ou eles não aceitam você (o que parece ser comum), prepare-se pra passar maus bocados.
tudo isso porque o Capitalismo, assim com letras maiúsculas, é o regente daquele país. criar um sistema de saúde público, usando impostos, é considerado uma afronta ao senhor Capitalismo. afinal, se você não pode pagar seu seguro saúde ou se tem uma doença crônica e nenhum seguro saúde aceita você... azar o seu, loser! fosse mais rico, fosse mais saudável, fosse mais bem-sucedido. é perfeita a lógica protestante por trás disso tudo: se você se deu mal, é porque não se esforçou o suficiente, e deus não escolheu você. rale mais, sofra mais, ganhe mais dinheiro. o dinheiro que você ganha é a medida exata do seu valor diante de deus e da sociedade.
eu acho o individualismo americano vergonhoso. somos uma espécie gregária e colaborativa, e só chegamos ao ponto de evolução atual graças a esta característica. exatamente porque soubemos tirar proveito das ações em conjunto, nos ajudando mutuamente (uns mais, outros menos), é que somos bem-sucedidos como espécie. o individualismo (e o capitalismo como tem se desenvolvido) é obviamente auto-destrutivo. como eles não percebem isso? esse comportamento simplesmente não é sustentável, como está ficando cada vez mais claro pra quem quiser ver.
tem que haver uma alternativa, e esse é o ponto do michael moore na minha opinião. me parece que ele admira seu país e tem orgulho da sua história, mas crê que algo deu errado no caminho e precisa ser corrigido. por que não usar exemplos bem-sucedidos de outros países? é simples arrogância ou jogo de interesses econômicos?
não tenho respostas, é claro, sou leiga e mera observadora. mas me preocupa (e irrita, confesso) ver tanta gente no meu país admirando um país como os USA e querendo que sigamos esse exemplo. eles têm algumas qualidades admiráveis? claro que têm. todos os países têm as suas, inclusive o nosso. o que me assusta é a idolatria idiota a um sistema que não funciona. por que diabos alguém gostaria de ver esse modelo não-sustentável americano aplicado aqui? por que tem tanta gente ainda querendo importar SUVs americanas em tempos de aquecimento global e crise de energia?
todo brasileiro com acesso a TV/DVD devia assistir os filmes do michael moore. pra parar de considerar os USA como modelo pra nós, pra dar valor ao que temos e principalmente pra entender que nós poderíamos ter mais e melhor se de fato assumíssemos nosso papel de cidadãos com poder de voto. parece que esquecemos que vivemos nós aqui também num sistema democrático que nos permite sim mudar nossa própria vida. basta querer, se manifestar como puder, a começar por nós mesmos, nossa família e a comunidade ao nosso redor. se continuarmos achando que ser individualistas é a solução (fodam-se os outros), vamos dançar como eles estão dançando.
a renata mandou estes dois posts do blog dela pra que eu lesse, e os assuntos me interessaram e muito!
eu mesma já fui e ainda sou instrutora de várias sessões de treinamento, além de ter dado aulas particulares no passado e aulas para pós-graduação recentemente. entendo perfeitamente os problemas que a renata enfrenta, e acho que existe uma raiz aí. prestando atenção, tudo gira em torno da percepção do indivíduo em relação à sua própria performance e aos resultados dos esforços colocados numa atividade qualquer.
extrapolando, as notas que tiramos na escola na infância/adolescência não são muito diferentes do dinheiro que ganhamos quando começamos a trabalhar (que se transforma em outras formas de recompensa) ou em das outras recompensas não-financeiras obtidas na vida (favores, gentilezas, presentes, carinho, amor, sexo... enfim).
todo mundo quer receber recompensas (nota, dinheiro, afeto, reconhecimento), de preferência com o mínimo esforço. faz parte da nossa natureza. inclusive quanto menor o esforço e maior a recompensa, mais eficientes e bem-sucedidos podemos nos considerar :)
nada contra minimizar esforços e maximizar recompensas. o problema é quando são criados na nossa cabecinha mecanismos que nos impedem de enxergar que existe sim uma correlação forte entre empenho (ou esforço) e recompensa. quando em algum momento passamos a acreditar que a recompensa está associada puramente à sorte ou a ações externas e independentes de nós mesmos, temos um problema.
de volta pros exemplos da renata: os alunos criam mecanismos (e creio que nem sempre conscientes) para atribuir sua performance abaixo do esperado à escola, aos professores ou mesmo à família. já ouvi sem querer uma conversa entre filho e seus pais, atribuindo seus maus resultados a limitações intelectuais insuperáveis ("sou limitado, NUNCA chegarei ao nível X").
é claro que acredito que existem inúmeros fatores externos que influenciam nossa performance, nossos resultados. a questão é o quanto. frequentemente me vejo cercada de pessoas que nada mais fazem além de justificar sua incapacidade de realização usando fatores externos. a culpa (ou o fator de insucesso) é sempre de outro indivíduo ou "das circunstâncias". é raríssimo encontrar alguém que diga que algo deu errado por causa de si mesmo. nem precisava dizer em voz alta, bastava saber.
os alunos são sabem que tiram notas baixas porque simplesmente não dedicam o tempo necessário para o estudo pois escolhem fazer outras coisas com seu tempo. raramente é o caso de se dedicar e não conseguir, até porque uma tentativa honesta mal-sucedida conduz naturalmente a um pedido de ajuda. a chave aí é realmente a honestidade: estou tentando, procurando ser mesmo melhor?
uso outro exemplo, que pra mim é especialmente irritante: os mal-humorados profissionais. quem não convive ou conhece alguém que reclama de absolutamente tudo boa parte do tempo? o chefe é chato, os colegas são idiotas, a família é inconveniente, ganha pouco e trabalha muito, não consegue pagar as contas, a casa é constantemente bagunçada, namorado/a pisa na bola e etc. e tal.
um injustiçado, perseguido pelos astros. tudo dá errado porque alguém ou algum fator exterior o prejudica. minha teoria? problema grave de auto-estima. em algum momento da vida, alguém o convenceu que ele não é e nem nunca será bom o suficiente. que não importa o quanto ele se esforce, nada vai ser ótimo, a recompensa não virá porque ele não merece. porque ele não tem o que é necessário pra ser completamente bem-sucedido. então... pra que tentar?
essas pessoas são de fato amaldiçoadas. foram amaldiçõadas há tempos por pais/mentores que destruíram sua capacidade de acreditar em si mesmas. não crêem mais que são capazes de mudar o mundo ao seu redor quando mudam a si mesmas, se reinventam e superam suas limitações. elas não enxergam que seu potencial existe, que podem fazer melhor, ser melhores e criar uma realidade melhor.
imagine um humano deitado numa lagoa de lama de 10cm de profundidade. enquanto ele não se levanta (até porque ele acha que não é capaz!), vai achar que está o tempo todo mergulhado e prestes a afogar. ele acha que já faz MUITO por não morrer... e às vezes passa a vida sem saber que bastava se levantar (ou pelo menos sentar, caramba!) pra não afogar.
por isso acho cada vez mais que como mentores, professores ou pais, a missão de cada um de nós é mostrar ao outro que ele está numa lagoa rasinha de lama e pode se levantar e andar, sim. todo mundo pode pelo menos sair da posição 100% horizontal, caramba. uns conseguem se reclinar, outros sentar, outros ficar de pé e outros saem pra sempre da lama.
e como indivíduos, nossa missão tem que ser, continuamente, parar de colocar a culpa na lama. temos de estar atentos aos nossos próprios recursos (ou à falta deles, se for o caso) e procurar sempre pensar "onde EU poderia ter feito melhor" ao invés de procurar justificativas externas para os nossos fracassos.
eu já falei sobre isso aqui, e houve toda uma celeuma a respeito, mas insisto: há alguns anos sou radicalmente contra a compra de animais de estimação, especialmente os "de raça" ou que tenham pedigree.
a quantidade de animais que precisam ser adotados é imensa - por que as pessoas ainda pagam fortunas para ter um bicho? animais não são (ou não deviam ser) simplesmente propriedade (vejam a campanha be a guardian, not an owner) e não deviam servir para serem exibidos como troféus. animais de estimação não deviam ser usados como forma de demonstrar status, como uma coisa.
é claro que eu entendo quem resolve comprar/adotar cães de raça por causa de porte e/ou temperamento. é a justificativa mais racional, mas a sério: será que isso é tão importante assim? é como adotar uma criança somente se ela for branca, ou com olhos X ou Y, seja pelo motivo que for. a aparência não devia ser tão importante.
mas vamos ao assunto do post: o documentário segredos do pedigree. trata de um assunto que é aparentemente mais grave que a questão da aparência do animal (embora a causa raiz, no fundo, seja a mesma) - as consequências negativas do cruzamento consanguíneo para "apurar" a raça.
esse é um assunto que nos incomoda desde que começamos a ter problemas com nossos furões. "coincidentemente" todos os furões morrem de câncer. to-dos. as mortes são difíceis, dolorosas e praticamente iguais. há vários artigos na internet levantando a questão de cruzamento consanguíneo como causa dos problemas de saúde recorrentes.
ouvir os "breeders" falando sobre o assunto é irritante: eles duvidam dos geneticistas e dizem que sabem mais do que os cientistas sobre cruzamentos de animais e suas consequências. alegam que se radicalizarem nas regras do clube, os criadores vão "se rebelar" e ignorar os clubes (o que aliás é possível que seja verdade). e enquanto isso, continuam cruzando animais com doenças genéticas e propagando o problema para centenas de filhotes. triste, triste, triste.
chego então no cerne da questão, pra mim: o problema são as pessoas que compram e valorizam pedigree, que pagam rios de dinheiro para ter um cachorro da marca X e com as características Y. o problema são as pessoas cortam as orelhas e os rabos dos cães pra "combinar" com o padrão da raça. o problema são as pessoas que valorizam mais a aparência e o animal como adorno ou sinal de status.
em suma, as pessoas são nojentas. se não houvesse quem pague caro por e valorize o pedigree e aparência, essa prática ia desaparecer. é como roubo de carros e afins: se não há quem compre roubado, não tem vantagem em roubar, cacilda!
eu nunca tinha pensado nisso antes de ter os ferrets. nunca compramos cães na nossa casa. mesmo os de "marca" (sem pedigree, no entanto) eram adotados. comprei meus ferrets porque a opção de adoção não existia aqui no brasil (nem existe hoje, pra dizer a verdade) e porque queria aquela espécie de animal. nunca me passou pela cabeça ter qualquer bicho como sinal do meu status ou coisa parecida.
falo como provocação mesmo, sem medo nenhum: se você se importa muito com a raça do seu bicho de estimação, como ele se parece ou coisa assim, você tem problemas sérios. devia repensar seu caráter, sua vida. devia aprender a ter respeito pela vida e pelos animais. precisa aprender a valorizar mais o ser vivo do que o que ele representa ou vale no "mercado" (vale pra bichos e pra pessoas, aliás). resumindo, você é cafona.
eu tou falando por lá sobre babás e outras coisas, porque afinal a gravidez é algo importante pra mim neste momento da vida, mas esse assunto vive na cabeça desde que comecei a empregar pessoas pra trabalhar pra mim em casa.
até o ano 2000 eu contratava somente faxineira 2 vezes por mês, para a limpeza pesada. trabalho o dia todo (e durante uma época estudava também) desde 1992. quem mora em SP, trabalha e estuda sabe que você acaba ficando fora por no mínimo 12h/dia. não é fácil cuidar de uma casa, roupas, supermercado com tão pouco tempo. é claro que é possível, mas exige um sacrifício grande do tempo livre. no fundo, é pouco tempo pra descansar e fazer outras coisas.
a partir de 2000, adotei 2 furões e contratei uma funcionária que vinha todos os dias para limpar e cozinhar. ela trabalhava 3-4 horas por dia, e ganhava 1 salário mínimo + todo o obrigatório (com contrato, carteira assinada, reajuste e etc.). o esquema ficou assim desde então (mudei de funcionária 3 ou 4 vezes nestes anos), só acabei aumentando o salário depois de uns anos pra 1.5 salário mínimo. o horário e atribuições são os mesmos até hoje, embora eu não exija cumprir horário.
aqui em vinhedo, temos 2 funcionários: uma que vem todos os dias e um jardineiro/piscineiro que vem uma vez por semana. ele é freela e ela é contratada direitinho, como sempre.
sempre tratamos nossos funcionários com todo o respeito e de igual pra igual. pra nós, eles prestam um seviço como nós mesmos prestamos para os nossos clientes ou empresa, só muda o salário. nossa funcionária faz as refeições conosco e é tratada com todo respeito. e não a tratamos como "pessoa da família", porque afinal ela não é. somos bem objetivos nas reclamações, exigências e nos elogios. ela é uma ótima funcionária e recebe seus bônus por isso.
moramos atualmente num lugar de ricos. e se pensarmos no nosso posicionamento na pirâmide econômica... bem, somos ricos. assalariados, porém ricos. conversando com nossos funcionários, descobrimos as barbaridades que nossos vizinhos fazem com seus funcionários. jamais imaginei que pessoas teoricamente educadas pudessem ser tão cruéis e sem o menor senso de respeito pelo outro.
além de não reajustar salário, não dar férias e nem décimo-terceiro, atrasar pagamento e pagar salário de fome, tratam as pessoas como escravos. não existe limite para o que pode/deve ser requisitado: eu pago você, você faz tudo o que eu mando sem discutir. não importa que eu mesma posso fazer a atividade: se a empregada está ali, ela é que vai fazer. natal, ano novo, férias? a empregada trabalha. foda-se o fato dela ter família, EU venho em primeiro lugar, porque eu tenho dinheiro e pago.
há quem separe a comida da empregada e a comida da família. os quartos de empregada (que quando dorme no emprego ficam à disposição o tempo todo e tem que fingir que não existem pra não incomodar) são minúsculos, quase celas. há as que sofram abuso verbal das patroas e crianças e tentativa de abuso sexual dos patrões. e as infelizes se sujeitam a isso porque precisam trabalhar e não tem outra opção na vida. pra não falar das infelizes "importadas" do nordeste, e que quando trabalham para os ricos de lá são tratadas de verdade como escravas.
não acho que existem profissões indignas, existem é empregadores filhos da puta. gente sem-educação, sem respeito pelo ser humano. odeio isso nestes condomínios, que são nichos de gente asquerosa e frequentemente sem nenhuma educação: eles acham que ter dinheiro basta pra tudo na vida.
nossos vizinhos, por exemplo, são (pelo que ouvi) donos de sucataria. se mudaram pra cá há menos de 1 anos, pro nosso desgosto. uma gente desagradável, que grita, dá calote em funcionário (e eles comentam entre si, é claro) e tem péssimo gosto pra música. eu, que já visitei muita favela e cortiço na vida porque sempre convivi com pobres bem pobres, vi gente muito mais educada naqueles ambientes do que neste condomínio chique que moro hoje.
por mais que a possibilidade de contratar funcionários para fazer trabalhos que eu prefiro não fazer seja extremamente cômoda, sonho com o dia em que ninguém precise se sujeitar a trabalhar para pessoas deste naipe para viver. e continuo me esforçando para tratar todos os que precisam de trabalhos assim com toda dignidade e respeito que merecem.
ah, e que conste: se você trata garçons, faxineiras/os e etc. com desprezo, sem cuidado ou sem respeito, você é um filho da puta sem noção.
povo que mandou o endereço - obrigada! garanto que não vão se arrepender :) eu e fal estamos armando tudo direitinho e em breve contamos pra vocês o que é.
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tudo andando muito bem, obrigada. e pra quem não me lê por lá, peço aqui também: se tiver roupas, acessórios e etc. de bebê (ou de grávida... não pretendo gastar $$ com isso, se possível) que não usa mais e queira doar, eu aceito :D deixe recado com email e falamos!
prometo também doar tudo que não for usando mais depois, combinado?
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os dias por aqui estão lindos de morrer, apesar da secura. vou resolvendo com muita água e umidificador. e uma piscininha ocasional :D
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tou tentando colocar o pé no freio no trabalho. preciso me acostumar a trabalhar menos e melhor, e principalmente a dizer não pra certos abusos. posso estar errada, mas a impressão que tenho é que nós mulheres somos mais exigidas no trabalho: tudo que ninguém quer fazer sobra pra gente. ou sou eu mesma que tenho mania de pegar tudo o que sobra, também pode ser.
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fiquei passada com as temperaturas no país! rio e porto alegre me assustaram, de verdade. se o inverno for inversamente proporcional ao verão, estamos ferrados. será que é o início do fim do mundo mesmo?! :D
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vimos 4 filmes esse fim de semana, seguem meus comentários:
bastardos inglórios: achei um bom filme e gostei muito, mas não achei nem de longe maravilhoso ou uma obra prima. na minha opinião não chega nem aos pés de pulp fiction, digamos. mas é um filme divertido e muito interessante.
marido por acaso: fraquinho e tal, mas dá pra ver. mas vejam: eu sou tão louca pelo jeffrey dean morgan que qualquer filme/série que ele participa eu vejo, relevem se acharem uma bomba :D
um espírito atrás de mim (!): bem, qualquer coisa com o ricky gervais também entra aqui em casa, amamos o cara. e esse filme é uma surpresa muito muito boa. sério - veja. tem cenas de passar mal de rir (amamos a do morto usando blackberry).
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esse tem que ser separado...
e teve o anticristo, do lars von trier. começo dizendo que gosto muito de tudo que assisti dele, não acho essa coisa "cabeça-incompreensível". o ritmo é diferente, a estética e a abordagem também, e as coisas que ele faz me tocam.
dito isso, o resumo é que não entendi porra nenhuma :)
mentira: entendi muita coisa, o que realmente não entendi foi a escolha do nome. tenho certeza que há um motivo, mas ainda não encontrei. fui procurar artigos sobre o filme, pra ver se me iluminava, e achei esse aqui. gostei mais ainda do que vi depois de ver a resposta do diretor para um jornalista. ele se recusa a explicar o filme, a resposta sobre os motivos do filme é simplesmente "porque sim".
ele é bonito visualmente, tem cenas violentas (e que são mais doídas que as cenas de um tarantino porque não tem um pingo de ironia nelas) e densas. é sobre depressão, culpa, amor e loucura. se você gosta de filmes que incomodam, recomendo muito.
a dica é da denize, e é boa: clotilde tavares falando sobre o natal. o texto é muito bonito e interessante, recomendo!
já disse que não dou bola pra natal, certo? pensei melhor, e a coisa é mais complexa (como sempre...), funciona assim: adoro a chance de presentear, agradecer, celebrar junto aos que eu amo. mas detesto esse espírito consumista e o stress da época.
adorei a história da clotilde sobre como era o seu natal da infância, tão simples. eu nasci numa época e cidade consumistas - às vezes os presentes eram ótimos, às vezes muito simples, mas a idéia do natal sempre foi trocar presentes e não celebrar alguma outra coisa. minha família não é nada religiosa, o que certamente contribui para a pragmatização do evento...
o texto da clotilde me fez pensar o quanto nos afastamos da natureza: já não celebramos mais as estações, a colheita, o bom tempo, não agradecemos por estar vivos. estar vivo é o default e a bênção chega em forma de papel-moeda. agradecemos por ter emprego, por trabalhar e poder comprar frango em pedaços no mercado.
talvez por isso eu me incomode com o natal - sou daquelas pessoas consideradas estranhas que se encantam com coisas tão bobas quanto uma abóbora que nasce no quintal ou com o passarinho que faz ninho no telhado. eu realmente agradeço sempre a graça de estar viva e poder usufruir do que está ao meu redor.
se natal significa celebração da vida e agradecimento, trago o natal em mim todos os dias do ano. sou feliz, afortunada e muito muito grata.
pra 2009 desejo que possamos estar mais atentos a nós mesmos e ao nosso entorno, que sejamos felizes todos os dias pelo menos um pouquinho e que possamos contribuir para que outras pessoas também sejam felizes.
sou contra discussão de relação, qualquer que seja o relacionamento. há alguns anos eu só entro em uma discussão desse tipo se realmente for caso de vida ou morte.
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eu já considerei amigos tipos que falam o que querem sem dar importância ao quanto isso poderia me machucar, mas defenestrei (simbolicamente, pelo menos). eu mesma já fui assim (dizia o que achava que tinha que dizer, foda-se quem está ouvindo) e percebi o quanto essa atitude é horrorosa, procuro mudar a cada dia (nem sempre com sucesso, é bem verdade).
mas gente assim faz mal, não fique por perto. e se a pessoa em questão achar que "faz isso para o seu bem" ou que "a verdade precisa ser dita", afe, corra muito.
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nada contra sinceridade, é que aprendi que quem se importa com você de verdade procura entregar sinceridade embalada sempre em muita gentileza. e é assim que eu quero ser, é de pessoas assim que eu preciso na vida.
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alguém mais tem às vezes a sensação desagradável de como eu pude? essa semana fui ler o blog de um ex-amigo e a cada linha que eu lia o meu nojo aumentava. eca, eca, eca! como eu pude um dia sentar à mesma mesa que essa... criatura?
fui lavar as mãos, simbolicamente, após ler o blog.
(podem rir, é porque não é com vocês :))
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por motivos pessoais ;) não gosto de usar muito o mito da caverna, mas nenhuma metáfora se aplica tão bem ao que observo por aí. as maior parte das pessoas realmente acredita nas sombras e vive uma realidade toda particular e, é claro, equivocada.
outro dia alguém me disse uma grande verdade - depois que você passa por um processo psicanalítico, enxerga o mundo - e as pessoas - de outra forma. não significa que seus problemas estão resolvidos nem que você é uma pessoa ótima, mas significa que você teve coragem de sair da caverna. quando você vê os outros lá, falando com as sombras, é muito esquisito, dá vontade de chacoalhar!
entendo quem abandona tratamentos psicológicos no meio ou se trata com terapeutas de mentirinha, de verdade. o processo real de sair deste lugar conhecido (nem sempre confortável, porém conhecido) é difícil e doloroso. e o mundo lá fora, pra dizer a verdade, nem sempre é bonito de ver.
ainda assim, control freak que sou, prefiro lidar com o mundo real. dói às vezes, mas é bem mais bonito.
(mas e se o mundo for como nesse filme? esse assunto é melhor esquecer :))
... mesmo, de coração. porque essa coisa bizarra, que só podia ser invenção de americano, só existe graças à falta de compaixão do ser humano. esse pequeno artigo explica o conceito, e eu gostei especialmente desse resumo: ter compaixão é não ter indiferença frente ao sofrimento do outro.
é da nossa natureza criticar e julgar e, freqüentemente, verbalizar nossa opinião a respeito das diferenças e dificuldades dos outros. quando ligamos o botão do "foda-se" para o que os outros vão sentir quando dizemos nossas próprias verdades a respeito deles, esquecemos completamente a compaixão. deixamos de nos colocar no lugar do outro.
esse comportamento é comum nas crianças, e com razão: elas ainda não aprenderam a se colocar no lugar do outro, a ter compaixão. elas dizem o que lhes vem à cabeça, e nem sempre é algo legal de ouvir. esse sentimento ou atitude se aprende, não nasce conosco. e há muitos (mesmo!) adultos que ou não aprenderam direito ou ignoram os sentimentos alheios.
por isso digo que o politicamente correto é uma aberração - é um remendo para a falta de educação emocional da humanidade (ou um instrumento para processar os sem-noção, pode ser...).
escrevo sobre isso porque deu pra perceber neste post que várias pessoas já se sentiram vítima de alguém que não sabe o que é compaixão. me parece óbvio que o real sentido da compaixão é mais fácil de entender quando você é vítima do que quando é algoz, e nós trocamos de papel o tempo todo sem perceber. não me iludo - é inevitável errar quando o algoz é você, pois é difícil observar diferenças e fragilidades. ok, não é exatamente difícil, mas demanda sensibilidade e atenção, produtos em falta na vida de quem vive a milhão. a pressa e a ansiedade têm conseqüências, e a perda de capacidade de se sensibilizar pelo que nos cerca é uma delas. (depois perguntam porque eu quero diminuir o ritmo...)
há uma infinidade de pessoas que confundem humor com crueldade e falta de compaixão. fazer graça com a dificuldade de fala de um amigo gago, por exemplo, não é exatamente legal. pode até ser engraçado - pra todo mundo menos pra ele, é claro - mas não demonstra nem um pouco de compaixão.
tenho pena de quem precisa agredir ou ridicularizar os outros pra se destacar. não há nada errado em fazer piadas ou ter opinião negativa sobre qualquer assunto, mas nunca é demais se colocar no lugar do outro e pensar duas vezes antes de falar/escrever.
acredito que choque e dor são inevitáveis e fazem parte do processo de mudança e crescimento de todos nós. "levar porrada" não é necessariamente ruim, muitas vezes ajuda de verdade. mas se você é o emissor da "porrada", pense bem se é esse mesmo o sentimento que você deseja provocar. e pense se não está simplesmente usando a fragilidade de alguém pra se sentir melhor. ter compaixão não é a mesma coisa que mentir o tempo todo, é aprender a ter consciência de que tudo o que você diz pra alguém tem conseqüências - você é agente ativo no processo de convivência, não se exima disso!
penso muito nisso, pois sou impulsiva e cheia de gracinhas. e já me peguei muitas vezes com vergonha de mim mesma, o que é sinal que sou humana e erro, mas que fui bem criada e sou uma pessoa legal. i care.
estou conversando bastante com a sam, que tá sempre por aqui dizendo coisas legais de pensar, sobre essa questão da auto-imagem e não se adequar aos padrões.
eu estou uma adulta gorda, neste momento. já fui uma adulta normal, nunca fui magra. a relação mais "magra" de altura x peso que tive foi 48kg em 1,52m (minha altura desde os 12 anos até hoje, espero não ter encolhido :D). o resto da vida adulta variei de 50 a 85 (!) quilos. mas qualquer coisa ali na faixa dos 60kg é bem razoável pra mim, me acho bem bonita com 65kg, mesmo que achem que 65kg para uma mulher de 1,52m é demais.
eu não fui uma criança nem uma adolescente gorda. até os 9 anos, aliás, eu acho que era bem magrinha - vejam uma foto minha com essa idade, na escola - e depois de ter hepatite engordei um pouco, voltando depois dos 11 anos a ter um corpo que eu considero normal. só comecei a engordar mesmo depois dos 20 anos, quando fiquei sedentária e preguiçosa :) o apetite foi sempre o mesmo - ótimo.
minha irmã, que é bem magra, me "xingava" de gorda quando queria me agredir (porque mesmo não sendo gorda, eu era bem mais gorda que ela); ouvi piadinhas na escola e na família sobre ser "gordinha". hoje eu vejo que eu não era gorda de verdade, a questão é que eu não era magra. e as pessoas medíocres precisam categorizar umas às outras - e quem não é magra é... gorda! pronto.
os xingamentos ou comentários incomodavam, sim, mas não o suficiente pra que eu me importasse. eu era uma menina inteligente e articulada, tinha muitos amigos e era muito boa aluna. me dava bem com todo mundo. o fato de não ser bonita e nem magra não fez falta, eu tinha outros atributos que compensavam muito bem. não precisei virar a louca da dieta e nem me empenhar em ser gatinha pra ser aceita.
mas... eu precisava ser legal, porque afinal era o que eu tinha de melhor. e pessoas legais não dizem não pras outras, elas precisam sempre agradar todo mundo! e parte de agradar todo mundo é aceitar tudo o que vem, literalmente engolir o que for oferecido, sem reclamar. e assim, pessoal, nasce um distúrbio alimentar.
eu gosto muito do meu corpo, da minha aparência, mesmo quando estou gorda. sei que posso e devo melhorar, não só pela minha saúde mas também pra me sentir mais bonita, mas estar gorda não me faz sentir horrível. aprendi que sou muito mais que minha aparência, já provei pra mim mesma essa tese há muitos anos. não quero ser magra, não serei magra e estou muito tranquila com as minhas escolhas estéticas. não quero nunca ter aquela "barriga de lipo", da mesma forma que não quero nunca seguir tendências de moda. essas coisas não têm valor nenhum pra mim, portanto não tem porquê gastar energia buscando nada disso.
ao mesmo tempo, reconheço que é direito de todo mundo escolher. eu escolhi assumir meu corpo e não me render à pressão do padrão seja-magra; há quem escolha entrar no padrão, fazendo sacrifícios pra isso. às vezes vejo comentários dizendo que minha escolha é sensacional, "não aceitar o padrão" e tal. por quê? tanto eu quanto a que escolheu entrar no padrão fizemos escolhas, abrimos mão de algumas coisas e ganhamos outras em troca. não há escolha certa, há a escolha que nos deixa mais felizes, quando se passa a régua.
eu tenho, é claro, minha opinião a respeito de quem se violenta em favor da aparência, mas isso é problema meu. as que fazem lá seus sacrifícios não querem nem saber o que eu acho, o que importa é o tamanho da bunda no final do mês, é a admiração do namorado ou das amigas, sei lá eu o que importa pra elas. o que tenho certeza é que eu quero continuar comendo minha pizza, meus pastéis e sendo feliz; não abro mão de certos prazeres de jeito nenhum. e arco com as conseqüências, é claro - vira e mexe tenho que fazer milagre pra voltar prum peso minimamente aceitável, porque eu engordo, sim.
no entanto, o que menos me incomoda é o que acham sobre o meu corpo, isso eu ignoro sem o menor grilo. dureza mesmo é admitir que eu tenho uma desordem alimentar (e eu tenho), e que há por trás de cada porção a mais que eu como um problema emocional mal-resolvido. a dieta resolve os quilos excedentes, mas não cura a compulsão. e isso vem lá da infância, de quando eu era a menina "legal", que tinha que agradar todo mundo.
com 36 anos, eu ainda tenho que agradar todo mundo. aquela menina vive firme e forte dentro de mim, e é pra ela que eu escrevo aqui boa parte das vezes. é pra ela que eu digo, dia sim outro também, que ela é bonita e tem valor, independente do que qualquer um diga.
pense muitas vezes antes de dizer que alguém é feio, gordo ou inadequado fisicamente, principalmente se for uma criança ou adolescente. preste atenção primeiro se o problema não está no seu olhar enviesado e, mesmo se estiver convencido que a pessoa é inadequada de verdade, guarde sua opinião pra quem perguntar. uma brincadeira, às vezes, tem impacto numa vida toda.
o inagaki escreveu um post hilário no começo desse mês sobre aquelas dicas de como enloquecer seu homem de revista feminina e eu estou desde então pra comentar.
eu não consumo revistas femininas, nunca comprei, mas leio pedaços às vezes, em consultórios e manicures. e cada vez que leio tenho menos vontade de comprar, me sinto ofendida pelo conteúdo destas revistas, se querem saber.
eu ia dizer que as capas já me dão a impressão de "essa revista não é pra mim", mas vá: entendo quem se encanta pelo sonho da perfeição, quem se projeta na modelo ou artista da capa. eu não me projeto e não me relaciono com essas imagens, eu nunca tive nem vou ter essa pele perfeita e essa barriga chapada. e francamente me importa muito menos a minha barriga que a minha próxima viagem, eu nunca vou dedicar tanto dinheiro e/ou energia pra ser linda e/ou perfeita.
mas isso é só a capa, aí vêm as matérias: técnicas de depilação, cosméticos milagrosos, cores da estação, depoimento da leitora (sempre histórias escabrosas), editorial de moda com modelos de 13 anos e esqueléticas (como a leitora-padrão consegue se identificar?!) e a inevitável matéria ex-clu-si-va e quentíssima sobre sexo.
richard dawkins grita no meu ouvido: é isso aí, minha nega, it's all about sex. você precisa ser gostosa, vistosa, ter cabelos sedosos e esvoaçantes, bunda durinha e saber fazer um boquete matador pra conseguir se reproduzir, amiga! 'bora trabalhar esses glúteos, senão nenhum macho alfa vai te querer.
ok, admito que estou mais pra brás cubas, e no ritmo e estilo de vida que vou seguindo é possível que não deixe mesmo a ninguém o legado da minha miséria. mas peralá, gente, olha esse conselho de como enlouquecer um homem:
li uma vez em uma revista que a bianca jagger, ex-mulher do mick jagger, colocava uma barra de chocolate na vagina e o convidava para degustá-la. imitei a tática dela e foi um sucesso.
o mundo tá assim, e eu me sinto uma alienígena. as pessoas precisam de (e querem) manual de instruções pra explicar como ser feliz, como comer, como ficar perfeita, como ser profissional, como trepar. e pelo jeito as instruções são aprovadas, as revistas vendem mais que nunca...
olha, concordo 100% com dr dawkins e tal, mas acho que estamos na bancarrota evolutiva e faz é tempo. pensem comigo: eu, uma pessoa inteligente, saudável e legal (embora bem longe de ser perfeita) não espalhei meus genes pelo mundo; criaturas que colocam toblerone (espero que tenha sido esse né? só falta ser uma barra) na dita-cuja tão aí se espalhando pelo mundo.
tá errado, tá tudo errado.
eu gosto do fato da internet ter dado possibilidade pra todo mundo dizer o que quer, quando quer e como quer. gosto também de poder encontrar informação sobre quase qualquer assunto - menos sobre poços de alcatrão, tem muito pouco sobre isso disponível, vou ter que consultar uma biblioteca! :)
mas tem uma parte dessa enorme possibilidade que é sacal - o monte de zé mané que acha que entende de todos os assuntos e escreve como se fosse especialista. o mundo dos livros também tem seus zé manés, mas o volume é menor e é preciso gastar dinheiro pra lê-los, tornando o processo de consumo mais criterioso. o volume de "especialistas" dando opinião aparentemente profissional na internet é incrível. há que se ter cuidado pra não cair nessa armadilha e sair repetindo bobagem que sai dos dedos nervosos dos tolos-cibernéticos.
mais que nunca aplico as dicas de como ler bem que fui colecionando com o tempo.
e não pensem que não gosto de opinião pura e simples - eu adoro! o que não gosto é de opinião disfarçada de teoria ou de fato. isso irrita a pesquisadora dentro de mim profundamente.
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acho, significando essa é minha opinião baseada em percepção, que as pessoas não lêem mais com o intuito de pesquisar, entender teorias e criar perspectiva. o google se transformou em fonte única de conhecimento, no formato de textos curtos e mal escritos ou posts de blogs. misturado, é claro, a textos realmente úteis e com conteúdo confiável. como diferenciar é que são elas, assunto antigo no mundo das teorias de informação.
procurando sobre como a internet influencia os estudos, achei um mini-artigo legal sobre pesquisa na internet x pesquisa em livros - não é profundo mas serve para pensar.
há uma horda de pessoas escrevendo por aí sobre assuntos, digamos, sérios, sem nenhum tipo de pesquisa por trás, sem base de apoio (sem a qual não existe reflexão de fato), é pura e simplesmente "eu acho" disfarçado de teoria. e o pior de tudo, pra mim, é que não é por preguiça ou falta de informação que as idéias são lançadas na rede sem qualquer tipo de lastro, é por arrogância pura. porque os "autores" acham que a informação superficial e em pílulas encontrada nos mecanismos de busca é suficiente para sair discutindo quaisquer assuntos, tais gênios acham que são fontes de idéias e teorias que brotam milagrosamente graças às profundas leituras de reader's digest (ou equivalente) no banheiro.
a leitura (le-n-ta!) de breve história de quase tudo tem me feito pensar muito nisso - no quanto todas as grandes revoluções científicas são, sempre, resultado de tudo o que os pensadores e cientistas das gerações anteriores deixaram de legado. não há invenção ou descoberta que não seja resultante de passos dados por outros. isso é, aliás, a essência da evolução humana - somos capazes de transmitir conhecimento e subir degraus, ao invés de começar sempre do zero.
penso, e não é de hoje, que o acesso a tal quantidade de informação (geralmente rasa) nos torna arrogantes demais, a ponto de entornar o caldo. graças às facilidades da internet, não é mais preciso pesquisar, ler em profundidade, analisar, criticar e concluir. ficamos preguiçosos e metidos. tou cansada de ver marmanjos fazendo leitura dinâmica de textos vabagundos, concluindo porcamente e usando links pra confirmar suas "geniais" conclusões. e os infelizes que ainda se preocupam com algum rigor científico e intelectual são taxados de "atrasados" ou pedantes. diante desse cenário, sinceramente me preocupa como nosso legado científico e intelectual vai ser perpetuado.
a "nova geração" pode ser mais esperta e conseguir fazer algumas coisas mais rapidamente graças ao domínio das ferramentas, mas não é necessariamente mais inteligente. talvez se virem bem pra ganhar dinheiro e manter funcionando a máquina de consumo, mas tenho cá minhas dúvidas se continuaremos a evoluir do ponto de vista científico. quantos humanos da nova geração se interessam pelas ciências, puras ou aplicadas? me parece que o mundo se transformou num mar de administradores e marketeiros, com uma porção de geeks úteis, pra manter os servidores no ar.
o darwin da nossa era é, sei lá, bill gates?! tenho medo.
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tenho estado introspectiva e pensativa nos últimos meses, procurando entender o que de fato tem valor pra mim, o que me interessa. segundo o meu trânsito do personare, é assim que será meu ano, regido por touro.
os astros me ajudam a confirmar o que eu já tinha percebido, então deixo um aviso aos navegantes - talvez esse não seja um ano de muita diversão e festividade neste blog. quem caminhar comigo vai ficar às vezes de saco cheio de tanto questionamento (sobre mim mesma, sobre a vida, sobre os outros); quem gosta do oba-oba que sempre me foi tão característico... sorry. fica pro ano que vem :)
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é possível que eu diminua o ritmo dos posts. mas o email tá sempre aberto, pra quem quiser bater papo sobre qualquer assunto. opiniões me interessam.
ainda não cheguei a nenhuma conclusão em relação à questão que coloquei aqui - por que ser ou não vegetariano? o assunto não morreu, continua vivo e chutando aqui na cachola. sigo buscando informação e minhas próprias motivações, pra ter certeza que quaisquer mudanças nos meus hábitos alimentares sejam conscientes e não fruto de um desejo de me destacar dos demais humanos cruéis e desperdiçadores (cada vez mais acho que a auto-imposição de restrições alimentares é uma forma sutil de se diferenciar dos demais, mas isso é assunto pra outro post).
a denize me indicou o blog brazil nut para receitas veganas, já avisando do tom um tanto radical do texto. achei as receitas fracas - é possível ser bem mais criativo usando os ingredientes veganos, eu mesma faço receitas veganas melhores - e o tom é mesmo bem radical e me incomodou. e exatamente por isso eu continuo acompanhando o blog (que é bom): é importante ser incomodado, é isso que nos faz sair do conforto dos nossos lugares quentinhos.
ontem no almoço o assunto foie gras apareceu e eu comentei que adorava essa iguaria, mas me recusava a comprar e a comer, por causa da crueldade praticada com os animais para sua obtenção. hoje, coincidentemente, o post do brazil nut é exatamente sobre o assunto. recomendo que todo mundo leia, principalmente porque foie gras é um alimento 100% desnecessário (apesar de delicioso) - é puro luxo, às custas de um tratamento horroroso para os bichos.
só que quando paro pra pensar nesse assunto, dói. o quanto um bife ou uma costela de porco são realmente necessários na minha vida? eu poderia facilmente viver sem eles. então por que submeter um animal ao confinamento e à morte prematura pra que eu possa ter alguns momentos de prazer? às vezes parece fútil demais, desnecessário.
vejam que nem estou discutindo se os animais em questão sofrem ou não no confinamento e na morte; isso é outro problema, complicadíssimo. a começar pela pergunta "o que é sofrer?".
e antes que eu me perca e fique só no assunto do animal que é confinado e morre pra eu ter bife no prato ou sapato no pé, vou a outras questões - e os zoológicos? há quem defenda que "isso é melhor para os bichos que viver na floresta, no zoo eles são cuidados". really? e manter alguém trancado num apartamento, sendo cuidado, é melhor que deixar que seja livre e se aventure pelos perigos da cidade? a pessoa poderia morrer de bala perdida, de atropelamento, de susto. a verdade é que os bichos são mantidos em zoos pra que possamos vê-los, é tão-somente uma forma de diversão pra nós.
assim como os animais domésticos, convenhamos. por que criar animais de estimação, senão para nosso conforto (no caso de animais que trabalham) ou para o nosso prazer? eles são bens de consumo, como qualquer outro. bem tratados e alimentados, às vezes, mas ainda assim bens de consumo. senão por que comprar animais "de raça" ao invés de cuidar dos que estão abandonados e precisando de apoio?
e quanto aos animais mantidos em gaiolas, submetidos a testes de remédios e cosméticos? como aceitamos tão sem culpa comprar cremes ou xampus que para serem criados submetem animais indefesos a testes (principalmente quando existe a opção de produtos que não são testados em animais)? quanto aos remédios, entendo que são essenciais para melhorar nossa qualidade de vida, mas acho que nossas cobaias deviam ser humanos dispostos a se submeter. que fosse pelo bem da ciência ou por dinheiro, não importa, mas que as cobaias fossem usadas por sua vontade. escravizar animais para testar produtos pode ser até "necessário" mas é absurdo e cruel.
cada sanduíche, xampu ou remédio, cada produto que eu consumo, o quanto existe de sofrimento por trás deles todos? onde afinal estou gastando meu dinheiro? será que compensa?
são perguntas horrorosas, se você realmente estiver disposto a pensar sobre elas. o que eu tenho feito, por enquanto, é tentado rever todas as pequenas coisas que eu faço e consumo, analisando o que eu poderia fazer diferente. vocês não têm idéia da quantidade de coisas que podem ser mudadas só dentro de um pequenino universo de consumo e ação como o meu.
tenho comprado quase tudo origem orgânica, dentro da pouca variedade que existe: produtos de limpeza, verduras, legumes, frutas, frango, carne, grãos, açúcar, café, chá, farinhas. ainda não me tornei radical, mas já deixo de comprar ovos, frango, carne e legumes/verduras não orgânicos. o restante, como é mais difícil, faço o que posso. mas meu ideal é, em alguns meses, simplesmente não comprar quando não houver a opção orgânica.
(para saber mais sobre o que é produção orgânica, leia aqui - não tem a ver só com ausência de agrotóxicos!)
há alguns anos procuro consumir menos água, eletricidade e combustível. é muito difícil, sim, mas aos poucos a gente acostuma e pensa duas vezes antes de ficar 1h no banho ou ir até a esquina de carro. estou longe ainda do que desejo, mas vou caminhando.
há 5 anos tenho separado religiosamente meu lixo e nunca deixo de me espantar com a quantidade de lixo reciclável que somente 2 pessoas na casa produzem. incentivo todo mundo ao meu redor a reciclar, economizar, reaproveitar. já vi algumas mudanças e me orgulho disso.
não sei ainda o que será da minha alimentação ou dos meus hábitos de consumo nos próximos anos, mas tenho certeza que serão diferentes, pautados pelo respeito aos animais e pelo ambiente ao meu redor. e muita calma com esse papo de "mundo globalizado" - quero dar preferência à produção local, do meu vizinho que planta figos e laranjas e vive disso. parei de comprar importados e enlatados cheios de conservantes, chega.
sim, leitor amigo, sua impressão está correta - eu tenho mais perguntas e dúvidas que respostas. tenho ideais e desejos de melhorar, mas ainda como aquela deliciosa picanha na chapa no boteco sem lembrar de tudo o que aconteceu até aquele pedaço de bife chegar ao meu prato. e quando lembro, jogo a culpa pro canto e peço mais um chopp.
por isso agradeço aos radicais que tanto me incomodam dia sim, dia não - graças a eles eu certamente me tornarei uma pessoa melhor, ainda que diferente do que eles defendem.
sábado, a caminho do parque de diversões, paramos pra tomar café da manhã no posto da estrada (adoramos!). na TV passava alice no país das maravilhas, um dos meus filmes prediletos (além é claro da história, definitivamente uma das minhas top 10).

(mas o gato me dá medo!)
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tenho o tarô da alice, que é espetacular. e sempre me faz lembrar dela.
o que me faz lembrar que comprei um caleidoscópio ontem, novinho em folha. porque o outro que eu tinha sumiu, tipo assim, POF!
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o hopi hari foi muito legal APESAR das filas monstruosas. quando eu digo monstruosa quero dizer mais de 1 hora de fila pra qualquer brinquedo - horror absoluto, principalmente debaixo de um sol de 40 graus. mas conseguimos ir na torre, no rio bravo (momento relax), no crazy wagon e no meu preferido, o katapul.
e depois voltamos pra casa, doidos pra pegar uma piscina... mas uma tempestade caiu sobre vinhedo e (graças a deus) refrescou o mundo. a piscina ficou pro dia seguinte :)
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estávamos em casa jogando videogame e relaxando quando descobrimos que a sheilinha e o leo estavam em vinhedo! então encaramos um jantar-de-surpresa no mestrino - comida, vinho, companhia e música ótimos. um final inesperado e delicioso de noite de aniversário. adoro surpresas :)
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e os presentes? o carinho e amor desse montão de gente massa que me cerca. eu não quero mais nada além disso, não... ganhei presentinhos, sim, alguns, e amei. mas nada é mais gostoso e importante que alguém se lembrar da gente e desejar nosso bem.
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e pra não dizer que não tivemos presente de aniversário (eu e ele), encomendei a coleção completa do calvin & hobbes. e vamos ficar com várias duplicatas em casa, mas quem se importa? em se tratando do calvin, mesmo três não é demais.
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é verdade que estou procurando consumir cada vez menos, mas algumas coisas são alimento pra alma (como o presente que nos dei). meu outro sonho de consumo (quem sabe ano que vem?) é a coleção completa dos filmes da disney. um dia, um dia.
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ontem assisti trechos de um programa na GNT com a maria bethania (absoluta! poderosa! salve salve!) e outras mulheres. alguém sabe o que é? pre-ci-so ver o programa completo!
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constatação de aniversário OU contas simples: quando minha mãe fez 36 anos eu tinha 18 e já estava na faculdade (!!) tá difícil me convencer de que algo *não* está errado na minha cronologia...
será que só deixamos de ser crianças, bem lá no fundo, quando temos nossos próprios filhos?
amanhã, chegam os temidos 36 (simpatizo mais com meus anos ímpares, não tem motivo claro). e é também o dia da mulher, data que eu gosto tanto.
não sei o que me irrita mais: o comércio dando flores murchas nas lojas, as propagandas melosas e nada a ver na TV ou os homens escrotos que, a título de piada, perguntam todos os anos "por que tem dia da mulher e não tem dia dos homens? isso é injusto!". dã.
eu procuro contextualizar a comemoração, sempre, e é inevitável ouvir como resposta piadinhas idiotas como "ha ha ha, os caras sabiam colocar as mulheres no seu lugar...". eu já falei o quanto desprezo pessoas que fazem ironias pra dizer o que pensam? odeio, porque quando confrontadas, elas dizem que era brincadeirinha. você cai nessa, é? não caia não, gente assim é escrota, fique esperto.
mas eu queria falar sobre o dia da mulher, porque amanhã estarei de folga comemorando meu aniversário e não vou poder participar da postagem coletiva.
procurei (de novo, todo ano faço a mesma coisa) a música que mais me vem à cabeça nessa data: eu gosto de ser mulher / que mostra mais o que sente e meu blog é o segundo da lista :) que gostoso! porque eu gosto mesmo de ser mulher. mostrar mais o que sinto foi uma conquista árdua (ainda é), e muito me orgulho dela.
não acho que há mérito em ter nascido mulher, afinal não é uma escolha... mas há mérito sim em se assumir mulher, com todas as dificuldades e problemas que o sexo implica. se você acha que não faz diferença ser homem ou mulher, você tem sérios problemas de percepção do mundo, abre los ojos.
é muito mais difícil ser uma profissional mulher - nós ganhamos menos e temos que trabalhar muito mais que os nossos colegas homens pra provar que somos boas. aliás, pra conseguimos qualquer credibilidade temos que nos desdobrar em duas mil. sei que há áreas em que as mulheres têm maior trânsito - magistério, por exemplo. mas na minha área - tecnologia da informação - a coisa é punk. nós somos freqüentemente usadas como secretárias (que aliás eu acho uma profissão do caralho) ou assistentes dos homens, porque afinal são eles que mandam.
o pior de tudo é que essa realidade transformou boa parte de nós em monstras - ao invés de entender nossos pontos fortes e brigar pra conquistar espaço usando exatamente o que temos de melhor, fizemos um caminho torto: começamos a imitar os homens pra concorrer com eles e nos perdemos de nós.
a maior parte (esmagadora) das mulheres fodonas-poderosas é praticamente homem. reparem na atitude, no estilo de vida, nas escolhas. elas mal são percebidas pelos seus "pares" como mulheres, e inclusive consideram isso um elogio!
no campo sexual, então, a coisa é lamentável: nos convencemos que liberdade sexual é se comportar como os homens. liberdade sexual é dar pra todo mundo e ser agressiva na conquista e no ato, é deixar os sentimentos (essa coisa de mulherzinha) de lado. afinal, direitos iguais, certo?
eu dispenso o direito de trabalhar 16 horas por dia como os homens; eu abro mão do meu direito de dar pra qualquer zé mané que conheci na festa de carnaval de paranapiacaba e que não me valoriza.
pra quem é mulher, recomendo aproveitar o dia da mulher deste ano pra pensar no quanto você abre mão de ser você mesma pra poder ganhar espaço nesse mundo. reflita o quanto do seu comportamento é dirigido pelos "direitos iguais". permita-se ser diferente e sinta orgulho disso. não entre nessa nojeira de se valorizar pela sua aparência, não deixe os homens "medi-la" pelo seu cabelo, sua bunda, sua barriga. não ceda a essa pressão, se respeite.
pra quem é homem: preste atenção à forma como você trata as mulheres ao seu redor. não seja condescendente, não é isso que queremos. queremos respeito, amor, carinho e admiração pelo que temos de melhor. enxergue além das bundas, meu amigo. não nos trate como se fôssemos homens, cada pessoa é única, independente do sexo. eu sei que dá trabalho sacar qual é a de cada um, mas é um trabalho legal. enxergue as mulheres, entenda o que cada uma delas quer, e você terá sempre o melhor delas.
ah, e se você é daquelas mulheres que acha que mulheres não podem ser amigas, que mulheres são invejosas e vingativas e do mal umas com as outras - saiba que você é uma pobre coitada. você caiu no conto do vigário, minha filha, e provavelmente é uma mulher horrível. aproveite o dia de amanhã pra pensar e mudar, viu? e pare de repetir esse discurso ridículo.
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