Posts com a tag “passado”

morangos e felicidade

bem, eu não sei porque acho morangos alegres, mas eles são! opa, lembrei! :) quando eu era criança, viajava todo ano pra praia com minha mãe e irmãos, de férias. íamos todos os dias à praia e encontrávamos um velhinho bem velhinho, seu alex, que tinha uma barraca amarela pra se proteger do sol. acabamos ficando amigos dele, que nos abrigava do sol e contava histórias, muitas. eu sempre fui muito branca e ficava rosa quando tomava sol, sofria muito. um dia ele chega e me diz: "faça o seguinte: quando chegar em casa, passe morangos no rosto!". e eu, menina: "nossa! mas isso melhora a dor?". ele: "melhorar não melhora não, mas fica uma cor linda!" :P

gosto de morangos lavados, puros. com chantilly ficam maravilhosos, gosto da adstringência do morango e do cremoso do chantilly. meu pai os come sempre com muito açúcar (eu não gosto, acho que mascara o sabor da fruta) e minha mãe os faz na gelatina: basta preparar a gelatina normalmente e antes de gelar colocar morangos picados. fica delicioso. essa receita me lembra regime, minha mãe fazia quando eu queria comer doce mas sem engordar.

(publicado originalmente no panela em 14/agosto/2001)

Comments (3)

história de família

ultimamente ando mais inclinada a contar histórias sobre comida do que a dar receitas. sempre achei um pouco estranho o formato de receita, pois fui catequisada de uma forma diferente: uma pitada disso, um pouco daquilo; o que sobrou do dia anterior mais aquela verdura que tiver na geladeira.

-- qualquer uma mãe?!

-- é, qualquer uma, sim. chuchu, cenoura, abobrinha, pimentão, sei lá. o que você tiver!

quando der o ponto...

-- mãe... que ponto?

-- você vai perceber, filhota. a massa desgruda da mão, não se preocupe, você vai saber.

é, eu sei, mami, eu sei :)

fazer comida é quase magia. será por isso que tem aquela coisa da bruxa com o caldeirão? essa imagem da mulher e da comida é tão rica. somos provedoras, desde o leite do nosso peito até a elaboração da comida do dia-a-dia. e ao mesmo tempo somos uma ameaça, afinal, quem pode saber os feitiços, venenos e sortilégios que colocamos na comida? :)

(publicado originalmente no panela em 17/agosto/2001)

Comments (0)

minha sopa de abóbora

exercitando meu lado bruxa (adoro um panelão e uma colher de pau pra mexer) vou dar a dica da sopa de abóbora que a princípio é invenção minha, porque nunca tomei em lugar nenhum, inventei da minha cabeça e com o que eu tinha em casa no dia. funcionou, já foi aprovada por várias pessoas. vou incluir as variações também.

ingredientes
- 1/2 kg de abóbora japonesa (aquela laranja-clara)
- 1 copo d'água
- cebola e alho a gosto
- tempero (o que quiser, o que tiver. eu uso sempre pimenta do reino moída)
- bacon picadinho (se gostar, não é mandatório)
- 1 lata de creme de leite (pode ser light)

utensílios
- panela de pressão
- frigideira pra refogar
- colher de pau
- liquidificador ou mixer

como fazer
faça um refogado com a cebola, o alho e os temperos, na panela de pressão. junte a abóbora (sem casca e sem sementes) e a água e cozinhe na pressão por 15 minutos no máximo. coloque tudo no liquidificador e bata até homogeneizar.

frite o bacon picado em um pouco de azeite (pode ser na mesma panela) e quando estiver sequinho, coloque a abóbora batida. corrija os temperos, deixe apurar um pouco e misture por fim o creme de leite, desligando o fogo.

eu faço outra que é parecida: cozinho a abóbora do mesmo mesmo jeito, mas ao invés de bacon e creme de leite coloco camarões refogados e leite de côco (não muito, senão fica forte. meia garrafinha tá bom).

dica do camarão: refogue levemente, basta ficar rosado e ele tá bom. se cozinhar demais ele fica duro, estraga mesmo.

(publicado originalmente no panela em 17/agosto/2001)

Comments (2)

cuscuz paulista de preguiçosa

ingredientes
- 1 lata de milho verde (com a água)
- 1 lata de ervilhas verdes (com a água)
- 1 vidro grande de palmito picado (com a água)
- 1 lata de sardinhas no óleo sem as espinhas (com o óleo) ou sobras de peixe assado/refogado (desfiado)
- 1 tomate grande picado (e arranje umas fatias de outro tomate, pra enfeitar)
- 1 cebola grande picada
- alho picado (opcional)
- 2 ovos cozidos (guarde algumas fatias pra enfeitar)
- pimenta vermelha (malagueta, de cheiro, dedo de moça... a que preferir) ou tabasco/molho de pimenta (caso ache a pimenta picada muito forte) [use o quanto gostar]
- salsinha picada (a gosto, mas guarde uns galhinhos pra enfeitar)
- azeitonas verdes (eu prefiro sem caroço, mas se tiver preguiça pode usar inteira)
- camarões frescos (se tiver e quiser, não é obrigatório)
- farinha de milho em flocos (mais ou menos 1/2 saco ou até dar ponto)

utensílios
- panela grande
- colher de pau
- forma de furo no meio
- armadura de amianto :D (para o cuscuz quente não espirrar em você e queimar)

como fazer
na panelona, refogue a cebola picada, depois o alho, até dourar de leve. acrescente os tomates e a pimenta picada (se for usar), as azeitonas e por último o camarão. acerte o sal. quando os camarões estiverem rosados, coloque a salsinha picada e acrescente o milho, a ervilha, o palmito e a sardinha (ou peixe desfiado), todos com sua água e óleo, misture bem, acerte novamente o sal e a pimenta e deixe ferver. ao abrir fervura, coloque aos poucos a farinha de milho e mexa sem parar com uma colher de pau. pra essa quantidade, normalmente vai 1/2 saco de farinha de milho, e a consistência é de um mingau duro ou uma polenta. mexa até soltar do fundo da panela, acrescente os ovos cozidos picados e desligue.

molhe (com água fria) a forma com furo no meio, coloque as fatias de tomate e ovo cozido no fundo da forma, espalhe uns galhinhos de salsinha e jogue a massa do cuscuz na forma. deixe esfriar e desenforme num prato.

(publicado originalmente no panela em 1/julho/2002)

Comments (0)

bolo de limão com historinha

eu cozinho por vários motivos: porque gosto de comer; porque gosto de alimentar outras pessoas; porque é terapêutico ver o alimento (ou a combinação deles) se transformar em comida, em sabores e cheiros; porque é mágico. os alimentos (e sua elaboração) têm significado emocional pra mim. preparar um café com leite ou um chá não significa somente ter à mão uma bebida quente: significa antes um carinho, cuidado, abraço de mãe. uma sopa é companhia numa noite fria. uma salada é a alegria e a cor da vida, frescor de dias quentes. um suco de fruta batido na hora é uma injeção de ânimo, é juventude. e a carne? eu adoro carne malpassada, sangrando. lembra que vou carnívora e desperta um prazer quase sexual. mas eu ia falar de bolo, meu deus...

ingredientes
- 1 e 2/3 xícara de farinha
- 1 xícara de açúcar
- 2 ovos
- 1/2 xícara de manteiga/margarina
- 1/4 de colher de chá de fermento
- 1/4 de colher de chá de bicarbonato de sódio
- 1 colher de sopa de raspa de limão
- 1 colher de sopa de suco de limão
- 1/4 de xícara de leite

utensílios
- batedeira ou batedor + paciência
- vasilha para bater
- ralador para ralar a casca do limão (só use a parte verde, a parte branca amarga tudo)
- forma furada de bolo

como fazer
misture (peneirando, se tiver peneira à mão) a farinha, fermento e bicarbonato e reserve. bata bem o açúcar com a margarina, até obter um creme leve e claro. misture em seguida os ovos, incorpore bem, e adicione a mistura de farinha aos poucos, até obter uma massa bem consistente. adicione o leite, depois as raspas de limão e o suco.

pré-aqueça o forno, unte e enfarinhe uma forma furada e coloque a massa do bolo para assar. retire antes de dourar demais por cima. deixe esfriar e desenforme.

(publicado originalmente no panela em 1/julho/2002)

Comments (0)

pavê de chocolate fácil

ingredientes

- 5 colheres (sopa) de manteiga ou margarina
- 1 xícara (chá) de açúcar
- 3 gemas
- 1/2 xícara (chá) de chocolate em pó
- 1 lata de creme de leite
- 1 colher (chá) de café solúvel [opcional]
- 400 gramas de biscoito maizena
- licor de cacau e rum

como fazer

bata em creme a manteiga com o açúcar e as gemas (eu uso batedeira, acho mais prático, mas se tiver muque, bata na mão mesmo). acrescente o chocolate e o café solúvel (se gostar) e bata mais um pouco. junte aos poucos o creme de leite, misturando bem. reserve. monte o pavê em forma retangular (ou no pirex, perua, que fica mais bonito!), colocando no fundo as bolachas umedecidas no licor misturado ao rum (mesmo se for cachaceira, não exagere, senão o pavê vai parecer um pudim de pinga); sobre elas espalhe o creme e assim sucessivamente, terminando com uma camada do creme. leve à geladeira e morra de comer.

dizem que não colocando as gemas o pavê fica diferente e muito bom também. nunca experimentei... alguém pode fazer, por favor, e me contar? :)

(publicado originalmente no panela em 25/julho/2002)

Comments (0)

bolo de milho da mami

ingredientes
4 espigas de milho verde debulhadas
2 ovos
1 xícara e 1/2 de leite
1 xícara de açúcar
1/2 xícara de óleo
1 colher de sopa rasa de fermento

utensílios
- liquidificador
- forma de bolo (qualquer formato)
- vasilha e faca para debulhar as espigas (é só cortar os grãos bem rentes à espiga. faça isso dentro da vasilha, que espirra milho pra tudo que é lado)

como fazer
bata no liquidificador todos os líquidos até misturar bem. adicione o açúcar e o milho e bata novamente, até homogeneizar. incorpore o fermento à mão e asse em forma untada, fogo alto, por cerca de 35 minutos (até dourar bem em cima).

(publicado originalmente em 2/maio/2001)

Comments (0)

mulher com TPM perambulando

aos poucos vou recuperar alguns posts apagados que acho mais interessantes ou que por algum motivo quero manter aqui. segue o 1o da série!

**

hoje cedo me dediquei a tarefas ingratas. a primeira: ir a um cartório. sabem como é: reconhecimento de firma, xerox autenticado, fila, número apitando num painel, essas coisas cafonas. a segunda: enfrentar fila de banco pra acertar contas, encerrar conta, coisas assim gostosas. andando pra lá e pra cá pela av paulista, dou de cara com um homem e um menino, na calçada, ambos sentados no chão. cabelos pretos e lisos, muito brancos, ele com um bigodinho tipo chaplin e aquela cara de eternamente triste dos pedintes. ele tocava um acordeão azul, e uma placa grande se apoiava numa caixa de papelão, para as contribuições. a placa era curiosa, começava assim: solo uno refugiato... e eu parei de ler, já imaginava que era mais um dos muitos refugiados não se sabe de onde que resolveram brotar pela cidade nos últimos anos (e tem gente que se refugia no brasil, meu deus? que idéia!).

passei indiferente, mas ele começou a tocar o acordeão, uma música triste... e eu vi, na frente do menino sentado no chão, uma caixinha pequena, de papelão, quatro vezes o tamanho de uma caixa de fósforo, digamos. e lá dentro, uma tartaruguinha. quietinha, com a cabecinha levantada, como quem procura a saída. meu coração se apertou vendo o bichinho lá dentro daquela caixa mínima e pensei meu deus, que vida ruim ela deve levar! presa numa caixa, exposta ao sol e ao vento, e sem escolha. e a trilha sonora de filme italiano meloso no fundo. foi me dando uma vontade horrível de chorar e eu continuei andando. titubeei, pensei em dar esmola, em comprar a tartaruga, mas não fiz nada disso, fui adiante. e liguei pro namorado, pra contar das mazelas da humanidade, mas ele não atendeu. me senti um tanto estúpida por sentir pena, e na seqüência comecei a me sentir simplesmente um monstro por sofrer pela tartaruguinha refugiada e simplesmente esquecer que havia gente ali também. confesso: deles eu não senti pena. o homem era simplesmente a trilha sonora da desgraça da tartaruga e o menino o carcereiro da infeliz.

quando conto a história as pessoas riem muito. eu também, depois, acabei achando engraçado, mas a verdade é que meu coração ainda tá pequeno por causa da tartaruga. e naqueles poucos segundos de angústia, juro que pensei que nós também vivemos em caixas e passamos a vida a esperar sabe-se lá o quê. a diferença é que nós temos escolha, e acho que por isso não consigo sentir pena das pessoas. acho.

(11/jun/2002)

Comments (4)