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Posts Tagged ‘amizade’

interesse

agosto 3, 2012 17 comments

acende uma vela pra deus
outra pro diabo
agradeço,
você não se interessa mais por mim.

posso passear no bosque
seu lobo não vem mais atrás
agradeço,
você não se interessa mais por mim.

me solta, me deixa, me larga,
tenho mais o que fazer.
não posso ficar nessa de esperar,
nem posso ficar nessa de querer.

o gato acha o rato muito interessante
a cobra acha o sapo muito interessante
agradeço,
você não se interessa mais por mim

sai de cima, deixa disso de promessa
não me prende aqui que eu tô com pressa

(interesse, ney matogrosso/pedro luís e a parede)

uma das coisas que aprendi nestes anos, especialmente nos últimos 10, é a agradecer de coração quando alguém deixa de me procurar, se interessar por mim ou pela minha vida.

por mais que meu ego se machuque quando alguém me ignora, ou me esquece (mesmo adulta — uma senhora, na verdade — ainda não me acostumei a não ser o centro do universo, a razão de viver de todos que me cercam ;)) a verdade é que ser esquecido ou “abandonado” não é necessariamente ruim. significa simplesmente que determinada pessoa não considera você como importante ou prioritário, a ponto de sequer se dar ao trabalho de avisá-lo.

o que fazer nestes casos? depende. se a pessoa em questão é muito importante pra nós, acho que faz sentido procurar e tentar entender o motivo do afastamento, mesmo que não dê em nada. não vejo muito sentido em fazer papel de ofendido e ficar na defensiva, ou se colocar como vítima. se a pessoa é importante, se há do meu lado o interesse na amizade ou contato, vou atrás e tento reestabelecer o relacionamento (ou pelo menos entender o motivo do afastamento).

mas avalie. se a pessoa nunca trouxe a você nada de bom (pense bem objetivamente sobre isso. é fácil de se enganar achando que todo mundo é “super legal” quando na verdade são só neutros) e não há grandes felicidades ou vantagens no relacionamento… agradeça e siga 🙂

houve muitos casos na minha vida em que foi preciso um episódio dramático, novelístico, pra que o afastamento acontecesse. traição, baixaria, briga, mentiras e revelações, fofocas, todo o show de horror da natureza humana. e ainda assim, fiquei muitas vezes com a sensação de que havia “perdido” algo ao me afastar destas pessoas. nessa época eu ainda não tinha aprendido direito que a vida é feita de escolhas. não dá pra se livrar de certos problemas sem se livrar de certas pessoas. e que não é possível mudar ninguém além de mim mesma.

vocês leram bem o que escrevi ali em cima? não é possível mudar ninguém. só é possível mudar a nós mesmos, e é essa a mudança que faz o mundo todo mudar. quando as pessoas ao nosso redor não mudam e nos afetam negativamente, mudemos nós. e a vida segue (normalmente melhor que antes).

é na hora de encerrar ciclos, em meio a crises ou dificuldades, que demonstramos quem realmente somos. quando imaturos e inseguros, fazemos fofoca, intriga, mentimos, mandamos indiretas e machucamos (conscientemente ou não) os que estão ao nosso redor; somente a maturidade e autoconhecimento nos permite fechar ciclos com elegância, verdade e humildade. arcando com as consequências de nossas escolhas.

sei que ainda chego lá, porque prefiro ser sapo a cobra.

**

mas já fui cobra, sim senhores, já estive do outro lado desse jogo. fui a que perdeu o interesse, e abandonou. não, foi um pouco pior: decidi conscientemente que interromperia uma amizade de muitos anos (amizade daquelas longas, sinceras, e boas) através do silêncio, do afastamento unilateral.

meus motivos para o afastamento não importam, porque por mais que fossem legítimos, não justificam o que fiz. quando a amizade existe de fato, seja de pouco ou muito tempo, merece no mínimo uma exposição dos motivos, um fechamento digno. não por obrigação, mas por puro e simples respeito. respeito pelo indivíduo, pela história em comum, pelo afeto compartilhado.

por mais que fosse difícil, doloroso ou inútil (essa foi minha desculpa pra mim mesma: “não vai adiantar explicar”), eu devia ter sentado, frente a frente, e explicado. não o fiz, e me arrependo muito. a amizade se encerrou, à força, com sofrimento para ambos os lados (suponho que mais pro lado de lá, que sequer soube o que houve), e sem benefício nem aprendizado nenhum para ninguém. uma enorme oportunidade de crescimento perdida, especialmente pra mim.

quando nos expomos ao outro e colocamos nosso ponto de vista, damos automaticamente a ele a oportunidade de resposta e — aí o bicho pega! — somos obrigados que nos confrontar com a realidade e não com o mundo de ilusão que habita nossa cabeça. é muito fácil e simples “discutir” com a imagem do outro que trazemos dentro de nós. é mais fácil ainda justificar para terceiros nossos motivos, fazer fofoca, reclamar do outro, que não está lá para se posicionar. é pura e simples covardia. e falta de respeito pelo outro, que fique claro.

após ter feito exatamente isso tudo que descrevi, meu amigo tentou — inutilmente — entender o que havia acontecido e finalmente se resignou, afastou-se também. muitos anos depois, vendo as coisas de longe, percebi meu erro. não acho que errei em ter me afastado, ainda creio que era necessário. errei porque fui covarde, e não tive coragem e nem consideração suficientes para ser honesta com ele e enfrentar as consequências.

tentei resgatar essa amizade há pouco tempo, com humildade, mas foi em vão. nos falamos eventualmente, mas não somos mais amigos. entendo e respeito o desejo dele de não mais se aproximar de quem não teve afeto e consideração suficientes para enfrentar um problema lado a lado, ao invés de decidir tudo sozinha.

suponho que ele, depois de um tempo, tenha também agradecido por eu não mais me interessar por ele. não posso tirar sua razão.

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do poder de um livro e da amizade

maio 31, 2012 14 comments

ontem comprei, ali na linda livraria da travessa do centro do rio, sonhei que a neve fervia, da fal. ele tem uma capa linda. o vendedor me disse “que capa bonita, tão minimalista. gostei!”. eu podia ter dito que uma parte da minha história estava lá dentro, e que a autora era minha amiga (aquele sentimento bobo de conhecer celebridades, sabem como é) mas me contive.

comecei a ler ali mesmo, no almoço. e a cada intervalo, no táxi, no banheiro, e antes de dormir. na verdade, dormir veio depois de acabar o livro. a última vez que isso tinha me acontecido foi quando saiu o último harry potter! (a fal vai morrer de orgulho disso aqui :)).

tenho uma confissão a fazer: eu leio as últimas páginas dos livros antes de acabar (é, eu sou dessas pessoas horríveis). e quem já leu sabe o quanto justamente o final deste livro significa pra mim. estou ali no meio da história, tem um tanto da minha vida registrada pelas entrelinhas, na vida do meu melhor amigo.

eu também passei por aqueles 365 dias que ela registrou, e lembro perfeitamente do telefone tocando (tão cedo. odeio telefone tocando cedo, nunca é boa notícia, NUNCA) e ela dizendo “zel, eu não sei como dizer isso, mas o alexandre morreu. ele morreu, zel.”. eu fiz perguntas idiotas, tipo “como, quando, por quê?” e ela respondeu do jeito que era possível, e entendi que não importava COMO, importava era o fato. meu melhor e mais antigo amigo, uma das pessoas mais divertidas e doces que conheci, não existia mais.

era 28 de agosto, minha renovação de carteira de motorista estava marcada pra esse dia. a data está lá, ainda, na carteira que vence este ano, 5 anos depois.

nunca tinha visto ninguém morto antes. amigos nossos do ITA me ligaram, chorando, ou mudos, tentando entender. um deles nem apareceu no velório/cremação, encheu a cara e sumiu. outros estavam lá, lembrando dele, contando histórias. eu estava lá, com o fer e minha mãe, que adorava ele. ele estava lá e não estava. era um corpo, uma coisa que não era ele. foi tudo estranho, e a fal estava cercada de pessoas, mal consegui falar com ela. a irmã dele estava lá, me procurou pro abraço mais longo de todos. não consegui falar nada, não chorei, não nada.

estava com viagem marcada de férias, na semana seguinte. viajei pra longe, um lugar lindo, e eu pensava nele todos os dias. no aniversário dele (10 dias depois, que coisa triste), lembrei e não tive coragem de ligar nem escrever pra fal, eu acho. lembro todo ano do aniversário dele. e se eu senti tanto essa perda, o que terá sido para a mãe dele (que eu adoro, é uma mulher incrível), os irmãos (conheço todos), a esposa que ele amava mais que qualquer coisa no mundo?

já tinha lido quase tudo que estava no livro conforme acontecia, no blog, e através dos emails (raros) trocados com ela. mas não é a mesma coisa ler tudo seguido, dia após dia, tão intensamente. e não tinha lido o começo, e nem o fim.

mesmo sem a fal dizer, eu sabia que minha presença não era (e não é ainda) boa pra ela. minha existência lembra a dele, é claro, pois éramos tão amigos e com tantas histórias e pessoas em comum. nos amávamos, éramos como irmãos. ele me contava dela quando se conheceram, com tanta felicidade e estranhamento (“isso está mesmo acontecendo comigo, zelíndia? será que existe alguém que realmente seja COMO EU, feita pra mim?”). ela existia sim, meu irmão querido, ela existe.

nunca me ressenti dessa distância após a morte dele, procurei respeitar sempre que possível. mas escrevi ou liguei de vez em quando, pra uma fofoca compartilhada, uma piada, ou às vezes só pra dizer que lembrei dele por causa de X (coloque motivos variados aqui). eu lembro muito, e às vezes rio sozinha de piadas que ele faria.

semana passada pensei muito nele, não sei exatamente o porquê, mas não poder compartilhar com ele essa experiência incrível que é criar um filho é muito triste. lembro da tentativa maluca dele de adotar uma criança (e não deu certo, infelizmente), do quanto ele gostava de crianças e do quanto ele adoraria conhecer o otto. do quanto ele amaria o nome dele, os cabelinhos cacheados e loiros, o temperamento observador e sensível. ele seria um tio tão perfeito pro meu menino, o tio alê, o que sabia todas as coisas e explicaria pra ele aquela física que está além dos conhecimentos de nós, mortais.

o otto só vai conhecer o tio alê da minha lembrança, das fotos, das histórias hilárias. porque faço absoluta questão que meu menino saiba que antes dele nascer, antes mesmo dele ser uma ideia, houve alguém tão especial na vida da mamãe que merece lugar e espaço próprios na história que levou até ele, e que teve um livro inteiro dedicado a esse cara super incrível.

obrigada, fal, por registrar os 365 dias depois da morte dele. ele está lá, em cada lembrança e na sua dor, foi bom (e doído) relembrá-lo, sentir de novo sua perda. porque a ausência é tão grande quanto a presença, é sua sombra, e sentir a falta é também reconhecer o quanto ele foi importante. um pouco dele vive em nós. estou aqui pra quando você quiser e precisar resgatar uma parte do seu amado.

e o livro? é muito intenso, impossível de parar, e pra mim teve um efeito muito importante: me fez lembrar que se deve viver e amar muito todos que são parte da nossa vida, a cada instante. nunca se sabe quando tudo acaba, ou muda. estou só no rio enquanto escrevo este texto, como estava enquanto li o livro. só pensei em abraçar meu amado, e dizer o quanto ele é importante pra mim, o quanto me fez e faz feliz apesar de qualquer tropeço no caminho. quero abraçar meu filho, meus irmãos, meus pais, meus amigos. e beber cada instante de presença, para que no dia em que ela vier, a ausência seja mais suportável.

**

mas pessoas morrem todos os dias, não é? pais, mães, filhos (toc-toc-toc, a mais antinatural das perdas), irmãos, amigos. a dor é maior, menor, mais próxima ou distante de nós, e seguimos vivendo, até porque não há outra escolha sã. mas não é todo mundo que se vai e tem uma história tão rica, que tem um livro publicado registrando parte da sua vida com tanto amor tornado real no papel. é o mínimo que ele merecia.

mas não é só isso que é tão incomum nessa história, pelo menos não do meu lado da história. o alexandre se foi no dia 27 de agosto de 2007. 3 anos depois, sem planejamento algum, meu filho nasceu às 6:34 do dia… 27 de agosto. o dia que até então era de lembrança da perda do meu amigo-irmão tornou-se uma data de festa, a ser comemorada todos os anos, com bolo brigadeiro e parabéns para o menino mais lindo que já vi. virginiano, observador e doce, como você sempre foi, meu amigo.

estou certa que você riria disso, meu querido alexandre.

(e eu sei, minha querida fal, que isso não deve ter graça nenhuma pra você. mas se um dia doer menos, e você quiser também comer bolo e brigadeiro lembrando do nosso menino querido de sardas, a casa e a família são sempre suas)

nunca é tarde para ajudar!

abril 3, 2012 Leave a comment

pessoal amigo: vocês já devem ter ouvido a história do marcos, marido da barbara, mas eu vou contar rapidamente e vocês podem ler mais no blog.

ele estava no pará e sofreu uma lesão na cervical permanente, e seu tratamento é feito exclusivamente pelo SUS. ele vai precisar de ajuda por muito tempo, então sempre que puderem divulgar e obviamente ajudar, não pensem duas vezes!

o blog não está muito atualizado, mas quem pode e quer contribuir pode confiar. conheço a barbara pessoalmente e eles realmente precisam de toda ajuda que conseguirem. uma contribuição pequena de cada pessoa conhecida ou com desejo de ajudar vai fazer muita diferença pra eles!

doações devem ser enviadas em nome da irmã dele:

Marta Vitória de Alencar
CPF 178.221.438-08
Banco do Brasil
ag. 7068-8
c/c 43819-7

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