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Posts Tagged ‘amor’

big fish na vida real

janeiro 10, 2014 2 comments

Kali, vô Ivan, Otto

Meu pai pode ter (e tem) todos os defeitos do mundo, mas me faz rir até chorar com suas histórias. Hoje liguei pra ele pra bater papo enquanto dirigia pro trabalho, e vejam o que ouvi:

 

– Ele chama os próprios patos (ele tem vários. E galinhas normais e de angola, e um galo) de qüencos. E todos têm nome: o Otto é o maior e mais gordo; a Belinha é a mais boazinha. Parece que estão todos bem.

– A cachorra dele, Kali (uma Golden Retriever enorme que ele adotou, depois que a antiga dona não quis mais ficar com ela porque era “muito brava”) agora leva ele pra passear, e no máximo por 15min (ela se recusa a andar mais e faz ele voltar)

– Ele tinha um casal de gansos, que é como deve ser (em pares. Eles vivem juntos a vida toda e não trocam de parceiro). Pois que roubaram a gansa dele, e o pobre ganso ficou viúvo e deprimido (palavras dele). Mas um milagre aconteceu e agora uma das patas dele está namorando o ganso, que voltou a ser feliz. Segundo ele, no final da tarde os dois ficam na porta da casa dele “conversando”. Ele imitou o ganso no telefone, e ele parece uma buzina

– Ele mora no meio do mato. Tem um lagarto gigante que mora por ali na região e é o nêmesis dele (come os ovos, ataca os bichos, etc.). Estavam ele e a Kali no galinheiro pegando ovos e ele (meu pai) foi atacado pelo Menezes (acabo de batizar o lagarto), que conseguiu derrubar meu pai depois de dar uma rabada na canela dele =O (o que leva a crer que ou o lagarto é um velociraptor ou meu pai está protegendo a Kali, que na ânsia de pegar o lagarto deve ter derrubado ele). A Kali não pegou o lagarto (ela tenta todo dia). Parece que o Kito, meu irmão, apelidou os 3 de “3 patetas”, e eu achei adequado.

– Uma gata deu cria no meio do mato, e a vizinha do meu pai acolheu, mas não antes dos OITO gatinhos serem atacados pelo Menezes e terem seus rabos comidos (!!!!). Segundo meu pai, estão todos muito bem, porém todos cotocos em diferentes graus.

(Quase tive que estacionar o carro no meio dessa conversa, pois eu ria tanto que escorriam lágrimas)

Bom dia e bom fim de semana surreal pra vocês também 🙂 (fotos de onde ele mora, aqui)

<3

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entre a arte e o registro

setembro 23, 2013 6 comments

a popularização das câmeras digitais e smartphones mudou o mundo — na época que eu era criança, câmeras fotográficas eram raras, coisas que custavam muito dinheiro, assim como os filmes e o processo de ampliação. era todo um mundo mágico, esse das fotografias, reservado àqueles com condição financeira e conhecimento técnico somente. minha tia mais chique e exótica era (ainda é) fotógrafa, e sempre a vi como artista.

bem mais tarde, quando comecei a me interessar pelas artes em geral e estudar um pouco de história da arte, me deparei com a questão do que é ou não arte. achei curioso o quanto esse assunto é polêmico e gera discussões acaloradas. sempre me perguntei por que tanta preocupação com o que é ou não arte? pessoalmente, sem nenhuma análise filosófica ou estética, consumo arte como meio de obter prazer e como fonte de reflexão. gosto muito da arte moderna exatamente pela provocação do intelecto, já que nem sempre é possível estabelecer uma relação óbvia com a obra. mas para aí a minha análise, e procuro simplesmente me deixar levar pelo enlevo estético ou intelectual, “saboreando” a arte, como boa hedonista que sou 🙂

não tenho/tinha opinião formada sobre fotografia como arte, mas gosto de fotografar como forma de registro, simplesmente. nunca pensei nas minhas fotos como forma de arte, em absoluto. comprei minha primeira câmera analógica com vinte e poucos anos, e a primeira digital com mais de 30. nunca usei câmeras que não fossem automáticas, nunca me interessei pela parte técnica da fotografia, pra mim trata-se somente de registro para a memória, e sou dessas pessoas que voltam às fotos com frequência, para lembrar e reviver.

meu acervo digital pessoal começou em 2005, e já tenho incríveis 8 mil fotos no flickr (ferramenta que gosto muito), provando que fotos me divertem. minhas fotos não são artísticas, e às vezes nem são boas — não me importo. elas servem bem ao propósito de lembrança e registro, alimentam a memória e me ajudam a reviver emoções, situações. acho a discussão meramente interessante, mas tem quem critique com emoção a popularização da fotografia, o que eu acho bobagem. deixem que fotografem, oras. nem todos precisam ou mesmo querem ser artistas. gente como eu quer só poder lembrar do momento.

esse não é um assunto que ocupa meu tempo, ou meus pensamentos. semana passada vi a polêmica sobre este fotógrafo que capturou imagens dos seus vizinhos, e fez uma exposição que ficou famosa (além de vender as fotos por muitos dinheiros). ele alega que não há caracterização, e que as fotos são nada mais que uma composição usando elementos (pessoas/locais), não há exatamente invasão de privacidade ou uso de imagem. é arte, como um quadro pintado usando alguém como referência. o objeto sendo retratado deixa de ser um indivíduo específico para ser um representante universal do ser humano, na obra, naquele instante retratado. entendo a comoção do indivíduo que ficou na foto, mesmo sem caracterização; entendo a sensação de invasão. mas pra ser sincera, fico mais do lado do artista. seu olhar e a beleza do ensaio são mais importantes que o indivíduo.

(mas essa é minha opinião pessoal e de não envolvida. fosse eu nas fotos, talvez pensasse diferente)

**

e aí, neste fim de semana, encontramos com alguns amigos para um almoço. sempre tiramos fotos, e compartilhamos no instagram, e facebook, faz parte da diversão dos encontros em época de redes sociais. fotografo muito minha casa, meu filho, minha família e amigos, meu entorno. é uma forma de lembrar, e também de viver com os que moram longe através das redes sociais.

a adriana estava fotografando com uma câmera mais chique, diferente de nós todos carregando iphones. (hoje em dia eu estranho gente carregando câmeras, veja só). ela não é uma amiga íntima  — é amiga de uma grande amiga, e uma pessoa muito querida. além de ser a paixão da vida do otto, que a amou desde o primeiro contato. e bem no final do dia ela publicou no facebook duas fotos que me emocionaram profundamente, vejam vocês mesmos:

Gente, olha essa foto da @dricota e me diz: é muito amor pra sorrir assim; é muito amor pra fotografar assim! <3
otto, feliz brincando com ela

Mais uma roubada da @dricota -- lindos <3
fernando e otto doentinho

as fotos não são “apelativas”, tipo cachorrinho bebê ou daquelas composições feitas para causar emoção. mas essas fotos me causaram uma emoção fortíssima, e não só porque estão ali retratados meu filho e meu marido e companheiro. as fotos são lindas, tecnicamente, mas o que me levou às lágrimas foi o retrato tão transparente das emoções nas pessoas ali na foto.

na primeira, a felicidade do otto é contagiante. ele sorri com a boca (enorme!) e com os olhos, e não é um sorriso qualquer: é um sorriso pra ela, especial, porque ele adora a adriana. desde a primeira vez que a viu ele demonstrou um carinho e afinidade enormes, espontâneos, muito bonitos de ver. e ela, com a câmera, eternizou esse carinho e felicidade perfeitamente. e quão lindo é poder olhar mil, 10 mil vezes para essa foto e reviver essa emoção, esse amor? quanta generosidade e entrega é preciso ter para conseguir captar isso num clique? não é só o amor dele por ela que está nesta foto, é também o carinho dela por ele que está lá.

a segunda me emociona todas as vezes que olho, porque além de estarem lindos na foto, a pose e os olhos (em especial do fer) são transparentes e revelam todo amor e emoção que sentem estes dois um pelo outro. essa relação de entrega do otto com o pai (em especial quando frágil e doente como estava neste dia) fica nítida, assim como o abraço protetor e o olho de leão do fer. eu, a mãe e companheira, já tinha visto e sentido esse amor feroz que ele tem pelo otto, no dia a dia. é um amor tão grande e protetor que parece amor de bicho. é um amor diferente do meu, que sou muito mais solta e leve com o meu filho, mãe-macaca-orangotanga. o fer é pai tigre, pai leão. pai que protege, guarda, cuida e mata quem tentar chegar perto.

essa foto é a síntese do amor deste pai por este filho, é um retrato de amor feroz e de entrega absoluta. lindo, emocionante, translúcido. emoção eterna, que posso reviver sempre que olhar para esta foto.

agradeço com todo coração à adriana pelo lindo olhar, e pelo registro. e depois de anos sem pensar neste assunto, penso: como não considerar estas fotos como arte? são em tese retratos banais, de um almoço na casa de amigos. são pessoas comuns, cenários comuns. mas o amor e as emoções retratadas são universais. a alegria do otto é a alegria de todas as crianças do mundo que sorriem porque existem e amam; o olhar de abandono do menino e de proteção do pai representam todos os pais e todos os filhos da história da humanidade.

não tenho o devido afastamento para julgar, de verdade, mas pra mim essas fotos podiam ir diretamente para uma exposição de arte. ou para um dicionário, nos verbetes “alegria” e “proteção”.

obrigada, dri.

<3

love is the pleasures untold

fevereiro 12, 2007 Leave a comment

uma das coisas mais deliciosas da vida, recentemente experimentada, é amar não pelo que o outro diz, faz ou demonstra, mas simplesmente pelo que ele é, que não é pouco.

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ainda vou fazer uma série alternativa do antigo amar é… pra compartilhar um pouco das pedras no caminho de quem resolve se apaixonar, se relacionar com alguém e (coragem das coragens!) casar, vai umas das primeiras pérolas da série:

amar é… jogar as coisas na cara do outro (de preferência em público, pra evitar réplicas) 😉

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por esses dias entre fim de janeiro e início de fevereiro (eu obviamente eu não sei qual é o dia, shame on me) eu e o marido completamos 4 anos de história e 1 ano de apartamento novo/nosso. nenhum de nós dá bola pra “datas especiais”, mas aniversários de relacionamento são legais para lembrar de como as coisas aconteceram lá no ano 1, para rir dos desencontros e medos bobos e também para suspirar com a lembrança da paixão incontrolável da época (que graças a deus amenizou bastante, senão já estaríamos mortos a essa altura *hahahahahha*).

outra coisa legal desses eventos é ver que depois destes anos há sentimentos ainda mais fortes, uma história que não é de um só e a sensação gostosa de ainda ter muito a descobrir e viver juntos. como se fosse só o começo de tudo, a cada ano.

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olhem: casar é bom. vale inclusive o inferno que é descasar, quando as coisas não dão certo. é sério, acreditem em mim, eu já casei 3 vezes 🙂

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love is a shiny car

love is a steel guitar

love is a battle scar

love is the morning star

love is a twelve-bar blues

love is your blue suede shoes

love is a heart abused

love is a mind confused

love is the pleasures untold

and for some love is still a band of gold

my love has no reason has no rhyme

my love crossed the double line

love is a minor chord

love is a mental ward

love is a drawn sword

love is it’s own reward

ouça aqui.

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