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mac & cheese

outubro 21, 2013 Leave a comment

ouvi dizer que essa é única receita verdadeiramente americana, será? não sei qual é a história verdadeira desse prato, e confesso que não é das combinações que eu mais gosto, mas o marido adora macarrão e queijo, então resolvi fazer um agrado 🙂

parecia simples — macarrão e muito queijo — e de fato é. mas há algumas pegadinhas que ficaram claras nesta minha primeira experiência, que vou compartilhar com vocês pra facilitar.

o segredo desse prato é o molho de queijo. em primeiro lugar, é preciso muito molho (1L para cada 1/2 pacote de macarrão, no mínimo); a escolha dos queijos é importante também: como não é fácil achar cheddar, optei pelo queijo prato cuja cor e nível de gordura me parecem equivalentes, mas o sabor é bem mais suave.

as receitas que encontrei pedem sempre 2 queijos: cheddar e outro queijo amarelo (gouda, ementhal, parmesão). nesta tentativa usei prato e ementhal, mas acho que faltou a personalidade de algum queijo mais forte. na minha opinião o parmesão (de boa qualidade, não de saquinho) é indispensável se não houver o cheddar.

o tipo de macarrão também é importante, não é à toa que o prato tradicionalmente se faz com o que parece um cotovelo pequeno — o formato de furo no meio é interessante para que o molho se aloje, e cozinhe junto com o macarrão.

os croutons em cima, ou farinha de rosca como eu usei, são também importantes para criar uma casquinha do gratinado (o que me lembra que é preciso ter paciência para gratinar e ficar bonito e gostoso, ou usar um grill como eu usei).

então, receita do sucesso para o mac&cheese: muito molho; bons queijos fortes; macarrão de furinho; casquinha do gratinado.

Meu 1o mac&cheese!
vamos à receita 🙂

 

ingredientes

1L de leite aquecido

6 colheres de sopa de manteiga

1 xícara de farinha de trigo

noz moscada, sal e pimenta a gosto

2 xícaras de queijo prato ralado (ou cheddar)

2 xícaras de ementhal ou gouda ralado

1 xícara de parmesão de boa qualidade ralado

1/2 pacote de macarrão de cotovelo ou qualquer um curto com furo no meio

farinha de rosca para polvilhar em cima do prato

 

utensílios

ralador, 2 panelas, 1 refratário para assar

 

modo de fazer

unte o refratário e reserve; deixe o forno pré-aquecendo em 180C.

rale todos os queijos, separe 1/3 de cada um para polvilhar por cima do macarrão no final e reserve o restante para o molho.

numa panela grande, coloque água com sal para fazer o macarrão. ele deve ser preparado conforme instruções da embalagem, tirando 2-3 minutos ANTES do tempo de cozimento (ele vai ficar um pouco cru, mas vai cozinhar com o molho no forno, não se preocupe). escorra o macarrão e lave em água fria para interromper o cozimento. reserve.

numa panela grande, derreta a manteiga completamente, e adicione a farinha. mexa, cozinhando por cerca de 1 minuto, e então comece a adicionar o leite aquecido aos poucos, até o fim, sempre mexendo. continue mexendo, até que a mistura engrosse como um mingau ralo. coloque sal, noz moscada (não exagere, senão fica horrível) e a pimenta.

desligue o fogo, adicione os queijos ralados, misture bem até derreter tudo. adicione então o macarrão já cozido, misture bem e coloque tudo no refratário untado. jogue por cima o 1/3 de queijos separado, e por cima de tudo polvilhe a farinha de rosca formando uma camada fina.

Me digam se não é amor: eu, que nem curto tanto queijo, acabo de colocar no forno um autêntico mac&cheese

leve ao forno médio por 30min no mínimo, ou até dourar em cima. no meu forno não chegou a dourar completamente nos 30min, então liguei o grill por 5min e ficou lindo!

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receitas e não-receitas

abril 23, 2013 7 comments

as coisas que fazem mais sucesso aqui nesse blog, desde sempre, são minhas receitas (ou as que não são minhas mas que testo e aprovo) e opiniões. as receitas eu acho perfeitamente compreensível, afinal todo mundo come e gosta de comer, e procuro fazer receitas fáceis a maioria das vezes. já as opiniões, credito puramente ao meu desejo de diálogo, porque o que comprovo na prática, todo dia, é que penso bem diferente da maioria das pessoas que cruzam meu caminho todos os dias (amigos inclusos).

tenho me sentido muito incomodada nos últimos meses observando o mundo e pessoas próximas, através de redes sociais e do convívio do dia a dia. pela segunda vez na vida tenho desejos de isolamento (o primeiro foi no final da adolescência, quando entrei para a vida adulta) e estou de “saco cheio” generalizado com as pessoas, em especial com o que é diferente de mim e coisas sobre as quais discordo. justamente porque já vivi isso e depois concluí que me tornei uma chata pedante por alguns anos, decidi que desta vez preciso entender melhor o processo e ao invés de me afastar simplesmente do que me incomoda, vou encarar e aprender, por mais que seja desagradável.

há mais ou menos 1 ano vivo um processo ativo de mudança de hábitos, e de vida. há uma manifestação externa e mais óbvia da mudança (há 9 meses comecei uma dieta de perda de peso) mas isso é muito menor que tudo o que passa aqui dentro. venho observando o que me incomoda, nos outros e em mim mesma. tenho repensado decisões, amizades, direções, e tenho reestruturado não somente meu cardápio mas também meu comportamento geral, disponibilidade e paciência para as pessoas. tive nos últimos meses muitas conversas francas (e difíceis), expus incômodos e em alguns casos, não expus e deixei pra lá. sobraram incômodos não expressos, mas também decidi não gastar energia com questões fechadas. repito meu mantra pessoal, continuamente: problemas que não têm solução não são problemas. deixo partir, como mera observadora.

não faz 1 ano ainda que voltei a praticar a bendita ioga (e pratico muito menos do que gostaria e deveria), e uma constatação triste é que deixo meu pobre corpo sempre em segundo plano. mesmo quando pratico ioga, meu fascínio maior é sempre quanto à filosofia envolvida e todas as questões da dualidade entre corpo/consciência. a verdade é que esse tem sido meu drama constante — a energia enorme consumida no mundo interior/imaginário versus a necessidade de concretização e enfrentamento da realidade.

não é que eu não seja prática — sou bastante. mas somente com o que é essencial, necessário para a sobrevivência. podendo divagar e me perder no mundo etéreo, pode me esquecer. até porque viver no universo paralelo (dormindo ou acordada) é muito, muito mais fácil que enfrentar a realidade fora do meu controle 🙂

mas divago. (claro)

no mundo exterior, meu esforço é domar os impulsos alimentares, aprendendo a comer de tudo um pouco, balanceando prazer e saúde. quero comer o mundo todo, às colheradas. pois aprendo a cada dia, um de cada vez, que é possível provar todos os gostos, um tico por vez, saboreando mais. degustando devagar, e sempre. quero colocar o mundo todo pra dentro do meu universo, do corpo, em contraposição à necessidade de colocar também coisas pra fora, fazer com que meu corpo acorde, se mova, saia da inércia e interaja com o mundo concreto. preciso mover a energia de dentro pra fora, transformar potencial em cinética.

tudo que preciso acelerar no corpo, preciso desacelerar na mente, na mesma medida. esvaziar, tranquilizar. dissipar raiva, frustração, julgamento. dissolver o ego, parar de olhar (e julgar) o outro, eliminar a necessidade do espelho (real e também o mais difícil deles, o que se encontra em quem não somos). descobrir o porquê dos incômodos, da inveja, da falta de paciência, ir ao fundo desse poço, pra que possa finalmente me dedicar às não-receitas, a simplesmente viver e deixar que vivam, sem categorizar ou racionalizar tanto.

meu pai, homem maluco e sábio do seu jeito, sempre tentou me ensinar a ser mais livre, menos exigente, a improvisar com o que aparece na vida. mais ou menos como ele faz, em sua profissão de marceneiro: transformar com as mãos a madeira bruta em algo útil ou simplesmente bonito. aos 41 concluo que o improviso e a flexibilidade são artes, sim. são úteis, são também uma forma de ser feliz.

ainda aprendo, papi!

**

e como não podia deixar de ser, em especial neste post, cumpro uma dívida antiga e coloco uma não-receita (e uma das muitas histórias divertidas) do meu pai.

todos em casa cozinham bastante bem, e meu pai é um dos melhores. seus pratos são sempre caóticos, servem dezenas de pessoas e não têm receita. das coisas que ele faz muito bem é o molho bolonhesa, desde que me lembro. quando cresci um pouco, pedi que me ensinasse a fazer o molho, e ele sempre dizia “não tem nada demais: tempero, carne moída e tomate!”. mas nenhum molho era igual ao dele, nunca.

até o dia em que fui junto comprar os ingredientes para o danado do molho, e ao pararmos no açougue tive o momento “ah-ha!” — ele pediu acém moído na hora, mas mandou misturar mais ou menos 1/3 do volume de carne de porco e mais um pedaço de bacon!

fiquei p da vida com o “segredo”, e ele riu muito da minha indignação, com aquela cara de “peguei você!”. eu devia ter desconfiado, tendo aprendido a jogar buraco com ele, que é do estilo esconde-o-jogo-e-pega-todo-mundo-de-surpresa. tinha segredo, claro, e era a deliciosa carne de porco e bacon.

então a receita é assim, estilo maravalhas:

ingredientes

carne moída magra

1/3 do mesmo volume de carne de porco magra moída

um pedaço de bacon de boa qualidade moído

cebola

alho

pimenta do reino

tomate pelado / molho de tomate

azeite

 

utensílios

panela, colher, faca, tábua

 

modo de fazer

refogue a cebola ralada, até secar um pouco mas sem dourar. adicione o alho amassado, só para tomar cor. coloque então em fogo bem alto as carnes misturadas, tempere com sal e pimenta a gosto e refogue, mexendo bem, até a carne toda tomar cor mas sem secar.

adicione o molho ou os tomates pelados, até que cubram a carne e formem um molho bem grosso. acerte o sal e a pimenta. salpique um tico de canela (esqueci de avisar né? receita do meu pai é assim), misture bem e deixe apurar em fogo baixo.

sirva com macarrão fresco, que é o preferido do meu pai (não coloque óleo do cozimento do macarrão, faça o favor), e muito queijo parmesão ralado na hora.

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que a vida seja mais leve, mas que não falte o talharim a bolonhesa nunca! 🙂