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entre a arte e o registro

setembro 23, 2013 6 comments

a popularização das câmeras digitais e smartphones mudou o mundo — na época que eu era criança, câmeras fotográficas eram raras, coisas que custavam muito dinheiro, assim como os filmes e o processo de ampliação. era todo um mundo mágico, esse das fotografias, reservado àqueles com condição financeira e conhecimento técnico somente. minha tia mais chique e exótica era (ainda é) fotógrafa, e sempre a vi como artista.

bem mais tarde, quando comecei a me interessar pelas artes em geral e estudar um pouco de história da arte, me deparei com a questão do que é ou não arte. achei curioso o quanto esse assunto é polêmico e gera discussões acaloradas. sempre me perguntei por que tanta preocupação com o que é ou não arte? pessoalmente, sem nenhuma análise filosófica ou estética, consumo arte como meio de obter prazer e como fonte de reflexão. gosto muito da arte moderna exatamente pela provocação do intelecto, já que nem sempre é possível estabelecer uma relação óbvia com a obra. mas para aí a minha análise, e procuro simplesmente me deixar levar pelo enlevo estético ou intelectual, “saboreando” a arte, como boa hedonista que sou 🙂

não tenho/tinha opinião formada sobre fotografia como arte, mas gosto de fotografar como forma de registro, simplesmente. nunca pensei nas minhas fotos como forma de arte, em absoluto. comprei minha primeira câmera analógica com vinte e poucos anos, e a primeira digital com mais de 30. nunca usei câmeras que não fossem automáticas, nunca me interessei pela parte técnica da fotografia, pra mim trata-se somente de registro para a memória, e sou dessas pessoas que voltam às fotos com frequência, para lembrar e reviver.

meu acervo digital pessoal começou em 2005, e já tenho incríveis 8 mil fotos no flickr (ferramenta que gosto muito), provando que fotos me divertem. minhas fotos não são artísticas, e às vezes nem são boas — não me importo. elas servem bem ao propósito de lembrança e registro, alimentam a memória e me ajudam a reviver emoções, situações. acho a discussão meramente interessante, mas tem quem critique com emoção a popularização da fotografia, o que eu acho bobagem. deixem que fotografem, oras. nem todos precisam ou mesmo querem ser artistas. gente como eu quer só poder lembrar do momento.

esse não é um assunto que ocupa meu tempo, ou meus pensamentos. semana passada vi a polêmica sobre este fotógrafo que capturou imagens dos seus vizinhos, e fez uma exposição que ficou famosa (além de vender as fotos por muitos dinheiros). ele alega que não há caracterização, e que as fotos são nada mais que uma composição usando elementos (pessoas/locais), não há exatamente invasão de privacidade ou uso de imagem. é arte, como um quadro pintado usando alguém como referência. o objeto sendo retratado deixa de ser um indivíduo específico para ser um representante universal do ser humano, na obra, naquele instante retratado. entendo a comoção do indivíduo que ficou na foto, mesmo sem caracterização; entendo a sensação de invasão. mas pra ser sincera, fico mais do lado do artista. seu olhar e a beleza do ensaio são mais importantes que o indivíduo.

(mas essa é minha opinião pessoal e de não envolvida. fosse eu nas fotos, talvez pensasse diferente)

**

e aí, neste fim de semana, encontramos com alguns amigos para um almoço. sempre tiramos fotos, e compartilhamos no instagram, e facebook, faz parte da diversão dos encontros em época de redes sociais. fotografo muito minha casa, meu filho, minha família e amigos, meu entorno. é uma forma de lembrar, e também de viver com os que moram longe através das redes sociais.

a adriana estava fotografando com uma câmera mais chique, diferente de nós todos carregando iphones. (hoje em dia eu estranho gente carregando câmeras, veja só). ela não é uma amiga íntima  — é amiga de uma grande amiga, e uma pessoa muito querida. além de ser a paixão da vida do otto, que a amou desde o primeiro contato. e bem no final do dia ela publicou no facebook duas fotos que me emocionaram profundamente, vejam vocês mesmos:

Gente, olha essa foto da @dricota e me diz: é muito amor pra sorrir assim; é muito amor pra fotografar assim! <3
otto, feliz brincando com ela

Mais uma roubada da @dricota -- lindos <3
fernando e otto doentinho

as fotos não são “apelativas”, tipo cachorrinho bebê ou daquelas composições feitas para causar emoção. mas essas fotos me causaram uma emoção fortíssima, e não só porque estão ali retratados meu filho e meu marido e companheiro. as fotos são lindas, tecnicamente, mas o que me levou às lágrimas foi o retrato tão transparente das emoções nas pessoas ali na foto.

na primeira, a felicidade do otto é contagiante. ele sorri com a boca (enorme!) e com os olhos, e não é um sorriso qualquer: é um sorriso pra ela, especial, porque ele adora a adriana. desde a primeira vez que a viu ele demonstrou um carinho e afinidade enormes, espontâneos, muito bonitos de ver. e ela, com a câmera, eternizou esse carinho e felicidade perfeitamente. e quão lindo é poder olhar mil, 10 mil vezes para essa foto e reviver essa emoção, esse amor? quanta generosidade e entrega é preciso ter para conseguir captar isso num clique? não é só o amor dele por ela que está nesta foto, é também o carinho dela por ele que está lá.

a segunda me emociona todas as vezes que olho, porque além de estarem lindos na foto, a pose e os olhos (em especial do fer) são transparentes e revelam todo amor e emoção que sentem estes dois um pelo outro. essa relação de entrega do otto com o pai (em especial quando frágil e doente como estava neste dia) fica nítida, assim como o abraço protetor e o olho de leão do fer. eu, a mãe e companheira, já tinha visto e sentido esse amor feroz que ele tem pelo otto, no dia a dia. é um amor tão grande e protetor que parece amor de bicho. é um amor diferente do meu, que sou muito mais solta e leve com o meu filho, mãe-macaca-orangotanga. o fer é pai tigre, pai leão. pai que protege, guarda, cuida e mata quem tentar chegar perto.

essa foto é a síntese do amor deste pai por este filho, é um retrato de amor feroz e de entrega absoluta. lindo, emocionante, translúcido. emoção eterna, que posso reviver sempre que olhar para esta foto.

agradeço com todo coração à adriana pelo lindo olhar, e pelo registro. e depois de anos sem pensar neste assunto, penso: como não considerar estas fotos como arte? são em tese retratos banais, de um almoço na casa de amigos. são pessoas comuns, cenários comuns. mas o amor e as emoções retratadas são universais. a alegria do otto é a alegria de todas as crianças do mundo que sorriem porque existem e amam; o olhar de abandono do menino e de proteção do pai representam todos os pais e todos os filhos da história da humanidade.

não tenho o devido afastamento para julgar, de verdade, mas pra mim essas fotos podiam ir diretamente para uma exposição de arte. ou para um dicionário, nos verbetes “alegria” e “proteção”.

obrigada, dri.

<3

fim do mundo o quê, rapá!

dezembro 21, 2012 4 comments

eu e meu mocinho guarda-costas, semana passada. eu sorrindo, como quase sempre, e ele com essa cara de mau que definitivamente não tem, era só graça mesmo.

que 2013 seja lindo!

Marrento, de cabelinho novo <3 (OU guarda-costas da mamãe)

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bolo gelado e brigadeiro chique

agosto 29, 2012 14 comments

sou super fã do le chef gatô, vocês sabem, o melhor brigadeiro que já provei. ano passado encomendei todos os brigadeiros da festa do otto com ele, e foi sucesso absoluto (até hoje as pessoas comentam “ahhh o brigadeiro…”).

esse ano resolvi que não encomendaria nada que pudesse preparar em casa para a festa, comprei somente os ingredientes, enfeites e pães. fiz um “tema culinário” saudosista — comidas e bebidas da nossa infância (nós = nascidos na década de 70). tivemos carne louca, bolo salgado de pão pullmann (um clássico das festas de pobre dos 70 e 80!), batata bolinha vinagrete pra comer de palitinho, pipoca, brigadeiro e bolo gelado de coco (sim, é aquele embrulhado no papel alumínio, super molhadinho).

como o bolo ficou bem bom e o brigadeiro ficou ótimo (apesar de não ser à altura do brigadeiro do ednei), vou compartilhar a receita com quem quiser arriscar, especialmente porque apesar de encontrar algumas receitas na internet, nenhuma ficou boa de cara, fiz adaptações e mudanças importantes. aqui vão então as minhas receitas.

brigadeiro chique

Feito em casa (mas com Callebaut e Président!)

1 lata de leite condensado moça (não use outro, não é igual)

75g de chocolate belga ao leite (usei callebaut, comprei online aqui)

75g de chocolate belga 70% (usei callebaut, comprei online aqui)

1 colher cheia de manteiga sem sal, em temperatura ambiente (usei président)

para cobrir usei granulado callebaut também, do ao leite e do meio amargo, para variar. precisa de pouco granulado, mas não sei dizer exatamente quanto, talvez um prato raso, 100g mais ou menos?

utensílios: você vai precisar de 1 panela de fundo grosso, 1 colher de pau, 1 pratão pra esfriar o brigadeiro, 1 pratão para o granulado e forminhas de papel.

nada é mais simples que fazer brigadeiro: em fogo baixo, adicione a manteiga, o leite condensado, o chocolate e mexa, mexa, mexa. sempre prestando atenção ao fundo da panela, porque a mistura vai ficar homogênea e começar a soltar do fundo. a massa pega “liga” e forma uma película no fundo — quando você mexe a massa e vê claramente o fundo da panela, é porque está bom, é coisa de 10min no máximo. não se preocupe se parecer um pouco mole, o brigadeiro precisa esfriar para enrolar. coloque num prato, coma todo o restinho da panela e da colher, por favor, e espere.

ao esfriar, chame alguém pra ajudar (fazer brigadeiro com os amigos é muito mais legal) unte as mãos com manteiga e use uma colher de chá para ir tirando pequenas porções para enrolar na palma das mãos. passe pelo granulado, coloque na forminha e pronto.

ficou simplesmente maravilhoso, sem modéstia nenhuma (até porque quem fez todas as receitas, sob supervisão minha e da minha mãe, foi o weno :))

 

bolo gelado

Bolo gelado

6 ovos em temperatura ambiente

3 xícaras de açúcar (usei 2 e 1/2)

4 xícaras de farinha

1 colher de sopa de manteiga sem sal em temperatura ambiente

1 xícara de leite fervendo

1 colher de sopa de fermento em pó

para o caldo/cobertura: 1 lata de leite condensado, 1 garrafinha de leite de coco, 1 medida da lata de leite, coco ralado seco

utensílios: batedeira eu nunca dispenso, colher para medir e mexer, xícara para medir, forma quadrada/retangular grande, garfo para furar, vasilha para o caldo, concha para o caldo, faca e colher para cortar e separar, papel alumínio, outro papel bonitinho pra embalar, se quiser

unte a forma com manteiga e enfarinhe, reserve. misture os ingredientes da calda e reserve.

separe os ovos, bata as claras em neve bem firme e reserve (eu coloco 1 colher de açúcar da receita pra manter a clara reservada, dura melhor). bata as gemas e açúcar por mais ou menos 10min, ou até criar volume tipo uma gemada. adicione aos poucos o leite, a manteiga e a farinha, até incorporar tudo muito bem.

à mão, adicione o fermento e por último as claras, com cuidado, até incorporar tudo.

asse em forno médio-baixo por cerca de 30min ou até o bolo dourar levemente. atenção — o bolo não deve dourar demais, a casca precisa ficar fina tanto em cima quanto embaixo! faça o teste do palito pra ver se está pronto, e tire do forno logo que estiver bom.

tire o bolo do forno, fure com um garfo (usei um garfão de churrasco) o bolo todo (para a calda penetrar) e jogue a calda com a concha, aos poucos, vá observando o bolo absorver o líquido. coloque tudo, com paciência. ao acabar, corte o bolo em pedaços do tamanho que vai querer embrulhar (normalmente pedaços pequenos. esse bolo dá uns 40 pedaços!), com bastante cuidado pra não quebrar. lembre que o bolo está morno e molhado, corte com carinho. coloque o coco ralado por cima, e coloque na geladeira.

deixe gelar por 3h e então comece a embalar 1 a 1, com o papel alumínio (eu cortei tudo antes de embalar, pra facilitar) e depois com outro papel, se quiser. usei embalagens de bem casado, e fechei com adesivinhos em forma de bolinha.

sirva em caixa imitando bolo, ou na mesa mesmo. sucesso absoluto! 🙂