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bibigão

janeiro 9, 2014 2 comments

Ontem tive uma onda (boa) de nostalgia quando vi uma foto no IG: um balde cheio de bibigão (o nome “correto” é berbigão)! Quando criança, íamos à praia do centro em Caraguá, nas férias, e enchíamos os baldinhos desses mariscos. A minha mãe levava pra casa e fazia arroz com eles, e a gente comia lambendo os beiços. Lembrei de todas as inúmeras férias que repetimos o mesmo ritual, dia após dia,naqueles dias quentes de verão. Fiquei com saudade das férias com meus irmãos e primos, da casa da minha avó pertinho da praia, do picolé na beira do mar.

E pra matar a saudade, hoje almocei espaguete com frutos do mar, cheio de marisco com casquinha, e o Otto experimentou pela primeira vez (adorou! E tirou o marisco da casca como se tivesse feito isso a vida toda).

Nada é mais importante e valioso que as experiências afetivas, que as viagens e a vivência familiar. Essas lembranças são como tesouros, só esperando para serem resgatados. 

resgate de memória

outubro 16, 2013 Leave a comment

nos últimos dias tive a oportunidade de rever aspectos da minha vida através da memória. não “penso na vida” todos os dias, até porque sou muito prática e me concentro bastante em fazer as coisas acontecerem no dia a dia. não passo tempo revivendo o passado e nem elucubrando muito sobre o futuro, atividades que considero tão úteis quanto ver TV. mero passatempo. mas nesses dias reencontrei um amigo que fez parte da minha vida há mais de 20 anos, e fiz um resumo do que houve neste tempo, e como estou hoje, o que acabou sendo um grande exercício de reviver o passado. e graças a uma conversa com uma amiga que acabou de se separar, acabei também relembrando passagens da minha história que há muito tempo não vinham à tona.

também tive a oportunidade nos últimos dias de fechar um ciclo que vinha me incomodando, por interpretá-lo como círculo vicioso. encerrar uma etapa e ir para a próxima também requer alguma revisão, então relembrei, pensei, analisei o que vivi por outro ângulo, já sem a paixão do momento, o que ajuda a colocar coisas nos seus devidos lugares.

(digo de passagem que é impressionante como meus 3 anos de terapia foram um divisor claro de águas. sem medo de errar digo que minha vida se divide em antes e depois da terapia, e mudou pra muito melhor. por  mais que eu creia que investir na saúde e equilíbrio mental seja tão importante quanto comer bem e se exercitar, também creio que terapia infinita não é boa ideia. acomoda, vira muro de lamentações, penélope tecendo até o fim dos dias. meu processo terapêutico me ensinou a lidar com situações e pessoas de uma forma mais saudável, objetiva. sem drama, sem punheta mental.)

relembrar e reviver algumas coisas foi curioso — percebi o quanto minha vida mudou, e quantas decisões eu tomei pra que ela mudasse. não só nos últimos 20 anos, como era de se esperar (entre eu-recém-formada e eu-mãe-e-executiva há um abismo, claro), mas nos últimos 5 anos. ao olhar de longe, de cima, vi uma trajetória clara. é como se eu olhasse minha vida no google maps, e fosse afastando até poder ver origem-destino, bem de longe. e vi um caminho que eu construí e escolhi, do qual tenho muito orgulho e amo. a despeito dos muitos erros que cometi no caminho, seja tomando decisões equivocadas ou errando com pessoas que cruzaram minha vida, o trajeto se manteve. pequenos desvios, aqui e ali, não me atrapalharam. não peguei nenhuma encruzilhada da qual me arrependo, e que demandaria um retorno longo e doloroso.

todos os meus erros e equívocos não me desviaram do caminho. e o mais curioso é que eu nunca soube (não sei ainda, talvez) onde quero chegar. nunca fui do tipo de pessoa que se coloca metas de longo prazo, que tem planos mirabolantes e anota conquistas no papel pra “pedir pro universo” (acho isso tudo uma bobagem sem fim). minhas metas são sempre de curto prazo, muito práticas. e ainda assim, revendo minha história, existe um norte não-físico, tão claro: ser mais simples, ser tranquila, ser feliz.

fiz um resumão da minha vida e concluí que: faço um trabalho que me dá grande prazer intelectual e orgulho, que me proporciona relacionamentos interessantes, com pessoas inteligentes, complexas; meu núcleo familiar me traz felicidade e desafia constantemente. não é fácil manter qualquer relacionamento, mas percebi que me nunca é, e que o importante é o desejo de continuar no mesmo caminho (e isso está claro); mantenho uma relação legal e tranquila com minha família e amigos, sem grandes badalações, sem cobranças; moro num local que amo, e tenho tudo o que preciso para viver; viajo com frequência, o que é um fator importante de felicidade pra mim; tenho saúde, gosto de mim mesma, todos que eu amo estão bem.

lembrar minha história me fez ver como estou hoje muito melhor que ontem e antes de ontem e antes-de-antes. justamente como acredito — esta, a atual, é a melhor época da minha vida. há coisas específicas que foram melhores em outras épocas? claro que há. todas pontuais, e eu já aprendi que não se pode ter tudo, sempre, tudo ao mesmo tempo. já não crio mais essas expectativas, simplesmente agradeço pelo que tenho, olho com amor o que conquisto, abro mão do que já não tenho mais, não é meu. já foi.

e no fim das contas, percebi que o fato de ser feliz a maior parte do tempo tem a ver não com o caminho, mas com meu andar. sem tanto peso, sem destino certo, fazendo a trilha conforme ando, me adaptando e deixando no caminho coisas que não me fazem feliz, que não agregam.

são as escolhas instantâneas, aquelas no decorrer de cada dia, que fazem a diferença. não houve e não haverá um evento, uma mudança cósmica e mágica, uma escolha sensacional. há o abrir os olhos de manhã, fazer todas as pequenas escolhas no decorrer do dia, e a gratidão por estar aqui vivendo essa vida, do jeito que eu escolhi.

o que traz felicidade é ter escolha. eu tenho, e sou.

retrospectivas pessoais

dezembro 4, 2012 2 comments

já pensaram no quanto é legal poder resgatar memórias, e saber exatamente o que se pensava/sentia num determinado dia, há 10 anos? pois é. eu sei! graças a esse blog aqui, consigo revisitar a mim mesma, 10 anos atrás.

em 2002 mandava um recado para uma amiga em dificuldade, que sempre sofreu muito em dezembro. espero que ela sofra menos hoje, que seja mais feliz. eu estava extremamente infeliz naquela ocasião, disso me lembro bem.

no ano seguinte, quando me casei com o fer, dezembro foi mês de promessa e poesia.

em 2004 eu estava tão envolvida no trabalho que só publiquei coisas aleatórias (e foi engraçado reviver esse “modo”…)

2005 foi o ano em que o pixel morreu. ano em que compramos nosso apartamento, que “casamos” de verdade. larguei de emprego, pra ir pra outro muito mais legal. acho que este foi o ano que entrei mesmo nos 30, e na idade adulta, por incrível que pareça.

descobri que em 2006 eu estava simplesmente feliz, esperançosa. não é bonito? 🙂

não lembrava que 2007 tinha sido difícil, mas só a perda de um dos meus melhores amigos já seria motivo pra estragar o ano. mas foi o ano que conheci a grécia, e que decidi (novamente) mudar de emprego e vir para o interior de SP. entre mortos e feridos, fui salva.

o ano seguinte foi arrastado, e lendo meu post de despedida dele lembrei de tudo. ano sem férias, muito trabalho e coisas novas, isolamento na nossa floresta particular… ano de mudanças. boas, eu acho, olhando pra trás.

eu estava com a macaca em 2009, e cheia de pensamentos profundos. acho que foi nesse ano que parei de dar corda pra quem só reclama, porque afinal eu sou GENTE QUE FAZ. e detesto quem não faz e só reclama/sofre. o recado continua atual 😀

(e resgatei esse post legal demais sobre a importância da escolha das palavras. e lembrei que já sabia da gravidez nesta altura, e não queria contar pra ninguém. consegui não entregar nadinha!)

e adivinhem? em dezembro de 2010 não tem post de natal nem ano novo e nem nada 😀 (o otto tinha 4 meses, e vocês sabem que o apelido era belzebu-menino, e não é à toa). em janeiro de 2011 escrevi sobre a ausência e sobre o que queria pra 2011 — amor, e o continuado espanto de observar uma nova vida sendo criada bem diante dos meus olhos.

como eu não sou de me acomodar, em 2011 mudei de novo, mas na mesma empresa. voltei de licença, mudei de área e ainda arranjei tempo pra escrever sobre o quanto é importante lembrar que sempre há caminho. às vezes é preciso abrir o caminho na marra, outras vezes basta esperar e ouvir o vento. mas sempre há.

**

e aqui estou eu, em 2012. menos de 1 mês pro ano mudar, e ano que vem, o ano 13, será o ano de 10 anos de casamento, e aniversário de amizades que duram uma vida toda. este ano, entrei nos 40. e de forma irônica, deixo o peso desta quarta década em 2012. 2013 será mais leve, mais jovem, mais divertido. os últimos anos foram difíceis, eu é que sei lendo nas entrelinhas. e aquele ano florido e feliz de 2006, se bem me lembro, teve contratempos que eu pollyannamente esqueci.

não há ano, nem vida, que seja fácil.

fiz 40, abri uma empresa (além do meu trabalho), mudamos de casa (um parto!), perdi a vesícula, dormi pouco, me estressei muitíssimo mais do que gostaria, escrevi pouco (se bem que lá no blog-de-mãe escrevi bastante!), voltei a praticar ioga. amo minha vida no interior, não troco por (quase) nada. estou feliz. podia ser mais feliz? podia. mas cada começa é pra isso mesmo — pra gente tentar ser mais feliz que ontem.

por isso persisto repudiando os reclamões, os encostados, aqueles que se entregam à tristeza e à apatia. todos temos dificuldades, enfrentamos barreiras, todos temos a oportunidade (a cada instante, minuto, dia, semana…) de mudar, fazer diferente, testar e encontrar nosso caminho. nem que seja a facão.

meu desejo para 2013 é que as pessoas que eu amo parem de reclamar e sentir pena delas mesmas, que tomem as rédeas das suas vidas, assumam suas escolhas e as consequências que vêm com elas. que deixemos o passado pra trás, e que o futuro seja uma meta e não uma obsessão. que o presente seja mais importante, que lembremos que a única forma de felicidade é a instantânea, e que ela, como tudo o mais na vida, passa. assim como as dificuldades e tristezas.

deixemos que a felicidade (e a tristeza, e o ciúme, a dor, os incômodos…) venham, se instalem, e passem. que possamos saborear cada sentimento e sensação como brisa ou tufão, mas sempre certos que vai passar, e que mais virá.

um brinde ao que está por vir.

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