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Posts Tagged ‘peso’

uma mudança importante depois de 13 meses

setembro 20, 2013 Leave a comment

há 13 meses iniciei uma mudança — resolvi perder peso, inicialmente tomando remédio e depois só mudando a alimentação (os exercícios ainda não fazem parte da mudança, apesar de saber da importância deles). tomei remédios por 2 meses, perdi 7kg rapidamente, e depois perdi mais 8kg lentamente, nos 10 meses seguintes.

tenho brigado com “platôs” de peso, experimentado algumas mudanças pequenas mas importantes na alimentação (e exercício que é bom, nada), e aos poucos vou baixando. ainda tenho 10-11kg para perder, idealmente. já não estou tão certa de que essa meta é realista, mas resolvi não encanar com números. porque, como disse em alguns posts aqui mesmo nesse blog, eu não sou um número, meu corpo não precisa estar em padrão nenhum. é só um corpo, é só um número na balança.

pois que percebi que esses platôs de peso são mesmo temporários, e que do primeiro “platô” até aqui, sem mudar quase nada, baixei 5kg. ou seja — devagar, e sempre. aos poucos meu corpo vai chegar onde for bom e saudável chegar. e estou tranquila, porque mesmo no início, com os remédios, minha alimentação tinha de tudo, eu não fiz por nem um único dia uma dieta restritiva com coisas proibidas.

algumas coisas mudaram depois da remoção da vesícula (outubro/12) — frituras, bebida alcoólica, gorduras e leite/iogurte me fazem mal. posso comer/tomar muito, muito pouco, ou realmente passo mal (vômito), então é só pra matar a vontade mesmo.

mas hoje, neste dia (e por isso vim aqui registrar a historinha, eu que acho chatíssimo falar de dieta), algo diferente aconteceu: me dei conta que não “estou” de dieta, mas que meus hábitos realmente mudaram. me dei conta disso na fila do restaurante por kilo, quando olhei para o meu prato e vi as comidas todas lá — montão de salada, arroz, grão de bico, pedaço de frango, um pedacinho de batata doce frita. dispensei a sobremesa. e tudo completamente sem pensar, sem sofrer! eu não fiquei balanceando a refeição na minha cabeça, eu peguei o que eu gosto, que estou acostumada a comer, e tudo com o maior apetite. as sobremesas me pareceram sem graça, nada que realmente me interessasse.

fiquei tão feliz! primeiro porque consegui o que queria, em vários sentidos — mudar meus hábitos pra melhor, baixar meu peso e continuar sendo feliz me alimentando, sem paranóia dos “alimentos proibidos”, comendo de tudo um pouco, do jeito que eu gosto.

meu cérebro mudou junto com meu corpo. e atribuo isso a 2 fatores — o tempo (o processo foi lento, dando tempo pro corpo/cérebro se ajustarem) e não restringir os alimentos. são 12 meses de dieta comendo pizza, doce, e o que quer que eu queira comer. algumas semanas eu perco, outras eu estaciono, outras eu ganho peso. mas no geral, estou perdendo. e ganhando em aprendizado sobre meu corpo, refazendo meus caminhos neurais, sem encher o saco de ninguém (especialmente o meu) com a dieta.

que agora, entendi, não é mais dieta. é minha deliciosa alimentação. que combinada com um pouco mais de movimentação da minha parte, vai me levar ao peso ideal (seja qual for) e a um corpo mais saudável.

menos medidas, mais felicidade e saúde.

\o/

você não precisa fazer cinquina no “bingo da vida”

junho 4, 2013 14 comments

gostei muito dessa matéria sobre a oprah em que ela fala um pouco da sua relação com corpo/peso. vou traduzir alguns pedaços que achei mais interessantes e também colocar meu ponto de vista e vivência sobre o assunto.

peso/aparência física tem sido um assunto importante pra mim desde menina, pois eu era a “gordinha” da família. minha irmã sempre foi magrela, minha mãe sempre teve um corpo lindo (nunca foi magra, mas longe de ser considerada gorda tampouco), e eu… era gorducha. comecei a notar o quanto isso era um problema com 9 anos, mais ou menos.  nas brigas, ou no momento de provocação, era sempre “sua baleia”, “sua gorda”, etc. não sei dizer porque ser gordo deve ser motivo de vergonha, mas fato é que me envergonhava de sê-lo. e nem era GORDA, sabe? rechonchudinha, só. mas essa condição me colocava em desvantagem, e era sempre associada à preguiça, lerdeza, desleixo, “decrepitude” (sim, e vou chegar lá).

cresci e descobri que as coisas são assim no mundo, não era algo específico da minha família. ser gordo é sinônimo de ser feio, lerdo, preguiçoso, desleixado, acabado. “ih, olha lá: casou e largou mão!”; “quanto mais velho, mais gordo”; e eu poderia passar o dia aqui dando exemplos da associação de gordura com coisas ruins cuja correlação com o peso não é necessariamente verdadeira. há magros preguiçosos e desleixados; há gordos dispostos e saudáveis. existem inclusive estudos mostrando que atividade física está mais relacionada à saúde que o peso. ou seja — se você for gorducho e ativo, está melhor que um magro sedentário.

não quero aqui defender os gordos, vejam bem, eu mesma quero deixar de ser tão gorda. a questão é que em qualquer julgamento ficam em segundo plano a condição de saúde, como o sujeito se sente ou se vê no espelho: se for gordo, tá errado e pronto. gordos são nojentos, feios, piores. e se você é gordo, é porque tem preguiça ou é excessivamente auto-indulgente. toda uma gama de julgamentos é feita cada vez que se olha pra alguém gordo, sem considerar nenhum dos inúmeros outros aspectos que o compõem. não importa se ele tem exames médicos ótimos, vida sexual ativa, faz suas caminhadinhas, se alimenta com comidas legais, tem uma profissão, é feliz. você não pode e não deve ser feliz e saudável se for gordo, não combina. alguma coisa está errada com você, se é gordo.

vamos lá, da perspectiva de uma gorda crônica: não existe milagre e nem maldição em relação ao acúmulo de gordura. se você consome mais do que gasta, a gordura acumula, é assim que nosso corpo foi programado pra funcionar. ou seja: acumular gordura é sim o resultado de comer de mais e gastar de menos. gordura é reserva, é gestão de risco para tempos de vacas magras, é proteção contra o frio (e, se quiser extrapolar para o âmbito emocional, proteção de forma geral). gordura é uma parte do seu corpo físico, como os músculos, nervos, ossos, sangue. alguns corpos têm mais reserva, outros têm menos. só.

e é só isso — é só um corpo, uma parte de um corpo físico! que, por outro lado, é apenas parte do que torna você o que é. não “somos” nossas medidas, assim como não “somos” nosso endereço e nem nossa profissão. medir quem você é pelo seu peso (e pautar sua vida por isso) é tão estúpido quanto medir quem você é pelo seu QI ou sua profissão.

a oprah diz assim: “eu achava naquela ocasião que ser magra fazia de mim uma pessoa melhor”. ela conta que recusou ir a festas porque não estava magra o suficiente. tornou-se obcecada com a própria aparência e com o peso (e passou a vida oscilando entre estar magra e gorda, vivendo em função disso). por que devemos deixar a quantidade de gordura do nosso corpo, peso ou formato da bunda interferir tanto na nossa vida, na convivência com outros seres humanos, na relação com o mundo?

“você não é o seu corpo”, ela diz (e eu concordo demais!). “[o ego] é doentio. é ardiloso, esperto, enganador. é um impostor, impondo-se ao seu ‘eu’ real. você não é seu status. você não é sua posição social. você não é seu carro, não importa quão chique ele seja. você não é sua casa.”

é difícil escapar dessa armadilha de acreditar que você “é” basicamente a sua aparência. afinal, somos bombardeados dia e noite com críticas subliminares, nos dizendo como devemos parecer e ser. magros, bonitos, ricos, calmos, chiques, brancos, sorridentes, felizes, bem-sucedidos. e dessa receita toda aí, convenhamos, ser magro é mais fácil que ser bem-sucedido ou feliz, é uma meta ao alcance de basicamente todo mundo. não é à toa que tantos de nós lutam com unhas e dentes pra completar pelo menos essa pedrinha do “bingo da vida”. você é magro, branco, tem curso superior? uau, fez um terno!

que se danem as especificidades de cada ser humano, seu momento, sua genética, seu apetite, sua preguiça, oras. por que todos precisam ser igualmente magros, saudáveis, de pele linda e cabelos esvoaçantes? só ganhando no “bingo da vida” é que o indivíduo é feliz? a se pautar pelas inúmeras matérias sobre saúde e beleza, sim. cremes, dietas milagrosas, tratamentos, pílulas, séries de exercício. tudo pra que você se enquadre no ideal do sujeito saudável-e-feliz.

com um senão: o sujeito geralmente não é feliz. porque, graças ao seu ego dominante e uma distorção da autoimagem (nunca adequada e equivalente ao ideal), sempre falta alguma coisa, a cartela nunca está completa. emagrece, e fica flácido; faz exercício, mas o tempo é inadequado; está caminhando, mas devia estar fazendo spinning; sobra aquela gordurinha na barriga, que tal uma lipo?; a perna é grossa demais; a perna é fina demais; tem cabelo branco!

o pior dos pecados? envelhecer.

uma amiga (que ela me perdoe o exemplo, não é uma crítica pessoal, mas uma questão que eu acho muito pertinente do ponto de vista feminista) perdeu montes de peso, ela era uma mulher que eu achava normal (nunca, jamais categorizaria como gorda) e que se tornou magra. está muito bonita, e (acho) feliz com sua aparência atual. dia desses ela resgatou de seu guarda-roupa uma peça que comprou e usou aos quinze anos (ela hoje tem perto de 30, acho), e estava triunfante porque voltou a ter “corpinho de quinze anos”.

isso não é exclusividade dela: o sonho de consumo da mulher moderna é ter corpo (rosto, pele) de quinze anos, já notaram? ser uma eterna menina-moça, com corpinho quase infantil, só um anúncio de seios e curvas, pele e cabelos ainda de bebê (vide modelos). é o inverso da maturidade, das curvas da feminilidade madura, da mulher feita. queremos ser eternamente adolescentes. segundo algumas reflexões sobre o assunto, estamos nos tornando uma sociedade disfarçadamente pedófila. mulheres magras como meninas-moças, andróginas, peladas (tem homem por aí declarando que não faz sexo com mulheres que não se depilam!), pré-púberes. porque não há pior maldição e castigo que a passagem do tempo, os sinais de que nos tornamos finalmente adultas — pelos, peitos, curvas, rugas, os famigerados cabelos brancos.

pergunto: o que tem de errado em não ter mais quinze anos, ter peitos, curvas, rugas, cabelos brancos? por que perseguir eternamente esse ideal de aparência, e viver em função dele?

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e que moral tenho eu, que estou lutando contra o peso, pra tocar nesse assunto? afinal não estou eu também cedendo ao padrão? estou convencida que não.

sou uma mulher de 41 anos, que nunca foi magra. estive muito mais gorda, e ainda assim era saudável (sem contar o sedentarismo, que é independente do peso). mas estava impossível comprar roupas, e subir um lance de escadas. eu carregava 87kg em 1.52m. independente de IMC e qualquer outra bobagem métrica dessas, é peso demais para um corpo tão pequeno carregar.

estou aqui na luta pra chegar a um peso que meu corpo pequeno possa carregar sem tanto esforço (e que me permita comprar roupas sem tanto drama). para os médicos, eu devia pesar menos de 50kg (a proporção de altura peso de modelos é algo como 50kg em 1.75m, pra vocês terem ideia). é ridículo — eu nunca pesei isso nem quando tinha 15 anos 🙂 minha meta é algo entre 60 e 65kg, o que ainda me mantém na categoria de gorda diante dos padrões estéticos.

meu ego acha que eu devia pesar 50kg, no entanto. porque seria um prazer inenarrável ganhar essa bolinha do “bingo”. vestir uma calça 38, quiçá tirar (e compartilhar, claro) fotos mostrando pro mundo que entrei na calça que não me servia desde os 18 anos. quem sabe até finalmente me sentir parte do seleto clube das pessoas-que-estão-no-padrão.

mas uma das minhas metas na vida (e mais importante que a meta de peso) também é domar meu ego. porque ele não sou eu; meu corpo não sou eu. sou bem mais que meu peso, altura e medidas. sou mais que meu colesterol, ou o número de minutos de caminhada que eu faço X vezes por semana. também sou o livro que eu leio, a história que conto, ou aquela ligação no meio da semana pra minha mãe pra pedir receita. sou o papo de trabalho com minha irmã, o filme com meu marido-e-companheiro, o passeio com meu filho, a barra da calça que conserto. o texto que escrevo, a música que cantarolo no trânsito. sou muito também a falta de atenção aos detalhes, os erros todos, os esquecimentos e as mesquinhezas.

meu peso é só, e tão-somente, um detalhe, uma parte de mim (e definitivamente não a mais importante). é aquela pontinha do iceberg, que por acaso todo mundo vê. e aliás é por isso que não falo muito da dieta, e nem do processo. é pouco, é quase nada, perto de tantas outras coisas que me interessam.

umas das coisas mais legais de chegar aos 41 (ou aos 38, ou aos 55…) é observar a distância daqueles 15 anos (ou 16, ou 18). existe uma ponte entre a juventude e a idade adulta, que não tem comprimento exato. ela aliás pode nunca aparecer, e você ficar do lado de lá pra sempre. há pessoas que nunca deixam pra trás aquela necessidade fisiológica de agradar ao grupo, de fazer parte, de pertencer, de se provar, de obter validação. é saudável, é parte do processo de aprendizado sobre relacionamentos, mas precisa passar um dia! ou você fica escravo da aprovação do outro, o que pode ser bem inconveniente.

cada um sabe de si, é claro. acredito que para algumas pessoas sua aparência É tudo, e é mesmo a parte mais importante do seu todo. mas que difícil deve ser para estas pessoas a simples passagem do tempo, não? uma luta inglória contra a realidade do envelhecimento, da transitoriedade da aparência e, em última instância, da morte.

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concluo que não, não tenho como meta ter corpinho de adolescente. sou bem feliz com minha idade, com meu corpo atual. pragmaticamente, quero poder comprar calças com facilidade, subir escadas sem carregar peso extra, amarrar os sapatos sem a barriga impedindo o movimento.

meu ego quer fazer ensaio sensual na playboy como a “tiazona enxuta” da vez. bolinha dourada no “bingo da vida”.

felizmente meu ego é só uma parte de mim, e não cedo à sua falta de noção. não preciso expor ou exibir meu corpo como troféu, pra provar que EU CONSIGO ser magra, ou que finalmente estou “dentro do padrão”. sou muito maior que ele, e quem manda aqui sou eu, a combinação de corpo e mente, ação e pensamento.

tudo isso pra dizer que tomei uma decisão importante na vida: já fiz como a oprah e deixei de ser feliz e viver porque “sou gorda”, mas jamais deixarei novamente o ego interferir na minha felicidade.

eu não sou o meu corpo. ele é que é meu 🙂

e neste caso, a ordem dos fatores altera demais o produto, acreditem.