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NO LOGO

fevereiro 5, 2013 Leave a comment

excelente artigo do daniel galera sobre menção de marcas em seus livros. então quer dizer que a propaganda da sua marca pode estar espalhada em todos os lugares, inclusive aqueles que eu não tenho opção de não ver (na rua!), mas nós não podemos citá-las em nossos textos? tenha dó.

a propósito — adorei ele contando sobre seus boicotes. acho que deixar de comprar é a melhor resposta, o melhor controle. paremos de comprar de marcas que não nos respeitam, que fazem propagandas que achamos asquerosas. a começar, sim, pelas propagandas de cerveja e empresas cujo público-alvo são crianças e adolescentes.

é foda boicotar. tentem. mas acho que vale a pena pelo menos a tentativa.

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no logo

agosto 10, 2012 9 comments

recuerdo cosas de otros tiempos,
de cuando el almacén no tenía luces de neón
cuando el paraíso no tenía marquesina…

(logo, kevin johansen)

que eu tou idosa nem se discute. porque vocês sabem que a idade da pessoa não é só a da certidão de nascimento, né? no corpo tenho quarenta, mas às vezes me sinto anciã. e não é por ser conservadora e nem apegada ao passado, longe disso. mas porque cada vez mais valorizo e aprecio comportamentos e práticas associados às pessoas de idade. o silêncio, a companhia de poucos e bons, dormir cedo, comer direito, cuidar da minha casa, do meu quintal, meu filho, dos meus. ler um bom livro ao invés de sair “pra balada” (ô palavrinha que eu odeio!), e aí vai. idosa com prazer, sem culpa, sem problema.

depois do post ali sobre moda, pensei muito, conversei, refleti. por que moda não me interessa? por que notícias, novelas e programas populares em geral não me interessam? será que me tornei uma pessoa pedante, elitista, chata?

supermercados não me interessam, detesto ir. shoppings não me interessam, só vou quando preciso, por pura praticidade. sim, gosto de adquirir coisas das quais eu gosto e de trazê-las pra casa quando possível, mas não sinto prazer no ato de comprar. deu pra entender? ou seja: terapia de shopping pra mim não serve pra nada. roupas e sapatos? se eu ganhasse tudo de segunda mão ficaria feliz da vida. comprar em brechó é a mesma coisa que comprar em loja, pra mim. se eu ganhar coisas que foram de outra pessoa fico ainda mais feliz, é como se a pessoa transferisse um pouco dela pra mim, entendem? não, né? ok.

não sou elitista, nem pedante, nem chata. simplesmente perdi o interesse em consumir por consumir. e acho que o motivo é uma combinação de 2 coisas: a percepção de que não preciso de tantas coisas, e posso viver com menos, de forma mais simples + o fato de que deixei de ler revistas, jornais e tenho visto poucas horas de TV me afastou da propaganda.

não sinto desejo de comprar a marca X ou Y. sempre comprei qualquer marca de quase tudo, pra ser honesta, nunca fui fiel a marca alguma. mas agora eu simplesmente não conheço, não ligo, e (a menos que seja realmente necessário ou super-mega-lindo-e-fofo) eu não compro. os únicos apelos que realmente sinto para consumir atualmente são os de comida (adoro comer fora e comprar ingredientes diferentes) e coisas “únicas” ou bem diferentes.

sempre achei horrorível usar coisas “de marca”, com o logo gritando. sei lá, me sinto meio garota-propaganda, só que pagando (=otária). como sempre quis ser diferente dos outros, desde pequena, tenho um pouco de dificuldade de entender pessoas que querem usar coisas que todo mundo usa.

sei que muitas pessoas usam certas marcas como forma de status, mas isso realmente é fora da minha realidade. fui criada para desprezar esse tipo de pessoa que esbanja dinheiro e ostenta tudo o que tem, e funcionou: tenho nojo. primeiro porque chega a ser deselegante ostentar riqueza num país com tanta desigualdade, um pouco de humildade não faz mal a ninguém; segundo porque se a pessoa precisa tanto assim mostrar que tem e que pode, bom sujeito não há de ser, tem algo errado aí. mantenho distância, acho feio e deselegante.

mas vamos pro título: por que tudo precisa ter LOGO? qual é o real valor da marca? por que comprar a marca pela marca?

deixar de ver propagandas me tornou menos consumista, é fato. foi e é bom. a propaganda é ilusória, direcionada, psicologicamente desenhada para atingir nossos pontos fracos, é a tentação, o diabo, o mal.

bah, não é que comprar seja mau em si, que as equipes de marketing sejam demônios malignos. mas eles só pensam no lucro, sim senhores. as blogueiras que escrevem publieditorial querem ganhar dinheiro e não compartilhar coisas com você, bobinha. a fernanda torres não liga lá se a marca de sabão X vai tornar sua vida mais fácil, ela recebeu vários dinheiros pra usar a imagem e credibilidade dela como atriz pra convencer você que você PRECISA MUITO daquele sabão pra “facilitar sua vida”.

e por mais que a gente saiba que sabão é sabão, e que é verdade que uns são melhores que outros, poxa, eu vi a propaganda da fernanda torres, ela é tão bonita, atriz, magrinha, mãe de família, né? o sabão deve ser bom.

se possível fosse, eu faria meu próprio sabão, plantaria minhas comidas e costuraria minhas roupas. porque francamente é uma afronta à minha inteligência o grau de (tentativa de) manipulação a que somos expostos o tempo todo na TV, rádio, cinema e agora — TCHARAM! — na internet. tenho lá meus “amigos” virtuais e já não sei mais se eles realmente recomendaram o restaurante X porque curtiram ou porque pagaram pra eles elogiarem.

consegui desligar a TV, o rádio, os jornais, mas estou enfronhada nas redes sociais, como boa geek que sou desde sempre. estragaram o mundo todo, porra!

TUDO TEM LOGO.

só queria poder identificar, agora. nesse mundo de publieditoriais não declarados, já não sei mais nada. só me resta filtrar, filtrar, até sobrar só a essência mesmo. e voltar aos chás e bate-papo no beiral de casa, que eu ganho mais.