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É possível trabalhar para criar um cenário diferente para as mulheres na tecnologia?

junho 6, 2017 Leave a comment

 

(pergunta feita pelas moças do UP[W]IT)

Entendo que existem algumas barreiras que precisam ser quebradas, e infelizmente todas são muito estruturais, relacionadas à nossa cultura e difíceis de mudar – algumas profissões e inclinações são atribuídas a homens e mulheres como “naturais”. Meninas não são estimuladas a se envolver com e apreciar a física, matemática e a tecnologia; são antes ensinadas a cuidar, enfeitar, limpar, cultivar relacionamentos, ouvir, falar. É claro que todas e todos temos nossas inclinações inatas, mas elas são não mais que metade da equação de quem nos tornaremos – a outra metade é puro estímulo. Ou seja, em primeiro lugar: enquanto as famílias não estimularem os meninos e meninas igualmente, sem direcionar por gênero, teremos poucas meninas engenheiras e técnicas e poucos meninos enfermeiros e professores primários.

 

Em segundo lugar, a escola continua reforçando os mesmos estereótipos, pro anos a fio. E quando estas poucas meninas que conseguiram passar pela infância e adolescência sem acharem que não foram feitas paras as áreas de tecnologia entram em faculdades e cursos técnicos, e são hostilizadas. O ambiente (desde o início do mundo escolar, aliás) não promove a inclusão de mulheres, e muitas vezes reforça estereótipos, tornando a continuidade neste tipo de curso muito mais difícil. Formar-se em cursos de tecnologia é difícil por natureza, tudo que as moças não precisam é todo o entorno jogando contra. Então mudar o ambiente nas faculdades, escolas, cursos técnicos é urgente. Tenho achado inclusive que devíamos (nós, ativistas) nos concentrar mais e mais em estar presentes nas escolas falando para estas meninas e meninos, devemos abrir mais espaços de tecnologia amigáveis para meninas e moças, para que elas tenham finalmente liberdade de explorar e descobrir se essa área de atuação é a que elas amam. Precisamos estar mais presentes nas universidades, precisamos de grupos de apoio a estas mulheres para que saibam que não estão sós e como persistir, como mudar seu entorno. Sem apoio isso é muito difícil. Lembro quando entrei na faculdade (de tecnologia, o CSTC/ITA, em 1989) e METADE da turma era de mulheres. Éramos unidas, amigas, nos ajudávamos. Não sei como seria se fôssemos poucas.

 

Finalmente, precisamos mudar o ambiente empresarial para acolher as poucas que ultrapassaram as barreiras da infância e vida adulta para se dedicar à tecnologia. Não é à toa que tantas mulheres se tornam empresárias, autônomas, freelas – o ambiente corporativo é difícil pra nós. As que “chegam lá” criam uma casca tão dura que frequentemente se tornam iguais aos seus opressores e não mudam o entorno – elas se tornam parte do problema. A boa notícia é que as empresas multinacionais perceberam há alguns anos que diversidade é importante para o crescimento e maior lucratividade, e resolveram investir nisso. As empresas menores estão aos poucos entrando nessa onda, a discussão se expande para o mundo da politica e da academia, fomentada e apoiada pela ONU, que tem alcance global.

 

Claro que essas mudanças no mundo corporativo são excelentes e necessárias, mas realizar mudanças no mundo dos negócios, dos “adultos” é pouco; as ações que tomamos dentro do contexto corporativo não se estendem normalmente às casas das pessoas. Os pais, mães, tios, primos que estão participando de ações afirmativas nas empresas raramente levam isso pra dentro de casa e mudam sua forma de agir com as crianças que amam e convivem. Precisamos de mais gibis, programas de TV, filmes, novelas, livros, peças de teatro com mulheres cientistas, engenheiras, técnicas, empilhadeirista, motorista de caminhão. Precisamos normalizar a presença de mulheres nestes ambientes, pra que uma menina tenha liberdade de se apaixonar por, estudar e trabalhar com qualquer assunto, e não só o que nos ensinaram há séculos que é “apropriado para moças”.

representatividade

junho 4, 2017 Leave a comment

Essa semana tive uma experiência que quero compartilhar, pra mostrar como ainda tem muito pra mudar no mundo, mas estamos mudando.

 

Visitei uma empresa incrível de inovação tecnológica que trabalha com IoT (internet das coisas, assunto muito da moda mas que existe desde 1999 :D). Quem me recebeu foram dois senhores (em torno de 60 anos), muito simpáticos e ótimos. Eles empregam 280 pessoas, todas da área de tecnologia (engenharia, de Hw ou Sw).

 

Como não podia deixar de ser, perguntei sobre a questão de diversidade — vocês conseguem contratar mulheres, ou ainda são muito poucas?

 

(Pausa: nos cursos de tecnologia e engenharia, somente 15% são mulheres, em média. Destas, 80% desistem do curso. Não li nenhum estudo sobre os motivos, mas suspeito que uma boa parte é graças à falta de incentivo externo — esses cursos não são fáceis, mas te tornam mais difíceis se todo mundo, a família inclusa, faz você acreditar que está no lugar errado)

 

A resposta deles me surpreendeu: “temos MUITAS mulheres aqui! Somos 4 no time senior de vendas e 2 são mulheres!”. Caramba, achei incrível. Até me comprometi a colocá-los em contato com grupos de mulheres na tecnologia, que vai ser bom pra todo mundo.

 

Aí vamos visitar o laboratório e o escritório, pra conhecer, e encontramos com a gerente de RH. O senhor, todo orgulhoso, pergunta pra ela: “conta pra ela: quantas mulheres temos no nosso time?”

 

Ela me diz, com uma carinha meio desapontada: “não somos muitas, infelizmente. Em torno de 10% somente!”

 

(Este número não me surpreende!)

 

Ele ficou super desconfortável, e eu disse: “são poucas mulheres, mas não é diferente de muitas outras empresas. Tem uma oportunidade aí, e eu ajudo a fazer uma ponte.”

 

Mas o que mais me chamou a atenção é o quanto normalizamos a falta de presença feminina em alguns lugares, a ponto de 10% ser percebido como MUITO. Não estou criticando o senhor, foi muito nítido o interesse dele no assunto e também sua surpresa ao ter sua percepção confrontada com a realidade.

 

(Mas notem que a moça de RH tem uma percepção diferente, independente dos números, e não é à toa)

 

Precisamos continuar falando sobre isso, e buscando melhorar o mix de gêneros em todos os lugares da vida. Chega de clube do Bolinha e clube da Luluzinha.

é a época do capeta

Fevereiro 12, 2007 Leave a comment

a história da cobra eu gostei, uma coisa assim herói jeca tatu. mas fiquei com pena da cobra, confesso, apesar de saber que é ela ou o menino e tal. tenho simpatia pelos répteis.

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mas a outra história do menino eu nem quero comentar, meu deus, nem em filme de monstro tem coisa tão horrível. por essas e outras eu às vezes passeio pela cidade e fico me perguntando quanto tempo demoraria pra natureza tomar conta do mundo, caso os humanos fossem subitamente extintos. wishful thinking, sabe?

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outro dia passei o dia trabalhando num cliente mas, diferente do que acontece normalmente, tinha trabalho pra fazer sozinha, ocupando uma das baias. vi pessoas andando pra lá e pra cá, falando o tempo todo sobre assuntos que nada tinham a ver com trabalho mas que também não tinham importância nenhuma: fofocas, futilidades, inutilidades, conversas vazias. me deu uma tristeza inexplicável, uma vontade de dizer praquelas pessoas cuidarem das suas vidas, procurarem coisas legais pra fazer (dentro ou fora dali), viverem de verdade. me senti como num filme de ficção, cercada de humanos que passaram por lavagem cerebral ou coisa assim, alheios à vida e ao que realmente importa.

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e nem sou da linha de que trabalhar é um mal ou coisa parecida, hein? eu gosto de trabalhar, de verdade. melhor: eu gosto de trabalhar com o que eu trabalho, da forma como trabalho. e acredito com convicção que é essencial gostar do que se faz, ter aquela sensação gostosa de realização. há muitas atividades que trazem esse sentimento de realização, mas a nenhuma delas dedicamos pelo menos 1/3 do nosso tempo todo dia, certo? se você for infeliz no seu trabalho, 1/3 do seu tempo é de infelicidade ou apatia! deus me livre.

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houve épocas de pensar na vida e ter que encontrar mecanismos sofisticadíssimos pra me convencer de que eu era feliz. nessas horas a imaginação é útil e nunca me deixou na mão (o que acabou me impedindo de dar jeito nos problemas, mas isso é outra história). hoje em dia, quando incomodada com a minha vida, paro pra pensar friamente e sou obrigada a admitir que não tenho quase nada do que reclamar. mas se papai noel existisse, eu pediria pra me livrar da preguiça crônica, essa doença maldita.

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e o carnaval? que coisa odiosa! a globo é ainda mais asquerosa nessa época, com nego berrando sambas ridículos e nega esfregando a bunda na tela. mas tudo bem, a TV a gente desliga, mas e as escolas de samba vizinhas no bairro? morar no alto tem desses problemas: a escola de samba lá do outro lado do bairro ensaia e a gente escuta aqui. escuta inclusive o fulano berrando no megafone que “é uma camiseta por pessoa, galera, vê lá”. e o repique dos tambores que, de tanto se repetir e acelerar a marcha, ficou mais chato que o caminhão de gás.

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sim, eu já brinquei carnaval: no recife e em olinda várias vezes, no rio e em sampa só de passagem e na praia (dezenas de vezes). até que fugi a primeira vez dele lá na década de 90, fui pra nova iorque curtir neve e nunca mais suportei o ziriguidum. acabei apreciando a delícia de ter 4 dias de sossego absoluto, seja na piscina, no campo, na neve ou aqui em sampa mesmo.

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mas, em resumo, não há cristo que me faça mais me misturar com o povão, aguentar bêbados grudentos e ouvir o dia todo pagode, samba-enredo ou axé (esconjuro!)

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eu juro que não morri!

Fevereiro 8, 2007 5 comments

tá complicado, ando num esquema que me deixa pouco tempo pra pensar na frente da telinha em branco (que é aliás um ótimo exercício de relaxamento mental). e daí, quando sobra um tempinho, eu fico jogando spider-paciência e esqueço da vida. sou uma viciada, droga.

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eu ando gostando tanto tanto tanto das coisinhas novas inventadas pela microsoft que fico com vergonha, constrangida. talvez vocês não entendam mas, pra um nerd legítimo, gostar da microsoft é mais ou menos como um petista que resolve votar no maluf. não dá pra admitir nem pros pais, sabe?

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visitei o antigo pregão da bovespa ontem à tarde, lá no centro. um passeio interessantíssimo e que eu nunca faria se não fosse o dono da empresa em que trabalho, super-empolgado, arrastando todo mundo (mais de 20) pro passeio. foi divertido e legal ver que há coisas tão bonitas, bem organizadas e profissionais, de graça, no meio do caos do centro da cidade. gostoso.

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aí passei no centro cultural banco do brasil e não tinha café, como pode? diz que estão montando ainda. livraria cheia de coisas incríveis e eu não resisti: comprei estética doméstica e estou amando. tudo graças aos papos gostosos com a sheilinha, que me faz lembrar dos tempos da faculdade de história 🙂

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olha, eu vou explicar pra vocês como funciona esse negócio de ser pisciano: se você conhece algum pisciano que não seja doidinho é porque você ainda não o conheceu bem 😀

somos radares de loucos, mesmo, e não é à toa: nós mesmos somos doidos, desconectados na realidade em maior ou menor grau; somos recipientes e não temos forma (depois coloco a música aqui) e se você é racional ou prático em excesso faça um favor (a ambos os lados) e nos evite. a convivência será insuportável.

para os que cultivam estabilidade e constância é impossível nos entender ou nos categorizar. mudamos de idéia, de sentimento, de modus operandi. quem acha que realmente conhece um pisciano é porque não entendeu nadinha.

nos apaixonamos perdidamente em questão de segundos (e desapaixonamos também, é verdade) e os sentimentos são profundos, densos, sufocantes, mágicos. costumamos sofrer de paixões múltiplas e instantâneas — já amei com paixão aquele moço loiro que estava sentado no fundão do ônibus e desceu depois de 3 pontos. quando cheguei em casa já tinha esquecido dele e estava encantada com a cor da florzinha que cresceu na portaria do prédio. é assim.

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roubei da tati!

gosto

maracujá; dormir; rir

não gosto

gente que quer confete; atravessar a rua fora da faixa; melancia (eca!)

tenho facilidade

com idiomas; com música; perceber o que me move

tenho dificuldade

dizer não; dizer desculpe; acordar de manhã

o que ninguém imagina

que gosto de silêncio; o quanto eu sonho; o quanto eu amo

nomes do meu deus

os sentidos (5, ou seriam mais?); música; nuvens

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amo minha idade e minha história (com um ou outro episódio dispensável) mas tem uma coisa sobre ser “experiente” (cof cof :D) que é muito chata: ando reparando nas fases que as outras pessoas estão vivendo e que eu já passei faz tempo e dá um téeeedio de ouvir as histórias, sabe? ando com dificuldade de achar a vida das pessoas ao meu redor interessantes, com raras exceções. parece o videoshow repetindo cenas-marcantes-de-novela, um saco.

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quando a gente tem uns 20 e poucos anos acha o máximo pessoas que citam livros (aqueles que você também conhece, claro, senão a pessoa é pedante, né? :D), conhecem e amam os mesmos filmes alternativos que você, sabem de cor a música X do disco Y que quase ninguém conhece… passada dos 30 começa a ficar enfadonho conhecer gente que gosta das mesmas coisas que você e já não tem mais muita graça “se enturmar”. você quer mais é explorar as possibilidades inéditas, ser supreendida, desafiada. uma raridade de acontecer, diga-se.

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jesus, como tem foto ruim e/ou chata no flickr! tem gente que devia ser proibida de ter câmera digital. com a história de não custar dinheiro pra revelar as pessoas perderam a noção e tiram as fotos mais feias, repetitivas e sem graça do mundo. não contentes em tirar e guardar as fotos-tranqueiras elas publicam. incrível!

ok, vai: é bem possível que essa reclamação se aplique também a mim e às minhas fotos em alguma medida, mas me defendo afirmando que eu apago dezenas de fotos que considero ruins e/ou repetitivas. quem quer ver 18 fotos da mesma coisa quase na mesma hora, cruz credo?

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o leiaute desse blog vai mudar e vai ser logo logo. o weno inventou a coisa mais maluca e linda do universo pra colocar aqui, mal posso esperar! e preparem-se, pois vai ter presentinho pra 1 visitante deste blog mas não vou contar o critério pra ganhar senão vai ficar fácil 😀