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Archive for the ‘família’ Category

rato meu querido rato

novembro 1, 2017 Leave a comment

lembrei de 3 histórias boas de rato na família:

 

1) morávamos numa casa lá no jardim nordeste, na penha, do lado da favela, que tinha uns bueiros que dava pra sair/entrar jacaré. e dali saíram ratos do tamanho de cachorros pequenos (sério).

 

um dia entrou um no quartinho da bagunça, e minha mãe catou um pedaço de pau e o cachorro (era um caçador excelente), e enfrentou o rato. ou melhor, O MONSTRO. ele era imenso, preto, e por pouco não ataca a Mami Vera, que deu-lhe uma cacetada e ele tonteou o suficiente pro cachorro pegar. pegou, matou, tudo bem. só que ele não queria entregar o rato pra ninguém, ficou possessivo, rosnando e tomando conta.

 

fim da história: quando meu pai (o dono) chegou, o cachorro re-matou o rato (maior ator, ele), e deixou jogar fora.

 

2) uma das minha lembranças mais antigas é do meu pai gritando feito uma menina de 6 anos, subindo na mesa com medo de um camundongo, e minha mãe matando o dito cujo.

 

3) meu irmão, já adulto, descobre um ratão do mato na lavanderia da casa da minha mãe, na praia. acua o bicho, ele fica preso num canto e tal. solução? ele pega um cobertor (NOVO), joga em cima do rato, embrulha, e leva o cobertor e o rato prum terreno baldio.

 

minha mãe, aquela que enfrenta e mata ratos sem o menor problema, quase mata o Kito por causa do cobertor.

Categories: família

Da memória sensorial e as descobertas

setembro 5, 2017 Leave a comment

[2016]

Mostrei pra Claudia agorinha um vídeo fofo do Otto brincando de caça-palavra, e comentei que ele tá inconformado com as palavras que terminam em O e E, assim como DEZ, porque tem um I ali no meio, e tudo que escrevemos com final O se fala U, ele não aceita.

 

Ela comenta que inglês é a coisa mais louca pra aprender a escrever, tudo diferente, e tals, ~ÓsoM~ *hahhahaha* e eu magicamente me transporto para o ano de 1983, quando aos 11 anos comecei a ter aulas de inglês e me vejo por um instante de novo na cozinha da casa da minha avó paterna, de pé, gesticulando muito pra explicar pra ela e pra tia Marli como era INCRÍVEL que em inglês a gente escrevia DAUGHTER com todas essas letras mas a gente falava DÓTER!

 

Lembro da cara delas, achando graça, me ouvindo falar tão empolgada. Fiquei um pouco emocionada por ainda ser aquela mesma menina de 11 anos, que se espanta com as coisas todas que são novas e incríveis e conta pras pessoas como se todo mundo se importasse. Sigo encantada, constantemente.

 

(Eu me importo, e sinto tudo com tanta intensidade! Por isso o livro “O mundo de Sofia” tem um lugar especial no meu coração. Foi lendo esse livro que me descobri filósofa por natureza <3)

Categories: elucubrações, família

big fish na vida real

Janeiro 10, 2014 2 comments

Kali, vô Ivan, Otto

Meu pai pode ter (e tem) todos os defeitos do mundo, mas me faz rir até chorar com suas histórias. Hoje liguei pra ele pra bater papo enquanto dirigia pro trabalho, e vejam o que ouvi:

 

– Ele chama os próprios patos (ele tem vários. E galinhas normais e de angola, e um galo) de qüencos. E todos têm nome: o Otto é o maior e mais gordo; a Belinha é a mais boazinha. Parece que estão todos bem.

– A cachorra dele, Kali (uma Golden Retriever enorme que ele adotou, depois que a antiga dona não quis mais ficar com ela porque era “muito brava”) agora leva ele pra passear, e no máximo por 15min (ela se recusa a andar mais e faz ele voltar)

– Ele tinha um casal de gansos, que é como deve ser (em pares. Eles vivem juntos a vida toda e não trocam de parceiro). Pois que roubaram a gansa dele, e o pobre ganso ficou viúvo e deprimido (palavras dele). Mas um milagre aconteceu e agora uma das patas dele está namorando o ganso, que voltou a ser feliz. Segundo ele, no final da tarde os dois ficam na porta da casa dele “conversando”. Ele imitou o ganso no telefone, e ele parece uma buzina

– Ele mora no meio do mato. Tem um lagarto gigante que mora por ali na região e é o nêmesis dele (come os ovos, ataca os bichos, etc.). Estavam ele e a Kali no galinheiro pegando ovos e ele (meu pai) foi atacado pelo Menezes (acabo de batizar o lagarto), que conseguiu derrubar meu pai depois de dar uma rabada na canela dele =O (o que leva a crer que ou o lagarto é um velociraptor ou meu pai está protegendo a Kali, que na ânsia de pegar o lagarto deve ter derrubado ele). A Kali não pegou o lagarto (ela tenta todo dia). Parece que o Kito, meu irmão, apelidou os 3 de “3 patetas”, e eu achei adequado.

– Uma gata deu cria no meio do mato, e a vizinha do meu pai acolheu, mas não antes dos OITO gatinhos serem atacados pelo Menezes e terem seus rabos comidos (!!!!). Segundo meu pai, estão todos muito bem, porém todos cotocos em diferentes graus.

(Quase tive que estacionar o carro no meio dessa conversa, pois eu ria tanto que escorriam lágrimas)

Bom dia e bom fim de semana surreal pra vocês também 🙂 (fotos de onde ele mora, aqui)

<3

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bibigão

Janeiro 9, 2014 2 comments

Ontem tive uma onda (boa) de nostalgia quando vi uma foto no IG: um balde cheio de bibigão (o nome “correto” é berbigão)! Quando criança, íamos à praia do centro em Caraguá, nas férias, e enchíamos os baldinhos desses mariscos. A minha mãe levava pra casa e fazia arroz com eles, e a gente comia lambendo os beiços. Lembrei de todas as inúmeras férias que repetimos o mesmo ritual, dia após dia,naqueles dias quentes de verão. Fiquei com saudade das férias com meus irmãos e primos, da casa da minha avó pertinho da praia, do picolé na beira do mar.

E pra matar a saudade, hoje almocei espaguete com frutos do mar, cheio de marisco com casquinha, e o Otto experimentou pela primeira vez (adorou! E tirou o marisco da casca como se tivesse feito isso a vida toda).

Nada é mais importante e valioso que as experiências afetivas, que as viagens e a vivência familiar. Essas lembranças são como tesouros, só esperando para serem resgatados. 

dia da mulher — de novo!

Março 8, 2013 8 comments

pra mim todo ano o dia da mulher é um acontecimento. é meu aniversário, afinal, e AMO o dia do meu aniversário. sei que tem quem não goste (não entendo) mas eu adoro, e aproveito cada minuto com muita felicidade. é o meu dia, o dia mais feliz!

mas é inevitável: esse é também o dia de ser inundada com propaganda ruim “homenageando” as mulheres, receber parabéns, ouvir piadas (“e o dia dos homens, não tem?”) e ouvir mulheres xingando ou reclamando das “homenagens”.

sou feminista, casei com um homem feminista, tenho uma mãe feminista. conheço bem o significado do dia da mulher, e sempre que tenho oportunidade divulgo isso para os amigos, família, pra quem quer que tenha ouvidos pra ouvir. não é um dia para comemorar, mas antes para lembrar e refletir sobre a desigualdade ainda tão enorme no mundo e no brasil. conquistamos muito — aliás, nossas antecessoras o fizeram! todas as homenagens a elas! — e ainda tem tanto, muito a conquistar. é uma luta de todo dia, toda hora. é responder a cada manifestação machista, e ensinar meu filho a ser um homem feminista.

leiam esse artigo ótimo do sakamoto com alguns exemplos de machismo diário. e esse ótimo texto da clarah averbuck sobre o mesmo assunto.

porém nada disso me convence ou impulsiona a recusar uma gentileza, um abraço, um sorriso. não pesquisei aqui no blog pra ver se em algum momento eu reclamei do dia da mulher, mas se reclamei, desreclamo. não sei se é a idade ou simplesmente a experiência prática, mas afirmo que ser gentil e firme é a melhor forma de lutar todos os dias por um mundo melhor. pense bem, o que você conquista mandando alguém “enfiar essa rosa no cu” no dia da mulher? melhor faria você se protestasse e reagisse diariamente aos pequenos insultos, comentários, piadas, desigualdades. há o que precise de agressividade, briga, porrada mesmo, estou de acordo e quem me conhece sabe muito bem que saio na mão se necessário (e ganho, tá?), mas não há de ser um parabéns, um chocolate ou uma rosa.

acredito que o mundo também muda com a gentileza e não só com a porrada. que é mais fácil se fazer ouvir sem precisar gritar. minha experiência de 41 anos, completados hoje, confirma essa crença. sou melhor quando sou gentil, as pessoas me ouvem mais e melhor, as coisas mudam.

é bem possível que eu tenha recusado rosas no passado, que tenha xingado, e esperneado. hoje eu aceito a rosa, puxo pelo braço e, com um sorriso, conto uma história. explico porque é um dia de refletir, pensar e mudar. e nem todo mundo muda, claro, não é mágica afinal. mas a sementinha foi plantada, e eu garanto que elas sejam devidamente regadas. não é um trabalho de 1 dia, 1 encontro, é ação pra toda a vida. e eu não desisto.

já em relação a propagandas machistas de todas as naturezas (produtos de limpeza, cerveja, maquiagem, carros, revistas de beleza), sou bem mais dura: simplesmente boicoto. não compro. simples assim. podem arrancar dinheiros de outras mulheres menos esclarecidas. aqui deste bolso desta mulher muitíssimo bem sucedida vocês não tiram 1 centavo, seus abutres idiotas.

(too much for kindness, i guess :))

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e uma das coisas lindas que ganhei de aniversário foi esse vídeo delicioso feito pelo meu marido querido. espero que gostem tanto quanto eu gostei.

Categories: família, mulherzice, opiniões

o dilema desta onívora

Fevereiro 5, 2013 2 comments

sugiro ver o documentário muito além do peso antes de ler o post. e se tiver lido o dilema do onívoro, tanto melhor.

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tenho lutado com meu peso a vida toda, desde mais ou menos 9 anos. só me tornei obesa de fato depois dos 30, mas desde sempre me lembro de alterar entre peso normal e sobrepeso. nunca pude e nunca poderei simplesmente relaxar e comer, sem engordar. é duro chegar a essa conclusão, porque é preciso admitir uma fraqueza, uma falha.

não tenho doença alguma que me faz engordar, sou absolutamente saudável (inclusive enquanto obesa). meu problema com a comida é de outra ordem, e pelo que ouvi dizer somente 2% dos obesos de fato têm alguma condição que os faz engordar. os demais, suponho que sejam como eu e têm uma relação complicada com a comida e com o ato de se alimentar.

comida não é pasto, bebida não é água. comida e bebida são amor, cumplicidade, conforto, felicidade, prêmio, glamour, conquista (amorosa e meta), mágica. comer é a coisa que mais fazemos na vida, durante toda ela. comer é também e principalmente uma grande atividade social, um meio de se relacionar, momento de olhar nos olhos, oferecer, trocar, compartilhar. o desejo de compartilhar, tão bem explorado e usado pelas redes sociais, é inato. não existe religião na história que não passe pelos rituais do alimento, que não o utilizem como alavanca e não explorem o milagre e alegria de ter comida à mesa para dividir.

comer é um ato social, desde o primeiro momento — quem alimentou um bebê no peito sabe perfeitamente do que estou falando. é um ato muito maior que simplesmente fornecer alimento, é a criação de um laço de amor e comida, intimamente relacionados. e suponho que o mesmo se dá se for preciso usar uma mamadeira, nestes primeiros momentos de vida. a experiência de se alimentar pelas mãos de outro, num abraço absoluto e intenso, olhos nos olhos, é poderosa. e depois, experimentar o mundo com a boca, alimento por alimento, sendo ensinado como comer e, em última instância, sobreviver. a forma através da qual nos alimentamos nós, humanos, é totalmente permeada pela experiência social e cultural, é uma extensão de quem somos, como espécie e como indivíduos de uma determinada sociedade. sim, somos exatamente o que comemos, e não estou falando do aspecto nutricional da alimentação.

essa mistura de cultura, afeto e socialização, para alguns indivíduos (como eu), desanda e comer já não é mais meio, mas fim. come-se para ficar feliz, para comemorar, para relaxar, para se relacionar e para esquecer outras coisas. some a isso um estilo de vida sedentário, e está feita a fórmula da obesidade.

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no documentário muito além do peso mais algumas variáveis dessa equação complicada se mostraram: o poder da propaganda (que explora muito bem todo o aspecto emocional e social da comida); a influência do meio (família, amigos) na alimentação; o despreparo ou descaso das escolas e das próprias famílias no que diz respeito à alimentação das crianças.

somos onívoros. um dos principais motivadores da nossa espécie (primeiro? segundo, talvez, depois de procriar?) é procurar comida, e comer. mas não é simplesmente procurar qualquer comida, é procurar as melhores comidas, as que têm maiores benefícios. nossos antepassados sobreviveram graças à sua habilidade em se alimentar, e sobrevivemos e prosperamos como espécie graças à nossa capacidade em grupo de ensinar uns aos outros como comer, o que comer. é através da imitação, da transmissão do conhecimento, que o ser humano se tornou o mais bem sucedido onívoro que já habitou este planeta.

e o que aconteceu, depois de tanta evolução? já não aprendemos mais a procurar e selecionar alimentos notoriamente bons para nossa sobrevivência; o conhecimento dos nossos antepassados, toda nossa cultura alimentar desaparece rapidamente, geração após geração. agora aprendemos a comer com a TV, com a propaganda. não é mais nossa tribo, nossa família que nos mostra o que devemos comer, o que é bom, é um outdoor, um comercial, uma embalagem no supermercado. não, é pior: desde pelo menos a década de 50 as famílias pararam de preparar suas comidas e começaram a comprar tudo pronto, industrializado. você não escolhe mais as batatas mais bonitas para fazer seu purê, ao invés disso, compra o pó pronto numa caixa bonitinha, que é muito mais prático. ninguém mais vê a galinha sendo morta e depenada (eu vi quando criança!), o que existem são bandejas plásticas com pedaços. não sabemos mais o que estamos comendo. nossos alimentos vêm em caixas pretas metafóricas (experimente tentar descobrir a exata composição do que você compra e come), e engolimos sem questionar. desaprendemos dia a dia uma das capacidades mais importantes da nossa espécie — procurar e consumir os melhores alimentos.

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esse post vai ficar um livro, mas não consigo parar: ontem fui ao supermercado, depois de meses sem entrar em um deles (quem faz compras aqui em casa é o marido). fiquei absolutamente chocada (e hipnotizada) pela quantidade de cores, embalagens, opções. e o desbalanceamento injusto entre alimentos industrializados versus alimentos in natura é assustador. a seção de frutas, verduras, legumes e carnes é muito pequena, comparada com o restante do mercado!

alimento pra mim é compensação e prazer, o que combinado com a vida sedentária que adotei, se transforma em peso adicional. mas ainda como de forma minimamente saudável, sou o tipo de pessoa que gosta de comida feita em casa, carnes, grãos, verduras, legumes e frutas. e é assim também que crio meu filho — comendo comida feita em casa, usando ingredientes frescos. com 2 anos e meio ele sabe reconhecer frutas, legumes, verduras e até temperos direto da horta ou do pé. considero esses ensinamentos (sobre os alimentos, sobre os preparos) parte essencial da educação dele, tão importante (mais importante!) do que aprender matemática, por exemplo. acho assustador que tantas famílias permitam que a cultura alimentar se perca, ou seja substituída por industrializados cujo apelo afetivo é falso, fabricado, kitsch.

é preciso repensar (em especial os que decidiram ter filhos) os próprios hábitos, e questionar não somente se são saudáveis mas principalmente se são legítimos, se são seus mesmo ou efeito propaganda. não faz sentido ser escravo de uma marca. é uma vergonha ser “viciado” em coca-cola, ou qualquer outra marca de comida que vive de criar propagandas que nos induzem ao consumo. é um crime perpetuarmos essa cultura do consumo para as próximas gerações. é simplesmente errado não ensinar as próximas gerações a se alimentar de forma saudável e prazerosa.

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a lei da ação e reação é implacável, e é claro que como resposta ao “ataque do doritos assasssino” a que somos submetidos o tempo todo em todos os lugares, nasceram os radicais da alimentação saudável. eles são muito melhores que os inconscientes, os que simplesmente se deixam levar pela maré e chafurdam no cheddar. o radicalismo serve um propósito nobre, mas não acho que seja uma boa opção. o mundo está dominado pelas comidas industrializadas de propaganda, e SIM, elas são extremamente gostosas e viciantes. há milhões de dólares investidos nestes alimentos e na propaganda deles, justamente para que todos queiram experimentar, e quando experimentam a experiência é UAU. estes alimentos são exatamente como drogas — eles dão prazer. são feitos pra isso, e por isso são tão consumidos. as pessoas não são simplesmente estúpidas (ok, algumas são), elas simplesmente são inconscientes, ou não se preocupam com o resultado dessa complicada equação.

ou você também é dos que acham que gordos são meramente preguiçosos e hedonistas, e por isso são gordos? é claro que deixar de ser gordo é possível para todos (com raríssimas exceções), mas definitivamente não é simples e nem fácil.

drogas, bebidas alcoólicas, comidas gordurosas, cheias de açúcar e sal — tudo isso é gostoso, dá prazer. queremos mais, e mais. não vamos nos enganar. é difícil abandonar drogas, é preciso empenho, muito apoio e força de vontade.

como ensinar às nossas crianças (e a nós mesmos) sobre drogas (todas as acima)? negando sua existência? proibindo terminantemente senão-você-vai-ver? não comprar, não ter à mão, é uma boa opção, e funciona por um tempo, mas não pra sempre. porque (insisto) comer (e consumir drogas, a propósito) é um ato social. a menos que você pretenda se trancar numa caverna, ou montar uma sociedade alternativa dos sem-ruffles, sugiro que pense como lidar com o mundo lá fora. claro que você também pode optar por ser aquele mala sem alça que leva arroz integral num tapauér pro almoço na casa do amigo e não come nada que lhe oferecem, mas a maioria de nós não quer ser essa pessoa. a outra opção, que na verdade não é sequer uma opção mas uma necessidade, é educar-se, aprender a conviver com essa realidade da comida-que-não-me-faz-bem.

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penso muito nesse assunto (alimentação saudável, relação com a comida, propaganda). desde que meu filho nasceu e começou a se alimentar, tomei essa tarefa de educá-lo para se alimentar bem muito seriamente. e é claro, não podia mais ignorar minha condição de obesidade, já que o assunto é ser mais saudável. iniciei em agosto/12 uma reeducação alimentar séria para voltar a um peso aceitável e me alimentar da forma que considero adequada. porque afinal, a melhor forma de educar nossos filhos é dando bons exemplos.

uma das coisas que concluí, nessas reflexões sobre alimentação, é que não quero categorizar os alimentos como maus e bons, permitidos e proibidos. meu primeiro motivo pra evitar essa divisão é que realmente acredito que equilíbrio entre prazer/obrigação é o caminho (e busco isso, todos os dias). existem as coisas que (1) são boas pra nossa saúde, mas não são tão gostosas; (2) existem as coisas que são super gostosas e que nos fazem mal (ou são neutras, não contribuem em nada); (3) existem as coisas que fazem mal e que não gostamos; (4) e existem as coisas saudáveis e gostosas.

pode parecer óbvio, mas juro que precisei pensar pra começar a balancear melhor minhas escolhas, considerando os 4 cenários ali em cima. a minha prioridade alimentar deve ser o (4), é claro. nesta categoria devem estar a maioria das coisas que eu consumo, e essas são as coisas que devo escolher ter sempre em casa, à mão. no meu caso, nesta categoria estão quase todas as frutas, verduras, legumes, castanhas, etc.

as coisas (3) eu simplesmente devo excluir da minha vida, não comprar, e pronto. uma coisa interessante aqui é perceber o que não se gosta. confesso com um pouco de constrangimento que eu não sou completamente consciente do que eu realmente gosto. depois de um escrutínio forte eliminei algumas coisas, mas percebo que ainda como/bebo coisas por influência do meio, como forma de socialização. um exemplo chocante? pão de queijo. eu não gosto de pão de queijo! não tenho aversão, mas não tenho muito prazer consumindo. mas cada vez que servem numa reunião, e todos adoram e comentam e tals, eu acabava pegando (só pra me decepcionar). pois parei.

o diabo está nas coisas (1) e (2). por exemplo — eu não sou fã de pão integral e cottage, mas eles são melhores pra minha saúde que um pão francês na chapa, a gloriosa categoria (2). então decidi consumir saudáveis durante a semana, e o pão francês com manteiga fica pro fim de semana.

fazer dieta e perder peso é fácil, gente. acreditem em mim, eu já fiz várias, e já perdi uns 100kg nestes 40 anos. é chato, irritante, frustrante e TRISTE, mas é fácil. difícil é manter o peso, aprender a se alimentar e viver de forma saudável, sustentável, e ser feliz. eu jamais seria feliz sendo vegetariana, macrobiótica, comendo salada e grelhado todos os dias ou nunca comendo açúcar branco. preparar e comer um bolo de aniversário, um brigadeiro, servir para os amigos, para o meu filho, é parte da minha bagagem cultural.

comer não é só obter vitaminas, combustível, para ter um corpo saudável. cheirar, mastigar, engolir, sentir o sal ou açúcar na língua, é uma experiência sensorial. comer é prazer também, e não precisa sempre, o tempo todo, ser para fins de nutrição. como o sexo também não serve somente para se reproduzir!

eu também como para sentir prazer e socializar, e ponto final. jamais tratarei minha alimentação como questão meramente de saúde. meu grande desafio neste momento é encontrar esse equilíbrio, fazer as pazes com meus hábitos alimentares, essa questão tão central da vida de cada ser humano. e, é claro, preciso também mudar alguns conceitos, eliminar vícios, repesar a importância da comida na minha vida, em detrimento de outras coisas prazerosas (como mexer meu corpo, por exemplo).

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depois de tanto falar, pensar, ver filme e ler, coloquei pra mim mesma algumas metas ou diretrizes que acho essenciais para ter uma alimentação melhor e ser mais feliz:

– consumir o máximo de alimentos naturais (não industrializados)

– preferir a comida feita em casa, a partir de ingredientes básicos

– consumir orgânicos sempre que possível

– beber água, durante o dia todo. não suco, não refrigerante. ÁGUA

– comer frutas frescas e castanhas no decorrer do dia

– não ficar mais de 3h durante o dia sem comer. a fome atrapalha a concentração, irrita e leva a comer em excesso quando chega a refeição

– preferir grãos integrais, sempre que possível

– lembrar de escolher, em função do meu desejo. não me deixar levar pelo impulso ou pelo “efeito grupo”: “eu realmente QUERO comer isso?”

– e finalmente: não virar uma chata neurótica com a alimentação. continuar tendo prazer em comer, dividir refeições, exagerar de vez em quando, comer simplesmente porque é gostoso.

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em 5 meses perdi 11.5kg. estou estacionada neste momento, e revendo novamente meus hábitos para chegar a um peso mais adequado ao meu tamanho. tenho absoluta certeza que vou chegar a um peso melhor, é só questão de paciência e persistência. meu maior esforço no momento é identificar mudanças de comportamento que possa carregar para a vida toda. pois esse movimento que estou fazendo é porque quero viver meus próximos 50 anos — oxalá 🙂 — com um corpo mais leve, mais ágil. carregar a mim mesma tem sido difícil, essa é a verdade. ainda tenho 15kg (ou 10kg, segundo a meta colocada pela minha nutricionista) pra deixar pra trás, e poder caminhar só com o peso realmente necessário.

comer também serve para acumular, como preparação para os tempos difíceis. pois eu decidi que os tempos difíceis se foram, e tenho muita fé no futuro. não preciso de bagagem extra.

agora falta o próximo passo, não menos importante e pra mim extremamente difícil: sair da inércia, me mexer, fazer o sangue circular. porque quando eu chegar aos 90, quero estar caminhando pelo meu sítio e cuidando da minha hortinha 🙂

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eu hoje!

Bêj!

fim do mundo o quê, rapá!

dezembro 21, 2012 4 comments

eu e meu mocinho guarda-costas, semana passada. eu sorrindo, como quase sempre, e ele com essa cara de mau que definitivamente não tem, era só graça mesmo.

que 2013 seja lindo!

Marrento, de cabelinho novo <3 (OU guarda-costas da mamãe)

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sou mais macho que muito homem

setembro 14, 2012 10 comments

por conta das redes sociais me vejo cada vez mais embrenhada em assuntos que sempre fizeram parte da minha vida, mas sem nenhum tipo de engajamento. confesso que engajamento excessivo me cansa e enche o saco. não faço parte de comunidades, grupos, não sou afiliada a nada e nem me considero parte de movimentos disso ou daquilo.

sou adepta do que chamo de “micro movimentos”. procuro fazer como aprendi — tentar influenciar os que estão ao meu redor, colocar luz sobre o que está obscuro. porque nem sempre é preciso realmente influenciar, basta trazer assuntos à tona, fazer pensar. as coisas mudam. às vezes lentamente, é verdade, mas sem dúvida.

acho que é isso que venho tentando fazer neste blog desde sempre e como venho fazendo na vida: conto minha história e minhas vivências, pensando que alguém pode ler e se inspirar (mesmo que não goste ou concorde), e tentar fazer diferente.

venho de uma família de muitas mulheres. todas elas subjugadas pelo machismo dos pobres e ignorantes (a esmagadora maioria das mulheres da família não estudou, considerando a geração da minha mãe e as anteriores). na verdade, as únicas mulheres que estudaram na minha família são do lado do meu pai, que tinham uma condição econômica melhor. mas enfim — todas elas de alguma forma massacradas pelo machismo, e obviamente repetindo boa parte do padrão.

mas não todas. algumas delas, entre elas minha mãe, nascida em 1953, foi um caso à parte. não estudou, porque não gostava ou nunca foi incentivada. era linda, de parar o trânsito. foi “presa” com 15 anos porque um policial mexeu com ela na rua (“elogiou” a bunda dela, parece), e ela mandou ele se foder. ela apanhou do pai na delegacia, na frente de todo mundo, porque era “vagabunda” e usava roupas indecentes, o que ela esperava?

saiu de casa aos 16 porque apanhava dos pais por ser muito “saidinha” e “boca dura”. engravidou (e casou-se) aos 18 anos. pensou em abortar, pagou o aborto clandestino e desistiu na última hora (era eu na barriga!). com 21 anos tinha 3 filhos. pariu a nós 3 em hospitais públicos, partos normais. praticamente não amamentou (no máximo 3 meses. não sabe explicar porque não conseguia, “não tinha leite”), nunca teve uma figura feminina que a apoiasse e ajudasse. deixou os filhos pequenos em casa para trabalhar fora o dia todo e garantir comida na mesa. foi bancária, levou porrada de polícia, cantada de muitos chefes e clientes escrotos. foi humilhada e sacaneada por colegas mulheres que se intimidavam com sua personalidade e sua aparência. sempre foi de temperamento difícil, nunca levou desaforo pra casa. de ninguém — de homem ou mulher.

foi ela que me ensinou a não ter medo do meu corpo, do meu sexo. a mostrar com orgulho meus peitos, minha bunda, meu sorriso, minha “casca”. me ensinou que meu corpo não é motivo de vergonha nem base para julgamento. que meu corpo é MEU, e de ninguém mais, e eu devo usá-lo, mostrá-lo e escondê-lo conforme MINHA vontade. e insistiu muito para que eu valorizasse meu cérebro e investisse no meu intelecto, pra ter uma vida diferente da dela, com mais escolhas (sorte minha, pois não herdei a beleza dela, o cérebro fez diferença :)). me ensinou que eu não precisava me “guardar” pra ninguém, que ninguém jamais seria meu dono, que eu era livre para ser e fazer o que quisesse, e que por isso mesmo devia aprender a ser independente e ter as rédeas da minha vida.

ela sempre defendeu nosso direito, como mulheres, de sermos donas das nossas vidas e nossos corpos. e a mandar a polícia se foder 😉

ela me ensinou, de forma direta e indireta, a me defender. que além de não me importar com julgamento, não devia temer represálias, pois é meu direito ser quem sou, vestir o que quiser, fazer como bem entender o que quiser da minha vida e do meu corpo. ela me ensinou a me impor e não aceitar ameaças, me convenceu de que eu não era mais “fraca” que homem nenhum por definição. me incentivou a responder à altura, enfrentar.

vi minha mãe enfrentar homens, alguns bem maiores que ela, alguns além de grandes, ignorantes. minha mãe já me defendeu, quando ainda adolescente, de “cantadas” na rua. olhou homens feitos cara a cara e disse que não eram bem-vindos, que fossem cuidar das suas vidas. e vi também ameaçar ir pra porrada com homens insistentes (e ela iria, estou certa disso). e eles sempre recuaram! qual era/é o segredo dela? confiança.

minha mãe é temerária. um pouco demais, pro meu gosto, mas admiro seu ímpeto e sua crença em si mesma. sempre funcionou. e era aí que eu queria chegar: ela me ensinou que eu também tenho poder. que homens não são necessariamente “mais fortes”. alguns são, outros não. cabe a mim usar minha força na hora e na medida certa. dentro de uma margem de segurança eu posso e devo medir forças e me impor, sim.

pois sempre me impus. hoje em dia já não sou jovenzinha, nem gostosa e nem ando a pé pelas ruas. mas até os quase 30 anos, fui assediada de formas leves e grosseiras, e seguindo os ensinamentos da minha mãe, me saí bem em quase todos os episódios.

em primeiro lugar, aprendi que cantada não é elogio. cantada só é elogio se você não se sente constrangida, e se é alguma abertura para o flerte. se eu não olhei pro caboclo, obviamente não vamos nos conhecer e ele está cercado de amigos “incentivando”, não tem conversa. em segundo lugar, não é OK comentar sobre minha aparência e sobre minha roupa. quando sou confrontada, reajo imediatamente o “agressor”, sempre olho no olho, de frente. digo que não gostei, e que guarde seus comentários para si. já cheguei a dizer “não tenho medo de você. não conheço você, e você não me conhece. não se meta com quem não conhece!”

já mandei homens (em grupo) pararem de comentários e saírem andando, que não queria conversinha. “anda, anda, que eu não estou com paciência! não conheço vocês, e não quero conhecer”.

já fui xingada? já. com 12, 13 anos (eu já tinha corpo de mulher) ouvi muita barbaridade. eu era mais medrosa nessa época. mas reagi assim mesmo. e sempre saí de cabeça erguida, porque não tenho motivo pra me envergonhar do meu corpo, do meu sexo e nem de me impor.

e já fui embora quieta, e com medo, pelo menos 2 vezes, torcendo pra que nada de mau me acontecesse. essas 2 vezes me confrontei com um predador sexual, que ficava à espreita no caminho que eu fazia para a faculdade. ele tinha olhar de psicopata, andava com o pau de fora nos cantos da rua, em locais ermos, e eu sabia que se houvesse confronto era pra valer e teria que lutar pela minha integridade física. eu tinha 18 anos, e tive muito medo. se fosse hoje, eu chamaria a polícia. se não funcionasse, na boa? chamaria uns amigos pra dar uma surra nele de deixar aleijado pra sempre.

e esse texto não é só para mulheres. é para os homens que pensam que é OK dar “cantada”; é para os gays e trans que sofrem assédio também, e ouvem “piadinhas”. boa parte do poder que os “machos adultos brancos” têm vem de nós, que permitimos que eles se imponham. vem também de outras mulheres que perpetuam o discurso de vítima e não se impõem, seja por medo ou comodidade.

pese e julgue, sim, quais batalhas você vai abraçar. não vale a pena passar o tempo todo brigando, e há batalhas com risco alto demais, mas não se acomode. mude a você mesma/o, deixe pra trás essas ideias de que você não pode/deve isso ou aquilo, ou que você é frágil, fraca, vulnerável.

imponha-se, mulher 🙂

conhecendo a escandinávia

Maio 4, 2012 2 comments

sei que ando sem tempo, mas tempo pra férias eu sempre arranjo 🙂 essa história de nunca tirar férias eu simplesmente não compro, não importa qual é minha posição profissional e nem meu cargo. acredito que esse tempo de folga é necessário para não só descansar a cabeça mas também ter ideias novas, arejar mesmo. sei que sou melhor porque viajo e tenho tempo para explorar novos lugares e culturas. então nunca deixo de aproveitar as férias, da melhor forma.

essa viagem pela escandinávia é um sonho antigo, nascido muito antes do otto, muito antes do meu casamento inclusive. o sonho era um pouco diferente do que foi possível realizar, é verdade — originalmente eu queria conhecer a dinamarca, noruega, suécia e finlândia + aquele pedacinho da rússia que faz fronteira com a escandinávia. tudo de trem, mochilão e tal. e ver a aurora boreal!

a viagem real — realizada em 16 dias e com um bebê de 19 meses — foi bem mais modesta (e cara), mas foi muito bonita e interessante. os detalhes de viajar com o bebê eu conto lá no fabricando, pra quem interessar. aqui vou contar mais ou menos o que fizemos em cada dia, e minhas impressões sobre o que vimos e vivemos.

copenhagen e roskilde: dias 1, 2 e 3

viajamos de executiva (decisão 100% em função do bebê, e muito acertada), chegamos relativamente descansados e fomos recebidos pela linda mawá, que já estava por lá com o weno. ficamos num hotel muito bonito e confortável (considerando que todos os hotéis na cidade têm quartos minúsculos), que recomendo muito para os apaixonados por design.

aliás, a escandinávia é o sonho de todo designer. tudo é lindo, pensado para ser funcional e agradável. eles são muito criativos, e até o aeroporto tem pequenos toques de design que fazem a diferença.

chegamos tarde no 1o dia, e tiramos o fim da tarde para descansar e comer. no dia seguinte fomos ao museu louisiana, que está entre os mais bonitos que já visitei. ele é todo projetado para se integrar ao ambiente externo, com muitas paredes de vidro e grandes janelas. a vista para o mar é incrível, e o jardim é um passeio por si só. tivemos sorte de ver lindas exposições de foto e instalações temporárias. e compramos algumas das coisas lindas da loja do museu, que é imperdível.

neste dia também fizemos algumas compras necessárias — casaco e macacão impermeáveis pro otto, pois estava chuviscando e com temperaturas ainda muito baixas. andamos pelo centro da cidade, fechamos o dia jantando num restaurante chinês, pensando o quanto é maluco estarmos com um bebê, em copenhagen, jantando com nosso casal de amigos preferidos do brasil num restraurante chinês…

no dia seguinte compramos um carrinho de bebê (não conseguimos alugar) e fomos visitar roskilde, cidade que foi capital da dinamarca antes de copenhagen. lá está uma das grandes catedrais do país, onde estão sepultados os reis e rainhas da dinamarca. também lá fica o maior museu de barcos vikings do país. a cidade, além dessas atrações, é muito bonita. fizemos um passeio a pé, atravessando a cidade, passando pela catedral e descendo até o mar por um caminho no meio de uma pequena colina que tem resquícios da primeira igreja daquela região. não conseguimos pegar nem o museu nem a catedral abertos (somente no verão eles mantêm tudo aberto até um pouco mais tarde), mas a paisagem valeu a visita.

na volta, pegamos um táxi cujo motorista falava um inglês lindo, e nos contou um pouco sobre a cidade e seu passado. e se espantou que alguém saia do brasil para visitar a fria dinamarca 🙂

jantamos neste dia num caríssimo restaurante australiano, mas a comida estava impecável (comi um kit de creme bruleé preparado com 3 condimentos diferentes que foi um espanto!). novamente nos espantamos por estar ali juntos, tão longe da nossa terra, comendo comidas estrangeiras. acho que uma das coisas que mais amo no weno e mawá é essa eterna capacidade de se espantar com a vida, com os pequenos milagres, assim como a gente. é muito bom ter amigos que compartilham destes pequenos prazeres.

veja fotos desse trecho da viagem.

estocolmo: dias 4 e 5

viajamos logo cedo para a suécia, de avião (com wifi, pra meu espanto), com a mawá. saímos do aeroporto direto para o super-trem-bala e dali para o hotel. o hotel é um caso à parte — lindo, chique, totalmente inadequado para viagens com filhos 😉

almoçamos num lindo restaurante, experimentando a comida típica da suécia (almôndegas e purê de batatas com molho) e depois fomos caçar uma bota pra mim, que a minha abriu o bico. chovia e fazia muito mais frio do que esperávamos, e acabamos fazendo um passeio de ônibus pela cidade e voltando para o hotel nos esquentar.

no dia seguinte fomos passear pela cidade e conhecemos o centro antigo, uma loja de quadrinhos massa (onde tiramos foto com um trooper e tudo :D), o museu nobel e o metrô. deixamos o weno e mawá passearem enquanto nós voltamos para o hotel, pra descansar e comer.

no dia seguinte acordamos cedo pegamos o avião para o próximo destino: oslo.

veja fotos desse trecho da viagem.

oslo: dia 6

chegamos pela hora do almoço, fomos para o hotel e apelamos para o velho e bom restaurante japonês (ninguém falava inglês, mas comemos bem!). fomos então conhecer o famoso parque frogner, enorme e cheio de esculturas incríveis. não conseguimos gastar quase nenhum tempo por lá, pois estava muito frio e chovendo, mas deu pra conhecer um pouco da cidade no passeio de ônibus. a mawá nos encontrou mais tarde no hotel, e fomos dormir ansiosos pelo próximo (e mais esperado) trecho de viagem.

veja fotos desse trecho da viagem.

norway in a nutshell: dia 7

esse foi o passeio que mais planejamos, e que motivou a viagem. a norway in a nutshell organiza viagens pela região, de acordo com a disponibilidade de tempo. escolhemos o passeio de 1 dia, que inclui a viagem de trem de oslo a flaam (parando em myrdal), barco de flaam a gudvangen, daí até voss de ônibus e finalmente um trem até bergen. a viagem começa às 8h da manhã e termina depois das 20h!

é simplesmente lindo, e tivemos sorte de pegar um dia limpo, com várias porções de céu azul. o trecho até flaam é no meio das montanhas, com muita neve e estações de esqui. o trem que desce para flaam é mais antigo, e lindo. há um intervalo antes da viagem de barco, no meio das montanhas e à beira da água. o barco navega entre os fiordes, passando por fazendas e pequenos povoados no sopé das montanhas de pedra, ainda com neve no topo. as gaivotas acompanham a viagem toda, ao lado do barco voando. vestimos todas as roupas que tínhamos pra enfrentar o vento, mas ainda assim tivemos que nos abrigar do lado de dentro e brigar com uma trupe de turistas orientais (coreanos? vietnamitas?) muito mal-educados por lugares para sentar. nem mesmo com bebê no colo facilitaram nossa vida, mas no fim acabamos arranjando lugares para sentar e aproveitar o passeio.

o trecho de ônibus e trem é igualmente bonito, passando por lagos, pequenas cidades e catedrais, tudo muito cheio de neve. vimos lagos ainda congelados — a primavera pelo jeito não tinha chegado ainda por aquele pedaço do mundo 😉 — e muita, muita neve.

chegamos à bergen já era noite, e felizmente tínhamos conseguido reservar apartamentos (tipo flat), como alternativa aos caríssimos hotéis. os apartamentos eram excelentes, e pudemos preparar o jantar em casa, lavar e secar roupa, e dormir muitíssimo bem.

veja fotos desse trecho da viagem.

bergen: dias 8 e 9

acordamos e fomos explorar a cidade, tomar café e comer os maravilhosos pães que eles fazem. nossa primeira visita foi ao museu de design da cidade, bem pequeno e pra ser sincera meio sem graça 🙂

almoçamos num italiano, pra variar, e nos divertimos com o otto comendo sua primeira refeição completamente sozinho!

descobrimos que uma das atrações da cidade era o aquário, e fomos a pé do centro até lá, conhecendo a cidade no caminho. tudo muito pequeno e lindo, ruas estreitas e cheias de cor (talvez para compensar os mais de 200 dias de chuva do ano?). o aquário é uma graça, cheio de peixes e animais interessantes especialmente para crianças. o otto ficou apaixonado pelos pinguins e leões marinhos, e nós também 😀

voltamos caminhando — sob protestos meus– e fomos fazer compras do jantar. pasmem:  GANHAMOS tudo que compramos, graças a uma promoção da rede de supermercado (eu ainda acho que a mawá é que deu sorte). preparamos nosso jantar, e compartilhamos o prazer de jantar tranquilamente “em casa”.

aí a gripe se instalou definitivamente: eu e otto ficamos muito mal e decidimos não sair de casa por um dia todo, aproveitando que estávamos num apartamento. a mawá foi andar no bondinho da cidade e explorar o mercado de peixe, e fez fotos lindas. nós ficamos de molho, e foi ótimo porque choveu e estávamos realmente um caco.

a mawá voltou a copenhagen neste dia, e no dia seguinte seguimos viagem para o sul da noruega. nos separamos dela com muita saudade, foi muito gostoso estar com ela estes dias <3

veja fotos desse trecho da viagem.

(aproveitem e vejam as fotos maravilhosas da mawá dessa viagem toda!)

sul da noruega: dias 10, 11 e 12

alugamos um carro (apesar do preço extorsivo) para viajar contornando o outro fiorde que queríamos visitar. esse trecho da viagem foi lindo, mas confesso que não aproveitei muito porque estava realmente muito doente. há anos não ficava nem resfriada, e essa gripe derrubou a mim e ao otto. ficamos com nariz muito entupido, tosse, dor no corpo e falta total de apetite (bem, suponho que ele também tenha ficado com estes 2 últimos, tomando a mim mesma como base). mal consegui tirar fotos, e dormi uma boa parte da viagem.

almoçamos num lugar lindo, em uma cidade minúscula na beira da água, e dormimos numa pousada na montanha, cercada de uma paisagem incrível. comemos bem, o quarto era bom e dormimos o que foi possível estando doentes. resolvi passar num médico para ver como estávamos (estava preocupada com garganta e ouvido, e a tosse que não passava), consegui uma consulta e uma prescrição de xarope. o otto não podia tomar nada, e só nos restou paciência (ele chorava cada vez que tossia :(). continuamos em direção ao sul, apreciando paisagens maravilhosas enquanto viajamos por uma estrada estreita que contorna o fiorde, e paramos em stavanger.

a cidade é muito bonita, e o hotel que ficamos é bem na beira da água, com uma linda vista. fechamos o dia com a primeira pizza do otto, e a mais cara das nossas vidas: R$115 reais! no dia seguinte fizemos um passeio de barco para visitar um outro fiorde próximo, e embarcamos para atravessar da noruega de volta para a dinamarca por mar, na nossa primeira viagem de barco dormindo em cabine.

dormir em um barco não foi uma boa experiência pra mim. acordei várias vezes à noite balançando, e confesso que fiquei com medo. eu, que não tenho medo de avião nem em turbulência, me apavorei com o balançar de um ferry! tsc. o chuveiro, pra compensar, era maravilhoso, e o café da manhã também, a despeito da minha falta de apetite crônica.

as fotos deste trecho estão misturadas com as de stavanger, me perdoem 🙂

norte da dinamarca: dia 13

desembarcamos no norte da dinamarca, e aproveitamos para visitar o ponto mais ao norte do país, skagen, que tem uma paisagem bem peculiar, vejam fotos no google.

o fer foi tirar fotos do local, eu e otto ficamos dormindo no carro pois o vento estava muito forte e simplesmente não tínhamos condições de enfrentar o lado de fora (dois zumbis gripados).

paramos na cidade para almoçar e caminhar um pouco, é uma daquelas cidades minúsculas e perfeitinhas, especialmente num domingo de manhã. dali seguimos para o próximo destino, aproveitando a paisagem no caminho.

aalborg e randers zoo: dia 14

acordamos e depois de um café muito bom como sempre, fomos visitar o site arqueológico viking próximo da cidade, lindholm hoeje. eu visitei esse museu há 15 anos, e gostei muito, pois além de muito bem organizado, os achados arqueológicos são excelentes, muito conservados. é interessante poder conhecer como viviam os vikings na idade do ferro, de forma tão precisa. aproveitei e comprei de novo um anel que comprei nessa primeira visita e perdi. passeamos pelo museu (o otto adorou explorar tudo, estava bem vazio e ele pode ficar à vontade) e depois rapidamente pelo sítio arqueológico.

as cidades são todas muito próximas, então seguimos viagem e conseguimos visitar no caminho o zoológico tropical de randers, um lugar incrível que recria o clima e o ambiente da ásia, áfrica e américa do sul. é realmente uma estufa (calorão), com animais e plantas típicos de cada região. muitos animais ficam soltos, e é incrível mesmo de visitar, fiquei feliz por ter conseguido. o otto adorou (apesar do calor) e nós também 🙂

neste mesmo dia viajamos para odense, nossa última parada antes de copenhagen.

odense: dia 15

essa é cidade onde nasceu hans christian andersen, e tentamos visitar o centro cultural especialmente desenhado para crianças, mas estava fechado 🙁 passamos na loja do museu (que não é na verdade uma boa atração para crianças) e levamos algumas lembranças para quando o otto crescer, em especial alguns pôsteres lindos que eles vendem.

fomos então em direção a copenhagen, mas não sem antes dar de cara com a porta de um museu viking no caminho que só abre no verão 😀

esta noite jantamos com o weno novamente, no hotel, fazendo a maior bagunça de comida chinesa. matamos a saudade, e dissemos um “até breve” 🙂

de volta a copenhagen: dia 16

esse foi nosso dia de preparação para ir embora, e de tentar fazer compras. não consegui comprar na danafae, infelizmente (não aceitam cartões de crédito internacionais!), mas conseguimos passar na IKEA (comprei 1 babador pro otto e guardanapos, só) e na toys’r’us pra o otto brincar um pouco.

não tínhamos muito tempo livre, na verdade, e fomos pro aeroporto fazer check-in e finalmente voltar pra casa. a viagem de volta foi tranquila, para nosso alívio, e às 5h pisamos no brasil 🙂

se quiserem saber mais sobre como foram os detalhes com o bebê, confiram lá no fabricando. foi fácil? não. valeu? VALEU. é uma linda viagem, com paisagens inesquecíveis. recomendo!

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o dia mais feliz

Fevereiro 22, 2012 2 comments

estou longe, mas o amor e os desejos de saúde, felicidade e tudo de melhor que existir são mais fortes que nunca. e o poema que escolhi pra ele desde sempre é ainda mais apropriado!

sim, você está sempre comigo, onde quer que eu vá.

feliz aniversário, meu amor e companheiro. que a vida seja melhor e mais bonita, hoje e sempre, que façamos nosso futuro ainda mais brilhante e bom.

i carry your heart with me(i carry it in
my heart)i am never without it(anywhere
i go you go,my dear;and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
                                                      i fear
no fate(for you are my fate,my sweet)i want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it’s you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that’s keeping the stars apart
i carry your heart(i carry it in my heart)
 
Categories: família