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sobre aprendizado e privilégios

agosto 31, 2017 Leave a comment

Coincidências, sinapses que conectam pontos, sei lá — acabo de ler um texto que é muito legal mas que disparou aqui em mim um incômodo, e graças ao meu poder mágico de conectar lé com cré entendi o motivo.

 

A moça do texto conta sobre ouvir uma música no supermercado e cantá-la a plenos pulmões, e isso ter sido divertido (imagino; adorei a ideia). Ela menciona que ouvia o álbum enquanto adolescente, e sabia tudo de cor. Um álbum de jazz moderno, gringo.

 

Corta pros meus pensamentos aleatórios de outro dia, eu já volto aqui.

 

Fui conhecer jazz depois dos 18, na faculdade, graças a amigos. O mesmo vale pra música erudita, e artes plásticas em geral, e cinema. Os amigos que me inundaram de novas referências na vida eram predominantemente ricos, bem ricos. Nós outros, inteligentes e interessados porém pobres tínhamos outras referências — cultura popular, MPB, samba de raiz, de fundo de quintal.

 

Parece clichê, né? Juro que não tou forçando a barra. Guardadas exceções raras (pobres filhos de músicos ou artistas), quem tinha acesso à arte eram mesmo os ricos. E nem preciso dizer brancos, né, quando se trata de faculdade de elite, fica implícito.

 

E o inglês, né. Que eu só pude estudar depois de formada, quando podia pagar. Até lá, era o inglês meia boca que a escola pública ofereceu e eu agarrei com unhas e dentes. Como aliás agarrei todo conhecimento que me foi oferecido através dos novos amigos que nunca pude ter — nunca aprendi tanto em tão poucos anos. Até hoje sinto reflexos daquela época (e descobri essa semana que eu, olha o espanto, apresentei a um dos amigos da época a POESIA).

 

A poesia. Que descobri num trabalho escolar no 2o colegial do colégio público — Drummond me iniciou. Eu estava com o pé quebrado e decorei A máquina do mundo para uma apresentação. Decorei e dissequei, porque por sorte a edição do livro dele na biblioteca paupérrima era comentada.

 

Um mundo enorme se abriu pra mim quando li poesia comentada, quando meus amigos ricos me mostraram coisas com as quais eu nem sonhava, e quando pude viajar e ver as obras que só conhecia pelos livros poucos que chegaram até mim.

 

Voltemos à história da moça: eu tive inveja de alguém que falava inglês na adolescência e ouvia jazz em casa. (E a qualidade musical na minha casa era excelente, não me entendam mal. Essa sou eu reclamando do que não tive)

 

E sei que também fui muito privilegiada. Minha família tem uma riqueza musical e cultural enorme, e tive muita sorte.

 

Mas o álbum preferido de uma adolescente ser de jazz me deu uma pontada de inveja forte aqui, lembrando do meu deslumbramento com Miles Davis e Coltrane já maior de idade.

 

Algumas pessoas não sabem a sorte que tem.

 

(Mas eu sei. E sou grata.)

Categories: múltiplos, música

7 curiosidades sobre mim

novembro 22, 2013 Leave a comment

brincadeira do facebook que achei legal registrar aqui!

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1. Comer banana crua me dá coceira nos dentes
2. Acho meu pé esquerdo lindo e meu pé direito horroroso
3. Minha pele fica vermelha (rosa) imediatamente por qualquer coisa — encostar, frio, calor, vergonha (mas passa logo)
4. Durmo muito rapidamente e sob demanda (se preciso dormir em qualquer horário, durmo)
5. Tenho um mau humor insuportável quando estou com fome
6. Esqueço segredos que me contaram. E filmes (como de nunca tivesse visto, até chegarem os momentos finais, aí lembro tudo)
7. Imito muito bem sotaques, inclusive de idiomas que não domino

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apanhado

outubro 23, 2013 Leave a comment

de lá do meu facebook!

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o alex castro, vocês conhecem? conheçam. ele é foda.

“o mal é a falta de empatia. o mal são os olhos cegos e os ouvidos moucos. o mal é a desatenção e o autocentramento. o mal é aquilo que sinceramente não me ocorre, que realmente não enxerguei, que juro que não ouvi, que não sei como fui esquecer.”

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uma linda carta de stephen fry para si mesmo aos 16 anos. uma carta sobre amor.

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esta tribo brasileira não tem números (contagem) em sua linguagem. e nem recursividade. não é incrível?

pra quem não sabe o que é recursividade na linguagem, um exemplo bonitinho:

João amava Teresa que amava Raimundo 
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili 
que não amava ninguém. 
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, 
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, 
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes 
que não tinha entrado na história.

(quadrilha, carlos drummond de andrade)

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manara. que descobri que conhece um amigo meu, italiano. não é chocante que ele esteja a apenas UM grau de separação? o mundo é louco.

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sobre o grande assunto de testes em animais, esse artigo é bastante interessante, pois explora um pouco os detalhes sórdidos das empresas que em tese não testam em animais. dizer que não testa o produto em animais não é suficiente, pois é preciso garantir que toda a cadeia de valor envolvida também não testa (impossível), e que os ingredientes não são testados (impossível, 2).

as leis é que precisam mudar, mas antes delas, algumas escolhas precisam ser feitas por nós como espécie. será que estamos dispostos a investir mais em técnicas alternativas, ou abrir mão de alguns testes? (por lei, em alguns países, isso hoje nem é possível).

assunto complicado, mas que vale nossa reflexão. se continuarmos pressionando a indústria (cosmética e farmacêutica), talvez isso ande mais rapidamente. continuemos!

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pegar friagem dá resfriado? não, claro que não 🙂

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essa campanha mostra o que aparece como sugestão de busca no google quando você procura por “mulheres devem” e “mulheres não deviam”. triste, e assustador.

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e no centenário de nascimento de vinícius de moraes, um poema em homenagem à minha vênus em touro:

Não comerei da alface a verde pétala 
Nem da cenoura as hóstias desbotadas 
Deixarei as pastagens às manadas 
E a quem mais aprouver fazer dieta. 

Cajus hei de chupar, mangas-espadas 
Talvez pouco elegantes para um poeta 
Mas pêras e maçãs, deixo-as ao esteta 
Que acredita no cromo das saladas. 

Não nasci ruminante como os bois 
Nem como os coelhos, roedor; nasci 
Omnívoro; dêem-me feijão com arroz 

E um bife, e um queijo forte, e parati 
E eu morrerei, feliz, do coração 
De ter vivido sem comer em vão.

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é tanta coisa que não cabe num post

Maio 28, 2013 2 comments

tenho usado muito o facebook, e percebi que escrevo por lá de forma resumida coisas que queria escrever aqui, mais elaboradamente. mas o facebook eu uso no celular, com tanta facilidade, que acabo deixando pra lá. será que é assim que os blogs vão morrer? é possível. mas enquanto ele vive, vou trazer algumas coisas de lá pra cá. até porque muita água passou debaixo dessa ponte virtual desde que comecei a escrever aqui, em 2000 (esse mês são 13 anos!), muitos aplicativos nasceram e morreram e o blog tá aqui. firme e forte.

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então, fiquem com uma receita delícia de sopa de legumes feitos no forno. não é uma boa ideia? assá-los dá um sabor especial, e evita aquele gosto aguado.

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este artigo é uma tradução de um texto que li há algum tempo, falando sobre como conversar com meninas. uma das grandes armadilhas (e eu caio nela, sempre, se não estiver atenta) é elogiar e comentar sobre a beleza ou aparência das meninas. por que fazemos isso? e por que em especial com meninas? (ou você comenta com meninos “nossa, como você está lindo! seu cabelo é maravilhoso”. não, né?)

porque somos machistas. porque presumimos que meninas devem ser bonitas, ter boa aparência. perguntamos (eu não pergunto, zeus me livre) de “namorados”. não perguntamos do que gostam, do que brincam, pelo que se interessam.

devíamos.

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este vídeo hilário recria as situações que nós, pais de crianças com mais ou menos 2 anos de idade, passamos. se não tem filhos, assista e ria muito (é assim mesmo). se já passou dessa fase, relembre 🙂

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esse artigo levanta uma questão importante sobre a sexualização de crianças. ensaio sensual com uma menina de 10 anos? por quê? e os pais, nessa história? não deviam preservá-la de situações de exposição como objeto?

a mãe é modelo, a profissão que mais objetifica a mulher. que exemplo estamos dando?

não tenho opinião 100% formada sobre a questão, mas na dúvida eu não exporia minha filha de 10 anos a um ensaio “sensual”. nosso mundo está maluco — crianças se tornaram o centro do universo, podem tudo, e ao mesmo tempo estão sendo expostas a questões de adultos cada vez mais cedo.

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esse artigo é tão legal que vou escrever um post em separado, só pra ele (em inglês): “você não é o seu corpo“.

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e finalmente, pra fechar, texto excelente sobre como é ser uma mulher. pra quem acha que ser mulher é moleza, e que machismo “não existe”. leia, e saiba como é.

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um pouco de tudo

junho 3, 2011 Leave a comment

comprei um ipad2 e estou completamente apaixonada. ele é lindo, leve, é um iphone muito melhorado (e eu já era fã do meu iphone!). fazer coisas simples como ver vídeos, fotos, navegar na internet e ficar no twitter se tornaram ainda mais gostosas e bonitas.

isso porque nem comecei a usá-lo para o propósito principal (no meu caso), que é ler. estou aqui ainda namorando o bichinho, mas em breve espero levá-lo pra cama todo dia 😀

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estou em meio a mudanças e projetos pessoais e profissionais (tudo misturado) muito legais. ainda não posso contar detalhes, mas é tudo muito bom e divertido. especialmente pra alguém como eu, que adora administrar atividades e pessoas e ama mudanças. quer me ver feliz? proponha um desafio, mude minha rotina. adoro!

espero que em breve possa vir aqui contar as boas novas, e contar com vocês pra espalhar meu sonho por aí!

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o cansaço, gente, é imenso. já perdi até um pouco da noção de como era minha vida antes-do-bebê, e toda sua demanda. e por mais que ele seja apaixonante e fofo e querido (e é), cansa demais. é uma fase de total dedicação mesmo, suponho que até pelo menos os 2 anos de vida dele, e afe, parece que nunca vai melhorar.

mas sei que melhora, e me concentro em viver cada dia de uma vez. e aproveitar essas mudanças imensas (diárias!) na vida do meu filho, se transformando em uma pessoinha, um dia de cada vez. pra quem curte, acompanhe o diário do otto, que tenho mantido atualizado mensalmente.

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vou a miami neste domingo, volto na quarta. bate-e-volta, daquele tipo de viagem que eu detesto. não sei se contei pra vocês, mas odeio viajar a trabalho. podendo evitar, evito. mas às vezes é inevitável, e lá vou eu.

mil e trezentas encomendas (minhas e de outros), calculem. serei a própria muambeira.

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não tenho feito muitas coisas, mas percebi que uma das coisas boas dos últimos meses que faço com frequência é fotografar. duas coisas, basicamente: o otto e o céu 🙂 sempre fui fã de céu e nuvens, gosto muito mesmo. tirar fotos de bebê é covardia, que eu sei, mas tem sido muito divertido fotografá-lo não só pra compartilhar com os amigos e a família, mas também pra ver a evolução. li em algum lugar que a fotografia ajuda a gente a enxergar melhor, e é verdade.

meu olhar melhorou depois que comecei a fotografar, as coisas mais mínimas me interessam, estou mais curiosa e mais… encantada. sempre tive um encantamento constante pelo mundo, de forma geral, mas isso se acentuou com a fotografia descompromissada.

pois que de tudo o que mudou – e como mudou tudo, meu deus! – acho que isso foi significativo. me tornei mãe e, ao mesmo tempo, estou revendo todo o mundo ao meu redor com mais cuidado e curiosidade.

somos sempre iguais a nós próprios

Abril 1, 2011 5 comments

ultimamente não tenho lido nem visto e nem escutado quase nada (além das vozes na minha própria cabeça :)). trabalho, empreendimentos novos, bebê e casa ocupam meu tempo de uma forma que nunca imaginei possível. dormir virou luxo, alimentação e higiene é quando dá tempo, sabem como é.

mas no meio do caos, um cd lindo do renato braz tem sido um alento: outro quilombo. gosto muito do trabalho dele, e esse cd é especialmente delicioso, porque tem canções de um outro cd que gosto muito, a música em pessoa (com poemas de fernando pessoa musicados e muito bem interpretados).

segue o teu destino / rega tuas plantas / ama tua rosa / o resto é sobra de árvores alheias.

e tem também cd da vila sésamo e musiquinhas do rá-tim-bim, pra alegrar o otto 🙂

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na minha rotina maluca, sobrevivem as séries preferidas (grey’s anatomy, private practice e supernatural, que não perco nem que mundo acabe), o café da manhã e os horários de tirar leite pro menino. e só. o resto, é como o patrãozinho mandar ;D

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estou iniciando um empreendimento muito legal, que ainda não posso contar (só quando estiver quase pronto). estou muito feliz com a possibilidade de ter um negócio nosso pra cuidar, além do meu trabalho. dá uma sensação gostosa de fazer algo do zero, que pode crescer muito. estou super animada e conto mais logo que puder. contarei com a ajuda de todo mundo que me lê aqui pra divulgar, viu?

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esse fim de semana vamos para a praia com o otto pela primeira vez. estou bem animada, e morta de medo da trabalheira que vai ser pra ficar confortável com ele fora de casa. ele está comendo super-bem, vou ter que levar MUITA fruta pra ele (e pra mim), o que por si só já é uma trabalheira. e o berço, as coisinhas dele, protetor solar e etc etc etc. muito medo da quantidade de tralha que vamos ter que colocar no carro 🙂

pra não falar da viagem em si, já que ele odeia o bebê-conforto. grita e esperneia depois de 10-15min ali. todos torçam pra gente não largar ele pra viver com os bichos-preguiça da serra do mar 😀

Categories: múltiplos, opiniões, poesia

dúvidas de segunda-feira

Março 31, 2008 Leave a comment

(são sérias, façam o favor de tentar ajudar :))

por que é um problema fazer levantamento de dados de gestões anteriores do governo? sério, alguém me explica o que está errado, eu acho que não entendi qual é a verdadeira questão.

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por que as pessoas que mais precisam de ajuda são sempre as que relutam em aceitar quando oferecem uma mãozinha? (eu me encaixo nessa categoria)

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por que quando temos uma lista de coisas pra fazer as menos urgentes ou importantes parecem sempre mais interessantes?

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por que tem mulher que acha que o problema das outras mulheres é relacionado a (falta de) sexo? (aparecem sempre pérolas do tipo: “fulana é assim porque precisa de sexo!” ou “ah, essa aí precisa de um macho!”).

até entendo (embora continue achando uma idiotice) homens falarem esse tipo de clichê, mas uma mulher se posicionar assim é uma estupidez. é daqueles argumentos ruins que voltam contra a nossa própria cabeça de melão, feito bumerangue…

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e, finalmente: como preparar aquela salada de pepino agridoce dos restaurantes japoneses? (ok, essa eu vou procurar no google :D)

Categories: múltiplos

i don't wanna talk

Março 4, 2008 Leave a comment

meu deus, que avalanche.

é que eu não comentei, mas tá gritando no corpo o efeito de 2 meses inteiros de tensão e expectativa em relação às mil mudanças. mês passado foi a menstruação que atrasou (cheguei a pensar que estava grávida! era só tensão, felizmente) e esse mês veio TPM daquele jeito que a gente adora – um caminhão me atropelou e eu nem vi. dor no corpo todo, inchaço, incômodo até com o barulho do teclado. esconjuro, ave maria!

o groo segue sobrevivendo e nós fazemos de tudo pra que ele esteja bem e feliz enquanto isso. ele não controla mais as funções fisiológicas (pouparei vocês dos detalhes), então imaginem como é simples manter minimamente habitável o ambiente em que eles – os CINCO – vivem. ele mal anda, não tem muito controle das pernas traseiras. mas come e dorme muito bem, é o que nos consola. a tristeza de ver o bichinho ir embora aos poucos é demais, não gosto nem de contar.

continuamos na batalha de dar remédios pra eles de 12 em 12 horas, às vezes menos quando alguém está piorzinho. mas só o groo está malzinho; a didi e bob estão sob controle e as meninas mais novinhas estão 100%.

eu tento fazer o melhor que posso no trabalho, até porque o começo em todo emprego é sempre difícil, mas tem sido uma batalha. muitas coisas da vida pessoal pra resolver, preocupações com furões, família e casa que tornam o trabalho o menor dos problemas. não é fácil ser dona de casa, mesmo com ajuda. há coisas que só a gente pode resolver, e dá um desânimo danado chegar em casa e ainda ter montes de coisas pra arrumar e resolver.

não fosse a história de direitos iguais eu diria que o mundo devia ter mais (e melhores) banheiros femininos e uma jornada menor pra nós (ou aquelas de nós que têm trabalho depois do trabalho).

a horta está desorganizada e meio saárica depois que o jardineiro arrancou o mato. continua cheia de alho-poró, salsinha, tomate cereja, beterraba, cebolinha e berinjela, mesmo com a falta de cuidado – uma dádiva.

a moça nova que trabalha pra gente agora, a maria, é um espetáculo. faz uma comida simples e deliciosa, tem iniciativa, é rápida e gosta de ver as coisas limpas e arrumadas. ainda não descobri como agradecer à minha santa mãe por tê-la encontrado (se não fosse ela, estaríamos ainda na lama). ela chega cedo e sempre sorridente, animada, disposta. dá gosto de ver! e gosta de bichos – já se derreteu pela pretinha, que é mesmo um charme de criatura.

ontem fiz uma tentativa de entrar em um coral e, ah, nem queiram saber. estou ainda traumatizada e não volto lá por nada desse mundo. o horror, o horror. onde foi parar o senso estético das pessoas, meu deus? eu aceito todas as limitações técnicas, mas quando assassinam o bom gosto… passo mal.

me perdi na enorme cidade de vinhedo ontem à noite. dei voltas e voltas e voltas na noite fresquinha e aprendi a chegar em casa sozinha por um caminho que nunca tinha feito por mim mesma. tive um pouco de medo das ruas vazias e da noite (e sem celular! esqueci no trabalho) mas depois passou; aqui não é são paulo e as pessoas ainda cumprimentam a gente quando passam, com um sorriso.

e cheguei – mais ou menos sã e completamente salva.

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inferno astral e TPM na mesma semana? só comigo é que acontece, convenhamos 🙂 o universo colocando à prova meu otimismo, já vi tudo. mas deixa o universo comigo: tem hopi hari no sábado, faça chuva ou faça sol.

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conversinhas

Fevereiro 26, 2008 Leave a comment

às vezes leio coisas que me deixam com muita vergonha alheia, por exemplo excesso de detalhes sobre a própria vida sexual. quem quer saber se haverá intercourse entre você e Y ou não?

aí eu me lembro deste blog há 6 anos e tenho vontade de me jogar do viaduto do chá. eu apaguei aqueles arquivos vergonhosos, mas vocês sabem que nunca some de vez… é nessas horas que eu vejo que meus amigos de então podiam ter sido mais amigos e me dado um puxão de orelha bem dado – me digam se alguém realmente precisa contar pra deus e o mundo que vai trepar hoje, amanhã ou na próxima sexta-feira?

jesus, me chicoteia, porque eu mereço.

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eu li e gostei do post de 19/02 deste blog sobre cuba e a aposentadoria de fidel. tenho sentimentos controversos a respeito do assunto – gosto da idéia de oposição ao american way of life e acho medíocre ter como meta de vida morar em miami (pra não dizer USA de uma vez). não gosto da idéia da tal falta de liberdade, da inexistência da democracia… mas aqui entre nós, que porra de liberdade pobre tem em qualquer lugar do mundo? somos escravos do dinheiro e do trabalho, em maior ou menor grau. miseráveis são escravos em qualquer parte do mundo, inclusive lá em miami.

certo ou errado, eu acho fidel admirável. além de ser um cara inteligente e articulado, ao contrário do que os idiotas que discordam dos seus métodos insistem em afirmar. só gente idiota contesta idéias colocando a inteligência do outro em questão.

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sabem a lenda de midas, sobre transformar tudo o que toca em ouro? tem um tipo de pessoa que é o midas ao avesso – transforma tudo o que toca em merda.

sério, tem gente que tem o dom de estragar qualquer assunto. pode ser a coisa mais legal do mundo, tipo margaridas ou brigadeiro branco, não importa. essas pessoas conseguem encontrar coisas ruins até em coxinha de padaria que, convenhamos, é um manjar dos deuses.

ai como eu fujo de gente assim. e quanto mais eu rezo, mais assombração aparece, ca-la-ro.

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um conselho importante, a nível de estética: se você estiver ficando calvo, pelo amor de deus CORTE esse cabelo medonho. não fique como esse nosso velho conhecido. eu sei que ninguém te falou isso assim, na cara, mas eu falo: é ridículo.

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estamos com problema na contratação de banda larga aqui no meio da floresta sub-temperada de vinhedo. speedy (sai, capeta) e virtua (grrr) não chegam, portanto houston, we have a problem. alguma alma boa pode nos recomendar opções, pelo amor de deus? 😀

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voltando ao meu assunto preferido (comida, claro), minha mãe fez semana passada um pudim de capuccino que é um escândalo. prometo a receita, aguardem com água na boca.

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depois da tempestade…

Fevereiro 25, 2008 Leave a comment

… a segunda-feira amanheceu límpida e azul. eu ainda preciso lembrar de respirar, mas já consigo acordar cedo e tomar meu café na varanda, olhando os passarinhos. o modo stress-constante no qual tenho vivido nos últimos mil anos não é fácil de abandonar, mas estou me esforçando muito.

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no sábado recebemos algumas pessoas em casa para comemorar o aniversário do fer, e fizemos a quarta edição do perupatolinha. algumas coisas a compartilhar:

1) não encontramos um peru grande o suficiente e improvisamos: fizemos um tostex(*) de peru, um em cima e outro embaixo. o bicho tinha 4 asas e 4 coxas, e por algum motivo isso me parece errado. os comensais gostaram, ninguém brigou pelas coxas (que desapareceram)

2) éramos 14 pessoas e sobrou pouco (mesmo). jamais deixo de me impressionar com o poder desse prato!

3) não sobrou nada do recheio, pela primeira vez. fiz adaptações da receita com tranquilidade e o processo agora está 100% under the belt (piada interna) 🙂

4) a sobremesa foram docinhos de festa: brigadeiro, beijinho com uva verde, olho de sogra. as crianças (inclusive as maiores de 20 anos) saltitaram pela casa de felicidade

5) moças e moços queridos lavaram toda a louça. eu sei que ajudar a lavar a louça na casa dos amigos é nada mais que educação, mas nos tempos de hoje isso virou luxo que merece menção honrosa

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o melhor do fim-de-semana, no entanto foi a visita mais que querida do weno e da tati. eles dormiram por lá já na sexta e nos fizeram muito felizes até ontem com sua presença.

eu amo muita gente nesse mundo, mas são muito poucos os que são companhia tão agradável quanto esses dois. foi um fim-de-semana feliz demais!

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minha mãe voltou pra casa dela no sábado e nós ficamos órfãos. não sei se faz sentido pra todo mundo, mas a presença da minha mãe na casa dava uma sensação enorme de segurança, de que tudo daria certo e se ajeitaria. além, é claro, dela realmente resolver tudo que precisa de intervenção.

agora somos dois adultos com uma casa pra cuidar. pa-vor.

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por outro lado, neste domingo tivemos nossa primeira noite sozinhos na casa organizada e funcional. conseguimos soltar os furões – e foi delicioso, eles exploraram tudo e fizeram a maior bagunça -, jogar videogame, improvisar um jantarzinho. aquelas coisas simples que a gente só sente falta quando perde.

estamos, aos poucos, encontrando os caminhos da nossa nova vida. devagar.

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a chuva voltou com força, mas as goteiras desapareceram. ouvimos dizer que a chuva do dia da nossa mudança foi totalmente fora do normal, causou queda de muitas árvores e fez alguns estragos. inundações sem conseqüências drásticas são nosso destino desde o primeiro encontro – casal de peixes legítimo 🙂

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e falando em peixes, no próximo dia 8 completo 36 anos. de novo: pa-vor. não tenho explicação pro medo, por enquanto. acho que vou pensar nisso depois de completar meus 2*18 ou 3*12 ou 4*9 ou 6*6 anos – já tenho muito o que pensar por agora 🙂

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eu ia comentar a aposentadoria (?) do fidel, mas por algum motivo o assunto cuba costuma despertar o pior de algumas pessoas. aí eu fico num dilema: lanço a provocação e confirmo o que há de pior ou fico na moita e evito o dissabor? o problema de evitar desgostos é que, ao mesmo tempo, perdemos os gostos.

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e isso me leva ao assunto “como levar uma vida melhor”, mas fica pro post seguinte.

(*) pra quem não conhece, é uma sanduicheira que vai no fogo, com duas metades que a gente junta em cima e embaixo pra fazer sanduíche. fizemos o mesmo com o peru: um em cima e outro embaixo, com os recheios no meio 🙂

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