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representatividade importa!

Março 19, 2018 Leave a comment

Adoro fazer trabalho voluntário de forma geral, mas gosto mais ainda quando é pra ajudar outras mulheres a se desenvolverem na carreira. Sempre aceito pedidos de mentoria, palestra, coaching, bate-papo, apoio, treinamento, enfim. Quero ver a mulherada liderando, com confiança.

 

Hoje fui voluntária num painel sobre carreira, de mulheres mais (cof cof) experientes para mulheres líderes iniciando nessa carreira. Aprendo tanto com esses eventos que tenho a sensação que eu é que devia pagar pra estar lá, sabe? É sempre maravilhoso.

 

Mas nada poderia me preparar pra hoje.

 

Alê e eu respondemos muitas perguntas e dúvidas, todas ótimas. Falamos da importância de ser flexível, mas assertivas; falamos de liderar por influência e não por autoridade, e de não ter medo de errar. Ou melhor: ter medo sim, mas não deixar que isso nos impeça de arriscar. Permitir-se errar. Praticar a generosidade ao olhar para o outro, e trabalhar em conjunto aproveitando as diferentes qualidades dos colegas e equipe pra nos tornarmos líderes melhores.

 

Neste ambiente, e neste contexto, nem surgiu o tema representatividade de mulheres na tecnologia, porque afinal todas sabemos como é.

 

Aí no final, na última pergunta, essa moça (a Karla; só lembrei do nome dela depois de ver o crachá) pegou o microfone e contou essa história:

 

“Você não deve lembrar de mim, mas te conheci há 11 anos. Eu era estagiária, na equipe do Fulano e Beltrano, eles sempre foram muito legais e me ensinaram muito sobre TI, mas eu nunca senti que podia progredir nessa carreira. Eu achava que só serviria pra servir cafezinho.

 

Aí um dia você chegou, e deu uma palestra pra gente [era um treinamento sobre gerência de projetos, para TI e para o time de negócios] e eu pensei ‘nossa, EU POSSO SER COMO ELA! Eu também posso chegar a essa posição!’.

 

Eu saí de lá, não fui efetivada, mas sabia que era ali naquela posição que eu queria estar — de líder. Sendo mulher. Eu não ia servir cafezinho.”

 

Tou escrevendo aqui enquanto lembro, e chorando tudo de novo. Eu vi a Alê chorando ali também do meu lado, porque

 

PUTAQUEPARIU

 

é pra isso que a gente tá aqui, ok? Pra ajudar as outras. Pra mostrar que a gente pode ser o que a gente bem quiser. E arriscar, se expor, ABRIR esse espaço importa, e muito.

 

Amigas, queridas: se exponham. Abram espaço, ouçam essas mulheres que rodeiam vocês, sejam exemplo pra suas amigas, irmãs, filhas, primas, sobrinhas, vizinhas, ou uma estagiária.

 

O fato de EXISTIRMOS, e ocuparmos os espaços, faz diferença.

 

Não sei como agradecer à Karla por me contar essa história.

 

Perguntaram antes dessa história pra gente “como você quer ser lembrada? Qual o legado que você quer deixar?”

 

Eu quero ajudar outras pessoas a serem versões melhores delas mesmas. É isso que eu quero pra mim também: ser melhor, me orgulhar do meu caminho, encontrar formas de ser melhor e ajudar os outros.

 

Pelo menos hoje eu sei que consegui ajudar UMA moça. Não tem medida pro tamanho da minha alegria.

 

Obrigada, Karla, por persistir e acreditar em você mesma; obrigada Carine, pela oportunidade; obrigada Alê por não me deixar chorar sozinha.

 

😘❤👊🏻

Categories: feminismo, tecnologia

representatividade

junho 4, 2017 Leave a comment

Essa semana tive uma experiência que quero compartilhar, pra mostrar como ainda tem muito pra mudar no mundo, mas estamos mudando.

 

Visitei uma empresa incrível de inovação tecnológica que trabalha com IoT (internet das coisas, assunto muito da moda mas que existe desde 1999 :D). Quem me recebeu foram dois senhores (em torno de 60 anos), muito simpáticos e ótimos. Eles empregam 280 pessoas, todas da área de tecnologia (engenharia, de Hw ou Sw).

 

Como não podia deixar de ser, perguntei sobre a questão de diversidade — vocês conseguem contratar mulheres, ou ainda são muito poucas?

 

(Pausa: nos cursos de tecnologia e engenharia, somente 15% são mulheres, em média. Destas, 80% desistem do curso. Não li nenhum estudo sobre os motivos, mas suspeito que uma boa parte é graças à falta de incentivo externo — esses cursos não são fáceis, mas te tornam mais difíceis se todo mundo, a família inclusa, faz você acreditar que está no lugar errado)

 

A resposta deles me surpreendeu: “temos MUITAS mulheres aqui! Somos 4 no time senior de vendas e 2 são mulheres!”. Caramba, achei incrível. Até me comprometi a colocá-los em contato com grupos de mulheres na tecnologia, que vai ser bom pra todo mundo.

 

Aí vamos visitar o laboratório e o escritório, pra conhecer, e encontramos com a gerente de RH. O senhor, todo orgulhoso, pergunta pra ela: “conta pra ela: quantas mulheres temos no nosso time?”

 

Ela me diz, com uma carinha meio desapontada: “não somos muitas, infelizmente. Em torno de 10% somente!”

 

(Este número não me surpreende!)

 

Ele ficou super desconfortável, e eu disse: “são poucas mulheres, mas não é diferente de muitas outras empresas. Tem uma oportunidade aí, e eu ajudo a fazer uma ponte.”

 

Mas o que mais me chamou a atenção é o quanto normalizamos a falta de presença feminina em alguns lugares, a ponto de 10% ser percebido como MUITO. Não estou criticando o senhor, foi muito nítido o interesse dele no assunto e também sua surpresa ao ter sua percepção confrontada com a realidade.

 

(Mas notem que a moça de RH tem uma percepção diferente, independente dos números, e não é à toa)

 

Precisamos continuar falando sobre isso, e buscando melhorar o mix de gêneros em todos os lugares da vida. Chega de clube do Bolinha e clube da Luluzinha.