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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

sobre o horizonte

agosto 21, 2017 Leave a comment

ainda sobre a utopia e a caminhada (tão lindo, isso), fiquei pensando esses dias sobre viajar: jamais planejo viagens com muitos detalhes, e depois do nascimento do otto continuamos nos empenhando em viajar muito, sempre (apesar da dificuldade que ter uma criança junto traz, é fato).

 

o prazer de viajar, pra mim, não é o destino em si, é o caminho, a trajetória. chegar ou estar é somente parte necessária para a vivência do processo todo, da experiência que é estar em trânsito (essa sim o grande barato), a caminhada, novamente.

 

sendo mais apaixonante pra mim a caminhada que o destino, se justifique que eu ache um pouco bobo espetar alfinetes em localizações geográficas, “eu estive ali”. e também por isso insisto que viajar com meu filho, mesmo tão pequeno, é extremamente importante e valioso. ele não vai lembrar que esteve em Estocolmo (vai, porque fiz pra ele um livro de memórias de viagem, mas será uma memória construída, claro), mas ele terá vivido a experiência da caminhada, e isso deixa marcas para sempre.

 

não importa quantas vezes você visita o mesmo local, ou quantos locais você visitou na vida. o que importa é como você chegou até lá, de que forma você viveu a experiência.

 

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sobre o olhar

agosto 11, 2017 Leave a comment

(um post de 2016 ainda atual)

As duas fotos expõem diferenças, é verdade. Também é verdade que o posicionamento do fotógrafo importa na execução da foto.

 

Mas vamos, pra efeito dessa conversa, assumir que os 2 fotógrafos tinham mobilidade e escolheram seus ângulos? Que dentre as inúmeras fotos que tiraram (deve haver centenas, de cada um, da mesma partida) foram ESSAS que eles publicaram?

 

A foto da esquerda (tirada por uma mulher) mostra duas mulheres, em posições simétricas, representando extremos em relação aos costumes de vestir. Passa uma mensagem clara sobre o contraste, e não consigo observar nenhum julgamento.

 

A foto da direita, tirada por um homem, mostra a bunda exposta de uma mulher (1) no primeiro plano e ao fundo o rosto da mulher coberta, com cara de poucos amigos (2). Vamos assumir que o gesto atrás da bunda (que é parte do jogo) tenha sido uma ironia do acaso, e vejamos a foto: uma bundona com um gesto (ainda que não intencional) que remete a uma buceta versus uma mulher toda coberta de cara amarrada.

 

A primeira foto é emocionante, o contraste entre iguais é o tema; a segunda me fez pensar em rivalidade e comparação com julgamento (e não é rivalidade no jogo necessariamente; a primeira foto retrata o esporte muito melhor, inclusive).

 

Tenho muita convicção que o autor da foto da direita não pensou ativamente em nada disso quando fez a foto. Não acho que cabe criticá-lo individualmente, a questão é perceber o quanto vemos (em função do gênero também, mas não só) o mundo através de lentes GROSSAS, e não percebemos.

 

Cabe usar esse exemplo pra pensar: quais são MINHAS lentes? Ninguém vê o mundo como ele é, vemos o mundo como somos / como nos criamos. E é possível mudar, sim. Só que pra mudar precisa querer, e pra querer é preciso antes de mais nada admitir que há oportunidades pra melhorar.

 

Esse post não é uma reclamação sobre a foto da direita; é antes um convite à reflexão e uma celebração também, porque a foto da esquerda EXISTE, foi publicada e compartilhada milhares de vezes <3 Há olhares diversos, e eles começam a fazer parte do mundo. Não consigo não comemorar, apesar de.

 

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(1) Sem cabeça, como sempre. Há estudos sobre esse assunto — como desconectar partes do corpo da mulher do todo pra torná-la objeto de consumo / desejo

 

(2) “Você devia sorrir mais!”, é o que me passa pela cabeça vendo esse pedaço da foto. Ou o estereótipo de mulher-bruxa-feia-má.

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sobre navios e o oceano

julho 28, 2017 Leave a comment

Não sou de compartilhar sonho, mas esse foi tão espetacular que preciso registrar pra tentar entender.

 

Encontro com uma amiga pra almoçar, num complexo, como se fossem múltiplos hotéis. Andamos por jardins, saguões, cheios de gente, uma coisa labiríntica, e tudo começa a ficar mais velho, quebrado, estranho. Me perco dela, e decido voltar. Tento reconstruir o caminho, e nada — quanto mais volto, mais caótico tudo fica, mais destruído e intransponível. Como se o mundo estivesse acabando, como se um terremoto tivesse mexido todo o mundo, as estruturas todas.

 

Acho que vejo uma saída, e corro pra ela — é um prédio já destruído, com uma escada que sobe. Não faz muito sentido subir, afinal como escapar pelo telhado? Mas subo assim mesmo, um senso de urgência me empurrando, e as escadas começam a ficar sufocantes, cheias de coisas que preciso arrancar do meu caminho pra subir, até que praticamente me espremo por destroços e chego ao topo…

 

… e tem um mar em volta de mim, revolto. O oceano, e no horizonte vejo um transatlântico imenso, virado, soçobrando. E as ondas vindo loucamente, naquele oceano sem fim.

 

Eu simplesmente me solto no mar, e me deixo ir, boiando, esperando que seja o melhor a fazer.

 

(E o sonho fez sentido ao escrever. Que lindo.)

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astronomia

julho 14, 2017 Leave a comment

Li a íntegra das mudanças na CLT, e mesmo não sendo da área, acho que deu pra entender quase tudo.

Ouvi um professor hoje cedo na rádio USP (que recomendo muito; delícia de programação), sendo bem categórico a respeito: ele acha que a mudança favorece as empresas, majoritariamente.

Achei a mesma coisa. E também acham a mesma coisa os que defendem a mudança, porque se apoiam na lógica do mercado: se é bom pra empresa, é bom para a economia, e consequentemente bom para o indivíduo.

Eles defendem que as mudanças permitirão que tantos que hoje não se “beneficiam” da CLT possam ser contratados em regimes mais flexíveis. E que estes são a maioria — a minoria é contratada usando a CLT neste momento.

Vou acreditar nestes dados, por preguiça de pesquisar e porque não importa pro meu ponto: pode ser que seja verdade. Que mais pessoas sejam contratadas nas novas modalidades. Vamos acompanhar.

Mas de uma coisa eu tenho 100% de certeza: as empresas vão massacrar os que não têm poder de negociação. O bolo não aumentará — ele será do mesmo tamanho, dividido com mais gente. Porque é assim que funciona o mundo do lucro. Não tem milagre. Talvez a economia melhore porque tem mais gente recebendo menos, na média? Pode ser, sim.

 

Esse é um mundo melhor de se viver?

 

Vou ligar no Disk-Meteoro e conto depois pra vocês.

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Hoje descobri que o sal marinho já tem plástico em sua composição, graças à poluição do oceano.

Perguntarei sobre isso ao disk-meteoro também.

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Ah, e também ouvi um pouco hoje sobre o quando o governo está quebrado por causa da previdência, do “assistencialismo”.

Não é porque gasta bilhões com propina, nem com desvios, nem com bônus e benefícios e verbas absurdas para políticos inúteis e corruptos.

Não, a culpa é NOSSA. Que pagamos impostos e previdência pública pra receber uma miséria no fim da vida (agora nem isso, morreremos antes), e não dos chupins que drenam os cofres públicos.

Sim, meteoro.

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Que nem a crise de água e energia — quando falta, somos nós que devemos tomar menos banho e molhar menos plantas e ver menos TV. As empresas — essa benção que promove o mágico ciclo da economia — têm DESCONTO quanto mais usam os recursos.

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Tem chat online com o Meteoro? Tou precisando falar com o atendente pra já.

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mulher boa é mulher de mentira

julho 6, 2017 Leave a comment

Há muitos anos (tipo 20) discutia com algumas amigas a respeito da quantidade enorme de homens que NÃO gostam de mulheres, apesar de se relacionarem com elas. Eles o fazem muitas vezes com pesar, inclusive, e gostariam que elas falassem menos, ocupassem menos espaço, fossem menos. Que fizessem as tarefas domésticas e sexuais e desaparecessem rapidamente depois (lembram da piada recorrente de mulher virar pizza? Então).

 

Mulher não é ser humano, igual, é outra categoria de ser, que serve pra enfeitar, limpar, cuidar e ser usada. Em silêncio, por favor. Relacionamento eles têm com os brothers.

 

Essa matéria é a prova disso. É extrema, sim, mas só porque esses homens deram-se o direito (porque podem, né? Olha o tamanho do apoio social que é necessário pra isso!) de assumir que mulher perfeita = boneca.

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assombração

julho 5, 2017 Leave a comment

Toca meu ramal no escritório, a essa hora, atendo:

 

[Voz de atendente de 0800]

“Boa noite! Estou ligando para falar com…”

 

[Voz de atendente de 0800 do universo bizarro, quase gutural]

“VALDOMIRO.”

 

(Eu sequer conheço Valdomiros, na vida, mas se tinha UM nome adequado pra essa situação, é esse)

 

Não respondo, em choque, um misto de curiosidade e fascinação.

 

[voz normal de 0800]

“Se você for o…”

 

[voz de 0800 do Hades]

“VALDOMIRO”

 

[voz normal de 0800]

“… fale SIM agora!”

 

Não falo nada porque ainda estou estupefata, o que provavelmente salvou minha alma, já que todos havemos de concordar que se trata de um contato do além por telefone.

 

Ela não desiste, e continua:

 

[voz normal de 0800]

“Preciso falar com o…”

 

[voz de 0800 do Stranger Things versão Upside Down]

“VALDOMIRO”

 

[voz normal de 0800]

“… ele está?”

 

Nessa hora eu entrei numa crise de gargalhada e tentei responder, mesmo com risco de perder minha alma pro demônio (certeza que era uma entidade maligna — ela queria o VALDOMIRO, mas acho que qualquer um serve nessas horas), mas a atendente robótica do canhoto desligou.

 

E foi assim que minha alma foi salva por um ataque de riso.

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monotarefa

julho 3, 2017 Leave a comment

(Post polêmico. Contenham-se.)

Não sei como fazem as pessoas que ouvem música “o tempo todo”.

Pra mim é impossível ouvir música e fazer quase qualquer outra coisa. Ou eu ouço e sinto tanto que meodeos parece que estou em outro estado mental, ou faço outra coisa.

Não concebo trabalhar e ouvir música, ler e ouvir música. Se meu cérebro for necessário para a tarefa, música não cabe.

Consigo ouvir música quando faço tarefas automáticas somente — faxina, louça, cozinhar, dirigir.

No mais, música é sempre uma experiência ativa, e preciso estar completamente presente.

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saudade

junho 22, 2017 Leave a comment

[22-junho-2015]

Um amigo muito querido, que já se foi, tinha uma piada que era boba mas eu amava sobre a comida do boteco na faculdade (mosca frita, para os íntimos).

 

Eu perguntava todo dia “o que tem no PF de hoje?” e ele respondia imitando a voz da proprietária: “pescocinho de cavalo! Tá moliiiiiiinho…” e eu passava 10min rindo de engasgar.

 

Ele era dessas pessoas com o dom de imitar, e sinto muita falta das piadas dele. Mas cada vez que alguém pergunta o que tem pra comer e eu respondo “pescocinho de cavalo! Tá moliiiiinho…” e rio tudo de novo, lembrando dele, é como se ele estivesse logo ali.

 

Saudade, meu amigo, saudade. Seria mais divertido acompanhar esse tempo de gente sem humor com seus comentários indecentes.

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sabia

junho 20, 2017 Leave a comment

Hoje (19-junho) é aniversário do Chico Buarque, e ele é tão presente na minha vida desde que nasci que sinto como se fosse da família. Queria dar um abraço e agradecer por tudo.

 

Ele tava lá quando a gente ainda criança ouvia rádio nas tardes imensas, nas fitas cassete mix que minha mãe comprava no centro e ouvíamos em casa e no carro, nas férias, longas e boas; quando aprendi a tocar violão ele estava lá em cada músicas que tentei aprender (várias difíceis demais), tornou-se maior quando cresci e comecei a entender melhor as letras, e soube que ele falava muito mais que de amor em várias canções. Ele me acompanhou quando me apaixonei pela primeira vez (e em todas as outras), quando me encantei por todos e todas que sabiam tocar suas músicas nas rodinhas da vida e também esteve lá me fazendo chorar (e curar) quando meu coração se partiu — todas as muitas vezes.

 

Mas nenhuma música dele me dói e faz amar tanto quanto essa, simplesinha, Lola. Há muitas músicas dele que eu amo, mas essa me balança de tirar o chão.

 

“Me apagando filmes geniais

Rebobinando séculos, meus velhos Carnavais

Minha melancolia

Sabia.”

 

https://m.youtube.com/watch?v=TYPrKX-atTg

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Pão de leite

maio 6, 2017 Leave a comment

550g farinha90g de açúcar

50g de leite em pó

20g fermento seco

7g de sal
1 ovo

50g de manteiga derretida

300ml de leite
Bater na batedeira com pá por 15min
Cobrir com plástico em pote untado até dobrar de tamanho
Cortar em pedaços pequenos, fazer bolinhas, abrir e enrolar (tipo croissant), colocar na assadeira untada, pincelar com gema e deixar crescer de novo até dobrar.
Preaquecer o forno a 180C e assar até dourar. Desenformar ainda quente.

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