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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

esperando a primavera

agosto 3, 2018 Leave a comment

Agosto é o mês que virou meu segundo favorito na vida (o primeiro é o mês que eu nasci :D) desde 2010.

 

Há 8 anos eu esperava um menino, bastante encafifada com aquela barriga enorme e uma criatura que não parava quieta nem de dia nem de noite, me chutava sem parar.

 

Idealizei bastante aquele parto, e sublimei a ideia de cuidar de uma criança (até porque nunca me senti capaz de). Os dias frios foram passando, com muito sol, e a jabuticabeira encheu de flor, lotou.

 

(Mataram ela há uns anos. Quem mata uma jabuticabeira de dezenas de anos? Quem?!)

 

Saiu tudo diferente do plano, claro. Mas conto mais no decorrer do mês. Por agora, digo que todo mês de Agosto eu revivo essa espera que foi a na suspensão em outro universo, que só reconheço agora. Um mundo de flores, sol e pasmo (e esse, mal sabia eu, não passaria jamais).

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may we be happy

julho 23, 2018 Leave a comment

A gente se empenha muito em ensinar as coisas pro Otto sem precisar apelar para a autoridade. É super difícil — é muito mais fácil adotar o método de “quem manda sou eu; minha casa minhas regras”, mas a gente se esforça.

 

Ouvir música é sempre um processo — ele só quer ouvir as coisas que ele já conhece e gosta. Nem critico, afinal quem não? Tentamos então negociar, e ouvimos um pouco das músicas das nossas playlists e um pouco da dele.

 

No começo desse processo, há uns anos, eles não queria ceder na negociação. Aí era treta — ele não deixava a gente ouvir direito porque só reclamava, era um inferno. Mas foi melhorando, a gente explica sempre que tem a que ceder pra todo mundo ficar feliz e tal, até chegar no diálogo de hoje 🙂

 

(Tocando minha playlist)

 

O: “mamãe, quando acabar sua música, você coloca uma minha?”

 

Eu: “claro, só me diz qual!”

 

O: “cocoricó 3. Mas pode acabar de ouvir a sua, porque do mesmo jeito que vocês gostam que eu fique feliz eu quero que vocês fiquem felizes também!”

 

Quase estacionamos o carro pra apertar ele bem muito ❤❤❤❤❤❤

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sejamos alavanca!

julho 23, 2018 Leave a comment

Fui lá no Sarau de Valinhos, totalmente (muito bem) organizado pelos jovens, e estou ainda pensativa, além de feliz.

 

Acompanhei a linda Maria Eduarda na sua fala poderosa, forte e emocionante sobre cotas. O tambor ajudou a dar peso no assunto tão difícil, e me deixou com um misto de emoções — eu, pessoa branca, tocando tambor enquanto uma moça negra fala sobre racismo.

 

Gosto de pensar que estar ali é uma forma de alavancar a voz dela, moça negra, jovem mulher. Busquei ser o mais neutra possível, porque quem precisa brilhar é ela.

 

Enquanto dirigia pra casa, pensei tanto nisso: qual é nosso papel, nós que estamos em posições de poder seja pela idade, posição social, cor, gênero?

 

Cada vez mais acho que é apoiar, construir junto, trazendo nossa experiência para que outros possam também crescer e ocupar seu espaço.

 

Justo eu, que amo ser protagonista, quero ser também apoio, coadjuvante, quero apoiar outros cada vez mais. Seja porque me dá prazer ou porque posso. Gente, eu POSSO, e isso é o maior privilégio de todos.

 

(Cada vez mais entendo porque as pessoas que mais doam e mais são voluntárias são as que têm menos.)

 

Ajude os outros a crescer, sem querer nada em troca; não tem sensação maior de poder, de alegria, de completude na vida.

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romanticuzinha

julho 16, 2018 Leave a comment

Nem que eu quisesse ser romântica não dava. Coloco essa música pra tocar no carro e segue o seguinte monólogo com Fernando (que tá sem voz e quase morre de rir em silêncio):

– “nem sei porque lembrei dessa música. Acho essa história péssima, Julieu e Rometa… AFE TOU COM SONO!”

(Fernando rindo mudo)

— “pensando bem podia ser legal uma versão alternativa: JULIÃO E ROMISETA, a história de um pedreiro e uma travesti que se apaixonam, né?”

Fernando: 🙄😂

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dundão

julho 11, 2018 Leave a comment

Lembrei que adotamos um cão quando eu era criança que se chamava Dustin Hoffmann. Gente, sério: ele era IGUAL AO DUSTIN. Um cachorro muito sério, com olhar de triste e mega inteligente. Parecia que ia abrir a boca e falar.

 

Ele amava verduras, era um cão criado em casa de orientais. Educadíssimo, um lorde.

 

Mas como o nome é meio longo, convenhamos, apareceram os apelidos, sendo que no final ele virou Dunda.

 

Inclusive: melhor cachorro. Jamais tivemos outro igual. ❤💔

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encontrando caminhos

julho 10, 2018 Leave a comment

Essa semana tive uma experiência incrível com a prática do feedback, e divido com vocês pra lembrar que é possível melhorar o mundo, relação a relação ❤

 

Um rapaz veio me procurar muito chateado porque uma gerente (supostamente) tinha sido grosseira com ele. Queria saber o que fazer, então perguntei se queria ajuda para aproveitar e praticar feedback e pra minha alegria ele aceitou!

 

Fizemos juntos o exercício de entender a situação, o que ele pôde observar, o impacto pra ele, e o que gostaria que tivesse acontecido na conversa. Escrevemos um “roteiro” juntos pra ajudá-lo a se preparar para a conversa com ela, e também no processo ele conseguiu perceber que várias das coisas que ela havia falado faziam sentido, a FORMA é que não tinha sido adequada.

 

Na preparação, ele reconheceu a mensagem dela como construtiva, colocou seu ponto de vista, falou como se sentiu e mostrou interesse no diálogo. Disse exatamente o que esperava de próximas interações.

 

(Gastamos 15 minutos juntos nessa preparação. Tudo que eu fiz foi fazer perguntas de cada “item” e digitar o que ele me dizia)

 

Fiquei com medo dele desistir de falar com ela, mesmo tendo se preparado. Ele não desistiu — marcou horário para o dia seguinte e falou!

 

Ele me ligou pra contar o resultado, e foi lindo: ele ria, aliviado. Me contou que foi como mágica — ela escutou tudo, muito surpresa, e até pediu que ele imitasse o tom de voz dela pra melhor entender o que tinha acontecido. Ela não tinha tido a percepção de ser grosseira, mas conforme ele deu exemplos e imitou, ela aceitou e se desculpou. Admitiu que estava ansiosa e irritada com a situação, mas que não era pra ser assim. Que ela queria também preservar o relacionamento, e agradeceu.

 

Onde essa relação podia ter se quebrado, se fortaleceu, porque um deles quis construir, e o outro aceitou fazer parte da construção.

 

Foi tão legal fazer parte desse processo! Com uma ajuda de 15min pude colaborar para o aprendizado de duas pessoas, e tenho certeza que agora eles também poderão ajudar outros, e praticar.

 

Havendo desejo de construir, sempre há caminhos.

 

Que encontremos os nossos também  ❤

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des-humanidade

julho 2, 2018 Leave a comment

Apareceu um vídeo na minha TL sobre os imigrantes  encarcerados nos USA (incluindo crianças de todas as idades, inclusive os pequenos suficiente para nem falarem direito, separados de suas mães) — uma deputada inconformada com a situação que ela presenciou.

 

Fui ler os comentários, porque por mais doloroso que seja, é importante saber como as pessoas pensam a respeito.

 

Há muita gente que acha absurdo, claro, que bom.

 

Mas há tantos, tantos outros. Que acham que essas pessoas são criminosas (e se americanos vão para a cadeia, eles também podem ir, oras); que deviam ficar no seu país; que estão ali para “se aproveitar” dos Estados Unidos; que merecem o que estão passando.

 

Não sei o que é pior: julgar sem julgamento pessoas que estão em fuga do seu país por motivos diversos, odiar estrangeiros com tanto ardor ou simplesmente não se importar com a ideia de famílias inteiras sendo separadas e presas em gaiolas.

 

Aí lembrei que também aqui as pessoas não só não se importam como acham OK presos empilhados em celas, crianças separadas das mães presidiárias.

 

Porque basta encontrar um motivo para que alguém deva ser punido, e tá tudo resolvido. Ah, você cumpre pena, é bandido/a? Pode tratar como lixo, e quanto mais sofrer melhor.

 

Acho louco como as pessoas não entendem que vingança não é justiça, e que a linha que separa o “cidadão de bem” e o “bandido” é tênue, e a depender da opinião pública, super elástica.

 

Houve um tempo em que mulheres adúlteras podiam ser apedrejadas. E sexo com pessoas do mesmo gênero era passível de pena. (Ainda há países que são assim!)

 

Não é só falta de empatia, sabe? É falta de humanidade mesmo.

 

É difícil ser feliz e estar atento ao mesmo tempo.

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Renata Marinho

junho 25, 2018 Leave a comment

Hoje é dia da Renata, e aproveito pra retomar o #retratofalado (que é minha maneira de lembrar a nós todas que existem mil formas de olhar umas às outras, que vai muito além da aparência).

 

**

 

Lembro vagamente de como se parece a Renata — a gente se encontrou, salvo engano, apenas uma vez, lá no centro do Rio.

 

Mas me lembro muito dela como um átomo 🙂 — pequena, densa de pensamentos e sentimentos, enorme do lado de dentro. De fora, você vislumbra isso tudo pelos seus olhos grandes, expressivos.

 

Ela é séria, como geralmente são as pessoas que pensam demais, e aquelas que se importam muito. Você sempre reconhece os que carregam pra si as dores de outros, não? É como uma aura. Ela foi a primeira vegetariana ativista que conheci, num tempo em que mal se falava disso, há (gasp!) 20 anos.

 

Houve um tempo em que eu não entendia a Renata, e achava ela “metida”, como eu dizia quando menina. Fui ensinada que mulheres devem ser sempre agradáveis, e que as pessoas legais são extrovertidas. Demorei a perceber, nela e em outras, a beleza de ser quem se é, mesmo com tanta resistência. Ela sempre teve coragem de ser ela mesma, apesar das inúmeras resistências.

 

Ela foi uma das mulheres que me ensinou — apenas sendo — que podemos ser o que quisermos, inclusive filósofas, introvertidas, com uma inteligência brilhante.

 

Obrigada por ser quem você é, querida! Parabéns pelo seu dia <3

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dizer não é dizer sim

junho 22, 2018 Leave a comment

Já fiz terapia em 2 ocasiões (voltei ano passado), em momentos muito diferentes da vida mas com uma coisa em comum: preciso de ajuda para estabelecer limites. Eu não só deixo como convido as pessoas a ultrapassarem meus limites. Eu rio dos limites 😀 e me estropio toda me desdobrando e querendo dar conta de tudo, pra todo mundo.

 

(E nem sempre os problemas chegam pra mim; eu corro atrás deles. Me segura que tem um problema ali pra resolver…)

 

Não pode, né? Não tou aqui pra resolver coisas nem dar conta de nada, e muito menos pra ser muro de arrimo pra ninguém. Preciso, devo e quero dizer *não*, colocar limites, deixar claro pras pessoas o que EU quero. Pensar mais em mim, e menos nos outros.

 

(Se você tem a impressão que eu sei colocar limites, tá super enganado. Me esforço muito pra agradar as pessoas, e me coloco em 2o plano frequentemente, tentando dar conta de tudo. Meus *nãos* vêm com esforço)

 

Mas tou aí, na batalha — cuidar mais de mim, da minha felicidade, é meu desafio.

 

E a coisa que mais me chamou a atenção nesse processo que dura tantos anos é que nas duas ocasiões em que empenhei nisso o resultado foi similar: várias pessoas se incomodam com minha mudança. De repente já não gostam mais tanto assim de mim, me procuram menos, ou se afastam de verdade.

 

Claro que eu fico triste. Afinal, não é à toa que eu quero fazer tudo pra todo mundo e só dizer sim, né? 🙂

 

Só que agora bem mais que há 15 anos percebo e aceito as limitações dos outros, e as minhas. Não posso agradar todo mundo. Nem todo mundo vai gostar de mim. Eu não preciso gostar nem acolher todo mundo. Eu mereço gastar minha energia comigo mesma. Como os outros reagem à minha imposição de limite é problema deles.

 

Há 15 anos aprendi a dizer não com mais facilidade; agora estou aprendendo a lidar com as consequências com mais serenidade.

 

Sempre que colocamos limites, há resistência, e eventualmente vamos ter que abrir mão de alguma coisa.

 

Não tá tudo bem, não é fácil; dói. Mas tá OK, passa e a vida segue. Tudo é passageiro (menos o cobrador e o motorista hahhahaha) e os incômodos passarão… eu passarinho 🙂

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uma idade avançada

junho 11, 2018 Leave a comment

Quando eu fiz 30 anos, a Kelly me ligou pra dar parabéns e dizer que (caso eu não soubesse) a bunda da gente caía *exatamente* no dia que a gente fazia 30.

 

Rimos muito, e a bunda não caiu (aconteceu bem depois, já nos 40, mas só um pouquinho e porque sou sedentária; a dela tá lá firme).

 

Nunca liguei de ficar mais velha, tenho achado até legal… até esse ano, os 46.

 

Percebi que minha visão não é mais igual. Ainda enxergo super bem, mas mudar do celular pro notebook, pro papel ou principalmente pra TV (legendas) tá ruim, tá difícil. E ler quadrinhos, livros infantis com papel colorido tá sofrido.

 

Aliás, tou sofrendo. Tou detestando observar meu corpo envelhecer, e aguardo uma solução para viver para sempre, favor acelerar isso aí, pessoal das ciências.

 

💔

 

(Por outro lado, como a nossa cabeça melhora, como é bom ter mais idade!)

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