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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

blackout poetry

Abril 3, 2018 Leave a comment

Aprendi com a Daniela que existe um negócio chamado #blackoutpoetry — a ideia é usar livros para (re)construir poesia (ou uma tentativa né?).

 

Minha primeira reação foi de horror; não consigo nem sublinhar meus livros, quanto mais anotar, rabiscar ou pintar.

 

Justamente pelo incômodo eu quis tentar, porque sou dessas (se me dá medo e incomoda já quero entender melhor e arriscar).

 

Achei o livro perfeito: Atlas Shrugged. Comprei esse livro há 10 anos por recomendação de um colega de trabalho que de revelou uma pessoa MUITO HORRÍVEL, e não li nem tive coragem de jogar fora. Mas agarrei ódio sem ler.

 

Aí, olha que oportunidade? Arranquei páginas e tou transformando em outra coisa.

 

Melhor que terapia <3

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quem tem privilégio precisa ouvir, sim.

Fevereiro 23, 2018 Leave a comment

Sobre esses temas polêmicos (racismo, machismo, outros): pode não parecer, mas eu leio e concordo com várias coisas que os críticos do que enxergam como “exageros” pontuam.

 

Li o texto da E. Brum e fiquei constrangida. Bloqueei o perfil da Stephanie no FB. Saí de diversos grupos feministas / transgênero por me incomodar com opiniões muito agressivas, sem abertura pro diálogo e pro diferente. No limite, a resistência se torna tão radical que se aproxima em postura dos que está combatendo, e isso me dá um enorme desânimo e cansaço.

 

MAS,

 

se for pra tomar partido ou me colocar sobre o assunto, sempre vou preferir escutar quem está em posição de desvantagem. Porque por mais que os críticos da resistência tenham razão, eles ainda estão em vantagem, e falam do assunto do alto da tranquilidade de quem não é atropelado pela realidade dele todo dia.

 

Eles (os críticos) podem escrever textão lindo na internet, cheio de argumentos mais lindos ainda e gastar todos os seus neurônios e referências acadêmicas, e podem ter razão em alguns pontos. Mas quem passa por violência e humilhação, quem é estuprada, morta, todo dia é aquela pessoa que resiste.

 

Também acho que reagir violentamente e de forma a excluir o outro do debate é péssimo. Polariza e machuca (motivo pelo qual não leio Stephanie — me dá raiva).

 

MAS,

 

raiva e violência, choro, ranger de dentes e descontrole emocional também são mensagens, e devem sem ouvidas.

 

A gente que é educador aprende que quando a criança dá chilique (*), geralmente tem alguma coisa ali por trás. Chiliques são sintomas, não são causa. As causas podem ser muitas: cansaço, medo, fome, dor, raiva, ciúme. Enquanto você não for capaz de ultrapassar a barreira do chilique e entender o incômodo da criança, o problema não se resolve. Ameaçar, humilhar e ignorar podem até desestimular ou alterar o sintoma (já que não adianta, não faço mais; já que não tá adiantando vou gritar mais alto) mas não ajudam a criança a ser mais feliz e saudável, tal que dar chilique não faça nem sentido. Criança feliz, descansada e segura não dá chilique.

 

Algumas pessoas humilhadas e violentadas diariamente estão gritando e esperneando. Às vezes elas estão fora de controle, às vezes me machucam no processo.

 

Em algumas situações me sinto no papel de quem dá chilique. Mas às vezes eu sou o alvo. E nestes casos escolho buscar entender o que acontece além da manifestação violenta que estou presenciando. Escolho buscar entender quem está sofrendo o suficiente para perder a paciência e o controle e gritar mais alto.

 

Escolho tentar entender onde estou errando, o que EU posso fazer pra ajudar o outro, ao invés de dizer pro outro que sofre que a reação dele é frescura, exagero.

 

Com base no que penso a partir do que leio, poderia não me envolver, não ter opinião, ou ficar em cima do muro (porque concordo com gregos e troianos, muitas vezes).

 

Só que conscientemente prefiro tentar ouvir e dar voz a quem não tem. Não vou ampliar quem já tem voz o suficiente, repetindo as opiniões de senso comum.

 

(E por favor, não vamos confundir o ruído e repercussão das redes sociais com a realidade DO MUNDO. Quem acha que é oprimido por movimentos negros e/ou feministas é porque passa tempo demais online e de menos na rua!)

 

(*) sei que “chilique” pode ter conotação negativa, ridicularizando a reação emocional, mas só usei essa porque não encontrei nenhuma melhor. Leia sem conotação negativa, por favor.

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regra do jogo

Fevereiro 16, 2018 Leave a comment

Lá em 1900-e-bolinha (sou velha), escutei uma brincadeira feita com um amigo extremamente egocêntrico que se aplica a muitos casos na vida. Segundo os amigos, a frase que o definia era:

 

“Eu ganhei; nós empatamos; você perdeu.”

 

E o que tem de gente assim? Afe. Nunca são parte do problema. O problema SEMPRE são os outros.

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express yourself

Fevereiro 16, 2018 Leave a comment

Sábado vou fazer uma tatuagem grande no braço. Depois de 17 anos (!!!!) desde que tatuei o dragão gigante.

 

Uma mistura delícia de ansiedade com excitação, alegria de registrar na pele, do lado de fora, um aspecto do lado de dentro.

 

Não é pra isso que serve tatuar? Ou vestir?

 

É um jeito de lembrar pra nós mesmos quem somos.

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foco na solução – POR FAVOR!

Fevereiro 2, 2018 Leave a comment

Não passa um dia sequer sem que eu enfrente tretas homéricas, é parte do meu trabalho. O que chega pra mim é só cacho de abacaxi, contêiner de pepino… e com eles uma série de pessoas emocionalmente abaladas, com medo, com raiva. Algumas inseguras, algumas achando que estão cheias de razão.

 

Todo mundo tem razão; ninguém tem razão. Sempre. Quanto mais você mergulha no problema, mais claro fica que tem erro e acerto de todo lado, e que é raro uma solução deixar todos feliz, porque

 

(Rufem tambores 🥁)

 

quase ninguém quer (1) admitir que pode estar errado em alguma parte e/ou (2) ouvir os outros e **ceder**.

 

Admitir que está errado requer uma autoanálise e condição intelectual / emocional que de fato são complicadas de “exigir” da maioria das pessoas. Precisa ter coragem pra se olhar com olhar crítico e assumir erros. Deixa essa pra lá.

 

Mas ceder, gente… não devia ser tão difícil quando existe um objetivo comum. Por isso que quando a bomba chega pra mim, sempre tento entender o que aquele monte de gente quer, no final. Que o sistema funcione? Que o cliente receba a mercadoria? Que a satisfação do funcionário melhore? Que a coleta seletiva do lixo do condomínio exista?

 

A exposição do problema traz consigo os conflitos entre as partes mas devia também trazer os pontos em comum entre os afetados.

 

É importante entender o problema, destrinchar ele, sim; mas é muito mais importante saber o que queremos CONSTRUIR ou CONSERTAR, como objetivo.

 

As pessoas gastam tempo falando de outras pessoas, do passado, de problemas paralelos, de suas frustrações, e não falam de construção da solução.

 

E não ouvem os outros. Não são transparentes. É um trabalho de garimpo conseguir extrair fatos, informações “limpas”, opiniões sinceras. (aqui na américa latina isso dá um trabalho insano! É incrível como as culturas mais diretas no relacionamento tratam problemas de forma mais rápida)

 

É preciso ser quase um PASTOR (de rebanho) pra direcionar para o caminho da solução; é preciso ser psicólogo pra tirar das pessoas informações “limpas”.

 

Não tem um só dia que eu não pense no bem que faria à humanidade aprender mais desde criança sobre autoconsciência e assertividade.

 

Me economizaria metade do dia, todo dia.

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eclipse

Fevereiro 1, 2018 Leave a comment

Uma preguiça imensa das tretas, das pequenezas da alma humana, das bobagens.

A vida é tão maior.

Penso em todas as pequenas oportunidades diárias de ser feliz.

Há tanta coisa importante passando enquanto a gente se preocupa ou gasta energia com o irrelevante…

(Pra quê, mesmo?)

Amanhã é dia 1, ou simplesmente mais um dia pra começar de novo, de outro jeito. Mais um dia pra buscar lampejos de vida e alegria, no meio da lama do mau humor, baixo astral e problemas que nunca acabam.

Vem, super lua, e ilumina esses caminhos, ‘bora afastar a sombra dos cantos.

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quebra-cabeça

Janeiro 29, 2018 Leave a comment

Detesto me ver em fotos e vídeos, raríssimas exceções. Só nas poucas vezes na vida em que estive mais magra é que achei que tava OK em fotos e vídeos. Sempre me acho gorda, velha, com papo, cabelo esquisito, pele péssima.

 

(Quando me vejo no espelho é igual; pior até. Mas me vejo pouco. Minha casa não tem muitos espelhos e aprendi a não olhar muito pra eles, ficou meio automático)

 

Ontem fiquei pensando — se não existissem fotos e/ou vídeos, espelhos pra tudo que é lado, como seria a relação com nosso corpo, nossa aparência? Totalmente diferente, eu acho. Nos importaríamos menos com isso.

 

Gostaria de migrar o espaço que criei no meu blog pra um canal, mas não quero fazer vídeos. Eu ficaria a maior parte do tempo preocupada com minha aparência. Não ser padrão é um peso — a gente se sente na obrigação de mudar, de se adequar.

 

Quem sabe faço podcasts? Um canal só de áudio? Algo que me permita esquecer minha aparência e gastar minha energia com outras coisas (escrever é bom por isso; foda-se nossa aparência. Aparece nossa essência)

 

**

 

Pensei mais uma coisa aqui com meus botões: quando se trata de estar magra, ou ter pele bonita, ou algo que possa ser “consertado”, a gente pode se sacrificar e se adequar. Dieta, exercício, plástica, maquiagem.

 

E quando tivermos deficiência?

 

E quando envelhecermos?

 

Por que temos que passar a vida tentando nos adequar ao invés de aceitarmos com tranquilidade quem somos naquele momento?

 

**

 

Por isso me obrigo há alguns anos a confrontar minha própria imagem, mesmo que não me aceite completamente. Meu corpo é um veículo. Ele me permite fazer quase tudo que eu quero (dançar hip hop eu preciso testar; escalar não sei se rola…), ele me serve, é saudável.

 

E se não amo minha aparência toda, em fotos e vídeos, tento amar partes, pedaços, me corto em quebra-cabeça, e monto pouco a pouco.

 

46 estão chegando. Hei de estar inteira quando a velhice chegar.

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o que eu daria

Janeiro 18, 2018 Leave a comment

Estava de biquíni na piscina, digo pro Fer, de impulso:

 

— “ai, eu dava um rim pra perder essa barriga!”

 

Ele riu. Eu alguns segundos depois:

 

— “ih, não dava não! Hahahhaha! Acho que eu dava é muito pouco pra perder essa barriga…”

 

Apertei ela (a barriga) bem muito e carinhosamente, e fui nadar.

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Farinha Láctea: Sabe crack? Então…

Janeiro 15, 2018 Leave a comment

Gente de deus, deixa eu contar uma coisa: há uns 20 anos (sem exagero) comi Farinha Láctea pela última vez. Na minha memória afetiva era uma coisa maravilhosamente gostosa, diabólica, um manjar dos deuses. Mas, é da Nestlé (sou contra), e sempre associei com “comida que engorda”. Além de ser caro pra caramba. Então nunca comprei pra minha casa, nem lembro onde comi.

 

Mas aí o demônio me tentou na última vez que fui pro supermercado e mandei um fodace, comprei.

 

Imaginei que ia ser uma decepção, como quase sempre é quando a gente confronta a memória afetiva com a realidade. Aí eu abri a lata…

 

O cheiro. Não sei o que é aquilo, mas já mexeu com todas as lombrigas, que começaram a gritar AHHHHHHHHHH!!!!! — coloquei aquele pó dourado maravilhoso no potinho é um pouco de leite, pra fazer um mingauzinho.

 

Gente.

GENTE.

GE-N-TE!

 

É o Nirvana da comida de sentir culpa, deslizar na montanha russa da memória de criança, nadar na piscina do açúcar como fonte de prazer.

 

Precisou de mais leite, porque virou um cimento depois de uns segundos, mas é a argamassa do coração que mora no meu estômago e comi com um prazer que juro que não me lembro da última vez de sentir comendo nada.

 

Não sei como viver com aquela lata fechada lá na despensa.

 

**

 

Fer chega em casa e conto a experiência, de forma mais resumida.

 

Eu vi o ceticismo no olhar dele, quando meio tirando sarro ele foi lá pra se confrontar com a memória afetiva dele.

 

Preparou a papinha de Azazel e provou. Escutei de longe:

 

AHHHHHHHHHHHHHHHH!!!

 

Conclusão: ele quer vender o carro pra comprar latas e latas de Farinha Láctea.

 

**

 

Não comprem. Não provem. Digam não às drogas, especialmente as lícitas.

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preferências

Janeiro 3, 2018 Leave a comment

Ontem teve faxina, e lavagem de roupa, além de separar o que não preciso ou não quero mais.

 

Hoje passei pilhas de roupas, e me diverti muito conversando com o Fernando sobre essa atividade, porque é uma excelente forma de ver como cada pessoa percebe é vivencia as coisas de jeitos diferentes.

 

Eu: “amo passar roupa. É super legal pegar a roupa toda amarrotada e ela ficar lisa!”

 

Fer: “odeio passar roupa. Nunca fica igualzinho, perfeito.”

 

😂

 

Eu passo roupa bem mais ou menos, não me preocupo de ficar certinho. Dando uma esticada geral pra dobrar eu fico mega feliz e me sentindo realizada. Fica torto, canto amassado, mas nem ligo. Gosto do processo.

 

Ele quer fazer tudo direito, com detalhe, certinho. Prefere lavar a louça, que aí dá pra admirar a perfeição da limpeza do detergente + água muito quente. Gosta do resultado.

 

Cada um do seu jeito, e a casa fica limpa e organizada 😀

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