Cadê o mundo real?

Eu sou a única mãe / pai de toda minha TL que fala das dificuldades com a criança modelo Calvin que eu recebi de presente.

Todas as mães só contam as histórias boas, respostas inteligentes, gracinhas e fofuras.

Por quê?

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Felizmente pra minha saúde mental eu sei muito bem que meu filho não é o único que dá trabalho, que faz merda, etc. mas caramba… que bloqueio é esse que impede a gente de falar das dificuldades?

Quando a gente fala da nossa dificuldade, ajuda o outro que também passa por ela.

Fora que desabafa né? Conto com vocês pra me acolherem, e vocês são ótimos inclusive. Obrigada ❤️

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Hoje por enquanto não tem nenhuma treta. Menino dormiu bem, acordou de bom humor, é domingo… mas tá cedo ainda, não vamos cantar vitória antes do tempo 🤣

Correlações

Nossa lista está assim:

Suave na nave.

De boa na lagoa.

Legal no Pantanal.

Bacana na savana.

Relax no triplex.

Eu propus:

Esperto no deserto.

Perguntei se ele achava que encaixava com as outras (na minha cabeça não muito, porque as outras são mais relaxadas, sossegadas. Mas não contei para ele).

O: “Acho que mais ou menos. Se rimar e combinar, encaixa. Se só rimar, encaixa mais ou menos. Se não rimar nem combinar, não encaixa. E ‘esperto no deserto’ rima, mas não é igual às outras”

F: “Ah, ok! E por que não?”

O: “Porque as outras são como você se sente, e essa é como você é.”

Viagem a Carangola

Depois de um tempão sem ouvir, saímos de carro e ouvimos de novo esse álbum que é uma joia da música brasileira. Nunca consegui ouvir sem rir, chorar e me empolgar muito com a história da visita da turma do Cocoricó ao gigante da floresta, um jequitibá gigante de Carangola (que infelizmente morreu há alguns anos, depois de mais de 1500 anos de vida).

A parte que mais me emociona na história contada pelas músicas é a bolinha marrom, que dorme na terra e um dia acorda — uma pontinha buscando a água na terra, a outra buscando o sol.

“Primeiro apareceu uma pontinha
Virada pra baixo que perguntou
‘Que é que eu faço, que é que eu faço
Aonde eu vou?’

E a bolinha respondeu —
Vai buscar água na terra
Vai, vai, vai!
‘Eu vou!’

Depois apareceu outra pontinha
Virada pra cima que perguntou
‘Que é que eu faço, que é que eu faço
Me ensina aonde eu vou?’

E a bolinha respondeu —
Vai buscar a luz do sol!
‘Mas como é que eu vou trazer?’
Folhas! Chegando lá você vai ver.”

Vernacular

Otto hoje fazendo tarefa de inglês (ele tinha que desenhar e escrever os textos da história):

— “Mamãe, como escreve ANNIHILATION?”

Minha gente, eu não quero nem ver o que ele tá escrevendo…

😬🤣

Um menino por vez

Vimos com Otto os 2 filmes do Sherlock Holmes (Robert Downey Jr) e depois Enola Holmes.

Ele gostou de todos! ❤️

O que mais adoro de assistir com ele filmes com protagonistas mulheres é notar como pra ele isso não é uma questão. Ele gosta das heroínas tanto quanto gosta dos heróis, nunca em nenhum momento ele questionou nada em função do gênero.

Até quando conseguirmos contra balancear o sistema? Não sabemos, mas estamos na luta ❤️

Um paciente muito bom

Depois do show de horror que foi pra tentar tirar sangue do Otto numa clínica comum (saldo: 2braços machucados, uma criança traumatizada e muito choro), fomos pro hospital pediátrico, recomendação de uma amiga querida, e também compramos a abelhinha que foi dica de outra amiga e foi ok!

Sem choro nem ranger de dentes, só medo, mas controlado.

A melhor parte foi ouvir ele contando que UMA ESPECIALISTA com crianças ainda menores é que fez a diferença. E uma agulha muuuuuito fininha.

Na saída, o Fernando conta que ele fala para a moça da recepção: “hey, do you have some prize for good patients?”

😁

(Não tinha, mas ele quis um pirulito gigante e obviamente vai ganhar)

UFA!

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Otto saindo do hospital com Fernando depois de tirar sangue:

O: “Papai, tá vendo aquele prédio ali de telhado preto?”

F: “tou, por quê?”

O: “eu prefiro ser jogado de cima daquele prédio que tirar sangue de novo!”

🤣🤣🤣🤣🤣🤣

E ele nem é canceriano!

Sobre últimas vezes

Já pensaram em todas as últimas vezes da vida? A última vez que você se apaixonou; a última vez que foi à escola; a última vez que viu um amigo; a última vez que falou com sua mãe, a última vez que abraçou sua avó.

A gente não sabe que é a última vez, não dá nem pra aproveitar esse momento final. Será que teríamos feito algo diferente se soubéssemos?

Quando nos tornamos pais é ainda mais frequente essa mistura de surpresa e saudade. O último sorriso banguela, o último gugu-dadá, e o engatinhar que não volta mais. Quando foi que ele começou a não falar nada errado, parou de confundir as palavras? A última fralda, a última vez que demos comida na boca, o último pedaço de mamão, que agora ele detesta.

A última vez que peguei ele no colo, aquele abraço das pernas na cintura, as mãos gordinhas enroscadas no meu pescoço — quando foi?

Me lembro da última vez que ele mamou, foi antes de uma viagem de trabalho. Consegui me despedir, porque sabia que já estava no fim, ele não queria mais. Preferia mordiscar bife, o dinossaurinho.

Ansiamos tanto pelas primeiras vezes, e esquecemos de aproveitar as últimas, ou quase últimas.

Hoje o Fernando chamou o menino pra almoçar, e quando ele veio descendo a escada, ofereceu — “quer vir de cavalinho? Te carrego!”. E o menino bem tranquilo disse — “não precisa, eu já sou crescidinho.”

Sabemos que é bom sinal, e é assim que deve ser, mas o coração quebra um pouco, sim. Ficamos ambos com uma mistura de orgulho e saudade.

— “Você já fez xixi hoje, Otto?”

— “já, mas vou fazer de novo antes de almoçar.”

Ele fecha a porta, levanta a tampa da privada (dá pra ouvir) — bem crescido, de fato.

E enquanto faz xixi, canta a música do Baby Shark! 🤣

Nem tão crescido assim, afinal, ainda bem.

❤️

Spidey

Ele inventou essa versão pro spider-boy, e me perguntou como era essa música em português — “eu não sei, Otto. Só conheço aquela que fala ~ Homem-Aranha Homem-Aranha nunca bate só apanha ~”

Ele não gostou — “mas o Homem-Aranha é forte! Não faz sentido essa música, tinha que ser ao contrário!”

E eu — “mas aí não rima né! 🤣”

Ele acabou de vestir o pijama e me veio com essa versão, que agora é a única que eu vou cantar 🤣🤣🤣🤣🤣