Febola

Otto amava cebola — ou FEBOLA, como ele dizia ❤️ — quando pequeninho. Crua mesmo, comia que dava gosto. Descobri que gostava porque sempre coloco cebola na salada e ele pegou do meu prato. Aí comecei a colocar no prato dele também, e comia super bem.
Até uns 2 anos atrás, quando ele não quis mais e disse que não gostava (desconfio que comeu uma muito ardida e ficou puto).
Mas segui a recomendação do pediatra, que lá no começo me avisou: não se preocupe quando ele recusar qualquer alimento, deixe recusar, mas continue oferecendo. Um dia eles não querem, outro voltam a querer. Dito e feito: aconteceu com vários alimentos, a febola inclusa 😀
Otto voltou a comer cebola crua, do nada. E na última semana começou a recusar beterraba, que adora.
Mas ele mesmo já aprendeu — já não diz “eu não gosto”, diz “eu não quero”. E tá de boa.
Menos azeitona, que é um ódio visceral. “Eu ODEIO azeitona!”.
Acho ótimo, sobra mais pra mim 😀

Há 10 mil anos atrás 

O: “mamãe, quantos anos você tem?”
Eu: “45”
O: “e o Papai?”
Eu: “43!”
O: “nossa, mas ele é MUUUUUIITO mais novo que você!”
😀
Bem, para uma criança de 6 anos, 2 anos são 33% da sua vida. Da forma que vejo, do alto dos 45, sou menos de 5% mais velha que o Fernando 😛

Lendo!

Hoje pela 1a vez o Otto pegou um gibi e leu, sozinho, no avião. Eu fiquei lendo meu livro e ele o gibi.
Fiquei tão emocionada <3

Hoje aprendi uma 

Na confusão da viagem e mil sacolas, perdi uma sacolinha pequena com partes de Lego do Otto. De um jogo que ele acabou de ganhar, e ama.
Tou me sentindo mega culpada, estava na minha bolsa, e eu perdi.
😪
Aí fui contar pro Otto. Expliquei que eu tinha perdido, e que sentia muito. Ele ficou super chateado, me falou “mas mamãe, tinha que cuidar das minhas coisas!” e eu concordei.
“Tem razão, você me perdoa?”
“Perdoo. Tá tudo bem.”
Simples assim. E aí me senti pior ainda, porque ele é comigo uma pessoa MUITO MELHOR do que eu sou com ele.

Drama escolar

[24-abril-2015]

Preâmbulo: vocês, mães/pais cujos filhos gostam de ir pra escola ou são neutros a respeito, saibam o quanto têm sorte. Agradeçam.
**
Desde que colocamos o Otto na turma certa na escola, tudo melhorou. Ele parece menos cansado e mais feliz no geral. Ainda assim, acordar e sair de casa são sempre momentos tensos, alguns dias piores que outros, e hoje foi assim:
Estou na cozinha preparando o café, precisava sair realmente no horário hoje, e escuto o Otto chorando muito. O Fernando estava lá, mas mãe é assim, corri lá, o menino se debulhando em lágrimas, o pai tentando consolar, e tal. Várias tentativas de diálogo, consolo com abraço e colo e tudo, nada adiantava.
Otto: “Pode terminar a escola? Eu não quero ir pra escola!”
(Lágrimas, lágrimas, colo)
Mãe, pai, não sei mais: “Otto, por que você não quer ir pra escola? Tem alguma coisa que você não gosta?”
Otto: “eu não gosto de NADA na escolaaaaa!”
Nós: “Otto, se você se acalmar e explicar pra gente o que você não gosta, a gente tenta ajudar. A gente quer ajudar você a gostar da escola, tem coisas que a gente pode mudar… Deixa a gente te ajudar?”
(Lágrimas, lágrimas, colo)
Com muito esforço ele foi pra cozinha, ainda chorando. Nessa altura já era hora de sair, eu tinha horário, e dei tchau (deixei o Fer com a batata quente) e ele agarra em mim, não quer que eu saia. “Não vai embora, mamãe!”
(Ai, meu deus, que mãe consegue viver com isso?)
Eu: “Otto, mamãe precisa mesmo ir. Toma seu café, o papai cuida de você”
(Lágrimas, lágrimas)
Otto: (respira, claramente tentando se acalmar) “pessoal — eu vou deixar vocês me ajudarem. Eu vou falar o que eu não gosto na escola!”
(Pense num coração partido com essa criaturinha de 4 anos, tão pequeno, aprendendo a se acalmar e dialogar)
Nós: “pode falar, amor, a gente vai ajudar!”
Otto: “eu não gosto da minha sala!”
Nós: “explica mais, pra gente entender melhor, amor?”
Otto: “eu não gosto de nadaaaaaaa”
(Lágrimas, lágrimas, versão 2 com a mãe atrasada)
Eu: “amor, vamos fazer assim? Olha bem sua sala, pensa no que você não gosta e conta pra sua professora, pra mamãe e pro papai, e a gente vai tentar mudar tá? Um beijo, a mamãe precisa mesmo ir”
Fer fez sinal de “vai, que eu seguro aqui”, e eu fui. Sei lá como, andando por aí feito o Homem de Lata, com o coração em outro lugar. Não sei como a gente faz isso, mas faz, né.
Chego no trabalho e vejo mensagem do Fer “depois me liga que te conto do Otto. Spoiler: tá tudo bem!”
**
Minutos depois que eu saí, tomando café, tudo mais calmo:
Fer: “e aí, Otto, quer ir pra escola?”
Otto: “quero!”
Fer: “você gosta da escola?”
Otto: “gosto!”
E foi.
**
E aí que não sei se comemoro ou se chamo o disque-homem do saco.

A 1a palavra

[22-Abril-2012]

Foi neste exato momento que o Otto falou sua 1a palavra com intenção e perfeitamente — PÉ.
Ele começou a “falar” daquele jeito silábico dos bebês um pouco antes de 1 ano, e nessa ficou, até este dia.
Perguntamos “o que você falou?” e ele disse, com jeito de “vocês são idiotas?”, apontando para o próprio pé: “PÉ!”.
Algo entre 2-4 semanas depois desse dia ele falava frases completas, com verbos conjugados, como de algo tivesse destravado.
Bem louco, esse menino.

Apertem os cintos

O: “por que precisa deixar a janela aberta na decolagem?”
Fernando: “pra todo mundo poder ver se algo estiver errado do lado de fora do avião”
O: “mas o que poderia dar errado?”
Eu: (faço cara pro Fer de NÃO CRIE PÂNICO!”
F: “poderia aparecer um Gremlin…”
O: “Ahn?”
(Uma boa referência perdida, hahhahaha)
F: “então… a Nai poderia subir ali!”
O: (tom de “ai, pai!”) “Cachorros não voam…”
F: “já sei, o Coringa podia fazer isso!”
O: “o Coringa não existe, é uma lenda…”
F: (improvisando loucamente) “O Papai Noel! Ele poderia ficar em cima da asa do avião!”
O: “o Papai Noel JAMAIS faria isso!”
Todos concordam, claro.

Broken heart 

[21-abril-2014]

Otto hoje estava insuportável. Chorão, manhoso, reclamando de tudo. Estava já perdendo a paciência, quando chegou o motorista e fui me trocar, avisei ele que estava saindo, e tudo ficou claro: “eu não quero que você vá pro Chile, mamãe” 🙁
Foi a 1a vez que ele reclamou, desde que nasceu. Nunca chorou quando eu saí, e nunca saí escondido. Ele me beijou e abraçou, deu tchau e desejou boa viagem, sem chorar ou reclamar. Mas explicou antes que eu saísse: “eu não gosto que você vá pro Chile”.
Eu também não gosto, pequeno.
Suponho que vocês tenham ouvido daí o barulhinho do meu coração se partindo. <\3

Wish upon a star

[19-Abril -2016]

O: “ô mamãe, eu fiz um desejo pra estrela lá fora antes de vir pro banho!”
Eu: “que lindo, e você desejou o que?”
O: “eu quero uma constRelação em forma de Homem-Aranha!”
(Hahhahahhaha!)
Eu acho TÃO lindo ele falar constRelação que não consigo corrigir <3

Miserere dominus

Peloamordedadá, belzebu-menino baixou aqui de novo depois de um tempo sem vir, e veio empolgado.
Tudo começou quando peguei o menino na escola e ele me avisou que “hoje tudo deu MUITO MUITO MUITO errado”. Já esperei vir um recado dizendo que ele tinha começado a revolução dos nerds por lá, mas não veio nada. Ok.
Ao fazer a tarefa (que acumulou, ele esqueceu a pasta na escola ontem), tinha uma atividade de escrever uma música “de memória”. Ele escreveu a 1a frase, queria parar, eu não deixei.
O: “mas mamãe, é DE MEMÓRIA, e eu só lembro essa parte.” Mas eu posso cantar a música pra você lembrar… “nãaaaao! É de-me-mó-ri-a”.
Ele me pegou, fiquei sem argumento. Next.
Fomos assistir filme, e quando vimos era tarde, começou o drama do banho.
“Eu odeioooooo banho!”
(Não, você adora.)
“Mas só de banheira!”
(Não dá, tá tarde)
“Mas eu não quero, não vou, nunca maisssssss!”
(OK, então toma banho amanhã cedo)
“Nãoooooo vou agora!”
(Porém chorando e reclamando, é belzebu na área)
“Não quero lavar o cabelo!”
“Não quero escovar os dentes!”
“Odeio fio dental!”
(Ama, amor. É belzebu falando.)
“Não quero pijama!”
(Exorcizamus te, etc. e tal)
“Eu odeio dormir! Eu queria acordar e ter 1000 horas!”
(Don’t we all?)
“Minhas narinas estão entupidas! Como eu vou dormir?!”
E chora mais. Explico que se não parar de chorar não desentope.
“OK, eu tou calmo.”
(Ufa. Fecha a Bíblia)
Eu: “te amo, meu querido. Dorme bem. Amanhã vai ser um dia melhor, você vai poder fazer outras coisas.”
(Big, big mistake.)
“MAS EU QUERO FAZER SÓ O QUE EU QUERO, E NÃO O QUE TEM QUE FAZER!!!!”
(… omnis immundus spiritus …)
Eu: “olha só — se você gritar eu saio, e te deixo aqui sozinho. Assim não dá.”
“Taí outra palavra que eu odeio: SOZINHO!”
Eu: “Sozinho não tem nada de ruim. Ficar sozinho é ótimo pra acalmar, REPENSAR, sabe?!”
(…)
“Tou mais calmo. Minhas DUAS narinas agora tão entupidas!!”
Eu: (… omnis satanica potestas …) “para de chorar que vai melhorar.”
“MAS EU TOU TRISTE!”
Eu: “tenta se acalmar que melhora.”
(…)
(…)
“Desentupiu.”
Eu: “que bom. Te amo, boa noite.”
(Grumps, Humpfs)
**
Vou assistir Supernatural agora e me preparar pra adolescência.