périplo diário

Otto resolveu(**) fazer o resto da lição de ontem hoje de manhã, e na volta da escola fez a lição quase sem percalços.

 

Várias almas saíram do purgatório, amém.

 

**

 

(**) a realidade é que houve ameaças, barganhas, drama, suor e lágrimas. Então “resolveu” tá mais pra “FAZ ESSA LIÇÃO OU HAVERÁ GRAVES CONSEQUÊNCIAS” e ele cedeu.

a complicada questão de gênero

[16-ago-2013]

Hoje uma senhora viu o tênis do Otto (preto com cadarços de tudo que é cor) e meias roxas e perguntou: “é menina?”

 

Nenhuma ofensa, mas gente — as pessoas realmente não OLHAM pras crianças, pras pessoas, o importante é rotular de acordo com as “regras”.

 

Enxergar o mundo pra além do nosso filtro é um exercício importante. Esse tipo de experiência me lembra disso, que bom.

O drama da escola (que ainda não acabou em 2017…)

[16-ago-2015]

Prestes a completar 5 anos, o Otto finalmente começou a gostar da escola a ponto de ficar desapontado no sábado quando descobriu que não ia! <3

 

Ainda é uma criança introvertida e diferente das demais (e não tenho nada contra; espero poder ajudá-lo a saber que ser diferente não é errado), mas já se integrou com as crianças, está mais solto em geral, se importa menos com barulho e bagunça, sabe se colocar e impor no meio das demais crianças e está ficando uma praguinha! Parece até que já tem seu primeiro amigo escolhido por ele mesmo (ele tem vários amigos filhos de pessoas queridas, mas que ele acolheu através de nós e não exatamente escolheu).

 

Foram 3 anos difíceis pra nós, desde que ele começou a ir à escola. Talvez mais pra mim — sou extrovertida, era daquelas crianças arroz de festa, relacionamentos sociais pra mim são muito fáceis. Foi muito difícil observar meu filho sendo tão fechado, resistente ao contato social. Só consigo pensar “ele vai sofrer!”, e ninguém quer nem pensar em ver o filho sofrer.

 

Procuramos ajuda, mudamos algumas pequenas coisas e subitamente ele começou a mudar. O que me deixa mais pasma é que a mudança foi sutil mas essencial: começamos a mostrar pra ele (através de feedback constante) que somos pessoas como ele, que têm vontades, desejos, frustrações; convidamos o menino a olhar pro outro, através de nós, e perceber a ação / reação, causa e conseqüência.

 

Minha interpretação é que nossa forma de lidar com ele até então foi de respeito, mas no fundo com condescendência — ele é criança, deixa ele, quando crescer ele aprende – entende. Esperávamos dele uma postura de adulto e ao mesmo tempo tratando como “café com leite”. Ele se expressa como adulto, mas com maturidade emocional de bebê, já que a gente não dava o retorno real, amenizava as conseqüências das pequenas atitudes. As “grandes coisas” a gente ensinou com regras claras, mas todas as pequenas coisas, do dia a dia, ficaram pra lá.

 

Quando começamos a ficar atentos e mostrar, nas pequenas coisas, como nos sentíamos, ele aprendeu rapidinho. Começamos a mostrar que esperávamos dele um comportamento de empatia conosco, que não íamos mais aceitar menos só porque ele é criança. Obrigado, por favor, com licença, ajudar em pequenas tarefas, esperar para ser ouvido, lidar com a frustração, compartilhar coisas / momentos / tarefas, terminar o que começou. São coisas simples, mas que fundamentam as regras de convívio sutilmente e nos fazem perceber que O OUTRO existe, e é importante. Que não somos isolados, que dependemos dos outros. Que é uma troca.

 

Por excesso de respeito e amor, por esquecer que antes de ser criança ele é uma pessoa neste mundo, independente de nós, potencializamos a introversão do menino.

 

Mas ele mudou, e rápido. Humanos são adaptáveis, extraordinários, não é à toa que dominamos esse mundo.

 

Também mudei. Ele, sem querer, me ensinou a observar mais, respeitar a capacidade do outro, apreciar o fato de que posso aprender com qualquer um, em especial com ele.

 

**

 

Resolvi ser mãe pela experiência antropológica, lembram? Deseje, e receba 😀

Desde 2010

Dia 16 de Agosto era o dia “D”, há 6 anos. O famoso DPP (data prevista do parto, se não me engano), que não serve pra quase nada, já que a data do parto é a que o bebê está pronto, e pode ser antes ou depois.

 

Mas ficou marcada pra mim. As semanas que vieram a seguir foram lentas e quentes, ansiosas.

 

Há 7 anos lavava roupas minúsculas é colocava no varal, sem saber o que significava aquela mudança que mais se parece com um mergulho num universo paralelo — tá tudo lá, mas é tudo tão diferente.

 

Agosto, você é um mês de reminiscências pra mim.

YOU MANIACS!

19:52h, depois de 1h de reclamação pra fazer uma tarefa de CÓPIA:

 

“EU ODEIO SER CRIANÇA!!!!!”

 

Experimenta pagar boleto, Otto, e a gente conversa.

 

**

 

“EU NUNCA VOU FAZER A TAREFA!”

 

(Gritando)

 

Fernando: “já falamos pra não gritar. Amanhã você fica sem desenho.”

 

Otto:

 

**

 

O: (chorando) “se vocês me amam tanto assim, não deviam fazer isso comigo!”

 

(Gastando o zap na 1a rodada, moleque?)

 

Eu: (ajoelhada e olhando bem no olho) “é exatamente porque a gente te ama muito que estamos te ensinando que precisa cumprir os combinados.”

 

Me abraçou em silêncio, bem forte.

 

Favor tocar uma música, Maestro Zezinho.

QA

[15-ago-2013]

o otto tá cada dia mais engraçado, e nessa fase de usar todas as palavras que a gente usa, matando a gente de rir.

 

essa semana a maria levou ele pra passear em um dos parquinhos do condomínio, e ele queria brincar em um brinquedo que estava sendo consertado. o moço da manutenção explicou pra ele que não dava pra brincar naquela hora, que a tinta estava secando.

 

alguns minutos depois, ele volta pro moço da manutenção e fala: “você pode VERIFICAR se a tinta já secou?!”

 

😀

família

[14-ago-2015]

Pessoal, senta aí que é o seguinte:

 

O: “mamãe, quem é nossa família?”

 

Eu: “quem você acha que é?”

 

O: “eu, você e o papai!”

 

Eu: “tem mais — as vovós, os vovôs, as tias, tios e os primos…”

 

O: “me conta dos meus primos! Os pequenos e os grandes!”

 

(Contei)

 

O: “mas mamãe: e minhas irmãs?”

 

Eu: “você não tem irmãos, meu amor!”

 

O: “eu quero um irmão, mamãe! Pra eu não brincar sozinho!”

 

(!!!!! </3)

 

Eu: “irmão ou irmã? Maior ou menor?”

 

O: “irmão. Maior! Pra brincar comigo”

 

**

 

Ô gente, ele lê desejo do meu coração, agora? <3

cérebros fresquinhos

[14-ago-2015]

Comprei um livro de montar o corpo humano pro Otto, que vem com a explicação sobre cada sistema. Ele AMA o cérebro. “Mamãe, lê a história do cérebro?”

 

Hoje ele me vem com “mamãe, eu queria ver meu cérebro!” (Credo, deusmelivre) “não dá amor. Você pode ver outros cérebros, se for médico!”

 

“Eu quero ser médico e ver cérebros!”

 

HALP, Tati! Hahahahahaha

pais

[14-ago-2016]

Otto fez na escola uma lembrancinha de dia dos pais (que conste: sou contra. Dos pais, das mães, sou contra. A data é puramente comercial, há outras formas de pensar e celebrar a família, enfim, pula), e achou que o dia dos pais era sexta. Não discutimos, ele quis dar a lembrança pro pai, e deu, bonitinho e tals.

 

No mesmo dia, mais tarde, ele corre pra mim e fala “mamãe, eu quero te dar um abraço de dia dos pais!” e me abraça mil vezes, bem forte.

 

Eu ri, mas deixei, porque achei tão bonito ele não entender a lógica do “dia dos pais” e comemorar com a mãe também!

 

Sei lá o que passa na cabeça da criança, mas minha interpretação é que ele não vê diferença entre os papéis, somos só pessoas diferentes fazendo a mesma coisa.

 

E não é assim que devia ser? Sei que há mães que se sentirão indignadas com isso (oh, o arquétipo), mas… é a mesma coisa.

 

(A propósito, aconteceu várias vezes dele chamar eu ou o Fer de “Maria”, e vice versa. Acho que ele coloca nós 3 todos no mesmo balaio: as pessoas que cuidam e amam <3)

propulsores

[14-ago-2016]

Otto tá lá entretido nos legos, veio me mostrar o que tava fazendo:

 

Otto: “tou fazendo um monstro pra ajudar a SHIELD a derrotar a HYDRA”

 

(Hahahhahha)

 

Eu: “coloca os braços do Dr Octopus nele!”

 

Otto: “não, vou colocar essas flores aqui, porque ele precisa voar!”

 

Eu: “uia, as flores fazem ele voar? Que lindo!” (Eu e minha interpretação humanas)

 

Otto: “não, mamãe, vou fazer de conta que as flores são PROPULSORES DE VÔO!”

 

HAHHAHAHAHHAHAHA!!!

 

(Toma, mãe de humanas!)