August 25, 2010

41 semanas ou "deu, né?"

todo mundo que já se deu ao trabalho de fazer uma pequena pesquisa sobre assunto sabe que a gestação pode chegar até as 42 semanas sem nenhum problema, basta acompanhar direitinho. mas por outro lado qualquer um que já pesquisou um tiquinho também sabe que o parto normal é melhor para a mãe e para o bebê, certo? quem dera fosse tão simples.

vocês acompanham a gravidez desde o começo, e sabem que já entrei nessa prevenida. fui procurar médicos alinhados com minha convicção (parto natural, mínimo de intervenção, etc.). o comecinho da gravidez é tenso, pelo risco alto de aborto, mas não tem nenhum tipo de stress em relação ao parto, esse é um assunto que só aparece muito depois. até chegar ao terceiro trimestre, confesso que achei que não seria um grande problema manter nossa opção sobre parto natural, a menos dos trâmites de maternidade que viabilizassem o que queríamos. eu não podia estar mais enganada...

hoje percebo que pra quem quer fazer parto domiciliar ou em casa de parto (SUS), a coisa é mais simples. todos que estão ao seu redor partilham das mesmas convicções e estão acostumados a lidar com as inúmeras variações que envolvem um parto natural (tempo, sinais do corpo, imprevistos, etc.). a indústria do parto "padronizado" é outra realidade completamente diferente, eles não sabem lidar com exceções e ficam extremamente tensos quando as coisas saem do roteirinho que a grande maioria segue. o roteiro do parto padrão é simples: vários exames pra livrar a cara do médico em caso de problemas, parto com data marcada no máximo até a 38 semana e o parto de 20 minutos seguindo procedimento básico.

por um lado, entendo que os médicos fiquem preocupados com processo, caso alguma coisa dê errado. estamos falando do nascimento de um bebê, afinal, talvez o maior dos acontecimentos na vida de casa ser humano diretamente envolvido (pai, mãe, bebê). mas eu esperaria que médicos fossem melhor preparados para dominar o apoio a esse processo que é puramente fisiológico e, exatamente por isso, um tanto imprevisível. aprendi nestes meses que a maioria dos médicos desta área não quer (e pior, não sabe!) lidar com o imprevisível.

minha gravidez foi absolutamente padrão e perfeita. todos os fatores foram acompanhados de perto, sem surpresas: peso, pressão, glicemia, urina, sangue, possíveis doenças pré-existentes, crescimento do bebê, placenta, líquido. tudo o que vocês puderem imaginar foi medido e verificado, e não houve nada fora do normal. um dos fatores é realmente motivo de atenção, embora não haja evidência de influência por enquanto: minha idade. estou com 38 anos e meio, e meu corpo de fato não é mais o mesmo de 10 anos atrás. talvez esses anos a mais pesem no momento do parto, depois conto pra vocês.

depois de todos os dramas relacionados ao meu plano de saúde e a falta de cobertura na maternidade que eu queria, conseguimos uma médica aqui na região alinhada com o que queríamos (ótima, aliás), e tudo corre bem até o momento. mas...

... acho importante compartilhar com vocês que essas últimas 3 semanas da gestação têm sido difíceis e os porquês. pra vocês que ainda vão passar por isso, talvez seja útil pensar nisso antes e se prevenir...

em primeiro lugar, tem a cobrança do "está na hora de nascer!". por mais que a gente explique que o bebê pode nascer entre a semana 38 e 42 e que não dá pra prever, as pessoas não conseguem se segurar. elas ficam perguntando dia sim e outro também "e aí? já nasceu? como está?". eu sei que as perguntas têm a melhor das intenções, mas só fazem aumentar a ansiedade dos pais (ou pelo menos da mãe). cada vez que me ligam aqui em casa é a mesma coisa: tenho que explicar que não, não nasceu ainda. (como se eles não fossem saber, caso tivesse nascido, mas enfim...). e pra mim pelo menos fica uma sensação de que o atraso é culpa minha, é como se eu estivesse fazendo algo errado. eu sei que não faz sentido nenhum, racionalmente, mas é assim que me sinto.

se pudesse mudar alguma coisa, hoje eu mentiria sobre a data prevista do parto, divulgaria pras pessoas a data de completar 42 semanas ao invés de 40.

em segundo lugar, a partir das 38 semanas começam exames intermináveis e sempre com ar de "vamos ver se o bebê está bem". a gente que carrega o bebê ouve isso assim: "vamos ver se o bebê está VIVO ou não está SOFRENDO". não é divertido ficar ali aguardando resultados de exames que precisam verificar se o seu filho está vivo e confortável. a impressão que dá é que o normal é o bebê sofrer ou estar em risco. dá um medo danado, mesmo pra pessoas bem informadas e racionais como eu. é todo um trabalho interno pra não entrar na pilha, e isso também estressa a gente.

em terceiro lugar tem o corpo pesado, a preocupação e os hormônios. diferente do que ouço de algumas mulheres, não me senti mais bonita na gravidez (mas também não me senti muito feia, o que é um alívio). também não senti melhora na libido, pelo contrário. ou seja: nenhum efeito positivo na auto-estima, além é claro de receber mais atenção graças ao bebê. as costas me matam um pouco por dia, graças à barriga enorme (isso porque engordei pouquíssimo), é um terror sentar e levantar. as preocupações com os "parâmetros" da gravidez por 9 meses também não são a coisa mais divertida do mundo, a gente vive em função do hóspede (já disse que me senti a ripley?) e acaba pensando nisso muito mais que em qualquer outra coisa. parei de trabalhar a partir da semana 38, e se pudesse mudar alguma coisa ficaria trabalhando até a 40. e tem os hormônios, né. no primeiro trimestre eu me sentia doente (enjôo, mal estar) e no final do terceiro eu me sinto louca. choro por qualquer motivo (dia sim e outro também), me sinto cansada e frustrada com a demora, como se fosse minha culpa.

racionalmente é possível passar por tudo isso sem grandes dramas, e a verdade é que acho que estou me saindo bem dentro do possível. consegui trabalhar muito bem por 8 meses e acho que não incomodei meu marido e família além do normal com meus pitis. mas confesso que esse final está punk, e já não vejo a hora de passar para a próxima fase do videogame.

**

sobre o andamento do final: perdi o tampão no fim da semana 40, estou atualmente com 41 semanas + 2 dias e esperaremos até amanhã pra ver se o menino nasce. se ele não quiser nascer por conta própria, decidimos com a médica que vamos induzir o parto natural. apesar de tudo estar bem, com a minha idade começa realmente a ficar chato esperar mais, e eu não quero mais passar por exames com médicos pró-cesárea.

a indução do parto normal é um procedimento comum nos hospitais públicos (nos privados, simplesmente fazem cesárea), e não é necessário usar ocitocina sempre. neste caso, será feita a aplicação de um medicamento direto no colo do útero (um comprimido, parece), que provoca o trabalho de parto. esperamos que a indução funcione bem e que apesar da intervenção eu consiga fazer o parto da forma que planejei.

então a partir de amanhã estou passando pra próxima fase, de uma forma ou de outra, e dou notícias assim que possível. desejem-me sorte!

August 20, 2010

os pais

quero dizer o plural da metade masculina dos pais de uma criança, ou seja, o homem. eles podem ser nossos maridos ou não e morar na mesma casa ou não, tanto faz. quero falar um pouco sobre como vejo o papel dos pais na criação dos filhos, especialmente em colaboração com as famigeradas mães.

e só pra ficar claro: tudo o que vou dizer aqui, essa minha visão de como as coisas devem ser, se aplica somente aos pais voluntários. ou seja, aqueles que decidiram ser pais e concordaram com a empreitada. sou a favor do aborto e completamente contra mulheres que seguem adiante com uma gravidez à revelia do futuro pai. na pior das hipóteses, se ela for contra o aborto ou coisa equivalente, ela não deve cobrá-lo de nenhuma responsabilidade. afinal, engravidar é uma escolha sim, a menos que você tenha sido estuprada.

outra coisa importante de dizer já é que sei muito bem que alguns vão se identificar com os problemas que eu estou comentando, e até como forma de defesa ou auto-justificativa vão dizer que "é fácil falar" ou "quando for seu filho, depois que ele nascer, você vai mudar de idéia". não, gente, não é fácil falar e a possibilidade de mudar de idéia quanto a algumas coisas não invalida os pontos que vou comentar. porque no fundo, vocês vão ver, estou falando de se comportar como adultos de verdade e ser (ou se tornar) um casal verdadeiramente companheiro e comprometido.

**

vamos lá: fico constantemente mal impressionada com o comportamento de certos pais que vejo por aí em relação à educação e cuidado dos seus filhos. e fico ainda mais envergonhada e constrangida pelo comportamento das respectivas mães, que no fundo reforçam o problema (e podem até ser a causa deles).

nem vou me estender no mérito da escolha do parceiro pra ter filhos, porque aí a coisa fica complexa. mas me pergunto quantas mulheres refletem sobre isso antes de engravidar, como eu fiz. eu poderia ter tido filhos muito antes na vida, de muitos outros pais, e preferi esperar porque queria ter filhos somente com alguém que eu realmente identificasse como um bom pai, além de ser um bom companheiro pra mim. mas enfim.

quando vejo as mães reclamando dos seus maridos como pais, não sei de quem tenho mais raiva. as coisas que mais me chamam a atenção (e espantam) são:

cansaço excessivo: não tenho dúvidas que criar crianças cansa e dá trabalho. mas por que só a mãe vive cansada e esgotada? a menos que você não tenha nenhuma ajuda pra fazer as atividades da casa, não consigo entender o stress. mesmo que você decida ficar amamentando 6 meses exclusivamente, dar o peito é a única coisa que só você pode fazer. todas as outras (to-das!) podem ser feitas por outras pessoas (arrotar, fraldas, banho, ninar, cuidar da casa). só consigo entender esse problema se não há nenhuma possibilidade de ajuda por parte de mais ninguém ou o pai trabalha o dia todo e não mora junto. porque ainda que ele trabalhe o dia todo, nada impede que no período da noite ele ajude nas tarefas. por que só 1 dos pais deve se esgotar? ficar em casa cuidado de bebê e da casa é um trabalho como outro qualquer.

acho que muitas mulheres simplesmente assumem o papel de super-mulher e não querem pedir ajuda por questão de orgulho ou vaidade. outras muitas entram na viagem errada de que cuidar da casa e dos filhos é responsabilidade exclusiva delas, porque o marido trabalha fora.

e se seu marido é do tipo de se recusa a ajudar, desculpe mas você escolheu muito mal seu companheiro pra começo de conversa. e nunca é tarde pra resolver esse problema, seja negociando uma mudança no comportamento dele, seja mudando as coisas dele pra outro lugar :D (ou você acha mesmo que ficar com alguém que se recusa a ajudar com seu filho é uma boa escolha no longo prazo?)

eles não sabem fazer nada direito: como mulher, confesso que essa é uma armadilha que eu caio, independente de ter filhos. "eles" nunca fazem as coisas direito :) ou melhor - eles nunca fazem as coisas do jeito que a gente quer ou do jeito que a gente faria. são coisas bem diferentes. e se você faria diferente, por que não negociar e conversar, ao invés de simplesmente reclamar ou ir lá e fazer você mesma? é verdade que às vezes é preciso ceder (e é difícil...), mas faz parte. é isso que demonstra que um casal é realmente companheiro e, bem, adulto.

creio que mulheres são controladoras por natureza, e assumir o papel de mãe do seu companheiro é uma tentação constante. é muito mais fácil ficar puta, ir lá e fazer (ou refazer) alguma coisa do que conversar e explicar o que você preferia que tivesse sido feito. até porque às vezes o outro tem seus motivos também pra fazer as coisas de outro jeito. o outro pode até estar errado, mas tem direito (e dever, aliás) de assumir responsabilidades.

seu marido não coloca a roupa na criança do jeito que você acha correto? ao invés de reclamar dele ou assumir essa tarefa sempre pra você (e depois reclamar que está sobrecarregada), converse com ele e negocie. quando os filhos entram no relacionamento, aquela fase de auto-reconhecimento do casal começa toda do zero, afinal tem mais aguém na equação. é preciso reaprender a viver junto. paciência. pular essa fase, na minha opinião, é certeza de melecar o casamento.

só eu dou bronca: essa pra mim é uma das piores armadilhas, de novo por falta de negociação e excesso de controle. é muito comum ver as mães (que assumem a maior parte da responsabilidade e atividades com os filhos) serem as chatas e os pais serem os legais. fora os casos em que o pai é a autoridade maior (vou contar pro seu pai! ou só se seu pai deixar, que eu acho execráveis). é essencial, de novo, negociar com seu companheiro, e os dois devem dividir a responsabilidade e a chatice que é dizer não, cobrar, fazer comer, dormir, enfim: educar. a criança não pode ver os pais como personagens de uma história infantil maniqueísta. é verdade que se a mãe passa mais tempo com a criança, é mais provável que tenha mais oportunidades de ser chata, e exatamente por isso é importante que o pai use o tempo que tiver para atuar nesse papel também e equilibrar as coisas.

neste item tem um fator que pra mim complica ainda mais a coisa: a culpa, especialmente quando um dos pais ou ambos trabalham. me parece que o fato de trabalhar e somente algumas horas com os filhos (se isso é pouco ou muito eu acho discutível) transforma os pais em reféns. já que passam só algumas horas do dia com seus filhos, eles querem ser "legais" e "divertidos". nada contra ser legal, mas escuta: o papel dos pais não é ser amigo dos filhos e nem entretê-los. seu papel é educá-los e garantir que eles sejam criaturas auto-confiantes e independentes. brincar faz parte do processo, mas é só uma parte e muitas outras pessoas podem e quer brincar com seu filho. pouca gente quer de fato educá-los.

minha maior preocupação na criação do meu filho é evitar a maldita culpa, fazer minha parte e ser feliz. além, é claro, de balancear com meu companheiro a responsabilidade de educar nosso filho de tal forma que ele perceba que seus pais estão afinados no relacionamento com ele. não quero ser a mãe chata, assim como tenho certeza que o fer não quer ser o pai autoritário ou permissivo.

mensagens/atitudes contraditórias: a mãe fala A e o pai fala B, na frente da criança. algum dos dois prevalece, e o mal está feito. em primeiro lugar, fica explícito o problema da falta de conversa e cumplicidade entre os pais; em segundo lugar, a criança percebe que pode fazer aliança com uma das partes pra conseguir o que quer.

não acho que os pais têm que concordar em tudo e nem conversar sobre tudo com antecedência, até porque é impossível. mas é preciso demonstrar cumplicidade e alinhamento, sim, pelo menos na frente da criança. nem que seja pra pedir uma pausa pra decidir, algo como "fulaninho, nós precisamos conversar uns minutos antes de decidir sobre isso, por enquanto nada fica resolvido". e se a decisão for urgente ou não der pra esperar, acho que vale a que foi comunicada primeiro pra criança, mesmo que seja errada.

sei que na prática as coisas são mais complicadas que isso, mas meu ponto é simples: os pais precisam concordar que mensagens conflitantes não são boas pra criança, e nem pro relacionamento. discordar é normal e saudável, mas precisa ser tratado com honestidade e maturidade. uma criança não tem como acompanhar certas discussões e negociações, acho saudável poupá-la de argumentações entre os pais.

ciúme do bebê: essa eu acho o horror absoluto. já ouvi histórias medonhas sobre pais que têm ciúmes dos filhos com as mães, do tipo "você agora só pensa na criança" ou até ciúme da mãe poder dar o peito e ele não (soube de uma que pai queria porque queria que a mãe tirasse leite do peito pra ele dar na mamadeira, porque era "injusto" só ela poder amamentar).

aí é o seguinte: ou você já era mãe de um adulto mal-resolvido antes do seu filho nascer (escolheu mal de novo, amiga...) ou você pode estar mesmo exagerando no papel de mãe. convenhamos, tem mulheres que piram na batatinha depois de parir e só pensam e falam nos filhos 24h/dia.

acho mais fácil consertar e estar atenta ao segundo problema, é uma questão de auto-conhecimento e adaptação. imagino que ser mãe pira a cabeça da pessoa, mas com o devido interesse as coisas se ajeitam. basta querer, conversar (pedir pro seu companheiro ser honesto e conversar quando a coisa estiver ruim) e se empenhar pra melhorar.

consertar a situação de ter um filho mais velho e não um marido é mais complicada. não quero minimizar a capacidade masculina de se corrigir, por favor, mas ELE precisa se tocar que precisa virar adulto e assumir responsabilidades, ser companheiro e não dependente. há homens que simplesmente não querem, e ponto final. querem sua mulher ali sempre disponível pra ele: linda, loura, cheirosa e cheia de apetite sexual. além, é claro, de cuidar da casa e do bebê e não trazer problemas pra ele. além de trabalhar e ajudar com a grana, quando é o caso.

é inaceitável um marido criar problemas ou conflitos com a mãe por ciúme da criança. é compreensível sentir ciúme, sim, porque sentimentos não são controláveis, mas as atitudes podem e devem ser controladas. e se a coisa estiver pegando forte, caro pai, faça um favor a você e à família toda: vá pra terapia.

**

dito isso tudo, não posso deixar de comentar que vi exemplos ótimos de pais que são o oposto de pelo menos alguns pontos que destaquei. tive por exemplo a oportunidade de acompanhar por vários anos a dani e o felipeb criando suas meninas, e preciso destacar o quanto acho o felipeb um pai e companheiro nota 10 em vários aspectos (a dani com certeza deve ter suas reclamações, por que perfeição não existe :)). além de ter acompanhado a gravidez dela de pertíssimo como parte integrante e não coadjuvante, apoiá-la e estar presente no parto, ele sempre foi 100% participante nas atividades das meninas, fazendo mais do que qualquer outro pai que eu conheço faz. lembro perfeitamente dele trocando fraldas sempre, dando banho, ficando com as meninas pra dani descansar, dando comida (e inúmeras broncas :D), brincando. os dois juntos como pais me passam a sensação de responsabilidade compartilhada de fato, não é só discurso. já vi também os dois discordarem, mas isso nunca os impediu de agir como adultos responsáveis. além disso tudo, eles mantiveram sua vida como casal ativa, fazendo atividades só deles e nunca esquecendo o que os uniu antes das meninas existirem.

esse post, de certa forma, é dedicado a eles. não porque sejam perfeitos ou modelos pra nós aqui (até porque somos tão diferentes que seria impossível), mas porque eles nos mostraram e mostram que é possível ser pais e mães adultos, além de companheiros de vida, mesmo com todas as dificuldades que esse cenário apresenta. beijo pra vocês, queridos :)

August 17, 2010

sobre auto-estima e vaidade

a cam começou bem lá no blog novo, e trouxe um assunto que venho tangenciando há tempos, não como mãe mas como filha (e me tornar mãe vai complicar mais ainda esse caldo!): a construção da auto-estima e a influência dos pais nesse processo.

não li o artigo indicado da rosely sayão (não assino a folha), então não posso opinar, mas tenho algumas contribuições que fazem parte da minha auto-análise. e é claro que tentarei aplicar o que acho mais razoável com meu próprio filho, quando a hora chegar. mencionei um artigo da superinteressante, que a dani achou online, e mencionei também um dos livros mais importantes que li nos últimos anos: a auto-estima do seu filho (linkei um trecho ao invés do livro, que é fácil achar. pedaço interessante pra citar :)).

vou fazer uma mistura das duas referências, porque elas podem parecer contraditórias à primeira vista, mas acho que são na verdade complementares.

algumas coisas do livro são datadas (o capítulo sobre sexualidade eu dispenso), mas a base dele, que trata da construção da auto-estima, é preciosa. os meus 3 anos de terapia foram baseados nas "técnicas" deste livro, e não vai dar pra explicar num post o quanto conceitos tão simples mudaram minha vida. digo que sou outra pessoa depois de entender como minha auto-estima foi prejudicada e também como eu repetia (e repito ainda, é difícil abandonar esse modus operandi herdado dos nossos pais) o mesmo comportamento com os que me cercam. a boa notícia é que tem conserto, e nunca é tarde pra começar a mudar (seja o estrago feito em você, seja seu comportamento com os outros).

a idéia do livro é simples: as pessoas precisam se sentir compreendidas, aceitas e amadas para serem felizes. e isso não significa que devemos aceitar qualquer tipo de comportamento, muito pelo contrário: podemos e devemos mostrar ao outro que às vezes seu comportamento nos magoa, incomoda e machuca e que não queremos ser ofendidos; e da mesma forma, devemos mostrar que outros comportamentos nos deixam felizes. mas é essencial evitar o julgamento, o rótulo. o indivíduo precisa sentir (ou saber) que é valorizado por aqueles que ama e admira principalmente pelo que é, e não só pelo que faz ou demonstra.

cada vez que rotulamos alguém (e esse processo de rotulagem começa quando nascemos, pelos nossos pais e parentes), estamos limitando sua capacidade e percepção de si mesmo. e acho que aí está o link entre o livro e o artigo: sempre pensamos em prejuízo à auto-estima relacionado a críticas e repreensões, mas o elogio também é uma forma de prisão. a expectativa criada quando somos elogiados pode nos restringir também.

vou tentar exemplificar os 2 casos.

caso 1 ou "como fazer alguém se sentir inadequado":

quantas vezes vocês já viram mães (avós, pais, tios...) dizerem a uma criança algo como "mas a vovó veio até aqui pra te ver e você nem vai dar um beijo? que feio, como você é mal-educado. a vovó também não gosta mais de você, então!"? ou o clássico "você não vai comer essa comida que a mamãe fez com tanto amor? a mamãe vai ficar triste!". eu aliás escuto coisas neste mesmo tom com 38 anos de idade, e não só de família, mas de amigos também.

o problema aqui é o seguinte: por causa de uma ação ou comportamento (não cumprimentar, não querer comer), o sentimento de amor e aceitação é colocado em jogo. o que diz não é questionado (dizer não = não amar) e o que recebe a recusa usa seu amor como ameaça ou moeda de troca (se você quer ser amado, faça o que eu quero). as frases parecem bobas e inocentes, e afinal, estamos brincando, não é? não, não é. esse tipo de queda de braço que coloca o afeto em jogo destrói a auto-estima do outro, e impede que ele se sinta à vontade para expressar o que verdadeiramente quer. de novo: não significa que as pessoas que se sentiram ofendidas não possam se manifestar, elas podem e devem. mas de outra forma. que tal assim, por exemplo: "que pena que não vou ganhar um beijo! eu estava com saudade e adoraria receber um beijo seu". no outro caso, que tal "fiz essa comida especialmente pra você, porque fico feliz quando você come as coisas que eu faço".

vejam que a idéia não é ganhar a briga, mas expressar sentimentos (bons ou ruins) sem julgar o outro ou ameaçá-lo. afinal, tudo o a gente devia querer nos nossos relacionamentos é ser feliz e se possível fazer os outros felizes!

o outro problema do rótulo é que uma vez colocado, há o risco do outro aceitá-lo de vez. você diz que alguém é preguiçoso, mal-educado ou tagarela e pronto: a pessoa se acredita assim e vai fazer de tudo pra se encaixar no rótulo. já cansei de ver crianças repetindo rotulações dos seus pais: "é que eu sou tímido" ou "é que eu não gosto de TV". é um crime rotular qualquer pessoa, mas é especialmente cruel fazer isso com crianças.

caso 2 ou "como fazer alguém não se aventurar":

comentários críticos também cabem aqui, claro, mas gosto do ponto do artigo superinteressante sobre o prejuízo que os elogios podem causar. acho que as pessoas äs vezes confundem auto-estima com vaidade. você pode perfeitamente construir (ou não atrapalhar!) a auto-estima do outro sem apelar para a vaidade. e no caso de pais e filhos, esse limite é mesmo tênue, porque elogiar qualidades dos filhos normalmente significa exaltar qualidades dos próprios pais (senão as mesmas, herdadas, a grande qualidade de ter colocado este prodígio no mundo).

é fácil cair na armadilha de elogiar resultados/ações, rotulando as crianças (ou adultos, vale o mesmo) como inteligentes, engraçadas, sociáveis, talentosas ou seja lá o que for. e basta rotular pra que a gente se acomode no papel X, como se inteligência ou graça (pra dar exemplos) fossem dádivas que não demandam esforço ou investimento ou ainda pior: como se não pudéssemos mais fazer menos que o melhor, sob risco de sermos menos amados.

o problema todo (e a solução, na minha opinião!) está em entender que temos medo das pessoas que amamos nos admirarem ou amarem menos em função do que fazemos. porque a verdade é que as pessoas pisam na bola, errar faz parte de ser humano. é claro que tudo o que fazemos afeta os que nos cercam, e é importante que cada indivíduo entenda isso desde pequeno (ação/reação). o que realmente faz com que nossa auto-estima seja firme e forte não é receber montes de elogios e tampouco não receber críticas ou nãos, mas a certeza de que aquelas pessoas que são essenciais pra nós nos amam mesmo quando erramos e apesar dos nossos erros e fracassos. eles nos amam mesmo quando não somos assim tão inteligentes ou espertos ou legais.

quando sentimos que somos amados no matter what, nos damos o direito de errar e nos perdoamos quando pisamos na bola. e nem preciso dizer que só quem se permite errar é que acerta, não é?

como filha, aprendi a filtrar as inúmeras chantagens emocionais dos meus pais (e aprendi também a me manifestar verbalmente quando essas chantagens me machucam) e repito pra mim mesma em non-stop "eles me amam, não importa como eu me saia. eu não preciso provar nada pra eles!".

como amiga, chefe ou coisa parecida, aprendi a não julgar ou rotular. e apesar de vira e mexe cair na armadilha, aprendi que a melhor forma de me relacionar com as pessoas é me concentrar em como EU me sinto a respeito do que elas fazem, e deixá-las saber disso. se me chateiam, eu digo que me chateei e explico como me sinto quando elas agem assim ou assado. é responsabilidade delas mudar o comportamento ou não. usando um clichê, é um jogo de frescobol mesmo: cada um precisa fazer sua parte pra bola não parar de quicar. e não se iludam: é difícil agir assim. principalmente porque nossos problemas de auto-estima se colocam como barreiras pra aceitar o outro e ser honesto.

e como mãe, vamos ver... pretendo seguir os princípios que aprendi e acredito serem corretos: ser honesta; não rotular ou julgar; dizer como me sinto (quando fico feliz ou triste); reforçar que meu amor é incondicional, sim. mesmo quando disser não, colocar de castigo ou perder a paciência :D

August 13, 2010

e quem somos afinal?

esse assunto tá na cabeça há muitas semanas (tipo várias dezenas delas), e depois de ler o último post da cam no blog novo (viva, ela voltou!) resolvi falar de um assunto difícil porém central pelo menos pra mim: mãe, profissional, esposa, amante, blogueira, amiga, ser-de-tetas. quem sou eu?

o óbvio, a resposta intelectual e analisada, é que somos uma combinação de várias coisas, e não uma só. mas convenhamos, não é assim que vemos a nós mesmos. bom, pelo menos eu não me vejo como essa manta linda de patchwork, com cada pedacinho ou faceta cumprindo seu papel na tecelagem da minha vida... eu me julgo e rotulo, sou parcial e muito carrasca.

honestidade? eu me defino pelo meu trabalho, sou a mais perfeita tradução (e clichê) do mundo pós-industrial e capitalista. eu sou o que faço, o que entrego, o quanto dou de resultado. o que no meu caso é um arranjo sensacional, pois sou bem-sucedida na carreira, elogiada, bem paga e dou um resultado enorme. e de quebra, adoro meu trabalho. pensando bem, não deve ser exatamente à toa que preferi me definir basicamente pelo meu lado profissional, não é mesmo, minha gente? ;)

estou há 4 semanas sem trabalhar (resolvi iniciar a licença maternidade antes), e foi interessante observar como o não trabalhar/não "entregar coisas" me afetou. a sensação é de inutilidade, "displacement" (qual é o meu lugar? cadê minha mesa, meu telefone, meu notebook!), mas principalmente de não ser necessária.

sempre critiquei mulheres que se dedicam exclusivamente aos seus filhos e marido, porque creio que isso cria uma falsa sensação de ser necessária, o "centro da família", que tem prazo pra vencer. os filhos crescem e vão embora (se a doida deixar, né. senão vira um encosto na vida dos filhos, tá cheio por aí), o casamento eventualmente acaba (até porque mães profissionais não investem no relacionamento com o marido, afinal já casaram e pariram) e elas aos 50 anos se vêem sozinhas e sem propósito. absolutamente compreensível que pirem na batatinha e se sintam péssimas. as que têm sorte continuam casadas, mesmo infelizes, ou são ricas; as azaradas se pegam sozinhas, sem profissão, sem propósito na vida, e sem dinheiro. muito, muito medo.

mas aí fiz um exerciciozinho: qual é exatamente a diferença entre a mãe profissional e a profissional-profissional? a diferença infelizmente é pequena (embora seja significativa do ponto de vista prático): a profissional-profissional provavelmente terá independência financeira e algo pra se ocupar.

me preocupa mais o que é igual nos dois casos, a unidimensionalidade (afe, inventei) do meu ser. sim, eu faço muitas coisas, e sou muitas coisas, é fato. então por que me deixo envolver tanto por um dos aspectos da minha vida? o tempo que gasto com meu trabalho (não só dentro do escritório, mas pensando nele) é desproporcional, se comparado ao restante da minha vida. e é fato que dou mais importância ao trabalho que à minha família, amigos e até a mim mesma.

(se você que me lê consegue equilibrar bem sua dedicação às suas várias atividades, parabéns. eu sou uma lástima nesse aspecto)

me pergunto: será que essa dedicação, paixão e comprometimento com o trabalho não é simplesmente uma fuga, uma válvula de escape pra compensar aspectos negligenciados da minha vida? afinal, se como profissional consigo me sentir poderosa (o que nem sempre acontece como esposa, amante ou amiga), quero ficar neste "modo" o máximo possível. melhor continuar investindo onde dá certo, ao invés de arriscar fazer besteira como mãe, amiga, escritora.

com a maternidade como nova variável da minha história, a coisa se complica. afinal, esse é potenciamente mais um papel pra eu me sair mal e me sentir péssima a respeito de mim mesma ;) duvido muito (por mais que digam e falem e cantem aos 4 ventos...) que ser mãe vai me bastar e encantar a ponto de eu querer parar de trabalhar, mas pode balançar as estruturas aqui sim, além de adicionar mais uns goles de culpa num pote até aqui de mágoa.

da mesma forma que não acho saudável ser mãe-profissional, não gostei de concluir que sou profissional-profissional. quero ser mais que isso, quero de verdade balancear melhor os vários aspectos da minha vida e personalidade, e poder deixar algumas dessas coisas de lado de vez em quando sem me sentir vazia ou inútil. quero poder ficar 6 meses fora do trabalho sem culpa, e quero também poder tirar férias do meu filho sem culpa.

é, esse é mais um daqueles posts sem conclusão. minha conclusão no fundo é que com a chegada do meu filho, ganhei a oportunidade de, mais uma vez, me reinventar. nos próximos anos, quero me dedicar a ser eu mesma mais auto-sustentável, menos carrasca e plural de verdade.

August 3, 2010

38 semanas: agora qualquer hora é hora :)

bom, cheguei na reta final. a partir desta semana, a qualquer momento o menino pode chegar. todo mundo me pergunta se estou ansiosa, e pra dizer a verdade não estou não. estive bem tranquila a gestação toda, e continuo tranquila. durmo bem, como bem, faço quase tudo da mesma forma, e não penso no bebê 24h/dia. é difícil não falar sobre o assunto quando a barriga tá desse tamanho: todo mundo só quer saber sobre a gravidez e sobre o bebê. mas procuro dosar, é muito chato falar só sobre isso.

uma das expectativas de mim pra mim mesma no futuro próximo, aliás, é não me tornar mais uma daquelas mães chatas que só falam de criança. não suporto essa coisa "clube das mães", e "só quando você for mãe é que vai entender" e etc. e pra quem ia comentar que eu vou ficar assim também, nem comente. não vou ficar não, porque não quero, acho cafona, chato e principalmente ridículo. afinal, ser ou não ser mãe não me define (e não devia definir ninguém), eu sou mais que isso.

todo mundo me pergunta se não tenho medo do parto. não, nenhum medo. aliás, cada vez mais acho que dor não é sinônimo de sofrimento. não tenho dúvida que o processo de dilatação pra passagem do bebê dói, afinal é uma movimentação muscular poderosa (se alongar dói, pô...). fazer exercício causa dor e desconforto muscular, o que não quer dizer que você precise sofrer. sofrimento implica julgamento, e é exatamente isso que se trabalha na ioga: desassociar o sentir (dor, desconforto, tensão, relaxamento) do pensar (classificar e julgar). basta sentir, mergulhar na sensação sem julgar se é bom ou mau. o exercício real de estar presente passa por aceitar as sensações, reconhecê-las e ter a certeza que absolutamente tudo passa. as sensações são só mensagens do seu corpo, não há necessidade da mente julgando. basta sentir e observar.

creio que será possível fazer meu parto da forma mais natural possível, por enquanto não há nenhum impedimento. não houve nenhum incidente nestas 38 semanas, pouco ganho de peso (3,5kg somente. mas eu já estava gorda, afinal), pressão normal/baixa, sem inchaço ou qualquer desconforto, durmo muito bem, o bebê mexe muito, tem o tamanho esperado e está ótimo. todos os exames estão OK (glicemia, clamídia, strepto, toxo). a médica está nos apoiando no parto natural com mínima intervenção (pra mim e para o bebê), e já falamos com a enfermeira-chefe e o chefe da pediatria sobre isso. todos estão OK com nosso plano e vão dar apoio.

mas se no final das contas por qualquer motivo não for possível fazer o parto do jeito que eu quero, também está tudo bem. pelo menos eu sei que fizemos (todos) o que era possível e o que achamos correto, estou 100% tranquila. decidi que não vou entrar na neurose de controle, aceito sem problemas que há coisas que não posso controlar. eu me adapto se for necessário.

enfim, está tudo pronto: mala com roupas do bebê, minhas camisolas (um drama pra comprar, praticamente só tem coisa cafona com abertura no peito pra amamentar), documentos necessários, o quarto, bercinho pro nosso quarto, bebê conforto, ufa!

levamos a preta no vet, pra conferir se está tudo bem (e fora os dentinhos com tártaro, ela parece bem apesar da idade avançada). arrumamos as coisinhas quebradas na casa, lavamos os carros, coloquei as contas pra pagar no agendamento, tudo pra evitar stress no próximo mês. estamos preparando as lembrancinhas pros visitantes (weno e denize nos ajudando um monte), que vai ser um CD com músicas que escolhemos pra homenagear a chegada do nosso filho (afe, como é estranho escrever isso!)

agora é só esperar e ir fotografando a barriga, semana a semana. nesse momento, essa é a barriga:

A louca do roxo

mais notícias em breve :)

July 13, 2010

o bebê mais feliz do pedaço

ganhei o livro the happiest baby on the block (versão em português aqui) de uma amiga, e apesar de toda minha resistência com livros sobre maternidade, parto e educação de crianças, comecei a ler. e amei, totalmente. recomendo muito pra todo mundo que vai ter bebês (mas tem que ler antes de nascer, senão não serve pra muita coisa, viu?)

(aqui um resumo do livro. e tem DVD no brasil, que parece ser muito bom)

vou fazer um resumo tosco (até porque não li tudo ainda, falta 1/3 pra acabar), antecipando que o livro fez todo sentido pra mim. tenho resistência às formuletas americanas (sempre tem um acrônimo, número de passos X, etc.), então procuro sempre entender o que está por trás disso tudo. esse livro me convenceu bastante, toda explicação fez sentido.

a idéia é simples: os bebês humanos nascem prematuros. eles precisam sair da barriga antes do tempo porque nossa cabeça (que abriga nosso órgão mais importante) está grande demais para passar pelo canal vaginal no momento do nascimento. essa característica da nossa espécie faz sentido pra mim, evolutivamente - vivemos em comunidade, e temos condições de cuidar de prematuros, diferente dos outros animais. nossa evolução otimizou a questão tamanho do cérebro/momento do nascimento. então toda questão de como cuidar de bebês recém-nascidos gira em torno do que ele chama de "quarto trimestre", ou seja: aqueles 3 meses que faltam para o bebê realmente estar apto a viver do lado de fora da barriga.

durante este quarto trimestre, o importante é manter o bebê confortável, alimentado e feliz, como ele estava no período dentro da barriga. o autor é contra a idéia de que manter o bebê no colo e confortá-lo constantemente "estraga" o bebê. segundo ele, nos 3-4 primeiros meses é impossível "mimar" o bebê, pois ele não tem ainda discernimento para entender que está sendo mimado. tudo o que ele precisa é se sentir confortado no mundo exterior. daí a idéia de emular o máximo possível o ambiente uterino, usando as técnicas que ele sugere.

achei muito interessante o seguinte: ele elaborou sua teoria com base em experiências reais e estudos feitos em países menos desenvolvidos nos quais, curiosamente, as mães não têm problemas com bebês que choram insistentemente. ele notou que várias culturas mais "primitivas" têm bebês mais calmos e que não dão trabalho às suas famílias. quais são os pontos em comum entre elas? principalmente a proximidade física entre a criança e algum adulto (não necessariamente a mãe, aliás). ele menciona o uso de slings ou outras formas de manter o bebê sempre próximo do corpo, e balançando pra lá e pra cá.

tem mais: ele destaca que nem todos os bebês reagem da mesma forma neste quarto trimestre. os bebês que choram mais são os que têm mais dificuldade de adaptação ao mundo exterior, são mais sensíveis ou temperamentais. essa variação de personalidade ou temperamento é absolutamente normal, e não tem nenhuma correlação com as tais cólicas. desconfortos gastro-intestinais são comuns em todos os bebês, mas nem todos choram sem parar. qual é a diferença? a reação única daquele bebê ao quarto trimestre, a forma como ele reage a este período final de formação fora do útero.

bom, e com base nisso tudo, ele ensina 5 "truques" (5S) para acalmar e confortar bebês, baseados na idéia de emular o ambiente uterino. são eles:

- swaddling: é a famosa técnica de enrolar o recém-nascido bem apertado. confesso que tenho resistência a ela, porque parece que o bebê fica desconfortável, pobrezinho. no entanto, tudo que li a respeito diz exatamente o inverso: os bebês gostam do "aperto", sentem-se mais seguros e mais próximos da posição uterina (faz sentido, convenhamos). além disso, nos primeiros meses de vida sua função motora é bastante descontrolada, e ficar solto demais deixa o bebê nervoso. o livro traz técnicas de enrolar o bebê, mas imagino que sua mãe ou sua avó podem ensiná-la rapidamente a fazer a tal trouxinha :)

- side/stomach position: manter o bebê na posição de lado ou de bruços enquanto está no colo é mais confortável e faz com que ele se sinta mais seguro. (aliás, não sabia nada sobre isso, mas aprendi que a posição recomendada para os bebês dormirem é de barriga pra cima, nunca de bruços). parece que funciona assim: a posição de barriga pra cima "liga" um dos reflexos básicos de recém-nascido, o de cair. em outras palavras, o bebê se sente mais vulnerável de barriga pra cima enquanto acordado, ele tem medo. por isso ele recomenda mantê-lo no colo de lado (nos seus braços, com a cabeça pro lado de fora) ou com os membros soltos ao longo do braço, com a barriga apoiada no seu antebraço e a cabeça na palma da sua mão. depois de acalmado, o bebê vai ficar tranquilo pra dormir de barriga pra cima.

- shushing: basicamente é fazer barulho de SHHHHH :) achei incrível, mas parece que muitos bebês se acalmam com barulhos brancos bem altos, tipo secador e aspirador de pó. a explicação faz sentido pra mim: o bebê ficou meses dentro do útero ouvindo basicamente esse barulho branco de fundo (sangue fluindo e outros barulhos orgânicos). todo barulho externo era abafado e constante, seja porque ele estava imerso em líquido ou porque seus tímpanos ainda não tinham (e não tem, até o final do quarto trimestre) a mesma formação que o nosso. eles ouvem de forma diferente e principalmente não estão acostumados ao silêncio. o autor não acha que é coincidência que os bebês choram mais à noite, quando tudo está silencioso e calmo demais. o barulho de SHHHH deve ser feito para acalmá-lo, e não pode ser baixinho. o seu SHHH deve no mínimo se equiparar ao volume do choro do bebê, para que ele ouça perfeitamente e se sinta confortado pelo barulho familiar. e não se preocupe, que o bebê não vai achar que é falta de educação da sua parte fazer SHHH pra ele :D

- swinging: balançar, basicamente. mas atenção: não adianta balançar de levinho, tem que ser um balanço vigoroso. não é obviamente pra chacoalhar a criatura, né, mas não dá pra ser suave demais, ou não faz efeito. lembre-se que o bebê passou meses dentro da barriga balançando pra lá e pra cá, no ritmo do seu corpo. daí o uso do sling ou coisa parecida pra acalmar o bebê e fazê-lo sentir-se "em casa".

- sucking: bom, esse é simples, um dos instintos mais básicos do recém-nascido, sugar. tem bebês que já sugam os dedinhos dentro da barriga, e ele vai se sentir feliz quando tiver o que sugar, de preferência o seu peito :D pode ser chupeta, o seu dedo ou o peito, tanto faz. ele chama esta última técnica de algo como "a cereja do bolo", ou seja, o último recurso de acalmar o bebê, quando os outros todos já foram aplicados.

aliás, ele menciona o uso destas 5 técnicas na ordem, e avisa que alguns bebês realmente precisam de todas elas pra finalmente se acalmarem.

não tenho a pretensão de convencer ninguém a gostar das técnicas ou do livro tanto quanto eu gostei, mas achei que valia compartilhar. recomendo ler o livro, e se puder vou ver o DVD. li várias respostas muito positivas às técnicas, parece que funcionam mesmo. outra coisa: essas técnicas não são nada novo, certo? nossas mães e avós já usavam isso. só precisamos lembrar do que elas faziam para acalmar os bebês e aplicar também. um dos fatores mais importantes do sucesso evolutivo da nossa espécie é justamente a transferência de conhecimento e experiência, não podemos perder isso. tradição é importante e útil, mesmo que precise ser filtrada às vezes.

July 12, 2010

reta final

bom, está chegando! bem que dizem que passa mais rápido do que a gente pensa... mal posso acreditar que em 5 semanas (mais ou menos) teremos um novo morador na casa, um novo membro da família. caramba.

o dragão e o bebê

por enquanto o terceiro trimestre está bem tranquilo, só a azia mesmo é que pegou mais pesado (mas basta comer pouco e mais vezes ao dia, evitar frituras e doces) e o intestino ficou mais preguiçoso. mas nada grave, só inconvenientes leves e contornáveis.

ainda durmo tranquilamente, até porque sempre dormi de lado. levantar/sentar ou deitar virou uma comédia, me sinto uma tartatuga virada :) e andar... tá ridículo. ando feito uma pata profissional, todo um charme (not).

o otto está posicionado pra nascer, do tamanho certinho pra idade e eu engordei 3,5kg até o momento, ou seja, muito pouco. isso me deixou bem feliz, não por questões estéticas propriamente (já que antes de engravidar eu estava gorda mesmo), mas porque quanto mais pesada mais riscos há de ter hipertensão e de complicar o parto natural.

estou gostando da nossa médica, a priscila huguet (a quem interessar, atende em campinas), senti firmeza que ela vai nos apoiar para que parto tenha o mínimo de intervenção possível no hospital. fiz todos os exames que ajudam a evitar algumas intervenções, especialmente com o bebê (clamídia, etc.) e estou ótima. glicemia 70, pressão 10/6, tudo como manda o figurino!

além disso, conversando com minha mãe fiquei mais animada ainda com o parto natural: ela teve nós 3 de parto normal e tudo correu lindamente. os partos foram rápidos e sem drama, e segundo ela a família toda é assim. as únicas que tiveram dificuldades e optaram pela cesárea foram minha tia e a keké, pois as meninas estavam sentadas. ou seja: tem tudo pra dar certo :)

o quarto do menino não está pronto, é claro :) quando arrumarmos tudo publico fotos. já compramos tudo que será preciso (e coisinhas não necessárias também, como vocês devem imaginar...) e ganhamos MUITA coisa. não tenho como agradecer o carinho de tanta gente que nos ofereceu doações ou vendeu as coisas por um preço legal. além é claro dos montes de presentes pro piolho... ele nem chegou e já é um serzinho tão amado! é muito fofo isso.

esta é minha última semana no trabalho, tenho milhões de coisas pra resolver, mas já estou me sentindo mais livre. vou ter essas semanas restantes pra pensar em mim, no piolho, no fer e nas mudanças. vou me preparar pro furacão que virá, e estou animada com ele!

vou procurar manter o blog atualizado até o otto chegar, e depois conto tudo com detalhes, ok?

me desejem sorte :D

June 22, 2010

oitavo mês, oitavo passageiro

entrando no oitavo mês esta semana, e ainda não passou a sensação de carregar um alien na barriga, admito. e quanto mais a criatura cresce e se remexe, mais estranho fica. antes era uma sensação de "peixe vivo", depois os chutes e cambalhotas, agora parece que o serzinho que sair, empurra, dá quase pra ver se é um pé, mão, cabeça ou cotovelo. scary :)

o fer tá já surtado, contando os dias pro menino nascer. eu estou aos poucos me acostumando com a idéia de ter mais um ser aqui em casa. confesso que a idéia me apavora. como será nossa vida com ele? nós dois que estamos tão acostumados um com o outro, com nossa rotina. além da apreensão de ter nova companhia, vem uma nostalgia antecipada de não ser mais o centro das atenções, admito sem nenhum pudor. acho que esses foram os meses mais gostosos da minha vida, deste ponto de vista. nunca me senti tão mimada, cheia de carinhos e cuidados. vai ser uma transição difícil, principalmente porque vai virar de cabeça pra baixo: após o parto, toda a atenção vai pra ele, o menino que mora dentro de mim agora.

uma parte de mim quer que ele vá ficando, sabe? não dá nenhum trabalho, e uma boa parte do amor que direcionam pra ele eu posso aproveitar. as semanas passam, e eu só consigo pensar nele fora da barriga em sonhos. parece que meu inconsciente está mais preparado para o depois que meu consciente :)

eu sei que o parto vai ser um divisor de águas, e até por isso continuo torcendo pra que seja natural, que eu possa passar por todas as etapas sem nenhuma pressa. sinto que esse processo de separação gradual não é importante só fisicamente, mas também emocionalmente. todo o protocolo de separação dos nossos corpos, por fases, com nosso esforço conjunto, vai me ajudar também a dar boas-vindas, e principalmente ceder espaço pra mais um nessa vida tão auto-centrada de só nós dois. acertadamente dizem que ao nascer uma criança nascem também o pai e a mãe ao mesmo tempo. nós 2 ainda não existimos como pai e mãe, é ainda o vir-a-ser. junto com o otto, nasceremos nós dois de novo, em novos papéis.

me pergunto como será nosso casamento depois do nascimento dele. temos um casamento muito bom, cheio de carinho físico e emocional, somos mesmo grudados. adoramos a presença um do outro, somos amigos, gostamos de morar juntos, dividir. ficamos horas juntos sem dizer nada, fazendo a mesma coisa ou não. compartilhamos muito o silêncio, rimos das mesmas piadas idiotas, desarrumamos nossa não-rotina. não fazemos programas de "família", é muito incomum. assumimos depois de um tempo que nenhum de nós de fato gosta de programas familiares, e simplesmente declinamos, sem dramas. preferimos nossa própria companhia ou escolhemos cuidadosamente aqueles poucos amigos pra estar conosco.

é assustador pensar que teremos muito menos tempo sozinhos em pouco tempo. sabemos que haverá um laço novo e forte relacionado ao nosso filho, não temos dúvida disso. mas e os demais laços, como ficam? e os inevitáveis desacordos sobre como criar filhos, o cansaço, o saco cheio, a falta de tempo pra nós mesmos?

não tenho dúvidas que é possível superar tudo isso, ainda mais depois de 6 anos de casados e com muito amor e desejo de estar juntos sempre. nossa admiração mútua, o amor e a amizade vão nos ajudar, é claro. mas não me iludo: não vai ser fácil.

o que me consola e motiva é que passar por essa experiência vai nos tornar pessoas melhores e certamente um casal melhor. não deixo de pensar que é um enorme privilégio ter com quem dividir esse momento tão especial na vida. privilégio não: é mérito mesmo. afinal, tanta gente por aí engravida de qualquer um e depois reclama das dificuldades. nós nos escolhemos, investimos no nosso relacionamento e decidimos juntos que seria legal ter um filho. e estamos juntos no propósito de trazer para o mundo alguém legal ao mesmo tempo que nos tornamos nós mesmos pessoas melhores.

só mais 8 semanas, pessoal, para a mudança radical de estação. estamos ansiosos!

June 14, 2010

o parto do parto

eu já tinha explicado que faria meu acompanhamento e parto com a equipe da primaluz, lembram? pois graças ao meu maravilhoso (NOT) plano de saúde da empresa, no fim das contas não vai ser viável fazer o parto com eles. explico melhor, mas antes deixa eu contar um pouco sobre o meu "plano de parto".

sou da opinião que parto normal é muito melhor que cesariana. o ministério brasileiro da saúde concorda, assim como todos os países de 1o mundo. isso não quer dizer que sou contra cesariana. só acho injusta (e sinal de ignorância por parte dos pais) a pressão dos médicos e hospitais particulares para realização da cesariana. os índices no brasil são assustadores (mais de 80% dos partos são cesariana, proporção inversa em relação aos países de 1o mundo), e quanto mais pergunto sobre o assunto, mais descubro que a maior parte das cesarianas é uma questão de conveniência do médico e/ou da mãe.

visitei uma maternidade semana passada (a que pretendo ter o piolho) e a enfermeira-chefe nos contou que o índice de cesarianas deles é enorme, principalmente porque as mães preferem. seja porque não querem sentir dor, seja porque querem estar "bonitas" no nascimento do filho. ou seja: marcam horário no salão e na sequência vão para a maternidade para sair nas fotos com o bebê de cabelo e unhas feitas. e os bebês dormem no berçário no seu primeiro dia de vida, longe das mães, porque elas precisam descansar. os médicos até tentam convencer as mães que o parto normal é melhor pra ela e para o bebê, mas não adianta. elas preferem não sentir nada e estarem montadas pras fotos.

essa forma de encarar o nascimento dos filhos combinada com médicos preguiçosos (não querem ficar de plantão esperando o bebê nascer naturalmente) ou incompetentes (sabiam que muitos não sabem como proceder com parto normal? só sabem fazer a cirurgia!) dá nisso: nascer no brasil é mais ou menos como fazer cirurgia de implante de silicone.

as opções estão aí pra quem quiser escolher, e francamente não me importo tanto assim que tantas mulheres escolham abrir mão de passar pelo processo do parto, que é tão ou mais fascinante que a própria gravidez. acho uma perda pra elas e para o bebê, mas enfim, problema delas. o que me irrita MUITO é que graças a estas mães e estes médicos, as opções pra quem deseja fazer um parto natural ficam extremamente limitadas. apesar de todas as recomendações do ministério da saúde, não é simples optar pelo parto normal.

pra vocês terem idéia, as únicas casas de parto que existem no brasil são na periferia, em lugares bem difíceis de chegar para nós que não moramos lá. ok, então que tal parir numa maternidade particular, que faz parte do seu plano? só se quiser fazer cesariana, amiga. os médicos que dão preferência ao parto natural são discriminados pelos demais e pelos hospitais, são poucas maternidades que permitem que você faça seu parto do jeito que você prefere, com sua equipe.

dito tudo isso, aqui em SP funciona assim pra quem quer fazer parto natural sendo tratada com um ser humano: você contrata sua equipe (a primaluz, por exemplo) e faz seu parto em casa, no einstein ou no são luiz, que são os locais que permitem que você leve sua equipe e siga seu plano de plano.

meu plano A era fazer o parto no são luiz, mas... meu plano corporativo maravilhoso não inclui este hospital. ou seja: até teria uma segunda opção, mas precisaria me submeter às rotinas de hospital padrão e provavelmente encarar algum stress por estar levando pra dentro do hospital um médico que não é da "patota" (e o territorialismo dos médicos é assunto pra outro post).

não quero fazer o parto em casa porque minha casa é muito isolada e o acesso não é fácil caso eu precise me deslocar numa emergência. se eu morasse em SP, faria em casa sem dúvida (caso tudo estivesse 100%, é claro). dentro das possibilidades, a maternidade com alguma flexibilidade e uma médica que parece legal já está OK. não vou também entrar numa viagem errada de me stressar nessa altura da gravidez por causa de tudo. estou disposta a abrir mão de algumas coisas, no fim das contas. não sou e não vou me tornar radical agora.

dito isso, seguimos para o plano C: procurar alguém aqui na região de campinas que topasse fazer o parto minimamente do nosso jeito. encontramos uma médica que topa nosso plano (e até faz partos em casa, pra nosso espanto), e fomos conhecer a maternidade. gostamos da médica proque ela foi muito direta conosco: optar por parto natural em maternidades não é simples. os protocolos dos hospitais são rígidos, é preciso se preparar com bastante antecedência para mudá-los e nem tudo é possível mudar. ela falou a mesma coisa que a enfermeira: ela própria prefere fazer partos naturais, mas a grande maioria das mulheres não quer. elas querem conveniência e nada de dor antes (optam por sentir dor depois do parto, já com o bebê pra cuidar. essa idéia me parece idiota, mas enfim, quem sou eu pra falar...)

como forma de contribuição pra quem tiver interesse no assunto, vou explicar de que pontos do "plano de parto" estamos falando e precisamos decidir a respeito (e como isso é tratado nas maternidades), seja por curiosidade ou porque vai ter seu filho em breve.

- quando e como decidir se será possível fazer o parto natural. neste caso, a recomendação que dou é que o médico seja 100% da sua confiança e concorde com sua opção (tem uns que falam "se der a gente faz normal..." e nunca dá. tome cuidado). se você quer tentar parto normal, precisa estar segura que o médico vai apoiá-la de verdade, e não achar uma desculpa esfarrapada pra marcar a cesárea (tipo "você não vai conseguir")
- com ou sem anestesia (aparentemente não é um problemão optar na hora)
- posição/forma que você quer parir (cócoras, na água, semi-reclinada, etc. nem todas as opções estão disponíveis em todas as maternidades)
- quem pode estar com você na sala de parto (nesta maternidade que estamos considerando, só o pai pode entrar)
- pode filmar/tirar fotos (nesta maternidade que estamos considerando, nem o pai pode fotografar ou filmar, só a "equipe credenciada". acreditam?)
- o bebê fica com você no quarto ou no berçário (as maternidades mais decentes deixam o bebê ficar com você, mas recomendo verificar)
- fazer ou não episiotomia (eu prefiro que não me cortem, apesar de alguns médicos acharem que é melhor cortar que lacerar naturalmente. eu prefiro a laceração, ele que se vire pra consertar SE for o caso :) é importante se informar, porque tem médicos que não fazem o parto sem cortar você)
- vacinas e colírios no bebê (são procedimentos padrão das maternidades, pra proteger o bebê. a questão é que o colírio por exemplo protege o bebê de clamídia, e se você não tem clamídia... pra quê pigar o negócio, certo? parece que de forma geral você pode optar por não seguir estes procedimentos, mas precisa negociar antes pra não ter stress na hora)

por enquanto é o que eu me lembro de ser mais importante no meu parto. existem planos de parto por aí, vou pesquisar e ver quais itens eu poderia adicionar à lista.

amigas que já fizeram seus planos de parto, deixem suas próprias dicas!

May 31, 2010

29 semana e contando (ou 72% de progresso físico)

entrei no terceiro trimestre, e preciso então atualizar minha listinha de sintomas/sensações, não é? vamos lá!

3o trimestre (29 semana and beyond)
a principal mudança pra mim é o desequilíbrio físico. com o crescimento da barriga, o corpo fica todo estranho, e coisas simples como andar, sentar e deitar se tornam novas.

alguns agravantes me preocupam neste momento: tenho hérnia de disco (lombar) há anos, mas sob controle graças à postura; meus peitos são bem grandes e pesados, e ficaram maiores; a barriga crescente me projeta pra frente, atrapalhando minha postura normal. ou seja: estou reaprendendo a viver com meu corpo sem comprometer minha coluna, e não está divertido. a coluna dói, porque ainda não sei andar e nem me movimentar neste corpo.

nada de novo além da postura. ganhei pouco peso, e pretendo continuar muito atenta a isso, exatamente pra evitar mais sobrecarga para minha coluna. tenho tido mais vontade de comer doces, e está difícil controlar. os exames estão todos ótimos: glicemia 80, pressão 10/6, nenhuma doença e nem problema no caminho. o bebê está grande, eu não incho, durmo bem (até porque já dormia de lado por conta da lombar) e como bem. digestão lenta, desde o início, mas isso consigo administrar bem.

estou preocupada com o impacto do aumento de peso/volume na minha coluna. principalmente porque quero fazer o parto normal sem anestesia - preciso estar dominando minimamente meu corpo!

aliás, dicas de postura e exercícios de preparação para o parto são bem-vindos. mandem :)