em uma palavra: empatia

pretendo escrever sobre este assunto pela última vez, não só porque não sou engajada e nem tenho tempo para bandeiras mas principalmente porque ser mãe é muito, muito mais que parir. é, eu sei que quando estamos grávidas do primeiro e único filho sentimos que aquilo é a coisa mais importante e intensa e uau! e etc. mas a verdade é que o restante, o que vem depois, é mais intenso, mais punk, mais incrível e (é óbvio, mas enfim…) mais importante.

já afirmei aqui inúmeras vezes que sou 100% a favor de parto natural. sem drogas, sem intervenção, completamente humanizado. e que acredito que quem faz o parto é, sim, a mãe. processo fisiológico, complexo, intenso e cheio de significado, e que deve sim ser conduzido pela grávida. médicos devem ser apoio, suporte, ajuda, e nada mais. a menos, é claro, que a gravidez ou o parto sejam caso médico, o que é realmente a minoria.

acho que os médicos são mal preparados para lidar com partos. tratam como procedimento médico, não sabem lidar com o imprevisto, são muito inseguros quanto ao processo fisiológico e se apegam em horas, dias, tamanho. muitas métricas para tentar controlar o que não é tão simples controlar (e por que afinal precisa ser controlado?). acho que os médicos têm muito a aprender com as parteiras, e as próprias parturientes. deviam aprender a acompanhar o processo, e se adaptar à realidade de cada ser humano que atendem, aprendendo a cada experiência, ao invés de repetir mecanicamente procedimentos. aliás, todos os médicos deviam ser assim, não? (mas essa discussão de perfil do médico é OUTRA, não cabe aqui)

dito isso, lembro que meu parto foi um pesadelo. a gravidez foi perfeita, eu sonhava (e me preparei) para um parto natural e humanizado, ainda que dentro de uma maternidade, que foi minha opção. na prática, fiz uma cesárea de emergência e meu filho quase morreu. além de ter passado por um risco IMENSO de ter sequelas. felizmente ele aparentemente não tem sequelas (nunca saberemos com 100% de certeza, na verdade), mas a experiência do parto emergencial e filho na UTI por 8 dias foi horrível, não desejo pra ninguém.

ordenhei desde o primeiro dia, quando o otto nasceu, e jogava o leite fora, pois ele não podia ainda se alimentar e não era possível congelar no hospital. essa rotina, além de fisicamente desgastante foi muito difícil, pois me lembrava a cada ordenha que ele devia estar ali, se alimentando, e estava numa estufa na UTI. fer e eu visitávamos o menino a cada 3h no mínimo, às vezes mais, e só saímos quando nos expulsavam, ou quando eu precisava descansar. passei por uma cirurgia muito pesada e estava ali, andando pra cima e pra baixo pra visitar meu filho, cantar pra ele, acariciar seu corpinho pela parede da estufa. e no quinto dia depois de nascido eu pude finalmente pegá-lo no colo e dar o peito, e ele mamou tranquilamente, sem dificuldade. e eu tinha tanto medo de perdê-lo, dele ter algum problema, que nem me deixei apaixonar nestes primeiros dias. vivi dias de sombra, anestesia emocional. foi só quando ele chegou em casa que me permiti sentir amor, emoção, apego, e tudo o mais que precisava sentir. adoeci enquanto ele estava na UTI, e era tudo emocional. stress, medo, tudo misturado.

meu plano de parto deu todo errado. mas eu continuava a mesma pessoa, procurando fazer o que achava melhor pra mim e pra ele, a partir dali, depois do trauma todo. e aqui é que começa o que eu realmente quero dizer pra vocês sobre os movimentos e grupos de parto humanizado e “maternagem” (vejam que é preciso inclusive inventar uma palavra nova para a atividade mais antiga desde que o primeiro animal apareceu nesta terra).

não existe apoio, conforto e nem empatia deste grupo seleto de mulheres que “buscam os melhor para si mesmas e para seus filhos” quando acontece de você parir seu filho via cesárea. a única explicação possível é que você foi ENGANADA (ou seja: é ignorante ou idiota). e que infelizmente seu parto não é um parto, é uma cirurgia. e que seu vínculo com seu filho jamais será igual ao que as mães-de-verdade têm, porque afinal o vínculo se estabelece no instante em que a criança nasce e é colocada no seu colo ou no seu peito.

vocês leram tudo que escrevi ali em cima, sobre minhas crenças antes da maldição da cesárea se abater? ofereço mais informação: consumo alimentos orgânicos, sempre prefiro este tipo para o meu filho e para minha família. tudo feito em casa. sou contra deixar bebê chorando, sou a favor de amamentação em livre demanda (e assim fiz, até quando o otto quis e meu horário de trabalho permitiu), não tenho nada contra os pais dormirem junto com os bebês, e acho que lugar de bebê é no colo.

parece que sou parte da minoria, e que me daria muito bem nestas comunidades, certo? ERRADO.

procurei informação e apoio através da leitura de blogs e sites sobre parto, amamentação, maternidade em geral, e em todos que se preocupam com as coisas que eu me preocupo predominam as xiitas. ou você abraça completamente a “causa”, ou é mãe-de-cesárea. não há lugar, nestas comunidades, para mulheres que fazem opções diferentes das que elas propõem como perfeitas ou “naturais”. exemplifico: quando relatei meu caso, ouvi / li coisas como “ah, mas isso só aconteceu porque você foi para o hospital e aceitou a indução do parto. se tivesse ficado em casa, o menino poderia ter nascido sem complicações”. é, ele poderia ter morrido também, já que eu estava com 38 anos tendo meu primeiro filho e ele teve compressão de cordão. mas vamos convenientemente esquecer essa probabilidade.

também li que meu cansaço e saco cheio com o bebê pequeno, a rotina intensa de amamentação eram consequência do meu parto. cesárea = não tem vínculo = fico cansada e de saco cheio de cuidar de bebê o dia todo.

aí eu pergunto: por que mulheres que são minoria, e estão lutando pelo direito a parir e criar seus filhos de uma forma alternativa, anti-mainstream, são tão incapazes de sentir empatia por outras, como eu, que estão MUITO mais próximas delas do que das mães que marcam hora da cesárea logo depois da manicure e alimentam os filhos com danoninho?

eu respondo — porque elas deviam estar lutando pelo seu próprio direito de escolha, mas estão lutando na verdade contra as escolhas DOS OUTROS. é tudo ou nada: se você fez uma cesárea e não se arrepende e não tem ódio de médicos e do “sistema”, você é um DELES, e não merece simpatia alguma.

mas elas são minoria, então por que você se importa e reclama? porque a causa delas É A MINHA TAMBÉM, só que elas estão estragando tudo! e é minha causa parcialmente, claro, pois não concordo com o pacote todo. mas quando pessoas radicais e que, no fundo, só se importam com “a causa” predominam, a mensagem importante que está por trás disso tudo se enfraquece. eu mesma me sinto muito menos inclinada a defender essa bandeira, já que fui excluída da “patota” porque não guardo rancor contra minha médica e nem acho que cometi nenhum erro. foi como foi, e sigamos.

alguém cruel pode dizer que eu sou contra esses grupos porque fui excluída, que é puro rancor e despeito porque não “consegui” parir. já devem ter dito, aliás, se me lembro de alguns comentários aqui no blog. a verdade é bem mais simples e menos intrincada emocionalmente: eu sou pró escolha. em todas, absolutamente TODAS as instâncias da vida, desde a concepção de um filho até o dia da própria morte. e estas senhoras tão cheias de boas intenções, no frenesi do “empowerment”, esquecem que todas as escolhas são possíveis e ABSOLUTAMENTE TODAS devem ser respeitadas.

acho incrível alguém se permitir dizer a uma mãe que seu amor por seu filho é menor porque ele nasceu através de um corte na barriga e não através da vagina, ou porque mamou na mamadeira e não no peito. seja por ignorância ou por escolha, esse julgamento devia estar fora de questão. o empenho devia estar na informação, educação, apoio e não no julgamento! afinal, por ignorância ou simples opção, escolhas devem ser respeitadas.

no mais, vida longa a todos os blogs e sites com informação sobre parto natural, amamentação, contato prolongado com o bebê. a grande maioria das mulheres realmente precisa de mais informação para tomar decisões melhores e com mais confiança, sem precisar delegar a outros a decisão sobre seu corpo e sua vida.

update: excelente artigo sobre tolerância, completamente relacionado a esse assunto, dica da denize barros.

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diário do otto: 1 ano e 8 meses

otto,

você completou 20 meses imediatamente após a volta da sua primeira viagem internacional, e foram muitas novidades em pouco tempo. viajamos de avião por 15h (com intervalo em frankfurt), andamos de trem, ônibus, metrô, barco, a pé, dormimos em 8 hotéis diferentes, comemos em vários restaurantes, você experimentou um monte de comidas novas e se adaptou muito melhor do que eu esperava.

passamos praticamente este mês todo viajando, conhecendo lugares e pessoas novas, e você se mostrou quase sempre simpático e bem humorado. em compensação, quando o humor azedava… aiaiai. suponho que o temperamento “fácil” do papai e da mamãe foram transmitidos pra você também, não? :) não tivemos problema com fuso horário e nem com seu sono. em compensação, você gripou (eu também!) e ficamos os dois cansados e reclamões. o papai, felizmente, não adoeceu e nos aturou neste período.

você começou a ficar mais mandão e cheio de vontades, quer fazer tudo do seu jeito. o que é compreensível, afinal está na idade de entender que você e as demais pessoas são distintos, que você é um ser único, um indivíduo, e tem suas próprias vontades e desejos. é difícil às vezes lidar com seu desejo de independência (não quer que troque fralda, que dê banho, que coloque/tire roupa e sapato, que dê comida ou água…) já que você ainda não aprendeu a fazer tudo sozinho. mas por outro lado, é tão bonito ver você tomando as rédeas das pequenas coisas da sua vida, como colocar sapatos e comer sozinho! acho uma graça você concentrado segurando os talheres, brincando com o iPad ou tentando colocar sapatos.

no meio da viagem você comeu sua primeira refeição completamente sozinho. pedimos um prato de macarrão à bolonhesa, você pegou seu garfo e se recusou a comer se a gente oferecesse. foi pra cima do prato e comeu, com gosto, um MONTE de macarrão. ficou imundo, derrubou um monte, mas ficou super feliz, e nós deixamos você dar seu primeiro passinho de independência, cheios de orgulho (ou no caso do seu pai, nojo da meleca! hahahahaha).

também foi neste mês, faltando 1 semana para completar 20 meses, que você falou sua primeira palavra “completa”, com intenção e significado: PÉ. meu filho, saiba que uma das coisas mais difíceis de ser pai/mãe é não comparar, não criar expectativas e respeitar sua individualidade. a mamãe falou muito cedo (10 meses) e o papai a gente não sabe, mas também foi bem antes de 2 anos. ficamos apreensivos porque você não começava a falar, porque os pais sempre acham que tem alguma coisa errada quando os filhos não se desenvolvem como “os outros” ou eles mesmos quando bebês.

sabemos que isso é bobagem, e que cada pessoa é única, tem seu tempo e personalidade própria, mas sempre queremos que nosso filho seja o melhor, o mais rápido, mais inteligente, mais tudo. quando, de verdade e lá no fundo, pra nós você é e sempre vai ser o mais lindo, inteligente, esperto e divertido dos bebês, independente de qualquer coisa que você faça. nunca duvide disso!

dizem que “palavra” na sua idade é qualquer expressão verbal que represente alguma coisa, mas eu e seu pai não contamos assim; se fosse assim, sua comunicação por vogais tônicas já contaria como um vocabulário bastante impressionante desde cedo! atualmente você fala: pé (é pé mesmo e ipad também), mão (seu ã é super engraçado!), chão (muito frequente, quando quer que a gente deixe você solto andando), có (colo), tetê (chupeta), pão, papai, tia, pau (paula), aía (maria), qué, não, roXão (rojão), dirigí (você adora sentar no banco do motorista no colo do papai quando estacionamos na frente de casa!), xixi, cocô, pum, pepé (papel), iX (lixo), papá, fofô (vovô). e nada de mamãe, seu sem-vergonha!

seu sono melhorou MUITO. você simplesmente não deu trabalho a viagem toda com sono (só nos dias de nariz entupido, claro), e agora dorme muito bem das 19:30-20:00 até 7:00 mais ou menos. às vezes não acorda nenhuma vez, às vezes acorda para mamar somente por volta de meia-noite. seu pai e eu nem conseguimos acreditar, parece milagre! depois de 1 ano e 8 meses, seu sono finalmente estabilizou à noite. agora a única coisa que dá trabalho é a hora de dormir, pois você tenta se manter acordado (apesar de cair de sono), e tem demorado até 1h para pegar no sono. mas teremos paciência, e ficaremos ali do seu lado, até você aprender a dormir e (com sorte) apreciar a delícia de descansar :)

bem, você continua comendo feito um ogro, apesar de ter dado trabalho para comer na viagem (sem apetite algum, super seletivo e querendo comer sozinho somente). em casa, tudo vai muito bem e você come tudo e de tudo. continua super fã de brócoli e cenoura, e está numa paixão incrível com quiabo (come 2 bandejas por semana, sozinho!). nas frutas, continua fã de melancia, morango, pera e agora adora abacaxi também. além das outras todas, tem aqueles que pega direto do pé, que você come na pracinha (pitanga, amora, goiaba).

seus passeios estão muito divertidos, você caminha bastante sozinho (mas às vezes pede colo, e está PESAAAADOOO), começou a se interessar por brincar com outras crianças, interage mais e adora areia, carrinhos, pazinha, etc. tem sido interessante observar seu interesse pelas outras pessoas aumentar, suas tentativas de socialização. aliás, na viagem, você foi muito simpático e aprendeu a piscar para todo mundo, sorrindo, como quem flerta. essa gracinha fez MUITO sucesso e arrancou risadas das pessoas mais sérias. você foi total sucesso em todo lugar, e batemos muito papo pela rua graças a você e sua simpatia! muitas pessoas elogiaram seu cabelo (que é lindo mesmo, e bem dourado), seu sorriso, enfim, sua lindeza. nós somos suspeitos, afinal pra nós você sempre vai ser o bebê mais lindo do mundo. e agora, que manda beijo então? (com a mãozinha e com barulho) de morrer de fofura.

meu amor, este mês foi incrível. foram 3 semanas intensas, 24/7 com você e apesar do cansaço de ter alguém pra cuidar o tempo inteiro, foi muito gostoso também. você está cada dia mais divertido, esperto e comunicativo, e temos brincado muito juntos. tenho certeza que cada ano que passar será mais e mais legal!

ah, esqueci de contar: eu faço uma brincadeira com sua tia kelly desde pequena, a gente imita ogro (imitando dentões fora da boca), e descobri que você acha O MÁXIMO a cara de ogro. morre de rir, e imita (tenta, por enquanto), fechando a boquinha. e fala OGR (opa, mais uma palavra!)

um beijo e abraço daqueles bem apertados da mamãe, cada dia mais apaixonada por você.

PS: veja as suas fotos neste mês!

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conhecendo a escandinávia… com um bebê!

para saber detalhes do roteiro, leia este post. por aqui vou complementar com informações sobre a viagem com o bebê, as dificuldades e dicas.

vou separar esse post por assunto, já que o roteiro está coberto no outro post.

a bagagem

sou bastante econômica com bagagem, minhas malas são sempre pequenas, mas não é tão simples fazer malas pequenas para um bebê de 1 ano e 7 meses. sempre há o risco de necessidade de troca de roupa mais de 1 vez por dia graças a fralda que vaza, comida que derrama na roupa ou acidentes na hora de trocar (aconteceu na viagem na chegada em frankfurt, e eu não estava preparada, não tinha todas as peças para repor!).

se a viagem for para algum lugar frio, como no nosso caso, complica mais. eu levei bodys de manga longa (6), camisetas de manga longa (4), moletons com capuz (2), casacos de frio (3), calças de malha fina (4), moletons (2) e jeans (2), meias (4), gorros (2), par de luvas (1), 1 tênis e 1 bota. levei peças suficientes para 10 dias no máximo (caso sujasse 1 “kit” por dia), então planejamos lavar roupas no meio da viagem. fizemos o mesmo com as nossas roupas, e conseguimos lavar o que estava sujo no meio da viagem. não faltou nada, e as camisetas de manga comprida do otto sobraram todas. na verdade, faltou sim: tive de comprar camisetas de manga curta pra ele, que é muito calorento e passou calor em alguns lugares fechados.

comprei também pro otto algumas coisas que não precisava mas foram úteis e queria levar de volta: 1 macacão impermeável (muito útil para os dias de chuva e neve), 1 casaco impermeável mais pesado (o que eu levei era mais leve, e não usei), 1 touca e algumas blusas/macacões.

é muito importante levar sacos plásticos para guardar roupas sujas, especialmente do bebê, pois pode acontecer de vazar fralda, e aí fica impossível guardar a roupa suja até a próxima possibilidade de lavar sem sujar o restante. sugiro levar pelo menos 3 sacolinhas plásticas, pra mim foi suficiente. não levei toalhas, usamos as do hotel mesmo. mas levei 2 babadores (e comprei mais 2 na viagem, mais porque achei bonitos do que por necessidade :) )

na necessária dele levei shampoo, sabonete, bepantol, creme hidratante, cotonetes, tylenol baby (febre/dor), hixizine (antialérgico) e soro fisiológico de spray (pro nariz).

além disso, levei 2 fraldas de pano (foram úteis) e 1 saquinho com fraldas (10) / lencinhos / bepantol. compramos fraldas descartáveis no decorrer da viagem.

viajamos assim: 1 mochila grande (60L) com o fer, 1 mochila média comigo (40L), 1 mochila pequena (tipo notebook) com o fer e 1 mochila pequenina comigo. voltamos com essas malas + 1 carrinho dobrável + 1 mala média de rodinha que compramos para acomodar as coisas adicionais que compramos na viagem.

o vôo

começo dizendo que viajar de classe executiva foi a melhor decisão que tomamos. eu sei que nem todo mundo tem possibilidade de pagar por esse luxo, mas faz MUITA diferença.

até os 2 anos a criança não paga, então o custo fica um pouco menor. para vôos longos, há a opção de usar o berço que se acopla à parede do avião, na frente do assento dos pais. o problema é que o berço é para bebês até 2 anos, mas o otto simplesmente não coube (nem de longe) no berço, os 2 pés ficaram pra fora, ele parecia que estava numa caixa de sapatos.

dou aqui a dica que a companhia aérea me deu (e pra nós funcionou muito bem): reserve 2 lugares na fileira de 3 cadeiras, um em cada ponta (meio livre), e peça na reserva para marcar que o casal está com um bebê. o bebê não tem assento marcado (se o vôo estiver lotado, ele vai no colo o tempo todo), mas caso o vôo não esteja cheio, a chance de alguém querer sentar no meio de 2 pessoas com um bebê é mínima :) sendo assim, o assento do meio fica livre e o bebê pode ir no meio.

no caso da executiva, fica perfeito porque o banco reclina completamente. quando o bebê dorme, basta colocá-lo no assento do meio dormindo e pronto. além, é claro, do espaço enorme para levantar e até sentar no chão com o bebê (como eu fiz, para desgosto dos comissários alemães :D ). o otto dormiu a viagem toda de ida e de volta, depois do jantar quando apagam as luzes. na ida ele acordou assustado 2x, chorou 3 segundos e depois dormiu de novo. nós conseguimos dormir também, pelo menos parte da viagem. dormimos o suficiente pra acordar com ele chorando NO CHÃO :) (não sabemos se ele desceu sozinho ou se escorregou. pelo chorinho reclamão sem grande drama, suponho que tenha descido sozinho).

a comida no vôo foi ótima, e o otto comeu junto com a gente, de tudo um pouco. levei lanchinhos também, mas o que serviram nas refeições foi suficiente pra nós 3. só na volta precisei pedir mais uma porção de sobremesa porque o otto adorou as frutas e quis mais (morango, uva, kiwi).

levei livros pra ele, brinquedos e o iPad, mas de verdade não foi necessário. as novidades dentro do próprio avião e as pessoas ao redor foram distração suficiente :)

uma coisa que sempre fiz por ouvir recomendações a respeito é dar a chupeta pra ele no pouso e decolagem. ele já viajou de avião algumas vezes e nunca reclamou de dor de ouvido, então suponho que funciona mesmo! pra quem não usa chupeta, imagino que dar o peito ou a mamadeira faz o mesmo efeito (só que esse período de pressão no ouvido dura um pouco, precisa segurar no peito/mamadeira por um tempinho…)

o que levar na mochila de mão

levamos no decorrer da viagem (pra ele, além das nossas coisinhas) o iPad, 2 livros, 1 brinquedo, biscoito, uvas, queijo (aquele da vaquinha. ele não comeu nenhum :D ), água, mamadeira, chupeta (2), 2 mudas de roupa (inclusive luvas/touca), 1 fralda de pano, 1 kit de talheres de plástico, 1 babador, o saquinho de troca de fralda.

eu e fer dividimos as coisas dele e as nossas em 2 mochilas: uma grande ele e 1 pequena minha.

não senti falta de nada na rua, o que levamos foi mais que suficiente. o chato era carregar o casaco impermeável que tira/põe quando entra e sai dos lugares. nos dias de chuva/frio levamos também o macacão impermeável dele (e usamos).

além das mochilas de mão, compramos por lá um carrinho (dobrável, super leve) porque não conseguimos alugar (muita encheção de saco, reserva, recomendações…). no carrinho deixávamos os casacos e uma mantinha que compramos por lá para cobrir o otto quando ele dormia no carrinho.

no hotel

eu e o fer usamos shampoo e sabonete do hotel, então nem levamos na necessária. todos nós usamos somente toalhas dos hotéis, então economizamos espaço na mala com isso também.

eu dei banho nele no chuveiro ou banheira, quando tinha. ele tomou banho junto comigo todos os dias. eu sentava no chão, com o chuveirinho, e ficava brincando com ele e dando banho, ele adorou! algumas noites ele me puxava pela mão pra dar banho nele <3 foi muito gostosa essa parte, que normalmente é diferente em casa (ele toma banho antes de dormir sempre, mas na banheira dele). a gente tomava banho, o fer pegava ele, trocava, colocava pijama e fazíamos a rotina de dormir.

em todos os hotéis que ficamos (com exceção de 1 pousada, cujo berço era muito pequeno para o otto) pudemos contar com berços portáteis. ele dormiu muito bem nos berços todas as noites — eu contava história, fazia dormir no colo ou na nossa cama e depois colocava no berço. ele dormiu bem quase todas as noites, até porque dormia muito mais tarde do que o normal (entre 21h e 22h, quando o normal dele é 19:30h). só deu trabalho realmente nas noites com nariz entupido, pois gripou no meio da viagem.

o problema de dormir em hotel com bebê é que a noite acaba na hora em que ele dorme. mas, honestamente, estávamos tão cansados no final do dia que às 22h já queríamos os 2 dormir também, ficamos no máximo mais 1h acordados depois dele…

jantamos algumas noites no hotel, pra não precisar sair pra jantar. pedimos comida (no hotel ou delivery) e algumas vezes compramos lanches. o otto comeu muito bem alguns dias (pizza e macarrão eram sempre bem-vindos. na viagem ele comeu pizza pela primeira vez e AMOU) e muito mal em outros. procuramos pedir pratos que ele talvez gostasse, mas só o macarrão é certeza absoluta, o restante depende do dia. alguns dias ele comeu pepino em conserva e recusou purê de batata; em outros, comeu carneiro e recusou legumes. aliás, a maior dificuldade pra nós foi conseguir legumes e frutas pra ele, já que são as comidas preferidas. ele via brócoli e só faltava IMPLORAR. até pimentão e cenoura crua o menino comeu, na falta do restante.

café da manhã no hotel foi sempre ótimo, mas tivemos que estabelecer uma rotina de dar a mamadeira para o otto ANTES de ir para o restaurante, pois quando ele via a comida não queria mais mamar (ogro). então dávamos o leite dele ainda no quarto e depois íamos comer. ele comeu muito mal a viagem quase toda, e ficamos preocupados. felizmente ele come muito bem normalmente, acabamos deixando ele comer o que queria (pouco), já que sabíamos que ele ia recuperar o tempo e peso perdido na volta. mas olha — que chato quando a criança não come! tive uma amostra do quanto é estressante estar com um bebê que não quer comer nada. não invejo mães que têm filhos que não comem bastante.

comendo fora o tempo todo

essa é uma questão que depende muito da criança, obviamente. o otto é uma criança que come muito e de tudo. ele não está habituado com sanduíches, lanches e snacks (bolacha, etc.), o que é um problema em viagens desse tipo. ele come normalmente arroz, feijão, carne, legumes e verdura, sopa ou macarrão. e muitas frutas, todos os dias. por mais que essa alimentação seja ótima e saudável, não é muito simples servir esse tipo de comida todos os dias em todas as refeições durante uma viagem.

os restaurantes que ele comeu melhor foram chineses e japoneses (arroz, carne, legumes — check!) e italianos (macarrão e carne — check!). comidas que associam com crianças, tipo almôndegas e purê de batata, por exemplo, ele não gosta. para nossa sorte, ele AMA batata frita, que se acha em todo lugar. na emergência, apelamos para batata frita. até NUGGET tentamos dar pra ele no mcdonald’s, vejam bem… ele recusou os nuggets, mas comeu a batata e a cenoura CRUA.

para completar a mudança total de alimentação (rotina e oferta) ele ainda ficou gripado, e o apetite desapareceu, ele não queria comer NADA. ah, sim, e como cereja em cima do bolo, o pouco que comia ele só aceitava comer sozinho. ele está na fase de querer fazer tudo sozinho, e eu acho super legal e incentivo, mas convenhamos que no meio de uma viagem, com roupas limitadas, frio, e querendo passear, gastar 2h para almoçar e sujar a roupa toda não era exatamente uma boa opção. tentei balancear, deixei ele comer sozinho enquanto não estava muito demorado e nem muito bagunçado.

as frutas foram um problema à parte — ele come uma variedade muito grande todos os dias, mas na viagem não é simples dar todo tipo de fruta. procurei as mais fáceis, e fiquei com elas: banana, uva e blueberries. ele comeu relativamente bem todas essas, que são fáceis de comprar e levar. pelo menos isso!

ele começou a comer com frequência algumas coisas que não comia normalmente, foi interessante: pepino, tomate e ovo cozido/quente. todos no café da manhã, como um legítimo viking!

e o comportamento em lugares públicos? brigamos muito em vários restaurantes e locais fechados, pois ele estava nos enfrentando bastante. batia os talheres, chutava a mesa, jogava a comida no chão, recusava a comida e fazia manha (nhééééé…), dava gritinhos re protesto, etc. suponho que o comportamento diferente do normal (ele não é tão chato normalmente) seja uma mistura de saco cheio, mudança de rotina, gripe, e a idade (terrible twos approaching fast…). não foi fácil pra nós, pois DETESTAMOS criança fazendo manha e tendo chilique em locais públicos. demos bronca, como sempre fazemos, e tentamos aproveitar a oportunidade para educá-lo, mas várias vezes também acabamos cedendo para evitar constrangimento maior. esse balanceamento é difícil, e nos causou bastante stress.

se fôssemos o tipo de pais que não se importa de incomodar os outros ou que não se importa em não educar na hora que é necessário, provavelmente não nos incomodaríamos. mas pra nós essas 2 questões são muito importantes, e não é fácil ceder para evitar uma crise no meio da viagem.

de certa forma, a viagem foi educativa também pra nós, como pais. entendemos que por mais que queiramos controlar tudo e fazer tudo “certo”, às vezes é preciso aceitar situações não ideais, e recomeçar numa próxima oportunidade.

trocando as fraldas

é um incômodo, já vou avisando. pelo menos pra nós, porque o otto não para quieto pra trocar, protesta sempre. as fraldas de xixi dá pra segurar bastante a troca, mas de cocô a gente trocava imediatamente (não dá pra ficar PERTO do menino nesse estado, hahahhahaa). pela escandinávia toda tem “baby rooms” (unissex, não é dentro do banheiro feminino como por aqui) para trocar fraldas, tudo muito espaçoso e boa infra.

no entanto, o bebê pode fazer cocô nas horas mais inconvenientes, como dentro do avião (trocar bebê no avião, do tamanho do otto e sob protestos… not funny) ou 3 minutos antes de entrar no passeio de ferry, como aconteceu conosco. o ferry não tinha baby room, somente banheiros minúsculos que mal cabiam 1 pessoa. eu e fer tivemos que trocar a fralda do menino em pé num banheiro minúsculo… e ninguém mais pode entrar no banheiro, graças à fralda atômica :D

aliás, recomendo fortemente levar saquinhos de guardar fraldas sujas de forma que seja possível fechar completamente o saco, caso precise levar as fraldas consigo. as fraldas de cocô do otto são PODEROSAS, não dá pra viver com elas no mesmo ambiente sem isolar, hahahahaha!

as sonecas

o otto ainda dorme de dia, normalmente 1 vez, às vezes 2 (manhã e tarde). a rotina dele é de dormir no quarto, com musiquinha e tals. imaginem esse menino cansado, na rua, sem rotina, sem quarto, sem nada que ele está acostumado.

o que aconteceu é que ficamos atentos ao comportamento dele (cansaço, sinais de sono, etc.) e tentamos promover um ambiente melhor pra ele dormir. andar no carrinho, bem agasalhado, sem muitas intervenções, ajudou. ele dormiu algumas vezes no carrinho, sem problema (e aí descemos o carrinho e ele ficou por lá por até 2h). outras vezes pegamos no colo para dormir (avião, ônibus, trem, barco, etc.), e ficamos lá de castigo com ele no colo.

no geral as sonecas não deram trabalho, bastou prestar atenção ao cansaço dele e dar um jeito de deixá-lo confortável para dormir seu soninho do dia.

os passeios

primeiro: o carrinho é uma necessidade. ponto. se soubéssemos que não ia ser possível alugar, teríamos levado. faz muita diferença, principalmente nessa idade em que ainda é possível usar carrinhos e eles estão pesados pra gente carregar, seja para passeios ou para dormir. na escandinávia toda é fácil andar de carrinho em todos os lugares (ônibus, trem, rua, museus, etc.), dá pra usar sem problema nenhum.

passear pela rua e parques, pelo menos com o otto, é ótimo. ele gosta de ver gente e paisagens, seja no carrinho ou andando. é importante arranjar uma forma de poder “soltar” a criança de vez em quando, deixar andar e explorar. não dá pra manter no colo ou no carrinho por muito tempo, eles ficam entediados (e é chato mesmo né?). procuramos encontrar oportunidades de deixá-lo andar, explorar e brincar solto. ele adorava cada oportunidade de correr e explorar, ver pessoas e interagir. fez muitos “amigos” pela viagem, uma graça. fazia charme pra todo mundo, e as pessoas em geral foram muito simpáticas com ele e conosco carregando um bebê. aliás, viajar com bebê tem isso de diferente: as pessoas sorriem o tempo todo, perguntam e fazem graça (o que é incomum na europa, sem bebê :D ).

o mais chato de fazer com bebê é comprar. entrar em lojas e supermercados é uma tortura, ele quer andar e fazer bagunça nas lojas e, óbvio, não dá. então temos que ficar lidando com a criança surtada querendo explorar corredores estreitos, com monte de gente e produtos que ele não pode pegar. MUITO CHATO. ou seja: com bebês que não ficam quietinhos no carrinho, melhor evitar compras.

museus, parques, rua, trem, barco funcionaram muito bem com ele. ele se distrai com paisagens e bichos, quadros, pessoas, é bem fácil de lidar. nos acompanhou muito bem! só não pode ficar parado muito tempo, que ele reclama. keep moving.

ah, e o abençoado iPad: nos passeios de barco/trem/ônibus ele salvou nossas vidas. entre galinha pintadinha, toca boca e joguinhos de memória ele se divertiu e distraiu em situações que seriam difíceis sem o brinquedo. obrigada, apple!

a maldita mamadeira

o otto mama só na mamadeira desde os 9 meses, quando recusou o peito em definitivo. por um lado é uma libertação pra mim (a teta), por outro é um incômodo, pois a mamadeira precisa ser preparada (diferente do peito, que está sempre ali). precisa comprar o leite e esquentar, 3 vezes por dia, uma delas no meio da noite.

comprar o leite é OK (mas é um desperdício, pois de cada 1L conseguimos aproveitar no máximo 500ml a cada dia já que ele mama 250ml por vez, o resto temos que deixar no hotel), mas esquentar não foi tão OK. ele não toma leite em pó nem a pau (parou faz uns 3 meses, não aceita de jeito nenhum) e só toma leite quente/morno. descobrimos que diferente do brasil, os hotéis não têm microondas nas cozinhas. quando era possível esquentar, tinha que ser no fogão. imagine que a cada dia ele mama 3 vezes: 1 vez de manhã (ainda no hotel), 1 vez à tarde (na rua!) e 1 vez à por volta de meia-noite (no hotel). por incrível que pareça, na rua era mais fácil dar mamadeira do que no hotel (comprávamos o leite já quente em cafés, normalmente era simples, mas nem todos os dias conseguimos).

se seu bebê mama no peito ou aceita leite em pó é moleza. água quente tem em todo canto, e amamentar é tranquilo em todo lugar. comprar leite e esquentar, por outro lado… foi um saco. alguns dias simplesmente desistimos de dar a mamadeira do meio do dia, para evitar a peregrinação do leite.

ou seja — nesta viagem a rotina de alimentação dele ficou toda estragada, e ele comeu MUITO menos do que o normal. tenho certeza que perdeu peso, mas como ele normalmente come super bem, já está recuperando as calorias perdidas :)

ah, a lavagem da mamadeira: nós não esterilizamos nada desde que ele fez 3 meses. e quando uso água quente nem detergente eu uso. pra nós foi tranquilo lavar a mamadeira nos hotéis, pois sempre tem água quentíssima na torneira. água quente + sabão resolveram muito bem, sem stress.

vestindo o bebê

para a temperatura de 0-12C que pegamos (com eventual chuva, neve e sempre muito vento), vestia ele com 1 body de manga comprida + moleton de capuz + casaco impermeável (em locais fechados, deixava só o body) e dependendo da temperatura 1 ou 2 calças + meia + bota. quase não usei o tênis que levei pra ele.

o mais chato foi tirar/colocar roupa a cada vez que entra/sai dos lugares. a diferença da temperatura do lado de dentro e de fora é MUITO grande, e vestir/tirar casaco de um bebê pequeno com frequência é MUITO chato. pra não falar de colocar luvas… mas depois de 2 ou 3 dias já tinha acostumado, e ele também (até ajudava a colocar e tirar as roupas :) )

os vírus estrangeiros

eu nunca fico doente. aliás, não me lembro a última vez que fiquei gripada, faz muitos anos. o otto resfriou 2x, mas bem de leve, nunca teve uma gripe de verdade. pois que no 4o dia de viagem ele resfriou. e o resfriado evoluiu para uma gripe daquelas poderosas, com tosse, febre e tudo o mais. e eu, 2 dias depois dele, adoeci também.

e foi daquelas gripes do mal mesmo, de vírus que a gente não conhecia, sabe? dor no corpo, febre, tosse, catarro, espirro, falta de apetite. além então de toda a mudança de rotina e dos empecilhos de viajar com o bebê, ele ficou doente e eu também.

fiquei mal a ponto de marcar uma consulta no meio da viagem, para olhar nossa garganta e ouvidos, que a coisa tava feia. fizemos até exame de sangue (tudo muito profissional e eficiente — e pago!), conclusão: infecção viral em ambos, eu estava pior que o otto, mas pelo menos podia tomar xarope (e tomei, ufa), mas ele não. com ele, somente paciência e um abençoado remédio de nariz especial para bebês que salvou nossas noites.

usei o tylenol bebê 1 noite, que ele estava com bastante febre, o soro de nariz com frequência, e o meu xarope amigo comprado lá. e fomos melhorando, aos poucos, e aproveitando a viagem como deu nestes dias piores.

conclusão

é difícil viajar com bebês, mas é possível; e não vou enganar ninguém: é mais divertido viajar SEM bebês, é claro. mas como pra nós deixá-lo em casa e viajar sozinhos não é uma possibilidade (nada contra quem faz isso, é que NÓS não queremos), procuramos tirar o máximo do que é possível numa viagem com o bebê. suponho que viajar junto com ele vá se tornando mais legal conforme ele cresça e se torne de fato companheiro de viagem. nessa idade ele é um viajante involuntário, às vezes protestando contra o fato inclusive :)

e acho que forçamos a barra com ele várias vezes, que ele passou por situações que não são ideais (atraso de refeição, atraso de hora de dormir, desconforto pra tirar sonecas, etc.). mas ao mesmo tempo também acho que sair da zona de conforto é importante, mesmo para bebês. quero poder expor o otto a situações diferentes (e às vezes desconfortáveis, faz parte) para que ele aprenda também a se adaptar.

para minha surpresa, ele se adaptou muito bem a situações que eu achava que seriam muito difíceis. o fuso, por exemplo, de 5h+ ele tirou de letra, nem sentiu. dormiu muito melhor na rua do que eu imaginava. a alimentação, por outro lado, que não me preocupava, foi terrível. ele dormiu bem nos hotéis, adorou tomar banho comigo, e se divertiu na rua e conhecendo pessoas novas.

foi uma viagem completamente diferente do que costumávamos fazer, e nos sentimos frustrados e cansados em vários momentos. mas ao mesmo tempo é incrível poder viajar (com todas as restrições, foi uma experiência maravilhosa e única), tirar fotos e criar histórias e memórias que fazem parte da nossa vida e da vida dele. vou fazer um álbum (impresso) pra ele, com a história da viagem, com fotos dele para contar como foi. como ele não vai lembrar, vou criar um diário para que de alguma forma ele reviva a experiência. comprei também lembranças no decorrer da viagem, para que daqui a 10 anos ele possa olhar e saber que ele esteve lá, na terra dos vikings. e quem sabe decida ir por conta própria no futuro revisitar os lugares que conheceu e só lembra pelos meus olhos.

e, mais importante que tudo isso, é SABER que é possível viajar com ele. que nossa vida de viajantes, que prezamos tanto, não acabou. que tudo é questão de se adaptar e aceitar que às vezes as coisas dão errado — o bebê faz cocô no barco, um vírus nos ataca, não tem melancia pra vender no mercado.

já não tenho mais medo de nada, de nenhuma viagem, depois dessa experiência. mentira — eu continuo não querendo ir pra índia nem pra china nem de 1a classe ;)

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diário do otto: 1 ano e 7 meses

otto,

vejo suas fotos e é incrível como você está enorme. sério — estou com dificuldade de carregar você no colo, menos pelo peso e mais pela altura mesmo. eu sou pequena, e você está cada dia mais comprido, e com cara de menino-crescido. essa noite peguei você de madrugada pra trocar e dar de mamar, e tive dificuldade de colocar de volta no berço, de tão grande que você está :) logo logo sua mãe-pigméia não vai mais conseguir carregar você!

esse mês percebemos algumas mudanças sutis na sua fala, você tem arriscado uma ou outra consoante (você gosta especialmente dos sons SH e TCH, tipo “LIXO”. aliás, você ADORA jogar coisas no LISH :D ), e algumas combinações de vogais. mas ainda se comunica basicamente usando as vogais tônicas e apontando. o que tem sido bem conveniente e funcional. temos que nos forçar a repetir os nomes das coisas antes de ceder, pra ver se você se anima a falar. mas olha: pra quem ainda não fala, você é muito tagarela, viu? passa o dia pedindo coisas, apontando, “conversando” e manifestando suas vontades de rei-do-mundo. e nesse fim de semana você falou “ÔTRO”, pedindo mais um pedaço de pêssego, já que eu estava demorando muito pra descascar. concluí que talvez seja preciso você passar fome pra começar a falar :D

você está andando e correndo muito bem, já arranhou o joelho várias vezes e “desconta” sua raiva nas coisas que “batem” em você muito bem. o chão é vítima constante das suas surras, mas o mais engraçado é que você nos obriga a brigar e bater também no chão ou nos cantos que (aham) batem em você. todo mundo precisa se unir para castigar os que machucam você, hehehehe!

ah, e agora você já arrisca subir nos móveis, apesar da nossa insistência pra que você evite. sei que precisamos deixar você se arriscar um pouco, mas entenda que pais de filho único são mesmo um tanto neuróticos, bebê. enquanto pudermos proteger você, protegeremos. e ainda assim você bate a cabeça, arranha o joelho e faz uma bagunça danada.

achamos que você começou a ficar um pouco mais sociável, tentando interagir com outras pessoas, mesmo desconhecidas. aparentemente você prefere adultos a crianças, e mulheres a homens. queremos colocar você na escolinha logo que fizer 2 anos, para começar a aprender como funcionam os relacionamentos em grupo. por enquanto, você é o dono de tudo, e não precisa dividir nada (coisas ou espaço). queremos que você cresça consciente da necessidade de conviver, respeitar e se relacionar com todo tipo de pessoa. mas não ainda :)

sua alimentação continua ótima, você come absolutamente de tudo e adora tudo. esse mês experimentou pipoca doce e amou, comeu direitinho. continua amando quiabo e brócoli, e de vez em quando nos fins de semana, batata frita junto com a gente. continuamos investindo para que sua alimentação seja a melhor possível em casa (o máximo de orgânicos, sem sal nem açúcar, sem gordura), mas não somos radicais nem neuróticos. você come bolo de fubá, experimenta sorvete, come batata frita com a gente no fim de semana. só não damos de forma alguma refrigerante e evitamos ao máximo comidas industrializadas (embutidos, enlatados, corantes, etc.). mas não vamos transformar essa convicção numa cruzada: você vai comer o que tiver pra comer. sem frescura.

aliás, em 1 semana faremos nossa primeira viagem internacional juntos, vamos para a dinamarca! 15h de avião, 5 horas de fuso e um local completamente diferente do que estamos acostumados. sabemos que há muitos desafios nesta viagem, mas queremos que você nos acompanhe em todo tipo de atividade e que aprenda a se adaptar a lugares, comidas, climas diferentes. desde pequeno.

e hoje você já entende tudo! falamos com você como uma pessoinha, obviamente simplificando nosso discurso, mas você consegue entender tudo. tem sido cada vez mais simples e gostoso estar com você, conforme você cresce. você está se tornando um menino educado, obediente e carinhoso. sem-vergonha, é claro, sempre nos testando e tentando aprontar alguma, mas isso só mostra o quanto você é esperto e inteligente. vamos domando você, aos poucos, ensinando a viver em grupo sem perder sua alegria e curiosidade.

suas noites têm sido melhores (com algumas exceções), você acorda frequentemente 1 vez por noite somente. e a hora de dormir é super divertida, a gente conversa e brinca bastante, até que você pede pra dormir ou pra guardar o livro de histórias, e às vezes se joga na nossa cama como quem diz “DEU!”. aliás, você está apaixonado por livros! pega os seus próprios livrinhos e traz pra gente ler, sentando no nosso colo, é muito lindo! <3

estamos adorando você jogando beijos (e dando beijos na bochecha, de vez em quando), rindo de cócegas, brincando de dona aranha e reconhecendo TODOS os bichinhos dos seus livros de história. amamos você mais e mais, e quanto mais o conhecemos, mais amamos. você é nosso príncipe querido e temos muito orgulho de você.

continuamos tirando muitas fotos, e fazendo vídeos, pra você poder acompanhar seu próprio crescimento um dia :)

um beijo cheio de amor, da mamãe.

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intuição my a$$

eu já não acreditava em intuição como algo sobrenatural antes de engravidar e ser mãe. quando a gente ainda não é mãe, sempre tem alguém pra dizer “quando você for mãe, vai entender…” ou “ah, quero ver quando o bebê nascer! você vai mudar”.

não mudei nada. continuo achando que intuição não é sexto sentido, continuo achando chato cuidar de crianças. amo o otto de todo coração e gosto de ficar com ele, brincar e tal, mas simplesmente porque ele é meu filho e tudo que ele faz me interessa e é lindo. todas as demais crianças eu continuo achando legais nos 10 primeiros minutos e depois já quero um drink :D

mas voltando à questão de intuição, achei essa matéria sobre como funciona o pressentimento, e achei muito legal. confirma o que sempre acreditei: intuição ou pressentimento nada mais são que nosso cérebro reconhecendo sinais não verbais antes da nossa consciência. e mulheres são especialmente boas em captar sinais não verbais, creio que até como especialização evolutiva, afinal somos nós que cuidamos dos bebês, que passam anos sem se comunicar verbalmente de forma eficiente. essa nossa habilidade (nada sobrenatural, inclusive) é tão somente uma evolução do que funciona melhor.

mas isso não significa, em absoluto, que todas as mulheres são intuitivas e muito menos que a intuição funciona 100% por si só. uma das coisas mais importantes e essenciais na evolução e dominação do ser humano como espécie é o acúmulo de conhecimento e principalmente a propagação dele para as gerações futuras. o conhecimento se propaga de várias formas, de geração a geração: escritos, vídeos, arte, etc. mas principalmente através da cultura, dos conselhos dos mais experientes. ou seja: precisamos de ajuda, de conselhos, do conhecimento adquirido pelas gerações anteriores. o conhecimento nos dá as opções e a intuição pode nos direcionar para decidir o que vamos fazer.

estou certa de que usar a intuição sem conhecimento é pouco eficaz. por isso me incomoda muito essa onda de “volta às origens” exaltando a intuição e o “natural” como a coisa certa a fazer. até porque as mães-odaras-cheias-de-energia-positiva-e-intuição-aguçada esquecem que viver em grupo e usar os conhecimentos das gerações anteriores é que é “natural”. um casal (2 pessoas) criar filhos sozinhos, no contexto e história da espécie humana, é completamente antinatural. ouvir conselhos, receber ajuda, dividir a carga de criar uma criança com mãe, avó, irmãs, amigas é o que mais se aproxima da forma “natural” de criar crianças.

sim, faça sempre o que “sentir” que é a melhor coisa para o seu filho, pra você e sua família. mas não deixe de ouvir conselhos e procurar ouvir o que outras pessoas mais experientes têm a dizer, antes de decidir. nem que seja do seu XAMÃ :D

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diário do otto: 1 ano e 6 meses

otto,

pois eu já comecei a combinar os meses, já que você é um menino crescidinho e nem parece mais um bebê. fora a fala, é claro, já que o senhor não fala NADA além das vogais tônicas de todas as palavras… por exemplo: bicicleta = é; biscoito = ô; carro = á; e assim por diante. nessa de usar a vogal e apontar você consegue tudo que precisa, e suponho que não tem muito incentivo pra falar, afinal :)

não que a gente não insista e repita mil vezes as palavras, mas no fim dá certo, então você não precisa falar. acho que se você estivesse na escolinha sua fala teria evoluído melhor. em compensação, fisicamente você se desenvolveu muito e muito rápido, sua coordenação motora é ótima, e você já brinca direitinho com giz de cera por exemplo. já ensinamos que giz é pra brincar no papel (e você aprendeu, apesar de se rebelar às vezes). morro de rir (escondido) de você chegando perto do chão com o giz, fazendo “não” com o dedinho e apontando para a folha de papel. estou impressionada com o tanto que  você entende tudo que o falamos (provavelmente porque quando alguém não fala, supomos que não entenda também). eu peço coisas como “pega o lápis azul que está atrás de você”, e pra meu espanto, você pega! acho muito incrível você já reconhecer algumas cores, como o laranja (quando peço pra mostrar a cor você mostra certinho, e pega o lápis da cor certa). e você reconhece os bichinhos e coisas no livro de histórias direitinho: gato, cachorro, rato, pássaro, flor, menino, esquilo, lagartixa, gambá, morcego, pato, sapo.

aliás, essa hora de ler a história antes de dormir é linda! a rotina é assim: você toma banho, faço massagem (e você ajuda, passando creme na barriga), coloco pijama e você já pega a escova de dentes e escova “sozinho” (eu dou uma ajuda pra garantir que escovou todos os dentinhos, pois você já tem 14 dentes!), até a hora que começa a apontar para a cômoda onde fica o livro e dizer “IIII”. trazemos o livrão e sua chupeta, e você fica tão feliz que aperta as mãozinhas e dá gritinhos, bate palmas, é a coisa mais fofa. e aí tentamos ler as historinhas de 1 minuto (2 páginas) enquanto você escuta. o problema é que você quer folhear o livro enquanto estamos lendo, tem sido um processo interessante ensinar você a esperar e ouvir. você já rasgou várias páginas do livro tentando “ler” (e consertamos com contact), mas nem dá pra ficar muito brava com você, porque você fica tão chateado com a folha rasgada que dá dó! você olha o rasgo, faz “AHHH!” e coloca as mãozinhas pra cima, como quem diz “DROGA!”. é a coisa mais fofa <3 mas cada vez que acontece um acidente, damos uma bronca e ensinamos como se faz pra virar sem rasgar, e você está aprendendo.

sua história preferida é a do gambazinho-saruê que rouba a comida do acampamento, mas definitivamente seu bicho preferido até o momento é o GATO. você não pode ver gato de verdade e nem em desenho que fica doido, só falta pular de felicidade :)

você continua comendo super bem e de tudo. continuamos levando você a restaurantes, sentando na sua própria cadeira, e você se comporta muito bem, sem gritos e nem chateação, fica bem civilizado na mesa. só que faz sujeira e joga uma ou outra coisa no chão, ainda estamos ensinando você a se comportar ainda melhor. já ensaia comer sozinho, e se diverte com a colher, mas por enquanto ainda deixamos você comer mais com as mãos mesmo. atualmente sua comida preferida é… quiabo!

outra coisa que nos deixa super felizes é que você responde muito bem a broncas e comandos, costuma parar quando mandamos parar (ao invés de continuar andando ou correndo), para de chorar quando conversamos com você, mesmo quando está chateado. claro que nem sempre dá 100% certo e você às vezes chora e faz birra, mas é pouco frequente e normalmente quando está cansado ou com fome. acho que estamos conseguindo respeitar seus limites mas ao mesmo tempo ensinar um pouco de paciência. acho que podíamos ser mais rigorosos, mas por enquanto estamos felizes com os resultados.

seu sono continua mais ou menos, afinal depois de quase 1 ano e meio que você nasceu ainda não houve mais que 1 ou 2 noites completas de sono :( você acorda várias vezes à noite e nem sempre dorme de novo sozinho. não tiramos mais você do berço, mas vamos lá às vezes para ajudar você a dormir novamente. frequentemente nos perguntamos se não devíamos deixar você sozinho, mesmo chorando, pra aprender a dormir. mas ao mesmo tempo achamos você tão pequeno, tão bebê, e vamos adiando o momento de deixar você se virar. há 10 dias você começou a dormir melhor, acordar 1 vez ou nenhuma, e mal conseguimos acreditar. ainda não considero uma mudança definitiva, mas temos fé que talvez o sono tenha estabilizado.

estamos muito felizes com sua presença, suas gracinhas — cada vez mais charmoso e consciente de que encanta a gente, faz fofices de propósito! – e pra nós tem sido mais e mais prazeroso estar com você. agora podemos conversar, interagir melhor, brincar e você de fato faz parte do grupo, não é mais aquele serzinho que demanda toda a atenção. ok, você ainda demanda muita atenção, mas já é possível fazer coisas JUNTO com você, como preparar comida, seu banho, escolher a roupa pra vestir…

inclusive você agora quer escolher sapatos (adora sapatos!), jogar fora suas fraldas (adora jogar coisas no lixo, “ISH”), dar tchau pro cocô (eu jogo seu cocô na privada e dou descarga e você ADORA), comer sozinho (com as mãos ou a colher), escolher os brinquedos e “obrigar” a gente a brincar, jogar no meu iphone/ipad ou ver vídeos (já começou a ver a mesma coisa repetidamente…), enfim, você já é uma criaturinha cheia de vontades e personalidade.

você agora dá tchau e beijo (só de longe, continua super desconfiado e não vai com quase ninguém), mesmo quando saio pra trabalhar de manhã, sem dramas. continua apaixonado por carros e pneus (meu carro que é grandão é seu preferido, mas até bicicleta vale), bola e o iphone. ainda não dá bola pra TV, filmes, etc.

esse mês viajei e fiquei fora por 6 longos dias, e você se comportou muito bem. eu fiquei com saudades, mas só o normal, nada sofrido nem ruim. e pra compensar, quando cheguei ganhei os abraços mais gostosos, sorrisos lindos, beijo e carinhos das suas mãozinhas gordas.

meu menino: amo você mais que antes, cada dia mais, e tenho certeza que vou amar mais ainda. uma coisa boa sobre o amor, você vai aprender, é que não ocupa espaço e pode crescer infinitamente que ainda cabe no coração da gente :)

com amor enorme da mamãe.

PS: você aprendeu a sentar sozinho, é MUITO ENGRAÇADA sua cara de concentração sentando como uma pessoa grande. e, pra nosso desespero, aprendeu também a escalar, bateu a cabeça 2 vezes (fez galão) e deixa a gente doido. pestinha!

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a educação para o mundo

desde sempre ouvi por aí que “devemos educar nossos filhos para o mundo”. como me parece simplesmente bom senso, assumi que todos os pais se preocupariam com isso e, ora, educariam seus filhos “para o mundo”. talvez o óbvio e o bom senso não sejam tão óbvios assim, porque o tempo todo me deparo com pais excessivamente permissivos (ou ausentes, ou ambos ao mesmo tempo!) e filhos totalmente despreparados “para o mundo”. não, é pior do que despreparados, eles são péssimos contribuidores para um mundo já caótico, com recursos escassos e cheio demais.

a mim parece claro que vivendo num mundo com essas caraterísticas — superpopulado e com recursos escasseando — devíamos nos preocupar em cultivar e ensinar a gentileza, o cuidado com o excesso, o aprendizado do respeito pela natureza e pelo próximo, a paciência para lidar com as inúmeras frustrações que teremos pela frente, cada vez mais.

o que se vê pela rua, pela vida, aos montes, é o inverso: pessoas rudes (e nas redes sociais ainda mais, protegidos atrás dos seus teclados), desperdício, condescendência com a falta de educação, indulgência e a muleta do “isso não é problema meu”.

no que diz respeito à educação de crianças, como disse em outro post, o que realmente me choca não é crianças serem crianças e testarem os limites dos adultos, mas os adultos permitirem sem dizer NÃO. crianças gritam e fazem bagunça em locais que não são sua casa, desrespeitam ordens diretas e os pais não dizem não! às vezes simplesmente se omitem (porque de fato CANSA dizer a mesma coisa o dia todo) ou inventam desculpas para a falta de disciplina (“ela é muito agitada, sabe?” ou “ele tem muita energia!”).

disciplina é uma habilidade essencial para absolutamente tudo na vida. por mais que se escolha não ser disciplinado em qualquer momento, é preciso que essa habilidade seja ENSINADA. se alguém quiser optar por ser indisciplinado de forma consciente, que arque com as consequências (e isso também precisa ser ensinado).

que bem para o seu filho e para o mundo estará fazendo o pai/mãe que se exime de ensinar disciplina, respeito pelo espaço do outro e que sempre haverá consequências para a falta de respeito, a desorganização, a grosseria?

gostei muito deste artigo que compara mães francesas às mães americanas, justamente porque fala sobre ensinar paciência, disciplina, respeito, com muita firmeza. dentro dos limites (que são frequentemente aqueles estabelecidos pelos outros seres humanos ao redor), podemos ser livres. ser livre, criativo e ”energético”, não é sinônimo de ser inconveniente e cheio de vontades à revelia dos demais.

brasileiros (latinos, talvez?) são ainda mais permissivos que americanos com suas crianças. vivemos na ditadura dos pequenos, temos que nos submeter à vontade deles e aos seus comportamentos inconvenientes porque “são crianças”, afinal?

não creio que esse seja o melhor caminho. talvez seja o mais simples, o que dá menos trabalho. ou que nos faça sentir menos culpados, já que passamos boa parte do dia longe dos nossos filhos e queremos compensar.

quando me bate a preguiça ou a culpa quando preciso ser firme com meu filho (e sei que ele vai ficar triste), penso que estou ajudando sua versão futura a ser mais sociável e feliz, que ele sofrerá menos com as frustrações muitas que certamente virão, vivendo neste mundo cheio de gente e dificuldades.

não sou mãe francesa, eu sei, mas vou me esforçar muito pra ser cada vez mais. com firmeza e muito amor.

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virei mãe mas continuo a mesma chata de sempre

eu detestava criança que grita, faz manha, é agressiva, carente, interrompe as pessoas, etc. etc. e etc. virei mãe e… continuo detestando isso tudo.

se você não tem filhos e reclama de chatices de criança, rola sempre um papo-meio-maldição tipo “você vai ver quando tiver filhos…”. essa maldiçãozinha tem 2 premissas embutidas, uma é verdadeira e a outra é falsa:

[V] crianças são chatas mesmo, e você vai se ferrar quando elas forem suas, porque você é obrigado a aguentar

[F] o que podemos fazer, né? afinal criança é assim mesmo…

criança é chata sim, vamos admitir logo e passamos dessa fase. elas se consideram o centro do universo, frequentemente não sabem expressar bem o que querem, gostam de chamar a atenção de todos ao redor (e ficam irritadas quando não conseguem), querem tudo do seu jeito, têm energia sobrando. qualquer um sairia correndo de perto de alguém com essas características, certo? :D

mas crianças são crianças, e todos sabemos de antemão que são assim. o papel dos educadores (e pessoas que amam essa criança em especial) ao redor dela é ensinar a conviver com o mundo e com as pessoas seguindo regras mínimas de convivência. orientar a criança (duzentas mil vezes, saibam) é papel dos pais (e com sorte, outros membros da família que sejam generosos para contribuir). com amor, carinho, paciência e muita, muita insistência.

(e pizza, em último caso :D mas essa piada é politicamente incorreta, espero que você conheça, pois não vou contar)

o que me leva à parte falsa da premissa: é lógico que tem o que fazer! os pais devem — DEVEM, da lista de deveres — direcionar seus filhos. mil vezes, 10 mil vezes se for preciso. é preciso dizer não, e manter-se firme na negação do que não é aceitável. é preciso impedir que a criança seja desrespeitosa ou agressiva com outros. é essencial ensinar paciência, respeito pelo espaço e tempo do outro. por mais chato, cansativo e irritante que seja. isso é ser um bom pai/mãe: ensinar seu filho a ser um cidadão, ensinar que há outras pessoas no mundo além dele, e que ele precisa aprender a respeitar para ganhar respeito.

(supondo que os pais saibam disso, porque de verdade não é incomum encontrar adultos que ignoram as regras mais simples de convivência e cidadania)

porque eu gosto de contribuir para um mundo melhor, seguem algumas dicas pra ajudar a perceber se está sendo um pai/mãe relapso na educação do seu filho (e contribuindo com mais um sem-noçãozinho no mundo):

- diz coisas do tipo “ah, sabe o que é? é que ele muito energético!” quando na verdade seu filho é um tosco e precisa ser ensinado a tratar as outras pessoas e crianças com respeito;

- não repreende seu filho imediatamente quando ele é agressivo fisicamente. com qualquer pessoa, inclusive você mesmo;

- finge que não escutou quando seu filho grita. ninguém gosta de gritos, gritos não são bem aceitos em nenhum ambiente social, por que devemos deixar crianças gritando como se fosse normal?

- deixa seu filho tomar coisas que não são dele sem pedir. (acredite, eu tenho um bebê de 1 ano e 4 meses: eu sei que eles querem TUDO e consideram o mundo inteiro deles. é nosso papel ensinar pra eles que as coisas não são assim)

- não diz não pro seu filho, “pra não traumatizar”, ou “adicione aqui qualquer razão estúpida”. o não é importante e necessário. se você se preocupa em dizer nãos demais, diga sims pra balancear, não tenha preguiça e reforce o comportamento positivo também ao invés de dar desculpas bestas pra não dizer não;

- deixa a culpa (por trabalhar, por exemplo; por passar menos tempo do que acha que devia com seu filho, etc.) direcionar o quanto você educa o seu filho. lide com sua culpa na terapia, não deixe que ela reflita na (falta de) educação do seu filho. ele precisa de limites, de nãos e de orientação, a sua culpa não é problema dele;

- não brinca com seu filho quando está com ele. se você tem tempo pra estar com seu filho, BRINQUE COM ELE. as crianças aprendem através das brincadeiras, e você terá várias oportunidades de se divertir E orientar seu filho nas brincadeiras;

- não escuta o que ele diz quando está falando com ele. e, ao mesmo tempo, interrompe tudo que está fazendo quando ele quer falar com você. é importante ouvi-los quando você está falando com eles, mas é também importante que, aos poucos, entendam que as pessoas não devem parar tudo o que estão fazendo por que eles querem! pense que esse aprendizado vai ajudá-los a serem pessoas mais tolerantes, e menos malas-sem-alça;

- perde a paciência com seu filho ou cede (desiste de orientar) porque ele é teimoso, chato ou insistente (ou seja… uma criança!). ele precisa da sua paciência, dedicação e orientação. é chato, mas é nosso papel. e se os pais perdem a paciência ou desistem, quem vai educar, gente?

e com isso tudo não quero dizer que é fácil ou (sejamos francos) divertido. a parte mais difícil de educar uma criança é ser firme, consistente e se comprometer em ensinar. porque ser ausente ou fingir que não percebeu é moleza. difícil é continuar explicando a mesma coisa depois de 20 mil repetições, quando você está cansado e quer ver TV ou ficar na internet.

ou seja: crianças são e sempre serão chatas mesmo. a tarefa de educá-las é cansativa e lenta, demora ANOS. exatamente por isso essa tarefa é responsabilidade dos PAIS, que as amam acima de tudo. só mesmo com muito amor é que a gente encontra em si paciência e motivação pra insisir quando qualquer outro teria desistido. porque (em tese, porque tem pais que realmente não estão nem aí) no futuro todo o investimento na educação, em ser uma boa pessoa vai ajudar seu filho a ser feliz e bem sucedido no caminho que escolher.

continuo achando crianças chatas (as dos outros mais que o meu, por definição). o que mudou depois de ter meu filho é que agora já não me incomodo tanto com a chatice da criança, mas principalmente com a falta de ação dos pais em relação a elas. fico muito irritada quando vejo uma criança gritando na orelha alheia e os pais nem aí. quero morrer quando vejo uma criança agressiva arrancando brinquedos das mãos dos outros e os pais, ao lado, sem dizer nada.

amar = educar. e não há educação sem correção de rota, orientação, insistência.

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a fisiologia do gosto (*)

(*) roubei o título do ótimo livro de brillat-savarin, pois o assunto do post é não só alimentação do bebê mas principalmente o desenvolvimento do paladar.

não sou especialista no assunto (aliás, não sou especialista em NENHUM assunto :D ), mas tenho cá minhas convicções a respeito de comida, culinária e alimentação de forma geral. sempre acreditei na importância do que chamarei de educação alimentar ou gastronômica, não só no sentido da experiência sensorial mas também o processo de escolha e preparação dos alimentos.

quando chegar a hora, pretendo ensinar o otto a cozinhar, pois acredito que isso é conhecimento básico e fundamental para todo ser humano. saber escolher e preparar seu próprio alimento (além de poder alimentar outros) é não só importante mas um grande diferencial. além de ser muito prazeroso :)

mas hoje não quero falar da preparação, mas da educação do paladar. percebi que o paladar pode ser educado com 16 anos, quando decidi parar de consumir açúcar em todas as minhas bebidas. nem lembro mais o motivo, mas com essa decisão um mundo se abriu pra mim: pra começar, percebi o quanto as pessoas ao meu redor eram viciadas em açúcar, e consumiam em excesso. foi difícil convencer minha mãe a parar de adoçar tudo, e deixar que cada um se servisse à sua maneira (o que por si só é interessante — que tal respeitar que cada pessoa tem um gosto DIFERENTE do outro, e dar a oportunidade de escolha?). quando eliminei o açúcar das bebidas, descobri um mundo de sabores que estavam mascarados pelo doce-melado, o sabor dos alimentos puros!

daí pra adiante, fui experimentando reduzir sal, cebola, alho, azeite, pimenta e tudo o que modifica o sabor dos alimentos. fiz uma regressão alimentar :) e comecei a retomar os temperos e alteradores de sabor lentamente, e com muito mais cuidado e precisão. pois aprendi a apreciar o sabor do alimento e não do sal e outros temperos. a docura do tomate, da cenoura, o amargor da escarola, a acidez da berinjela, o sal natural das carnes, o amanteigado dos peixes.

pois quando começamos a introduzir o otto ao mundo dos alimentos além da teta, havia uma preocupação em fazer do processo de se alimentar um prazer e também aprendizado sobre sabores e texturas. fomos orientados pelo pediatra a iniciar com sucos coados de fruta (laranja, mamão) primeiro, depois frutas peneiradas (uma de cada vez, por 1 semana), depois legumes peneirados, e por último as carnes.

pois assim fizemos, seguindo uma dica que acho importante: nas primeiras 4 semanas, insistimos com a mesma fruta por 1 semana cada, observando se a consistência estava OK para o bebê deglutir. cada bebê é diferente, e uns têm mais facilidade que outros para engolir, é preciso respeitar os limites naturais de cada um e adaptar. e insistir em 1 só fruta ajuda a desenvolver o paladar, acostumar-se ao novo e apreciar as características de cada fruta.

algumas frutas o otto gostou mais, outras menos, mas provou muitas delas. e não recusou nada pelo gosto, mas pela textura (banana amassada, por exemplo, ele não gosta de forma alguma, embora coma a banana hoje mordendo direto da fruta).

expor a criança aos cheiros, texturas, sabores e cores dos alimentos puros ajuda a desenvolver a percepção sensorial de forma mais ampla, a criar memória gustativa / olfativa / tátil. deixar a criança PEGAR os alimentos, sentir a textura, morder, lamber e cuspir, cheirar, interagir e descobrir por si própria o que prefere.

logo que o otto aprendeu a ensaiar uma mastigação mesmo sem muitos dentes (entre 7 e 8 meses), começamos a dar alimentos em pedaços maiores (sempre cozidos, sempre com supervisão) para que ele pudesse triturar, morder, e ver os pedaços maiores de alimento, com suas cores e texturas. ele gostou muito mais de comer depois de começar a ver pedaços. a partir dos 8 meses começamos a preparar o prato com os alimentos dispostos em separado (nada de “sopão”!), pra que ele também pudesse apreciar o visual dos alimentos.

ah, e tudo desde o início sem sal, açúcar, cebola, alho ou qualquer outro “alterador” (mas sempre usamos um pouco de azeite, como parte da dieta). por volta de 1 ano comecei a temperar a comida dele com ervas e um pouco de cebola, mas sempre pouco. e o sal foi fortemente NÃO recomendado pelo pediatra na alimentação diária.

não tenho evidências científicas de que a prática de alimentar a criança com alimentos “puros” ajuda a educar o paladar, mas me parece tão óbvio… o otto aprendeu a comer os alimentos como eles são, com seus sabores e texturas originais, e qualquer adição a eles é um elemento a mais na harmonia dos sabores, digamos. o sal, a pimenta, o azeite, adicionam complexidade ao básico, e como conhece os sabores básicos, vai conseguir apreciar melhor os outros componentes!

tanto é verdade que ele come (e ama) brócoli cozido (só na água) todos os dias, e quando damos brócoli com sal, pimenta, azeite e alho em restaurantes ele também come, com o mesmo prazer. e volta depois a comer seu brócoli simples do dia a dia sem problema nenhum.

preparar alimentos básicos e simples para crianças não dá trabalho. é cozinhar no vapor ou na água, assar, coisas simples. não é preciso se preocupar se está com muito/pouco tempero, ou se está “bom”: basta confiar no sabor do próprio alimento, e tudo dá certo.

o que dá trabalho é convencer o mundo ao redor que não, a criança não vai sentir falta de açúcar, sal, cebola, alho ou pimenta. e que comida sem tempero não é RUIM!

o que passa, obviamente, por convencer as pessoas que elas precisam parar de pautar o comportamento e gosto do restante do mundo por elas mesmas. mas isso é assunto pra outro post :)

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diário do otto: 1 ano e 4 meses

 otto,

você já é praticamente um adulto, meu amor! \o/

brincadeiras à parte, é essa sensação que temos mesmo: que de um dia pro outro você deixou de ser bebê pra ser um menino. um menino que não fala palavras e frases ainda, é verdade, mas com comportamento de menino, sim. é impressionante (e até assustador) perceber o quanto você compreende o que falamos, apesar de não falar quase nada. há um certo link na cabeça da gente entre falar-ouvir, e supomos que já que você não fala, não entende muito o que falamos também. ledo engano. você simplesmente entende TUDO, frases como “pega o outro controle remoto pra mamãe, otto” (você pega mesmo o OUTRO e não o que já está na mão) ou “vamos trocar a fralda” (você dá a mãozinha e me leva pro trocador) ou até “come um pedaço de brócoli” (e você pega e come, com suas mãozinhas gorduchas).

sei que essas pequenas coisas parecem bobas pra quem não tem filhos, mas a gente se espanta porque há poucos meses ele não sentava. há 1 ano ele não fazia NADA sozinho, e agora ele come, anda, pede coisas e tem vontade própria. é incrível!

você anda agora muito bem e segue a gente pela casa enquanto fazemos coisas, e arrisca (demais) corridas, nos deixando de cabelo em pé. chuta bola, sobe, desce (degraus inclusive), come “sozinho” com a colher (derrubando tudo, claro), pega tudo que vê pela frente e leva embora, especialmente sapatos (e volta pra buscar o par!), pede o que quer o tempo todo… ou seja: é a criança que não fala mais tagarela que já vi :)

o mais engraçado é que você “fala” com vogais tônicas: ”á” pra água,  mamá, nai e pra dar coisas de forma geral; “ó” pra vovó, óculos, e pra mostrar; “é” é meio coringa, como se fosse concordando ou confirmando (“otto, quer biscoito? — É!”); “ô” pra biscoito e vovô. e sabemos que você sabe as vogais, porque fala mamã, papá, tetê, ígui (ziggy, um porco-espinho de pelúcia), e já falou ága e a-bô. sei lá o que falta pra deslanchar outras palavras, e enquanto isso vamos rindo do seu idioma de vogais.

mas JURO que dia desses você falou “água” perfeitamente pra mim. mas é só pra mim, o que me fez lembrar do sapo cantor :)

a coisa mais linda desse último mês é que você agora nos chama pra brincar, e propõe o que quer fazer claramente, é muito bonitinho. se você não fosse tão teimoso seria menos engraçado :D você se mete nas brincadeiras de bola e areia das crianças no parquinho (e a gente morre de medo deles derrubarem você, os pais superprotetores), é uma graça ver você começando a se interessar pelas outras crianças.

em casa, está um caos: além de correr pra todo lado, você agora aprendeu a abrir e fechar portas e gavetas ao seu alcance, e aprendeu até a guardar coisas (guardou sozinho uma faixa de cabelo da mamãe! no lugar errado, mas tudo bem). pelo menos você aprendeu a descer da cama, do sofá e a descer degraus maiores de costas (é super engraçado ver você descendo parecendo uma minhoca).

seu ritmo de sono está estabilizando (2 sonecas por dia, ao som da bendita galinha pintadinha e dormindo por volta de 19:30h até 6h da manhã), mas ainda tá dando muito trabalho pra pegar no sono. demora de 30min a 1h, e é bem chato de ficar lá com você revirando na cama que nem pipoca até dormir. mas vou achando paciência onde não tenho, porque afinal você é fofo de morder, e essa fase vai passar, aiai.

seu interesse por música e aparelhos eletrônicos só aumenta, e você adora brincar com o iphone e o ipad da mamãe, especialmente pra ver os vídeos da supracitada galinha e interagir com as bactérias e o talking tom. sabe destravar os 2 aparelhos sozinho, e colocar os vídeos de novo quando acabam. filhinho de nerd, nerdinho é :D

estamos tentando ensinar você a dar beijo, mas tá difícil! dá um ou outro de vez em quando, mas só pra fazer graça. abraço, em compensação, você já aprendeu e pede pra dar, é lindo!

ah, e além dos 4 molares que você ganhou, tem mais 2 dentinhos nascendo em cima. você é praticamente um tubarão :D inclusive no apetite — continua comendo como gente grande, de tudo, especialmente brócoli, cenoura e frutas em geral. nosso orgulho!

estamos cada dia mais apaixonados por você, e nos divertindo muito acompanhando você crescer e se tornar uma pessoinha tão diferente de nós. estamos cansados como sempre, e felizes como nunca.

te amo, meu querido. um beijo da mamãe.

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