Curaçao, 2013

[maio 2013]

Esqueci de contar um episódio das férias que causou comoção com direito a salva de palmas pro Otto:

Fomos interagir com golfinhos, no clube de mergulho da ilha. E pra entrar, é preciso assinar um termo de responsabilidade, e o termo do Otto quem assinou fui eu. Só que quando ele me viu assinar o meu e depois disse que ia assinar o dele, deu chilique. “Eu quero assinaaaaaaarrrrrrrr!”. A moça do balcão, comovida com o choro, deu o papel e a caneta pra ele, que escreveu (de trás pra frente, ele aparentemente é japonês) o-t-t-o.

As pessoas ao redor vieram ver a cena, e quando ele acabou de “assinar” fizeram a maior festa. O menino ficou todo feliz e cheio de orgulho, que assinou o nome lá na ficha dele.

Rocinante?!

[maio 2015]

Otto mantendo a tradição de ficar bem louco quando está com sono:

(Na cama, com o Fernando, luz apagada)

Otto: “papai, não consigo dormir!”

Fer: “por que, Otto?”

Otto: “porque temos que consertar as coisas no Japão!”

Fer: “e o que acontece no Japão?”

Otto: “está uma bagunça, papai”

(… Silêncio)

Otto: “papai, onde fica o planeta Rocinante?”

Fer: (!!!!!) “o que? Onde você viu isso? O que tem lá?”

Otto: “um homem azul!”

Fer: “e o que mais?”

Otto: “ele tem muitas caixas”

**

Gente, alguém me dê o que esse menino tomou!

AH NÃO!

[maio de 2016]

Domingo recebemos várias pessoas queridas aqui, porque a Claudia e Roberto vieram nos visitar e não podíamos mantê-los escondidos só pra gente, né? <3

Primeiro chegaram Fernando e Marina com a fofura do Michel, depois Gui e Epa. Tudo bom, Otto reclamou que “mas eu não gosto de bebês!”, como sempre (embora tenha contado história pro Michel depois e tals), mas no geral tava OK. Até estranhei.

Até que chegaram o Alexei e a Fernanda com a Sophia. Otto sai do quarto dele, olha eles chegando e declara:

“Ah, não, pessoal! Mais gente, não!”

E sai correndo pro quarto.

Juro, gente, que eu fiz um coaching com ele antes, pra ser legal e pelo menos cumprimentar as pessoas. A CULPA NÃO É MINHA.

(Mas brincou bastante com a Sophia e se divertiu no final)

ÍBULON

[maio de 2013]

Essa fase da criança de aprender a falar e principalmente expressar idéias é incrível, e muito divertida. O Otto semana passada veio com a seguinte pérola: “precisa passar protetor CELULAR antes da piscina!” <3

E algumas coisas simplesmente não consigo corrigir. Como o ípsilon, que era íbulon, e virou íspilon; e o interruptor, que é tupitôr.

No meio disso tudo, tem os chiliques típicos da idade, porque a banana quebrou ou o arroz misturou com o feijão. Aiai.

Minha conclusão até o momento sobre a maternidade se mantém — ser mãe é alternar rapidamente entre momentos extremos de fofura e amor e o desejo de ligar pro disque-homem-do-saco 🙂

The best day of my life

Deve ser difícil ser realista né? 藍

Otto, agorinha: (tudo em inglês, que agora é assim)

— “mom… today in music class we rehearsed a song called ‘the best day of my life’ and it was supposed to be happy, but I felt very depressed.”

Eu: “nossa, por quê?”

— “think about it: if it was THE BEST DAY of his life… what about after that? Very depressing.”

(Hahahhahaha!)

Eu: ”amor, pensa assim: é o dia mais feliz da vida dele ATÉ ESSE DIA. Haverá outros!”

Ele me olhou com uma cara de “Afe, não sabe nada, ela.”

Eu ri, mas também sofri um pouco, porque se tem uma coisa que eu gostaria que ele tivesse herdado de mim é o otimismo inabalável.

OBRIGADA Fernando 藍藍藍

Outro dia das mães

No dia das mães eu só quero comentar que criar humanos é uma tarefa imensa, e com zero reconhecimento para as mulheres que o fazem.

Além do zero reconhecimento, tem a cobrança, porque A MÃE, o arquétipo, é pesadíssimo, e todas nós que por opção ou imposição criam humanos, somos massacradas pelas expectativas.

Tem um filho só? “Quem tem um não tem nenhum! Vai ser mimado!”

Tem 3 filhos? “Não tem televisão na sua casa não?”

Trabalha? “Olha lá, terceirizou o filho!”

Não trabalha? “É madame, sustentada pelo marido”

Tem interesses próprios, pra além da maternidade? É sexualmente ativa? VIXE. Nem preciso exemplificar né? Afinal sinônimo de mãe é SANTIDADE.

E se seu filho não for o padrão da criança esperada, padrão, a culpa é da mãe, claro.

Criar humanos demanda uma carga mental e física enorme, por muitos anos, que só quem faz a tarefa é que sabe. E se fosse só o trabalho já seria puxado, mas com a cobrança toda, olha… difícil.

Eu ia falar só isso mesmo, mas no processo lembrei que pra piorar, sempre tem quem diga “quem pariu Mateus que o embale! Quem mandou ter filho?”.

Pra uma enormidade de mulheres, o governo mandou. Elas engravidam, os homens desaparecem, e elas são obrigadas a ser mães.

“Ain mas anticoncepcional…”. Sugiro estudar e entender que esse discurso coloca sobre as mulheres toda a responsabilidade de evitar gravidez, além de ser super moralista. Ele vem junto com a frase “na hora de fazer tava bom, né?”. Não sejam essa pessoa.

Para as que escolheram, como eu, ninguém mandou — eu quis viver essa experiência, sabendo que tem prós e contras. Isso não significa que estou OK com estranhos me cobrando e tratando a maternidade como uma punição.

Lembrando que absolutamente nada do que descrevi aqui acontece com homens. NADA. Você pode ser ou deixar de ser pai, abandonar filhos, e é vida que segue.

Então neste dia, ao menos pense sobre o quanto podemos melhorar como sociedade pra que ser mãe não seja tão pesado. E que quando fizermos isso, a escolha de NÃO SER mãe também será mais leve e natural.

Coelhinho da Páscoa

Not scary at all

Contei que antes do Natal passado Otto percebeu que Papai Noel e Fada do Dente não existiam né? Tivemos a conversa sobre as lendas contadas pra crianças e tal e coisa, ele perdeu mais dente e quis o dinheiro 🤣, enfim, ficou por isso.

Páscoa chegando, fiquei tensa. Será que ele ainda acha que o Coelho existe? Eu que não vou perguntar, fui deixando. Aí ele perdeu mais um dente ontem e deixou o dente debaixo do travesseiro. Não teve jeito, tive que abordar:

Eu: “bom então a FADA DO DENTE (apontando pra mim mesma) tem que deixar o dinheiro né?! 🤣”

O: “não, mamãe, não vamos falar sobre isso!!!”

Eu: “por quê? Você quer que eu continue fazendo como se fosse mágica?”

O: “sim! Preserve my childhood!”

HAHHAHAHHAHAHHAHAHA

Eu: “mas e o coelho, onde ficamos sobre ele?!”

O: “eu sei que é lenda e tal mas não precisamos falar sobre isso….”

Eu: “… ou seja, eu faço como se fosse mágica. Combinado!”

Essa criança, se eu não fosse testemunha ocular ia achar que é mentira. Ainda bem que o Fernando tá aqui pra comprovar 🤣 (não nesse caso. Ele vai ter que acreditar em mim)

Túnel do tempo

Post de 2014 <3

Otto: “Mamãe, você sabia que ontem eu fiz cocô no chão?”
Eu: (PAVOR) “Não! Mas onde foi?”
Otto: (rindo) “No chão da sala de brincar!”
Eu e Fernando: (AHHH! ) “Que sala de brincar?!”
Otto: “A da tia Kelly! Mas foi muito mais ontem!”

3a7m, aprendendo a posicionar fatos no tempo.

(Em tempo: Ufa.)

Padecer onde mesmo?

Otto tocou o terror na escola na segunda e terça, se recusou a fazer as atividades e sobrou pro Fernando fazer todo o atrasado em casa com ele.

Na segunda ele mandou a tarefa por e-mail e se desculpou. Esse foi o e-mail dele da terça.

“Ter filho é uma experiência única” eles disseram. Dava pra ser menos único, gente? Uma experiência comum era tudo que eu queria, pelo menos por UMA SEMANA 🤣