29 semana e contando (ou 72% de progresso físico)

entrei no terceiro trimestre, e preciso então atualizar minha listinha de sintomas/sensações, não é? vamos lá!

3o trimestre (29 semana and beyond)

a principal mudança pra mim é o desequilíbrio físico. com o crescimento da barriga, o corpo fica todo estranho, e coisas simples como andar, sentar e deitar se tornam novas.

alguns agravantes me preocupam neste momento: tenho hérnia de disco (lombar) há anos, mas sob controle graças à postura; meus peitos são bem grandes e pesados, e ficaram maiores; a barriga crescente me projeta pra frente, atrapalhando minha postura normal. ou seja: estou reaprendendo a viver com meu corpo sem comprometer minha coluna, e não está divertido. a coluna dói, porque ainda não sei andar e nem me movimentar neste corpo.

nada de novo além da postura. ganhei pouco peso, e pretendo continuar muito atenta a isso, exatamente pra evitar mais sobrecarga para minha coluna. tenho tido mais vontade de comer doces, e está difícil controlar. os exames estão todos ótimos: glicemia 80, pressão 10/6, nenhuma doença e nem problema no caminho. o bebê está grande, eu não incho, durmo bem (até porque já dormia de lado por conta da lombar) e como bem. digestão lenta, desde o início, mas isso consigo administrar bem.

estou preocupada com o impacto do aumento de peso/volume na minha coluna. principalmente porque quero fazer o parto normal sem anestesia – preciso estar dominando minimamente meu corpo!

aliás, dicas de postura e exercícios de preparação para o parto são bem-vindos. mandem :)

sobre aquilo que não falamos…

… apesar dos intermináveis comerciais de activia e afins.

alguém disposto a ouvir sobre desconfortos gastro-intestinais causados pela gravidez? não? ufa, que alívio. eu realmente não queria falar do assunto.

mas sendo bem genérica, colega que por acaso cair aqui procurando sobre gravidez, saiba que é comum ter, digamos, efeitos incômodos das mudanças digestivas e circulatórias. não se sinta mal, não precisa se entupir imediatamente de activia nem luftal. é assim mesmo, muita paciência.

devagar e sempre, rumo ao sétimo mês

26 semanas, ou metade do sexto mês. essa contagem é completamente esquisita, vejam: estou DE 5 meses (completos), estou NO sexto mês (2a semana do mês 6). é de enlouquecer uma pessoa. além dos médicos sempre calcularem qual é a semana atual a cada consulta, coisa de louco.

por enquanto, tudo bem. piolho chuta loucamente (me acorda de noite, inclusive. ele não gosta que eu durma recostada do lado direito) e eu me sinto bem. a pressão está baixa (o que não é mau), não ganhei muito peso (1kg até a 25 semana) e estou funcionando quase normal.

complicado mesmo tem sido o equilíbrio – ontem fui pra ioga e me senti uma imbecil. não conseguia fazer as coisas mais simples, porque meu corpo tá todo estranho. até pra andar tá esquisito, me sinto andando feito um pinguim!

a história de mudança do centro de gravidade é um fato. o corpo todo precisa se adaptar à nova distribuição de massa, minha coluna está estranhando muito.

já estamos procurando coisas para o quarto dele, e estou horrorizada com a tirania do branco. por que diabos tudo no quarto do bebê precisa ser branco? parece uma enfermaria, hospital, credo. confesso que tenho problema (preconceito, vá) com móveis laqueados de branco. sou filha de marceneiro, e desde que me conheço por gente esses móveis laqueados são considerados cafonas e de mau gosto. eu gosto mesmo é de madeira, de rádica.

mas não tem, simplesmente, “porque as pessoas não compram se não for branco”, me informam as vendedoras. e quanto tem (raridade) custa os olhos da cara (sem noção, tipo um berço 11 mil reais). tou decepcionada, vou ter que me render ao branco e improvisar pra quebrar um pouco.

por outro lado, já decidimos que a “decoração” (MUITAS aspas) que queremos é basicamente um tapete verde desses de fitinhas que parecem grama, pra montar um jardim com joaninhas e formigas de pelúcia (sim, elas existem). o quarto do moleque vai ser um zoo, porque eu já tenho dezenas de bichos de pelúcia e vou usar todos. tem leão, sapo, lagosta (!), porco, furão, cachorro, pinguim, gorila, galinha (se é que sobreviveu aos furões, vou ter que conferir), joaninhas de vários tamanhos, bicho preguiça, coelho, calango, gato. e deve ter mais coisas que eu esqueci.

é isso: se depender de nós, o menino vai amar bichos desde o nascimento, inclusive os insetos :)

de onde vem o medo ou a depressão

nem citei no post sobre o assunto o medo pelo filho (de adoecer, sofrer, morrer, enfim) porque esse é o mais básico e óbvio. nem gosto de pensar no assunto.

uma série de mulheres (muitas!), quando sabem que estou grávida ou me ouvem falando sobre o bebê chutar, comentam o seguinte: “ah, que saudade de quando estava grávida!”. confesso que não consigo me relacionar com essa saudade, seja porque ela ainda está em andamento ou porque além do encantamento com a experiência física (que é bem louca) não acho nada gostoso. sentir um ser vivo existindo e se mexendo dentro de você é incrível? caramba, se é! mas é isso: incrível, milagroso. não me parece algo que vai me dar saudades.

nesta linha de pensamento, tive uma sacada: será que essa saudade que mencionam as ex-grávidas não é no fundo a falta da versão anterior de si mesma e da vida durante/antes da experiência? porque, convenhamos, a partir do instante do parto a vida anterior (bem como a pessoa anteior) se vão para sempre. não que isso seja ruim, mas é uma perda sim. não há mudança nem evolução sem que alguma coisa morra ou se perca sem volta.

antes de sermos pais, somos filhos somente. ser filho significa (em menor ou maior grau) ser a responsabilidade de alguém. alguém cuida de nós, se preocupa conosco, é responsável por nós. na gravidez (falo das mulheres neste caso), somos tratadas como bibelôs, recebemos uma atenção excessiva de todas as partes, inclusive de gente desconhecida. é tanto elogio, parabéns, desejos de felicidade e mimos! dá uma sensação louca de euforia, viramos o centro das atenções onde quer que estejamos. tudo gira ao nosso redor, nos sentimos especiais, poderosas, admiradas pelo simples fato de termos a capacidade de gerar outro ser humano dentro de nós. são 9 meses de endeusamento por parte de todos que nos cercam. a maternidade nesta fase é um papel novo, misterioso e cheio de glamour.

e aí vem o parto, e é como se o mundo virasse de ponta-cabeça: tudo agora é em função daquele ser que você criou. aquela atenção, o espanto e endeusamento todo que antes eram pra você agora são dele. você agora ocupa aquele mesmo papel que antes era da sua mãe, e ser filha é secundário. agora você é a mãe e a coisa mais importante do mundo é aquele ser que nasceu. seu marido pensa nele primeiro, assim como todo mundo (inclusive você mesma, é claro).

não deve ser simples lidar com essa mudança de foco do dia pra noite, em questão de horas apenas! por mais que seja maravilhoso ver seu filho e tê-lo nos braços, não acho que essa mudança radical entre os papéis seja fácil de lidar. quando o bebê ainda é 100% dependente da mãe, essa sensação deve ser amenizada, afinal somos necessárias. imagino que quanto mais o bebê cresce, mais difícil deve ser lidar com o fato de que ficamos em segundo plano. fico pensando que é preciso toda uma reconstrução do nosso lugar no mundo para se adequar à nova realidade.

não me admira que algumas mulheres se deprimam ou tenham muito medo (além é claro das questões hormonais, que são outra história). eu já tenho medo desde agora :) e acho que partos deviam ser acompanhados de terapia obrigatória…

curiosa e interessada que sou na construção de mim mesma (e na constante elaboração e melhoria de quem sou), estou observando atentamente tudo o que sinto e penso. por mais que tenha medo, mal posso esperar o que está por vir. creio que será provavelmente a maior aventura interna de toda minha vida.