diário do otto: 6 meses

otto,

chegou seu segundo grande marco, os 6 meses, e você está cada vez mais lindo e fofo. sei que toda mãe é coruja e tal, mas olha, você é lindo mesmo 🙂

esse foi um mês de mudanças enormes: seus primeiros 2 dentinhos nasceram (embaixo), você começou a comer e tomar sucos, está sentando e começou a “falar” (dá-dá-dá). todas as suas outras funções motoras melhoraram bastante também. você está coordenando melhor, consegue pegar coisas e trocar de mão, vira e desvira no berço sozinho. e faz força pra sentar, uma gracinha!

sua iniciação no universo dos alimentos além da teta foi com suco de laranja lima. meia laranja, pra começar, e você adorou de cara. aumentamos para 1 laranja inteira, porque você adorou. e aí começaram as frutas, amassadas e peneiradas: banana prata (você não curtiu muito, apesar de comer tudo), maçã (você gostou), mamão (você odiou, foi difícil fazer você comer), pera (você adorou e pedia mais) e banana nanica (você AMOU e abre a boquinha pra comer mais!).

além dessas frutas em papinha, você experimentou (e adorou) goiaba vermelha e pêssego direto da fruta. nem foi o caso de oferecermos, você ROUBOU da minha mão a goiaba e o pêssego da mão da sua avó vera 🙂 ficamos preocupadas de você engasgar, mas que nada. você “chupa” as frutas direitinho e já morde com seus dentinhos. e estamos também oferecendo laranja lima pra você chupar, e você adora. nosso onivorinho querido!

há 1 semana adicionamos mamão no seu suco de laranja, e você não deu bola. continua gostando 🙂

bom, as papinhas “salgadas” começaram 2 semanas depois das frutas: batata/cará, cenoura/abóbora, manquioquinha e abobrinha/chuchu. a maria adicionou quiabo (porque o seu cocô começou a diminuir…) e você adorou a papinha babenta. não tivemos dificuldade nenhuma em fazer você comer a quantidade recomendada pelo seu pediatra (5 colheres de sopa). essa semana começamos a adicionar também carne (frango orgânico, o mesmo que nós comemos) e você continua gostando. um tiquinho de azeite, nada de sal ou outros temperos por enquanto.

você é um amor pra comer, basta ter um pouco de paciência, porque você ainda não domina totalmente o mecanismo de engolir, abrir a boca pra comer, etc. mas de verdade não dá muito trabalho: demoro 15 min pra dar a papinha e menos pra dar a fruta. o suco você toma sozinho, em poucos segundos 😀

você agora presta atenção em tudo, pega as coisas ao seu redor (e fica bravo quando não damos…), bate as mãozinhas, segura as mãos e os pés, agarra nosso rosto, brinca de esconder quando falamos com você (coloca o rostinho no nosso pescoço, escondendo), dá risada das brincadeiras… um encanto. e tá fazendo DÁ-DÁ, bem articuladinho, uma graça.

já senta e brinca com a gente, e adora ficar de pé (temos que segurar você de pé, apoiando no chão ou outro lugar. você já não quer mais ficar deitadinho não…). acho que logo logo você vai engatinhar!

pra dormir você continua dando baile. só dorme no colo, depois de muito resmungo, e tem acordado bastante à noite (pra azar do seu pai, que é do turno da noite :D). em compensação, de dia você está tirando cochilos mais longos.

os banhos (na banheira e na piscina) são suas horas preferidas do dia, juntamente com os passeios pra ver plantinhas. você faz uma farra danada na água, molhando todo mundo ao redor (inclusive você mesmo). você não tem medo nenhum da água, mesmo quando espirra no seu rosto, e aliás tem amado o chuveiro ligado. às vezes deixamos o chuveiro ligado dentro da sua banheira e você coloca as mãozinhas, e até a cabeça, sem medo algum. praticamente um peixinho.

sua personalidade fica cada vez mais clara, e nós obviamente amamos você cada vez mais. apesar da vontade de chamar a mamãe-saruê pra cuidar de você quando você fica muito chato 😉 você é um menino risonho, simpático com todo mundo (não estranha ninguém), brincalhão. e muito muito bravo quando as coisas não saem do jeito que você quer.

agora começa o momento de acostumar você a tomar meu leite no copinho, pois volto a trabalhar em 2 semanas, e confesso que está sendo difícil pra mim mais do que pra você. apesar de não ter tanto prazer tomando no copinho quanto no peito, você se vira muito bem sem mim. mas eu sinto falta de você no meu colo fazendo gracinhas enquanto mama 🙁 sei que é saudável pra mim e pra você que eu volte a trabalhar (gosto do meu trabalho, e vai ser bom pra minha cabeça não ficar tanto em casa; você está independente e feliz com sua babá), mas estou sofrendo um pouquinho, sim.

mas penso que as horas de mamar no peito, de manhã e à noite, serão ainda mais especiais agora. espero que você continue mamando no peito ainda por um bom tempo.

continuo tirando muitas fotos suas, veja aqui seu sexto mês. tenho vários vídeos também, mas ainda não estão disponíveis (espero subir logo logo).

saiba que você está sendo uma experiência linda e muito rica na nossa vida. são só seis meses, mas parece que conhecemos você a vida toda, meu menino gostoso.

com amor, mamãe.

2 coisas:

uma: se você acha que estou exagerando quando fico P da vida com as xiitas, vai lá ler os comentários no último post. uma das coitadas fez cesárea (mesmo caso que o meu) e teve que ouvir das odara-xiitas que “não teve parto”, boa sorte com o próximo. tá?

outra: volto a trabalhar em 2 semanas, e estou conseguindo ordenhar! ufa! (tiro +ou- 100ml por vez, mais que suficiente pro otto). a máquina-do-poder da medela foi alugada no cantinho da mamãe e funciona maravilhosamente bem. resumo melhor depois.

a mãe-possível

a pedido do marido estou escrevendo este post. o objetivo é esclarecer algumas coisas sobre os assuntos deste blog para os que não me conhecem ou não acompanham todos os posts desde o início.

este blog é sobre a minha experiência com a gravidez, parto, amamentação e criação de um ser humano. bem, não só experiência mas também minha opinião, “testada” ou não. vocês vão encontrar relatos, palpites, desabafos e algo como um diário para o meu filho (um texto mais afetivo que objetivo). penso (e isso está só no campo das idéias por enquanto) em organizar algumas informações em formato de manual, para ajudar outras mulheres em condições parecidas com as minhas nos assuntos amamentação e alimentação do bebê.

me sinto um pouco ridícula escrevendo isso, mas vá lá: não pretendo convencer ninguém sobre nada, não me sinto dona da verdade e nem acho que minha experiência/postura é a “certa”. esta vivência é a minha, a que o contexto no qual eu vivo e a pessoa que eu sou permitem e proporcionam. tenho cá minhas opiniões sobre certas posturas e decisões, mas é isso – mera opinião, que não tenho intenção e nem desejo de impor a ninguém. tenho o direito de criticar o que quiser, esse é meu espaço, e reconheço o direito alheio de discordar e fazer as coisas de outra forma.

(mas não aceito ofensa pessoal aqui no meu espaço, e não tolero anonimidade. estou me expondo ao assinar meus textos, se você quer discutir, assine também os seus textos e talvez possamos conversar)

esclarecido esse ponto, vamos à perspectiva.

para efeito didático, vamos ser simplistas e dividir o mundo da maternidade (e paternidade também. como não existe “parenthood” em português, vou usar a versão feminina porque sou eu a autora do blog) em dois extremos: a mãe-odara e a mãe-biônica (naquele sentido que se usava na época da ditadura).

a mãe-odara é aquela que se realiza completamente na maternidade, ama tudo o que diz respeito a este assunto e se dedica a ele de coração, corpo e mente. a mãe-odara pararia de trabalhar para cuidar dos seus filhos, se pudesse, acha que o cocô do seu filho não tem cheiro, é defensora ferrenha do parto natural, da amamentação até quando o seu filho desejar. acredita que parto natural e a amamentação são essenciais para estabelecer o vínculo mãe-bebê, e que sem isso a relação fica prejudicada. ela defende ficar com o bebê no colo tanto quanto for possível, dormir junto, participar de todos os momentos da educação e crescimento do seu filho. ela oferece alimentos saudáveis e orgânicos para o seu filho, cozinha a comida dele, limpa e cuida de tudo que diga respeito às suas crias. ela chama seus filhos de “cria”, e a si mesmo de mamífera. ela celebra a gaia dentro de si, considera a maternidade o grande dom e presente da natureza.

a mãe-biônica engravidou porque o marido quis, porque queria arranjar marido ou porque ser mãe é “in” e todas as celebridades são mães. ela morre de medo da gravidez estragar seu corpo, faz dieta a gravidez toda, usa um milhão de cremes e faz luzes no cabelo apesar de potencial risco para o bebê, porque precisa estar bonita sempre. tem horror absoluto a parto normal (que dirá natural), isso é coisa de índio e pobre. não quer sentir dor de jeito nenhum e principalmente quer estar linda no dia do parto para sair bem nas fotos (e não conta pra ninguém, mas não vai arriscar estragar sua “área de lazer”). não vai amamentar, porque o peito vai cair. algumas até fingem que tentam amamentar, mas desistem logo porque dá muito trabalho e impede suas outras atividades sociais. terceiriza completamente todo o cuidado e educação dos filhos para a babá e a escola por pura falta de interesse, e o motorista leva seus filhos para o pediatra (com a babá, que é quem sabe o que se passa com o bebê).

(há um outro tipo de mãe nessa ponta da escala, as psicopatas que largam seus filhos na rua ou usam como mera mão de obra. mas essas estão na categoria “loucas”, nem vou entrar no mérito)

antes de seguir, é essencial que eu diga que entre estes 2 extremos, considero o primeiro – de longe! – melhor. e guardadas as devidas proporções, eu mesma estou muito mais para a mãe-odara que para mãe-biônica! defendi e continuo defendendo parto natural, amamentação livre demanda, contato máximo com o bebê e a responsabilidade total pela alimentação e educação dos meus filhos. tudo isso em escala real, dentro das minhas limitações, possibilidades e (por que não?) desejos. a mãe-odara é o modelo da abnegação e a mãe-biônica o modelo do egoísmo. e todos sabemos (ou devíamos saber!) que qualquer destes extremos beira a sociopatia e deve ser evitado.

já fiz aqui várias críticas ao que batizei de mãe-biônica, e quando me deparo com este tipo (eles existem. aqui no condomínio onde moro tem várias) sinto muito pelos bebês. são eles que sofrem a falta da mãe, de carinho e que no médio e longo prazo vão carregar o peso dessa ausência. e sofro pela sociedade também, que ganha vários membros sem afeto e sem educação. esse perfil está longe do que desejo pra mim e para o meu filho, mas honestamente não me afeta que algumas mulheres optem por este caminho. principalmente porque elas não se vêem como evangelizadoras salvadoras da humanidade. elas cuidam da própria vida, muito obrigada, não se meta. elas simplesmente desprezam as mães-odara, com um virar de olhos de puro desdém. “hippies”, diriam, e continuariam a comprar na daslu enquanto a babá de branco leva seus filhos pela mão.

a mãe-odara, por outro lado, pode ser benéfica para seus filhos (será?) mas pode se tornar maléfica para outras mulheres. elas se consideram a salvação da humanidade e por isso mesmo fazem questão de evangelizar, pregar e condenar. elas fazem sites na internet para divulgar as maravilhas do parto natural, da amamentação, fazem eventos de celebração da maternidade, participam de listas de discussão exaltando as maravilhas da maternidade ativa, de quanto isso é lindo e maravilhoso e correto. elas se consideram superiores, evoluídas, se auto-denominam “empoderadas” e têm raiva visceral de quem não partilha e pratica da sua cartilha. elas são engajadas, hormonais e agressivas como fêmeas recém-paridas defendendo a cria. e se você duvida, experimente entrar numa lista de discussão desta casta de mulheres e dizer que vai começar a oferecer alimentos para o seu bebê de 5 meses e meio (como eu estou fazendo), pelo motivo que for. prepare-se para ser estraçalhada.

acho as mães-biônicas um horror, fato. mas elas não me afetam, não afetam a outras mulheres, porque elas fazem opções individuais e vivem suas vidas. as mães-odara, por outro lado, com seu engajamento xiita, se tornam ditadoras e afetam negativamente outras mulheres. elas julgam, condenam e fazem com que mulheres que não querem ou não podem ser mães-odara se sintam inadequadas no momento em que estão mais frágeis (na gravidez e pós-parto).

e eu não estou exagerando, gente. basta pesquisar na internet, entrar em grupos de discussão ou sites sobre maternidade pra se sentir mal. se você não for uma das que optou por ser mãe-odara, pobre de você. não vai ter liberdade pra conversar sobre opções não-odara sem ser rechaçada ou indiretamente diminuída pelo tom de superioridade das mães perfeitas. seu parto foi normal, mas com intervenção? “ah, que pena… você não conseguiu viver aquele momento lindo, único e especial do parto natural, pobrezinha! quem sabe no próximo?”

pobre mesmo de você é se fez uma cesárea, não conseguiu amamentar ou colocou seu filho numa creche (heresia!). todas as mães-odara vão balançar as cabeças, com pena de você, e dar o maior apoio para você engravidar logo do próximo filho, pra “fazer certo dessa vez, agora que você encontrou a luz”. e não ouse nunca manifestar sentimentos negativos em relação à maternidade, é tabu. a maternidade, pra essas mulheres, é toda linda. não tem lado B, não, porque “todas as dificuldades são compensadas pelo sorriso do seu filho”. really?!

eu repito: não estou exagerando. vá, e veja.

meu incômodo, portanto, é com a patrulha, o radicalismo, a crença cega de que há a forma “certa” de ser mãe e coitada de você se algum dos elementos faltar (parto natural, amamentação exclusiva até quando deus quiser, dedicação total aos filhos e somente sentimentos positivos promovidos pela ocitocina).

mas esse blog, afinal, não é um panfleto. não é pró nada e nem contra nada. é sobre mim, sobre meu filho e sobre minhas opções. por acaso esbarro nos assuntos mãe-odara e mãe-biônica aqui e ali, porque gosto de usar os extremos pra reforçar a importância da temperança. porque sou real, com problemas reais e cheia de limitações. não sou egoísta a ponto de largar mão do meu filho pelos meus interesses, mas não estou tão encharcada de ocitocina ou possuída por gaia a ponto de abrir mão da minha vida e dos meus desejos pelo meu filho.

sou humana, cheia de defeitos e qualidades, e é com isso que terei que me virar. sou uma mãe-possível.

aproveitando o ensejo…

uma mãe odara anônima resolveu deixar comentários no post anterior porque se sentiu ofendida pelas minhas opiniões. segundo ela, eu (1) estou generalizando, (2) estou incomodada com o fato de haver mulheres que adoram viver para seus filhos, (3) estou dizendo que minhas verdades são únicas e (4) estou me contradizendo no assunto “babá” por exemplo.

não publiquei o comment porque não gosto de bater palma pra louco dançar. aprendi depois de 10 anos de blog que os anônimos gostam de criar caso, mas não querem se comprometer com nada, ficam escondidinhos no anonimato só jogando lenha na fogueira e saem de cena intactos quando convém. não curto, acho covarde e deixo pra lá.

mas gostei da provocação dela, especialmente porque é fácil de provar que ela está errada 🙂 está errada porque me lê com má vontade e se entrega ao rancor. eu chutaria que isso se dá porque toquei em algum ponto dolorido dela, sem saber. não fosse assim, ela não se daria ao trabalho de vir aqui deixar 2 comments enormes… alguma coisa pegou. aprendi uma coisa nos meus anos de terapia, que vou compartilhar por pura generosidade: quando algo que alguém diz/escreve (e não é direcionado pessoalmente a você e não ofende uma raça, gênero, etc.) ofende e magoa você como se fosse pessoal, faça uma auto-análise. algo no que foi dito está ressoando algum problema SEU escondido. o autor não tinha intenção de magoar você, já que ele sequer o conhece, perceba.

convenhamos, a pessoa vestiu uma carapuça ENORME. e veio aqui tentar diminuir a importância da minha opinião e vivência pra se sentir melhor. já vi esse filme, e não caio mais. sigamos.

não vejo generalização nenhuma aqui nesse blog quando falo das MINHAS experiências. e por favor, não vamos cometer erros primários de interpretação de texto, tais como achar que “você vai sentir arrependimento por X ou Y” é uma generalização. isso é recurso de narrativa, ok? não vou nem explicar, isso é básico.

eu não me incomodo em absoluto com mulheres odara (embora ache esquisito). eu me incomodo muitíssimo com o discurso xiita e ditador destas mulheres espalhado pela web, que massacra as demais mulheres, acusando-as de serem mães piores e prejudicarem seus filhos por não corresponderem ao ideal de perfeição. isso está claríssimo em todos os meus textos, só não entende quem está de má vontade mesmo.

acho que sobre verdades únicas nem preciso comentar. se tem alguém no mundo dos blogs pessoais que já acertou e errou (mais que acertou), mudou de idéia e admitiu ter mudado de idéia sou eu. nunca tive medo disso, ainda não tenho, e nunca digo que há verdade única. esse discurso é típico de quem está na defensiva e sem argumento. vou pular.

e aí tem a acusação de eu ser contra babá e agora achar certo e defender. tenho excelente memória, e pra quem não tem meu post sobre o assunto está aqui. eu sei no que acredito, sou uma mulher muito inteligente e não há contradição nenhuma no meu discurso antes e depois de parir. não que fosse um problema haver contradição, isso não invalidaria minha opinião anterior e nem a atual (de novo, recurso pobre pra diminuir a opinião do outro…). continuo sendo contra as babás de uniforminho, que acompanham bebês com os pais em lugares públicos e dormem no emprego. nada mudou. a nossa babá é como uma creche de luxo, porque podemos pagar, oras. ela trabalha de segunda a sexta das 7:30h às 17:30h (horário em que estou fora trabalhando), é registrada, ganha um ótimo salário e é muito bem tratada, como profissional que é. e quando necessário eu contrato folguista de fim de semana, para poder fazer outras atividades, já que não conto com família disponível pra me ajudar com o bebê quando quero por exemplo cortar o cabelo e meu marido está ocupado.

(me ocorreu que talvez as mães-odara não cortem cabelos, não se depilem, por isso não precisam de ajuda extra quando querem se cuidar 😉 ou são das mães sem noção que deixam seus filhos chatos soltos e incomodando as pessoas em salões, que deus nos livre!)

bom, odara, viu como eu fico feliz em responder? não tenho nada a temer, estou tranquila com minha opinião e a forma como a expresso. estou aqui, exposta, colocando às claras várias opiniões e sentimentos que muitas mulheres têm medo de admitir (tipo querer devolver o bebê pra fábrica) graças às supostas “mães perfeitas” que fazem tudo parecer tão fácil e simples e gostoso. continuarei firme e forte aqui, baby. as mães e mulheres que ficam aliviadas em ler opiniões aqui são motivo suficiente pra que eu continue, e não me deixe abater por provocações como a sua.

porque faço questão de comentar

estou trocando emails com a bianca balassiano do possoamamentar.com.br, e ela tem dado ótimas dicas sobre como ordenhar quando voltar ao trabalho. dicas práticas, que venho experimentando, e agradeço a ela pela boa vontade, educação e disposição em ajudar alguém que não só não conhece como também é em muitos aspectos avessa às suas crenças. recomendo procurá-la quando precisarem de apoio individualizado na amamentação.

começo com essa breve introdução porque respeito a bianca, e agradeço sua gentileza, mas também discordo de algumas coisas que ela gosta e divulga, esse texto aqui por exemplo e tudo que ele implica.

considero esse texto um total desserviço às mulheres que se tornam mães e desejam amamentar, e vou usar trechos para explicar meus motivos (grifos meus):

Para dar de mamar deveríamos passar quase o tempo todo nuas, sem largar a nossa criança, imersas num tempo fora do tempo, sem intelecto nem elaboração de pensamentos, sem necessidade de defender-se de nada nem de ninguém, senão somente sumidas num espaço imaginário e invisível para os demais.

(…)

Isto é possível se se compreende que a psicologia feminina inclui este profundo afinco à mãe-terra, que o ser uma com a natureza é intrínseco ao ser essencial da mulher, e que se este aspecto não se põe de manifesto, a lactância simplesmente não flui.

faço antes um comentário breve mas importante: dou muito valor ao instinto, pois creio que são parte da nossa herança genética e nos direcionam para o caminho correto. entendo portanto que seja incentivado que cada mulher encontre seus instintos maternos, eventualmente escondidos pelo verniz da modernidade. isso é especialmente precioso para mulheres que, como eu, são excessivamente racionais. entrar em contato com seus instintos, seu eu-interior e tal é salutar e importante. mas, quero frisar com negrito, isso é assunto individual para ser tratado em terapia!

textos genéricos, apelativos e “definitivos” como esse são um banho de água fria em qualquer mulher que tenha dúvidas sobre sua capacidade de ser mãe e/ou amamentar. bem, vamos aos grifos.

passar quase todo tempo nuas é obviamente inviável, a menos que você seja naturista. e tem o inverno. e a convivência com outras pessoas, já que vivemos num mundo no qual não é natural andar pelado, por mais que seja gostoso. então já partimos da impossibilidade, o que me leva a perguntar qual é o benefício de escrever essa frase… vamos fazer então uma interpretação figurada, e torcer para que as demais coitadas que lêem esse texto tenham essa capacidade e não levem as coisas tão a sério. ela quer dizer que contato pele-a-pele com seu bebê é importante, talvez? genial, tenho certeza que é importante. por que então não dizer exatamente isso, já que estamos falando com mulheres procurando apoio para serem melhores mães? por que não falar sobre coisas possíveis, tais como massagem no bebê, banho conjunto, olho no olho, carícias durante o amamentar, etc.? não, vamos falar de coisas impossíveis, pra que a leitora não se identifique e se sinta inadequada.

imersas num tempo fora do tempo, sumidas num espaço invisível para os demais talvez se trate de desligar das outras coisas, cuidar somente do seu bebê e esquecer de todo o resto do mundo. é, talvez isso faça sentido nos primeiros dias depois que seu bebê nasceu, porque o tsunami de hormônios mais todas as novidades (sentimentos, pensamentos, rotina, etc.) mais a privação de sono realmente deixam a gente num outro universo, paralelo. fato é que passado esse choque inicial, a vida continua acontecendo ao seu redor. a roupa não se lava sozinha, as contas não se pagam, a comida não se apronta e você continua sendo parte de um sistema. o mundo não fica restrito a você e ao seu bebê. e não conta pra ninguém, mas você vai MORRER de saudade da sua vida anterior. você vai se arrepender de ter decidido ter um bebê, vai achar que não vai dar certo, que você não é capaz e que sua vida piorou pra sempre. e logo no mesmo segundo vai MORRER de culpa por pensar tudo isso, porque afinal você já ama aquela criatura mais que tudo na vida, e desejou muito ser mãe, quis e quer fazer o melhor por ela. por mais que as mães-odara tenham dito pra você que sua vida vai mudar pra melhor pra sempre, e que você será uma mamífera-empoderada, você vai se sentir mesmo é uma merda, e pior: sequer vai ter coragem de admitir. porque alguém fez a gentileza de escrever um texto deste tipo, dizendo que o certo é ficar nua, imersa num outro espaço-tempo, se dedicando à sua cria. e ai de você se sentir diferente. não é uma mãe perfeita, claro, e vai se sentir uma mãe de merda.

ser uma com a natureza é a melhor. por mais que eu creia (e creio) que precisamos sim nos conectar mais com nosso lado animal e natural, pois é benéfico em todos os aspectos da nossa vida (alimentação, comportamento, atividades fisiológicas, etc.), “ser um com a natureza” não quer dizer absolutamente nada. na-da. não consigo crer que exista uma pessoa com o racional e emocional em dia que possa dizer que é “um com a natureza”. primeiro porque não vivemos na natureza. eu não conheço uma única pessoa que viva na natureza, que só come o que planta/caça/colhe, que viva em meio à natureza de fato. só isso já é suficiente pra não permitir nenhum de nós ser “um com a natureza”. quando a autora diz que isso é intrínseco ao ser essencial da mulher, danou-se. porque se é intrínseco e você sequer entende o que isso significa e não sente isso, já se lascou toda sua capacidade de ser mãe, mulher, de amamentar. e a autora, ditatorialmente, ainda complementa dizendo que se esse não for seu caso (“ser uma com a natureza, como é intrínseco da essência feminina”), a lactância não flui. sério, gente? quem precisa ler isso? (eu já digo quem precisa ler isso, a pergunta foi retórica)

cara amiga autora, caras mães-odara que gostam muito desse texto, vou dar meu depoimento. eu não sou “uma com a natureza”; não passo o tempo todo nua e nem passei desde que meu filho nasceu; não fiquei num tempo-espaço diferente. inclusive assisti muito friends e tuitei enquanto amamentava meu filho a cada 2 horas. pois meu filho mamou lindamente até agora (está completando 6 meses), em livre demanda, e meu leite sempre fluiu firme e forte desde o dia em que ele mamou. e ele mamou de primeira, sem esforço. e foi na UTI, não numa caverna com sua mãe pelada e bem louca da cabeça, viu?

caras amigas leitoras que se sentem inadequadas com esse texto e essas idéias, eu explico como foi possível amamentar meu bebê sem ser essa mãe-gaia-telúrica perfeita: muita água, alimentação adequada, descanso (conforme possível), fé na fisiologia humana e força de vontade. o negrito na força de vontade, amiga, não é à toa. todas nós viemos prontas de fábrica pra amamentar, basta ter estímulo físico e psicológico. eu comecei a produzir leite DEPOIS que meu filho nascer e ANTES dele mamar. meu corpo estava lotado de prolactina, como é normal para as grávidas recém-paridas, prontinho pra produzir leite. eu ordenhei, e o leite começou a aparecer. aos pouquinhos, gotinhas, e foi aumentando conforme eu insisti. ou seja: fisiologia pronta + força de vontade = sucesso. não é fácil, e às vezes dói (seja ordenhar, seja o bebê mamar), mas dá certo. insista, beba água, SAIBA que você é perfeita e está pronta, pois a natureza fez você assim. não é necessário ser uma com a natureza, nem ficar pelada ou trancada numa caverna. a “lactância” vai “fluir”, sim. e se não fluir? é porque alguma dessas coisas deu errado – às vezes as coisas dão errado, porra! – e também não será o fim do mundo. seu filho vai viver, e você pode ser sim uma boa mãe a despeito (ha) desse episódio.

se você ainda não entendeu meu incômodo com esses textos depois disso tudo, eu resumo: eles fazem a maioria das mulheres se sentirem inadequadas porque não se identificam com a imagem de mãe-telúrica pintada como ideal. ao sentir-se inadequada, a mulher se enche de medos e dúvidas, e esses sentimentos são um veneno para quem precisa de segurança e estímulo para cuidar do seu filho e amamentar. desserviço absoluto.

bem, agora eu respondo minha própria pergunta: quem precisa ler isso? quem se identifica com essa imagem e quer se auto-afirmar. as mulheres que por algum motivo encarnam a mãe-gaia quando engravidam e dão seus filhos à luz gostam de se ver como provedoras absolutas, necessárias, mágicas e especiais. por mais que remetam à natureza, elas não se vêem como meros animais com tetas, não senhores. elas se vêem como deusas superpoderosas, sobrenaturais. a maternidade dá a elas uma dimensão que antes não existia, dá SENTIDO às suas vidas e as definem. antes de serem mães elas eram meras mortais; depois do parto, se tornam algo especial, fora do alcance dos que não passaram por essa experiência, são mamíferas (todos somos, os homens inclusos, dã), gaia. em bom português, elas piram na batatinha.

volto ao título: faço questão de comentar sobre isso, porque estou muito bem resolvida com meu papel como mãe e ser humano, com todas as minhas falhas. ser mãe, ou dar a teta pro meu filho, não define quem eu sou nem me torna melhor ou pior que ninguém. até porque já passei pela experiência e vi que sou capaz (a despeito de não ser “uma com a natureza” e tal), isso já não me afeta. mas e as muitas mulheres que vão passar ou estão passando por isso? espero que encontrem esse post e suspirem aliviadas. que digam “graças a GAIA tem mais gente nesse mundo que não pira na batatinha quando vira mãe”.

amigas mães-não-telúricas, esse post é pra vocês: vocês não estão sós! se precisarem de um conselho ou uma história que não passe por soluções mágicas e elfos na floresta, deixa um recado que se eu não souber, consulto as minhas amigas mães de verdade.

o fim da banguela

tou triste, confesso. o menino tá com dentinho desde a semana passada (5 meses e meio), e tou sofrendo já com saudade do banguelão. fala a verdade, não tem coisa mais fofa que sorrisão banguela! é tão limpinho, inocente, fofo… os dentes me lembram que mordemos, trituramos, rasgamos, somos bichos onívoros. a banguelinha é tudo de mais doce e inocente, ah, meu deus.

meu menino começou a crescer.

e tá um pitbull, que conste. morde até pensamento. inclusive minha bochecha, queixo, nariz, dedos e joelho. e o que mais vier pela frente, é claro. parece o godzilla neném, com direito a grunhidos: GRAAAA, GRRRR, ARRRRRGGG, etc.

coincidência ou não, a alimentação sólida dele começou quase junto com o primeiro dentinho. alimentação que ele aceitou muito bem, diga-se. apesar da cara de nojo (provavelmente por causa da consistência das papinhas), ele abre a boquinha e come, com gosto. cospe, tem dificuldade de engolir, mas já ensaia mastigar e demonstra prazer com algumas coisas (como pera, por exemplo, minha fruta predileta. orgulho da mamãe :D). e engordou, só nessas 2 semanas de papinha de legumes, impressionante.

por mais que as radicais de plantão defendam o aleitamento exclusivo até o sexto mês, acho que acertamos em iniciar no quinto mês, ele continua mamando e está comendo muito bem, o que pra mim significa que ele estava pronto. não precisamos forçar nada.

e o mais fofo: meu onivorinho está querendo pegar a NOSSA comida. não pode ver ninguém comendo que estende as mãozinhas 🙂 coisa fofa.

a quem interessar possa, como fizemos a iniciação aos alimentos:

semanas 1 e 2

– por volta de 9h da manhã, suco de 1/2 laranja lima coado (descascamos a laranja antes de espremer, pois ela é muito ácida), dado na chuquinha (mas pode ser no copinho também)

– por volta de 15h, 1/2 fruta amassada e peneirada (algumas você pode cozinhar pra ajudar na consistência, eu cozinhei a maçã e pera, e vou cozinhar a banana na próxima vez, ele pareceu gostar mais da consistência)

dica: dê a mesma fruta por 1 semana, para o bebê acostumar com o sabor e consistência. como é tudo novo pra ele, e novidades são sempre difíceis de assimilar, eles precisam de um tempo pra “fixar” aquele gosto e consistência. alguns lugares falam de tentar 3 dias, eu preferi seguir a dica do meu pediatra (1 semana)

semanas 3 e 4

– mantenha o suco e a fruta

– por volta de 11h, adicione a papinha de legumes (batida e peneirada), de 4 a 5 colheres de sopa. fazemos a papinha com mandioquinha, batata (ou nhame, ou cará, ou mandioca), cenoura (ou abóbora, ou beterraba) e chuchu (ou abobrinha). não adicionamos sal e nenhum tempero, só um fiozinho de azeite.

dica: a função intestinal se modifica completamente com a adição de frutas e papinha de legumes. o otto passou a fazer cocô 1 vez por dia somente, consistência pastosa tipo homus 😀 (antes fazia de 4 em 4 horas, e bem líquido). começamos a achar a consistência muito pastosa, e nossa super-babá adicionou 1 quiabo batido (e peneirado) na papinha. o cocô melhorou bastante, soltou um pouco o intestino dele, facilitando o processo.

na próxima semana adicionaremos carne à papinha de legumes, já que ele aceitou bem todas as adições. a recomendação do pediatra é carne magra (vaca ou frango), cozida e batida no liquidificador. não adianta só o caldinho, ele precisa comer a proteína mesmo pra começar a ingerir mais ferro e ver como se comporta para digerir carnes. em breve conto mais como foi essa transição.

o que já sabemos é que o cocô vai ficar ainda mais asquerosinho, mal podemos esperar… #not

a propósito, nunca achei o cocô dele sem cheiro, como algumas mães dizem. cheguei a perguntar sobre isso pro pediatra, e segundo ele essa história de “cocô de bebê não tem cheiro” é coisa de mãe alterada 😀 tem cheiro sim, e não é agradável não senhores.

sobre tudo OU o post mais longo ever!

estou usando o calendário (papel) no quarto do otto pra registrar algumas coisas, mas acho que vale também registrar aqui. como pretendo organizar as informações a respeito de amamentação exclusiva e transição para outros alimentos, esse post pode ser reaproveitado.

desde que engravidei decidi que amamentaria o bebê por quanto tempo fosse possível, com ênfase nos 6 primeiros meses. inicialmente pensei em amamentar exclusivamente até o sexto mês, mas conversando com o pediatra decidimos começar o processo de oferecer outros alimentos a partir do quinto mês, para que eu ficasse mais tranquila quando voltasse a trabalhar (o otto vai estar com 6 meses e meio).

lendo sobre amamentação na internet parece que iniciar alimentação para o bebê antes do sexto mês é uma heresia. escolhi o pediatra do otto a dedo, ele é chefe da pediatria da UNICAMP, universidade que admiro muito. é um médico de meia-idade, com enorme experiência nesta área. as consultas são longas, e ele explica absolutamente tudo que queremos saber com riqueza de detalhes para não-leigos. ele nos trata como iguais e não como “pai e mãe”, respeitando nossa inteligência. em suma: confio no profissional que escolhi para nos aconselhar, e estou satisfeita com as explicações para as decisões tomadas. e posso estar errada, mas tenho a impressão que os sites de amamentação que vejo por aí pecam pelo excesso (entendo a radicalização pra mudar um quadro desfavorável, mas não vou entrar nessa), propõem uma abordagem que transforma a mãe em uma teta ambulante, que precisa estar 100% engajada e à disposição do bebê.

sim, eu acho que quem decide ter um filho precisa se engajar e estar à disposição dele o máximo possível. ênfase no POSSÍVEL, por favor. porque amamentar e cuidar do bebê precisam ser atividades com as quais a mãe tem algum prazer e recompensa, nenhum bebê se beneficia de uma mãe estressada, chateada ou arrependida de ter parido. e não me venham com papo moralista de “pariu agora aguenta”, guardem esse discurso pros seus pastores e equivalentes.

me parece (pelos inúmeros blogs e sites por aí) que existe algo como um “movimento de mães-odara” que se pauta numa “volta às origens” (se dedicar exclusivamente ao bebê, fazer tudo da forma mais “natural”). fala-se sobre amamentar por 2 anos, ou mais, adiar a inserção da alimentação para o bebê, etc. apesar de todas as boas intenções, vejo alguns pontos problemáticos (que vou detalhar) quando me deparo com esses discursos: elas falam como se tudo fosse fácil, intuitivo e lindo. e se você não consegue ou não quer “fazer sacrifícios” para atender seu filho, é uma mãe de merda. existem as mães de merda, sim, mas há todo um gradiente de mães humanas e possíveis entre as mães doriana e as mãe de merda!

vamos aos problemas que eu identifico:

cenário 1 – supondo que você seja uma das que tem emprego formal, sua licença foi recentemente estendida para 6 meses. se você conseguir trabalhar até o dia de ter seu bebê, voltará a trabalhar quando ele completar 6 meses. é possível mantê-lo mamando no peito este tempo, mas [problema 1] você não conseguirá acompanhar a transição para os alimentos, pois precisa voltar a trabalhar. e enquanto alguém [problema 2] faz a transição para alimentos sólidos, você precisa [problema 3] ordenhar leite para o seu bebê (falo disso daqui a pouco).

cenário 2 – você não tem emprego formal, não tem licença maternidade e vai ficar sem trabalhar pelo tempo que for possível para continuar sobrevivendo. supondo que seja possível ficar sem trabalhar e sem receber por 6 meses, enfrentará os mesmos problemas do cenário 1, e se não puder parar de trabalhar de jeito nenhum, terá que ordenhar leite para o seu filho loucamente, já que é a única alimentação dele.

cenário 3 – você consegue trabalhar meio-período ou em casa, e portanto consegue continuar suas atividades sem precisar ordenhar, deixar seus filhos com outras pessoas e delegar a transição. neste caso, precisará administrar seu tempo [problema 4] para adicionar à sua agenda todas as novas atividades que a maternidade traz consigo e ainda viver!

cenário 4 – você não precisa trabalhar ou se parar de trabalhar continua vivendo porém com menos “luxos”. pode amamentar seu filho quantos meses forem necessários e fazer a transição para alimentos sólidos com acompanhamento de perto. lucky you! caso você tenha condições de ter funcionários, sequer enfrentará o problema 4.

não vou comentar o problema 4, pois não é meu caso por enquanto. vamos aos demais:

problema 1: podem me chamar de controladora, mas faço questão absoluta de acompanhar de muito perto a iniciação do meu filho aos alimentos, observando sua reação, as mudanças que causam no corpinho e comportamento dele e principalmente a preparação e rotina. quando eu voltar a trabalhar (sou a mãe do cenário 1), a babá é quem vai alimentá-lo (com a supervisão ocasional do pai, que trabalha em casa), portanto quero garantir que ela faça como eu faria.

queria ver com meus próprios olhos essa transição, esse foi um dos motivos de antecipá-la para os 5 meses: quando ele estiver com 6 meses e meio e eu voltar ao trabalho, a transição está praticamente completa e eu já saberei como ele se comporta, o que gosta, como aceitou os alimentos e como está a digestão. ficarei mais tranquila e consequentemente serei uma mãe melhor pra ele.

o outro fator para o início da alimentação foi uma dica do pediatra: o otto aumentou a frequência de mamadas à noite a partir do quarto mês (3 em 3, ao invés de 4 ou 5 horas de intervalo enquanto dormia). o menino cresceu mais do que engordou, e parece que alguns bebês realmente precisam mamar mais para manter o ritmo do seu crescimento. a sugestão dele foi oferecer suco e fruta, pois se ele estivesse mesmo precisando de mais alimento, aceitaria bem e “aliviaria” essa maior frequência durante a noite. pois foi exatamente o que aconteceu: ele aceitou muito bem o suco e as frutas, e voltou a aumentar o intervalo de mamadas à noite. além disso, ele continua mamando de 3 em 3 horas de dia, o alimento novo é suplementar. não sei quando exatamente vamos começar a substituir, mas por enquanto ele toma suco E come E mama o dia todo e à noite.

e tem outra coisa: acho que se o alimento for ofertado e o bebê aceitar, é porque está pronto. o desenvolvimento dos bebês não é idêntico para todos eles, e 6 meses é somente uma data. não há nenhum marco de desenvolvimento humano que seja tão preciso. a data de aniversário é só uma data! não creio nessas “datas místicas”, prefiro experimentar e ver como o MEU bebê reage aos estímulos.

problema 2: “alguém”, ou “algum lugar”, é a grande questão que tira o sono das mães que precisam trabalhar. eu tenho uma sorte enorme, pois a maria que cuidava de nós e da casa também foi babá por muitos anos, cuidou de crianças a vida toda e AMA ser babá. ela nos ensina sobre como cuidar do otto, e estou 100% tranquila com ela assumindo os cuidados dele. mas e quem tem pouco dinheiro para pagar e não tem ninguém de confiança, faz como? antigamente as mulheres eram essencialmente donas de casa, as poucas que trabalhavam contavam com parentes e vizinhas que assumiam o cuidado das crianças. agora temos creches (péssimas, ouvi dizer) que cuidam das crianças “em lote” e babás que custam muito dinheiro.

financeiramente, no meu caso, compensa ter babá. o que ela ganha é muitíssimo menos do que eu ganho trabalhando fora, portanto a equação é positiva pra mim. além disso, prefiro trabalhar a cuidar da casa e de criança.

(pausa para as mães-odara se juntarem pra jogar um feitiço wicca pela blasfêmia)

e brincadeiras à parte, creio que é importante para toda criança conviver com outras pessoas que não somente os pais. especialmente quando se trata de filho único, os pais podem ser excessivamente protetores ou criar expectativas irreais. tou cansada de ver crianças totalmente dependentes dos pais, com dificuldade de socialização e com alto grau de ansiedade pra corresponder às expectativas dos pais (ou seja: com medo de errar e arriscar). gosto de ver meu filho brincando com a babá, o jardineiro, a faxineira e se divertindo um monte. espero que ele continue convivendo com pessoas diferentes de nós, que não esperam tanto dele e portanto vão cobrá-lo muito menos.

voltando ao problema: e as mães que trabalham e não têm esse suporte todo que eu tenho? precisam se adaptar e abandonar o medo e a culpa. seus filhos e elas mesmas terão outros obstáculos pra superar, mas a verdade é que no fim as coisas se ajeitam. o ser humano é muito adaptável e – na minha opinião – se beneficia de situações que requerem flexibilidade. aprendemos mais e mais rápido quando há barreiras a superar. não há porque se sentir culpada por não poder estar o tempo todo com seu filho, sua onipresença não é essencial para que ele seja feliz e cresça saudável.

é, mãe-odara, no fundo eu tou dizendo que seu filho superprotegido e que só ouve mozart e palavra cantada pode sim acabar se tornando um mala anti-social, enquanto o filho da sua empregada é feliz e sociável, apesar dos pesares. é claro que seu filho terá mais chances, porque é mais rico e mais bem-relacionado, mas talvez não seja tão feliz…

o que me leva a tópico que pretendo detalhar em outro post: é mais importante ser bem-sucedido ou ser feliz? (supondo que algumas opções inviabilizam os 2 ao mesmo tempo)

problema 3 – a ordenha. o processo é chato, um pouco doloroso e cansativo. só muita vontade de alimentar seu filho com seu leite motiva uma mãe a fazer isso, acreditem. não é preguiça nem má vontade, caso isso tenha passado pela cabeça de vocês. é dureza.

suponha então que você esteja muito disposta a manter seu bebê mamando do seu leite, e vai voltar a trabalhar. percebam os problemas logísticos e qual é o tamanho da vontade que uma mãe tem que ter pra conseguir o feito:

– é preciso ordenhar pelo menos 2 vezes por dia no trabalho, para manter o fluxo do leite e conseguir volume. isso significa pausas de pelo menos 30min. e reze para seu empregador liberar você, pois as pausas de amamentação previstas por lei valem somente até o sexto mês do bebê;

– é preciso armazenar o leite ordenhado em vidros estéreis, na geladeira, até a hora de voltar pra casa. e para transportar de volta, é preciso bolsa térmica. pense em esterilizar os vidros diariamente e armazená-los sabe deus onde na sua empresa;

– é preciso privacidade para a ordenha, ou seja, sala fechada. todos os dias, 2 vezes por dia;

– é preciso uma máquina elétrica de ordenhar, ou você pode subir para 2 pausas de 1h por dia;

é claro que você pode ordenhar e jogar o leite fora, mas só funciona se seu filho não mamar mais durante o dia… ainda assim, precisa das pausas, da privacidade, etc.

agora faça assim: encaixe mais essa função no seu dia, e pense se os ambientes de trabalho facilitam o procedimento. pense com calma, e pense de novo na próxima vez que criticar as mães que não querem ou não conseguem manter essa rotina para os seus filhos.

resumindo…

tem que ter muito boa vontade. e mesmo com boa vontade, precisa também de condições favoráveis e muita, muita ajuda. e nada disso adianta se a mãe em questão está estressada, infeliz, culpada e se martirizando porque não é perfeita. e adianta menos ainda se a mãe não tem condições de se alimentar direito ou dormir porque não tem dinheiro e nem tempo.

cada vez mais creio que mães felizes, realizadas (pessoal e profissionalmente) e tranquilas são as melhores mães que existem. amamentar até os 7 anos no peito e estar presente 100% do tempo na vida do seu filho não fazem de você uma mãe melhor necessariamente e nem tornam seu filho necessariamente uma criança feliz. o vínculo com seu filho não se dá no parto, nem na amamentação, mas no dia a dia, no decorrer dos anos. é preciso parar com essa história da carochinha que “amor de mãe é imediato e incondicional”, que surge como num passe de mágica quando o bebê passa pelo canal vaginal ou quando mama no seu peito. isso é um desserviço à saúde mental da mulher. já existem hordas de mulheres deprimidas porque não conseguem corresponder a esse ideal de mãe perfeita. esse tipo de discurso é tão nocivo quanto as capas de revista com mulheres perfeitas. não basta ter que ser a mulher perfeita, agora tem a patrulha da mãe perfeita. chega!

e se você tem dúvidas sobre isso ser balela de mãe-odara doida que precisa ir pra terapia, voltemos às origens da nossa espécie: humanos são gregários, vivem em grupo sempre. as crianças não ficam grudadas em suas mães o tempo todo, elas passam de colo em colo, com outras crianças maiores ajudando a cuidar inclusive. logo que conseguem colocar coisas na boca já começam a ser alimentadas, e o leite do peito é dado sempre que possível pois é mais prático. nenhuma mãe humana, na sua essência, amamenta porque “é lindo e é bom para o bebê e cria vínculo”. amamenta porque é PRÁTICO (e por isso é bom, e perfeito. a natureza é sábia). tão logo a crianças começam a andar e pegar coisas, começam também a ter funções PRÁTICAS. crianças sempre foram mão de obra, essa coisa de “proteger a criança” é coisa muito, muito recente. crianças humanas não ficavam sendo paparicadas por adultos e nem “se dedicando a atividades lúdicas”. elas aprendiam enquanto brincavam, ajudando os adultos. todos os animais são assim, aliás. e os papais não ficavam trocando fraldas, iam caçar; as mamães iam colher comida, cuidar das coisas, revezando a função de cuidar das crianças. até porque se não fosse assim, todo mundo morria de fome, percebe?

OU SEJA: essa romantização toda do parto, da amamentação e da criança é recentíssima e na minha opinião uma PUTA viagem errada. tem gente que precisa arranjar um tanque de roupa pra lavar, um quintal pra varrer, sabe, se ocupar. façamos as coisas da forma mais natural, sim, até porque é comprovadamente bom, pela evolução. o que não dá é essa viagem errada, não senhores.

cada vez mais estou convencida que esse hype todo sobre parto natural e amamentação xiita (à revelia das condições existentes) tem a ver única e exclusivamente com a necessidade de algumas mulheres de encontrarem seu lugar no mundo. várias delas só se definem como “mães” e “mamíferas”, e se apegam a isso com unhas e dentes. a falta de outras realizações relevantes (na cabeça delas, claro. o resto do mundo doesn’t give a flying crap a respeito) faz com que elas fiquem cegas e radicais. como faz? vai pra terapia. pára com essa maluquice de tentar provar que existe algo como a maternidade perfeita.

da minha parte, me esforçarei pra fazer o melhor e o possível, sem me violentar ou sacrificar. tenho certeza que serei uma mãe melhor se for feliz e não me sentir cansadíssima e/ou culpada. tudo o que eu mais quero é que meu filho seja INDEPENDENTE de mim, e não o inverso. portanto, farei o que estiver ao meu alcance pra que o otto tenha condições de ser independente, e quando ele estiver pronto, assim será.

algumas considerações sobre estar no poder

por conta de ler histórias de parto e amamentação, continuo pensando no meu parto e como se deu o processo. fui e sou defensora do parto natural, com o mínimo de intervenção, mas tenho achado os discursos a esse respeito cada vez mais xiitas e “viajantes”.

não tenho nenhuma dúvida que o parto natural é melhor para a mãe e para o bebê. acredito nisso não por nenhum motivo místico, emocional ou romântico, mas porque sou 100% crente na natureza e na evolução. nossa espécie evoluiu e foi bem sucedida com nossas fêmeas parindo seus bebês desta forma, portanto esta é sim a forma PERFEITA. ponto final. a verdade é que as cesáreas de emergência (como a minha) ou por necessidade, são anomalias. e exatamente por isso devem sem exceções. no mundo animal, uma fêmea que tem seu primeiro filhote aos 38 anos (idosa, para fins reprodutivos) tem menos chance mesmo de ser bem-sucedida. fato biológico, não há argumento.

mas somos humanos, e vamos contra a natureza diária e insistentemente, e eu não sou diferente. adiei até os 38 anos a decisão de engravidar, e embora tenha tido uma excelente gravidez, o parto e pós-parto foram bem ruins. completamente o oposto do parto fisiológico, natural e sem problemas, como seria o correto. assumo as consequências da minha escolha, mas tenho os olhos abertos pra todas elas: engravidei tarde; decidi induzir o parto por medo de esperar até a 42a semana; decidi realizar a cirurgia de emergência quando meu filho e eu ficamos em risco.

tenho falado bastante aqui e no meu blog nestes anos todos sobre escolhas e arcar com as consequências delas. novamente, acho que é disso que também se trata quando entramos no assunto parto e amamentação (pra não falar da educação dos filhos).

sou contra procedimento cirúrgico nem necessidade quando se trata de parto, porque como já disse, acredito na perfeição da natureza. mas isso, de longe, não é o que mais me incomoda na opção pela cesárea (e outras opções, como vocês verão). muito me irrita é a ignorância acerca do processo, a transferência de responsabilidade para outro(s) e, só como bônus, a total falta de interesse pelo crescimento individual (tornar-se alguém melhor). explico.

o processo: em algum momento, deixamos pra trás o mecanismo que faz de nós a espécie mais bem-sucedida deste planeta, a transferência de conhecimento. a cada geração temos mulheres mais ignorantes que nunca acerca de gravidez, parto, amamentação e bebês. o conhecimento passado de mãe/pai para filhas e filhos é essencial. compartilhar histórias, aprendizado e cultura é o que faz de nós o que somos. não podemos perder isso. nos transformamos em poços de cultura inútil e não sabemos mais o básico. as mulheres morrem de medo de parto, de bebês, de relacionamentos. nossa espécie se encaminha pra onde, pergunto eu? não acho uma evolução positiva.

transferência de responsabilidade: é inaceitável tantas mulheres feitas fazendo cesárea porque o médico mandou, porque o médico disse isso ou aquilo, ou porque “minha mãe não teve dilatação, eu também não terei”. engravidar, parir, ter filhos enfim é justamente o processo de independência maior, é tornar-se adulto. ou seja, é a hora de você começar a assumir responsabilidades SUAS e sair da aba dos seus pais. ou dos seus médicos, neste caso. assuma suas escolhas! só que pra isso, é preciso falar do próximo assunto…

auto-conhecimento, crescimento pessoal: é possível ser melhor e evoluir sem se conhecer? talvez, mas eu duvido. para todos os animais, crescer e procriar acontecem naturalmente, bem como a independência dos pais (na verdade, isso acontece na MARRA). pra nós, esse crescimento e a independência cada vez têm sido mais adiados, e às vezes nem acontecem. filhos se tornam pais incompetentes justamente porque chegaram à maturidade sexual e reprodutiva sem amadurecer emocional e socialmente. e vão criando seus filhos que vão repetir o mesmo padrão. a capacidade de gerar um filho devia trazer consigo uma revelação biológica e emocional: SOU ADULTO. preciso ser alguém mais independente, melhor, mais capacitado, para poder criar um filho bem-sucedido, que sobreviva a mim com louvor. querer ser melhor, se conhecer, é parte de ser humano, diferente dos outros bichos. por algum motivo bizarro, simplesmente estamos deixamos de lado essa capacidade e procriamos como coelhos.

resumindo: o casal engravida, não sabe nada sobre gravidez ou parto ou bebês e prefere continuar não sabendo, delega todas as decisões a um médico ou pai/mãe (seja no parto, seja na criação e cuidado das crianças) e cria seus filhos como se fossem seus irmãos menores, com muita “consultoria externa”. veja que não falo de ajuda (que é absolutamente necessária), mas de abrir mão da responsabilidade voluntariamente, pro médico, avós ou a escola. “o médico mandou, minha mãe me disse”, etc.

finalmente, volto ao assunto: eu, defensora do parto natural, tive de me submeter a uma cesárea de emergência. irônico, ahn? também achei, na ocasião, fiquei me sentindo péssima. foi quase como um castigo pra mim. honestamente não me senti mal, deprimida e nem fracassada, mas foi frustrante sim. só que elaborando melhor nestes meses, concluí o seguinte: não me senti mal com a situação, porque apesar de ter me submetido a um procedimento invasivo e meu filho ter ficado afastado de mim por 8 longos dias, todas as decisões sem exceção foram tomadas por mim.

levei a gravidez adiante somente quando quis (para o bem e para o mal); meu pré-natal foi feito da forma que eu quis, mudei de médico várias vezes para melhor atender ao que eu desejava; fiz indução do parto porque quis, concordei com a médica que era a melhor opção, e teria me recusado se realmente quisesse diferente; fui eu que decidi ir para a cirurgia de emergência, a médica me deu a opção de esperar mais e eu não quis; concordei 100% com todos os procedimentos na UTI para o meu bebê e perguntei sobre TUDO que foi feito.

minha conclusão é que mais importante que o TIPO de parto é o quanto você participou de fato e fez valer sua vontade e sua crença. o quanto você se envolveu e tomou pra si o conhecimento, as decisões e obviamente as consequências delas. estou convencida que este é o motivo de eu estar tranquila e em paz quanto ao meu parto, que foi diametralmente oposto ao que eu “sonhei”. a frustração se dá pelo fato de não poder viver a experiência (já que não quero engravidar de novo), e não por ter “saído do meu plano”. eu fui protagonista no meu parto, mesmo com a médica tirando o bebê de dentro da minha barriga, caras mães-odaras-do-parto-natural. continuei protagonista no acompanhamento do meu filho na UTI, ordenhando colostro pra ele se recuperar mais rápido, e dando o peito ainda na UTI. sem drama, sem stress, sem expectativas não realistas.

e a conclusão mais importante de todas veio essa semana: o parto acaba se tornando “o momento de epifania da vida” para mulheres que têm problemas não resolvidos nesta seara, que idolizam ou demonizam suas próprias mães e têm expectativas românticas sobre a maternidade. pra mim, é só um processo fisiológico que eu acho massa e queria experimentar. acabou. o importante mesmo disso tudo é o bebê, a vida que se inicia (pra todos os envolvidos) a partir daquele momento.

o resto é assunto pra terapia.

o fim das coisas que já não servem

estou muito feliz por ter pedido e aceitado doações de roupa para o Otto. ele usou TUDO, cresceu super rápido e perdeu as roupas num piscar de olhos. fora uns 3 macacões que guardei por motivos sentimentais, doei todas as roupas e sapatos que já não serviam mais (sacolas e sacolas!). estou guardando aqui um moisés e um monte de roupas que vou doar para uma mãe que está com câncer de útero e grávida. o bebê vai nascer prematuro e ela vai ter que sofrer uma cirurgia bem grande no nascimento dele. situação triste. o bercinho portátil foi pra minha prima grávida de 6 meses, e os livros foram distribuídos.

continuarei doando tudo o que não servir mais, com o maior prazer, e quem quiser doar roupinhas usadas (e qualquer outra coisa) pro Otto pode avisar que eu vou buscar 🙂 adoro reciclar roupas.

separei também brinquedos que vamos doar para uma creche em campinas. entre os muitos bichos de pelúcia, tem um cachorro monstruoso (e lindo) que ganhei do primeiro ex-marido há mais de 15 anos e que já está na hora de ir embora. vai fazer a alegria da criançada na creche.

gosto de fazer limpezas periódicas aqui em casa, e costumo separar roupas e sapatos para doar sempre que compramos coisas novas. é uma forma de não acumular, e praticar um pouco de desapego também. recomendo: a gente se sente mais livre e obviamente leve de tanta tralha.